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3 de julho de 2026

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Brasil deve completar cota de exportação de carne bovina para a China em setembro, alerta Cepea

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Foto: Reprodução/Freepik

O Brasil corre o risco de completar em setembro a sua cota de exportações de carne bovina para a China. O alerta é do Cepea diante do volume embarcado no mês de janeiro. Das 258,94 mil toneladas da proteína enviadas para o mercado externo, 46,3% do total escoado teve o país asiático como destino. Cenário semelhante ao de Mato Grosso, onde das 83,06 mil toneladas escoadas, 57,50% seguiram para tal potência econômica, com crescimento de 89,23% no volume frente a janeiro de 2025.

Em dezembro, o Ministério do Comércio da China (Mofcom) anunciou que as cotas de importação de carne bovina sem tarifa adicional para o Brasil em 2026 seriam de 1,106 milhão de toneladas. Na ocasião, foi anunciado que caso os volumes excedessem o limite estariam sujeitos à tarifa adicional de 55%. Para 2027 a cota é de 1,128 milhão de toneladas e para 2028 de 1,154 milhão de toneladas, como destacado pelo Canal Rural Mato Grosso à época.

De acordo com pesquisadores do Cepea, os números divulgados em janeiro pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex) ligam um sinal de alerta, uma vez que somente em no primeiro mês de 2026 já foram enviadas 119,63 mil toneladas para a China, volume considerado, inclusive, o maior escoado ao país para um mês de janeiro. Deste montante, 47,76 mil toneladas são oriundas de Mato Grosso.

Em 2025 Mato Grosso enviou para o mercado externo 978,32 mil toneladas de carne bovina. A proteína animal teve 92 países como destino, sendo a China responsável pela aquisição de 536,92 mil toneladas. O que a colocou como líder isolada, enquanto a Rússia, segundo principal destino, adquiriu apenas 58,84 mil toneladas.

Os especialistas do Cepea frisam que “caso o ritmo de embarques verificado em janeiro para a China seja mantido, o Brasil deve completar sua cota em setembro”.

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Foto: PEdro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Governo federal propõe ações de controle

Na última sexta-feira (6), o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) enviou ofício para a Câmara de Comércio Exterior (Camex) propondo a criação de um sistema de controle das exportações de carne bovina brasileira para a China. O intuito seria a administração da cota estabelecida pelo país asiático de forma proporcional ao histórico recente de vendas das empresas frigoríficas do Brasil para lá, assim como o escalonamento, por trimestre, do volume autorizado para embarque. A informação foi revelada nesta semana pelo jornal Folha de S. Paulo e confirmada pelo Valor Econômico.

Na avaliação do presidente do Sindicato das Indústrias Frigoríficas de Mato Grosso (Sindifrigo-MT), Paulo Bellicanta, a salvaguarda adotada pela China é “uma medida legítima e até exemplar”, pois “trata-se de uma decisão soberana que demonstra o zelo com o produtor interno, algo que também deveríamos praticar com igual rigor”.

Entretanto, conforme Bellicanta em artigo divulgado nesta quinta-feira (12), “o ponto que exige atenção, contudo, não é a existência da salvaguarda em si, mas as condições e adaptações necessárias à sua implementação. No caso específico da carne vermelha brasileira, é indispensável considerar a dinâmica própria desse comércio. A relação entre produção, embarque e entrega opera em ritmo acelerado e com contratos previamente estabelecidos”.

A Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat) lembra que a produção mundial de carne se encontra hoje “bastante limitada”, com redução do rebanho bovino na maioria dos grandes países produtores, à exemplo dos Estados Unidos.

“Essa barreira que a China quer impor, ela estimula para que o Brasil busque novos mercados. O país já atende mais de 100 países e é importante, então, que essa cota que a China quer impor seja remanejada”, pontua o diretor técnico da Acrimat, Francisco Manzi.

