Sustentabilidade
Sicredi é o maior repassador privado de recursos ao agronegócio

O Sicredi chegou à Agrishow 2026 com números que consolidam sua posição no financiamento do campo: é o maior repassador privado de recursos ao agronegócio brasileiro, com carteira de crédito rural que já ultrapassa R$ 123 bilhões. Com 10 milhões de associados — 1 milhão deles ligados diretamente ao agronegócio —, a instituição financeira cooperativa apresentou em Ribeirão Preto (SP) os resultados do ciclo atual e reforçou sua atuação em programas estratégicos para o setor.
Nos nove primeiros meses do Plano Safra 2025/2026, o Sicredi liberou R$ 52,8 bilhões em crédito, crescimento de 16,5% em relação ao mesmo período do ano anterior. Custeio, investimento, comercialização e industrialização seguem como as principais finalidades das operações.
Pró-Trator: subsídio de juros para o pequeno produtor de São Paulo
Um dos destaques da presença do Sicredi na Agrishow foi o detalhamento do Pró-Trator, programa do Governo do Estado de São Paulo voltado à modernização do parque de máquinas agrícolas de pequenos produtores rurais. As informações foram apresentadas pelo diretor Gilson Freitas durante a coletiva de imprensa.
O programa oferece subsídio nos juros para agricultores com renda bruta anual de até R$ 3 milhões e financia tratores de até 125cv. O benefício de subsídio chega a até R$ 50 mil por operação contratada.
Os resultados acumulados pelo programa são expressivos: R$ 146 milhões em operações realizadas e R$ 28 milhões em economia gerada para os agricultores participantes.
O Sicredi foi a primeira instituição a operar o Pró-Trator e responde atualmente por mais de 80% das operações do programa — na safra 2025/2026, foram mais de 821 contratos operacionalizados apenas nesse ciclo.
“Os números apresentados refletem a força do modelo cooperativo e, principalmente, a nossa proximidade com o produtor rural. Seguimos ampliando o acesso ao crédito de forma responsável, apoiando tanto o custeio quanto os investimentos que impulsionam a produtividade e a sustentabilidade no campo”, afirmou Vitor Moraes, superintendente de Agronegócio do Sicredi.
Perfil das operações: foco em pequenos e médios produtores
Pequenos e médios produtores rurais representam quase 70% das mais de 247 mil operações realizadas na safra atual. O custeio respondeu por 37% do volume liberado, enquanto os investimentos representaram 29%.
O crédito para mulheres produtoras também avançou: foram R$ 10,5 bilhões liberados na safra 2025/2026, crescimento de 7,4% em relação ao período anterior.
Diversificação além do crédito tradicional
A coletiva também destacou o avanço do portfólio de soluções complementares. Em 2025, o Sicredi somou R$ 3,2 bilhões em consórcios destinados ao agro e registrou mais de 479 mil hectares protegidos por seguros rurais.
Nas modalidades em moeda estrangeira, o crescimento foi ainda mais pronunciado: entre 2024 e 2025, as operações de proteção por NDF Dólar e NDF Commodities cresceram 350%, refletindo a busca crescente dos produtores por proteção à variação cambial e de preço das commodities.
“Temos ampliado nossa oferta de soluções para atender o produtor de forma completa, indo além do crédito tradicional. Produtos como consórcios, seguros e as operações em moeda estrangeira permitem mais planejamento, proteção e competitividade ao produtor rural”, disse Adilson de Sá, diretor de Desenvolvimento de Negócios da Central Sicredi PR/SP/RJ.
Capilaridade como diferencial competitivo
Com 100 cooperativas filiadas e presença física em todos os estados brasileiros e no Distrito Federal, o Sicredi opera por meio de um modelo que combina escala nacional com atendimento próximo às realidades regionais. Essa estrutura sustenta tanto a agilidade na operação de programas como o Pró-Trator quanto a capacidade de atender diferentes perfis de produtores ao longo de toda a jornada de crédito.
No contexto de juros ainda elevados e crescente demanda por planejamento financeiro no campo, a instituição encerra sua participação na Agrishow 2026 posicionada como referência no crédito cooperativo ao agronegócio — com volume, capilaridade e presença em programas públicos que ampliam o acesso à mecanização para quem mais precisa.
Redação: Equipe Mais Soja com informações da Assessoria de imprensa
Foto de capa: Sicredi
Sustentabilidade
Safra de incertezas? Custos elevados, endividamento e El Niño extremo tiram o sono do sojicultor e ameaçam rentabilidade

