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18 de setembro de 2026

Business

Europa pode fechar uma porta, a Ásia pode abrir várias

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Foto: Porto de Paranaguá

A decisão da União Europeia de manter suspensas as compras de carne bovina brasileira por, no mínimo, dois anos representa um desafio para o setor. O motivo está ligado às exigências europeias sobre o controle de antimicrobianos na produção animal, um tema que ganhou importância crescente no comércio internacional.

É um revés para um mercado tradicional e de elevado valor agregado. Mas seria um erro analisar essa notícia apenas pelo lado negativo.

Ela também reforça uma necessidade que o Brasil já deveria ter transformado em estratégia: ampliar o número de destinos para a carne bovina nacional.

O centro do mercado mundial mudou

Durante muitos anos, a Europa ocupou posição de destaque entre os compradores da carne brasileira. Hoje, porém, o eixo do consumo mundial está cada vez mais concentrado na Ásia.

A China tornou-se, com ampla vantagem, o maior destino das exportações brasileiras. Ao lado dela estão mercados importantes como Hong Kong, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Israel, Filipinas, Singapura, Malásia, Vietnã, Jordânia, Kuwait, Catar, Omã e Líbano.

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Essa mudança não é circunstancial. Ela acompanha o crescimento populacional, o aumento da renda e a expansão do consumo de proteínas em boa parte do continente asiático.

As próximas fronteiras

Dois mercados permanecem como prioridades para a pecuária brasileira: Japão e Coreia do Sul.

São países com elevado poder de compra, consumidores tradicionais de carne bovina e que ainda mantêm restrições sanitárias à carne in natura produzida no Brasil.

A abertura desses mercados reduziria a concentração das exportações na China e ampliaria significativamente as oportunidades para toda a cadeia pecuária.

Outro fator que merece atenção é a situação dos Estados Unidos. O país atravessa um dos menores ciclos de oferta bovina de sua história recente, resultado da redução do rebanho e dos efeitos prolongados da seca. Dependendo da evolução desse cenário e das condições comerciais, os americanos poderão ampliar suas importações de carne, abrindo mais uma oportunidade para o Brasil.

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O desafio agora é adaptar-se

O mercado internacional tornou-se cada vez mais exigente.

Questões sanitárias, ambientais e de rastreabilidade deixaram de ser diferenciais para se transformar em requisitos básicos para acessar os principais compradores do mundo.

Nesse aspecto, a pecuária brasileira possui uma vantagem importante. O setor alcançou elevado grau de profissionalização, incorporou tecnologia, aumentou a produtividade e demonstrou capacidade de responder rapidamente às exigências dos mercados internacionais.

Na questão dos antimicrobianos, por exemplo, o Brasil já está reforçando seus controles e adequando seus protocolos para atender às exigências dos países importadores.

Competitividade também se constrói

A discussão não deve ser apenas sobre recuperar o mercado europeu.

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Ela deve servir para acelerar a abertura de novos mercados e consolidar a imagem da carne brasileira como uma das mais competitivas, seguras e eficientes do mundo.

Quem depende de poucos compradores fica mais vulnerável às mudanças de regras. Quem amplia mercados ganha estabilidade, reduz riscos e fortalece toda a cadeia produtiva.

A Europa continua sendo importante. Mas o futuro da pecuária brasileira dependerá cada vez mais da capacidade de conquistar novos clientes, atender padrões sanitários cada vez mais rigorosos e transformar qualidade em vantagem competitiva. Esse é o caminho para que o Brasil continue sendo uma potência mundial da carne, independentemente das portas que eventualmente se fechem.

Miguel Daoud

*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.

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Acrismat promove encontros sobre gestão e eficiência na suinocultura em MT

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Foto: Reprodução/Acrismat

Suinocultores e profissionais da cadeia produtiva de Mato Grosso terão acesso a encontros gratuitos voltados à gestão, sanidade e eficiência na criação de suínos. A programação, promovida pela Associação dos Criadores de Suínos de Mato Grosso (Acrismat), será realizada nos dias 6 e 9 de outubro, em Lucas do Rio Verde e Rondonópolis, respectivamente.

As atividades começam às 18h, nos sindicatos rurais dos dois municípios, e são abertas a produtores, técnicos, estudantes e demais interessados na suinocultura. A proposta é levar informações técnicas às regiões produtoras e ampliar a aproximação entre a entidade e os profissionais que atuam no setor.

Entre os assuntos previstos estão o controle de micotoxinas, a redução do uso de antibióticos, a nutrição de precisão e as estratégias de manejo voltadas à sobrevivência e ao desenvolvimento dos animais. A gestão de pessoas e a liderança também fazem parte da programação.

A iniciativa ocorre em um cenário em que decisões relacionadas à alimentação, sanidade e organização das propriedades estão diretamente ligadas ao desempenho da produção. Para o presidente da Acrismat, Frederico Tannure Filho, os encontros devem contribuir para a troca de conhecimento e a discussão de soluções aplicáveis à rotina dos produtores.

