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3 de agosto de 2026

Business

Soja: O mercado financeiro está vendo fantasmas onde não existem

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Foto: Arquivo/Agência Brasil

A forte queda da soja no início desta semana diz muito mais sobre o “humor” instável dos investidores do que sobre uma mudança real no apetite do mundo pelo grão. No mercado financeiro, a reação atual lembra muito uma criança em quarto escuro: começa a ver fantasma em tudo que é canto, assustando-se com sombras que, na luz do dia, não representam perigo nenhum.

As cotações na Bolsa de Chicago sentiram o golpe após os sinais de adiamento do encontro entre Donald Trump e Xi Jinping, previsto para abril. Como o gigante asiático é quem dita o ritmo do baile, qualquer ruído diplomático vira pressão imediata nos preços. Mas é preciso separar o que é pânico de tela do que é movimento real de porto.

O nó na fiscalização: Um “fantasma” criado em Brasília

Somado ao cenário global, o mercado interno enfrentou seu próprio gargalo. O Ministério da Agricultura (Mapa) apertou o rigor nas inspeções fitossanitárias para cumprir protocolos exigidos por Pequim, o que gerou um travamento logístico e fez grandes tradings suspenderem embarques temporariamente. A boa notícia é que o governo brasileiro, após a pressão do setor produtivo, já iniciou a flexibilização dessas normas para destravar as exportações. Ou seja: foi um ruído operacional interno, e não uma ruptura comercial com os chineses.

O veredito: o estômago do mundo não espera

No mundo das commodities, o preço costuma se mover primeiro pelo medo, mas a realidade sempre cobra a conta. Vamos ser racionais: absolutamente nada mudou na relação entre oferta e demanda global em apenas 24 horas para justificar um tombo desse tamanho. As pessoas não pararam de comer e as criações não pararam de consumir farelo de um dia para o outro.

Mesmo que o encontro diplomático entre as potências atrase, o cenário é matemático: a China continua precisando de volumes massivos de soja e terá que comprar de alguém. Se houver qualquer barreira ou demora com os americanos, a demanda simplesmente migra para o Brasil.

O que vimos foi pura especulação do capital nervoso tentando se antecipar a tragédias que não existem no mercado físico. Correção não é mudança de tendência. O mercado está apenas “limpando” os excessos antes de se dar conta de que, no fim do dia, a demanda continua firme e o grão continua sendo essencial.

Miguel Daoud

*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.

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Business

Plantio de trigo no RS avança pouco com solo úmido após chuvas

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O plantio de trigo no Rio Grande do Sul avançou pouco na semana passada por causa da umidade elevada do solo após as chuvas recentes. Segundo a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Rio Grande do Sul (Emater), 97% da área estimada já foi semeada. A projeção para a safra no Estado está mantida em 814.220 hectares.

A Emater informou que 98% das lavouras de trigo no Estado estão em desenvolvimento vegetativo, enquanto 2% já entraram em floração. O quadro mostra uma safra ainda concentrada nas fases iniciais de desenvolvimento, com parte menor das áreas em estágio mais avançado.

Na primeira metade da semana, as condições meteorológicas foram marcadas por alta umidade, baixa luminosidade, nebulosidade persistente e temperaturas elevadas, em padrão associado ao fenômeno El Niño, conforme a entidade. Esse cenário contribuiu para manter o solo úmido e restringir o avanço das operações de semeadura.

Acompanhe os preços das principais commodities do agro, como soja, milho e boi, com atualização direta das principais praças do Brasil: acesse a página de cotações do Canal Rural!

Na segunda metade do período, as chuvas cessaram, mas o céu permaneceu encoberto, com ocorrência de neblina e manutenção da umidade elevada no solo, principalmente no noroeste gaúcho. Nesse contexto, o ritmo do plantio seguiu lento.

No mercado, o preço médio da saca de 60 quilos do trigo no Rio Grande do Sul subiu 0,52% na semana, para R$ 69,80, considerando produto com pH padrão 78, segundo a Emater. Na Bolsa de Cereais de Cruz Alta, o valor do produto disponível ficou em R$ 78,00 por saca.

