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5 de maio de 2026

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Quais os desafios e as oportunidades para o agro em 2026?

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Foto: Seagro/Governo Tocantins

O ano de 2026 traz importantes perspectivas para o agronegócio brasileiro. A combinação entre eleições federais e estaduais, um cenário geopolítico instável, pressões econômicas globais e eventos climáticos cada vez mais severos cria um ambiente de incerteza que exige atenção redobrada do setor.

Mais do que prever rupturas, o desafio está em compreender como essas variáveis se conectam e moldam o ambiente de decisões que impacta o agro, não apenas “da porteira para dentro”, mas ao longo de toda a cadeia, até os mercados internacionais.

Como principal destaque, as eleições de 2026 colocam, novamente, no centro do debate a tradicional disputa entre projetos políticos de esquerda e direita. Em anos eleitorais, é comum que o ritmo das decisões no Congresso Nacional e nos governos estaduais seja influenciado por agendas de curto prazo e pelo cálculo político.

É provável que haja um deslocamento de prioridades: agendas estruturantes perdem velocidade, enquanto temas de maior apelo político ganham protagonismo. O cenário não é necessariamente de paralisia, mas de maior seletividade política, em que consensos serão mais difíceis e o diálogo técnico se torna cada vez mais necessário. Nesse contexto, o agronegócio parte de uma posição diferenciada em relação a outros setores.

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Independentemente do resultado eleitoral, o setor mantém uma presença consistente no Legislativo federal ao longo das décadas, com uma bancada numerosa e articulada, eleita justamente a partir da relevância econômica e social do agro em diferentes regiões do país. Essa representação tem sido fundamental para garantir que temas estratégicos não sejam tratados apenas sob um viés ideológico, mas também sob a ótica da produção, da segurança alimentar e da competitividade.

Isso foi demonstrado em votações relevantes ao longo dos anos, como a aprovação da Lei do Autocontrole no governo Bolsonaro e os avanços nos debates sobre o Licenciamento Ambiental e o Marco Legal dos Defensivos Agrícolas no governo Lula.

Do ponto de vista econômico, 2026 deve seguir marcado por cautela. Juros globais ainda elevados, volatilidade cambial, custos de insumos e ajustes fiscais em diferentes países continuam pressionando os custos de produção e as decisões de investimento. Ao mesmo tempo, o agronegócio segue como um dos principais pilares da economia brasileira. Responsável por parcela significativa do PIB, das exportações e da geração de empregos, o setor funciona como um amortecedor em momentos de desaceleração econômica.

A demanda global por alimentos permanece como um fator estrutural de sustentação, mesmo diante das oscilações de mercado. O desafio estará em manter competitividade e previsibilidade regulatória em um cenário financeiro mais restritivo. No plano internacional, a geopolítica seguirá influenciando diretamente o agro brasileiro, especialmente por meio dos acordos comerciais e da busca por acesso a novos mercados para os produtos brasileiros, especialmente após os desdobramentos do tarifaço em 2025.

O Ministério da Agricultura tem papel importante nesse processo, com o trabalho dos adidos agrícolas, que têm auxiliado de forma substancial essa agenda. O acordo entre o Mercosul e a União Europeia continua sendo uma das principais apostas estratégicas. Embora ainda enfrente resistências políticas e ambientais dentro da Europa, um avanço, ainda que tímido, representaria uma oportunidade relevante de diversificação de mercados, aumento de valor agregado e maior previsibilidade nas relações comerciais.

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A China segue como parceiro central do agro brasileiro, tanto pela demanda consistente por commodities quanto pelo papel estratégico que desempenha na segurança alimentar global. A relação tende a permanecer pragmática, baseada em volume, regularidade e competitividade, ainda que sujeita a ajustes conforme o cenário geopolítico internacional. Já os Estados Unidos continuam exercendo influência decisiva, seja como concorrente direto em diversos mercados, seja como formulador de padrões tarifários e comerciais que impactam terceiros países.

