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4 de agosto de 2026

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Nosso agro tem força e avança na direção certa em SP

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Foto: Gilberto Marques/SAA-SP

O agro paulista cresce, gera empregos, movimenta a economia e passa por uma transformação histórica nos últimos três anos. Desde 2023, o governo de São Paulo colocou o campo no centro das prioridades e estruturou uma política consistente para garantir segurança jurídica, ampliar crédito, aumentar a produtividade e abrir novas oportunidades para quem produz. São resultados concretos que mostram que São Paulo está avançando na direção certa.

Um dos avanços mais simbólicos e aguardados há décadas é a regularização fundiária rural, realizada pela primeira vez na história do estado de São Paulo. A iniciativa enfrenta e soluciona um problema antigo, que se arrastava por gerações e mantinha milhares de famílias submetidas à insegurança jurídica.

No Pontal do Paranapanema, região historicamente marcada por conflitos, invasões de terra, disputas judiciais e paralisação de investimentos, produtores rurais viviam sem previsibilidade, sem acesso a crédito e sem condições de planejar o futuro. Esse cenário travava o desenvolvimento local e penalizava justamente quem queria trabalhar e produzir. Ao transformar a posse da terra em título definitivo, o governo do estado resolveu um passivo histórico, pacificou a região e devolveu estabilidade ao campo.

O avanço inclui ainda a titulação de comunidades quilombolas em áreas estaduais, garantindo reconhecimento, segurança jurídica e inclusão produtiva a populações que aguardavam essa medida há muitos anos.

Sob a liderança do governador Tarcísio de Freitas, a política agrária paulista já beneficiou cerca de 5 mil famílias assentadas, em uma área total de 200 mil hectares, com 90% dos títulos concedidos a pequenos e médios produtores. Também foram entregues títulos fundiários a três importantes comunidades quilombolas estabelecidas em terras estaduais.

A regularização abre caminho para o Cadastro Ambiental Rural (CAR), para o acesso ao crédito rural — incluindo uma linha específica de até R$ 40 mil para produtores quilombolas — e para programas de apoio do Fundo de Expansão do Agronegócio Paulista (Feap), permitindo que o produtor invista, amplie a produção e gere renda de forma sustentável.

É nesse cenário que, em janeiro de 2026, assumo a Secretaria de Agricultura e Abastecimento do estado. Para dar continuidade à trajetória robusta construída desde 2023, sabemos que resultados não se mantêm por inércia. O agro opera em alto grau de competitividade. Os desafios mudam rapidamente, e o estado precisa acompanhar quem está no campo, ouvindo mais, reagindo com agilidade e oferecendo soluções duradouras.

Em 2025, o agro paulista fechou o ano com superávit superior a US$ 23 bilhões e respondeu por mais de 40% de tudo o que São Paulo exporta para o mundo. A potência produtiva também é sustentável: ultrapassamos a marca de 200 mil CARs validados, colocando metade das propriedades agrícolas em conformidade e posicionando São Paulo como referência nacional na implementação do Código Florestal.

Em três anos, a gestão estadual viabilizou mais de R$ 830 milhões em crédito e subvenções que beneficiaram diretamente cerca de 42 mil produtores rurais. Avançamos na habitação rural, com 630 moradias autorizadas em assentamentos, ampliamos a mecanização agrícola para pequenos municípios e estruturamos o Projeto Agro Paulista Mais Verde – Microbacias III, um financiamento histórico de R$ 1,2 bilhão, com horizonte de dez anos, voltado ao desenvolvimento rural sustentável em todo o estado.

Nada disso acontece por acaso. O estado conta com uma rede robusta, formada por cerca de 3 mil profissionais que atuam em assistência técnica, extensão rural, pesquisa, sanidade animal e vegetal, organização setorial e regularização ambiental e fundiária. Esse trabalho ganha escala com as parcerias com o setor produtivo, levando inovação, tecnologia e eficiência para dentro da porteira.

