Sustentabilidade
Plano Recupera Rural RS é destaque no lançamento da Expoagro Afubra 2026 – MAIS SOJA

As ações do Plano Recupera Rural RS foram apresentadas durante o lançamento da Expoagro Afubra 2026, realizado em 6 de março. Na ocasião, o pesquisador da Embrapa Clima Temperado e coordenador da iniciativa, Ernestino Guarino, conduziu a palestra “Ciência, Resiliência e Cooperação – Aprendizados da Iniciativa Recupera Rural RS”, destacando o papel da ciência e da cooperação institucional na recuperação das áreas rurais atingidas pelos eventos climáticos extremos registrados no Rio Grande do Sul.
Ao iniciar a apresentação, o pesquisador lembrou que o tema ainda mobiliza fortes lembranças para quem viveu os impactos das enchentes no estado.
“Não é um tema fácil. Todos nós vivemos os eventos climáticos de 2024 e muitos também enfrentaram as chuvas de 2023. Recordar esses momentos pode ser difícil, mas precisamos lembrar da história para reconstruir o presente e planejar o futuro com mais clareza”, afirmou.
Durante a palestra, Guarino apresentou o trabalho realizado pela Embrapa e por instituições parceiras ao longo dos últimos dois anos, destacando a articulação entre pesquisa científica e atuação em campo para apoiar a reconstrução das áreas afetadas. Segundo ele, os eventos climáticos recentes reforçam a necessidade de ampliar a capacidade de adaptação da agropecuária frente às mudanças climáticas.
“Os eventos de 2023 e 2024 demonstram de forma inequívoca que as mudanças climáticas estão presentes na nossa realidade. Não se trata mais de discutir se isso vai acontecer, mas de entender como nos preparar para enfrentar eventos cada vez mais frequentes”, destacou.
Impactos no campo gaúcho
Dados apresentados durante a palestra indicam que os episódios de chuvas extremas registrados em 2024 provocaram impactos expressivos no território. Em algumas regiões do estado, o volume de precipitação acumulado em cerca de dez dias foi equivalente ao que normalmente ocorre em meses.
Os levantamentos apontam que mais de 3,2 milhões de hectares foram afetados e que mais de 400 municípios registraram decretos de emergência ou calamidade. Além disso, aproximadamente 54 mil propriedades da agricultura familiar sofreram algum tipo de impacto.
Os efeitos das enchentes variaram conforme as características de cada região. Em áreas de encosta, como na Serra Gaúcha, foram registrados milhares de deslizamentos de terra, enquanto nas regiões de planície, como no Vale do Taquari, os principais danos estiveram associados às inundações e ao acúmulo de água nas áreas produtivas.
Ciência e cooperação para a recuperação
Nesse contexto, Guarino destacou que a resposta da Embrapa e de instituições parceiras se estruturou a partir da Plataforma Colaborativa Sul, iniciativa criada para reunir projetos de pesquisa voltados à mitigação dos efeitos das mudanças climáticas sobre os sistemas produtivos da região.
“A plataforma foi criada poucos meses antes das enchentes, com o objetivo de estudar justamente os impactos das mudanças climáticas nos sistemas agroprodutivos do Sul do Brasil. Quando ocorreu o evento de 2024, direcionamos os esforços para apoiar diretamente o processo de recuperação do estado”, explicou.
A partir dessa articulação, foi estruturado o Plano Recupera Rural RS, que reúne equipes das sete unidades da Embrapa localizadas na região Sul e conta com a colaboração de universidades, órgãos de extensão rural e instituições do setor produtivo. Entre as primeiras ações desenvolvidas esteve o apoio emergencial aos agricultores atingidos, com a distribuição de sementes provenientes de bancos de germoplasma da Embrapa, permitindo que produtores retomassem as atividades produtivas em diferentes regiões do estado. Além disso, equipes técnicas realizaram levantamentos de campo para avaliar os impactos das enchentes.
“Percorremos mais de quatro mil quilômetros pelo estado e realizamos milhares de análises de solo para entender o que aconteceu em cada território. Esse diagnóstico foi fundamental para orientar as estratégias de recuperação que estamos implantando hoje”, explicou Guarino.
No decorrer da apresentação o pesquisador mostrou, por região, como foram os impactos das chuvas e explicou que as açõesincluem diagnósticos territoriais, atividades participativas com produtores e lideranças locais, elaboração de recomendações técnicas e estudos voltados à recuperação de solos, vegetação ciliar e sistemas produtivos. Destacou também que a iniciativa tem realizado atividades de capacitação, dias de campo e implantação de unidades de referência tecnológicas (URTs) voltadas à adaptação dos sistemas agropecuários às mudanças climáticas pensados estrategicamente para as necessidades de cada localidade.
Práticas simples para reduzir impactos futuros
Ao encerrar a apresentação, o pesquisador ressaltou que a recuperação das áreas afetadas passa também pela retomada de práticas de manejo e conservação do solo já conhecidas da agronomia, muitas delas simples e de baixo custo, mas fundamentais para reduzir os impactos de eventos climáticos extremos.
Entre os exemplos citados está o trabalho realizado na região de Sinimbu, onde agricultores vêm adotando curvas de nível e outras técnicas de conservação que ajudam a reduzir a erosão e melhorar o manejo da água nas propriedades.
Segundo o pesquisador, manter o solo coberto ao longo de todo o ano, recuperar as margens de rios e adotar estruturas simples de conservação, como cordões vegetados e sistemas adequados de drenagem nas lavouras, são medidas que contribuem para tornar os sistemas produtivos mais resilientes. Guarino destacou ainda que essas ações são essenciais diante da perspectiva de novos eventos extremos no futuro.
“Esses eventos vão acontecer. Para mim, a questão não é mais quando, mas onde. Por isso precisamos nos preparar, conservando o solo, mantendo a cobertura das áreas agrícolas e recuperando as margens dos rios”, afirmou.
De acordo com ele, muitas das soluções necessárias já são conhecidas pela ciência e pela prática agronômica, mas acabaram sendo abandonadas ao longo do tempo.
“São tecnologias simples, baseadas em conceitos consolidados da agronomia. Retomar essas práticas é a base da recuperação e também da prevenção, para reduzir impactos e proteger as comunidades rurais”, concluiu.
Fonte: Embrapa
Autor:Nágila Rodrigues (Jornalista do Plano Recupera Rural RS) Embrapa Clima Temperado
Site: Embrapa
Sustentabilidade
Qual a perda aceitável de colheita no milho? – MAIS SOJA