A relação com o Brasil apresentou melhorias desde o início de 2025, mas deve seguir marcada, em 2026, pelo pragmatismo do presidente Donald Trump. Os impactos climáticos, cada vez mais frequentes e intensos, deixam de ser uma variável excepcional para se tornarem parte do planejamento permanente do setor.

Eventos extremos, alterações nos regimes de chuva e perdas produtivas exigem políticas públicas mais coordenadas, instrumentos de seguro mais robustos e maior integração entre as agendas ambiental, agrícola e econômica. Nesse contexto, o papel do Estado e da articulação entre governo e setor produtivo será decisivo para transformar risco em resiliência.

O cenário de 2026 aponta para um período de ajustes e para a necessidade de diálogo qualificado. Assim, o agronegócio brasileiro entra nesse ciclo com ativos importantes: capacidade produtiva, tecnologia, protagonismo internacional e uma base política que reconhece sua relevância estratégica.

Mais do que esperar respostas prontas, o setor será chamado a participar ativamente da construção das soluções. Em um mundo mais fragmentado e imprevisível, a previsibilidade virá menos de discursos e mais da capacidade de articulação, planejamento e leitura estratégica do ambiente político e econômico.

*Rebecca Lucena é diretora de Relações Governamentais da BMJ Consultores Associados e cofundadora da rede Women Inside Trade (WIT)


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.

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Novo método com uso de luz promete revolucionar análise de solos e reduzir custos no agro

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Foto: Ana Maria Vieira da Silva / Embrapa

Um novo método para análise de solos coesos, desenvolvido pela Universidade Federal do Ceará em parceria com a Embrapa Meio Ambiente, resultou em patente concedida pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial. A tecnologia utiliza espectroscopia de reflectância, técnica baseada na interação da luz com o solo, combinada a ciclos de umedecimento e secagem, permitindo diagnósticos mais rápidos e com menor custo.

O método foi desenvolvido no âmbito de pesquisa liderada pela doutoranda Ana Maria Vieira da Silva, com orientação do professor Raul Shiso Toma e participação do pesquisador Luiz Eduardo Vicente.

A inovação está na forma de preparação das amostras. Diferentemente dos métodos tradicionais, que utilizam solo seco e peneirado, a nova abordagem simula condições naturais ao submeter o material a ciclos de umedecimento e secagem antes da análise espectral.

Esse procedimento permite gerar dados mais representativos sobre a composição físico-química do solo, especialmente em relação a componentes como argilas e substâncias amorfas, associados ao caráter coeso.

Além disso, o uso da luz como principal insumo dispensa parte das análises químicas convencionais, que costumam ser mais lentas, caras e geradoras de resíduos laboratoriais.

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Aplicação pode avançar do laboratório para o campo

Inicialmente voltado à pesquisa científica, o método tem potencial para ser aplicado em condições de campo e em estufas, permitindo análises mais rápidas e acessíveis para experimentos agrícolas.

A tecnologia também pode contribuir para o desenvolvimento de soluções voltadas ao manejo de solos, como condicionadores, biochars e hidrogéis, que ajudam a reduzir a resistência do solo e melhorar seu desempenho produtivo.

Solos coesos limitam produtividade agrícola

O caráter coeso do solo é definido pelo Sistema Brasileiro de Classificação de Solos e está associado a camadas endurecidas abaixo da superfície. Essas condições dificultam o crescimento das raízes, reduzem a infiltração de água e limitam a circulação de oxigênio.

Esse tipo de solo é comum em diversas regiões do país, com maior concentração nos Tabuleiros Costeiros, faixa que vai do Amapá ao Rio de Janeiro e que possui relevância para a produção agrícola e logística.

Segundo pesquisadores envolvidos no estudo, a análise e o manejo adequado desses solos são fundamentais para melhorar a produtividade e garantir sistemas agrícolas mais sustentáveis.