Outro ponto que deveria ser fortalecido, na opinião da Acrimat, é o consumo interno brasileiro. “O aumento de três quilos por habitante ano no Brasil já seria maior do que essa diferença que a China quer pôr agora para o mercado brasileiro”.


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Período proibitivo do uso de fogo começa em Mato Grosso sob alerta de seca mais severa

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Foto: Corpo de Bombeiros de Mato Grosso

Com previsão de uma estiagem mais severa em Mato Grosso, o período proibitivo para o uso do fogo começou no último dia 1º de julho e seguirá até 30 de novembro nos biomas Amazônia, Cerrado e Pantanal. A medida busca reduzir a ocorrência de incêndios florestais durante os meses mais secos do ano.

Segundo o Corpo de Bombeiros Militar, os efeitos do El Niño devem provocar redução das chuvas, aumento das temperaturas, baixa umidade do ar e ventos intensos, combinação que favorece a propagação do fogo e aumenta o risco de incêndios em diferentes regiões do Estado.

Durante o período proibitivo ficam suspensas as autorizações para queima controlada emitidas pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema). A exceção vale apenas para ações realizadas ou supervisionadas pelos órgãos públicos responsáveis pela prevenção e combate aos incêndios florestais.

Quem descumprir a determinação poderá responder por crime ambiental, além de estar sujeito à aplicação de multas e outras penalidades previstas na legislação.

Estado reforça monitoramento

Paralelamente à fiscalização, o Estado reforçou a estrutura de monitoramento para acompanhar os focos de incêndio ao longo da estiagem. Além da Sala de Situação Central, responsável pelo acompanhamento dos incêndios florestais em Mato Grosso, sete Salas de Situação Descentralizadas funcionarão nos municípios que sediam os comandos regionais do Corpo de Bombeiros e também em Poconé, para atendimento da região do Pantanal.

As unidades atuam de forma integrada, permitindo o monitoramento em tempo real das ocorrências, o compartilhamento de informações estratégicas e o direcionamento das equipes para as áreas mais críticas. A estrutura também busca ampliar a capacidade de resposta, principalmente em regiões de difícil acesso.

O Corpo de Bombeiros reforça que a prevenção continua sendo o caminho mais eficiente para reduzir os incêndios durante o período de estiagem. A orientação é que qualquer foco de incêndio seja comunicado imediatamente pelo telefone 193. Casos de uso irregular do fogo também podem ser denunciados à Polícia Militar pelo telefone 190.

Cuidados começam antes do fogo

No campo, entidades ligadas ao setor agropecuário orientam os produtores a intensificarem as medidas preventivas durante o período proibitivo.

A Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat) recomenda manter aceiros limpos, equipamentos de combate inicial em condições de uso, evitar atividades que possam gerar faíscas próximas à vegetação seca e reforçar a vigilância nas propriedades durante toda a estiagem.

Conforme o presidente da entidade, Nando Conte, o produtor rural é um dos maiores interessados em evitar que o fogo saia do controle. “Os pecuaristas são os principais interessados na proteção de suas propriedades e do meio ambiente. O fogo descontrolado causa grandes prejuízos econômicos, ambientais e sociais”, ressalta. Segundo ele, respeitar o período proibitivo e adotar medidas preventivas ajuda a proteger as propriedades, os rebanhos e também as áreas vizinhas.

Documentação também protege o produtor

Se, mesmo com os cuidados, um incêndio atingir a propriedade, a orientação da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja Mato Grosso) é agir rapidamente para registrar a ocorrência. A entidade recomenda que o produtor faça um boletim de ocorrência, reúna fotografias, vídeos e outros documentos que comprovem os danos e, quando possível, providencie uma ata notarial em cartório. O conjunto de provas pode ser importante para resguardar o proprietário em eventuais questionamentos sobre a origem do fogo.

O vice-coordenador da Comissão de Sustentabilidade da Aprosoja Mato Grosso, Nathan Belusso, afirma que ainda existe a falsa percepção de que o produtor é responsável pela maioria das queimadas, quando, na prática, também está entre os principais prejudicados.

