Sustentabilidade
Adoção de boas práticas reduzem custos de produção da soja paranaense – MAIS SOJA

O monitoramento contínuo de lavouras comerciais de soja no Paraná, realizado há 12 safras, pela Embrapa Soja, pelo Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná), e diversos parceiros, tem mantido resultados expressivos de produtividade, reduzido o número de aplicações de agrotóxicos e o custo de produção da oleaginosa.
Durante o Show Rural Coopavel, a ser realizado de 9 a 13 de fevereiro, em Cascavel (PR), os visitantes poderão conhecer como a adoção de boas práticas agrícolas, especialmente o Manejo Integrado de Pragas (MIP) e Manejo Integrado de Doenças (MID) e a coinoculação de sementes, têm se mostrado estratégias eficientes e economicamente viáveis. A adoção das três tecnologias promovem um incremento médio de rentabilidade anual de 8 saca/ha (1,5 saca/ha no MIP, 1,6 saca/ha no MID e 5,04 saca/ha na coinoculação).
A partir de uma ampla rede de pesquisa e extensão rural, vêm sendo conduzidas Unidades de Referência Tecnológica (URTs), implantadas em lavouras comerciais, no âmbito do Programa Estadual Grãos Sustentáveis. “Nessas áreas, técnicos do IDR Paraná acompanham o desenvolvimento das culturas e orientam intervenções com base em critérios técnicos, permitindo comparar os resultados dessas áreas, com áreas de produtores não assistidos (UNAs)”, explica o pesquisador André Prando, da Embrapa Soja.
MIP- Soja – Para o extensionista do IDR-Paraná, Edivan Possamai, coordenador do Programa Grãos Sustentáveis, um dos principais destaques está na redução do uso de inseticidas. Segundo ele, nas últimas quatro safras, as áreas não assistidas pelo Programa mantiveram uma média de três aplicações por ciclo, enquanto nas URTs esse número caiu para cerca de uma aplicação. “A redução representa economia direta para o produtor e benefícios ambientais significativos, sem prejuízo à produtividade”, explica.
Na safra 2024/2025, foram monitoradas 119 URTs de Manejo Integrado de Pragas da Soja (MIP-Soja) em 84 municípios paranaenses. Desse total, 90,8% das áreas utilizaram cultivares Bt e 9,2% não Bt. A área média cultivada foi de 43,4 hectares, com produtividade média de 60,7 sacas por hectare. “Comparando as 12 safras de acompanhamento do MIP-Soja, a tendência de redução no número de aplicações de inseticidas se mantém, reforçando a eficácia da abordagem técnica”, destaca Prando. A publicação Resultados do manejo integrado de pragas da soja na safra 2024/2025 no Paraná traz informações detalhadas sobre o Programa
MID-Soja – Além do controle de pragas, o Manejo Integrado de Doenças da Soja (MID-Soja) também apresentou resultados relevantes, especialmente no enfrentamento da ferrugem-asiática. Na safra 2024/2025, foram conduzidas 120 URTs no Paraná, com instalação de coletores de esporos em 110 delas. As informações das demais unidades foram subsidiadas por coletores próximos. Ao todo, a rede estadual contou com 179 pontos de monitoramento, incluindo áreas de parceiros como universidades e estações de pesquisa.
O monitoramento identificou a presença do fungo Phakopsora pachyrhizi, causador da ferrugem da soja, em 158 coletores, o equivalente a 88,3% da rede. “Esses dados foram fundamentais para orientar o momento correto de aplicação de fungicidas”, destaca a pesquisadora Claudine Seixas, da Embrapa Soja. Além da ferrugem-asiática, doenças como oídio, mancha-alvo, antracnose, mofo-branco e doenças de final de ciclo também foram acompanhadas a campo. “Os números mostram que, nas áreas onde o MID-Soja foi adotado, houve redução média de 33% no número de aplicações de fungicidas”, diz Claudine.