Em lavouras produtoras de grãos, minimizar as perdas na colheita é fundamental para garantir que a produtividade alcançada ao longo da safra não seja desperdiçada no campo. Assim como ocorre na cultura da soja, no milho as perdas durante a colheita são inevitáveis, mesmo com o uso de colhedoras modernas que permitem regulagens mais precisas e contribuem para reduzir esses prejuízos.
Entre os fatores mais associados às perdas na colheita do milho destacam-se o momento inadequado de colheita, a umidade dos grãos fora da faixa ideal, a velocidade excessiva de deslocamento da colhedora, além de falhas de manutenção e regulagem do equipamento. O término do ciclo da cultura, denominado maturação fisiológica, é caracterizado pelo surgimento do “ponto negro” na base dos grãos (Figura 1), indicando que não há mais conexão fisiológica entre o grão e a planta-mãe. Contudo, a presença desse sinal não significa, necessariamente, que a colheita deva ser iniciada.
Figura 1. Ponto negro em milho (camada preta), característica marcante da maturação fisiológica da cultura.
Para que a colheita ocorra com menor risco de danos mecânicos e perdas, é necessário aguardar que os grãos atinjam a faixa de umidade ideal, entre 18% e 25%. Nessas condições, o processo de trilha tende a ocorrer de forma mais eficiente, reduzindo danos aos grãos e perdas no sistema de colheita. Ainda assim, perdas podem ocorrer caso a operação seja realizada de forma inadequada.
Entre os principais ajustes operacionais para minimizar perdas destaca-se a velocidade de deslocamento da colhedora, que deve variar conforme a classe da máquina e a tecnologia embarcada. Entretanto, estudos demonstram que, mesmo em colhedoras modernas, o aumento da velocidade de operação tende a elevar os índices de perdas. Por isso, recomenda-se sempre trabalhar dentro das faixas estabelecidas pelo fabricante.
Mesmo com a colhedora devidamente regulada, grãos com umidade adequada e operação dentro da velocidade recomendada, algum nível de perda ainda pode ocorrer. Por essa razão, admite-se a existência de um limite de perda considerado aceitável. De acordo com Mantovani (2021), para a cultura do milho, perdas de até 1,5 sc ha⁻¹ são consideradas toleráveis. Valores superiores a esse indicam a necessidade de diagnóstico e ajustes no processo de colheita, buscando sempre reduzir as perdas ao menor nível possível.

Referências:
MANTOVANI, E. C. MILHO: PERDAS DE COLHEITA. Embrapa, 2021. Disponível em: < https://www.embrapa.br/agencia-de-informacao-tecnologica/cultivos/milho/producao/colheita-e-pos-colheita/perdas-na-colheita >, acesso em: 11/03/2026.

