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2 de maio de 2026

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Soja: O mercado financeiro está vendo fantasmas onde não existem

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Foto: Arquivo/Agência Brasil

A forte queda da soja no início desta semana diz muito mais sobre o “humor” instável dos investidores do que sobre uma mudança real no apetite do mundo pelo grão. No mercado financeiro, a reação atual lembra muito uma criança em quarto escuro: começa a ver fantasma em tudo que é canto, assustando-se com sombras que, na luz do dia, não representam perigo nenhum.

As cotações na Bolsa de Chicago sentiram o golpe após os sinais de adiamento do encontro entre Donald Trump e Xi Jinping, previsto para abril. Como o gigante asiático é quem dita o ritmo do baile, qualquer ruído diplomático vira pressão imediata nos preços. Mas é preciso separar o que é pânico de tela do que é movimento real de porto.

O nó na fiscalização: Um “fantasma” criado em Brasília

Somado ao cenário global, o mercado interno enfrentou seu próprio gargalo. O Ministério da Agricultura (Mapa) apertou o rigor nas inspeções fitossanitárias para cumprir protocolos exigidos por Pequim, o que gerou um travamento logístico e fez grandes tradings suspenderem embarques temporariamente. A boa notícia é que o governo brasileiro, após a pressão do setor produtivo, já iniciou a flexibilização dessas normas para destravar as exportações. Ou seja: foi um ruído operacional interno, e não uma ruptura comercial com os chineses.

O veredito: o estômago do mundo não espera

No mundo das commodities, o preço costuma se mover primeiro pelo medo, mas a realidade sempre cobra a conta. Vamos ser racionais: absolutamente nada mudou na relação entre oferta e demanda global em apenas 24 horas para justificar um tombo desse tamanho. As pessoas não pararam de comer e as criações não pararam de consumir farelo de um dia para o outro.

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Mesmo que o encontro diplomático entre as potências atrase, o cenário é matemático: a China continua precisando de volumes massivos de soja e terá que comprar de alguém. Se houver qualquer barreira ou demora com os americanos, a demanda simplesmente migra para o Brasil.

O que vimos foi pura especulação do capital nervoso tentando se antecipar a tragédias que não existem no mercado físico. Correção não é mudança de tendência. O mercado está apenas “limpando” os excessos antes de se dar conta de que, no fim do dia, a demanda continua firme e o grão continua sendo essencial.

Miguel Daoud

*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.

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Capital próprio avança no campo paulista e muda perfil financeiro do produtor, aponta ABMRA

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Foto: Pixabay.

Os produtores rurais paulistas vêm ampliando o uso de capital próprio e crédito rural para financiar atividades nas propriedades, o que indica mudanças no comportamento financeiro no campo. Dados da 9ª Pesquisa ABMRA Hábitos do Produtor Rural indicam que o uso de recursos próprios para capital de giro passou de 78%, em 2021, para 84%, em 2025.

No mesmo período, o crédito rural também ampliou participação entre as fontes de financiamento, passando de 8% para 17%.

O movimento também aparece na compra de equipamentos agrícolas, como tratores, colheitadeiras e implementos. Em 2021, 59% dos produtores utilizavam recursos próprios para esse tipo de investimento. Em 2025, o índice chegou a 79%.

Segundo a Associação Brasileira de Marketing Rural e Agro (ABMRA), os dados apontam mudanças na gestão das propriedades e no processo de decisão do produtor.

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“O produtor rural paulista está mais protagonista e criterioso nas suas decisões, inclusive financeiras. Para as marcas, isso exige uma comunicação mais conectada à realidade do campo, baseada em dados, confiança e entrega de valor”, afirma o presidente da ABMRA, Ricardo Nicodemos.

Mudança na gestão

A pesquisa aponta maior participação do produtor na condução financeira dos negócios e sinaliza mudanças na relação entre empresas do setor e o público rural.

Com maior presença do capital próprio no financiamento da atividade, cresce o peso da gestão e da tomada de decisão dentro das propriedades.

Clima lidera preocupações

O levantamento também mostra que questões climáticas concentram atenção dos produtores paulistas.

Segundo a pesquisa, 99% dos entrevistados avaliam que mudanças climáticas terão impacto sobre a produção, seja por secas prolongadas, chuvas intensas ou variações de temperatura.

O clima aparece como principal preocupação para 68% dos produtores ouvidos. Na sequência estão custos de produção, com 41%, e comercialização, com 33%.

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Barreiras para adoção de tecnologias

Apesar da percepção sobre a necessidade de adaptação, a pesquisa aponta obstáculos para adoção de tecnologias de manejo.

Entre os entrevistados, 28% classificam como altas ou muito altas as barreiras para implementar essas soluções. Entre os fatores citados estão o custo elevado, a falta de informação, a limitação de apoio técnico, o acesso restrito a recursos e as incertezas quanto aos resultados.

