Sustentabilidade
Em janeiro, IBGE prevê safra de 342,7 milhões de toneladas para 2026 – MAIS SOJA

A estimativa de janeiro de 2026 para a produção de cereais, leguminosas e oleaginosas é de 342,7 milhões de toneladas, 1,0% menor (ou menos 3,4 milhões de toneladas) que a obtida em 2025 (346,1 milhões de toneladas), com crescimento de 0,8% (ou mais 2,8 milhões de toneladas) à estimativa de dezembro de 2025.
A área a ser colhida foi de 82,7 milhões de hectares, com aumento de 1,4% (ou 1,1 milhão de hectares) frente a 2025. Frente à estimativa de dezembro, a área a ser colhida foi de 0,0% (queda de 27 452 hectares).
O arroz, o milho e a soja são os três principais produtos deste grupo, que, somados, representaram 92,9% da estimativa da produção e respondem por 87,5% da área a ser colhida. Para a soja, a estimativa de produção foi de 172,5 milhões de toneladas.
Quanto ao milho, a estimativa foi de 133,8 milhões de toneladas (28,6 milhões de toneladas de milho na 1ª safra e 105,2 milhões de toneladas de milho na 2ª safra).
A produção do arroz (em casca) foi estimada em 11,7 milhões de toneladas. Para o trigo, a estimativa de produção foi de 7,7 milhões de toneladas. A produção do algodão herbáceo (em caroço) foi estimada em 8,8 milhões de toneladas; e a do sorgo em 4,6 milhões de toneladas.
No que se refere à produção, frente a 2025, ocorrem acréscimos de 3,9% para a soja e de 0,9% para o feijão. E ocorrem decréscimos de 11,0% para o algodão herbáceo (em caroço); de 7,9% para o arroz em casca; de 5,6% para o milho (crescimento de 11,3% para o milho 1ª safra e declínio de 9,3% para o milho 2ª safra); de 13,9% para o sorgo e de 1,0% para o trigo.
Quanto à área a ser colhida, em relação ao ano anterior, houve acréscimos de 0,5% na da soja; de 2,2% na do milho (aumentos de 9,3% no milho 1ª safra e de 0,5% no milho 2ª safra) e de 0,9% na do trigo. Houve reduções de 6,2% na área a ser colhida do algodão herbáceo (em caroço); de 5,9% na do arroz em casca; de 1,4% na do feijão e de 2,9% na do sorgo.
Centro-Oeste lidera a produção em janeiro de 2026, com 167,5 milhões de toneladas
Entre as Grandes Regiões, o volume da produção de cereais, leguminosas e oleaginosas apresentou a seguinte distribuição: Centro-Oeste, 167,5 milhões de toneladas (48,9%); Sul, 95,3 milhões de toneladas (27,8%); Sudeste, 30,2 milhões de toneladas (8,8%), Nordeste, 28,2 milhões de toneladas (8,2%) e Norte, 21,5 milhões de toneladas (6,3%). A estimativa da produção de cereais, leguminosas e oleaginosas apresentou variação anual positiva para a Região Sul (10,4%) e a Nordeste (1,8%), e negativas para a Centro-Oeste (-6,2%), a Sudeste (-2,9%) e a Norte (-3,7%). Quanto à variação mensal, apresentaram crescimentos na produção a Região Sul (0,2%), a Norte (0,5%) e a Centro-Oeste (1,6%). A Sudeste apresentou estabilidade (-0,0%) e a Nordeste teve declínio (-0,4%).
Frente a dezembro, houve aumentos nas estimativas da produção do tomate (1,7% ou 78 845 t), da soja (1,3% ou 2 270 174 t), do milho 2ª safra (0,6% ou 622 268 t), do feijão 2ª safra (0,4% ou 5 663 t), do feijão 3ª safra (0,3% ou 2 142 t), bem como declínios do gergelim (-4,0% ou -15 332 t), da castanha-de-caju (-3,5% ou -5 163 t), do cacau (-3,0% ou -9 640 t), do sorgo (-1,1% ou -51 673 t), do feijão 1ª safra (-0,9% ou -9 236 t), do algodão herbáceo em caroço (-0,6% ou -50 015 t) e do milho 1ª safra (-0,1% ou -42 961 t).
