Sustentabilidade
Vai plantar trigo safrinha no Brasil Central? Fique atento às recomendações da pesquisa – MAIS SOJA

O período recomendado para o plantio do trigo de segunda safra (safrinha) ou de sequeiro no Cerrado do Brasil Central vai de março até meados de maio, e os produtores devem ficar atentos a questões climáticas, ao manejo adequado do solo e da lavoura, bem como à escolha da cultivar para obterem sucesso na colheita da safra 2026.
Na região, o trigo safrinha pode ser cultivado logo após a colheita da soja e sem irrigação, aproveitando as águas do final da estação chuvosa. De baixo investimento, a cultura tem se mostrado vantajosa para o sistema de produção tanto devido aos benefícios agronômicos – como diversificação de culturas, quebra de ciclo de pragas e doenças e a cobertura de áreas que ficariam em pousio – quanto à rentabilidade que pode proporcionar, a depender do mercado.
Apesar do atual cenário ser de redução de área em nível nacional para a próxima safra (Conab, fev2026), na região do Cerrado os produtores estão otimistas com a cultura devido não apenas aos benefícios agronômicos como também aos bons rendimentos de grãos obtidos no ano passado. A tendência é de manutenção da área plantada, ou até um leve aumento na região. Em 2025, foram cultivados cerca de 290 mil hectares de trigo nos estados de Minas Gerais, Bahia, Goiás, Mato Grosso e no Distrito Federal, sendo mais de 80% dessa área com trigo sequeiro. Em Goiás, estima-se uma área plantada em torno de 80 a 90 mil hectares este ano.
O trigo tem sido bastante cultivado, no Brasil Central, em Sistema Plantio Direto, sobretudo em sucessão à soja e em rotação com o milho e o sorgo, garantindo a diversificação das culturas e a diminuição de riscos. Ao promover a rotação de cultivos, o trigo possibilita também a rotação dos princípios ativos de produtos como os herbicidas usados para controlar plantas daninhas resistentes ao glifosato em lavouras de soja transgênica, bem como plantas de soja e milho tiguera (germinadas após a colheita), contribuindo para o vazio sanitário que deve ser iniciado nos meses inverno.
O cultivo do trigo após a soja traz outra vantagem ao sojicultor, ao permitir o uso de cultivares de soja de ciclos mais tardios, que geralmente apresentam tetos produtivos maiores que os de variedades precoces e superprecoces, ciclos mais compatíveis com o milho safrinha. “E depois que é colhido, o trigo deixa uma excelente palhada, favorecendo o plantio direto da safra seguinte de verão”, completa o pesquisador Jorge Chagas, da Embrapa Trigo (RS).
Devido à época de semeadura anterior à das demais regiões tritícolas do Brasil, o trigo produzido no Cerrado do Brasil Central é o primeiro a ser colhido na safra do País, podendo obter preços mais atrativos na comercialização.
“Aqui na região, o trigo safrinha é colhido no período seco do ano, entre junho e julho. Isso tem garantido um produto de elevada qualidade de grãos e livre das micotoxinas que costumam afetar lavouras do Sul do País nos anos em que chove muito durante a colheita”, observa Júlio Albrecht, pesquisador da Embrapa Cerrados (DF). Ele acrescenta que os rendimentos das lavouras do Cerrado têm variado de 35 a 85 sc/ha em anos com precipitações dentro da média, e as receitas com as vendas têm estimulado os produtores a ampliarem a área cultivada na região.
Os passos para uma boa colheita
O trigo de sequeiro é indicado para cultivo em regiões de altitude igual ou superior a 800 metros. É fundamental que o produtor saiba a altitude média de sua região antes de planejar o plantio da cultura, bem como as janelas com menor risco climático para as lavouras.
