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19 de junho de 2026

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Cigarrinha-do-milho ‘comeu’ quase 32 milhões de t do cereal por ano em 4 safras, calcula CNA

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Foto: Embrapa

A presença da cigarrinha-do-milho nas lavouras gerou perdas de US$ 25,8 bilhões na economia brasileira entre as safras de 2020/21 e 2023/24, mostra levantamento feito pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), em parceria com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e a Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri).

Em nota, a CNA afirma que o impacto do inseto representou queda de 22,7% no volume colhido, o que correspondeu a 31,8 milhões de toneladas anuais. Os dados consideraram levantamentos realizados em 34 municípios representativos das principais regiões produtoras do país.

A análise aponta que 79,4% das localidades monitoradas registraram redução de rendimento em função da praga e do complexo de enfezamentos transmitido pelo inseto. Além do impacto na colheita, o custo médio para aplicação de defensivos voltados ao controle do vetor subiu 19% no intervalo avaliado, atingindo valores superiores a US$ 9 por hectare.

Em cenários de alta infestação e utilização de sementes sem resistência, o comprometimento da lavoura pode chegar à totalidade da produção, segundo estudo.

“A cigarrinha deixou de ser um problema localizado e passou a representar um risco sistêmico para a produção de milho no país. Estamos falando de perdas que impactam diretamente a renda do produtor, a estabilidade produtiva e a competitividade do Brasil”, afirma o assessor técnico da CNA, Tiago Pereira, na nota.

A CNA destaca que o país ocupa a terceira posição no ranking global de produção do cereal, o que torna o controle da cigarrinha um fator de influência no mercado interno e nas exportações.

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Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) avalia ferramenta global de mapeamento agrícola

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A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) reuniu, entre terça-feira (16) e quinta-feira (18), em Brasília (DF), técnicos da estatal, parceiros e integrantes do Projeto World Cereal, iniciativa da Agência Espacial Europeia (ESA), para conhecer uma ferramenta de mapeamento global de áreas agrícolas. Segundo a companhia, o encontro teve como foco a cooperação técnica e científica para aprimorar o monitoramento agrícola e a produção de informações estratégicas para o setor agropecuário.

Durante os três dias de reunião, realizada no Centro de Desenvolvimento de Recursos Humanos (CDRH), os participantes conheceram o funcionamento da plataforma desenvolvida pelo consórcio europeu World Cereal. De acordo com a gerente de Geotecnologias da Conab, Patrícia Maurício Campos, a avaliação da operação do sistema permite analisar o potencial de aplicação da ferramenta no país e, em caso de adoção, as necessidades de adaptação à realidade brasileira.

A diretora de Política Agrícola e Informações da companhia, Naiara Bittencourt, afirmou que a agenda buscou reforçar a cooperação internacional para o desenvolvimento de soluções voltadas às informações da agropecuária, com uso de fontes objetivas para subsidiar decisões, especialmente em políticas públicas. Na avaliação dela, o tema também se insere no contexto das mudanças climáticas e do acompanhamento de impactos sobre a produção agrícola e de alimentos.

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O encontro contou ainda com representantes da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), além de instituições da Argentina, Chile, México e República Dominicana.

No material divulgado, a Conab também cita iniciativas já em andamento. Em fevereiro deste ano, a estatal lançou a plataforma Parque Cafeeiro, voltada ao mapeamento das áreas de produção de café no Brasil. Segundo a companhia, o sistema reúne registros legais, imagens de satélite, bases territoriais oficiais e algoritmos de análise espacial para delimitar áreas produtoras e verificar a origem do café em relação a áreas desmatadas a partir de 2020.

A estatal informou ainda que representa o Brasil no programa Grupo de Observações da Terra para o Monitoramento Agrícola Global (Geoglam) e utiliza o sistema GLAM, desenvolvido pela Universidade de Maryland (UMD), com imagens de satélite para identificar anomalias e estágios de desenvolvimento das culturas.

Segundo a Conab, a reunião serviu para avaliar o potencial de uso da plataforma World Cereal no Brasil e discutir aprimoramentos técnicos. O material divulgado não informa prazo para eventual adoção da ferramenta nem detalha custos ou etapas operacionais futuras.

Fonte: gov.br

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Conab destaca avanço do PAA em Goiás durante Agro Centro-Oeste Familiar

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A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) apresentou, na manhã desta quarta-feira (17), os resultados das compras institucionais do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) em Goiás durante a 23ª Agro Centro-Oeste Familiar (Acof), em Goiânia. Segundo a estatal, as aquisições cresceram 31% entre 2023 e 2025. No último ano, o investimento no estado somou R$ 24,3 milhões, com 77 projetos contratados em mais de 40 municípios e 86% de participação de mulheres.

Os dados foram divulgados em oficina realizada no Campus Samambaia da Universidade Federal de Goiás (UFG), onde ocorre a feira voltada à agricultura familiar. O evento reúne expositores de Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e do Distrito Federal.