Na distribuição da produção pelas Unidades da Federação, o Mato Grosso lidera como o maior produtor nacional de grãos, com participação de 30,3%, seguido pelo Paraná (13,9%), Rio Grande do Sul (11,8%), Goiás (10,6%), Mato Grosso do Sul (7,6%) e Minas Gerais (5,4%), que, somados, representaram 79,6% do total.
As principais variações absolutas positivas nas estimativas da produção, em relação ao mês anterior, ocorreram no Mato Grosso (2 046 117 t), em Goiás (557 473 t), no Paraná (213 800 t), em Roraima (85 230 t), no Tocantins (21 284 t), no Maranhão (18 438 t) e em Rondônia (2 363 t). As variações negativas ocorreram no Piauí (-76 711 t), no Ceará (-49 796 t) e no Rio de Janeiro (-508 t).
ALGODÃO HERBÁCEO (em caroço) – A estimativa para a produção de algodão herbáceo (em caroço) foi de 8,8 milhões de toneladas, redução de 0,6% em relação ao 3º prognóstico, devido à menor área cultivada em 0,5%. Em relação a 2025, a queda nas estimativas de produção chega a 11,0%, com recuos de 6,2% na área plantada e de 5,1% na produtividade. O Mato Grosso, maior produtor nacional, com cerca de 71,8% do total nacional, estimou uma produção de 6,3 milhões de toneladas, uma redução de 1,9% na produção em relação ao 3º prognóstico. Em relação a 2025, a retração da área chega a 5,5%.
CACAU (amêndoa) – A estimativa da produção brasileira de cacau foi de 310,7 mil toneladas, redução de 3,0% em relação ao mês anterior devido à menor produtividade das lavouras, com reavaliação no Espírito Santo (-41,2% ou -9 497 t). Em relação ao ano anterior, a expectativa é de aumento de 5,4%. O Pará é o principal produtor de cacau do país, com uma produção de 162,1 mil toneladas de amêndoas, um crescimento de 5,5% em relação ao volume colhido em 2025. O estado deve participar com 52,1% do total de cacau a ser produzido pelo país em 2026.
CASTANHA-DE-CAJU (amêndoa) – A produção nacional de castanha-de-caju estimada em janeiro foi de 141,8 mil toneladas, aumento de 13,5% em relação ao obtido na safra 2025. A área colhida foi estimada em torno de 455,0 mil hectares. Com relação ao mês anterior, estimou-se queda na produção de 3,5%, puxada pelo menor rendimento médio, que deve passar de 323 kg/ha para 312 kg/ha, perda de 3,4%. No comparativo anual, deve-se observar aumento de produção em todas as regiões, à exceção da Norte, em que deve haver queda de 0,8%, sob influência da redução no Pará. Cabe ao Nordeste, onde está a principal região de produção de castanha-de-caju, o aumento de 13,6% na estimativa, dado o ganho de rendimento médio, de cerca de 16,0%.
