Agro Mato Grosso
Colheita travada: chuva causa perdas e expõe caos na MT-322

O excesso de chuvas no norte de Mato Grosso já provoca prejuízos na soja. Em Matupá, o acumulado de janeiro e fevereiro passou de 1,9 mil milímetros e produtores relatam perdas que podem chegar a 40% em algumas áreas. Além das lavouras afetadas, a situação da MT-322 volta a gerar revolta. Buracos, atoleiros e trechos críticos dificultam o transporte da safra e aumentam os custos para quem depende da rodovia.
O município está entre os que decretaram recentemente situação de emergência por causa das chuvas. Conforme o presidente do Sindicato Rural de Matupá, Fernando Bortolin, o volume de precipitação tem sido muito acima do normal.
“Matupá tem sofrido com a quantidade de chuvas nos últimos dias. No mês de janeiro e fevereiro nós tivemos mais de 1,9 mil milímetros de chuvas acumuladas. Nós temos ainda todo o mês de março pela frente ainda que sempre tem um histórico de grandes chuvas”, relata Fernando ao Patrulheiro Agro.
Segundo ele, o cenário da safra neste ano é atípico. Após um início marcado pela seca, com pouca chuva nos meses de setembro e outubro, o excesso de precipitação agora compromete justamente o período de colheita. “A gente já vem acumulando perdas significativas na região, a gente tem acompanhado os produtores e muita carga com grão avariado. Estimamos entre 5% a 10% [de perdas] já garantido, e há algumas propriedades específicas aqui da região de Matupá que estão com 30%, 40% de perdas”, relata.

Lavouras afetadas e colheita lenta
Além das perdas, o excesso de chuva também tem atrasado os trabalhos no campo. Conforme Bortolin, o plantio já havia sido lento por causa da estiagem no início da safra e, agora, a colheita também avança devagar devido às chuvas constantes.
“Em um único dia nós chegamos a registrar aqui 240 milímetros de chuvas, algo que nós nunca vimos na história do município. O rio que divide os municípios de Matupá e Peixoto de Azevedo está praticamente transbordando por cima da BR-163, o que nos preocupa muito porque é o único corredor que leva aos portos aqui do Arco Norte e Miritituba”.
Na propriedade do agricultor Richelli Cotrim, a situação também preocupa. Ele semeou 8,5 mil hectares de soja nesta safra, mas a colheita enfrenta dificuldades diante das chuvas intensas das últimas semanas.
“No começo da colheita a chuva até deu uma amenizada, não choveu tanto, mas agora nas últimas três semanas está impossível. Não é chuva de 10, 15 milímetros. É de 100, 150, 180 milímetros em uma chuva, e aí acaba com tudo”, conta à reportagem do Canal Rural Mato Grosso.
De acordo com ele, os impactos vão além da lavoura. Pontes e bueiros dentro da propriedade também foram danificados. “A máquina não entra na lavoura, começa a passar os dias e aí começa a avariar. Estamos com 1,5 mil hectares prontos e uns 300 hectares estão avariados que eu vou ter que segurar um pouco e tentar antecipar os outros para não estragar mais”.

Estrada precária trava escoamento
A colheita já difícil fica ainda mais complicada quando chega a hora de transportar a produção. Agricultores e motoristas relatam problemas recorrentes na MT-322, uma das principais rotas de escoamento da região.
Em trechos críticos, os buracos espalham pedras durante o período seco e causam prejuízos aos veículos. Quando chove, a situação piora e a rodovia se transforma em um atoleiro, comprometendo praticamente toda a trafegabilidade.
Para o agricultor Nelson Lorena Néia Júnior, que cultivou 3,7 mil hectares de soja em uma propriedade às margens da rodovia, a situação afeta diretamente o resultado da safra. Ele que tinha expectativa inicial de colher entre 75 e 80 sacas de soja por hectare, relata ao Canal Rural Mato Grosso ter perdido de 8 a 10 sacas por hectare devido as chuvas.
“As contas chegam e está difícil fechar, com esse preço de soja, os valores dos impostos que a gente paga e o frete subindo”, pontua ao frisar que a situação se agrava com os transtornos enfrentados no escoamento pela MT-322. “Estrada muito ruim. Estamos tendo que colocar máquina nossa para fazer o serviço e os tapas buracos na estrada. O quanto a gente emprega, o quanto a gente gera de riqueza. Temos que comover alguém de alguma forma para nos ajudar aqui, porque estamos esquecidos”.
Motoristas que utilizam a rodovia também enfrentam dificuldades. “As valetas que tem ali, não tem condições, cabe um carro. Está brava a coisa”, relata o motorista Aucélio Vargas dos Santos. “Faz anos que a gente está na luta e nunca melhora. É quatro, cinco horas de viagem, há dez, 15 por hora”.
A precariedade também preocupa transportadores. “Complicada a estrada, abandonada. Se não cuidar destrói tudo: pneu, mola, bucha vai tudo”, afirma o motorista Renan Augusto Lecardelli.

