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25 de julho de 2026

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A disputa pelo prato do futuro, e por que não associamos o feijão à proteína?

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Foto: Pixabay

Há mais de 30 anos acompanho diariamente o mercado de Feijão. Nesse período, aprendi que, quando falamos desse alimento, estamos tratando de muito mais do que uma commodity agrícola. Estamos falando do Prato Feito brasileiro, da segurança alimentar e da forma como milhões de famílias se alimentam.

Posso afirmar que poucas vezes vi tantas mudanças acontecendo ao mesmo tempo, e não apenas na lavoura, mas principalmente no consumidor.

Durante décadas, uma pergunta orientou grande parte das análises sobre o consumo de alimentos: quanto o consumidor pode gastar?

Ela continua indispensável. Inflação, juros, renda, emprego e câmbio determinam o tamanho da cesta de compras. Quando o orçamento aperta, as famílias substituem marcas, reduzem quantidades, procuram promoções e reorganizam o cardápio.

Mas uma segunda pergunta começa a ganhar protagonismo, silenciosamente, no Brasil e no exterior: o que merece ocupar espaço no prato?

Pode parecer uma mudança pequena, mas ela tem potencial para redesenhar uma parte importante do mercado de alimentos. O consumidor continua atento ao preço. Compara ofertas e troca de marca quando necessário. Porém, cada vez mais, sua decisão também considera saúde, praticidade, origem, confiança, qualidade nutricional e a história por trás do produto.

Em outras palavras, ele não procura apenas o alimento mais barato. Procura aquilo que, dentro de seu orçamento, entrega mais valor. Essa transformação merece a atenção do agronegócio brasileiro.

Durante muito tempo, concentramos nossa comunicação na produção. Quantos hectares foram plantados? Qual será a produtividade? Quanto exportamos? Como estão os preços?

Essas questões continuarão essenciais para produtores, empacotadores, cerealistas e exportadores. Mas, se desejamos aumentar o consumo dos alimentos de verdade, precisamos olhar com mais atenção para quem está do outro lado da cadeia: a pessoa que decide, todos os dias, o que colocar na mesa da família.

Essa decisão passou a ser influenciada por fatores que, até poucos anos atrás, quase não apareciam nas análises agrícolas.

O envelhecimento da população aumenta a preocupação com a alimentação preventiva. A incidência de doenças metabólicas amplia a procura por dietas equilibradas. A disseminação de medicamentos voltados ao controle do diabetes e da obesidade também começa a alterar o comportamento alimentar de milhões de pessoas.

Posso falar por experiência própria. Ao iniciar o uso de um medicamento da classe GLP-1, ouvi do médico uma orientação muito clara: seria necessário prestar ainda mais atenção ao consumo de proteína.

Quando a fome diminui, cada refeição passa a ter um peso maior. Não se trata apenas de comer menos. É preciso escolher melhor o que será consumido. Foi então que me fiz uma pergunta: quando se recomenda proteína, por que quase ninguém se lembra do Feijão?

A publicidade costuma relacionar proteína principalmente às carnes, aos laticínios, aos suplementos, às barras e a uma nova geração de produtos industrializados. Ao mesmo tempo, um dos alimentos mais completos, acessíveis e presentes na cultura brasileira permanece quase invisível nessa conversa. Esse é um dos grandes paradoxos da alimentação moderna.

Enquanto a indústria trabalha para adicionar proteínas e fibras a diferentes formulações, o Feijão já reúne naturalmente proteína vegetal, fibras, vitaminas e minerais. Além disso, carrega uma história construída ao longo de gerações.

O mesmo vale para o grão-de-bico, a lentilha e a ervilha. Esses alimentos, conhecidos internacionalmente como pulses, ocupam espaço crescente nos debates sobre nutrição, sustentabilidade e segurança alimentar.

No Brasil, porém, continuamos tratando-os quase exclusivamente como commodities ou produtos básicos de abastecimento. Não está na hora de mudar essa narrativa?

