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14 de outubro de 2026

Agro Mato Grosso

Quanto vale o biogás produzido nas fazendas de Mato Grosso?

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Resíduos da pecuária, da agricultura e da agroindústria podem transformar um passivo ambiental em energia, combustível e biofertilizantes, abrindo um mercado bilionário ainda pouco explorado no Estado

Maior produtor brasileiro de soja, milho, algodão e carne bovina, Mato Grosso pode estar diante de uma nova fronteira econômica do agronegócio. Além dos grãos e da proteína animal, os resíduos gerados nas propriedades rurais começam a ser vistos como matéria-prima para uma cadeia capaz de produzir energia elétrica, combustível renovável e biofertilizantes.

 

O biogás, obtido a partir da decomposição anaeróbica de resíduos orgânicos em biodigestores, ganha espaço no Brasil impulsionado pela busca por fontes renováveis de energia, redução das emissões de gases de efeito estufa e diminuição dos custos de produção. Em estados como Paraná, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul, projetos comerciais já abastecem indústrias, frotas de caminhões e distribuidoras de gás. Mato Grosso, apesar do enorme potencial de biomassa, ainda aproveita apenas uma pequena parcela dessa oportunidade.

 

Especialistas apontam que o Estado reúne praticamente todos os ingredientes para liderar esse mercado. São milhões de cabeças de bovinos, uma suinocultura em expansão, avicultura, usinas de etanol de milho, frigoríficos e agroindústrias que geram diariamente grandes volumes de resíduos orgânicos aptos à produção de biogás e, posteriormente, de biometano.

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INFO bioenergia

Além da geração de energia, o processo reduz o impacto ambiental dos dejetos, diminui a emissão de metano para a atmosfera e ainda produz um biofertilizante rico em nutrientes que pode retornar às lavouras, reduzindo gastos com fertilizantes minerais.

 

A oportunidade econômica é considerada significativa. Estimativas apresentadas por especialistas do setor indicam que o mercado de biogás e biometano em Mato Grosso pode movimentar cerca de R$ 1 bilhão por ano caso o potencial disponível seja desenvolvido em escala comercial.

 

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Outro fator que amplia o interesse pelo tema é a crescente demanda por combustíveis de baixo carbono. Depois de purificado, o biogás transforma-se em biometano, combustível com características semelhantes às do gás natural e que pode abastecer caminhões, máquinas agrícolas, indústrias e até ser injetado em redes de distribuição onde houver infraestrutura.

 

Para um Estado marcado por longas distâncias e elevado consumo de diesel no transporte da produção agrícola, a possibilidade de produzir combustível dentro das próprias propriedades ou polos agroindustriais representa uma alternativa estratégica para reduzir custos logísticos e aumentar a competitividade.

 

O avanço, entretanto, depende de investimentos elevados em biodigestores, sistemas de purificação, redes de distribuição e equipamentos de geração elétrica. Também exige escala mínima de produção para tornar os empreendimentos economicamente viáveis, razão pela qual grandes confinamentos, granjas, frigoríficos e usinas tendem a liderar os primeiros projetos.

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Nesse cenário, Mato Grosso começou a estruturar uma política de incentivo ao setor. O Estado aprovou benefícios fiscais voltados à implantação de indústrias produtoras de biogás e biometano, buscando estimular novos investimentos e consolidar uma cadeia energética baseada no aproveitamento de resíduos agropecuários e industriais.

 

Pesquisas da Embrapa mostram que o potencial brasileiro de produção de biogás a partir da pecuária é expressivo e pode ser estimado conforme o tamanho dos rebanhos, o manejo dos dejetos e a eficiência dos biodigestores. Para Mato Grosso, que concentra um dos maiores rebanhos bovinos do planeta, a disponibilidade de matéria-prima deixa de ser o principal desafio.

 

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A principal questão passa a ser econômica: transformar resíduos que hoje representam custos de manejo em uma nova fonte de receita.

 

Para especialistas, o biogás tende a ocupar no futuro um papel semelhante ao desempenhado pelo etanol de milho na última década. Inicialmente visto como um mercado complementar, tornou-se um importante vetor de diversificação da renda das agroindústrias. O mesmo caminho poderá ocorrer com o aproveitamento energético dos resíduos, especialmente diante da valorização dos combustíveis renováveis e da crescente demanda por cadeias produtivas de baixa emissão de carbono.

