Connect with us
20 de setembro de 2026

Business

Quais os desafios e as oportunidades para o agro em 2026?

Published

on


Foto: Seagro/Governo Tocantins

O ano de 2026 traz importantes perspectivas para o agronegócio brasileiro. A combinação entre eleições federais e estaduais, um cenário geopolítico instável, pressões econômicas globais e eventos climáticos cada vez mais severos cria um ambiente de incerteza que exige atenção redobrada do setor.

Mais do que prever rupturas, o desafio está em compreender como essas variáveis se conectam e moldam o ambiente de decisões que impacta o agro, não apenas “da porteira para dentro”, mas ao longo de toda a cadeia, até os mercados internacionais.

Como principal destaque, as eleições de 2026 colocam, novamente, no centro do debate a tradicional disputa entre projetos políticos de esquerda e direita. Em anos eleitorais, é comum que o ritmo das decisões no Congresso Nacional e nos governos estaduais seja influenciado por agendas de curto prazo e pelo cálculo político.

É provável que haja um deslocamento de prioridades: agendas estruturantes perdem velocidade, enquanto temas de maior apelo político ganham protagonismo. O cenário não é necessariamente de paralisia, mas de maior seletividade política, em que consensos serão mais difíceis e o diálogo técnico se torna cada vez mais necessário. Nesse contexto, o agronegócio parte de uma posição diferenciada em relação a outros setores.

Advertisement

Independentemente do resultado eleitoral, o setor mantém uma presença consistente no Legislativo federal ao longo das décadas, com uma bancada numerosa e articulada, eleita justamente a partir da relevância econômica e social do agro em diferentes regiões do país. Essa representação tem sido fundamental para garantir que temas estratégicos não sejam tratados apenas sob um viés ideológico, mas também sob a ótica da produção, da segurança alimentar e da competitividade.

Isso foi demonstrado em votações relevantes ao longo dos anos, como a aprovação da Lei do Autocontrole no governo Bolsonaro e os avanços nos debates sobre o Licenciamento Ambiental e o Marco Legal dos Defensivos Agrícolas no governo Lula.

Do ponto de vista econômico, 2026 deve seguir marcado por cautela. Juros globais ainda elevados, volatilidade cambial, custos de insumos e ajustes fiscais em diferentes países continuam pressionando os custos de produção e as decisões de investimento. Ao mesmo tempo, o agronegócio segue como um dos principais pilares da economia brasileira. Responsável por parcela significativa do PIB, das exportações e da geração de empregos, o setor funciona como um amortecedor em momentos de desaceleração econômica.

A demanda global por alimentos permanece como um fator estrutural de sustentação, mesmo diante das oscilações de mercado. O desafio estará em manter competitividade e previsibilidade regulatória em um cenário financeiro mais restritivo. No plano internacional, a geopolítica seguirá influenciando diretamente o agro brasileiro, especialmente por meio dos acordos comerciais e da busca por acesso a novos mercados para os produtos brasileiros, especialmente após os desdobramentos do tarifaço em 2025.

O Ministério da Agricultura tem papel importante nesse processo, com o trabalho dos adidos agrícolas, que têm auxiliado de forma substancial essa agenda. O acordo entre o Mercosul e a União Europeia continua sendo uma das principais apostas estratégicas. Embora ainda enfrente resistências políticas e ambientais dentro da Europa, um avanço, ainda que tímido, representaria uma oportunidade relevante de diversificação de mercados, aumento de valor agregado e maior previsibilidade nas relações comerciais.

Advertisement

A China segue como parceiro central do agro brasileiro, tanto pela demanda consistente por commodities quanto pelo papel estratégico que desempenha na segurança alimentar global. A relação tende a permanecer pragmática, baseada em volume, regularidade e competitividade, ainda que sujeita a ajustes conforme o cenário geopolítico internacional. Já os Estados Unidos continuam exercendo influência decisiva, seja como concorrente direto em diversos mercados, seja como formulador de padrões tarifários e comerciais que impactam terceiros países.

A relação com o Brasil apresentou melhorias desde o início de 2025, mas deve seguir marcada, em 2026, pelo pragmatismo do presidente Donald Trump. Os impactos climáticos, cada vez mais frequentes e intensos, deixam de ser uma variável excepcional para se tornarem parte do planejamento permanente do setor.

Eventos extremos, alterações nos regimes de chuva e perdas produtivas exigem políticas públicas mais coordenadas, instrumentos de seguro mais robustos e maior integração entre as agendas ambiental, agrícola e econômica. Nesse contexto, o papel do Estado e da articulação entre governo e setor produtivo será decisivo para transformar risco em resiliência.