“O produtor é um dos maiores prejudicados, porque o fogo destrói a matéria orgânica do solo, compromete a fertilidade, reduz a produtividade e ainda coloca em risco lavouras, máquinas, animais e vidas humanas”.

De acordo com Belusso, essa documentação ajuda a demonstrar que o produtor também foi vítima da ocorrência. “Isso ajuda a evitar acusações indevidas de crime ambiental e garante que ele tenha elementos para comprovar que também foi vítima da situação”, explica.

O delegado coordenador do Núcleo Vale do Guaporé da Aprosoja Mato Grosso, Yuri Nunes Cervo, vivenciou uma situação como essa em 2020, quando um incêndio atingiu sua propriedade e mobilizou equipes por mais de três dias. Além das perdas imediatas, ele afirma que o fogo compromete anos de investimentos na conservação do solo. “Quando o fogo atinge uma área produtiva, ele destrói todo um trabalho realizado para melhorar a qualidade do solo”, relata.


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Doença fúngica em lavouras de milho mobiliza investigação em Mato Grosso

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Uma doença fúngica silenciosa está sendo investigada após provocar prejuízos em lavouras de milho de diferentes regiões de Mato Grosso. Os danos, que muitas vezes só são percebidos quando a espiga é aberta ou durante a colheita, acenderam o alerta entre produtores e técnicos.

Os relatos apontam perdas na produtividade e comprometimento da qualidade dos grãos, situação que também começa a refletir na comercialização do milho.

A identificação do agente causador é considerada fundamental para orientar o manejo da próxima safra e reduzir novos prejuízos aos produtores.

Enquanto o diagnóstico é aguardado, produtores contabilizam os impactos da doença e acompanham a evolução dos casos nas regiões afetadas.

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Casos se espalham por diferentes regiões

O engenheiro agrônomo Vinícius Rodrigues, que acompanha cerca de 30 mil hectares de milho no médio-norte de Mato Grosso, afirma que os registros deixaram de ser pontuais e já aparecem em diferentes municípios, principalmente em regiões próximas à BR-163, no oeste e no norte do estado.

Conforme ele, além das perdas no campo, as indústrias começam a registrar descontos na recepção dos grãos. O excesso de chuvas durante o ciclo da cultura favoreceu o avanço da doença, agravando a situação nas lavouras.

Rodrigues afirma que ainda é cedo para apontar qual fungo está causando os danos, mas relata ao Canal Rural Mato Grosso que os prejuízos já são significativos. “Há produtores relatando de 30% a 45% de dano causado no milho e as indústrias reportando o problema no carregamento com descontos mais enxutos também”.

O agrônomo ressalta que o momento exige cautela e investigação técnica antes da adoção de qualquer medida de controle. “Tem que chamar um especialista que vai indicar de fato qual é a doença exata, porque a gente vê vários murmurinhos e vão criando vários rumores no mercado. Não é sair fazendo aplicação de defensivo nem nada, porque isso aí pode causar até mais resistência no fungo e a pesquisa é fundamental para isso aí”.

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Produtores contabilizam prejuízos

Entre os produtores afetados está Cleverson Bertamoni, de São José do Rio Claro. Na propriedade, onde foram cultivados 1.550 hectares de milho segunda safra, os primeiros talhões colhidos registraram perdas superiores a 19 sacas por hectare. O prejuízo já ultrapassa os R$ 100 mil.

O produtor conta ao Canal Rural Mato Grosso que a doença passou despercebida durante o desenvolvimento da lavoura. A aparência das plantas não indicava problemas, mas, ao abrir as espigas, a contaminação aparecia de forma intensa.

“Você vai andando e vai achando, e aí é um problema sério. Eu achava uma espiga ou outra, mas não achava que o problema iria ser tão grande a nível de pegar todos os talhões da fazenda”.