Com 97% da área semeada e a projeção mantida em 814.220 hectares, a safra de trigo no Rio Grande do Sul segue com predomínio de lavouras em desenvolvimento vegetativo, enquanto o excesso de umidade ainda reduz o avanço do plantio em parte do Estado.

Fonte: Estadão Conteúdo

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Agro Mato Grosso

Possibilidade de “Super El Niño” acende alerta e exige planejamento para safra 2026/27

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Informação, monitoramento e antecipação são ferramentas para o produtor enfrentar desafios climáticos com segurança, eficiência e previsibilidade

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Agro Mato Grosso

Colheita do milho entra na reta final e já alcança 96,8% da área em MT

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Trabalhos avançam acima do ritmo da safra passada; produção deve atingir recorde de 57 milhões de toneladas, impulsionada por produtividade histórica

A colheita da segunda safra de milho em Mato Grosso entrou na reta final e já alcança 96,77% da área cultivada, conforme levantamento divulgado nesta sexta-feira (31) pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). Na última semana de julho, os trabalhos avançaram 6,11 pontos percentuais, mantendo o Estado ligeiramente à frente do ritmo registrado no mesmo período da safra anterior.

Com praticamente todas as regiões em fase de conclusão da colheita, apenas o Sudeste mato-grossense ainda concentra áreas mais expressivas por colher. Segundo a analista do Imea, Milena Bezerra, o encerramento dos trabalhos deve ocorrer nas próximas semanas.

“A colheita do milho de segunda safra já caminha para a reta final aqui em Mato Grosso, com cerca de 97% da área total colhida. De forma geral, os trabalhos seguem ligeiramente acima do observado no mesmo período da safra 2024/25”, afirma.

As regiões Médio-Norte e Norte praticamente concluíram a retirada dos grãos do campo. Já o Sudeste apresenta 85,61% da área colhida, sendo a região que registrou o maior avanço semanal, de 18,02 pontos percentuais, resultado da intensificação das operações em lavouras que atingiram o ponto ideal para a colheita.

Umidade reduz ritmo final – Embora a colheita esteja próxima do fim, a tendência é de redução no ritmo das operações.

De acordo com Milena Bezerra, grande parte das áreas remanescentes está dispersa e muitos produtores preferem aguardar a diminuição da umidade dos grãos antes de concluir a retirada da produção.

“Nessas áreas remanescentes, muitos produtores aguardam a redução da umidade dos grãos para facilitar a armazenagem. Nas próximas semanas, a expectativa é de encerramento da colheita na maior parte do Estado, com exceção da região Sudeste, que deve demandar um pouco mais de tempo”, explica.

Mesmo com essa desaceleração prevista, Mato Grosso mantém vantagem de 0,39 ponto percentual em relação ao desempenho registrado no mesmo período da safra 2024/25.

Safra histórica – Além do avanço da colheita, o Imea mantém a projeção de uma safra recorde em Mato Grosso.

As mais de 800 avaliações de campo realizadas em 82 municípios apontaram produtividade média de 128,64 sacas por hectare, o maior rendimento já registrado no Estado.

O desempenho, aliado à expansão da área cultivada, deverá resultar em uma produção estimada em 57,06 milhões de toneladas, volume 2,92% superior ao da safra anterior.

Segundo o instituto, o resultado é consequência das condições climáticas favoráveis durante praticamente todo o ciclo da cultura, garantindo elevado potencial produtivo nas principais regiões agrícolas.

Liderança nacional – Maior produtor de milho do Brasil, Mato Grosso consolida mais uma vez sua posição de liderança nacional.

A expectativa é que, com a conclusão da colheita nas próximas semanas, o Estado confirme uma das maiores safras de sua história, reforçando sua importância para o abastecimento interno, as exportações e a cadeia de proteína animal, que utiliza o milho como principal insumo para a produção de rações.

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