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Entidades do agro alertam para falta de diesel no Sul, mas ANP nega problemas

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Foto: Vecstock/Freepik

A guerra entre Irã, Israel e Estados Unidos tem gerado incertezas sobre a oferta de petróleo e derivados para o mercado internacional. Por conta disso, entidades do agronegócio brasileiro manifestam preocupação a sobre a possível falta de acesso ao diesel.

Em nota divulgada nesta terça-feira (10), a Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Sistema Faep) alerta sobre o risco de escassez do insumo considerado essencial para a produção agropecuária, especialmente em atividades mecanizadas, além de impactos na logística do setor e elevação do custo do frete rodoviário.

O motivo da preocupação envolve a situação no Estreito de Hormuz, rota estratégica por onde passa cerca de 20% do petróleo e do gás natural comercializados no mundo. A instabilidade na região já começou a provocar turbulências no mercado internacional, elevando a mais de US$ 110 o preço do barril.

“O diesel é um insumo estratégico para o agronegócio. Ele está presente em praticamente todas as etapas da produção e também no transporte daquilo que é produzido no campo”, afirma Ágide Eduardo Meneguette, presidente do Sistema Faep. “Já temos relatos dos nossos sindicatos rurais de que o combustível está faltando nos entrepostos do interior do Paraná”, complementa.

Na última sexta-feira (6), a Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz) também se pronunciou a respeito do tema. De acordo com a entidade, os rizicultores do estado já relatam atrasos e cancelamentos na entrega de óleo diesel previamente agendada em diversas regiões gaúchas.

Conforme a Federação, o descumprimento da entrega estaria sendo justificada por suposto desabastecimento, ao mesmo tempo em que foi registrado aumento superior a R$ 1,20 por litro do combustível no final da semana passada.

ANP nega escassez

A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) se manifestou na segunda-feira (9), informando que não há falta de diesel no Rio Grande do Sul.

Segundo a agência reguladora, ao longo do fim de semana dos dias 7 e 8 de março, foram feitos contatos com os principais fornecedores da região para verificar a situação do abastecimento.

A apuração inicial indica que os estoques de diesel no estado são suficientes para garantir o abastecimento regular, e que a produção e a entrega do combustível seguem em ritmo normal pela Refinaria Alberto Pasqualini (Refap), principal fornecedora da região.

Apesar da avaliação de que não há problema estrutural de oferta, a ANP informou que iniciou uma verificação mais detalhada das instalações e das operações relacionadas ao abastecimento.

Assim, as distribuidoras que atuam no estado serão formalmente notificadas para prestar esclarecimentos sobre volume de diesel disponível em estoque, pedidos recebidos por parte dos consumidores e pedidos efetivamente aceitos e atendidos

De acordo com a agência, caso sejam identificadas irregularidades, medidas administrativas poderão ser adotadas para garantir a continuidade do abastecimento.

Além da análise sobre o fornecimento, a agência informou que eventuais aumentos injustificados no preço do diesel no estado também serão investigados.

Alta dependência de diesel

Levantamento do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep mostra que 73% da energia utilizada na agropecuária brasileira é proveniente de combustíveis fósseis, principalmente o diesel.

“Como o diesel está presente em todas as etapas da produção e da logística, essa instabilidade no mercado internacional de energia está pressionando os custos e gerando dificuldades operacionais no campo”, diz o presidente da entidade.

A importância do diesel para o setor vai muito além das máquinas dentro das propriedades rurais. No Brasil, o transporte rodoviário responde por mais de 60% da movimentação de cargas, incluindo grãos, fertilizantes, ração e outros insumos essenciais para a produção agropecuária. Atualmente, 29% do diesel consumido no país é importado.

O Sistema Faep ressalta que a possível falta do insumo pode causar efeitos ainda mais intensos pelo alto nível de mecanização agrícola do estado. “Culturas como soja, milho, trigo e cana-de-açúcar utilizam máquinas movidas a diesel em praticamente todas as etapas da produção, desde o preparo do solo até a colheita”, ressalta a Federação.

Ao mesmo tempo, cadeias produtivas como avicultura, suinocultura e produção de leite também dependem de fluxos logísticos contínuos, que exigem abastecimento regular de combustível.

Aumento da mistura de biodiesel

Biodiesel e soja
Imagem gerada por IA

De olho nos impactos do conflito no Oriente Médio, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) solicitou ao Ministério de Minas e Energia (MME) o aumento da mistura obrigatória de biodiesel ao óleo diesel no país de 15% para 17%, modelo conhecido como B17.

“O biodiesel torna-se uma alternativa com preço competitivo e com potencial de frear eventuais escaladas de preços para os usuários do transporte no país, incluindo o agronegócio”, afirmou o presidente da entidade, João Martins, em comunicado.