Mesmo seguindo o manejo recomendado para a cultura, Bertamoni afirma que não conseguiu evitar os danos causados pelo fungo.

“Fizemos três aplicações de fungicidas, inclusive alternando bem os princípios ativos e um com protetivo nas épocas certas recomendadas, e nos deparamos com essa situação. Tivemos um talhão de 220 hectares e perdemos mais de 10% só por causa dessa doença aqui”.

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Diagnóstico deve orientar manejo da próxima safra

A busca por respostas levou a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja Mato Grosso) a trazer para o estado um especialista em doenças de plantas de Passo Fundo, no Rio Grande do Sul, que acompanha os casos registrados no estado e auxilia na identificação do agente causador da doença.

A expectativa é que o trabalho permita definir recomendações técnicas para reduzir os prejuízos observados nesta safra e orientar o manejo da cultura nos próximos ciclos.

O presidente da Aprosoja Brasil e Mato Grosso, Lucas Costa Beber, pontua que o avanço da doença também preocupa pelos impactos no cumprimento dos contratos de entrega do milho.

Segundo ele, a entidade já realiza a coleta de amostras e as análises para chegar a uma resposta técnica. “A nossa equipe já está trabalhando, coletando amostras e fazendo análises para ter uma solução definitiva na indicação também de controle dessa doença para o próximo ano para que não volte a se repetir”.


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Semeadura do trigo atinge 83% da área prevista no Rio Grande do Sul

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A semeadura do trigo no Rio Grande do Sul alcançou, em média, 83% da área prevista para a Safra 2026, estimada em 814.220 hectares. Segundo a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Rio Grande do Sul (Emater/RS-Ascar), os trabalhos estão próximos da conclusão na maior parte das regiões e seguem em fases inicial e intermediária nas áreas de maior altitude.

De acordo com o Informativo Conjuntural divulgado pela Emater/RS-Ascar nesta quinta-feira (2), as lavouras de trigo apresentam estabelecimento e estandes adequados, com desenvolvimento vegetativo compatível com o período de cultivo. As baixas temperaturas e as geadas de fraca intensidade favorecem o perfilhamento, sem registro de danos significativos. Por outro lado, a elevada nebulosidade e a menor disponibilidade de radiação solar, especialmente nas manhãs, reduzem a velocidade de crescimento das plantas em diversas áreas.

Entre as demais culturas de inverno, o plantio da aveia-branca está em conclusão. A área estimada para a safra é de 387.697 hectares, com produtividade média projetada em 2.322 kg/ha. As áreas implantadas mais cedo estão em perfilhamento e início da elongação do colmo, com bom potencial produtivo inicial.

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Na canola, a semeadura está tecnicamente concluída no Estado, com finalização apenas em áreas marginais. A cultura ocupa área estimada de 353.397 hectares, com produtividade média de 1.619 kg/ha. As lavouras apresentam desenvolvimento satisfatório, e nas áreas mais precoces já houve início do florescimento. As precipitações causaram lixiviação de nutrientes em pontos localizados.

A cevada também está em finalização de plantio. A Emater/RS-Ascar estima 20.320 hectares cultivados e produtividade média de 3.020 kg/ha. O desenvolvimento inicial é considerado satisfatório, com estandes uniformes e quadro fitossanitário estável.

Nas culturas de verão, a colheita da soja e do milho já foi concluída no Estado. A soja teve produtividade média de 2.707 kg/ha em uma área de 6.697.172 hectares. No milho, a produtividade estimada foi de 7.362 kg/ha, em 812.540 hectares.

Entre as olerícolas e raízes, o excesso de umidade ainda interfere no manejo. Na cebola, a chuva dificulta a semeadura e o transplantio em parte das áreas. Na mandioca, o encharcamento do solo favorece podridão de raízes e leva produtores a antecipar ou intensificar a colheita em algumas regiões do Estado.

Fonte: agricultura.rs.gov.br

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