As portarias com as informações sobre o zoneamento agrícola de risco climático para o trigo estão disponíveis na página do Ministério da Agricultura e Pecuária (https://www.gov.br/agricultura/pt-br/assuntos/riscos-seguro/programa-nacional-de-zoneamento-agricola-de-risco-climatico/portarias) e no aplicativo Zarc Plantio Certo (https://www.plantiocerto.cnptia.embrapa.br/), da Embrapa, também disponível para Android e iOS.
Em seguida, deve ser feita a análise do solo. Albrecht e Chagas ressaltam que o solo de Cerrado deve ser corrigido quanto à acidez com o uso de calcário, e o alumínio em profundidade deve ser neutralizado com aplicação de gesso agrícola. “O solo também deve estar livre de camadas compactadas para que as raízes das plantas se aprofundem e aproveitem melhor a água e os nutrientes”, diz Albrecht, acrescentando que essa condição minimiza os efeitos dos períodos sem chuva, como os veranicos.
Os problemas com a falta de chuvas também podem ser mitigados com a adoção do Sistema Plantio Direto, com a semeadura direta do trigo sem a incorporação na palhada da cultura de verão. Entre outros benefícios, a palhada protege o solo das altas temperaturas, pois amenizam a perda de água por evapotranspiração e permite maior infiltração da água das chuvas.
A semeadura deve ser realizada do início de março até o final do mês, de acordo com as precipitações na região. Os pesquisadores recomendam que onde as chuvas param mais cedo, o trigo safrinha deve ser plantado agora no começo de março. O escalonamento da semeadura, ou seja, semear as áreas em diferentes momentos dentro do período recomendado, podem ser uma boa estratégia.
“O produtor pode, ainda, optar por semear cultivares de ciclos diferentes. Dessa forma, a lavoura terá talhões com plantas em diferentes estádios de desenvolvimento. Se ocorrer falta de chuva, o risco todo o plantio ser afetado num único momento crítico, como a floração das plantas, por exemplo, é bem menor”, explica Jorge Chagas, salientando a importância de seguir as recomendações de manejo específicas para cada cultivar, como a densidade ideal de semeadura.
A escolha da cultivar é outro fator estratégico para o trigo safrinha. No início da janela de plantio, recomenda-se o uso de cultivares mais tolerantes a doenças, sobretudo as manchas foliares e a brusone, doença fúngica que se desenvolve em meio à umidade e pode causar grandes prejuízos em anos de muita chuva em abril e maio na região do Cerrado do Brasil Central.
Por outro lado, no caso das semeaduras mais tardias (após o dia 15 de março), o produtor deve lançar mão de cultivares mais tolerantes à seca. Isso porque a baixa precipitação e temperaturas acima da média também podem causar prejuízos, principalmente pelos veranicos que comumente ocorrem nesse período.
A Embrapa tem cultivares adaptadas à região
Para o cultivo do trigo safrinha no Brasil Central, a Embrapa oferece duas opções de cultivares adaptadas ao sistema de sequeiro em ambiente tropical: a recém-lançada BRS Savana e a BRS 404.
A cultivar BRS Savana foi desenvolvida para cultivo em sistema de sequeiro em ambiente tropical. De porte baixo e com ciclo precoce, pode ser colhida 100 dias após o plantio, o que representa menor dependência de água. A semeadura é indicada para a primeira quinzena de março para aproveitar as últimas chuvas no Brasil Central. Apresenta moderada resistência à brusone, garantindo menor impacto ambiental com o uso de fungicidas, graças à translocação do gene 2NS/2AS, que reduz consideravelmente a severidade da doença.
Classificada como trigo pão e testada e validada por moinhos da região, a cultivar tem o potencial de rendimento de 80 sc/ha, sendo indicada para o cultivo em sequeiro em Minas Gerais, Goiás, Distrito Federal e parte dos estados de São Paulo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Bahia.
A nova cultivar será apresentada pela Embrapa Cerrados e pela Embrapa Trigo na AgroBrasília 2026, que será realizada de 18 a 23 de maio no Parque Tecnológico Ivaldo Cenci, no PAD-DF, Distrito Federal.