Segundo a pesquisadora, enquanto nas UNAs foram registradas, em média, 3,3 aplicações, nas URTs o número caiu para 2,2 aplicações. “Para o controle da ferrugem-asiática, especificamente, foram feitas 2,7 aplicações nas UNAs e 1,8 nas URTs. Apesar dessa diferença, não houve diferença significativa na produtividade entre as URTs e as UNAs”, destaca.
Os resultados reforçam a premissa central do MID-Soja: o monitoramento contínuo do fungo causador da ferrugem, da ocorrência de outras doenças, do ambiente e do desenvolvimento da cultura é mais eficiente do que a aplicação calendarizada de agrotóxicos. “Essa prática evita aplicações desnecessárias ou tardias, reduz riscos agronômicos e permite decisões mais assertivas, especialmente em áreas semeadas no final do calendário agrícola. A Circular Técnica Monitoramento de Phakopsora pachyrhizi na safra 2024/2025 para tomada de decisão do controle da ferrugem-asiática da soja
Bioinsumos em soja – Com relação à adoção da inoculação/coinoculação com as bactérias fixadoras de nitrogênio Bradyrhizobium e as bactérias promotoras de crescimento Azospirillum, os dados também surpreendem. De acordo com Possamai, foi realizado levantamento na safra 2024/2025, em 22 URTs, instaladas em lavouras comerciais de 17 municípios, de diferentes regiões do Paraná.
Segundo o IDR-Paraná e a Embrapa Soja, a produtividade média de grãos nas áreas coinoculadas foi de 3.916 kg/ha, enquanto nas áreas não inoculadas, foi de 3.615 kg/ha. A produtividade média nas URTs com a coinoculação, na safra 2024/2025, foi superior à média paranaense, de 3.663 kg/ha e à média nacional, de 3.561 kg/ha, conforme a Companhia Nacional de Abastecimento. Na média estadual, 64% dos produtores paranaenses consultados afirmaram ter utilizado inoculante na cultura da soja na safra 2024/2025. A publicação Coinoculação da soja com Bradyrhizobium e Azospirillum na safra 2024/2025 no Paraná apresenta a consolidação pelo décimo ano de dados obtidos junto às lavouras paranaenses.
Fonte: Embrapa
Autor:Lebna Landgraf (MTb 2903 – PR) Embrapa Soja
Site: Embrapa
Sustentabilidade
Negócios pontuais marcam o dia e preços variam entre estáveis e mais altos no Brasil

Os preços da soja oscilaram entre estáveis e mais altos no mercado brasileiro nesta quinta-feira (12), em um dia de negócios pontuais e envolvendo pequenos volumes. “No porto, até houve indicações melhores à tarde com a volta do dólar ao território positivo. De maneira geral, sem grandes movimentos hoje”, afirmou o analista da Safras & Mercado, Rafael Silveira.
O produtor segue focado na colheita e há dificuldade na formação dos preços. Segundo Silveira, as muitas chuvas no Centro-Oeste prejudicam o avanço dos trabalhos e afetam a qualidade da soja em algumas regiões por conta da umidade, o que pode gerar descontos no preço. No Sul, a irregularidade climática também mantém o mercado atento.
Cotações de soja mercado físico
- Passo Fundo (RS): R$ 125,00 estável
- Santa Rosa (RS): R$ 126,00 estável
- Cascavel (PR): subiu de R$ 117,00 para R$ 119,00
- Rondonópolis (MT): R$ 107,00 estável
- Dourados (MS): subiu de R$ 108,00 para R$ 110,00
- Rio Verde (GO): subiu de R$ 108,00 para R$ 109,00
- Paranaguá (PR): subiu de R$ 127,00 para R$ 129,00
- Rio Grande (RS): subiu de R$ 129,00 para R$ 130,00
Soja em Chicago
Os contratos futuros da soja fecharam em alta na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT). O mercado encontrou sustentação na aproximação comercial entre China e Estados Unidos e nas preocupações com o clima na América do Sul.
Os agentes apostam em um possível aquecimento da demanda chinesa pela soja americana, ainda refletindo declarações recentes do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O excesso de chuvas no Centro-Oeste do Brasil e a falta de precipitações no Sul do país e na Argentina também deram suporte às cotações.
