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Conheça o ingrediente de perfumes de luxo que está sendo descartado na produção de suco

Muito além do suco, a laranja pode se transformar em matéria-prima para perfumes, cremes, óleos essenciais e ingredientes de alto valor para a indústria de cosméticos. Pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) apontam que resíduos gerados durante o processamento da fruta, como a água amarela, as sementes e o bagaço, ainda são pouco explorados no Brasil, apesar do potencial econômico.
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Entre os compostos de maior interesse está o limoneno, um composto encontrado nas frutas cítricas e presente na água amarela (líquido gerado durante a produção do suco). O estudo realizado pela Unicamp desenvolveu uma tecnologia capaz de extrair o composto utilizando baixas temperaturas e pressões reduzidas, preservando suas características químicas.
Segundo o professor titular da Unicamp e membro da Academia de Ciências do Estado de São Paulo, Rubens Maciel Filho, o processo produz limoneno com pureza superior a 99%. Ele explica que, apesar do nome remeter ao limão, o limoneno está presente em todas as frutas cítricas, especialmente na laranja.
Produção de perfumes
Embora seja descartado ou subutilizado pela indústria, esse resíduo concentra substâncias utilizadas na fabricação de perfumes.
“A água amarela, para mim, é um resíduo extremamente importante e subutilizado. Nós trabalhamos com isso no passado para tirar um produto chamado limoneno. É o limoneno que se tira da água amarela. Ele é um princípio ativo dos principais perfumes. Perfumes de marcas muito famosas, muito caras”, afirma Rubens Maciel.
Segundo ele, trata-se de uma matéria-prima de alto valor comercial, com preço que pode chegar à casa de dólares por grama, o que reforça o potencial econômico do aproveitamento desse composto.
“Um pouquinho dele exala um cheiro maravilhoso no laboratório e pequenas quantidades dele são utilizadas na composição do perfume. Ele é caríssimo. Nós estamos falando de produtos que valem, eu diria, dólares por miligrama”, afirma.
Muito além dos perfumes
Sementes de laranja
O potencial da laranja para a indústria da beleza não se limita ao limoneno, segundo o pesquisador, as sementes concentram óleos, proteínas e flavonoides que podem ser aproveitados em formulações cosméticas como cremes e óleos essenciais.
“Não estamos falando de óleo de milho, nem de soja, é um óleo muito mais valorizado”, destaca Rubens Maciel.
Bagaço da laranja
Já o bagaço pode ser transformado, por meio de processos de fermentação, em ácidos orgânicos hoje amplamente utilizados pela indústria cosmética.
Água amarela
A água amarela também concentra pectina, composto conhecido pela aplicação na indústria alimentícia, mas que também desperta interesse em pesquisas voltadas ao desenvolvimento de cosméticos e outros produtos de origem natural.
Economia circular
Na avaliação do pesquisador, o aproveitamento desses resíduos representa uma oportunidade para ampliar a renda da cadeia citrícola e usar o que temos de melhor, em termos de produção, em nosso país.
“Se a gente é muito bom na produção do agronegócio como um todo, a gente precisa de valorizar as coisas que temos, não só exportar matéria-prima”, destaca Rubens Maciel.
Além do retorno econômico, a estratégia fortalece a economia circular ao substituir ingredientes de origem fóssil por compostos obtidos de matérias-primas vegetais.
Mesmo após a extração dos ingredientes de maior interesse, o material restante ainda pode ser aproveitado para geração de biogás, reduzindo o desperdício e aumentando a eficiência da cadeia produtiva.
Brasil ainda aproveita pouco esse mercado
Para Rubens Maciel, embora o Brasil seja o maior produtor e exportador mundial de suco de laranja, o país ainda explora pouco o mercado de ingredientes de alto valor obtidos dos resíduos da fruta.
“A gente muitas vezes não dá valor para isso [produção brasileira]. Vende a soja, as pessoas lá fora extraem o óleo e depois vendem a provitamina para nós. Então, nós importamos um produto que nós poderíamos produzir. O nosso foco, a origem da nossa pesquisa é valorizar aquilo que o Brasil sabe fazer bem. Valorizar os produtos do agronegócio”, completa.
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OIA reduz estimativa para produção de açúcar no Centro-Sul em 2026/27