Desenvolvida para condições de baixa precipitação, a BRS 404 aproveita bem a umidade do solo e o restante das chuvas do final do período das águas (março, abril e maio) no Brasil Central.
A cultivar se destaca pela maior tolerância ao déficit hídrico, ao calor e ao alumínio no solo, além de produzir elevada quantidade de palhada e ainda garantir uma excelente qualidade tecnológica de grãos. Apresenta ciclo precoce (105 a 118 dias), o período entre a semeadura e o espigamento é de 57 a 67 dias, dependendo do local e da altitude do cultivo. Apresenta susceptibilidade moderada à brusone e à mancha amarela, sendo indicada a sua semeadura no final da janela de plantio, após o dia 20 de março na região.
“No Planalto Central, a produtividade da BRS 404 pode chegar a 60 sc/ha, contanto que as chuvas sejam bem distribuídas no período de safrinha. Já em algumas regiões com maior volume de chuvas, como é o caso do Sul de Minas Gerais, os produtores têm obtido produtividades de até 80 sc/ha com a cultivar”, diz Júlio Albrecht.
A BRS 404 é classificada como trigo pão, e mesmo em anos de menos chuvas, os pesos hectolítricos (PH) de grãos têm sido superiores a 80 kg/hl, garantindo a boa aceitação pelos moinhos do Brasil Central. A força de glúten (W), medida do trabalho (energia) de deformação da massa e que indica a força de panificação da farinha, varia de 250 a 400 x 10-4 J – bem superior à W mínima exigida pelos moinhos (220 x 10-4 J). Outra característica industrial de destaque é a elevada estabilidade (tempo de batimento da massa): acima de 15 minutos, o que favorece a panificação.
Fonte: Embrapa
Sustentabilidade
Trigo em Alta: Chicago Dispara com Clima Hostil nos EUA e Guerra no Oriente Médio – MAIS SOJA

A cotação do bushel de trigo, em Chicago, após disparar nesta semana, puxada pela continuidade da guerra no Oriente Médio e, principalmente, pelas condições climáticas ruins nas áreas de produção dos EUA, atingindo a US$ 6,65/bushel nos dias 12 e 13/05, acabou recuando no dia 14, seguindo a tendência da soja e do milho.
Com isso, o primeiro mês cotado fechou a quinta-feira (14) em US$ 6,47/bushel, porém, ainda assim bem mais elevado do que os US$ 6,01 de uma semana antes. Por sua vez, o relatório de maio, do USDA, apontou, para 2026/27, uma produção estadunidense de trigo em 42,5 milhões de toneladas, contra 54 milhões no ano anterior.
Em se confirmando isso, serão 21,3% a menos! Já os estoques finais nos EUA, no ano em questão, ficariam em 20,7 milhões de toneladas, contra 25,4 milhões um ano antes. Por sua vez, a produção mundial chegaria a 819 milhões de toneladas, contra 843,8 milhões no ano anterior, ou seja, um recuo de 2,9%. Enquanto isso, os estoques finais mundiais cairiam para 275 milhões de toneladas, após 279 milhões um ano antes.
A produção da Argentina recuaria para 21 milhões de toneladas, após o recorde de 28 milhões no ano anterior, enquanto a brasileira ficaria em apenas 6,7 milhões de toneladas, contra 7,9 milhões no ano anterior. Com isso, as importações de trigo pelo Brasil somariam 7,2 milhões de toneladas em 2026/27. Lembrando que o mercado interno brasileiro chega a avançar um volume superior a 8 milhões.
Dito isso, as condições das lavouras do trigo de inverno, nos EUA, no dia 10/05, apresentavam 40% entre ruins a muito ruins, 32% regulares e somente 28% entre boas a muito boas. Já o trigo de primavera registrava 53% da área esperada semeada, contra a média de 51%. Do total semeado, 23% estava germinado, contra 19% na média.