FEIJÃO (em grão) – A estimativa de janeiro para a produção de feijão, considerando-se as três safras, deve alcançar 3,0 milhões de toneladas, crescimento de 0,9% sobre a safra de 2025. Esse volume de produção deve atender ao consumo interno brasileiro, em 2026, não havendo necessidade da importação do produto. O Paraná é o maior produtor nacional de feijão, prevendo 736,5 mil toneladas ou 24,2% de participação; seguido por Minas Gerais com 514,1 mil toneladas ou 16,9% de participação; e Goiás com 365,8 mil toneladas ou 12,0% de participação. A estimativa da produção da 1ª safra de feijão foi de 976,2 mil toneladas, representando 32,1% de participação nacional dentre as três safras, sendo 0,9% menor frente ao 3º prognóstico. A 2ª safra de feijão foi estimada em 1,3 milhão de toneladas, correspondendo a 42,7% de participação entre as três safras. No comparativo com o 3º prognóstico, houve crescimento de 0,4%, repercutindo aumento de mesma porcentagem na área a ser colhida. A Região Sul, que produz quase a metade do feijão produzido nessa safra (47,8%), reduziu sua estimativa de produção em 0,2%, sendo o Paraná o maior produtor, com 552,1 mil toneladas ou 42,5% do total da safra. Em relação à 3ª safra de feijão, a estimativa de produção foi de 766,7 mil toneladas, aumento de 0,3% em relação ao 3º prognóstico. Goiás e Minas Gerais são os que mais contribuem com essa safra de feijão, correspondendo a 33,7% de participação (258,5 mil toneladas) e 23,1% (177,2 mil toneladas), respectivamente.
GERGELIM (em grão) – A produção brasileira do gergelim, em 2026, deve alcançar 362,5 mil toneladas, decréscimo de 4,1% em relação ao mês anterior. A área a ser colhida apresenta um declínio de 2,1%, enquanto o rendimento médio, de 653 kg/ha, deve retrair 2,0%. A área a ser plantada na safra corrente deve alcançar 555,4 mil hectares, refletindo destaque de crescimento da importância da cultura nos últimos anos para o país. A partir da safra 2026, o IBGE passou a acompanhar a produção dessa espécie, já que sua importância vem crescendo no contexto da agricultura brasileira. O principal produtor brasileiro é o Mato Grosso, com 227,4 mil toneladas, devendo participar com 62,7% da produção nacional. Em janeiro, a estimativa da produção apresenta um declínio de 6,3%, em relação ao mês anterior, com retrações de 3,2% na área a ser e colhida e de 3,1% no rendimento médio.
MILHO (em grão) – A estimativa da produção do milho foi de 133,8 milhões de toneladas, representando um crescimento de 0,4% em relação ao 3º prognóstico. Embora a área de produção tenha sofrido uma perda de 0,1%, totalizando 22,8 milhões de hectares, o rendimento médio, de 5 877 kg/ha, cresceu 0,5%. Em comparação ao volume produzido no ano anterior, ocorreu uma redução de 7,9 milhões de toneladas (-5,6%), estando associada à perda no rendimento médio, de 7,7%, já que a área a ser colhida deve crescer 2,2%.
O milho 1ª safra apresentou uma estimativa da produção de 28,6 milhões de toneladas, aumento de 11,3% em relação ao ano de 2025, reflexo dos crescimentos de 9,3% na área a ser colhida e de 1,8% na estimativa do rendimento médio, que foi de 5 943 kg/ha. Contudo, em comparação ao 3º prognóstico, ocorreu um declínio de 0,3% no rendimento médio, afetando a estimativa da produção que foi 0,1% menor. O estado com maior produção de milho 1ª safra é o Rio Grande do Sul, com participação nacional de 22,2% e uma produção estimada em 6,3 milhões de toneladas.
A estimativa da produção do milho 2ª safra foi de 105,2 milhões de toneladas, crescimento de 0,6% em relação ao 3º prognóstico, devido ao ajuste positivo do rendimento médio, em 0,8%, chegando a 5 859 kg/ha. O Mato Grosso é o maior produtor de milho na 2ª safra, participando com 47,5% do total nacional e obtendo uma estimativa de produção de 50,0 milhões de toneladas, 8,5% inferior ao ano anterior. O segundo maior produtor de milho 2ª safra, o Paraná, obteve uma estimativa de produção de 17,4 milhões de toneladas, participando com 16,5% do total nacional e sendo 0,7% superior ao 3º prognóstico. Goiás, terceiro maior produtor nacional do milho 2ª safra, com participação de 12,7%, obteve uma estimativa de produção de 13,4 milhões de toneladas, aumento de 1,2% em relação ao 3º prognóstico.