Outro movimento importante ocorre dentro dos supermercados. As grandes redes estão ampliando suas marcas próprias e procurando produtos que combinem qualidade, diferenciação e preço competitivo.

Isso não deve ser visto apenas como ameaça para a indústria. Pode representar uma oportunidade para empacotadores e processadores brasileiros desenvolverem novas linhas de Feijões, pulses, pipoca, gergelim e outras colheitas especiais.

Também cresce o interesse por alimentos minimamente processados, por ingredientes de origem conhecida e por produtos cuja história possa ser contada. O consumidor quer entender quem produz, como produz e por que aquele alimento merece sua confiança.

Isso aproxima o campo da mesa de uma maneira que ainda não compreendemos completamente. E o Brasil possui vantagens extraordinárias nesse cenário.

Somos capazes de produzir durante praticamente todo o ano. Temos uma enorme diversidade de Feijões, além de pulses, pipoca, gergelim e outras culturas especiais. Contamos com pesquisa científica, produtores tecnificados, agricultura familiar, cooperativas, empresas de beneficiamento e presença crescente no comércio internacional.

Mas ainda precisamos conectar essa capacidade produtiva com aquilo que realmente move o consumidor.

Não basta produzir mais. É preciso comunicar melhor. Não basta exportar mais. É preciso construir reputação.

Não basta afirmar que o alimento é saudável. É necessário explicar, demonstrar e participar ativamente da conversa sobre saúde e alimentação.

Quem não ocupar esse espaço corre o risco de produzir alimentos extraordinários e continuar invisível aos olhos do consumidor. É por isso que tenho defendido o conceito de Agroalimento.

O século 21 provavelmente não será lembrado apenas pela expansão do agronegócio. Será lembrado como o período em que a sociedade passou a discutir, com muito mais profundidade, a qualidade daquilo que come.

Quem compreender essa mudança deixará de vender somente produtos agrícolas e passará a oferecer soluções alimentares. Essa diferença é enorme.

O produtor continuará olhando para o clima, os custos, a produtividade, o câmbio e os mercados internacionais. Mas precisará olhar também para o consumidor final, entender suas preocupações, suas aspirações e seus novos hábitos.

A próxima grande disputa do agro não acontecerá apenas pela terra, pela produtividade ou pelos mercados externos. Será também uma disputa por espaço no prato.

O futuro do agronegócio continuará sendo construído na lavoura. Mas será confirmado — ou não — todos os dias, diante de milhões de consumidores.

Quem compreender isso primeiro deixará de disputar apenas mercados. Passará a disputar algo ainda mais valioso: a confiança de quem escolhe o que colocar no prato.

*Marcelo Lüders é presidente do Instituto Brasileiro do Feijão e Pulses (Ibrafe), e atua na promoção do feijão brasileiro no mercado interno e internacional


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.

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Conheça o ingrediente de perfumes de luxo que está sendo descartado na produção de suco

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Foto: Freepik

Muito além do suco, a laranja pode se transformar em matéria-prima para perfumes, cremes, óleos essenciais e ingredientes de alto valor para a indústria de cosméticos. Pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) apontam que resíduos gerados durante o processamento da fruta, como a água amarela, as sementes e o bagaço, ainda são pouco explorados no Brasil, apesar do potencial econômico.

Entre os compostos de maior interesse está o limoneno, um composto encontrado nas frutas cítricas e presente na água amarela (líquido gerado durante a produção do suco). O estudo realizado pela Unicamp desenvolveu uma tecnologia capaz de extrair o composto utilizando baixas temperaturas e pressões reduzidas, preservando suas características químicas.

Segundo o professor titular da Unicamp e membro da Academia de Ciências do Estado de São Paulo, Rubens Maciel Filho, o processo produz limoneno com pureza superior a 99%. Ele explica que, apesar do nome remeter ao limão, o limoneno está presente em todas as frutas cítricas, especialmente na laranja.

Produção de perfumes

Embora seja descartado ou subutilizado pela indústria, esse resíduo concentra substâncias utilizadas na fabricação de perfumes.