E no Brasil, os preços do cereal continuaram sua lenta evolução positiva. No Rio Grande do Sul, as principais praças praticaram R$ 64,00 a R$ 65,00/saco, para o produto de qualidade superior, enquanto no Paraná os valores oscilaram entre R$ 66,00 e R$ 67,00/saco.
O mercado local vem acompanhando o plantio, mais tardio, e o comportamento climático nas regiões produtoras do Sul do país, especialmente porque as previsões, cada vez mais, estão apontando a possibilidade de um super El Niño. Esse fato poderá trazer muita chuva, ventos e granizo no momento crítico do trigo, devendo causar estragos nas lavouras caso se confirme.
Além disso, os altos custos de produção ajudam a diminuir o interesse pelo cereal junto aos produtores. Tanto é verdade que a Conab, em seu relatório deste dia 14/05, indicou uma redução de área no país em 12,5%, para 2,14 milhões de hectares, sendo que o Rio Grande do Sul teria um recuo de 20%, com sua área ficando em 925.500 hectares, enquanto o Paraná perderia 8%, a 753.500 hectares. Com isso, a produção final do país, em 2026, alcançaria tão somente 6,4 milhões de toneladas, contra 7,9 milhões no ano anterior, cristalizando um recuo de 19% sobre 2025.
E isso desde que o clima transcorra normalmente, o que, como se viu, se tornou uma incerteza ainda maior para o corrente ano. Até o dia 11/05 o Paraná já havia semeado 35% de sua área esperada, enquanto no Rio Grande do Sul o plantio apenas está iniciando.
Por sua vez, o analista privado Safras & Mercado aponta uma produção brasileira de trigo, para 2026/27, ao redor de 6,16 milhões de toneladas, com recuo de 23,3% em relação a sua estimativa de colheita do ano anterior, que é de 8,02 milhões de toneladas. Neste momento, o mercado brasileiro observa estoques mais apertados e forte dependência das importações do cereal, com atenção redobrada em relação ao trigo argentino e às oscilações das cotações em Chicago.
Fonte: Informativo CEEMA UNIJUÍ, do prof. Dr. Argemiro Luís Brum¹
1 – Professor Titular do PPGDR da UNIJUÍ, doutor em Economia Internacional pela EHESS de Paris-França, coordenador, pesquisador e analista de mercado da CEEMA (FIDENE/UNIJUÍ).

Autor:Dr. Argemiro Luís Brum/CEEMA-UNIJUÍ
Site: Ceema/Unijuí
Sustentabilidade
Safra de grãos deve registrar alta de 5,7 milhões de toneladas no país – MAIS SOJA

A safra brasileira de grãos deve alcançar 358 milhões de toneladas, volume que representa crescimento de 1,6% em comparação ao ciclo anterior. O acréscimo estimado é de 5,7 milhões de toneladas, reforçando a expectativa de uma produção recorde no país, impulsionada principalmente pelos resultados positivos da soja, do milho e do sorgo. As projeções fazem parte do 8º Levantamento da Safra de Grãos divulgado nesta quinta-feira (14) pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
Soja
A soja segue como principal destaque da temporada. A estimativa é de que a oleaginosa atinja 180,1 milhões de toneladas, estabelecendo um novo recorde para a cultura. O volume supera em 978 mil toneladas a previsão anterior, equivalente a um ajuste de 0,5%, enquanto a colheita já alcança 98,3% da área plantada. Em relação à safra 2024/25, a produção deve crescer 8,6 milhões de toneladas, avanço de 5% que marca o sétimo aumento registrado nas últimas dez temporadas.
Milho e sorgo
O milho da primeira safra também apresentou expansão da área cultivada, revertendo a tendência observada nos últimos anos, com expectativa de produção próxima de 28,5 milhões de toneladas, resultado 3,5 milhões de toneladas superior ao registrado anteriormente. O sorgo igualmente mantém cenário favorável, podendo atingir 7,6 milhões de toneladas produzidas.