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“Queremos aproximar cada vez mais a Acrismat dos produtores e profissionais que constroem diariamente a suinocultura de Mato Grosso. Esses encontros são oportunidades para compartilhar conhecimento, discutir os desafios da atividade e apresentar soluções que possam ser aplicadas na rotina das propriedades”, afirma.

Programação reúne especialistas em duas regiões

A primeira edição do Encontro Regional da Suinocultura será realizada em 6 de outubro, às 18h, no Sindicato Rural de Lucas do Rio Verde. A programação inclui três palestras, com temas relacionados à gestão, aos desafios sanitários e à nutrição dos animais.

Guto Zanata, da SerHumano Profissional, ministrará a palestra “Boas Práticas de Gestão e Liderança para associados da Acrismat”. O conteúdo abordará a gestão de pessoas e a liderança como aspectos relacionados ao desempenho de propriedades e empresas do setor.

Na sequência, Marcus Rezende, da Olmix/Brasil Central, apresentará o tema “Micotoxinas 2026: o que os dados revelam e o que vem pela frente”. A discussão será direcionada às informações atuais e às perspectivas sobre as micotoxinas, que representam desafios para a produção de suínos.

Encerrando o encontro em Lucas do Rio Verde, Daniel Graciolli, da De Heus, falará sobre “GPS – Uso de Modelagem para Nutrição de Precisão no momento de crise”. A palestra tratará de ferramentas e estratégias nutricionais para apoiar a eficiência produtiva e a tomada de decisões em períodos de dificuldade.

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Em Rondonópolis, o encontro será realizado no dia 9 de outubro, às 18h, no Sindicato Rural do município. A programação também contará com a palestra de Guto Zanata sobre boas práticas de gestão e liderança.

A segunda edição terá ainda a participação de Katiuscia Mota, da Feedis/Brasil Central, com o tema “Suinocultura com menos antibióticos: o que podemos fazer?”. A especialista abordará estratégias nutricionais para fortalecer a resistência dos animais diante dos desafios sanitários e contribuir para a redução do uso de antibióticos.

Marco Lubas, da De Heus, apresentará novamente o tema “GPS – Uso de Modelagem para Nutrição de Precisão no momento de crise”.

A programação em Rondonópolis será concluída por Bruna Alves Caetano, da Tecnomerc, com a palestra “Visão holística do especialista: compreensão fisiológica, manejo e estratégias práticas focadas na sobrevivência e no desenvolvimento de longo prazo dos suínos”.

Com os dois encontros, a Acrismat pretende ampliar o acesso a informações técnicas e incentivar a troca de experiências entre os participantes. As atividades serão gratuitas e realizadas nos sindicatos rurais de Lucas do Rio Verde e Rondonópolis.

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Agro Mato Grosso

Sapezal supera Sorriso e assume liderança do agro no Brasil

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Município de Mato Grosso alcançou R$ 8,6 bilhões em valor da produção agrícola em 2025; Estado concentra cinco cidades entre as dez primeiras e responde por quase 18% de toda a produção nacional

Mato Grosso mudou o endereço da cidade com a agricultura mais valiosa do Brasil, mas manteve a liderança dentro do próprio Estado. Depois de seis anos consecutivos no topo do ranking nacional, Sorriso caiu para a terceira posição e foi substituído por Sapezal, que alcançou R$ 8,6 bilhões em valor da produção agrícola em 2025.

Os dados fazem parte da Pesquisa da Produção Agrícola Municipal (PAM), divulgada nesta quinta-feira (17) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Sapezal avançou duas posições em apenas um ano. Em 2024, aparecia em terceiro lugar. No ano passado, o valor gerado pelas lavouras do município cresceu 46,6% em termos nominais, levando-o à liderança brasileira.

São Desidério, na Bahia, permaneceu na segunda colocação, com aproximadamente R$ 8,2 bilhões, enquanto Sorriso passou para terceiro, com R$ 8,16 bilhões.

A mudança não significa, porém, que a agricultura de Sorriso tenha encolhido na mesma proporção da queda no ranking. O valor da produção local avançou 13,8% em 2025. Uma alteração territorial ajuda a explicar a perda da liderança.

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NOVO MUNICÍPIO MUDA RANKING

A instalação de Boa Esperança do Norte, oficializada em 2025, retirou áreas agrícolas que anteriormente faziam parte de Sorriso e Nova Ubiratã.

O novo município foi constituído com território formado aproximadamente por 20% de áreas anteriormente pertencentes a Sorriso e 80% de Nova Ubiratã. A partir da emancipação, a produção dessas áreas deixou de integrar as estatísticas das cidades de origem.

Segundo o IBGE, Sorriso foi o único entre os dez maiores municípios agrícolas brasileiros a apresentar redução da área plantada em 2025: queda de 9,3%.