Em nota, a CNA citou que a implementação da mistura de 16% de biodiesel ao diesel (B16) estava prevista para 1º de março de 2026, o que ainda não ocorreu. Desde agosto de 2025 o mix é de 15% (B15).

Segundo a entidade, o atraso na aplicação dessa etapa reduz o impacto da política de biodiesel na oferta de combustível. “No entanto, no novo quadro da geopolítica mundial, o avanço imediato para 17% (B17) surge como medida razoável para a realidade nacional”, disse João Martins.

A Confederação também destacou a oferta de matéria-prima para a produção do biocombustível, afirmando que a safra de soja em andamento amplia a disponibilidade para as indústrias de esmagamento.

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Casal troca Brasília pelo campo e revitaliza produção de queijo mineiro

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Casal retomou tradição familiar do queijo minas artesanal e ampliou o negócio com apoio técnico e vendas online

A produção de queijo minas artesanal na Fazenda Saudade, em Ibertioga, no Campo das Vertentes (MG), atravessa gerações. Há cerca de um século, os queijos produzidos na propriedade eram transportados a cavalo até o Rio de Janeiro. Hoje, a tradição segue viva pelas mãos da jornalista Tereza Rodrigues e do videomaker Matheus Brandão, que trocaram a vida em Brasília pelo campo para dar continuidade ao legado da família.

A mudança aconteceu em 2018, após a descoberta da gravidez da primeira filha do casal. O que inicialmente não fazia parte dos planos acabou se transformando em um projeto de vida ligado às origens da família.

“Quando fiquei grávida, resolvemos voltar para cá, para as nossas raízes, e começar a produzir queijo minas artesanal também”, relembra Tereza.

Tradição e modernização

Além de preservar a receita tradicional, baseada em leite cru, pingo, coalho e sal, o casal investiu na modernização da estrutura produtiva. Atualmente, a Fazenda Saudade conta com 230 vacas em lactação e uma queijaria construída para atender às exigências sanitárias da atividade.

Os queijos passam por maturação superior a 22 dias em tábuas de cedro, processo que contribui para a formação de massa macia e sabores característicos da região.

Apoio técnico fortaleceu produção

O desenvolvimento da atividade teve apoio da Emater-MG, que orientou a implantação de boas práticas de ordenha e de fabricação, além de acompanhar a legalização da queijaria.

Segundo a extensionista de bem-estar social da entidade, Mayara Jarochinski, a preocupação com a qualidade em todas as etapas da produção contribuiu para que os produtos da fazenda conquistassem reconhecimento em concursos e premiações nacionais.

A assistência técnica também incluiu ações voltadas à comercialização, com incentivo à participação em feiras, eventos e capacitações.

Vendas pela internet ampliam alcance

Além da produção, o casal buscou alternativas para aproximar os produtos dos consumidores. Uma delas foi a entrada na plataforma ÉdoCampo, iniciativa da Emater-MG voltada à comercialização online de produtos rurais.

Para Matheus Brandão, a ferramenta ajuda a reduzir a distância entre quem produz e quem consome.

“Uma das maiores dificuldades é chegar ao consumidor final. A plataforma ajuda a encurtar esse caminho”, afirma.

A trajetória da Fazenda Saudade reúne tradição familiar, assistência técnica e inovação comercial, mostrando como a sucessão rural pode contribuir para manter viva uma atividade histórica da produção artesanal mineira.

*Com informações da assessoria de imprensa

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‘Mercado você recupera, credibilidade é muito mais difícil’ diz Miguel Daoud sobre veto da União Europeia

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Foto: Freepik

A decisão da União Europeia de excluir o Brasil da lista de países autorizados a exportar produtos de origem animal acendeu um alerta no agronegócio. Embora o impacto comercial direto seja limitado, o economista e analista político Miguel Daoud avalia que o maior risco está na perda de credibilidade do país perante os mercados internacionais.

Em entrevista ao videocast Radar Rural, apresentado pelos jornalistas Beatriz Gunther e Victor Faverin, Daoud afirmou que o debate não deve se concentrar em uma possível postura protecionista da Europa, mas na capacidade do Brasil de atender às exigências de rastreabilidade exigidas pelo bloco.

Assista ao episódio completo:

Credibilidade em jogo

Para Daoud, a exclusão do Brasil não representa um questionamento sobre a qualidade ou a sanidade dos produtos brasileiros, mas sim sobre a comprovação da origem e do controle da produção.

“O que eles estão pedindo é rastreabilidade. Não estão questionando a qualidade da carne brasileira nem a capacidade de produção do país”, afirmou.