Ainda assim, não ignoramos os desafios. A burocracia ainda dificulta o acesso ao crédito e atrasa processos essenciais. Isso custa tempo, dinheiro e previsibilidade. Modernizar a máquina pública, integrar cadastros, simplificar procedimentos e reduzir entraves é condição básica para que o agro continue crescendo.

Essa lógica exige trabalho conjunto e integração. As áreas ligadas a crédito, infraestrutura, logística, meio ambiente, inovação e desenvolvimento regional avançam com integração e alinhamento. É assim que São Paulo está fortalecendo áreas essenciais como sanidade e defesa agropecuária, extensão rural, pesquisa, inovação e organização setorial.

Mais do que executar políticas públicas, nosso compromisso é construir soluções permanentes e deixar legado. Diálogo, dignidade e desenvolvimento são os pilares do governo de São Paulo e orientam cada decisão na agricultura. Com base técnica, responsabilidade fiscal e foco em resultados, seguimos ao lado de quem faz a diferença no campo, fortalecendo um agro cada vez mais competitivo, sustentável e capaz de gerar oportunidades para toda a população.

*Geraldo Melo Filho é secretário de Agricultura e Abastecimento do estado de São Paulo


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.

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Tecnologia da Embrapa conquista certificação e impulsiona agricultura familiar

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Ivone Santana da Silva e Silval Martins dos Santos. Foto: Evellyn Santana dos Santos

O Sistema Agroecossistema de Produção Policultural Integrado de Alimentos (Appia), desenvolvido pela Embrapa Agropecuária Oeste, em Mato Grosso do Sul, recebeu em 2026 a certificação de Tecnologia Social da Fundação Banco do Brasil (FBB). O reconhecimento amplia o potencial de expansão da metodologia para comunidades quilombolas, assentamentos rurais, povos indígenas e outros territórios da agricultura familiar em todo o país.

Segundo a Embrapa, o Sistema Appia integra horticultura diversificada, manejo sustentável do solo, irrigação e piscicultura em um modelo que busca gerar renda contínua, fortalecer a segurança alimentar e tornar as pequenas propriedades mais resilientes e economicamente viáveis. Além das tecnologias de produção, o sistema reúne planejamento da propriedade, assistência técnica, gestão e apoio à comercialização.

Tecnologia começa antes do plantio

Um dos diferenciais do Appia é a metodologia participativa. Antes da implantação das tecnologias, pesquisadores e instituições parceiras realizam um diagnóstico da comunidade para identificar potencialidades, limitações e necessidades locais.

Com base nesse levantamento, são implantadas Unidades de Referência Tecnológica (URTs), que funcionam como espaços de demonstração e capacitação. Nelas, agricultores acompanham o desenvolvimento das práticas, participam de cursos, dias de campo, oficinas e intercâmbios, facilitando a adoção gradual das tecnologias.

O sistema é implantado inicialmente em módulos de cerca de 2.500 metros quadrados, estratégia que reduz custos e facilita a adoção pelas famílias agricultoras. A proposta reúne soluções em horticultura, fruticultura, irrigação, piscicultura, consórcios de culturas, manejo agroecológico do solo e gestão da produção.

Área de cultivo de mandioca no Sistema Appia. Foto: Orismar Espíndola/Embrapa

Pesquisa, assistência técnica e organização

Idealizador do Sistema Appia, o pesquisador da Embrapa Agropecuária Oeste Ivo de Sá Motta afirma que a proposta vai além da transferência de tecnologia.

Segundo ele, o modelo busca fortalecer toda a cadeia produtiva, desde o planejamento da propriedade até a organização dos produtores, agregação de valor e acesso aos mercados, considerando que produzir mais não é suficiente sem estratégias de comercialização e organização coletiva.