Considerando os três ciclos do milho, a estimativa da Companhia aponta para a segunda maior produção já registrada na série histórica, com previsão de 140,2 milhões de toneladas. O resultado representa crescimento de 0,4% em relação ao levantamento anterior, o equivalente a 600 mil toneladas adicionais.
Até o início de maio, 71,5% da área da primeira safra já havia sido colhida, registrando incremento de 1,8% frente à projeção anterior, com aumento de 493 mil toneladas. Já a segunda safra, cuja semeadura foi concluída, deve alcançar 108,5 milhões de toneladas, apresentando leve retração de 0,6% em comparação ao ciclo passado. Segundo a Conab, fatores climáticos afetaram a produção em estados como Goiás e Minas Gerais, embora a área plantada nacional tenha avançado 2,1%.
O desempenho do sorgo também chama atenção, com expectativa de crescimento de até 23,8% na produção. A expansão é atribuída ao aumento significativo da área cultivada, favorecido pela maior resistência da cultura à escassez hídrica e pela utilização semelhante à do milho. O avanço ocorreu em todas as regiões do país, especialmente no Centro-Oeste, onde a área plantada cresceu 50,7%.
Em Goiás, maior produtor nacional na safra 2024/25, a produção deve superar 2,2 milhões de toneladas, representando alta de 40,3%. De acordo com o gerente de Acompanhamento de Safras da Conab, Fabiano Vasconcellos, o crescimento está relacionado à migração de áreas inicialmente destinadas ao milho, já que parte dos produtores optou pelo sorgo após o encerramento da janela ideal de plantio do cereal, aproveitando a maior adaptação da cultura a períodos de estiagem e diferentes possibilidades de uso, como alimentação animal e produção de etanol.
Arroz
No caso do arroz, alimento essencial na mesa dos brasileiros, a produção deve apresentar leve queda de 0,3%, totalizando 11,1 milhões de toneladas. O volume permanece estável em relação ao levantamento anterior, mas representa redução de 1,7 milhão de toneladas frente à safra 2024/25. A retração está ligada à diminuição de aproximadamente 13,7% na área cultivada. Ainda assim, com 94,6% da colheita concluída, houve melhora na produtividade média, estimada em 7.281 quilos por hectare.
Feijão
Para o feijão, a previsão também indica redução. A produção total das três safras deve atingir 2,9 milhões de toneladas, recuo de 5,2% em comparação ao ciclo anterior, mantendo estabilidade frente às estimativas mais recentes da Companhia. A primeira safra da leguminosa, já colhida em 95,4% da área, apresentou ganho de produtividade de 4,3%, com produção estimada em pouco mais de 969 mil toneladas. Apesar das quedas previstas para arroz e feijão, a Conab avalia que não há risco de desabastecimento no mercado interno.
Algodão
Na cultura do algodão, cuja maior parte das lavouras está em fase próxima da colheita, a expectativa é de produção em torno de 4 milhões de toneladas de pluma, volume 2,6% inferior ao obtido na safra 2024/25. A redução está associada tanto à menor área cultivada quanto à queda na produtividade. O trigo também deve registrar retração, com previsão de diminuição de 1,5 milhão de toneladas, principalmente em função da redução da área plantada no Rio Grande do Sul e no Paraná. A produção nacional do cereal está estimada em 6,4 milhões de toneladas.
Etanol
No mercado, a indústria de etanol deve seguir estimulando o consumo interno de milho, que pode crescer 4,6% em relação à temporada passada, alcançando 94,86 milhões de toneladas.
Exportações
As exportações do cereal também devem permanecer elevadas, com expectativa de atingir 46,5 milhões de toneladas, favorecidas pela boa produção nacional. Mesmo com o aumento nos embarques, o estoque de passagem ao fim da safra deverá ficar próximo de 12,98 milhões de toneladas. Para a soja, as projeções seguem igualmente positivas, com exportações estimadas em 116 milhões de toneladas, avanço de 7,25% frente ao ciclo 2024/25.