A produção de açúcar no Centro-Sul do Brasil pode ficar abaixo de 38 milhões de toneladas na safra 2026/27, segundo a Organização Internacional do Açúcar (OIA). A revisão foi apresentada no relatório de mercado de setembro, após a entidade reduzir sua projeção anterior, de 39 milhões de toneladas. O ajuste ocorre em meio ao avanço das chuvas, que tem prejudicado a colheita e a moagem de cana-de-açúcar.
Segundo a OIA, a produção na região terá dificuldades para alcançar 38 milhões de toneladas e poderá ficar bem abaixo desse volume se as chuvas previstas se confirmarem. Na primeira quinzena de setembro, as usinas do Centro-Sul processaram 30,2 milhões de toneladas de cana, queda superior a 30% em relação ao mesmo período do ano passado.
No mesmo intervalo, a produção de açúcar somou 2,2 milhões de toneladas, ante 3,6 milhões de toneladas um ano antes. Com isso, o volume acumulado desde 1º de abril chegou a 26,1 milhões de toneladas até meados de setembro, abaixo das 30,4 milhões de toneladas registradas no mesmo período da safra anterior. Em 2025/26, a região produziu 40,4 milhões de toneladas de açúcar.
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O ritmo de moagem também perdeu força ao longo da safra. Em meados de agosto, o processamento acumulado de cana ainda estava 2,1% acima do observado um ano antes. Agora, está 1,5% abaixo, em 443,7 milhões de toneladas.
Outro fator destacado pela entidade é a maior destinação de matéria-prima para o etanol. Até o momento, as usinas direcionaram 53,8% do Açúcar Total Recuperável (ATR) disponível para a fabricação do biocombustível, acima dos 47,7% verificados na mesma etapa da temporada passada. De acordo com a OIA, os preços do etanol subiram, elevando a paridade entre açúcar e etanol para cerca de 16 centavos de dólar por libra-peso, sem considerar o subsídio aos combustíveis introduzido recentemente.
Nas exportações, os embarques brasileiros de açúcar bruto também recuaram. Em agosto, o volume foi de 2,7 milhões de toneladas, contra 3,7 milhões de toneladas no mesmo mês de 2025. De janeiro a agosto, os embarques ficaram 2,2 milhões de toneladas abaixo dos registrados em igual intervalo do ano passado.
Apesar da perspectiva de menor oferta na temporada atual, a OIA observou que usinas brasileiras estariam realizando operações expressivas de hedge para 2027, aproveitando preços mais elevados. Segundo o relatório, esse movimento indica planos de ampliar a produção de açúcar no próximo ano.
Fonte: Estadão Conteúdo
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USDA destina US$ 86,6 milhões a projetos para culturas especiais nos EUA

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) anunciou nesta quarta-feira (14) a destinação de US$ 86,6 milhões para 609 projetos voltados ao aumento da competitividade de culturas especiais em 56 Estados e territórios do país. Os recursos serão concedidos por meio do Programa de Subvenções para Culturas Especiais (SCBGP), administrado pelo Serviço de Marketing Agrícola (AMS) do USDA.
Segundo o USDA, os projetos contemplados abrangem pesquisa, desenvolvimento de variedades de sementes, combate a pragas e doenças, segurança alimentar, educação nutricional e ações de marketing para ampliar o acesso dos produtores ao mercado.
O programa atende cadeias produtivas de frutas, hortaliças, nozes, frutas secas e plantas ornamentais, entre outras culturas enquadradas como especiais nos Estados Unidos. A proposta é direcionar recursos para iniciativas que fortaleçam a competitividade desses segmentos em diferentes frentes da produção e da comercialização.
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Entre os valores informados para os beneficiários, o Estado de Michigan receberá mais de US$ 2,64 milhões. A Flórida contará com mais de US$ 4,3 milhões, enquanto o Texas terá mais de US$ 2 milhões e a Geórgia, mais de US$ 1,7 milhão.
A distribuição dos recursos alcança um conjunto amplo de projetos e territórios, com foco em temas técnicos e comerciais ligados às culturas especiais. Entre os eixos apoiados pelo programa estão medidas voltadas à melhoria de material genético, ao enfrentamento de problemas fitossanitários e à expansão das condições de comercialização para os produtores.
Com o anúncio, o USDA confirma a liberação de US$ 86,6 milhões para 609 projetos do SCBGP, abrangendo 56 Estados e territórios e diferentes cadeias de culturas especiais nos Estados Unidos.
Fonte: Estadão Conteúdo
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Dólar em baixa pressiona mercado de etanol e açúcar

Os preços dos derivados da cana-de-açúcar, como o etanol e o açúcar cristal, seguem em trajetória de alta, segundo análise divulgada nesta quarta-feira (14) pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).
A valorização do real frente ao dólar tende a reduzir a competitividade dos produtos brasileiros no mercado externo, enquanto as chuvas continuam dificultando a produção de cana-de-açúcar. O cenário também é marcado por expectativas de retração da demanda.
O preço do açúcar já acumula alta de 2,20% no mês, mantendo o crescimento desde julho, porém de forma menos expressiva esta semana. A alta do dólar desfavoreceu as exportações, mas a baixa oferta no exterior ajudou a segurar as cotações na bolsa de Nova York e evitou uma queda. Nacionalmente, por conta da concentração do produto no mercado interno, o saldo foi neutro e os preços praticamente se mantiveram.
Já os preços do etanol hidratado subiram com mais força que os do açúcar no mercado paulista (2,87%). O feriado de 12 de outubro (Dia de Nossa Senhora Aparecida) alavancou a demanda pelo combustível e interrompeu a sequência de ligeiras quedas das últimas semanas. O Cepea também observou uma postura mais firme dos vendedores, distribuidoras precisaram aceitar os preços mais altos para garantir seus estoques.
*Sob supervisão de Hildeberto Jr.
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