SOJA (em grão) – A estimativa da produção nacional da oleaginosa alcançou novo recorde na série histórica em 2026, totalizando 172,5 milhões de toneladas, um aumento de 1,3% em relação ao 3º prognóstico e 3,9% maior em comparação à quantidade obtida no ano anterior. Estima-se que a produção brasileira tenha um incremento de 3,4% no rendimento médio anual, alcançando 3 598 kg/ha (60 sacas/ha), contribuindo para que o volume colhido da oleaginosa represente mais da metade do total de cereais, leguminosas e oleaginosas produzidos no país em 2025. Por sua vez, a área total cultivada deve alcançar 48,0 milhões de hectares, o que representa um aumento de 0,5% no ano (222,6 mil hectares), seguindo em ritmo de plena expansão, mesmo com os preços da commodity em patamares abaixo do desejado pelos produtores. As projeções indicam uma safra histórica, impulsionada por condições climáticas favoráveis na maior parte das regiões produtoras do país, e pela expansão da área plantada. O Mato Grosso, maior produtor nacional da oleaginosa, estimou uma produção de 48,5 milhões de toneladas, crescimento de 3,8% em relação ao 3º prognóstico, porém, declínio de 3,3% em relação ao volume colhido no ano anterior.
SORGO (em grão) – A estimativa da produção do sorgo alcançou 4,6 milhões de toneladas, declínios de 1,1% em relação ao 3º prognóstico e de 13,9% em relação ao volume colhido em 2025, quando o país produziu sua maior safra do cereal. Em relação ao ano anterior, a área a ser colhida apresentou um declínio de 2,9%, assim como o rendimento médio, que decaiu 11,4%, devendo alcançar 3 111 kg/ha. Os maiores produtores de sorgo são: Goiás, com 1,7 milhão de toneladas e participação de 35,7% no total nacional; Minas Gerais, com 1,2 milhão de toneladas e participação de 25,6%; e São Paulo, com 508,0 mil toneladas e participação de 10,9%.
TOMATE – A produção brasileira deve alcançar 4,7 milhões de toneladas, incremento mensal de 1,7%, contudo declínio de 0,3% em relação ao volume colhido em 2025. A área plantada apresenta um declínio de 0,8%, enquanto o rendimento médio deve crescer 0,5%, alcançando 75 104 kg/ha. Os maiores produtores são Minas Gerais, com 563,7 mil toneladas e São Paulo, com 1,1 milhão de toneladas. A produção mineira deve decrescer 3,7% em relação a 2025, enquanto a de São Paulo deve se manter.

Autor:IBGE
Site: IBGE
Sustentabilidade
Soja: preços sobem no Brasil, mas portos saturados limitam comercialização

O mercado brasileiro de soja encerrou a semana com valorização dos preços, mas poucos negócios registrados nesta sexta-feira (23). De acordo com o analista da Safras & Mercado, Rafael Silveira, apesar das cotações mais altas, a sessão apresentou poucas indicações de compra, enquanto a saturação dos portos e o foco dos produtores no plantio da nova safra limitaram a comercialização.
Segundo Silveira, algumas tradings já estão próximas de concluir seus programas de embarques do ano, em um cenário de portos bastante saturados. Os prêmios permaneceram praticamente estáveis, sem alterações significativas ao longo da sessão.
A semana apresentou melhora no volume de negócios em relação aos dias anteriores, mas a movimentação ainda ficou bastante abaixo da observada há três semanas.
Confira:
Preços de soja no Brasil
- Passo Fundo (RS): subiu de R$ 146,00 para R$ 148,00
- Santa Rosa (RS): subiu de R$ 147,00 para R$ 149,00
- Cascavel (PR): subiu de R$ 141,00 para R$ 142,00
- Rondonópolis (MT): manteve em R$ 141,00
- Dourados (MS): manteve em R$ 140,00
- Rio Verde (GO): manteve em R$ 139,00
- Paranaguá (PR): subiu de R$ 152,00 para R$ 153,00
- Rio Grande (RS): subiu de R$ 153,00 para R$ 155,00
Soja em Chicago
Os contratos futuros da soja negociados na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT) fecharam a quinta-feira (22) com preços mais altos para o grão, o farelo e o óleo, conforme o balanço divulgado para a sessão.