A iniciativa também integra diferentes instituições para oferecer assistência técnica, capacitação, acesso a crédito, infraestrutura e apoio à comercialização, além de incentivar o associativismo e o cooperativismo como ferramentas para ampliar a competitividade da agricultura familiar.

Comunidade quilombola já colhe resultados

Um dos exemplos da aplicação do Sistema Appia está na Comunidade Quilombola Furnas do Dionísio, em Jaraguari (MS), onde a propriedade do agricultor Sinval Martins dos Santos tornou-se uma Unidade de Referência Tecnológica.

Com a implantação das tecnologias, a família diversificou a produção e passou a integrar diferentes atividades agropecuárias, melhorando o planejamento da propriedade e ampliando a oferta de alimentos.

“Nós precisamos de apoio em todas as etapas, desde a assistência técnica até à venda da
produção”, conta o agricultor.

“Quando a comunidade unida se organiza e as instituições trabalham em sintonia, tudo fica
mais fácil. O Sistema Appia mostrou que o serviço não termina na lavoura. Tem que
pensar desde o manejo dos solos, passando pela produção até a hora de colocar o alimento
na mesa do consumidor”.

Além dos ganhos produtivos, a experiência influenciou a trajetória da filha do agricultor, Evellyn, que ingressou no curso de Engenharia Agronômica da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (Uems) com o objetivo de futuramente atuar na assistência técnica da própria comunidade.

Modelo integra sustentabilidade e geração de renda

Entre as estruturas implantadas na comunidade estão um tanque de piscicultura com capacidade para 10 mil litros de água, sistema de irrigação por gotejamento, barracão multifuncional, compostagem, consórcios de culturas e práticas de conservação do solo e da água.

Também foram introduzidas culturas como mandioca, maracujá, mamão, pimenta, alface, berinjela, jiló e abacate, voltadas tanto ao consumo das famílias quanto à comercialização nos mercados locais.

Segundo a Embrapa, o Sistema Appia promove ainda o reaproveitamento de resíduos orgânicos, reduz a dependência de insumos externos, melhora a fertilidade do solo e fortalece a organização comunitária, consolidando-se como uma estratégia de desenvolvimento rural sustentável.

Certificação amplia potencial de expansão

Para a Embrapa, a certificação da Fundação Banco do Brasil reconhece o potencial da tecnologia social de transformar conhecimento científico em soluções práticas para a agricultura familiar.

A expectativa é que o reconhecimento facilite a replicação do Sistema Appia em novas comunidades, ampliando o acesso a tecnologias sustentáveis, assistência técnica e oportunidades de geração de renda para milhares de famílias agricultoras em diferentes regiões do país.

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Europa pode fechar uma porta, a Ásia pode abrir várias

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Foto: Porto de Paranaguá

A decisão da União Europeia de manter suspensas as compras de carne bovina brasileira por, no mínimo, dois anos representa um desafio para o setor. O motivo está ligado às exigências europeias sobre o controle de antimicrobianos na produção animal, um tema que ganhou importância crescente no comércio internacional.

É um revés para um mercado tradicional e de elevado valor agregado. Mas seria um erro analisar essa notícia apenas pelo lado negativo.

Ela também reforça uma necessidade que o Brasil já deveria ter transformado em estratégia: ampliar o número de destinos para a carne bovina nacional.

O centro do mercado mundial mudou

Durante muitos anos, a Europa ocupou posição de destaque entre os compradores da carne brasileira. Hoje, porém, o eixo do consumo mundial está cada vez mais concentrado na Ásia.

A China tornou-se, com ampla vantagem, o maior destino das exportações brasileiras. Ao lado dela estão mercados importantes como Hong Kong, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Israel, Filipinas, Singapura, Malásia, Vietnã, Jordânia, Kuwait, Catar, Omã e Líbano.

Essa mudança não é circunstancial. Ela acompanha o crescimento populacional, o aumento da renda e a expansão do consumo de proteínas em boa parte do continente asiático.

