Agro Mato Grosso
‘Não são chuvas de 10 mm, mas precipitações de 180 mm’, diz sojicultor que enfrenta dificuldades MT

O excesso de chuvas no norte de Mato Grosso tem preocupado produtores em plena colheita da soja. Em Matupá, o acumulado de precipitação já ultrapassa 1.900 milímetros apenas nos meses de janeiro e fevereiro, segundo relatos de agricultores da região. Com mais um mês historicamente chuvoso pela frente, o cenário já se traduz em perdas nas lavouras, atraso na colheita e dificuldades logísticas.
Segundo Fernando Bortolin, presidente do Sindicato Rural de Matupá (MT), parte da soja que ainda permanece no campo já apresenta problemas de qualidade, com registro de grãos avariados e queda no potencial produtivo.
“Já estamos acumulando perdas na região. Temos acompanhado produtores com muitas cargas apresentando grãos avariados. A estimativa é de perdas entre 5% e 10% em média, mas há propriedades específicas onde os prejuízos já chegam a 30% ou 40%”, afirma.
De acordo com ele, a safra atual foi marcada por extremos climáticos desde o início do ciclo. A falta de chuvas no período de plantio atrasou os trabalhos no campo e, agora, o excesso de precipitações compromete a colheita.
“Essa safra foi uma safra com características diferentes. Tivemos seca no começo, não choveu na região nos meses de setembro e outubro, e agora acumulou muita chuva justamente na colheita. O plantio foi muito devagar por conta da seca e agora a colheita também está sendo prejudicada”, explica.
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Em apenas um dia, o município chegou a registrar cerca de 240 milímetros de chuva, volume considerado histórico para a região. O excesso de água também elevou o nível dos rios, aumentando a preocupação com a infraestrutura e o escoamento da produção.
“O rio que divide Matupá e Peixoto de Azevedo está praticamente transbordando por cima da BR-163, que é o único corredor que leva aos portos do Arco Norte, principalmente Miritituba”, relata.
Nas últimas semanas, a intensidade das chuvas tem sido ainda maior. Em muitos casos, os volumes registrados em poucas horas chegam a ultrapassar 100 milímetros, o que impede o trabalho das máquinas nas lavouras.
“Não é chuva de 10 ou 15 milímetros. São chuvas de 100, 150, 180 milímetros. A máquina não entra na lavoura, começam a passar os dias e a soja vai variando. Tem área pronta que já está variada e a gente tenta antecipar outras para não perder mais”, diz o produtor Richelli Cotrim.
O cenário também eleva os custos da colheita. Máquinas frequentemente atolam nas áreas encharcadas e, para removê-las, muitas vezes é necessário o uso de escavadeiras.
“Hoje as máquinas são muito grandes. Quando atolam, só uma escavadeira para desatolar. É um cenário que tira o sono do agricultor, porque as contas chegam e está difícil fechar com esse preço da soja, frete subindo e impostos”, afirma o produtor Nelson Lorena Júnior.
A expectativa inicial era colher entre 75 e 80 sacas por hectare, mas as perdas já reduziram esse potencial. “Perdemos aí de 8 a 10 sacas por hectare no montante. Já frustrou a expectativa de produtividade”, lamenta.
Condições das estradas e logística
Além dos problemas no campo, os produtores enfrentam dificuldades para escoar a produção devido às condições das estradas. Um dos pontos mais críticos é a MT-322, que apresenta buracos profundos na seca e se transforma em atoleiro durante o período chuvoso.
“Os armazéns estão cheios e as transportadoras não querem vir buscar o produto porque a estrada está intransitável. Isso encarece o frete e trava o escoamento”, relata.
Em alguns trechos, o deslocamento chega a levar mais do que o dobro do tempo normal. “Uma viagem que poderia levar quatro ou cinco horas acaba sendo feita a 10 ou 15 quilômetros por hora. Não tem como passar disso”, afirma.
Os produtores também reclamam da falta de manutenção adequada da rodovia, mesmo após obras recentes. “Esse asfalto que foi feito tem dois anos, dois anos e meio, e já está cheio de problema. O que foi feito também não foi bem feito”, critica.
Diante das dificuldades, agricultores dizem que acabam tendo que dividir o tempo entre a lavoura e a tentativa de manter as estradas trafegáveis. “A gente já tem que cuidar da lavoura, de ponte que rodou, máquina atolando, e ainda precisa arrumar estrada para conseguir passar com a produção”, aponta.
Para os produtores da região, a situação exige atenção urgente do poder público, principalmente em um dos principais corredores logísticos que ligam o norte de Mato Grosso aos portos do Arco Norte. “Geramos emprego, geramos riqueza, mas estamos esquecidos. Precisamos comover alguém para olhar por essa região”, conclui.
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Agro Mato Grosso
Mudança em tarifa de energia pode diminuir custos da irrigação no campo MT

