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Quais os desafios e as oportunidades para o agro em 2026?

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Foto: Seagro/Governo Tocantins

O ano de 2026 traz importantes perspectivas para o agronegócio brasileiro. A combinação entre eleições federais e estaduais, um cenário geopolítico instável, pressões econômicas globais e eventos climáticos cada vez mais severos cria um ambiente de incerteza que exige atenção redobrada do setor.

Mais do que prever rupturas, o desafio está em compreender como essas variáveis se conectam e moldam o ambiente de decisões que impacta o agro, não apenas “da porteira para dentro”, mas ao longo de toda a cadeia, até os mercados internacionais.

Como principal destaque, as eleições de 2026 colocam, novamente, no centro do debate a tradicional disputa entre projetos políticos de esquerda e direita. Em anos eleitorais, é comum que o ritmo das decisões no Congresso Nacional e nos governos estaduais seja influenciado por agendas de curto prazo e pelo cálculo político.

É provável que haja um deslocamento de prioridades: agendas estruturantes perdem velocidade, enquanto temas de maior apelo político ganham protagonismo. O cenário não é necessariamente de paralisia, mas de maior seletividade política, em que consensos serão mais difíceis e o diálogo técnico se torna cada vez mais necessário. Nesse contexto, o agronegócio parte de uma posição diferenciada em relação a outros setores.

Independentemente do resultado eleitoral, o setor mantém uma presença consistente no Legislativo federal ao longo das décadas, com uma bancada numerosa e articulada, eleita justamente a partir da relevância econômica e social do agro em diferentes regiões do país. Essa representação tem sido fundamental para garantir que temas estratégicos não sejam tratados apenas sob um viés ideológico, mas também sob a ótica da produção, da segurança alimentar e da competitividade.

Isso foi demonstrado em votações relevantes ao longo dos anos, como a aprovação da Lei do Autocontrole no governo Bolsonaro e os avanços nos debates sobre o Licenciamento Ambiental e o Marco Legal dos Defensivos Agrícolas no governo Lula.

Do ponto de vista econômico, 2026 deve seguir marcado por cautela. Juros globais ainda elevados, volatilidade cambial, custos de insumos e ajustes fiscais em diferentes países continuam pressionando os custos de produção e as decisões de investimento. Ao mesmo tempo, o agronegócio segue como um dos principais pilares da economia brasileira. Responsável por parcela significativa do PIB, das exportações e da geração de empregos, o setor funciona como um amortecedor em momentos de desaceleração econômica.

A demanda global por alimentos permanece como um fator estrutural de sustentação, mesmo diante das oscilações de mercado. O desafio estará em manter competitividade e previsibilidade regulatória em um cenário financeiro mais restritivo. No plano internacional, a geopolítica seguirá influenciando diretamente o agro brasileiro, especialmente por meio dos acordos comerciais e da busca por acesso a novos mercados para os produtos brasileiros, especialmente após os desdobramentos do tarifaço em 2025.

O Ministério da Agricultura tem papel importante nesse processo, com o trabalho dos adidos agrícolas, que têm auxiliado de forma substancial essa agenda. O acordo entre o Mercosul e a União Europeia continua sendo uma das principais apostas estratégicas. Embora ainda enfrente resistências políticas e ambientais dentro da Europa, um avanço, ainda que tímido, representaria uma oportunidade relevante de diversificação de mercados, aumento de valor agregado e maior previsibilidade nas relações comerciais.

A China segue como parceiro central do agro brasileiro, tanto pela demanda consistente por commodities quanto pelo papel estratégico que desempenha na segurança alimentar global. A relação tende a permanecer pragmática, baseada em volume, regularidade e competitividade, ainda que sujeita a ajustes conforme o cenário geopolítico internacional. Já os Estados Unidos continuam exercendo influência decisiva, seja como concorrente direto em diversos mercados, seja como formulador de padrões tarifários e comerciais que impactam terceiros países.

A relação com o Brasil apresentou melhorias desde o início de 2025, mas deve seguir marcada, em 2026, pelo pragmatismo do presidente Donald Trump. Os impactos climáticos, cada vez mais frequentes e intensos, deixam de ser uma variável excepcional para se tornarem parte do planejamento permanente do setor.

Eventos extremos, alterações nos regimes de chuva e perdas produtivas exigem políticas públicas mais coordenadas, instrumentos de seguro mais robustos e maior integração entre as agendas ambiental, agrícola e econômica. Nesse contexto, o papel do Estado e da articulação entre governo e setor produtivo será decisivo para transformar risco em resiliência.

O cenário de 2026 aponta para um período de ajustes e para a necessidade de diálogo qualificado. Assim, o agronegócio brasileiro entra nesse ciclo com ativos importantes: capacidade produtiva, tecnologia, protagonismo internacional e uma base política que reconhece sua relevância estratégica.

Mais do que esperar respostas prontas, o setor será chamado a participar ativamente da construção das soluções. Em um mundo mais fragmentado e imprevisível, a previsibilidade virá menos de discursos e mais da capacidade de articulação, planejamento e leitura estratégica do ambiente político e econômico.

*Rebecca Lucena é diretora de Relações Governamentais da BMJ Consultores Associados e cofundadora da rede Women Inside Trade (WIT)


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.

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Comissão do Senado aprova redução de tributos que incidem sobre o calcário

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Foto: Reprodução

A Comissão de Agricultura e Reforma Agrária (CRA) do Senado aprovou na quarta-feira (18) a redução de tributos incidentes sobre o calcário para uso agrícola. A intenção é incentivar a extração nacional e diminuir a dependência externa de fertilizantes. 