Ele destacou ainda que Argentina, Paraguai e Uruguai conseguiram atender às regras impostas pela União Europeia, o que reforça a necessidade de o Brasil concentrar esforços na solução do problema.

“A questão não é econômica. O problema é perder credibilidade. Mercado você recupera. Credibilidade é muito mais difícil.”

Europa é vitrine para o mundo

Apesar de a União Europeia representar uma parcela relativamente pequena das exportações brasileiras de carne bovina e de frango, Daoud considera o bloco estratégico por funcionar como referência para outros compradores.

Segundo ele, países como o Reino Unido já acompanham os critérios adotados pelos europeus e podem seguir o mesmo caminho.

Além disso, o analista chamou atenção para o fato de que a China também vem ampliando as exigências relacionadas à rastreabilidade dos alimentos importados.

“O mercado europeu é uma vitrine. Se você atende às exigências da Europa, transmite confiança para o restante do mundo.”

Tarifas de Trump e os impactos para o agro

Outro tema debatido no episódio foi a nova rodada de tarifas anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Na avaliação de Daoud, as medidas fazem parte da estratégia política adotada pelo republicano desde a campanha eleitoral, baseada na defesa do slogan “América em primeiro lugar”.

Segundo ele, a proposta busca fortalecer a indústria americana, mas pode produzir o efeito contrário ao elevar os custos para os próprios consumidores dos Estados Unidos.

“Quando ele taxa produtos importados, quem paga a conta é o consumidor americano.”

O analista também observou que parte das tarifas enfrenta questionamentos jurídicos e ainda depende de decisões nos tribunais americanos antes de entrar efetivamente em vigor.

Plano Safra: preocupação está no custo do crédito

Na reta final da entrevista, Daoud comentou as expectativas para o próximo Plano Safra.

Embora o governo sinalize um volume recorde de recursos, ele avalia que a principal preocupação do produtor rural está nas condições de acesso ao crédito.

“O problema não é o tamanho do Plano Safra. O problema são as condições.”

Segundo o economista, a combinação de juros elevados, aumento da inadimplência e escassez de recursos controlados pode fazer com que boa parte dos financiamentos chegue ao produtor com taxas consideradas inviáveis para muitas atividades.

Ele também destacou a importância do seguro rural diante das perdas provocadas por eventos climáticos extremos nos últimos anos.

Agro segue como motor da economia

Ao deixar uma mensagem para os produtores rurais, Daoud defendeu que o agronegócio continue cobrando políticas públicas capazes de garantir competitividade ao setor.

Para ele, o agro permanece como o principal motor de crescimento da economia brasileira e precisa de instrumentos que reduzam riscos e estimulem a produção.

“O agronegócio não quer favor. Precisa de condições para continuar produzindo e gerando riqueza para o país.”

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Acrimat alerta para riscos da cota da China e do fim da escala 6×1

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Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Groso

A dependência cada vez maior do mercado internacional para sustentar os preços da carne bovina e os possíveis impactos da proposta que altera a jornada de trabalho no país estão entre as principais preocupações da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat). Apesar do momento favorável vivido pela pecuária mato-grossense, a entidade avalia que fatores externos podem influenciar diretamente a rentabilidade do produtor nos próximos meses.

O alerta foi feito pelo diretor executivo da Acrimat, Daniel Latorraca. Segundo ele, a recuperação dos preços ocorre em um cenário de oferta mais restrita de animais, resultado do ciclo pecuário e da retenção de matrizes, mas o setor segue atento às discussões envolvendo a cota chinesa de importação e as mudanças trabalhistas em debate no Congresso Nacional.

A avaliação ocorre em um momento de forte presença da carne bovina mato-grossense no mercado internacional. Ele pontua, em entrevista ao Estúdio Rural, que os investimentos realizados nas últimas décadas em genética, recuperação de pastagens e sistemas intensivos de produção permitiram ampliar a produtividade e abrir novos mercados para a proteína produzida no estado.

“Todo esse movimento, somado ao que o setor fez, nos possibilitou, por exemplo, no ano passado ter uma produção de carne recorde aqui em Mato Grosso de dois milhões de toneladas e exportar metade disso”. Conforme ele, o resultado foi histórico para a pecuária mato-grossense. Do total de carne bovina produzida em 2025, cerca de um milhão foi exportada para mais de 90 países.

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Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Groso

Mercado externo sustenta preços

Para Latorraca, o setor vive um dos momentos mais positivos dos últimos anos. “É um momento extraordinário, sem dúvidas nenhuma. O preço se recuperou, a gente está num ciclo aqui de retenção de matriz, então os preços estão subindo em todos os elos, desde a cria até o boi gordo”, afirma.

