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3 de julho de 2026

Agro Mato Grosso

Desafios internacionais e logísticos: como economia de Mato Grosso mantém crescimento em 2026

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Com um terço de toda a safra recorde de grãos do ano passado, a economia de Mato Grosso deve permanecer em expansão neste ano puxada pelo agronegócio e pelos investimentos em agroindústria, apesar dos desafios internacionais na pauta exportadora e dos gargalos logísticos para escoar a produção agrícola.

Isso acontece apesar do recuo no Produto Interno Bruto (PIB), que soma todos os bens e serviços produzidos, previsto para ficar em torno de 2,2% neste ano, de acordo com estimativa da pesquisa mensal Resenha Regional do Banco do Brasil. Em 2025, o PIB do estado alcançou 6,4%.

O economista responsável pela pesquisa Júlio César da Cunha Lopes explicou que essa queda significa uma correção que naturalmente acontece após um resultado recorde na safra de grãos 2024/2025.

“O estado tende a continuar sua trajetória de crescimento em 2026. Mas saiu de 6,4% para caminhar em 2,2% neste ano, porque o ano passado teve uma safra extraordinária, e neste ano tem um cenário de correção de safra. A gente estima que o PIB agropecuário de 18,5% no estado, muito robusto, então é natural que tenha um recuo, mas tem compensações em outros segmentos”, afirmou.

Um desses setores é o de energia. A economia brasileira vive um momento de transição energética forte, segundo Lopes. “Ano passado foi implementada a nova composição da gasolina, então o percentual de álcool saiu de 27% para 30%, o que coloca Mato Grosso no centro dessa transição pela capacidade de biocombustível. Há um processo de diversificação na economia em andamento”, disse.

Essa diversificação no estado também passa pelo aumento da indústria e dos serviços. A pesquisa aponta ainda que a produção de etanol deve se consolidar como referência nacional em biorrefinarias, que segue em expansão no estado, enquanto a produção agrícola deve recuar por causa da redução na safra.

Em janeiro, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) estimou uma queda de 1,8% na safra de grãos comparada com a registrada em 2025, saindo de 346,1 milhões de toneladas para 339,8 milhões de toneladas.

Ainda assim, o agro continua sustentando a economia do estado em todos os sentidos, de acordo com Lopes. “Quase 40% da economia do estado acontece da porteira para dentro, com a agricultura e pecuária, e tem a cadeia da indústria altamente dependente do agro, quase 50% da produção industrial do estado depende de alimentos e 10% é de biocombustível, tudo voltado ao agro”, explicou.

Enquanto no cenário internacional, o estado também mantém um papel fundamental. Para o economista-chefe do Banco do Brasil Marcelo Rebelo, a participação de Mato Grosso no cenário da economia mundial possui grande relevância, especialmente na alimentação.

“Tenho dificuldade de enxergar a economia mundial sem Mato Grosso. A questão da segurança alimentar é um tema cada vez mais relevante sob o aspecto mundial. Até 2050 vamos ter incremento por demanda de alimentos, como África e Ásia que tem dificuldade em produzir esse produto, e quem vai lidar com isso são os grandes produtores de alimentos, com Brasil, o que inclui Mato Grosso com grande destaque. Então, eu não tenho dúvidas em colocar que quando a gente pensa em incremento populacional, camadas que demandam muito alimento, o peso da economia mato-grossense é muito relevante”, analisou.

Já o professor de economia da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) Fernando Henrique Dias explicou que o estado passa por um momento de pleno emprego, o que explica esse crescimento econômico.

“O grande diferencial é que enquanto a economia nacional deve crescer 2% e 2,5%, Mato Grosso deve superar essa média nacional, essa é a grande diferença, impulsionado pelo agronegócio e pelos investimentos na cadeia produtiva”, afirmou.

O que vai em linha com o observado por Lopes. “Mato Grosso é o estado que mais cresce no país nos últimos dez anos. A taxa média de crescimento do estado foi de 3,7%, e a do Brasil, 0,6%. Quando olha para a estrutura fiscal também está entre as melhores do país, assim como as transformações estruturais no campo energético, que também está bem posicionado”, disse.

Nos próximos anos, a expectativa de Lopes é que a economia mato-grossense passe por uma integralização para expandir ainda mais. “Quanto mais a economia de Mato Grosso se integrar com outras economias regionais e resolver esses gargalos logísticos, mais o estado continuará seu processo de crescimento e atração de pessoas de fora para ocupar espaços na economia local”, finalizou.

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Agro Mato Grosso

TCE quer abertura de mesa técnica para destravar regularização ambiental

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O presidente do Tribunal de Contas (TCE-MT), conselheiro Sérgio Ricardo, determinou, nesta quinta-feira (2), a abertura de uma mesa técnica para tratar da desburocratização do licenciamento ambiental das atividades agropecuárias desenvolvidas por agricultores familiares e pequenos produtores rurais. A iniciativa busca solucionar entraves que impedem a regularização de assentamentos rurais e afetam cerca de 700 mil pessoas no estado.

“Estamos falando de cerca de 700 mil pessoas em um estado com 3,8 milhões de habitantes. Hoje, 83% das propriedades rurais têm até 500 hectares e são classificadas como pequenas propriedades. Esses produtores correm o risco de não acessar quase R$ 100 bilhões em recursos federais. Não podemos permitir que a burocracia impeça o desenvolvimento econômico e prejudique a vida dessas famílias. É por isso que o Tribunal de Contas está conduzindo esse processo”, afirmou o presidente do TCE-MT.