O cenário de 2026 aponta para um período de ajustes e para a necessidade de diálogo qualificado. Assim, o agronegócio brasileiro entra nesse ciclo com ativos importantes: capacidade produtiva, tecnologia, protagonismo internacional e uma base política que reconhece sua relevância estratégica.

Mais do que esperar respostas prontas, o setor será chamado a participar ativamente da construção das soluções. Em um mundo mais fragmentado e imprevisível, a previsibilidade virá menos de discursos e mais da capacidade de articulação, planejamento e leitura estratégica do ambiente político e econômico.

*Rebecca Lucena é diretora de Relações Governamentais da BMJ Consultores Associados e cofundadora da rede Women Inside Trade (WIT)


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.

Advertisement

O post Quais os desafios e as oportunidades para o agro em 2026? apareceu primeiro em Canal Rural.

Continue Reading
Advertisement

Business

Conab diz que Brasil será, mais uma vez, o maior provedor de soja do mundo; quanto a produção deve crescer em 26/27?

Published

on


Divulgação Embrapa Soja

O mercado da soja teve uma semana marcada por projeções importantes para a safra 2026/27. No Brasil, a primeira estimativa oficial da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) aponta para um crescimento mais moderado da produção da oleaginosa. No cenário internacional, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) surpreendeu o mercado ao elevar a previsão para a safra norte-americana.

A Conab projeta produção de 181,64 milhões de toneladas de soja para a safra 2026/27, avanço de 0,7% em relação ao ciclo anterior. A área plantada deve crescer 1,4%, para 49,31 milhões de hectares, enquanto a produtividade média está calculada em 3.683 quilos por hectare, recuo de 0,8%.

Apesar do crescimento mais moderado, a soja continua entre as principais responsáveis pelo avanço da produção brasileira de grãos. Para a Conab, o país deve manter a trajetória de expansão da oleaginosa e novamente superar a marca de 181 milhões de toneladas.

“ A soja vem mantendo uma trajetória constante de crescimento e é o produto que mais avança. Vamos ultrapassar novamente as 181 milhões de toneladas, garantindo outra grande safra. Seremos, mais uma vez, os maiores provedores do mundo, diante das quebras em outros países e do cenário de desabastecimento internacional”, afirmou o presidente da Conab, Silvio Porto.

Advertisement

Na temporada 2025/26, a produção brasileira chegou a 180,406 milhões de toneladas, alta de 5,2% em relação ao ciclo anterior, quando foram colhidas 171,48 milhões de toneladas.

A área cultivada também avançou, passando de 47,346 milhões de hectares em 2024/25 para 48,608 milhões de hectares em 2025/26, crescimento de 2,7%. Já a produtividade subiu de 3.622 para 3.711 quilos por hectare no período.

USDA surpreende com safra maior nos EUA

Enquanto o Brasil deve apresentar um avanço mais contido, o USDA trouxe uma surpresa para o mercado internacional ao elevar a estimativa para a produção de soja dos Estados Unidos em 2026/27.

A safra norte-americana foi projetada em 4,535 bilhões de bushels, equivalentes a 123,4 milhões de toneladas. No relatório anterior, de agosto, a previsão era de 4,519 bilhões de bushels, ou cerca de 123 milhões de toneladas.

A revisão ocorreu mesmo com a produtividade sendo reduzida de 53 para 52,7 bushels por acre.

Advertisement

O número também ficou acima da expectativa do mercado, que trabalhava com produção de 4,492 bilhões de bushels, equivalentes a aproximadamente 122,3 milhões de toneladas.

Os estoques finais norte-americanos para 2026/27 foram estimados em 310 milhões de bushels, ou 8,44 milhões de toneladas. Em agosto, a projeção era de 320 milhões de bushels, equivalentes a 8,71 milhões de toneladas.

O mercado esperava estoques finais de 289 milhões de bushels, ou 7,86 milhões de toneladas.

Para o esmagamento nos Estados Unidos, o USDA manteve a previsão em 2,78 bilhões de bushels. Já as exportações foram projetadas em 1,685 bilhão de bushels, acima dos 1,66 bilhão de bushels estimados anteriormente.

Produção mundial de soja

No cenário global, o USDA estima uma produção de 442,35 milhões de toneladas de soja em 2026/27, praticamente estável em relação à previsão de agosto, de 442,25 milhões de toneladas.