“A água amarela, para mim, é um resíduo extremamente importante e subutilizado. Nós trabalhamos com isso no passado para tirar um produto chamado limoneno. É o limoneno que se tira da água amarela. Ele é um princípio ativo dos principais perfumes. Perfumes de marcas muito famosas, muito caras”, afirma Rubens Maciel.

Segundo ele, trata-se de uma matéria-prima de alto valor comercial, com preço que pode chegar à casa de dólares por grama, o que reforça o potencial econômico do aproveitamento desse composto.

“Um pouquinho dele exala um cheiro maravilhoso no laboratório e pequenas quantidades dele são utilizadas na composição do perfume. Ele é caríssimo. Nós estamos falando de produtos que valem, eu diria, dólares por miligrama”, afirma.

Muito além dos perfumes

Sementes de laranja

O potencial da laranja para a indústria da beleza não se limita ao limoneno, segundo o pesquisador, as sementes concentram óleos, proteínas e flavonoides que podem ser aproveitados em formulações cosméticas como cremes e óleos essenciais.

“Não estamos falando de óleo de milho, nem de soja, é um óleo muito mais valorizado”, destaca Rubens Maciel.

Bagaço da laranja

Já o bagaço pode ser transformado, por meio de processos de fermentação, em ácidos orgânicos hoje amplamente utilizados pela indústria cosmética.

Água amarela

A água amarela também concentra pectina, composto conhecido pela aplicação na indústria alimentícia, mas que também desperta interesse em pesquisas voltadas ao desenvolvimento de cosméticos e outros produtos de origem natural.

Economia circular

Na avaliação do pesquisador, o aproveitamento desses resíduos representa uma oportunidade para ampliar a renda da cadeia citrícola e usar o que temos de melhor, em termos de produção, em nosso país.

“Se a gente é muito bom na produção do agronegócio como um todo, a gente precisa de valorizar as coisas que temos, não só exportar matéria-prima”, destaca Rubens Maciel.

Além do retorno econômico, a estratégia fortalece a economia circular ao substituir ingredientes de origem fóssil por compostos obtidos de matérias-primas vegetais.

Mesmo após a extração dos ingredientes de maior interesse, o material restante ainda pode ser aproveitado para geração de biogás, reduzindo o desperdício e aumentando a eficiência da cadeia produtiva.

Brasil ainda aproveita pouco esse mercado

Para Rubens Maciel, embora o Brasil seja o maior produtor e exportador mundial de suco de laranja, o país ainda explora pouco o mercado de ingredientes de alto valor obtidos dos resíduos da fruta.

“A gente muitas vezes não dá valor para isso [produção brasileira]. Vende a soja, as pessoas lá fora extraem o óleo e depois vendem a provitamina para nós. Então, nós importamos um produto que nós poderíamos produzir. O nosso foco, a origem da nossa pesquisa é valorizar aquilo que o Brasil sabe fazer bem. Valorizar os produtos do agronegócio”, completa.

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El Niño forte pode reduzir em até 10% a produção de grãos, avalia pesquisador da FGV

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A confirmação de um El Niño de forte intensidade em 2026 pode impor novos desafios à agricultura brasileira, em um cenário de dívidas e custos elevados no campo. Em entrevista ao Broadcast Agro, o pesquisador da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Eduardo Assad afirmou que, se o fenômeno for classificado como superforte, a produção nacional de grãos pode cair até 10%, como já ocorreu em outros anos.

Assad disse que o El Niño já está instalado e que a questão central agora é a intensidade do evento. Segundo ele, modelos climáticos da NOAA, nos Estados Unidos, e europeus indicam mais de 90% de probabilidade de um episódio forte ou superforte. O pesquisador explicou que um El Niño forte ocorre com anomalia entre 1°C e 1,5°C na temperatura da superfície do Pacífico, enquanto eventos acima de 2°C são classificados como superfortes.