Por outro lado, novas estimativas reforçam a expectativa de safra cheia na América do Sul. A produção brasileira deverá totalizar 177,985 milhões de toneladas em 2025/26, alta de 3,8% sobre as 171,48 milhões da temporada anterior, segundo o 5º levantamento da Conab. Na estimativa anterior, a projeção era de 176,124 milhões.
Na Argentina, a Bolsa de Cereais de Rosário elevou sua estimativa para 48 milhões de toneladas, um milhão acima da previsão anterior, citando condições favoráveis no oeste e no norte do país. Segundo a entidade, as chuvas nos próximos 10 a 15 dias serão cruciais, já que a safra está em estágio crítico de desenvolvimento.
Contratos futuros de soja
O contrato março da soja subiu 13,25 centavos de dólar (1,17%), fechando a US$ 11,37 1/4 por bushel. A posição maio avançou 12,75 centavos (1,11%), a US$ 11,52 1/4.
No farelo, março ganhou US$ 4,90 (1,61%), para US$ 307,90 por tonelada. No óleo, março subiu 0,49 centavo (0,85%), para 57,54 centavos de dólar por libra-peso.
Câmbio
O dólar comercial fechou a R$ 5,1993, com alta de 0,24%. O Dollar Index avançava 0,10%, a 96,94 pontos. O dólar futuro para março subiu 0,43%, a R$ 5,2210. A mudança de humor no cenário externo propiciou ajustes na moeda americana ao longo da tarde.
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Sustentabilidade
Área de arroz plantada no Estado recua 8% na safra 2025/2026 – MAIS SOJA

O Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga) divulgou, nesta quinta-feira (12/2), a estimativa para a safra 2025/2026 de arroz no Rio Grande do Sul. Os dados foram apresentados durante encontro com a imprensa, na sede da autarquia, em Porto Alegre, pelo presidente do Irga, Alexandre Velho, e por técnicos do Instituto.
A projeção aponta retração de 8,06% na área semeada em relação ao ciclo anterior. Na safra 2024/2025, o Estado registrou 970.194 hectares cultivados. Para 2025/2026, o plantio foi de 891.908,5 hectares.
Segundo o presidente do Irga, a redução reflete o cenário desafiador enfrentado pelos produtores em 2025, marcado por dificuldades no acesso ao crédito e pelos elevados custos de produção do cereal. A estimativa inicial de plantio, que era de 920 mil hectares, foi revisada para cerca de 892 mil hectares.
As seis regiões arrozeiras do Estado, distribuídas em 135 municípios, registraram queda na área plantada, com variações entre 4% e 11%, resultando na média geral de retração de 8,06%.
“Isso deve resultar em uma produção menor em relação à safra anterior. No entanto, o resultado final dependerá das condições climáticas ao longo do ciclo da cultura, especialmente na fase de floração, quando a luminosidade tem impacto significativo”, avaliou Alexandre Velho. A expectativa é que a produtividade fique entre 8.500 e 9.000 quilos por hectare na atual safra, projeta o presidente do Irga.
O presidente também destacou a necessidade de equilíbrio entre oferta e demanda. “Precisamos buscar alternativas para ampliar o consumo no mercado interno e fortalecer as exportações do grão”, afirmou.
Genética Irga
Representando a Diretoria Técnica do Irga, o engenheiro agrônomo Luiz Fernando Siqueira apresentou os dados detalhados e contextualizou o cenário atual. Segundo ele, o Instituto realiza acompanhamento semanal desde o início da semeadura até o encerramento da colheita. As cultivares desenvolvidas pelo Irga estão presentes em 58,05% da área plantada, que corresponde a cerca de 70% da produção brasileira.
“A genética desenvolvida pelo Instituto e a atuação pública no setor demonstram a força do Rio Grande do Sul na orizicultura em relação a outras culturas agrícolas. O acompanhamento técnico e os levantamentos periódicos serão fundamentais para atualizar os dados ao longo do ciclo”, destacou.