 

Mais do que produzir energia, o campo passa a produzir também um novo ativo econômico. Se conseguir converter seu enorme volume de resíduos em combustível, fertilizantes e eletricidade, Mato Grosso poderá agregar valor à produção agropecuária sem ampliar a área cultivada, transformando um passivo ambiental em mais uma fonte de riqueza.

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Agro Mato Grosso

Milho lidera e Mato Grosso garante 6º lugar entre os maiores exportadores do país

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A força do agronegócio de Mato Grosso continua injetando bilhões de dólares na economia local e movimentando a renda em todo o Estado. Apenas no mês de setembro, as exportações mato-grossenses movimentaram US$ 2,1 bilhões, garantindo a Mato Grosso o posto de 6º maior exportador do Brasil, responsável por 6% de tudo o que o país vendeu para o exterior.

Com importações somando US$ 233 milhões, concentradas principalmente em insumos como fertilizantes, o saldo da balança comercial do Estado fechou no azul em cerca de US$ 1,9 bilhão.

Milho puxa os embarques e China lidera as compras

A produção mato-grossense alcançou 115 países em setembro, impulsionada pelos grãos e pela pecuária, o milho sozinho respondeu por US$ 641,1 milhões (30,3% de tudo o que foi vendido pelo Estado). Soja em grão (US$ 354 milhões), carne bovina congelada (US$ 257,5 milhões), farelo de soja (US$ 249,3 milhões) e algodão (US$ 163,3 milhões).

A China liderou o ranking de destinos, adquirindo US$ 342,3 milhões em produtos (16,2% do total), seguida por Países Baixos, Egito, Irã e Espanha.

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Crescimento no ano e o foco na agroindustrialização

No acumulado de janeiro a setembro de 2026, Mato Grosso já faturou US$ 26,5 bilhões em vendas externas, uma alta expressiva de 16,9% em relação ao mesmo período do ano passado, injetando US$ 3,8 bilhões a mais na economia estadual.

*Sob supervisão de Gene Lannes

Fonte: SEDEC

 

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Agro Mato Grosso

Mato Grosso tem dois alertas de tempestade com ventos fortes e risco de granizo; entenda

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Agro Mato Grosso

Famílias vivem em acampamento improvisado há 20 anos à espera de assentamento em MT

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Famílias que vivem no Acampamento União Cinco Estrelas, em Novo Mundo (MT), aguardam há mais de duas décadas pela implantação de um assentamento da reforma agrária em uma área da Fazenda Cinco Estrelas, reconhecida pela Justiça como pertencente à União. Enquanto esperam em moradias improvisadas ao entorno da propriedade, os moradores enfrentam dificuldades de acesso à água, falta de infraestrutura e preocupação com a segurança.

A fazenda tem cerca de 4,3 mil hectares e integra o Projeto de Desenvolvimento Sustentável (PDS) Novo Mundo, criado pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). Em 2025, o órgão publicou a relação de 74 famílias selecionadas para ocupar lotes no projeto.

Já em abril de 2026, a Justiça Federal determinou a desocupação de 2 mil hectares da fazenda dos atuais ocupantes, conforme o plano de ocupação elaborado pelo Incra. O prazo inicial de 30 dias foi ampliado para até a última semana deste mês, com possibilidade de prorrogação pela Justiça.

A reportagem procurou a defesa da família Rodrigues da Cunha, citada na decisão, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem.

Uma moradora local, que não quis ter a identidade divulgada, contou a imprensa que vive no acampamento há cerca de dez anos. Segundo ela, a falta de água tem afetado os moradores, os animais e as plantas mantidos pelas famílias.

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“Está com mais de semana que o caminhão-pipa não vem trazer água para a gente aqui. Aí as plantas morrendo, a criação morrendo de sede. A gente também está sem água para nada. A gente precisa que isso aconteça o mais rápido possível, porque estamos esperando há anos”, afirmou.

Os moradores do Acampamento União Cinco Estrelas enfrentam dificuldades de acesso à água e falta de infraestrutura. — Foto: Arquivo pessoal

Os moradores do Acampamento União Cinco Estrelas enfrentam dificuldades de acesso à água e falta de infraestrutura. — Foto: Arquivo pessoal

A reportagem procurou a Prefeitura de Novo Mundo e a Secretaria Municipal de Obras para questionar o fornecimento de água e as condições de infraestrutura relatadas pelos moradores, mas não recebeu resposta até esta publicação.