De acordo com Assad, nos últimos dez anos três episódios muito fortes afetaram a produção brasileira, com destaque para a safra 2023/24. Naquele ciclo, houve perdas no Norte, Nordeste e Sudeste, enquanto o Sul elevou a produção com excesso de chuva. Na soja e no milho, as perdas ficaram entre 7% e 10%, principalmente por causa da seca.

Quer ficar por dentro da previsão do tempo e dos alertas meteorológicos? Acesse a página do tempo do Canal Rural e planeje-se!

Para a safra 2025/26, estimada em cerca de 320 milhões de toneladas de soja e milho, o pesquisador afirmou que uma perda potencial de 10% representaria 32 milhões de toneladas. Ele também avaliou que o aumento de área plantada, projetado em 1,5%, não compensaria eventuais perdas climáticas, como ocorreu em 2023/24.

Assad afirmou que tecnologias para reduzir perdas existem há mais de 35 anos, mas exigem planejamento de três a quatro anos. Entre as medidas citadas estão aprofundamento do sistema radicular, cobertura permanente do solo, plantio direto de qualidade, integração lavoura-pecuária (ILP) e integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF). Segundo ele, mesmo produtores que adotaram práticas sustentáveis registraram perdas em eventos extremos, mas em torno de 15%, ante mais de 25% entre os que não adotaram medidas.

Na avaliação do pesquisador, a adaptação da agricultura às mudanças climáticas precisa avançar com mais rapidez. Ele defendeu o seguro rural como investimento, citou a implementação do Código Florestal como instrumento de adaptação e afirmou que a resposta ao novo cenário climático depende de planejamento de longo prazo no sistema produtivo.

Fonte: Estadão Conteúdo

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Agro Mato Grosso

‘Fórmula-1 Caipira’; o agro transformou a terra batida em alta velocidade no país

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Não é à toa que o autocross ganhou o apelido de “Fórmula-1 Caipira” nos anos 1990!. Dos 37 pilotos inscritos no grid da temporada de 2026, aberta em maio na cidade de Luís Eduardo Magalhães, na Bahia, 90% tem como principal fonte de renda a agricultura. São produtores de soja, milho, algodão, e pecuaristas que dividem espaço com filhos de produtores e empresários ligados ao campo, em finais de semana eletrizantes, de muita velocidade e adrenalina.

Para os pilotos/agricultores, as corridas não são apenas uma competição, mas uma maneira de se desligar do negócio que exige também muito suor e inteligência; afinal, eles produzem e exportam alimentos para o mundo.

Segundo Gian Pasqualli, CEO do Autocross Brasil, “praticamente todo o grid está ligado ao agronegócio”. Eles são principalmente de Mato Grosso, Goiás, Bahia e Mato Grosso do Sul, regiões que concentram algumas das maiores áreas agrícolas do planeta.

Juntos, os pilotos representam mais de 2 milhões de hectares cultivados. Ou seja, cada corrida é também um encontro de grandes produtores rurais, reforçando a identidade do autocross como esporte do agro.

No kartcross, que terá a etapa única do Campeonato Brasileiro no mesmo fim de semana (15 a 17 de agosto), em Rio Verde-GO, 75% dos pilotos também trabalham no agronegócio, e, as 80 inscrições para a competição se encerraram em apenas 37 minutos.

Marlon Fedrizzi está entre esses pilotos/agricultores do autocross. As propriedades ficam em Campo Novo do Parecis e Brasnorte. Lá o piloto planta soja, algodão, cana-de-açúcar, milho, trigo, feijão e também investe na pecuária. Como os “concorrentes”, Marlon vê no esporte uma válvula de escape, em que a velocidade e a adrenalina ajudam a equilibrar o cotidiano, muitas vezes longe da vida agitada das grandes cidades.

“Meus pais saíram do Paraná e foram para Maracaju-MS, e se apaixonaram. Em 1975 vieram buscar o sonho no Chapadão do Parecis. Vim pra cá muito jovem, saí pra estudar e voltei para trabalhar na fazenda. Os desafios de estrutura foram sendo superados e ao longo desses 35 anos foram muitos altos e baixos. Todo agricultor participa da formação e do desenvolvimento da sociedade, é muito gratificante”, disse Fedrizzi.