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Agrishow 2026 encerra com R$ 11,4 bilhões em intenção de negócios

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Agrishow 2026
Foto: divulgação/Agrishow

A Agrishow, principal feira de tecnologia para o agronegócio da América Latina, apresentou nesta sexta-feira (1º) o balanço final de sua 31ª edição. O evento registrou R$ 11,4 bilhões em intenção de negócios, 22% a menos em relação ao ano anterior. Os números refletem os setores de máquinas agrícolas, irrigação e armazenagem.

A feira registrou 197 mil visitantes durante os cinco dias, número semelhante ao verificado na última edição. Nesta sexta-feira (1º), último dia da feira, os portões foram abertos mais cedo, às 7h30, para atender a grande demanda de público.

Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos, os números apresentados na Agrishow 2026 refletem o cenário do setor.

Nesta quarta-feira (29), o presidente da Câmara de Máquinas e Implementos Agrícolas da entidade, Pedro Estevão, informou queda de 19,9% nas vendas de máquinas e equipamentos agrícolas no mercado interno no primeiro trimestre deste ano, na comparação com o mesmo período de 2025. “Este cenário é decorrente da alta taxa de juros, variação cambial e preço desfavorável das commodities”, diz Estevão.

“Não importa o momento que estamos vivendo, pois sabemos que a agricultura vive de ciclos e este é desfavorável, mas temos convicção que este e os próximos anos serão favoráveis. Estaremos preparados para continuar atendendo à demanda do mercado brasileiro”, afirma o presidente da Agrishow João Marchesan.

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Produção de dendê cresce no Brasil e Pará concentra quase 100% da atividade

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Foto: Edivaldo Sodré / Ag. Pará

O mais novo estudo da Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas (Fapespa) destaca a cadeia produtiva do dendê com uma das fases mais dinâmicas do agronegócio brasileiro, com um crescimento vantajoso nas últimas décadas.

No centro desse avanço está o estado do Pará, que responde hoje por quase toda a produção nacional, consolidando-se como eixo estratégico do setor. 

A Nota técnica “A Conjuntura Econômica e Ambiental do Dendê 2026”, com dados atualizados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostra que a produção brasileira saltou de 242,8 mil toneladas em 1988 para 3,2 milhões de toneladas em 2024.

Um crescimento superior a 13 vezes no período. O ritmo foi intensificado a partir dos anos 2000 e ganhou ainda mais força depois de 2018.

Desempenho

O estudo evidência a consolidação produtiva, a ampliação da escala de produção e a crescente concentração regional, especialmente na região Norte. Entre 2023 e 2024, a produção brasileira de dendê cresceu 11,2%, passando de 2,9 milhões para 3,2 milhões de toneladas.

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O avanço foi fortemente influenciado pelo desempenho do Pará, que ampliou sua produção de 2,8 milhões para 3,1 milhões de toneladas (+10,4%), mantendo participação de, aproximadamente, 97,1% do total nacional e reafirmando a elevada concentração territorial da atividade.

Nesse contexto, o Pará consolida- se como eixo praticamente hegemônico: a dinâmica nacional, em termos de quantidade e de valor, passa a ser determinada majoritariamente pelo desempenho paraense, que responde por cerca de 97% da produção e, aproximadamente, 98% do valor nacional em 2024.

Demais estados

Outros estados, como Roraima e Bahia, apresentam crescimento, mas ainda com participação marginal, juntos, somam menos de 3% da produção brasileira. Essa concentração também se reflete no nível municipal.

Apenas dez municípios paraenses respondem por cerca de 90% do volume produzido no país. Tailândia lidera com quase um terço da produção nacional, seguida por Tomé-Açu e Moju.

Emprego e renda

A cadeia do dendê também possui forte impacto no emprego e no meio ambiente. No mercado de trabalho, o Pará concentra cerca de 92% dos empregos diretos e indiretos do setor no Brasil, evidenciando sua centralidade econômica.

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“Se o Pará é campeão na produção de dendê, com quase 100% da produção nacional, a geração de empregos é também proporcional, com 92% das vagas diretas e indiretas dessa cadeia produtiva, sendo a locomotiva do país nesse segmento, com o Pará campeão na produção e na geração de empregos no cenário nacional da cultura do dendê”, afirma o professor Márcio Ponte, responsável pelo estudo.

Preservação ambiental

No campo ambiental, a dendeicultura no Pará tem sido associada à recuperação de áreas degradadas. No contexto agropecuário observa-se uma trajetória de crescimento expressivo na quantidade de CO₂ capturado por florestas de dendê cultivado no Pará entre 2000 e 2024. 

A área reflorestada com dendê no estado ultrapassa 200 mil hectares, enquanto a capacidade de sequestro de carbono atingiu mais de 13 milhões de toneladas de CO₂ em 2024.

Dendê
Foto: Edivaldo Sodré / Ag. Pará

De acordo com o estudo, a análise espacial confirma elevada concentração e especialização produtiva em poucos municípios, embora haja sinais recentes de redistribuição interna entre os principais polos.

“Os biocombustíveis, eles são fundamentais para a redução da pegada de carbono da indústria como um todo, e o óleo de palma se presta muito bem a essa condição, e é por isso que é tão importante ver o Pará crescendo de uma maneira significativa nesses últimos anos”, destaca o presidente da Fapespa, Marcel Botelho.

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