Na abertura oficial da programação, a Conab também anunciou o repasse de R$ 100 mil, com recursos do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), para a compra de excedentes da agricultura familiar não comercializados até o próximo sábado (20). A expectativa informada é atender mais de 100 famílias expositoras, com limite de R$ 1 mil por unidade familiar.

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As aquisições serão executadas na modalidade Compra com Doação Simultânea (CDS) do PAA. De acordo com a Conab, os alimentos comprados serão destinados à Cozinha Solidária da Associação do Desenvolvimento Social do Centro-Oeste (Adesco), em Goianira, e à Cozinha Solidária Casa de Cultura Antônia Ferreira de Souza, em Goiânia.

A estatal informou ainda que Goiás tem 27 cozinhas solidárias credenciadas pelo MDS. Segundo o material apresentado, essas estruturas conectam a produção da agricultura familiar a ações socioassistenciais voltadas à população em situação de vulnerabilidade social e insegurança alimentar e nutricional.

O superintendente regional da Conab em Goiás, Luiz Carlos do Nascimento, afirmou que cerca de 300 expositores da Agro Centro-Oeste Familiar estão vinculados a associações e cooperativas que acessam programas executados pela Companhia. Entre os produtos comercializados na feira, a Conab destacou o arroz produzido por beneficiários do programa Arroz da Gente.

O material divulgado não detalha o volume de alimentos adquiridos nem a distribuição por produto ou município.

Durante o evento, a Conab participa, ao lado do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), da divulgação de políticas públicas voltadas a abastecimento, acesso a mercados e inclusão produtiva. A fonte informa que agricultores podem buscar orientações sobre o PAA, o Programa de Venda em Balcão (ProVB), o Arroz da Gente e a Política de Garantia de Preços Mínimos (PGPM). O material não apresenta estimativa adicional de impacto econômico além dos valores anunciados.

Fonte: gov.br

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A trajetória que transformou a Fazenda Dois Irmãos em referência no milho

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Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

Chegar a Mato Grosso quando a BR-163 que corta o estado ainda era de chão, abrir áreas de Cerrado e construir uma propriedade praticamente do zero. Foi assim que começou a história da Fazenda Dois Irmãos, em Primavera do Leste, uma trajetória marcada pelo trabalho em família e pela busca constante por produtividade.

Ao longo de mais de quatro décadas, a propriedade se consolidou como referência na produção de milho, acumulando premiações e resultados expressivos. Hoje, a gestão reúne a experiência do fundador Sérgio Fava e a participação dos filhos Fernando e Miguel, que ajudam a dar continuidade ao legado construído pela família.

Natural de Cruz Alta, no Rio Grande do Sul, Sérgio chegou à região em 1982. Na época, o que seria apenas uma visita da família a um primo acabou se transformando em uma oportunidade de investimento. “Tem uma fazenda ao lado aqui para vender. Vocês não querem comprar?”, ouviu durante a viagem.

A área chamou a atenção da família e o negócio foi fechado. “Era tudo Cerrado, estrada de chão, não tinha nada ainda. Então, investimos”, relembra Sérgio em entrevista ao Especial Mais Milho.

O nome Fazenda Dois Irmãos surgiu justamente da sociedade entre Sérgio e o irmão. Décadas depois, a ligação familiar permanece presente na propriedade e já alcança uma nova geração.

Quando completou 18 anos, Sérgio decidiu que construiria sua vida em Mato Grosso. “Eu botei na minha cabeça que o futuro era aqui. Que eu tinha que fazer o meu futuro”. Com dois tratores transportados em um caminhão, mudou-se para a fazenda e iniciou o trabalho de formação das áreas agrícolas.

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Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

“Gradeava, catava raiz, fiz tudo o que tinha que fazer. Era eu e um funcionário aqui”, conta. Os primeiros cultivos foram de arroz, utilizado para ajudar na abertura das áreas. Conforme o produtor, a cultura não gerava grandes lucros, mas permitia manter a atividade. “Nunca deu lucro o arroz, mas também não dava prejuízo, pagava as contas”.

Os desafios dos primeiros anos iam muito além da produção. A infraestrutura era limitada, o acesso a crédito era mais difícil e cidades como Jaciara serviam de apoio para quem chegava à região. Sérgio lembra que o apoio de vizinhos e amigos foi fundamental naquele período. “O pessoal ajudou muito a gente”.

Apesar das dificuldades, desistir nunca esteve nos planos. O que mais pesava era a distância da família que permaneceu no Sul. “Desistir nunca pensei, mas a distância da família, essa foi uma coisa que pesou bastante”, conta ao programa do Canal Rural Mato Grosso.

O milho como motor do crescimento

Se a soja ajudou a consolidar a atividade agrícola, foi o milho que impulsionou os investimentos na propriedade.

A relação da Fazenda Dois Irmãos com a cultura ganhou destaque em 2003, quando a fazenda ultrapassou a marca de 100 sacas por hectare, um resultado considerado excepcional para a época.