Maria também relatou a presença de pessoas armadas na região e disse que os moradores têm preocupação com a própria segurança. Uma representante da Comissão Pastoral da Terra (CPT), que não quis ter a identidade divulgada, informou que encaminhou essas denúncias dos moradores à Defensoria Pública da União, o Ministério Público Federal e a Agência Nacional de Mineração.

A Polícia Militar informou que realiza o policiamento na região com equipes da Patrulha Rural, da Força Tática do 15º Comando Regional e da unidade local de Novo Mundo. Segundo a corporação, denúncias recebidas na área foram apuradas nos últimos meses, mas não houve flagrantes que resultassem em detenções ou apreensões de armas.

A polícia informou ainda que a única prisão realizada no local nos últimos meses ocorreu em agosto, por violência doméstica.

Um morador local, que não quis ter a identidade divulgada, está acampado há mais de cinco anos. Ele vive no local com a esposa e faz trabalhos temporários para se manter enquanto aguarda a criação do assentamento.

“Depois de tanta espera, espero que se cumpra a determinação da Justiça e que se crie logo esse assentamento, pois as famílias têm sofrido muito todos esses anos debaixo da lona, aguentando esse sol escaldante. E agora, no início da chuvarada, ventos fortes estão desmanchando os barracos”, ressaltou.

 

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Histórico de trabalho escravo

 

Famílias que vivem no Acampamento União Cinco Estrelas, em Novo Mundo (MT), aguardam há mais de duas décadas pela implantação de um assentamento da reforma agrária. — Foto: Arquivo pessoal

Famílias que vivem no Acampamento União Cinco Estrelas, em Novo Mundo (MT), aguardam há mais de duas décadas pela implantação de um assentamento da reforma agrária. — Foto: Arquivo pessoal

A Fazenda Cinco Estrelas está localizada na Gleba Nhandu. A propriedade da União sobre a área foi reconhecida pela Justiça Federal, e o PDS Novo Mundo foi criado pelo Incra em 2002. No ano seguinte, a fazenda foi palco de um caso de trabalho escravo. À época, o Ministério do Trabalho registrou um dos maiores resgates, retirando da área 140 trabalhadores que viviam em condições degradantes.

A decisão do TRF-1 determinou a desocupação de 2 mil hectares para permitir o avanço da implantação do projeto. O cumprimento da ordem prevê a participação de órgãos públicos e prioriza medidas de conciliação e mediação.

A decisão judicial, por si só, não significa que o assentamento já esteja implantado. Ainda são necessárias providências para que a área seja efetivamente destinada às famílias selecionadas.

Pedidos de mineração na área

 

O Incra informou a imprensa que mantém o monitoramento da Fazenda Cinco Estrelas e que adotou medidas técnicas, administrativas e judiciais após tomar conhecimento de atividades de mineração na região.

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Segundo o órgão, análises cartográficas e fundiárias identificaram pedidos de exploração de ouro que abrangem cerca de 4.346,63 hectares, praticamente toda a área da fazenda. O órgão apontou ainda que a Câmara Nacional de Conciliação Agrária acompanha o caso.

O Instituto afirmou que comunicou a Agência Nacional de Mineração (ANM), o Ministério Público Federal (MPF) e a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema) sobre a situação, diante da ausência de autorização do titular da área para as atividades. O Incra também informou ter adotado medidas judiciais relacionadas à posse e solicitado à Sema a suspensão das licenças.

Mesmo com a propriedade da União reconhecida pela Justiça e as 74 famílias selecionadas para o projeto, a implantação do assentamento ainda depende das providências necessárias ao cumprimento da decisão e à destinação efetiva das terras. Enquanto isso, famílias que esperam há anos pela área continuam vivendo no acampamento.

Já em abril de 2026, a Justiça Federal determinou a desocupação de 2 mil hectares da Fazenda Cinco Estrelas dos atuais ocupantes, conforme o plano de ocupação elaborado pelo Incra. — Foto: Arquivo pessoal

Já em abril de 2026, a Justiça Federal determinou a desocupação de 2 mil hectares da Fazenda Cinco Estrelas dos atuais ocupantes, conforme o plano de ocupação elaborado pelo Incra. — Foto: Arquivo pessoal

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