Apesar da pressão de oferta decorrente do avanço da colheita de soja nos Estados Unidos, o mercado foi sustentado por compras de fundos, levando em conta a boa demanda pela oleaginosa norte-americana, especialmente por parte da China. A valorização do petróleo também favoreceu o avanço das cotações. Na semana, a posição novembro de 2026 registrou recuo acumulado de 0,37%.
As vendas líquidas norte-americanas de soja da temporada 2026/27, iniciada em 1º de setembro, somaram 2.841.200 toneladas na semana encerrada em 15 de outubro. A China liderou as compras, com 2.178.600 toneladas. O resultado ficou dentro das expectativas dos analistas, que apontavam para vendas entre 1,1 milhão e 3 milhões de toneladas, segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).
Com o clima favorável no Meio-Oeste, parte dos produtores estava concluindo a colheita de soja e direcionando os trabalhos para o milho. Além disso, as expectativas de uma safra brasileira maior em 2026/27 seguem no radar dos operadores.
Os contratos da soja em grão com entrega em novembro de 2026 fecharam com alta de 3,50 centavos de dólar por bushel, ou 0,27%, a US$ 12,56½ por bushel. A posição janeiro de 2027 teve cotação de US$ 12,68½ por bushel, avanço de 3,75 centavos de dólar por bushel, ou 0,29%.
Nos subprodutos, a posição dezembro de 2026 do farelo fechou com perda de US$ 1,20 por tonelada, ou 0,34%, a US$ 346,10 por tonelada. No óleo, os contratos com vencimento em dezembro de 2026 fecharam a 66,83 centavos de dólar por libra-peso, elevação de 0,09 centavo, ou 0,13%.
Câmbio
O dólar comercial encerrou a sessão de sexta-feira (23) com baixa de 0,96%, negociado a R$ 4,9897 para venda e a R$ 4,9877 para compra. Durante o dia, a moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 4,9887 e a máxima de R$ 5,0558.
Sustentabilidade
Fitotoxicidade de herbicidas em soja exige atenção ao posicionamento dos produtos – MAIS SOJA

Com o aumento da ocorrência de plantas daninhas de difícil controle nas lavouras brasileiras, estratégias integradas de manejo têm ganhado espaço na cultura da soja, visando ampliar a eficácia de controle e reduzir os prejuízos decorrentes da matocompetição. Nesse contexto, o uso de herbicidas pré-emergentes destaca-se como uma das principais ferramentas, especialmente no manejo de espécies daninhas resistentes a herbicidas pós-emergentes.
Entretanto, devido à atuação desses produtos no solo, erros de posicionamento podem resultar em efeitos fitotóxicos indesejados na cultura da soja. Dependendo das condições de aplicação e das características do herbicida, esses efeitos podem comprometer o estabelecimento inicial das plantas, limitar seu crescimento e prejudicar o desempenho da cultura. Entre os fatores envolvidos, destaca-se o carryover, associado à persistência de resíduos de herbicidas no solo em níveis capazes de causar injúrias às culturas subsequentes.
O carryover ocorre quando resíduos de herbicidas permanecem biologicamente ativos no solo e são absorvidos pelas plantas, provocando alterações em seu crescimento e desenvolvimento. Esse efeito pode estar relacionado tanto à aplicação de herbicidas pré-emergentes na própria cultura quanto à persistência de resíduos de produtos utilizados no cultivo anterior (Werle & Oliveira, 2018).
A intensidade das injúrias depende de diversos fatores, incluindo o tipo de solo, a umidade, o regime de precipitação, a mobilidade do herbicida no solo, a presença de palhada, a concentração e a dose do produto, além da seletividade da molécula à cultura. Conforme o herbicida e seu mecanismo de ação, os sintomas de fitotoxicidade podem se manifestar na parte aérea ou no sistema radicular das plantas (Figura 1).