“De todos os recordes de produção em 2003 ultrapassei 100 sacas de milho por hectare”, recorda Sérgio. O desempenho lhe rendeu uma premiação entregue por Alysson Paulinelli. “Era um sonho 100 sacas”.

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Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

O resultado não veio por acaso. Nos primeiros anos de cultivo, o produtor apostou em manejos que ainda começavam a ser adotados na região. “Colhia a soja, passava o nivelador, largou o Egan no primeiro ano. Deu umas chuvas a mais e produziu bem. Aí vimos que dava resultado”.

O sucesso da lavoura reforçou a importância econômica da cultura dentro da fazenda. “Hoje, a soja paga a conta da fazenda, mas quem te dá o lucro para tu fazer o investimento é o milho”.

Dois anos depois, em 2005, a propriedade voltou a ser reconhecida pelos resultados obtidos no campo. “Ganhei um prêmio da Bayer também com quatro materiais que foram as melhores médias da região”.

Os bons desempenhos continuaram ao longo dos anos. Na safra mais recente, a Fazenda Dois Irmãos registrou média de 80 sacas por hectare na soja e 172 sacas por hectare no milho safrinha.

Nova geração e agricultura de precisão

Parte da evolução da produtividade está ligada à incorporação de novas tecnologias e ao trabalho da nova geração da família.

Há cerca de 16 anos atuando na propriedade, Fernando Fava acompanha de perto as mudanças que ocorreram na cultura do milho. Segundo ele, o produtor passou a enxergar a safrinha de forma diferente.

“Antes o cara plantava milho como uma safrinha. ‘Vou jogar um cheirinho de nitrogênio ali e deu que deu’. Como a cultura foi ficando mais rentável, o pessoal começou a olhar mais como uma forma de ter mais lucro”.

Além dos avanços no manejo, Fernando destaca a evolução da genética e dos materiais disponíveis no mercado. “As variedades vieram com mais teto produtivo, mais exigentes. E a gente foi acompanhando essas exigências do material e, graças a Deus, foi colhendo mais”, relata Fernando à reportagem.

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Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

Entre as ferramentas utilizadas na fazenda está o Bayer VALora Milho, plataforma que utiliza dados históricos da propriedade, características dos talhões e informações agronômicas para recomendar diferentes populações de plantas dentro de uma mesma área.

De acordo com Fernando, a tecnologia busca adequar o potencial produtivo de cada ambiente à quantidade ideal de sementes. “A recomendação vem de acordo com o teu talhão e a quantidade de semente jogada é o que define”.

Ele ressalta que as decisões são tomadas em conjunto entre equipe técnica e produtor. “A gente senta junto com o pessoal da Bayer e analisa junto”.

Conforme Jorge Luis Pelisson, líder da unidade de negócios Cerrados e Milho da Bayer, a ferramenta cruza dados de pesquisa, histórico produtivo e inteligência artificial para gerar recomendações específicas para cada ambiente.

“O cliente tem a lavoura dele, tem o histórico, e a gente cruza com os nossos dados de pesquisa, experimentação e inteligência artificial para recomendar para cada situação”, explica.

A proposta é distribuir melhor as populações de plantas conforme o potencial produtivo do solo. “Onde tem melhor ambiente se coloca mais, onde o ambiente não é tão favorável, a gente coloca menos”.

Fernando avalia que tecnologias como essa ganham ainda mais importância em propriedades que apresentam grande variabilidade de solo. “O VALora encaixa perfeitamente nisso aí. Vai tentar fazer você produzir mais uniforme e, para o produtor, é muito melhor”.

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Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

Evoluir safra após safra

Mesmo com índices que já colocam a propriedade entre as mais produtivas da região, a meta continua sendo avançar.

Para Fernando, o caminho passa por aperfeiçoamentos constantes e atenção aos detalhes. “Às vezes eu não almejo 10 sacas a mais. Mas duas, três sacas a mais ano que vem. Daqui dois anos seis sacas. E daqui cinco anos a gente está colhendo 200 sacas de milho”.

Segundo ele, resultados elevados exigem precisão em todas as etapas do manejo. “A partir das 160 sacas de milho você já está no detalhe. Tudo tem que ser detalhado. Um errinho, você perde cinco sacas”, salienta ao Canal Rural Mato Grosso.

Além da genética e das ferramentas digitais, o supervisor da Fazenda Dois Irmãos destaca a importância da construção gradual da fertilidade do solo e do equilíbrio do sistema produtivo. “A gente vem criando um ambiente ao longo do tempo favorecendo a soja e o milho. A gente tenta melhorar aos poucos”.

É essa busca contínua por evolução que ajuda a explicar a trajetória da Fazenda Dois Irmãos. Uma história iniciada quando a BR ainda era de chão, construída com trabalho familiar, investimentos em tecnologia e uma convicção que acompanha Sérgio Fava desde a juventude: o futuro estava em Mato Grosso.

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