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Projeto que altera Lei de Cultivares avança na Câmara e divide opiniões no campo

Tramita na Câmara dos Deputados um projeto de lei que altera a Lei de Proteção de Cultivares, em vigor desde 1997. A proposta amplia o prazo de proteção das cultivares anuais e perenes, o que estenderia o período de cobrança de royalties pagos pelos produtores às empresas responsáveis pelo desenvolvimento das tecnologias.
A iniciativa tem como objetivo alinhar o Brasil a padrões internacionais de propriedade intelectual e incentivar novos investimentos em pesquisa, desenvolvimento e melhoramento genético. Entidades ligadas ao setor de inovação avaliam que a atualização da legislação pode estimular a concorrência e reduzir a concentração de mercado.
O projeto de lei 1702/2019 prevê que, no caso das culturas anuais, como soja e milho, o prazo de proteção passe de 15 para 20 anos. Já para culturas perenes, como frutíferas e cana-de-açúcar, o período seria ampliado de 18 para 25 anos.
Segundo defensores da proposta, o desenvolvimento de novas variedades pode levar mais de uma década e exige investimentos elevados, o que, sem garantias jurídicas adequadas, acaba desestimulando empresas a investir em novas tecnologias.
Uso de semente salva é mantido
O projeto já foi aprovado na Comissão de Agricultura e atualmente tramita na Comissão de Assuntos Econômicos da Câmara. A Aprosoja Brasil participou diretamente do debate e esclarece que a proposta não proíbe o uso de semente salva.
Produtores com até quatro módulos fiscais não pagariam royalties sobre a semente produzida na própria propriedade, desde que não haja comercialização. Acima desse limite, a cobrança seria, em média, de 7% sobre o valor da saca de semente comercial. Como exemplo, se a saca de soja custar R$ 1.000, o valor do royalty seria em torno de R$ 70.
O texto não altera a Lei de Patentes e trata exclusivamente do melhoramento genético vegetal. Também prevê regras mais rigorosas para combater a pirataria de sementes e aumentar a segurança jurídica no setor.
Debate ganha força no Rio Grande do Sul
O debate sobre a proposta ganhou força entre produtores do Rio Grande do Sul, que demonstram preocupação com o impacto financeiro da ampliação do prazo de cobrança, especialmente em um momento de crise no campo.
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Produtores relatam descapitalização após sucessivas safras com problemas climáticos e defendem mudanças na forma de cobrança dos royalties. Atualmente, a cobrança é baseada na projeção da colheita. A sugestão apresentada por representantes do setor é que o pagamento ocorra no momento da comercialização, como já aconteceu no passado.
Segundo os produtores, esse modelo seria mais justo, pois ajustaria o valor pago ao desempenho real da lavoura: quem colhe menos paga menos, e quem colhe mais paga mais, conforme a entrega da tecnologia utilizada.
A Associação de Produtores e Empresários Rurais do Rio Grande do Sul (Aper) avalia que o debate deveria ser temporariamente suspenso, já que a prioridade do setor ainda é a busca por soluções para o endividamento rural, sem avanços nos projetos de securitização.
A entidade reforça que os produtores não são contrários à tecnologia nem à pesquisa, mas defendem maior equilíbrio na proposta. Para a associação, o investimento em pesquisa é uma atribuição constitucional do Estado, enquanto a iniciativa privada deve atuar de forma complementar, e não como principal responsável pelo financiamento do desenvolvimento tecnológico.
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Sistema Faep pede mais prazo para entrega da declaração do ITR 2026

O Sistema Faep pediu à Receita Federal a prorrogação, por 15 dias, do prazo para entrega da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (DITR) de 2026.
O pedido foi feito por ofício, após produtores rurais do Paraná relatarem travamento e inoperância no sistema, além de dificuldades para concluir o envio. O prazo vigente termina na próxima quarta-feira (30).
Os relatos também envolvem a forma de entrega exigida para imóveis rurais com mais de 100 hectares. Até 21 de setembro, esses contribuintes precisavam usar o serviço online. No entanto, inconsistências cadastrais que não eram recuperadas pelo sistema dificultaram o preenchimento e a transmissão das declarações. Naquela data, a Receita Federal passou a permitir que esse grupo também utilizasse o Programa ITR 2026, instalado no computador.
“Os produtores precisam de condições para cumprir essa obrigação. A lentidão no sistema e a mudança nas opções de entrega nos últimos dias justificam a prorrogação […]”, destaca o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette.
Como fazer a DITR
A DITR é obrigatória para pessoas físicas e jurídicas proprietárias, titulares do domínio útil ou possuidoras de imóvel rural. Quem entregar a declaração após o prazo está sujeito a multa de 1% ao mês ou fração de atraso, calculada sobre o imposto devido, com valor mínimo de R$ 50.
A falta de entrega também pode impedir a emissão da Certidão Negativa de Débitos do imóvel e dificultar o acesso ao crédito rural.
A declaração pode ser feita pelo Portal de Serviços da Receita Federal. Após entrar com uma conta gov.br de nível Prata ou Ouro, o contribuinte deve selecionar “Imóveis” e, em seguida, “Minhas Declarações do ITR”. A Receita publicou um passo a passo para o preenchimento.
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Sistema brasileiro de produção de carne de aves e mel é validado pela União Europeia