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Após forte alta, preço da ureia começa a cair, mostra levantamento

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Imagem gerada por IA para o Canal Rural

Após dois meses de forte valorização, os preços da ureia começaram a recuar no mercado internacional, movimento que já se reflete no Brasil. Segundo relatório da StoneX, as cotações acumulam a segunda semana consecutiva de queda, com negócios fechados ligeiramente abaixo de US$ 770 por tonelada.

A retração ocorre após os preços atingirem patamares considerados elevados para a demanda, que passou a exercer maior influência na formação das cotações.

Demanda mais fraca muda dinâmica do mercado

De acordo com a StoneX, o mercado global entra em uma fase de ajuste, com o enfraquecimento do consumo ganhando protagonismo, mesmo diante de limitações na oferta.

O movimento de queda não é isolado. Recuos também foram registrados em mercados relevantes como Estados Unidos, China, Oriente Médio e Egito, indicando uma tendência mais ampla de perda de força nos preços.

Segundo o analista de Inteligência de Mercado da StoneX, Tomás Pernías, o cenário atual marca uma mudança no vetor de formação das cotações.

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“Mesmo com um ambiente ainda tensionado do lado da oferta, a demanda mais fraca passou a ter um peso maior, pressionando os preços após um período de alta intensa”, afirma.

Apesar do recuo recente, a expectativa é de que novas quedas ocorram de forma limitada no curto prazo.

Isso porque persistem gargalos logísticos no Oriente Médio, região responsável por parcela significativa das exportações globais de ureia e amônia, o que restringe a oferta internacional.

Mercado mais cauteloso

Nesse ambiente, os preços tendem a se manter relativamente sustentados, mesmo com a demanda enfraquecida.

A avaliação da StoneX aponta que fatores como o período de menor consumo em países-chave, relações de troca menos atrativas ao produtor e a postura mais cautelosa dos compradores têm reduzido o ritmo de novas negociações.

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Com isso, o mercado entra em uma fase de ajuste, com menor liquidez e maior seletividade nas compras.

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Pulgão-da-raiz deixa produtores de morango em alerta; saiba mais sobre a praga

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Foto: Divulgação.

O pulgão-da-raiz (Rhopalosiphum rufiabdominale) tem deixado os produtores de morango no Brasil em alerta. A praga atua no solo, o que dificulta a identificação nas lavouras, aponta o Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal (Sindiveg).

O inseto suga a seiva das raízes, comprometendo o desenvolvimento das plantas. Entre os efeitos estão amarelamento, redução do crescimento e perda de plantas.

A infestação tende a aumentar em períodos de seca, quando o campo já se encontra sob estresse hídrico. A população é formada, em sua maioria, por fêmeas, e tanto as formas jovens quanto adultas se alimentam de forma contínua, liberando toxinas que afetam o sistema radicular.

O pulgão-da-raiz também pode atuar como vetor do vírus mosqueado-do-morangueiro, o que amplia os impactos na produção.

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“O enfrentamento da praga exige uma estratégia integrada, que combine o uso de inimigos naturais com a nutrição equilibrada do solo, evitando o excesso de nitrogênio, que favorece a infestação”, diz Fábio Kagi, gerente de Assuntos Regulatórios do Sindicato Nacional da Sindiveg.

“O controle químico deve ser criterioso e baseado no monitoramento, com uso de inseticidas durante a frutificação e a colheita, enquanto outros defensivos podem ser aplicados em diferentes momentos do ciclo, desde que respeitadas as recomendações técnicas e o período adequado”, acrescenta.

Ainda de acordo com Kagi, o crescimento da produtividade precisa vir acompanhado de um controle fitossanitário eficiente. “O monitoramento constante e o uso integrado de ferramentas de defesa vegetal são fundamentais para evitar perdas e garantir a qualidade da produção”.

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