Agro Mato Grosso
Produtora rural de Tapurah, Inez Catelan Lazarotto constrói uma história de superação no campo

A trajetória de Inez Catelan Lazarotto de 69 anos, é marcada por coragem, trabalho e resiliência. Agricultora do município de Tapurah, ela construiu no campo não apenas uma propriedade rural, mas um legado familiar que atravesse gerações.
A produtora rural chegou a Mato Grosso ainda jovem, na década de 1970, acompanhando o esposo. O casal veio inicialmente para Sorriso, onde ele, junto de um tio, já havia iniciado a formação da propriedade familiar. Casada havia poucos anos, Inês viu a vida tomar rumos inesperados quando, em 1981, o marido sofreu um infarto. Com isso, ela precisou retornar ao Rio Grande do Sul com os filhos ainda pequenos.
Anos mais tarde, quando o filho João Luiz completou 18 anos, a agricultora decidiu voltar a Mato Grosso para assumir parte da propriedade da família, fruto de uma sociedade familiar. O retorno definitivo aconteceu em 2002. Na época, a realidade era desafiadora: apenas 300 hectares abertos, nenhuma máquina, pouco recurso financeiro e uma infraestrutura praticamente inexistente.
“Nós não tínhamos maquinário, não tínhamos dinheiro, nem nome, tínhamos apenas a terra. Era tudo estrada de chão, não tinha asfalto e nem energia. O mercado era precário, mas como nós não tínhamos muito dinheiro, nos contentávamos com o que tinha. Economizávamos, criamos porco, galinha, tudo isso para ter o que comer”, conta Inez.
O trabalho era intenso. Faltava mão de obra, maquinário era escasso e as tarefas exigiam esforço coletivo. “Maquinário também não tínhamos, eram poucos. Até o primeiro trator, foi meu irmão que comprou e nos deu. Nossa, que alegria quando recebemos aquele trator”, relembra a produtora rural.
Com o passar dos anos, a propriedade cresceu e a família também. De 300 hectares, a área foi sendo ampliada, sempre com muito sacrifício e dedicação. Em 2013, a chegada de mais apoio familiar fortaleceu ainda mais o trabalho, permitindo novos investimentos e expansão da atividade agrícola.
Hoje, Inez de diz realizada. Mãe, avó de sete netos, ela celebra a união da família no campo. “Eu já tenho sete netos, a mais nova está com meses. É muito gratificante ver os filhos todos aqui comigo, juntos, apoiando, ajudando em tudo, na dificuldade. Na hora de chorar, choramos juntos, na hora de brigar, brigamos juntos, mas no final, tudo dá certo”, diz Inez com emoção sobre sua família.
A produtora também destaca o papel da Aprosoja Mato Grosso na representatividade do produtor, para ela associação é fundamental na defesa dos produtores rurais e no fortalecimento da atividade agrícola em Mato Grosso. “A Aprosoja MT nos representa como produtor, nos ajuda, nos apoia, nos representa na bancada. Eles estão nos ajudando muito agora e acho que vão continuar nos ajudando também”, finaliza ela.
No final, Inez Catelan Lazarotto se orgulha da sua trajetória e de tudo que passou para chegar onde está hoje. “Eu tenho orgulho de ser produtora rural. Passei por muita coisa, sofri, chorei, mas hoje eu quero só alegria com meus filhos. Sou grata a Deus por tudo o que construímos”, conclui ela.
Agro Mato Grosso
Caruru fora de controle devasta lavouras de soja em MT e acende alerta no campo

A planta daninha caruru tem tirado o sono de produtores de soja em Mato Grosso e se consolidado como uma das mais agressivas das últimas safras. Com alta capacidade de adaptação e resistência a herbicidas amplamente utilizados, a espécie já provoca perdas que podem chegar a 20% na produtividade, além de elevar os custos de controle nas propriedades rurais.
Relatos de campo mostram que o problema não é recente. Produtores apontam que a planta já chegou com resistência, o que dificulta ainda mais o combate. Em muitos casos, o controle químico tradicional não tem sido suficiente, especialmente em estágios mais avançados de desenvolvimento da planta.
Ela apresenta crescimento acelerado, podendo atingir até cinco centímetros por dia. Sua reprodução também chama atenção, já que uma única planta pode gerar grande quantidade de sementes, facilitando a disseminação na área. Em pouco tempo, áreas antes com baixa infestação passam a apresentar domínio quase total da planta daninha.
Além de competir diretamente por água, luz e nutrientes, o caruru provoca sombreamento intenso, impedindo o desenvolvimento adequado da soja. Em situações mais críticas, a cultura fica completamente encoberta, comprometendo a fotossíntese e resultando em áreas improdutivas.
Outro impacto relevante ocorre na colheita e na qualidade do produto final. Em culturas como algodão, as sementes da planta podem aderir à pluma, dificultando o beneficiamento e reduzindo o valor comercial. No milho e na soja, a presença de impurezas também gera prejuízos.
Especialistas alertam que o enfrentamento do problema exige uma abordagem integrada e contínua. Entre as principais estratégias estão a limpeza de máquinas agrícolas para evitar a disseminação, o uso de herbicidas pré-emergentes, a rotação de culturas e a adoção de diferentes mecanismos de ação para evitar novas resistências.
A manutenção da palhada no solo e o monitoramento constante das áreas também são fundamentais. Em casos iniciais, a remoção manual ainda é indicada para impedir a formação de banco de sementes. A combinação de práticas é considerada essencial para reduzir a pressão da planta daninha ao longo do tempo.
De acordo com o pesquisador Rafael Romero Mendes, da Embrapa Soja, a infestação da espécie cresceu de forma consistente nas últimas quatro safras. Ele destaca que o enfrentamento exige manejo integrado, com ações como limpeza de máquinas, manutenção de palhada, uso de cultivares com novas biotecnologias e adoção de herbicidas pré emergentes, sobretudo em áreas com resistência ao glifosato.
O pesquisador ressalta que o uso desses produtos demanda atenção às condições de solo, clima e à cultivar utilizada, para evitar fitotoxicidade. Esse problema pode comprometer o estande das lavouras e provocar emergência irregular das plantas.
Agro Mato Grosso
Megaoperação contra garimpo na Terra Indígena Sararé destrói maquinários e acampamentos MT