As próximas fronteiras

Dois mercados permanecem como prioridades para a pecuária brasileira: Japão e Coreia do Sul.

São países com elevado poder de compra, consumidores tradicionais de carne bovina e que ainda mantêm restrições sanitárias à carne in natura produzida no Brasil.

A abertura desses mercados reduziria a concentração das exportações na China e ampliaria significativamente as oportunidades para toda a cadeia pecuária.

Outro fator que merece atenção é a situação dos Estados Unidos. O país atravessa um dos menores ciclos de oferta bovina de sua história recente, resultado da redução do rebanho e dos efeitos prolongados da seca. Dependendo da evolução desse cenário e das condições comerciais, os americanos poderão ampliar suas importações de carne, abrindo mais uma oportunidade para o Brasil.

O desafio agora é adaptar-se

O mercado internacional tornou-se cada vez mais exigente.

Questões sanitárias, ambientais e de rastreabilidade deixaram de ser diferenciais para se transformar em requisitos básicos para acessar os principais compradores do mundo.

Nesse aspecto, a pecuária brasileira possui uma vantagem importante. O setor alcançou elevado grau de profissionalização, incorporou tecnologia, aumentou a produtividade e demonstrou capacidade de responder rapidamente às exigências dos mercados internacionais.

Na questão dos antimicrobianos, por exemplo, o Brasil já está reforçando seus controles e adequando seus protocolos para atender às exigências dos países importadores.

Competitividade também se constrói

A discussão não deve ser apenas sobre recuperar o mercado europeu.

Ela deve servir para acelerar a abertura de novos mercados e consolidar a imagem da carne brasileira como uma das mais competitivas, seguras e eficientes do mundo.

Quem depende de poucos compradores fica mais vulnerável às mudanças de regras. Quem amplia mercados ganha estabilidade, reduz riscos e fortalece toda a cadeia produtiva.

A Europa continua sendo importante. Mas o futuro da pecuária brasileira dependerá cada vez mais da capacidade de conquistar novos clientes, atender padrões sanitários cada vez mais rigorosos e transformar qualidade em vantagem competitiva. Esse é o caminho para que o Brasil continue sendo uma potência mundial da carne, independentemente das portas que eventualmente se fechem.

Miguel Daoud

*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural


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Colheita do milho deve ser encerrada nos próximos 15 dias, estima Imea

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

A colheita do milho segunda safra 2025/26 em Mato Grosso deve encerrar nos próximos 15 dias. A estimativa é do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) diante dos trabalhos observados na região Sudeste que se encontram em 85,61%. Até o dia 31 de julho as máquinas haviam passado por 96,77% da área semeada no estado.

Na semana o avanço da média estadual foi de 6,11 pontos percentuais, sendo a região Sudeste com o maior dentre as que cultivam o cereal. Por lá, o progresso semanal foi de 18,02 pontos percentuais.

A analista do Imea, Milena Bezerra, explica que o desempenho observado na variação semanal no Sudeste do estado foi impulsionado pela intensificação das operações em áreas que atingiram o ponto ideal para a retirada dos grãos.

“Nessas áreas remanescentes, muitos produtores aguardam a redução da umidade dos grãos para facilitar a armazenagem. Nas próximas semanas, a expectativa é de encerramento da colheita na maior parte do estado, com exceção da região Sudeste, que deve demandar um pouco mais de tempo”, pontua a analista.

As regiões mais próximas da conclusão são a Médio-Norte com 99,67%, Norte com 99,47%, Nordeste 98,75% e Noroeste 98,01%. Caso as condições climáticas não atrapalhem, também devem encerrar os trabalhos nos próximos dias o Oeste (96,32%) e Centro-Sul (96,27%).

Em comparação a colheita da temporada 2024/25, os trabalhos da atual estão 0,39 ponto percentual à frente, contudo atrás da média das últimas cinco safras de 97,11%.


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