Valdir Roque Jacobowski (55) compete há 21 anos e admite: “Quando a gente entra na gaiola, se desliga do mundo, é bom demais. Faz 21 anos que comecei e não consigo largar mais”, declarou o piloto, que também possui propriedade em Campo Novo do Parecis, onde cultiva soja, milho, algodão, bem como cria bovinos para corte.

“Pra ficar melhor, só faltava dar dinheiro (risos)”, disse, brincando, o piloto, já que, apesar dos grandes investimentos das equipes, após cada corrida, os que têm sorte voltam pra casa com um troféu.

Também agricultor na região de Primavera do Leste, Lucas Locatelli admite que tem motivos a mais para comemorar quando está nas pistas.

Ele e o pai (Renato) aceleram juntos, inclusive no asfalto, com a Porsche Cup que é disputada em vários autódromos do Brasil e em outros países também.

“Aqui plantamos soja e milho. Acho que a agricultura e o automobilismo têm em comum a imprevisibilidade, são muito desafiadores. Sem dúvida, para nós as corridas funcionam como uma válvula de escape, um hobby, que serve para desestressar, se desligar do trabalho; além disso, tem o fato de eu estar junto na pista com meu pai e esse momento é muito legal”, comentou Locatelli.

O Campeonato
O campeonato nacional é dividido em etapas ao longo do ano, realizadas em cidades estratégicas para o agronegócio. Entre os polos mais importantes e sedes das corridas estão Luís Eduardo Magalhães (BA) polo da soja e algodão, Rio Verde (GO) forte em milho e pecuária, Mato Grosso, maior produtor agrícola do país, com Tapurah, em setembro, e Cuiabá, sediando a grande final em novembro.

Cada etapa movimenta centenas de pessoas: pilotos, mecânicos, famílias, organizadores e público local. As provas são transmitidas em canais digitais, como o YouTube, ampliando a visibilidade da modalidade.

Além da competição, o autocross desperta curiosidade pelos bastidores, que começa pelo investimento para se competir. O custo de um carro, chamado de Gaiola, pelo fato de o piloto ocupar um cockpit de chassi tubular, com grade de proteção, pesando cerca de 700-735 kg, pode variar entre R$ 80 mil e R$ 150 mil, dependendo da tecnologia e preparação. Esses bólidos, mesmo em pistas de terra, podem ultrapassar facilmente os 160 km/h em retas curtas. O motor é Volkswagen AP 1.6 (aspirado), movido a etanol, com potência entre 150 a 160 cavalos.

 

O que o público não vê é a logística necessária para uma competição de âmbito nacional, afinal é preciso transportar todos ops carros, preparar as pistas do zero em poucos dias e montar toda a estrutura que envolve camarotes, arquibancadas, praças de alimentação, lounge com telão, sistema de som, climatizadores e banheiros químicos.

Receber uma etapa do campeonato significa muito para a economia local. Hotéis, restaurantes, oficinas, serviços de segurança e logística são movimentados. Além disso, produtores locais aproveitam o evento para mostrar suas marcas, produtos e até fechar negócios no paddock.

Não raro, feiras improvisadas surgem ao lado das corridas, com exposição de máquinas agrícolas, insumos e soluções financeiras. Isso transforma o autocross em uma plataforma de networking do agronegócio, além de entretenimento.
Por ser considerado o esporte do agro, o autocross atrai patrocinadores ligados ao campo: empresas de sementes, defensivos, fertilizantes, concessionárias de máquinas e até bancos especializados em crédito agrícola. Gian Pasquali pensa até em internacionalizar a modalidade, levando equipes brasileiras para fora do país.

Foi o crescimento desse esporte, por exemplo, que fez surgir em Cuiabá o Autódromo Internacional de Mato Grosso, inaugurado no ano passado, dentro das normas da FIA (Federação Internacional de Automobilismo), outra evolução da terra para o asfalto!.

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