Figura 1. Injúria durante a emergência da cultura da soja decorrente de herbicida pré-emergente ou carryover.
Vale destacar que, além das diferenças entre os herbicidas, as cultivares de soja também podem apresentar respostas distintas quanto à sensibilidade aos produtos e à intensidade dos sintomas de fitotoxicidade. No caso dos herbicidas pós-emergentes, a manifestação desses sintomas varia conforme o mecanismo de ação do produto, podendo incluir desde necroses nos tecidos vegetais até deformações foliares e redução do crescimento das plantas (Figura 2). Esses efeitos tendem a ser particularmente prejudiciais quando ocorrem nas fases iniciais do desenvolvimento da soja, podendo comprometer o estabelecimento da cultura e, dependendo da intensidade das injúrias, resultar em perdas expressivas de produtividade.
Figura 2. Sintomas típicos da fitotoxicidade ocasionada por alguns dos principais herbicidas utilizados em soja.

Conforme observado por Alves et al. (2021), a fitotoxicidade causada pela deriva de Dicamba em soja não tolerante pode resultar em perdas de produtividade de até 12% para cada 1% de injúria, dependendo da severidade dos sintomas e do estádio de desenvolvimento da cultura em que ocorre o dano. Esse resultado evidencia o potencial impacto da fitotoxicidade sobre a produtividade da soja e reforça a importância do posicionamento adequado dos herbicidas, considerando as características dos produtos, a seletividade às cultivares e as condições de aplicação, a fim de minimizar os riscos de injúrias e seus reflexos no desempenho produtivo da cultura.
Veja mais: Por que a umidade do solo é tão importante para a eficácia dos herbicidas pré-emergentes?

Referências:
ALVES, G. S. et al. PHYTOTOXICITY IN SOYBEAN CROP CAUSED BY SIMULATED DICAMBA DRIFT. Pesquisa Agropecuária Brasileira, v. 56, 2021. Disponível em: < https://seer.sct.embrapa.br/index.php/pab/article/download/26912/14872 >, acesso em: 23/10/2026.
WERLE, R.; OLIVEIRA, M. C. Chave para Identificação de Injúrias Causadas por Herbicidas. University of Wisconsin-Madison UW-Extension, WiscWeeds, 2018. Disponível em: < https://maxweeds.rbind.io/pt/post/chave_id-herbicida/2018-herb-pt.pdf >, acesso em: 23/10/2026.

Sustentabilidade
Trigo/RS: Colheita chega a 19% marcada por perdas de qualidade e clima adverso – MAIS SOJA

A cultura se aproxima do final do ciclo. A maioria das lavouras está em enchimento de grãos (35%) e em maturação (45%). A colheita ganhou celeridade em algumas regiões devido ao tempo seco entre 16 e 18/10 e alcançou 19% da área semeada.
Nas áreas colhidas, são observadas produtividades satisfatórias e qualidade de grãos abaixo das expectativas iniciais em parte das regiões, com redução do Peso Hectolitro (PH),
além de grãos avariados e chochos. Em parte das lavouras, foi realizada a dessecação para
uniformizar a maturação e preservar a qualidade dos grãos.
O excesso de umidade e a baixa disponibilidade de radiação solar durante importantes fases do ciclo diminuíram o potencial produtivo e aumentaram a pressão de doenças, especialmente giberela e brusone. Os temporais nas semanas anteriores também provocaram danos localizados, agravando perdas em lavouras próximas da colheita.