Sustentabilidade
‘Tem produtor que vai perder até 40% da soja em algumas regiões do RS’, alerta sojicultor de Tapera

A estiagem segue pressionando as lavouras de soja no Rio Grande do Sul e já provoca perdas em algumas regiões produtoras, justamente em um momento decisivo do ciclo da cultura. No início da colheita, produtores relatam grande variabilidade de produtividade entre áreas, reflexo da distribuição irregular das chuvas ao longo da safra.
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O Soja Brasil conversou com o produtor rural Maicon Abel Kummer, de Tapera (RS), que relata que as lavouras semeadas entre a segunda quinzena de novembro e dezembro estão atualmente na fase de enchimento de grãos (R5.1 a R5.4), período decisivo para a definição da produtividade, e já começam a sentir com mais intensidade os efeitos da falta de umidade no solo.
“A situação é muito variável. Teve lugar que recebeu 50 milímetros de chuva, outro pegou 20, outro só 5 e tem área que não recebeu nada. Então dentro do mesmo município, tem lavoura quase sem perda e outras com quebra muito grande”, afirma.
De acordo com ele, produtores da região de Tapera e Espumoso já começam a contabilizar perdas relevantes, embora o impacto dependa muito das chuvas localizadas registradas ao longo do ciclo.
“Tem produtor que vai perder de 0% a 10% porque pegou chuva melhor, mas também tem áreas com mais de 50% de quebra. Se fizer uma média das lavouras do município, acredito que a perda fique acima de 40%”, relata.
A irregularidade das precipitações acabou criando um cenário de forte contraste entre áreas dentro de um mesmo município. Em algumas micro-regiões, as chuvas garantiram desenvolvimento razoável das lavouras, enquanto em outras praticamente não houve reposição de umidade.
“Tem locais que receberam 50 milímetros de chuva, outros 20, outros apenas 5 e alguns não receberam nada. Por isso a variabilidade é muito grande. Dentro do mesmo município tem produtor quase sem perda e outros com quebra muito forte”, reforça.
Diante da condição de seca, muitos agricultores suspenderam parte dos manejos nas lavouras. Segundo Kummer, aplicações estão sendo feitas apenas quando há risco efetivo de prejuízo por pragas.
“A maioria dos produtores está parada com manejo. Só estão entrando na lavoura quando pragas como ácaros, tripes ou percevejos atingem nível de dano econômico, para evitar perdas ainda maiores”, explica.
Situação no RS
Levantamento da Emater/RS-Ascar confirma o cenário de estresse hídrico em diferentes regiões do estado. De acordo com a entidade, 42% das áreas de soja estão em fase de florescimento e 39% em enchimento de grãos, etapas consideradas críticas para a definição da produtividade.
O déficit hídrico, aliado a temperaturas que chegam a 40 °C, tem provocado sintomas como murchamento das plantas, senescência foliar precoce e abortamento de flores e vagens, comprometendo o potencial produtivo das lavouras.
A entidade também aponta dificuldades no estabelecimento das áreas semeadas mais tardiamente ou em sucessão. A falta de umidade tem provocado emergência irregular nas lavouras de sequeiro, aumentando a desuniformidade dos estandes e elevando o risco de replantio.
Colheita no Brasil
No Brasil, o andamento da colheita de soja apresenta atraso. Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), os trabalhos alcançam atualmente 50,6% da área, enquanto no mesmo período do ano passado estavam em 60,9%, o que representa um atraso de 16,9%.
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Sustentabilidade
Algodão/Cepea: Algodão inicia março em alta com vendedores firmes no mercado – MAIS SOJA

Os preços do algodão em pluma estão em alta neste início de março, sustentados pela postura firme de vendedores. Diante disso, compradores com necessidades imediatas estão mais flexíveis quanto aos preços das aquisições, sobretudo quando encontram lotes com as características desejadas. Segundo pesquisadores do Cepea, no cenário externo, participantes seguem atentos às tensões geopolíticas e aos possíveis impactos no preço do petróleo, no frete marítimo e nos custos dos insumos.
Quanto aos preços, no acumulado da parcial de março (até o dia 9), o Indicador CEPEA/ESALQ (pagamento em oito dias) avançou quase 1%, encerrando a R$ 3,5547/lp na segunda-feira, 9. A cotação doméstica está, em média, 3,7% acima da paridade de exportação. Pesquisadores do Cepea indicam que produtores continuam acompanhando o desenvolvimento das lavouras da próxima temporada e cumprindo os contratos a termo.
Fonte: Cepea
Autor:CEPEA
Site: CEPEA
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