O vazio sanitário da soja já está em vigor em diversas regiões do Brasil e, em outras, começa em breve. O período, essencial para o controle da ferrugem asiática, também marca o início dos preparativos para a safra 2026/27. No entanto, o cenário para o próximo ciclo preocupa o produtor rural.
Mesmo após uma safra 2025/26 recorde, o clima de otimismo não se sustenta. O setor enfrenta uma combinação delicada de fatores, como endividamento agrícola, dificuldade de acesso ao crédito, custos elevados com insumos e preços pressionados no mercado.
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A Aprosoja São Paulo alerta que o momento exige cautela redobrada. A relação de troca, indicador importante para o produtor, segue desfavorável, exigindo planejamento rigoroso.
“Vamos para a próxima safra com incertezas constantes, tanto no cenário nacional quanto internacional, especialmente em relação aos fertilizantes e insumos. Mais do que nunca, é preciso fazer conta e agir com cautela”, destaca Andrey Rodrigues, presidente da associação.
Em Goiás, após o encerramento da safrinha, o estado entra no período de vazio sanitário. Por lá, cerca de 20% da safra 2026/27 já foi comercializada, com produtores aproveitando oportunidades de barter para antecipar a compra de insumos. Ainda assim, o ritmo de negócios segue abaixo da média histórica para esta época do ano.
O retorno do El Niño
Além das questões econômicas, o clima surge como o principal fator de preocupação. O retorno do El Niño reacende o alerta no campo. O fenômeno deve ganhar intensidade ao longo do segundo semestre de 2026 e pode se estender até o início de 2027. Para a sojicultura, isso representa mudanças importantes no regime de chuvas e aumento do risco de eventos climáticos extremos.
De acordo com projeções meteorológicas, o Centro-Oeste e o Sudeste devem enfrentar atraso no início das chuvas, o que pode comprometer a janela ideal de plantio. A regularização das precipitações é esperada apenas entre o fim de outubro e o início de novembro.
Por fim, no Sul do país, o cenário é oposto, com a tendência de aumento no volume de chuvas, o que pode favorecer a produtividade. Já no Matopiba e em áreas do Norte e Nordeste, a previsão é de redução das chuvas e elevação das temperaturas, aumentando o risco de perdas e atrasos no plantio.
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Sustentabilidade
Como a disponibilidade de nitrogênio altera a distribuição da produtividade de grãos na planta de soja – MAIS SOJA

A produtividade da soja é resultado da interação entre fatores genéticos, ambientais e de manejo, sendo determinada principalmente pela disponibilidade de recursos durante o ciclo da cultura. Recentemente, têm surgido o questionamento quanto à capacidade da Fixação biológica de nitrogênio (FBN) e do solo em atender às exigências de nitrogênio visando altas produtividades na soja (Salvagiotti et al., 2008; Cafaro La Menza et al., 2020). Embora diversos estudos já tenham demonstrado que a limitação de nitrogênio (N) pode reduzir a produtividade da soja (Cafaro La Menza et al., 2017), ainda existem lacunas sobre como esse nutriente afeta os componentes de rendimento ao longo da arquitetura da planta.
Nesse contexto, um estudo conduzido por Bonfanti et al. (2025) em nove ambientes irrigados nos Estados Unidos, comparou um tratamento com suprimento abundante de N (Full-N) com outro dependente exclusivamente do N do solo e da FBN (Zero-N), o resultado obtivo foi de um ganho médio de 984 kg ha-1 na produtividade de grãos, evidenciando a importância desse nutriente para a maximização do rendimento da cultura.
A resposta produtiva foi resultado da combinação entre aumento do número de sementes (+7%) e do peso individual das sementes (+11%). Entretanto, esses componentes responderam de maneira distinta dentro da planta. O incremento no número de sementes concentrou-se principalmente nos nós da região média-superior do dossel, em função do aumento do número de vagens, enquanto o peso das sementes apresentou resposta positiva em praticamente todas as posições da planta. O número de sementes por vagem foi pouco influenciado pelo suprimento de N (Figura 1).
Figura 1. Efeito da disponibilidade de nitrogênio sobre: (a) produtividade de grãos, (b) peso de sementes, (c) o número de sementes e (d) número de vagens, em diferentes posições da planta de soja. Os círculos amarelos representam os nós da haste principal e os triângulos verdes os ramos. Os valores expressam a diferença entre os tratamentos com alta disponibilidade de nitrogênio (Full-N) e baixa disponibilidade (Zero-N), considerando nove ambientes de avaliação. A linha vermelha indica a resposta média ao longo do dossel, dividido em cinco estratos conforme a posição relativa dos nós na planta.
Os resultados demonstram que o manejo adequado do N pode ampliar o potencial produtivo da soja. A compreensão da distribuição dos componentes de rendimento ao longo do dossel permite identificar quais regiões da planta são mais responsivas ao suprimento de N e oferece subsídios para estratégias de manejo voltadas à obtenção de maiores rendimentos.
Referências:
BONFANTI, L. et al. Soybean seed yield distribution within the canopy as affected by nitrogen supply. Crop Science, v. 65, n. 2, mar. 2025. Disponível em: < https://acsess.onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1002/csc2.70033 >, acesso: 18/05/2026.
CAFARO LA MENZA, N. et al. Insufficient nitrogen supply from symbiotic fixation reduces seasonal crop growth and nitrogen mobilization to seed in highly productive soybean crops. Plant, cell & environment, v. 43, n.8, p. 1958-1972, 2020. Disponível em: < https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32430922/ > ,acesso: 15/05/2026
CAFARO LA MENZA, N. et al. Is soybean yield limited by nitrogen supply? FieldCrops Research, v. 213, p. 204-212, 2017. Disponível em: < https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0378429017307797 >, acesso: 14/05/2026
SALVAGIOTTI, F. et al. Nitrogen uptake, fixation and response to fertilizer n in soybeans: a review. Field Crops Research, V. 108, n.1, p. 1-13, 2008. Disponível em: < https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0378429008000555 >, acesso: 15/05/2026
WINCK, J.E.M et al. Ecofisiologia da soja visando altas produtividades. 3era Edição, 2025.