Agora, o texto segue para a Comissão de Meio Ambiente (CMA) da casa.

O PL 3.591/2019, do senador Luis Carlos Heinze (PP-RS), reduz de 1% para 0,2% a alíquota da Compensação Financeira pela Exploração Mineral (CFEM) incidente sobre o calcário para uso agrícola. Para isso, altera a Lei 8.001, de 1990, que define os percentuais de distribuição CFEM. 

Segundo Heinze, o Plano Nacional de Mineração projeta aumento expressivo no consumo do agromineral, chegando a 94,1 milhões de toneladas até o fim da década, o que exige estímulos à produção interna.

“Quanto mais calcário nós usarmos (o que nós temos em qualquer canto do Brasil), vai diminuir a quantidade de fertilizantes caros que o Brasil importa”, defendeu. Na avaliação dele, essa é uma forma de reduzir a importação, além de potencializar os minerais em solo brasileiro.

No parecer favorável à proposta, o senador Chico Rodrigues (PSB-RR) afirmou que a falta de planejamento, a insuficiência de estoques e os efeitos da guerra na Ucrânia provocaram impactos imediatos na produção agropecuária brasileira. Segundo o senador, o país importa entre 60% e 85% dos fertilizantes que consome.

“A redução da alíquota da Compensação Financeira pela Exploração Mineral incidente sobre o calcário para uso agrícola vai fomentar a produção no Brasil, gerar emprego e contribuir com o barateamento do custo de produção agrícola, merecendo, portanto, ser aprovada pelo Senado”, recomendou Rodrigues.

Alíquota

O senador Zequinha Marinho (Podemos-PA), presidente da comissão, ressaltou que o calcário é essencial para a agricultura no Brasil, já que os solos são ácidos e precisam ser corrigidos antes da adubação. Para ele, o ideal seria zerar a alíquota.

“A agricultura está sempre pagando. Em países lá fora, principalmente na Europa, se o governo não aportar subsídio, subsídio, subsídio, não há produção”, argumentou Marinho.

Além disso, o senador Jaime Bagattoli (PL-RO) lembrou que, além do custo dos tributos, há o custo do frete, que chega a custar quatro vezes o valor do mineral, dependendo da região.

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STF adia julgamento sobre compra de terras rurais por empresas com capital estrangeiro

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Foto: Senado Federal/divulgação

O Supremo Tribunal Federal (STF) deu continuidade, nesta quinta-feira (19), ao julgamento de duas ações que discutem as regras para aquisição de terras rurais por empresas brasileiras controladas por capital estrangeiro. A análise, iniciada no dia anterior, foi suspensa após pedido de vista do ministro Alexandre de Moraes, que solicitou mais tempo para avaliar o caso e indicou que deve devolvê-lo ao plenário na próxima semana.

A Corte formou maioria de 5 a 0 a favor da manutenção das restrições previstas na Lei nº 5.709/1971, que limita a compra de imóveis rurais por estrangeiros e empresas nacionais com controle externo. Votaram nesse sentido o relator original, Marco Aurélio, além dos ministros Gilmar Mendes, Flávio Dino, Cristiano Zanin e Nunes Marques.

Os ministros analisam duas ações. A ADPF 342, apresentada em 2015 pela Sociedade Rural Brasileira (SRB), questiona a constitucionalidade da lei, sob o argumento de que a norma impõe tratamento desigual a empresas brasileiras com capital estrangeiro, o que violaria princípios como livre iniciativa, direito de propriedade e desenvolvimento nacional.

Já a ACO 2.463 foi proposta pela União e pelo Incra, com o objetivo de anular um parecer da Corregedoria-Geral de Justiça de São Paulo que dispensava cartórios de cumprir as regras previstas na legislação para aquisição de terras por estrangeiros.

Nos votos já proferidos, prevalece o entendimento de que a lei é compatível com a Constituição e que a imposição de limites à compra de terras atende a interesses estratégicos, como a soberania nacional e o controle sobre recursos naturais. Apesar da maioria formada, o julgamento ainda não foi concluído e poderá ter novos desdobramentos após o retorno do processo ao plenário.

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Boi gordo sobe com oferta restrita e dificuldade nas escalas de abate

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Reprodução Canal Rural

A dificuldade de composição das escalas de abate segue impactando o mercado do boi gordo no Brasil e sustentando a alta dos preços. O cenário é marcado por uma oferta ainda restrita de animais terminados no curto prazo, o que mantém o mercado firme ao longo de março.

De acordo com a analista da Datagro, Beatriz Bianchi, as escalas chegaram a apresentar uma leve reação na última semana, mas voltaram a recuar nos últimos dias. O comportamento está diretamente ligado às condições climáticas. “As chuvas até a metade de março surpreenderam positivamente e contribuíram para uma maior retenção do gado no pasto, além de favorecer a capacidade de suporte das pastagens”, explica.

No mercado interno, o consumo de carne bovina ainda se mostra resiliente. No entanto, já há sinais de maior sensibilidade do consumidor diante dos preços elevados. Mesmo com a carcaça casada no atacado paulista em patamares altos, foram observados recuos recentes, refletindo a dificuldade de absorção de preços mais elevados. “Isso sugere uma maior sensibilidade do consumidor brasileiro a cotações muito altas da carne bovina, além da competitividade de proteínas concorrentes, como carne suína e de frango”, afirma a analista.

O mercado externo segue como um dos principais pilares de sustentação. As parciais de março indicam crescimento tanto no volume exportado quanto na valorização da tonelada embarcada. “O mercado externo tem sido extremamente importante para essa sustentação, com avanço no volume exportado e na valorização da tonelada”, conclui Beatriz Bianchi.

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