Autor/Fonte: SNA – Por Larissa Machado / larissamachado@sna.agr.br
Sustentabilidade
Análise climática e prognósticos para maio, junho e julho/26 – MAIS SOJA

Em abril de 2026, as chuvas foram acima de 150 mm na Região Norte, centronorte da Região Nordeste e parte de Mato Grosso e Rio Grande do Sul. Nas demais áreas, os volumes de chuva variaram entre 50 mm e 100 mm, exceto no norte de Minas Gerais, sul do Espírito Santo e norte do Rio de Janeiro, onde os valores foram inferiores a 40 mm. No geral, notou-se uma redução dos níveis de umidade do solo no Centro-Leste do Brasil.
Em grande parte da Região Norte, os volumes de chuva foram superiores a 150 mm e os maiores volumes de chuva concentraram-se no Amapá e nordeste do Pará, onde os acumulados de chuva ultrapassaram os 300 mm. Este cenário contribuiu para a manutenção dos níveis de umidade do solo elevados.
Na Região Nordeste, as chuvas foram acima de 150 mm no Maranhão, centronorte do Piauí, no Ceará, no Rio Grande do Norte e na Paraíba, além do leste de Pernambuco e Alagoas. Destaque para o noroeste do Maranhão, onde os acumulados foram superiores a 400 mm. Nestas áreas, o armazenamento hídrico se manteve elevado. No restante da região os volumes de chuva foram inferiores a 120 mm. Na porção centro-sul da Bahia, os valores não ultrapassaram os 50 mm, havendo redução dos níveis de umidade do solo.
Este cenário foi desfavorável às lavouras de milho primeira safra, ainda em enchimento de grãos. Os maiores volumes de chuva na Região Centro-Oeste foram registrados no norte e oeste de Mato Grosso, com acumulados superiores a 150 mm. Nas demais áreas da região, os volumes foram menores, resultando na redução do armazenamento hídrico no solo e, consequentemente, em restrições ao desenvolvimento das lavouras de algodão e milho segunda safra.
Na Região Sudeste, os acumulados de chuva foram superiores a 80 mm em áreas do sul de São Paulo e de Minas Gerais. Em contrapartida, no norte de Minas Gerais e na divisa entre o Espírito Santo e Rio de Janeiro, os volumes ficaram abaixo de 30 mm. De modo geral, os baixos volumes de chuva causaram restrição hídrica em lavouras de milho e feijão segunda safra.
Na Região Sul, os volumes de chuva foram superiores a 70 mm em grande parte da região. Destaque para o sudoeste do Paraná, oeste de Santa Catarina e norte do Rio Grande do Sul, onde as chuvas ultrapassaram os 150 mm. Estas condições elevaram a umidade do solo nestas áreas, favorecendo os cultivos de segunda safra.
Em abril, as temperaturas máximas permaneceram acima de 30 °C em grande parte das Regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Os maiores valores foram registrados em áreas da Região Centro-Oeste, de Tocantins e do oeste da Bahia. Já no leste das Regiões Sul e Sudeste, as temperaturas máximas ficaram abaixo de 26 °C.
Em relação às temperaturas mínimas, os valores superaram 22 °C em grande parte das Regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Nas Regiões Sul e Sudeste, as mínimas ficaram abaixo de 18 °C, refletindo em condições mais amenas. Destacam-se, ainda, episódios isolados de frio no final de abril, com registro de geadas em áreas pontuais da Região Sul, associados à atuação de uma massa de ar polar de fraca intensidade.
1.2. CONDIÇÕES OCEÂNICAS RECENTES E TENDÊNCIA
Na figura abaixo, observa-se a anomalia da Temperatura da Superfície do Mar (TSM) no período de 16 a 30 de abril de 2026. Nesse intervalo, foram registrados valores entre 0,5 °C e 2° C ao longo da faixa longitudinal, compreendida entre 90°W e 160°E, indicando temperaturas acima da média climatológica e superiores às observadas no mês anterior. As águas mais aquecidas concentraram-se na costa oeste da América do Sul, entre 80°W e 100°W, onde as anomalias variaram entre 2 °C e 3 °C.
