Business
Soja: O mercado financeiro está vendo fantasmas onde não existem

A forte queda da soja no início desta semana diz muito mais sobre o “humor” instável dos investidores do que sobre uma mudança real no apetite do mundo pelo grão. No mercado financeiro, a reação atual lembra muito uma criança em quarto escuro: começa a ver fantasma em tudo que é canto, assustando-se com sombras que, na luz do dia, não representam perigo nenhum.
As cotações na Bolsa de Chicago sentiram o golpe após os sinais de adiamento do encontro entre Donald Trump e Xi Jinping, previsto para abril. Como o gigante asiático é quem dita o ritmo do baile, qualquer ruído diplomático vira pressão imediata nos preços. Mas é preciso separar o que é pânico de tela do que é movimento real de porto.
O nó na fiscalização: Um “fantasma” criado em Brasília
Somado ao cenário global, o mercado interno enfrentou seu próprio gargalo. O Ministério da Agricultura (Mapa) apertou o rigor nas inspeções fitossanitárias para cumprir protocolos exigidos por Pequim, o que gerou um travamento logístico e fez grandes tradings suspenderem embarques temporariamente. A boa notícia é que o governo brasileiro, após a pressão do setor produtivo, já iniciou a flexibilização dessas normas para destravar as exportações. Ou seja: foi um ruído operacional interno, e não uma ruptura comercial com os chineses.
O veredito: o estômago do mundo não espera
No mundo das commodities, o preço costuma se mover primeiro pelo medo, mas a realidade sempre cobra a conta. Vamos ser racionais: absolutamente nada mudou na relação entre oferta e demanda global em apenas 24 horas para justificar um tombo desse tamanho. As pessoas não pararam de comer e as criações não pararam de consumir farelo de um dia para o outro.
Mesmo que o encontro diplomático entre as potências atrase, o cenário é matemático: a China continua precisando de volumes massivos de soja e terá que comprar de alguém. Se houver qualquer barreira ou demora com os americanos, a demanda simplesmente migra para o Brasil.
O que vimos foi pura especulação do capital nervoso tentando se antecipar a tragédias que não existem no mercado físico. Correção não é mudança de tendência. O mercado está apenas “limpando” os excessos antes de se dar conta de que, no fim do dia, a demanda continua firme e o grão continua sendo essencial.

*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural
O Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.
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Agro Mato Grosso
Chile aumenta compra de carne bovina em 52% e se torna 3º maior mercado de MT

Volume exportado saltou de 2,7 mil toneladas para 4,2 mil toneladas. O estado possui um rebanho de quase 34 milhões de gado, um dos maiores do Brasil.
O Chile aumentou as compras de carne bovina de Mato Grosso em 52,4% em janeiro deste ano, quando comparado com o mesmo período do ano passado, de acordo com comunicado divulgado nesta segunda-feira (16) pelo Instituto Mato-grossense da Carne (Imac).
Diante disso, os chilenos se tornaram o terceiro principal destino de proteína no primeiro mês deste ano. O estado possui um rebanho de quase 34 milhões de gado, um dos maiores do Brasil.
Segundo o Imac, o volume exportado saltou de 2,7 mil toneladas para 4,2 mil toneladas. O desempenho confirma a crescente relevância do mercado chileno para o setor.
Em 2025, o Chile já havia se consolidado como o terceiro maior comprador de carne bovina de Mato Grosso, com a aquisição de 47,7 mil toneladas, crescimento de 44,8% em relação a 2024, quando importou 32,5 mil toneladas e ocupava a sétima posição no ranking dos destinos da proteína estadual.
O resultado vem no momento em que a produção agropecuária busca diversificar o número de mercados compradores. Em dois anos, o estado ganhou 15 novos mercados internacionais para reforçar a pauta exportadora.
Pelo segundo ano consecutivo, a pecuária bateu novo recorde ao registrar mais de sete milhões de abate de bovinos em 2025, o que representa uma alta de 1,44% quando comparado com 2024.
A expectativa dos produtores para os próximos anos, contudo, passa pelo acordo entre Mercosul e União Europeia, que deve criar a maior zona de livre comércio do mundo.
Esse tratado deve beneficiar Mato Grosso com a redução tarifária, acesso ampliado aos mercados, novas tecnologias europeias e estímulo à agroindustrialização do estado.
Critérios chilenos
O consumidor chileno prioriza cortes desossados, carne refrigerada e padronização no acabamento, fatores que favorecem estados com escala produtiva e estrutura industrial consolidada, como Mato Grosso, de acordo com o Imac.
Entre os diferenciais na comercialização para o Chile está o refilamento específico exigido por esse mercado. Os importadores demandam um acabamento diferente no corte, o que requer adaptação das indústrias frigoríficas aos padrões locais de consumo.
Diversificação
Apesar dessa ampliação, a economia mato-grossense ainda está concentrada em quase 40% da porteira para dentro, com agricultura e pecuária, enquanto a produção industrial está em torno de 50% voltada a alimentos e 10% em biocombustível.
Mesmo com essa concentração na economia, o estado procura ampliar a diversificação nas exportações. Essa estratégia ganhou força depois do tarifaço contra os produtos brasileiros imposto pelo presidente norte-americano Donald Trump, que voltou a dobrar a aposta, mas agora de forma global.
Durante a primeira leva de tarifas, o estado ampliou a venda de carne bovina para Argentina, Uruguai e, também, a China.
Business
Para cima: semana do boi gordo começa com tendência de alta nos preços