A expansão das exportações, a abertura de novos mercados e o reconhecimento sanitário conquistado pelo Brasil de livre da febre aftosa sem vacina ajudaram a impulsionar esse cenário. No entanto, o diretor da Acrimat destaca que o mercado interno não tem acompanhado o mesmo ritmo.

“Nós sabemos que esse pico de preço está sustentado no mercado internacional”. De acordo com ele, o consumo de carne bovina por habitante no Brasil permanece praticamente estável há cerca de dez anos, o que aumenta a importância das exportações para a formação dos preços.

Por isso, questões envolvendo a China, a União Europeia e outros compradores internacionais são acompanhadas de perto pelo setor. “Todas essas notícias que vêm, seja da União Europeia, seja da cota da China, nos preocupa bastante porque a gente sabe que pode impactar negativamente no preço”, frisa ao programa do Canal Rural Mato Grosso.

Segundo Latorraca, a proximidade do limite da cota chinesa gera apreensão, mas a expectativa é de que mecanismos de salvaguarda permitam manter o fluxo das exportações brasileiras. “Nós temos volume para fazer isso”.

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Gestão ganha importância

O cenário de preços valorizados também exige mais atenção à gestão das propriedades. O diretor da Acrimat frisa que a modernização dos sistemas de produção elevou os investimentos e aumentou a exposição dos pecuaristas às oscilações do mercado.

“A pecuária se modernizou muito nos últimos anos. E os sistemas de recria e engorda intensivos, em especial engorda, eles exigem hoje um nível de gestão, principalmente comercial, muito elevado, porque o risco também aumentou”.

Latorraca observa que o bezerro valorizado aumenta os custos de reposição e exige planejamento. Para ele, produtores que trabalham com sistemas intensivos precisam utilizar ferramentas que reduzam a exposição às variações de preço.

“Instrumentos de trava de preço são fundamentais nesse sentido”. Conforme ele, contratos futuros, opções e negociações a termo com frigoríficos podem ajudar a garantir margens positivas e diminuir riscos.

Oferta restrita deve manter arroba firme

A redução da participação das fêmeas nos abates também está diretamente ligada ao momento do ciclo pecuário. De acordo com Latorraca, a retenção de matrizes vem ocorrendo à medida que os preços do bezerro avançam, mas o cenário atual não é explicado apenas por essa estratégia. “Esse problema não começou agora da falta das vacas no abate”.

Ele salienta que Mato Grosso abateu mais de 14 milhões de cabeças nos últimos dois anos, com forte participação de fêmeas, o que reduziu a capacidade de reposição do rebanho. “Todas essas vacas que morreram não produziram nem bezerro, nem bezerras para chegar agora às novilhas, garrotes ou boi gordo ou vaca”. Na avaliação do diretor, esse movimento ajuda a explicar a menor oferta de animais observada atualmente.

Por isso, ele não vê espaço para uma queda significativa dos preços no curto prazo. “Hoje nós vivemos aqui sobre o nível de oferta, inclusive, para o segundo semestre, não tem nenhuma perspectiva de que o preço caia, porque é um ano de oferta restrita”.

A expectativa da entidade é de que o volume de abates fique abaixo do registrado em 2025, embora a redução não deva ser tão intensa quanto se projetava no início do ano. “A expectativa não é ter o mesmo volume de abate, mas também não uma redução drástica”.

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Escala 6×1 preocupa setor

Além dos desafios de mercado, a Acrimat acompanha as discussões sobre a proposta que altera a jornada de trabalho no país. A entidade teme impactos significativos para as propriedades rurais caso a mudança seja aprovada sem considerar as particularidades da atividade agropecuária.

“Com muita preocupação”. É assim que Latorraca define a posição da associação diante do debate. Segundo ele, a pecuária trabalha com processos biológicos que não seguem horários fixos. “A vaca não espera. O parto dela não vai esperar”. Para o diretor, essa característica diferencia a atividade de outros setores da economia e precisa ser considerada durante a discussão.

Outro ponto de preocupação é o aumento dos custos. Conforme estudos citados pela Acrimat, a redução da jornada poderá gerar impactos expressivos nas propriedades rurais mato-grossenses.

“Se não tiver uma contratação nova nessa propriedade, que geraria ali um custo de horas extras, mantendo a mesma atividade, daqui 12 meses, a gente já teria um impacto de mais de R$ 1 bilhão por ano de horas extras”.

Para Latorraca, o mais importante é que a discussão avance com uma análise detalhada dos efeitos econômicos e operacionais para o setor. “Se for para 5×2, se vai manter 6×1 ou se vai ser por hora, o mais importante é discutir e exaurir todos os possíveis impactos que essa atitude vai gerar, que essa é a preocupação”.

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