O impacto territorial foi ainda maior em Nova Ubiratã. O município, que ocupava a oitava colocação nacional em 2024, caiu para a 20ª posição. A área plantada diminuiu 42,9%, e o valor da produção recuou nominalmente 23%, para R$ 3,5 bilhões.

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Boa Esperança do Norte, por outro lado, já estreou no levantamento entre os gigantes da agricultura brasileira. Em seu primeiro ano nas estatísticas como município independente, registrou R$ 3 bilhões em produção agrícola, suficiente para alcançar a 25ª colocação nacional.

CINCO ENTRE OS DEZ MAIORES

Apesar das mudanças provocadas pela nova divisão territorial, Mato Grosso preservou amplo espaço no topo do ranking.

Dos dez municípios brasileiros com os maiores valores da produção agrícola em 2025, cinco são mato-grossenses. Outros três estão em Goiás e dois na Bahia.

Há ainda uma particularidade na nova líder nacional. Enquanto a soja é a cultura de maior valor em nove dos dez primeiros colocados, Sapezal tem o algodão como principal produto agrícola, seguido pela soja e pelo milho.

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A PAM calcula o valor da produção a partir da quantidade colhida de cada produto multiplicada pelo preço médio recebido pelos produtores ao longo do ano. Os valores apresentados pelo IBGE são nominais, sem correção pela inflação.

MT CHEGA A R$ 165,6 BILHÕES

A força de Mato Grosso aparece de forma ainda mais clara quando os dados são analisados por Estado.

O valor da produção agrícola mato-grossense atingiu R$ 165,6 bilhões em 2025, crescimento nominal de 37,1% sobre o ano anterior.

Sozinho, Mato Grosso respondeu por 17,9% de toda a produção agrícola brasileira em valor. O país alcançou R$ 927,2 bilhões, alta de 18,4%.

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Isso significa que, de cada R$ 100 gerados pela produção das lavouras brasileiras no ano passado, quase R$ 18 vieram de Mato Grosso.

Segundo o IBGE, o desempenho ocorreu em um ambiente de aumento da produção de grãos e de condições de mercado que sustentaram importantes culturas do Estado. O instituto destaca que as disputas tarifárias entre Estados Unidos e China estimularam a demanda chinesa pela soja brasileira e contribuíram para manter os preços internos da commodity.

No milho, o avanço da demanda doméstica também teve peso, impulsionado tanto pela fabricação de ração animal quanto pela expansão da utilização do cereal para a produção de etanol.

Com esse conjunto de fatores, Mato Grosso preservou a liderança brasileira no valor da produção agrícola. Sorriso perdeu o posto que ocupava havia seis anos, mas o primeiro lugar continuou em território mato-grossense — agora com Sapezal como a cidade de maior produção agrícola em valor do país.

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IGC eleva projeção da produção global de grãos em 2026/27 para 2,42 bilhões de toneladas

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O Conselho Internacional de Grãos (IGC) elevou sua estimativa para a produção mundial de grãos no ciclo 2026/27 para 2,42 bilhões de toneladas, 4 milhões de toneladas acima da projeção de agosto. O ajuste foi informado em relatório divulgado no dia 18 e reflete revisões para cima nas safras de cevada e trigo, que compensaram cortes para milho e sorgo. Mesmo com a alta mensal, o volume projetado fica 3% abaixo do recorde da safra anterior.

A projeção de consumo global foi mantida em 2,44 bilhões de toneladas. Para os estoques finais, o IGC passou a projetar 608 milhões de toneladas, avanço de 2 milhões de toneladas em relação ao relatório anterior. Na comparação com o início da safra, porém, o número representa recuo de 4%.

A estimativa para o comércio global de grãos também foi mantida, em 451 milhões de toneladas. Na comparação anual, o volume projetado indica queda de 16 milhões de toneladas.

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No mercado de soja, o IGC reduziu ligeiramente a previsão para a produção mundial em 2026/27 ante o mês anterior, em função de pequenos ajustes na América do Sul. Ainda assim, a safra da oleaginosa segue projetada em patamar recorde, com alta de 3% sobre o ciclo anterior.

As previsões de consumo total e de estoques finais de soja foram reduzidas em relação ao relatório anterior. Já a estimativa para o comércio global da oleaginosa permaneceu praticamente estável, em recorde próximo de 191 milhões de toneladas.

O IGC informou ainda que o Índice de Preços de Grãos e Oleaginosas (GOI) subiu 6% no último mês e atingiu o maior nível em três anos. Na comparação anual, o indicador acumula alta de 20%. O movimento foi puxado pelos subíndices de trigo, com avanço de 6%, soja, com 7%, milho, com 5%, e arroz, com 3%.

O novo relatório do IGC combina revisão positiva para a produção global de grãos, manutenção das projeções de consumo e comércio e avanço do índice internacional de preços, com destaque para trigo, soja, milho e arroz.

Fonte: Estadão Conteúdo

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