Ação destruiu máquinas avaliadas em R$ 1 milhão, desmontou acampamentos e destruiu explosivos. Território tem o maior número de alertas de garimpo ilegal no Brasil.
Uma megaoperação do governo federal na Terra Indígena Sararé, em Mato Grosso, causou prejuízo estimado em mais de R$ 42 milhões ao garimpo ilegal na região, segundo balanço divulgadonesta quinta-feira (23). A ação teve início em 25 de março e segue em andamento.
Segundo o governo, entre os dias 4 e 11 de abril foram realizadas 144 ações de fiscalização e repressão, que resultaram na inutilização de equipamentos e na destruição de estruturas usadas na atividade ilegal. Durante o período, foram destruídas duas escavadeiras hidráulicas, avaliadas em cerca de R$ 1 milhão cada, consideradas essenciais para o funcionamento garimpo.
A operação também resultou na destruição ou apreensão dos seguintes itens:
- 🏕️42 acampamentos
- 💥102 motores
- ⛺36 geradores
- 🪨102 motores
- 🪫36 geradores
- ⛽150 litros de gasolina
- ⛽14 mil litros de diesel
- 🚜17 maquinários leves
- 🚰490 metros de mangueiras de sucção
- 💣40 quilos de explosivos
Terra Indígena Sararé
A Terra Indígena Sararé abriga cerca de 201 indígenas do povo Nambikwara, distribuídos em sete aldeias, e se estende por áreas dos municípios de Conquista D’Oeste, Nova Lacerda e Vila Bela da Santíssima Trindade. Do total de 67 mil hectares do território, aproximadamente 4,2 mil hectares já foram impactados pelo garimpo ilegal, segundo dados do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam), órgão vinculado ao Ministério da Defesa.
A Sararé se tornou o território com o maior número de alertas de garimpo ilegal no Brasil, com 1.814 registros, segundo monitoramento do Ibama, segundo dados divulgados pela Operação Amazônia Nativa (Opan). O boletim destaca impactos ambientais significativos, como a contaminação de corpos d’água, entre eles o córrego Água Suja e o rio Sararé, com rejeitos de mineração, mercúrio e cianeto. O documento aponta ainda a degradação dos cursos d’água, incluindo a alteração e remoção do leito original de trechos do córrego.
Além dos danos ambientais, o levantamento registra o aumento da violência na região, com a presença de facções criminosas e relatos de tiros, ameaças de morte e ataques a aldeias. Segundo o boletim, o cenário expõe a comunidade a risco de danos irreparáveis, caracterizando uma violência estrutural e sistemática.
Cenários que podem ser comprovados pelas diversas operações realizadas na região, que por ser próxima da fronteira com a Bolívia, a área se tornou uma das rotas mais usadas para o tráfico de drogas, segundo a Polícia Civil apartir de 2022, grupos criminosos se infiltraram na região e, em 2024, entraram no garimpo.
Um levantamento divulgado pela Operação Amazônia Nativa (Opan), nesta quarta-feira (22), aponta que 93% das terras indígenas mato-grossenses estão sob pressão da mineração.

Facção entra em garimpo ilegal, que não para de avançar sobre terra indígena em Mato Grosso
Histórico de devastação
A Sararé liderou, em 2024, o ranking das terras indígenas mais desmatadas da Amazônia Legal. Entre 2021 e 2024, o desmatamento associado à área cresceu 729%. Os dados constam do relatório Cartografias da Violência na Amazônia 2025, divulgado em novembro de 2025, que analisou nove estados da região.
De acordo com o levantamento, o principal fator associado à devastação é a expansão do garimpo ilegal. O relatório identificou a presença de garimpos ativos dentro da TI Sararé, com o uso de escavadeiras hidráulicas, balsas e bombas de sucção.
Agro Mato Grosso
Jovem de 20 anos morre atropelado por carreta em avenida de MT

Um jovem identificado como Wéslyns Rodrigues da Cunha, de 20 anos, morreu em grave acidente de moto na noite desta quinta-feira (23), na Avenida Dr. Paraná, em frente à rotatória da Univag, em Várzea Grande. O irmão dele, que estava na garupa da motocicleta, ficou ferido.
Informações preliminares apontam que jovem seguia pela via quando tentou passar entre uma carreta e um veículo Jeep Renegade.
Durante a manobra, ele se desequilibrou, colidiu com o carro e caiu na pista. Na sequência, uma carreta acabou passando sobre a cabeça do motociclista.
Wéslyns utilizava capacete, mas não resistiu aos ferimentos e morreu ainda no local.

O irmão que estava na garupa foi atendido pelo Samu e encaminhado para uma unidade de saúde. A dinâmica exata do acidente deve ser apurada pelas autoridades.
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