Sustentabilidade
China reforça segurança alimentar e amplia estratégia para se tornar potência agrícola global – MAIS SOJA

A China está promovendo uma profunda reorganização de seu sistema agroalimentar com o objetivo de reduzir vulnerabilidades externas, fortalecer a segurança nacional e consolidar sua posição como potência agrícola global. A análise faz parte do estudo “O dilema da segurança alimentar na China: fases históricas e perspectivas”, publicado pelo Insper Agro Global neste mês.
Transformação agrícola
Segundo o levantamento, a política agrícola chinesa passou por uma transformação significativa ao longo dos últimos 70 anos. Se nos primeiros planos quinquenais a agricultura era subordinada ao processo de industrialização, atualmente ela ocupa papel central na estratégia nacional do país. Hoje, a China é o maior produtor, consumidor e importador mundial de alimentos, mas enfrenta limitações estruturais importantes: abriga cerca de 20% da população mundial, enquanto dispõe de apenas 8% das terras aráveis e 6% da água doce do planeta.
Metas ambiciosas
O estudo destaca que o 14º Plano Quinquenal (2021-2025) elevou a segurança alimentar ao mesmo nível estratégico de áreas como energia e finanças. Já o 15º Plano Quinquenal (2026-2030) amplia essa diretriz ao estabelecer metas ambiciosas, como elevar a produção de grãos para 725 milhões de toneladas, alcançar 85% de autossuficiência em sementes e ampliar a mecanização agrícola para mais de 80%.
Fatores externos
A mudança foi impulsionada por fatores externos recentes, entre eles a guerra comercial entre China e Estados Unidos, a pandemia de Covid-19 e os impactos da guerra na Ucrânia sobre os mercados globais de alimentos e fertilizantes. Nesse contexto, o governo chinês passou a tratar a segurança alimentar como elemento fundamental da segurança nacional.
Nova estratégia
Outro destaque da nova estratégia é a chamada “Grande Abordagem Alimentar”, que incorpora investimentos em biotecnologia, biologia sintética e proteínas alternativas. O objetivo é ampliar as fontes de abastecimento alimentar e reduzir a dependência de produtos importados, especialmente da soja, principal vulnerabilidade do sistema alimentar chinês. Atualmente, o país depende do exterior para cerca de 85% do consumo desse grão.
Risco de limitações
Apesar dos investimentos em inovação e produtividade, os pesquisadores alertam que a agricultura está sujeita a limitações físicas, climáticas e biológicas que tornam a substituição das importações um processo gradual. Por isso, a expectativa não é de uma redução abrupta das compras internacionais, mas de uma gestão mais estratégica das dependências externas.
Brasil e China
Para o Brasil, principal fornecedor agrícola da China, a tendência é de manutenção da relevância comercial, especialmente em cadeias como soja, carnes e outros produtos agroalimentares. O estudo aponta que a complementaridade entre as duas economias continua elevada, embora o cenário exija atenção crescente às mudanças regulatórias, tecnológicas e produtivas promovidas pelo governo chinês.
Transformação gradual
A avaliação final dos pesquisadores é que a nova estratégia chinesa não representa uma ameaça imediata às exportações brasileiras, mas sinaliza uma transformação gradual da forma como o país asiático administra sua segurança alimentar. Nesse cenário, acompanhar a evolução das políticas chinesas e diversificar a pauta exportadora brasileira serão fatores decisivos para manter a competitividade no mercado internacional.
Por Larissa Machado / larissamachado@sna.agr.br
Com informações do Insper Agro Global
Autor:Por Larissa Machado – Com informações do Insper Agro Global
Site: SNA
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