O Irga reforça que seguirá monitorando a evolução da safra e as condições climáticas nos próximos meses — fatores que poderão influenciar diretamente o desempenho final da produção gaúcha, responsável pela maior parte do arroz colhido no país.
Dados apresentados
- Safra 2025/2026 – Arroz irrigado no RS
- Área semeada: 891.908,5 hectares
- Safra (2024/2025): 970.194 hectares
- Variação: redução de 8,06% na área plantada
A nova estimativa confirma retração na área destinada ao arroz irrigado no Rio Grande do Sul em comparação ao ciclo anterior.
Fonte: IRGA
Sustentabilidade
Influência das chuvas na colheita sobre a qualidade das sementes de soja – MAIS SOJA

Em lavouras destinadas a produção de sementes de soja, os cuidados com a implantação da cultura, tratos culturais e manejo fitossanitário são ainda maiores. Nessas lavouras, além da obtenção de altas produtividades, é essencial garantir a qualidade do produto, assegurando bons atributos fisiológicos, genéticos, físicos e sanitários das sementes produzidas.
Sobretudo, mesmo com uma boa condução da lavoura ao longo do ciclo, as sementes de soja estão sujeitas a influência de fatores que podem depreciá-las, reduzindo sua qualidade. Um desses fatores, é a deterioração por umidade. De acordo com Aguila; Agula; Theisen (2011), as condições climáticas que ocorrem da maturação à colheita podem determinar se uma semente poderá ser armazenada satisfatoriamente ou não.
Quando a planta atinge a maturidade fisiológica, há o máximo de germinação e vigor nas sementes. Após a maturação fisiológica, a semente pode ser considerada como armazenada a campo, enquanto a colheita não se processa (Aguila; Agula; Theisen, 2011). Nesse intervalo entre maturação e colheita, a ocorrência de chuvas, desencadeando processos de hidratação e desidratação das sementes pode acelerar a deterioração por umidade, reduzindo atributos quantitativos das sementes como germinação e vigor. Essa condição é ainda mais agravada quando a ocorrência de chuvas é associada a altas temperaturas.
As alterações fisiológicas das sementes em função desse processo ocorrem concomitantemente com o processo de alterações físicas, resultando em severa degradação dos principais componentes da soja que são lipídios e proteínas, na degradação de membranas celulares e de organelas subcelulares, interagindo com processos oxidativos, resultando em reduções de germinação e do vigor (França-Neto et al., 2016).
O atraso na colheita, expondo a semente a sucessivas hidratações e desidratações, provoca rugas no tegumento e a semente torna-se quebradiça quando seca, levando a um aumento da ocorrência de danos mecânicos por ocasião da trilha. Além disso, a ruptura do tegumento acaba servindo como porta de entrada para patógenos, como os fungos do gênero Phomopsis, reduzindo a tanto a qualidade fisiológica quanto a sanitária das sementes (Aguila; Agula; Theisen, 2011).
Figura 1. Processo de alterações físicas, devido à oscilação do teor de água da semente de soja em função das condições de umidade ambiental, que resultam no aparecimento de rugas na semente de soja, características da deterioração por umidade.
Nesse contexto, o atraso da colheita, especialmente em lavouras destinadas à produção de sementes, pode comprometer a qualidade da soja, afetando inclusive sua classificação. Assim, o planejamento das lavouras de sementes, desde a implantação até a condução e a colheita, é determinante para o sucesso da atividade, tornando o processo, sem dúvidas, mais complexo e criterioso do que a produção de grãos.

Referências:
AGUILA, L. S. H.; AGUILA, J. S.; THEISEN, G. PERDAS NA COLHEITA DA SOJA. Embrapa, Comunicado Técnico, n. 271, 2011. Disponível em: < https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/79567/1/comunicado-271.pdf >, acesso em: 12/02/2026.
FRANÇA-NETO, J. B. et al. TECNOLOGIA DA PRODUÇÃO DE SEMENTE DE SOJA DE ALTA QUALIDADE. Embrapa, Documentos, n. 380, 2016. Disponível em: < https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/151223/1/Documentos-380-OL1.pdf >, acesso em: 12/02/2026.

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