A medida foi proposta após o deputado estadual Valdir Barranco apontar que a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema) estaria descumprindo normas que simplificam o licenciamento ambiental. Segundo o parlamentar, os embargos que atingem os assentamentos dificultam o acesso dos produtores aos recursos do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), que disponibilizará R$ 97,3 bilhões para investimentos e custeio no ciclo 2026/2027.

Na ocasião, o presidente explicou que a mesa técnica reunirá representantes de diferentes instituições para buscar soluções consensuais para questões como a demora na análise do Cadastro Ambiental Rural (CAR), o cumprimento das normas vigentes e a regularização ambiental dos assentamentos.

“É uma questão urgente. É comida na mesa, é emprego, é condição de vida, é economia do estado. A mesa técnica vai reunir diferentes instituições para construir soluções para os CARs que permanecem parados na Sema e para garantir o cumprimento das leis. Não podemos permitir que essa situação continue”, afirmou.

Burocracia

Durante a reunião, o deputado estadual Valdir Barranco denunciou que a falta de encaminhamentos por parte da Sema tem mantido embargos ambientais em 546 assentamentos federais e 85 estaduais, afetando diretamente cerca de 700 mil pessoas. Segundo ele, essas famílias aguardam há décadas por uma solução que lhes permita regularizar a situação ambiental e acessar políticas públicas de incentivo à produção.

“O que estamos pedindo é que a legislação seja cumprida. Os pequenos produtores não podem continuar sendo penalizados pela burocracia e impedidos de produzir, acessar crédito e melhorar a qualidade de vida de suas famílias”, afirmou Barranco.

O parlamentar também sustentou que a Sema descumpre duas normas em vigor: a Lei Complementar nº 830/2025, que estabelece critérios e protocolos para o desembargo de assentamentos, e a Lei Ordinária nº 13.349/2026, que substitui a Autorização Provisória de Funcionamento (APF) pelo Certificado Ambiental Simplificado, facilitando o acesso dos agricultores familiares ao crédito rural.

“As leis foram aprovadas justamente para simplificar esse processo, mas, na prática, elas não estão sendo aplicadas. Precisamos garantir que esses instrumentos saiam do papel e beneficiem quem realmente precisa”, ressaltou.

Barranco propôs que o assentamento Jonas Pinheiro, em Sorriso, seja utilizado como projeto-piloto. Segundo ele, a comunidade enfrenta risco de reintegração de posse, movida pelo Ministério Público Federal, em razão de pendências ambientais que ainda não foram solucionadas. “Tenho convicção de que, com a mediação do Tribunal de Contas e o diálogo entre todas as instituições, será possível construir uma solução que depois possa ser replicada para os demais assentamentos do estado”, disse.

Representando o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), o chefe da Divisão de Obtenção de Terras em Mato Grosso e ouvidor agrário, Daniel Araújo, destacou que a mesa técnica representa uma oportunidade para superar um problema histórico que afeta milhares de famílias assentadas.

“Essa discussão é fundamental porque reúne todos os órgãos responsáveis na busca por uma solução conjunta. O Incra tem interesse direto em avançar na regularização ambiental dos assentamentos para garantir segurança jurídica e melhores condições de vida às famílias”, disse.

Daniel também defendeu que os procedimentos adotados pelo estado considerem as diferenças entre a agricultura familiar e o agronegócio de grande escala, evitando que pequenos produtores sejam submetidos às mesmas exigências burocráticas.

“Não podemos tratar da mesma forma quem possui poucos hectares e quem desenvolve uma produção em larga escala. A legislação já prevê tratamento diferenciado para a agricultura familiar, e esse princípio precisa ser observado para que a regularização aconteça de forma mais ágil e eficiente”, destacou.

Também participaram da reunião os procuradores da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), Ricardo Riva e Bruno Cardoso, além de representantes do Incra e da equipe técnica do TCE-MT.

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VÍDEO: filhote de jaguatirica é resgatado após ser encontrado sozinho à beira de estrada em MT

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Bayer cria Ruveon LLC para negócio de glifosato nos EUA

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Empresa ficará responsável por preços, produção, logística e estratégia comercial no mercado norte-americano

A Bayer consolidou seu negócio de glifosato nos Estados Unidos na Ruveon LLC. A nova empresa ficará responsável por preços, estratégias de acesso ao mercado, produção e logística de produtos à base da molécula.

A Ruveon tem sede em St. Louis, no Missouri. A empresa permanece como negócio do Grupo Bayer. Segundo a companhia, a consolidação integra o plano Five-Year Framework, criado pela divisão Crop Science para ampliar crescimento, resiliência e rentabilidade.

Foco específico

A Bayer informou que a Ruveon terá foco específico em um mercado baseado em commodities. A empresa reunirá equipes dedicadas de produto e comercial para o negócio de glifosato nos Estados Unidos. A companhia espera abastecer a agricultura norte-americana com produtos de glifosato e manter padrões de qualidade e serviço.

Brian Naber, chefe de Crop Science para América do Norte, Austrália e Nova Zelândia, afirmou que o lançamento da Ruveon marca uma etapa do Five-Year Framework. Segundo ele, a consolidação de recursos e operações permite maior dedicação das equipes às necessidades de clientes, parceiros e outros envolvidos no mercado.

Equipe de trabalho

Alfonso Alba Ordóñez assumirá o cargo de diretor-presidente da Ruveon. O executivo tem mais de 30 anos de experiência em liderança no Grupo Bayer e no setor agrícola global. Ele ocupou cargos na Europa, América do Sul, América do Norte e China.

Steve Knodle atuará como vice-presidente executivo e chefe comercial da Ruveon. Ele tem mais de 28 anos de experiência no setor agrícola. Knodle comandará as equipes de vendas e marketing de glifosato nos Estados Unidos, com atuação nos mercados agrícola, industrial, gramados e ornamentais.

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