Cobrança por pavimentação
Na região, a principal reivindicação é pela pavimentação de aproximadamente 124 quilômetros da MT-322, entre Peixoto de Azevedo e São José do Xingu, passando pelo território do Xingu e pelas terras indígenas Capoto Jarina.
Segundo produtores, a situação se agravou mesmo após intervenções recentes. “Esse asfalto que foi feito, que está com dois anos, dois anos e meio, já está com problema. Então o que está feito não foi bem feito”, afirma Nelson Lorena Néia Júnior.
Para os agricultores, a precariedade da rodovia amplia os prejuízos em um momento já difícil no campo. Conforme Richelli Cotrim, a falta de infraestrutura também desestimula transportadoras a buscar a produção nas fazendas.
“Os armazéns estão cheios e as empresas transportadoras não querem vir retirar o produto porque a estrada está intransitável. Encarece o frete e o pior é que a gente já tem que cuidar da lavoura, arrumar ponte dentro da fazenda, máquina atolando, e ainda tem que ir para a MT arrumar estrada se quiser passar”, relata.
Ele diz que, apesar de existir contrato e recursos para manutenção da rodovia, os problemas persistem. “Existe uma empreiteira com licitação ganha, com recurso, com verba, e nós estamos sofrendo. A gente precisa de asfalto”.
Em nota encaminhada para a reportagem do Canal Rural Mato Grosso a Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Sinfra-MT) “informa que possui contrato para a manutenção de rodovias da região e que a situação apontada será verificada. A pavimentação do trecho não asfaltado da MT-322 depende de autorizações do Governo Federal, em razão da área de influência do Parque Indígena do Xingu”.
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Agro Mato Grosso
Aprosoja MT alerta para impactos da MP 1.343 sobre logística e competitividade

A Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT) manifesta preocupação com a aprovação do Projeto de Lei de Conversão da Medida Provisória nº 1.343/2026 pela Comissão Mista do Congresso Nacional e pelo Plenário da Câmara dos Deputados. A entidade avalia que o texto amplia a intervenção estatal nas relações de transporte de cargas e impõe novos custos e riscos regulatórios em um momento especialmente delicado para o setor produtivo, marcado pela elevação dos custos de produção, preços pressionados das commodities agrícolas e instabilidades geopolíticas que afetam o acesso e o custo de insumos essenciais para a atividade agropecuária.
As alterações propostas afetam diretamente produtores rurais, cooperativas, indústrias, transportadores e demais contratantes de frete. Entre os principais reflexos apontados estão o aumento dos custos logísticos, a redução da competitividade do agronegócio, dificuldades no escoamento da produção, insegurança jurídica nas relações contratuais e potenciais efeitos inflacionários ao longo da cadeia econômica.
Um dos dispositivos mais preocupantes do texto é a previsão de indenização equivalente a duas vezes o valor correspondente ao Piso Mínimo aplicável à operação. A medida cria uma penalidade excessiva, com valores significativamente superiores ao montante originalmente discutido entre as partes, gerando insegurança para todos os agentes envolvidos na contratação do transporte. Igualmente grave é o endurecimento do regime sancionatório previsto na proposta. O texto estabelece multas que podem variar de R$ 100 mil a R$ 1 milhão nos casos de reincidência.
Para o setor, além da desproporcionalidade dos valores, a sistemática adotada amplia significativamente o risco regulatório, uma vez que uma nova autuação ocorrida dentro de 12 meses após decisão administrativa definitiva anterior já pode resultar na aplicação das penalidades agravadas previstas na legislação. Além desses pontos, o texto aprovado contém dispositivos que demandam correção, entre eles a metodologia de cálculo do piso mínimo fixada em lei, a multa vinculada ao CIOT, a extensão das regras ao TAC-Agregado e a criação de um piso salarial nacional para motoristas dentro da mesma proposição.
Com a aprovação da matéria pela Câmara dos Deputados, a Aprosoja MT reforça sua preocupação com os impactos que as medidas previstas poderão gerar para o setor produtivo, a logística nacional e a economia brasileira. A entidade alerta que a manutenção de dispositivos que ampliam custos, penalidades e insegurança jurídica pode comprometer ainda mais a competitividade da produção nacional em um cenário já marcado por elevados custos de produção, preços pressionados das commodities agrícolas e incertezas no mercado internacional.
A Aprosoja MT faz um apelo à sua base parlamentar para que atue com sensibilidade e responsabilidade na análise da matéria, especialmente na apresentação e defesa dos destaques necessários para corrigir os pontos mais prejudiciais do texto aprovado. A entidade seguirá acompanhando a tramitação da proposta no Senado Federal e atuando em defesa da segurança jurídica, da livre iniciativa, da eficiência logística e da competitividade do agronegócio brasileiro.
Agro Mato Grosso
Ipiranga do Norte (MT) sediará a Abertura Nacional do Plantio da Soja 2026/27