Ao analisar especificamente as anomalias médias diárias de TSM na região do Niño 3.4, delimitada entre 170°W e 120°W, verificaram-se valores positivos ao longo de abril, evidenciando um rápido aquecimento das águas do Oceano Pacífico Equatorial. Na segunda quinzena do mês, essas anomalias ultrapassaram 0,5 °C, sinalizando uma possível transição da condição de neutralidade para um futuro evento de El Niño. Contudo, para a caracterização oficial do fenômeno, é necessária a persistência desse aquecimento por, no mínimo, três meses consecutivos.


A análise do modelo de previsão do ENOS (El Niño – Oscilação Sul), realizada pelo Instituto Internacional de Pesquisa em Clima (IRI), aponta para a transição das condições de Neutralidade para El Niño (fase quente), durante o trimestre maio, junho e julho, com probabilidade de 88%.

1.3 – PROGNÓSTICO CLIMÁTICO PARA O BRASIL – PERÍODO MAIO, JUNHO E JULHO 2026
As previsões climáticas para os próximos três meses, de acordo com o modelo do INMET, são apresentadas na figura abaixo. O modelo indica a ocorrência de chuvas acima da média em grande parte das Regiões Norte e Nordeste, além de áreas de Mato Grosso e Rio Grande do Sul. Nas demais áreas, são previstas chuvas próximas ou abaixo da média.
Analisando separadamente cada região do país, a previsão indica chuvas acima da média em grande parte da Região Norte, favorecendo a manutenção de elevados níveis de umidade no solo, principalmente na porção norte da região. Por outro lado, são previstas chuvas próximas ou abaixo da média no sul de Tocantins, leste do Acre, sul de Rondônia e na faixa de divisa entre Amazonas e Roraima.
Destaca-se ainda que, com a aproximação do inverno, aumenta a probabilidade de redução gradual das chuvas no sul da região amazônia a partir de junho, o que tende a diminuir progressivamente os níveis de umidade do solo nessas áreas.
Na Região Nordeste, a previsão indica chuvas acima da média, concentrandose principalmente nas faixas norte e leste da região. No sul da Bahia, a tendência é de ocorrência de chuvas mais irregulares ao longo do final do trimestre, condição que pode favorecer a redução gradual dos níveis de umidade do solo, incluindo áreas da região do Matopiba.
Em grande parte das Regiões Centro-Oeste e Sudeste, são previstas chuvas próximas e abaixo da média. Em Mato Grosso, sudeste de Goiás e leste de São Paulo, podem ocorrer volumes acima da média. Entretanto, com aproximação do inverno, existe uma tendência sazonal de redução das chuvas, especialmente em junho e julho, e de diminuição dos níveis de umidade de solo Na Região Sul, são previstas chuvas próximas ou abaixo da média para Paraná e Santa Catarina.
Já no Rio Grande do Sul, as chuvas podem ficar acima da média, e os níveis de umidade do solo devem permanecer satisfatórios em grande parte da região durante o trimestre. As temperaturas médias do ar devem permanecer próximas ou acima da média histórica em grande parte do país. Valores superiores a 25 °C são previstos para a Região Norte, centro-norte da Região Nordeste e norte de Mato Grosso. Já nas Regiões Sul e Sudeste, áreas de Mato Grosso do Sul, porções leste e sul de Goiás, Distrito Federal e sul de Mato Grosso, temperaturas mais amenas e inferiores a 22 °C podem ocorrer. Destacamse ainda, as áreas de maior altitude das Regiões Sul e Sudeste, onde as temperaturas podem ficar abaixo de 15 °C, especialmente durante a atuação de massas de ar frio.

Mais detalhes sobre prognóstico e monitoramento climático podem ser vistos na opção CLIMA do menu principal do site do Inmet.
Fonte: Conab
Autor:Conab
Site: Conab
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