O Sistema Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Sistema Famato) orientou os produtores rurais sobre a publicação da portaria normativa do Ministério de Minas e Energia, que estabelece novas diretrizes para a concessão dos descontos especiais nas tarifas de energia elétrica destinados às atividades de irrigação e aquicultura. Com essa nova medida, as unidades consumidoras classificadas na Classe Rural, incluindo cooperativas de eletrificação rural, poderão adequar os horários de utilização da energia elétrica às necessidades de suas atividades produtivas.
A irrigação é uma das atividades que mais consomem energia elétrica nas propriedades rurais. Quanto maior a possibilidade de utilizar os sistemas nos horários com desconto, menor tende a ser o custo operacional da atividade, destacou a entidade.
Para o superintendente da Famato, Cleiton Gauer, em um Estado como Mato Grosso, onde períodos de estiagem podem impactar a produtividade, a redução dos custos com energia torna os projetos de irrigação mais viáveis economicamente. “O produtor rural precisa de regras que acompanhem a dinâmica da produção. Ao permitir mais flexibilidade nos horários de uso da energia com desconto, a nova norma ajuda o produtor a planejar melhor suas atividades e a tornar a irrigação uma ferramenta ainda mais eficiente para aumentar a produtividade no campo”, afirma.
Conforme a nova regulamentação, o desconto continuará sendo aplicado durante um período diário de 8 horas e 30 minutos. Esse período poderá ser contínuo ou dividido em até três faixas horárias, sempre em múltiplos de 30 minutos, respeitando os horários de menor demanda do sistema elétrico.
Entre os principais pontos da portaria está a garantia de que o produtor rural terá preferência na definição dos horários para usufruir do benefício, exceto no período compreendido entre 17h e 21h30, faixa em que os descontos não poderão ser concedidos. A norma também permite a solicitação de diferentes escalas de horário ao longo do ano, possibilitando adequações conforme a sazonalidade das atividades e as necessidades de cada propriedade.
Outro avanço importante é a vedação às distribuidoras de energia elétrica de estabelecerem condições que limitem a flexibilidade dos horários escolhidos pelos consumidores rurais. Os horários de operação com desconto deverão ser formalizados por meio de contrato ou instrumento equivalente entre o produtor e a concessionária, seguindo as regras da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).
Produtores que trabalham com piscicultura e outras atividades aquícolas também podem reduzir despesas com equipamentos que dependem de energia elétrica, como sistemas de bombeamento, aeração e recirculação de água.
Agro Mato Grosso
Produtores de MT intensificam venda de soja para abrir espaço a colheita de milho; preço sobe

A comercialização de soja da safra 25/26 no Estado alcançou 81,04% da produção, avanço de 8,52 pontos percentuais em relação a abril e 5,02 pontos percentuais acima do mesmo período da safra 24/25. Esse movimento foi impulsionado pela necessidade de liberação de espaço nos armazéns para a entrada da safra de milho.
No que se refere ao preço médio mensal da temporada 25/26, este fechou em R$ 106,58/saca, alta de 1,85% frente ao mês anterior. Já para a safra 26/27, a comercialização da soja em Mato Grosso alcançou 18,49% da produção estimada para o ciclo, avanço de 4,96 pontos percentuais ante o mês anterior e 4,34 pontos acima à da safra passada.
Essa antecipação é reflexo da valorização mensal de 1,37% no preço médio, que finalizou em R$ 109,11/saca. O Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (IMEA) informa ainda que o ciclo futuro da soja é marcado pelos elevados custos de produção e pelas incertezas climáticas, fatores que mantêm um cenário de alerta para a safra. Assim, o produtor tem aproveitado as melhores oportunidades nos preços para antecipar as negociações.
Na semana passada, a soja disponível em Mato Grosso subiu 0,54% e no indicador do IMEA fechou, na última sexta-feira, a R$ 105,17/saca.
Agro Mato Grosso
Sensor biodegradável mede pesticidas em três minutos