A qualidade do sistema brasileiro de produção de carne de aves e mel foi considerada satisfatória pela Direção-Geral de Saúde e Segurança dos Alimentos (DG Santé), da Comissão Europeia, em relatório publicado nesta segunda-feira (28).
O documento, elaborado após a auditoria realizada pelas autoridades sanitárias da União Europeia, concluiu “que o arcabouço legal, os procedimentos, a capacitação dos fiscais e os controles oficiais brasileiros são capazes de fornecer as garantias exigidas pela legislação europeia”.
A missão europeia realizou visitas a estabelecimentos produtivos brasileiros – carne de aves e produtos avícolas, mel e produtos apícolas, e órgãos oficiais – entre os dias 24 de agosto e 4 de setembro, verificando a proibição do uso de antimicrobianos como promotores de crescimento e aumento de rendimento ao longo da cadeia desses produtos.
“Essa avaliação da missão técnica europeia sobre a carne de frango e o mel brasileiros só confirma o que já sabíamos: a excelência e a solidez do nosso sistema de defesa agropecuária. Ser aprovado representa o reconhecimento de um trabalho sério, rigoroso e permanente desenvolvido pelos nossos produtores”, afirma o ministro da Agricultura e Pecuária (Mapa), André de Paula.
Brasil na lista de fornecedores
A avaliação positiva apresentada pela DG Santé representa mais um passo no processo de reinclusão do Brasil na lista de fornecedores do bloco europeu.
Desde a decisão anunciada pela União Europeia, no último dia 12 de maio, o governo brasileiro tem buscado manter dialogo político e técnico com as autoridades do bloco. O Mapa ressalta que o país implementou as medidas necessárias ao atendimento dos requisitos aplicáveis e apresentou a documentação e as informações pertinentes às cadeias de produtos de origem animais destinados à exportação.
Durante a missão, as equipes técnicas brasileiras apresentaram os procedimentos e controles adotados no país, permitindo a verificação, em campo, da estrutura e do funcionamento do sistema oficial de defesa agropecuária brasileiro.
Em termos práticos, o resultado da auditoria não aponta impedimento técnico à reinclusão do Brasil na lista de países exportadores de carne de aves e mel para a UE.
Agora, o Mapa aguarda o cumprimento, por parte da União Europeia, das etapas administrativas necessárias para a conclusão do processo. O ministério mantém o diálogo técnico com as autoridades do bloco e acompanha as próximas etapas para a reinclusão do Brasil na lista de países autorizados a exportar carne de aves e mel ao bloco, que inclui o procedimento regulatório europeu necessário para essa retomada.
O Ministério da Agricultura e Pecuária solicitou a inclusão do relatório na pauta da reunião técnica do Comitê Permanente de Plantas, Animais, Alimentos e Rações (Scopaff) da Comissão Europeia, responsável pela decisão final, que vai acontecer nos dias 20 e 21 de outubro de 2026.
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Nova série de lives do Canal Rural te coloca por dentro do preço das principais commodities do país

O Canal Rural começou uma nova série de lives com foco nos preços da soja, do milho, do boi gordo e de outras commodities que movimentam o agronegócio brasileiro.
O Commodities em Foco acontece todas as segundas e sextas-feiras, sempre às 18h10, para você começar e fechar a semana por dentro dos principais movimentos do mercado agrícola.
A primeira transmissão foi com o analista da consultoria Safras & Mercado Fernando Henrique Iglesias. Ele destacou os motivos de a arroba estar em alta, se o mercado futuro continuará operando contratos com até R$ 20 de diferença em relação ao disponível e o que esperar das cotações para o restante do ano. Assista abaixo:
Para o episódio de hoje, o editor Victor Faverin conversa com o especialista Rafael Silveira, também da consultoria Safras & Mercado, sobre o mercado de soja.
Ele vai explicar se a Bolsa de Chicago já reflete possíveis perdas da safra 2026/27 do grão em vista da presença cada vez mais intensa do fenômeno El Niño. Para não perder essa live, acione a notificação no player abaixo:
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