O município de Ipiranga do Norte (MT) foi escolhido para sediar a Abertura Nacional do Plantio da Soja 2026/27. O anúncio foi realizado durante a premiação do Personagem Soja Brasil 25/26 pela diretora de jornalismo do Canal Rural, que confirmou o evento para o dia 17 de setembro, na Fazenda Horizontina, localizada no médio-norte mato-grossense.
A abertura marcará a chegada da 15ª temporada do Projeto Soja Brasil e reunirá produtores rurais, autoridades, empresas e lideranças do agronegócio para discutir as expectativas para a nova safra, além dos desafios e oportunidades que devem movimentar o setor nos próximos meses.
Para o prefeito do município, Juliano Berticelli, a escolha do município reforça a importância da região para a produção agrícola nacional. “É com muita satisfação que hoje estamos aqui na Fazenda Horizontina, local escolhido para a Abertura Nacional do Plantio da Soja 2026/27”, disse.
Para ele, Ipiranga do Norte terá a honra de receber produtores rurais, autoridades e empresas. ”Será um ótimo momento para discutirmos as expectativas da próxima safra, os desafios e as oportunidades do setor”, destacou.
Localizado em uma das áreas mais produtivas do país, o município é referência na produção de grãos e se consolidou como uma importante fronteira agrícola de Mato Grosso. Segundo Berticelli, a realização do evento representa uma oportunidade de mostrar a força do agronegócio local para todo o Brasil.
“Ipiranga do Norte fica localizado em uma das áreas mais produtivas do país. Por isso, temos a alegria de receber esse evento em nosso município”, afirmou.
A programação será transmitida ao vivo pelo Canal Rural, ampliando o alcance das discussões e levando informações diretamente aos produtores rurais de diferentes regiões do país.
“Em nome do município, convido todos para participarem conosco desse grande evento do agronegócio brasileiro”, reforçou o prefeito.
A Abertura Nacional do Plantio da Soja 2026/27 dará início a mais uma temporada do Projeto Soja Brasil, que há 15 anos acompanha os principais desafios, avanços e histórias da cadeia produtiva da soja brasileira.
“São todos convidados para estarem conosco no dia 17 de setembro. Que venham muitas e boas safras pela frente”, concluiu.
Agro Mato Grosso
Aprosoja MT participa do IOPD XXVIII, no Canadá, e propõe Fórum Global de Agricultura

A Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT) participa da 28ª edição do Diálogo Internacional de Produtores de Oleaginosas, encontro que reúne produtores de oleaginosas de quatro continentes em Niagara Falls, no Canadá, entre os dias 15 e 19 de junho de 2026. Representada pelo diretor administrativo, Diego Bertuol, a entidade integra a delegação brasileira em um fórum sediado pela Canadian Canola Growers Association (CCGA) e pela Grain Farmers of Ontario (GFO).
O evento reúne anualmente as principais lideranças mundiais do setor para alinhar posições diante de desafios comuns da cadeia produtiva global. Entre os principais temas em debate, estão o papel central da energia e dos biocombustíveis na descarbonização e na segurança energética, incluindo a descarbonização do transporte marítimo e a necessidade de que as políticas do setor não discriminem os biocombustíveis de origem agrícola.
Também tiveram papel central nas discussões o acesso a mercados diante do avanço de tarifas e de exigências crescentes de padrões ambientais e certificações, frequentemente enviesados, bem como o embate entre alimento e combustível, sustentado pelo argumento da mudança indireta do uso da terra (ILUC). Por fim, as lideranças produtivas diversas questionaram os ataques, sem base científica adequada, aos atributos dos óleos vegetais e a instabilidade crescente da renda do produtor rural.
Em todas as frentes, prevaleceu uma preocupação compartilhada: o uso de critérios regulatórios sem fundamento científico — ou apoiados em ciência ainda frágil — para definir as regras do jogo econômico global.
O diretor administrativo da Aprosoja MT, Diego Bertuol, defendeu a criação de um Fórum Global de Agricultura Tropical e Clima, com dois objetivos centrais. “Primeiro, construir uma agenda de tropicalização das métricas e dos parâmetros de sustentabilidade, capaz de reconhecer as características próprias da produção tropical e o esforço do produtor que concilia conservação e produção. Segundo, e a partir daí, valorizar os atributos ímpares da produção tropical no mercado global”, comenta ele.
Bertuol destaca ainda que, regulações construídas sobre ciência frágil são ruins para a produção, ruins para a segurança alimentar, ruins para a segurança energética e ruins até mesmo para a sustentabilidade ambiental que dizem proteger. Esta posição foi reconhecida pelas lideranças do IOPD, que defenderam o uso de parâmetros ancorados em empiria sólida — e não em modelos ou práticas importadas — bem como o reconhecimento das diferenças regionais entre os sistemas de produção.
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