Dispositivo da USP usa acetato de celulose e análise eletroquímica para detectar diquat, carbendazim e difenilamina
Cientistas da Universidade de São Paulo desenvolveram sensores vestíveis biodegradáveis para detectar pesticidas em plantas e alimentos de forma rápida, não destrutiva e in loco. O dispositivo usa tinta de carbono impressa por serigrafia sobre filmes flexíveis de acetato de celulose. A plataforma identifica diquat, carbendazim e difenilamina em três minutos e vinte e oito segundos.
O sensor pode aderir a superfícies vegetais irregulares, onduladas e curvas. A aplicação ocorre diretamente sobre folhas, caules, cascas, maçãs e pimentões. O formato vestível permite análise descentralizada, sem retirada de amostras para laboratório. O sistema entrega resultado em tempo real por meio de um potenciostato portátil sem fio conectado por Bluetooth a celular, computador ou tablet.

doi.org/10.1016/j.biosx.2026.100758
Duas unidades
Cada dispositivo reúne duas unidades sensoriais. Uma delas usa voltametria de onda quadrada para medir diquat. A outra usa voltametria de pulso diferencial para detectar carbendazim e difenilamina. O estudo relata uso de uma única gota de amostra e operação sequencial no mesmo chip. A leitura de diquat ocorre nos primeiros cinquenta e dois segundos. A medição simultânea de carbendazim e difenilamina leva mais cento e noventa e sete segundos.
O dispositivo custa menos de 0,077 dólar por unidade. O baixo custo importa porque os sensores têm uso único. Segundo Paulo Augusto Raymundo-Pereira, professor do Instituto de Física de São Carlos da USP, a proposta combina rapidez, baixo impacto ambiental e análise em campo.
Base do sensor
A base do sensor usa acetato de celulose. Esse material tem origem vegetal e pode vir de resíduos agrícolas. O trabalho também avaliou plastificantes. Os melhores resultados ocorreram com acetato de celulose plastificado com 5,4 milimoles de glicerol. Essa formulação apresentou melhor faixa dinâmica, linearidade e sensibilidade em comparação com filmes plastificados com citrato de trietila.
Nos ensaios, os sensores detectaram diquat em faixa de 0,1 a 1,0 micromolar. Para carbendazim, a faixa ficou entre 0,2 e 2,0 micromolar. Para difenilamina, a faixa ficou entre 2,5 e 25 micromolar. Os limites de detecção chegaram a 3,2 nanomolar para diquat, 180 nanomolar para carbendazim e 1,34 micromolar para difenilamina.
Uso em campo
A equipe simulou uma condição de uso em campo. Soluções dos pesticidas foram pulverizadas na casca de maçãs e pimentões, na concentração de 1.000 micromolar. Os produtos secaram por cinco horas. Depois, o sensor foi fixado na superfície. A leitura usou uma gota de 500 microlitros de solução tampão fosfato para permitir a condução elétrica e a resposta química do eletrodo.
O estudo também testou saliva humana e água de torneira com adição de pesticidas. Nessas amostras, o sistema detectou os três alvos na mesma gota de 150 microlitros. Os resultados indicaram potencial de uso em alimentos, água e amostras biológicas, além do monitoramento agrícola.
A plataforma apresentou seletividade diante de possíveis interferentes. Os testes incluíram nitrato, sulfato, glicose, ureia, fenitrotiona, tiabendazol, dopamina, linuron, parationa metílica, ácido ascórbico e prolina. O sensor também suportou ciclos de flexão vertical, horizontal e diagonal, com pouca alteração nas respostas voltamétricas.
Biodegradação dos dispositivos
O trabalho avaliou a biodegradação dos dispositivos por 240 dias. Sensores feitos com acetato de celulose plastificado com glicerol degradaram completamente nesse período. Dispositivos fabricados apenas com acetato de celulose permaneceram intactos. A imagem da página onze do artigo mostra a comparação visual entre as duas formulações ao longo do período de degradação.
A equipe também calculou métricas de química analítica verde. O método obteve escore 0,77 na abordagem AGREE e 81 na escala Analytical Eco-Scale. O índice Blue Applicability Grade Index alcançou 77,5, valor citado pelos pesquisadores como indicativo de aplicabilidade analítica.
O estudo foi realizado por Samiris Côcco Teixeira, Nathalia O. Gomes, Sergio A.S. Machado, Taíla Veloso de Oliveira, Nilda F.F. Soares e Paulo A. Raymundo-Pereira.
Outras informações em doi: 10.1016/j.biosx.2026.100758
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