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14 de agosto de 2026

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Projeto que altera Lei de Cultivares avança na Câmara e divide opiniões no campo

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Foto: Soja Brasil

Tramita na Câmara dos Deputados um projeto de lei que altera a Lei de Proteção de Cultivares, em vigor desde 1997. A proposta amplia o prazo de proteção das cultivares anuais e perenes, o que estenderia o período de cobrança de royalties pagos pelos produtores às empresas responsáveis pelo desenvolvimento das tecnologias.

A iniciativa tem como objetivo alinhar o Brasil a padrões internacionais de propriedade intelectual e incentivar novos investimentos em pesquisa, desenvolvimento e melhoramento genético. Entidades ligadas ao setor de inovação avaliam que a atualização da legislação pode estimular a concorrência e reduzir a concentração de mercado.

O projeto de lei 1702/2019 prevê que, no caso das culturas anuais, como soja e milho, o prazo de proteção passe de 15 para 20 anos. Já para culturas perenes, como frutíferas e cana-de-açúcar, o período seria ampliado de 18 para 25 anos.

Segundo defensores da proposta, o desenvolvimento de novas variedades pode levar mais de uma década e exige investimentos elevados, o que, sem garantias jurídicas adequadas, acaba desestimulando empresas a investir em novas tecnologias.

Uso de semente salva é mantido

O projeto já foi aprovado na Comissão de Agricultura e atualmente tramita na Comissão de Assuntos Econômicos da Câmara. A Aprosoja Brasil participou diretamente do debate e esclarece que a proposta não proíbe o uso de semente salva.

Produtores com até quatro módulos fiscais não pagariam royalties sobre a semente produzida na própria propriedade, desde que não haja comercialização. Acima desse limite, a cobrança seria, em média, de 7% sobre o valor da saca de semente comercial. Como exemplo, se a saca de soja custar R$ 1.000, o valor do royalty seria em torno de R$ 70.

O texto não altera a Lei de Patentes e trata exclusivamente do melhoramento genético vegetal. Também prevê regras mais rigorosas para combater a pirataria de sementes e aumentar a segurança jurídica no setor.

Debate ganha força no Rio Grande do Sul

O debate sobre a proposta ganhou força entre produtores do Rio Grande do Sul, que demonstram preocupação com o impacto financeiro da ampliação do prazo de cobrança, especialmente em um momento de crise no campo.

Produtores relatam descapitalização após sucessivas safras com problemas climáticos e defendem mudanças na forma de cobrança dos royalties. Atualmente, a cobrança é baseada na projeção da colheita. A sugestão apresentada por representantes do setor é que o pagamento ocorra no momento da comercialização, como já aconteceu no passado.

Segundo os produtores, esse modelo seria mais justo, pois ajustaria o valor pago ao desempenho real da lavoura: quem colhe menos paga menos, e quem colhe mais paga mais, conforme a entrega da tecnologia utilizada.

A Associação de Produtores e Empresários Rurais do Rio Grande do Sul (Aper) avalia que o debate deveria ser temporariamente suspenso, já que a prioridade do setor ainda é a busca por soluções para o endividamento rural, sem avanços nos projetos de securitização.

A entidade reforça que os produtores não são contrários à tecnologia nem à pesquisa, mas defendem maior equilíbrio na proposta. Para a associação, o investimento em pesquisa é uma atribuição constitucional do Estado, enquanto a iniciativa privada deve atuar de forma complementar, e não como principal responsável pelo financiamento do desenvolvimento tecnológico.

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Mato Grosso lidera focos de calor no país e já soma 1.094 registros em agosto

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Foto: Corpo de Bombeiros de Mato Grosso

Mato Grosso lidera o número de focos de calor registrados no Brasil em agosto e também mantém a primeira posição no acumulado do ano. Dados do Programa Queimadas, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), mostram 1.094 ocorrências no estado até o dia 13 deste mês, enquanto o Pará aparece em segundo lugar, com 718.

A diferença aumenta quando considerado o acumulado de 2026. Mato Grosso contabiliza 4.838 focos de calor desde janeiro, seguido por Tocantins, com 4.214, Bahia, com 3.264, Pará, com 3.250, e Maranhão, com 3.130. Somente em agosto, Tocantins registrou 440 ocorrências, Maranhão 422 e Minas Gerais 356.

O avanço dos registros ocorre durante a fase mais crítica da estiagem em Mato Grosso, período marcado pela redução das chuvas, temperaturas elevadas e queda da umidade relativa do ar. Em diferentes pontos do estado, os índices já ficam abaixo de 30%, enquanto a vegetação seca aumenta a disponibilidade de material combustível.

O comportamento dos focos também mudou ao longo dos últimos meses. Junho teve o maior volume de ocorrências até agora, com 1.440 registros. Em julho foram 746, número que já foi superado em apenas 13 dias de agosto.

Para o coronel da reserva do Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso (CBMMT), Aluisio Metelo, a combinação das condições meteorológicas é determinante para que o fogo encontre um ambiente mais favorável. “Com o avanço da estiagem, diminuem as chuvas e a umidade dos combustíveis vegetais, gramíneas, folhas, galhos e outras biomassas tornam-se mais disponíveis para a combustão”, explica.