O mercado físico do boi gordo continua registrando negócios acima das referências médias em diversas praças do país. O cenário é sustentado principalmente pela oferta limitada de animais terminados e pelas escalas de abate apertadas nos frigoríficos, que giram entre cinco e sete dias úteis na média nacional.
Segundo o analista da consultoria Safras & Mercado, Fernando Henrique Iglesias, a disponibilidade restrita de gado pronto para o abate mantém a tendência de valorização da arroba no curto prazo.
“Em geral, temos um mercado que, na variável oferta, apresenta pouca disponibilidade de animais terminados prontos para o abate. Isso nos remete a uma tendência de alta nas referências médias, que podem chegar entre R$ 355 e R$ 360 por arroba em São Paulo ao longo desta semana, no auge do movimento”, afirmou.
Além da dinâmica interna de oferta e demanda, os agentes do mercado também acompanham os desdobramentos do conflito no Oriente Médio e possíveis impactos na logística global, especialmente nas rotas de exportação de carne bovina.
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Confira o preço do boi gordo:
- São Paulo: R$ 349,58 por arroba (referência média a prazo)
- Goiás: R$ 335,54 por arroba
- Minas Gerais: R$ 339,71 por arroba
- Mato Grosso do Sul: R$ 336,59 por arroba
- Mato Grosso: R$ 339,46 por arroba
No mercado atacadista, os preços da carne bovina apresentam estabilidade, mas com sinais de enfraquecimento em alguns cortes. De acordo com Iglesias, mesmo a entrada dos salários na economia não tem sido suficiente para sustentar novos reajustes.
“A carne bovina já atingiu um patamar de preços que afasta parte dos consumidores brasileiros, principalmente famílias com renda entre um e dois salários mínimos. Nesse cenário, cresce a preferência por proteínas mais acessíveis, como carne de frango, embutidos e ovos”, explicou.
Segundo o analista, os cortes desossados, especialmente os nobres, têm registrado queda nas cotações.
Preços no atacado
- Quarto dianteiro: R$ 20,50 por quilo
- Quarto traseiro: R$ 27,00 por quilo
- Ponta de agulha: R$ 20,50 por quilo
No mercado cambial, o dólar comercial encerrou a sessão em queda de 1,62%, sendo negociado a R$ 5,23 para venda. Durante o dia, a moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 5,22 e a máxima de R$ 5,28.
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Exportações de café recuam em março, aponta Secex

As exportações brasileiras de café em grão somaram 1,348 milhão de sacas de 60 quilos em março de 2026, considerando dez dias úteis, segundo dados divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex).
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No período, o país registrou média diária de 134.850 sacas embarcadas, com receita total de US$ 533,372 milhões e média diária de US$ 55,337 milhões. O preço médio da saca ficou em US$ 410,34.
Na comparação com março de 2025, os embarques apresentam queda no volume e na receita, apesar da valorização do café no mercado internacional.
A receita média diária obtida com as exportações é 26,7% menor em relação ao mesmo período do ano passado. Já o volume médio diário embarcado recua 29,9% na mesma base de comparação.
Por outro lado, o preço médio por saca registra alta de 4,4%, indicando valorização do produto mesmo diante da redução do ritmo dos embarques.
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