Conforme a reestimativa da Safra 2026, realizada pela Emater/RS-Ascar com dados da primeira quinzena de outubro, a área cultivada de trigo no Estado totaliza 763.121 hectares, o que representa redução de 34,56% em relação a 1.166.163 hectares cultivados em 2025 (IBGE). A produtividade projetada no início do plantio era de 2.701 kg/ha, e o cenário atual aponta 2.833 kg/ha, sendo 4,88% superior à estimada no momento do plantio, mas ainda dependente do desempenho até o final do ciclo. Em relação à produtividade da safra anterior, a projeção atual apresenta retração de 5,55% em relação aos 2.968 kg/ha obtidos no ano anterior (IBGE). A estimativa de produção é de 2.161.922 toneladas do cereal, o que representa queda de 37,48% em relação a 3.458.083 toneladas colhidas em 2025 (IBGE).
Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Bagé, na Fronteira Oeste, a colheita continuou lentamente em função das chuvas e da elevada umidade dos grãos. Em São Gabriel, nas lavouras em fase final de enchimento, há incidência de lagartas, com necessidade de controle. Em Manoel Viana, os produtores realizam a dessecação para uniformizar a maturação. Na Campanha, os períodos sem chuva favoreceram os cultivos, predominantemente aqueles em estágio de enchimento de grãos. Em Caçapava do Sul, foram registradas as primeiras áreas colhidas na região.
Na de Caxias do Sul, nos Campos de Cima da Serra, as lavouras estão em floração, mas sob condições favoráveis à incidência de doenças da espiga. Persistem as dificuldades para a realização dos tratamentos preventivos em razão da elevada umidade do solo. Na de Frederico Westphalen, 20% dos cultivos estão em enchimento de grãos, 50% em maturação e 30% colhidos. O rendimento obtido está próximo a 2.500 kg/ha. Na de Ijuí, o ciclo da cultura se aproxima do fim com redução do potencial produtivo.
A colheita alcança aproximadamente 10% da área, e a umidade da massa de grãos está próxima de 20%. Na Região Celeiro, em Tenente Portela, cerca de 30% da área foi colhida, com produtividade média inferior a 1.800 kg/ha e PH abaixo de 74. Em Santo Augusto, aproximadamente 15% foram colhidos, com rendimentos entre 1.560 e 2.400 kg/ha e PH entre 72 e 74. No Alto Jacuí, em Ibirubá, a colheita não se iniciou, e as expectativas de rendimento e qualidade foram revisadas para baixo.
Na de Passo Fundo, cerca de 90% das lavouras estão em enchimento de grãos, e 10% em maturação fisiológica. A colheita deverá se concentrar entre final de outubro e os primeiros dias de novembro.
Na de Pelotas, predominam cultivos em enchimento de grãos (82%); 16% estão em floração; e 2%, em desenvolvimento vegetativo. A sequência de dias nublados, as chuvas e a baixa radiação solar têm prejudicado o desenvolvimento e a formação dos grãos.
Na de Santa Rosa, 10% dos cultivos estão em enchimento de grãos, 53% maduros e 38% colhidos. As lavouras colhidas apresentam produtividade geralmente entre 1.500 e 1.800 kg/ha, abaixo das expectativas. Há grande variabilidade na qualidade, com PH entre 72 e 78 em diferentes lotes e ocorrência de grãos avariados, chochos e esbranquiçados. Em Cândido Godói, a produtividade média observada na semana foi de 2.160 kg/ha. Em Garruchos, foram registrados grãos com umidade superior a 23%, e nas lavouras maduras segue intensa a debulha pré-colheita.
Na de Soledade, 30% dos cultivos estão em enchimento de grãos, 55% em maturação, 10% maduras por colher e 5% colhidas. Muitas áreas foram dessecadas para a uniformização e antecipação da colheita. O padrão produtivo é considerado satisfatório em
aproximadamente 75% das áreas, embora haja grande diferença entre lavouras conforme o nível de manejo.
Comercialização (saca de 60 quilos)
O valor médio, de acordo com o levantamento semanal de preços da Emater/RS-Ascar no Estado, reduziu 0,63%, passando de R$ 74,15 para R$ 73,69 com PH padrão 78. Na Bolsa de Cereais de Cruz Alta, é de R$ 82,00 para produto disponível.
Fonte: Emater/RS
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