Fogo ganha força com vegetação mais seca

A redução da umidade não apenas facilita o início das queimadas, mas também contribui para que as chamas avancem com maior intensidade. O efeito é potencializado quando há temperaturas elevadas e vento, condições que podem acelerar a propagação do fogo por áreas de vegetação.

“Quando isso se combina com altas temperaturas e vento, aumenta significativamente o potencial de propagação e de intensidade do fogo”, acrescenta Metelo.

Os efeitos desse cenário já podem ser observados em diferentes regiões de Mato Grosso. Em Nova Santa Helena, no norte do estado, um incêndio atingiu quase 15 mil hectares em dez dias, enquanto Barra do Garças registrava outro fogo de grandes proporções, com pouco mais de 13 mil hectares afetados.

A duração também chama atenção. Em Paranatinga, há ocorrência de queimadas que persiste há 44 dias. Em Água Boa, os registros de fogo se estendem por pouco mais de um mês, mostrando que nem sempre a maior duração está associada aos incêndios que atingem as maiores áreas.

Em Nova Santa Helena, o combate mobiliza equipes do CBMMT desde o dia 6 de agosto, inclusive com o uso de uma aeronave. A fumaça também alcançou municípios próximos, como Cláudia e Sinop.

Os biomas Amazônia e Cerrado concentram parte importante das ocorrências. O Cerrado possui características que favorecem a propagação do fogo durante a estiagem, mas, segundo o especialista, essa predisposição natural não elimina a influência humana na origem dos incêndios.

Maioria das ignições tem relação com ação humana

A ocorrência de condições favoráveis ao fogo não significa, portanto, que os incêndios tenham origem natural. De acordo com Metelo, cerca de 90% das ignições estão relacionadas a ações humanas.

“Cerca de 90% das ignições são associadas a ações humanas. O fogo pode começar por uso inadequado do fogo, queimadas que escapam do controle, ocorrências em margens de rodovias, equipamentos e máquinas, redes elétricas, atividades diversas e também por ações criminosas”, afirma.

O coronel ressalta que diferentes situações podem provocar o início de um incêndio, especialmente durante a estiagem, quando a vegetação está mais seca. Por isso, a identificação da origem precisa considerar as circunstâncias de cada ocorrência.

“A responsabilidade por um incêndio não deve ser presumida apenas pelo local onde o fogo está queimando; determinar causa exige investigação”, pontua.

Em Mato Grosso, o uso do fogo para limpeza e manejo de áreas rurais está proibido desde 1º de julho nos biomas Amazônia, Cerrado e Pantanal. A restrição segue até 30 de novembro de 2026 e pode ser prorrogada. Nas áreas urbanas, a proibição vigora durante todo o ano.


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Agro Mato Grosso

Doença silenciosa avança em MT e pode comprometer produtividade da soja

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Podridão de vagens e grãos já deixou prejuízos em importantes regiões produtoras e pesquisadores reforçam atenção à escolha de cultivares, época de plantio e manejo de fungicidas

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Conab atualiza portal e reúne dados corporativos e painéis em um só ambiente

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A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) disponibilizou nesta sexta-feira (14) a atualização do Portal de Informações, plataforma que reúne dados corporativos e painéis gerenciais em um único ambiente. Desenvolvido conforme o padrão gov.br, o sistema concentra informações ligadas a abastecimento, agricultura familiar, logística, mapeamento de áreas agrícolas, mercado e produção agrícola.

Segundo a Conab, a atualização do portal inclui recursos voltados à localização, organização e visibilidade das informações. Entre as funcionalidades estão a pesquisa por palavras-chave relacionadas a programas, temas, processos ou áreas de negócio, além da marcação de favoritos para painéis de uso frequente.

A plataforma também classifica os conteúdos conforme o tipo de acesso. As informações podem ser identificadas como públicas ou privadas. No caso dos dados privados, a categorização foi dividida em dois níveis: uso interno, classificado como nível 1, e conteúdo sujeito a mecanismos adicionais de segurança, enquadrado como nível 2.

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Nesta primeira etapa, o foco foi consolidar os ambientes de informação já existentes e atualizar a interface, a usabilidade e a governança das informações. A medida organiza em um só espaço dados utilizados em diferentes áreas acompanhadas pela estatal.

Para a segunda etapa do projeto, está prevista a disponibilização de Interfaces de Programação de Aplicações (APIs) para acesso aos dados públicos. A proposta é permitir que sistemas e outras soluções tecnológicas utilizem essas informações de forma integrada e padronizada.

O acesso ao Portal de Informações atualizado está disponível no endereço portaldeinformacoes.conab.gov.br/produtos-360.html.

A atualização do Portal de Informações da Conab centraliza painéis gerenciais e dados corporativos em uma única plataforma, com novos mecanismos de busca, organização e classificação de acesso, além da previsão de integração por APIs em uma próxima etapa.

Fonte: gov.br

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