Advertisement

Os estoques finais mundiais estão projetados em 124,02 milhões de toneladas, acima da expectativa do mercado, de 123,1 milhões de toneladas.

Para a temporada 2025/26, os estoques finais foram estimados em 125,27 milhões de toneladas.

O USDA também manteve a previsão para a produção brasileira em 2025/26, em 180,5 milhões de toneladas. Para 2026/27, a estimativa segue em 186 milhões de toneladas.

Na Argentina, a projeção permanece em 49,5 milhões de toneladas para 2025/26 e em 50 milhões de toneladas para 2026/27.

China mantém demanda

Do lado da demanda, o USDA manteve as projeções para as importações chinesas de soja.

Advertisement

Para 2026/27, a expectativa permanece em 115 milhões de toneladas. Para 2025/26, o departamento trabalha com importações de 113 milhões de toneladas, sem alteração em relação ao relatório anterior.

Com o Brasil projetando um crescimento mais moderado da produção e os Estados Unidos apresentando uma estimativa acima do esperado pelo mercado, o cenário para a soja passa a depender da evolução do clima, da produtividade e do comportamento da demanda dos grandes compradores globais ao longo da nova temporada.

O post Conab diz que Brasil será, mais uma vez, o maior provedor de soja do mundo; quanto a produção deve crescer em 26/27? apareceu primeiro em Canal Rural.

Continue Reading

Business

Número de vinícolas cresce quase 5 vezes acima da média nacional em Goiás

Published

on


Foto: Emater Goiás

O número de vinícolas aumentou 9,1% em Goiás ao longo de 2025, ritmo quase cinco vezes superior à média brasileira. O estado chegou a 12 estabelecimentos registrados no período, enquanto o país alcançou 965, com avanço de 1,9% em relação ao ano anterior.

Os dados fazem parte do Anuário do Vinho 2026, primeira publicação específica sobre essa cadeia produtiva lançada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).

O levantamento mostra que Goiás concentra 70,6% das vinícolas registradas no Centro-Oeste. Das 17 empresas contabilizadas na região, 12 estão no estado, enquanto Mato Grosso e o Distrito Federal têm dois estabelecimentos cada, e Mato Grosso do Sul, um.

Vinhos registrados

As vinícolas goianas somavam 161 vinhos registrados no Mapa em 2025, média de 13,4 por estabelecimento. O levantamento contabiliza produtos formalmente registrados no Sistema Integrado de Produtos e Estabelecimentos Agropecuários (Sipeagro), por isso o número não corresponde necessariamente à quantidade de rótulos disponíveis comercialmente.

Advertisement

A quantidade de produtos coloca Goiás na sétima posição nacional em número de vinhos registrados. A média brasileira é de 16,8 por estabelecimento.

Dados da Agência Goiana de Defesa Agropecuária (Agrodefesa) apontam cerca de 116 produtores de uva, 410 hectares cultivados e presença da cultura em 55 municípios de Goiás.

As principais áreas produtoras estão nas regiões Sul, Sudoeste, Centro e Noroeste, em municípios como Goiatuba, Santa Helena de Goiás, Anápolis, Aragoiânia, Bela Vista de Goiás, Hidrolândia e Itaberaí. A produção de uva de mesa ainda predomina, mas a Agência também aponta potencial para ampliação do cultivo destinado à fabricação de sucos e vinhos.

Vinhos de inverno

A presença de Goiás nessa nova geografia da produção brasileira está relacionada também ao desenvolvimento de técnicas que permitiram levar a vitivinicultura a regiões antes pouco associadas ao vinho.

Pesquisa da Embrapa Uva e Vinho identifica no país uma terceira macrorregião produtora, mais recente, baseada nos chamados vinhos de inverno. O modelo começou em Minas Gerais e chegou, entre outros estados, a Goiás.

Nesse sistema, a videira passa por duas podas ao ano, com a colheita deslocada para o inverno, entre junho e agosto. Segundo a Embrapa, essa nova fronteira está presente em áreas de clima subtropical e tropical de altitude, com vinhedos localizados entre 600 e 1.200 metros.

Advertisement

A técnica altera o calendário tradicional da cultura e permite que a maturação das uvas ocorra em condições diferentes das encontradas na colheita de verão.

O post Número de vinícolas cresce quase 5 vezes acima da média nacional em Goiás apareceu primeiro em Canal Rural.

Continue Reading

Business

Entenda o risco que o produtor leva para a lavoura ao comprar sementes piratas

Published

on


Foto: Divulgação – ABCSEM

Sementes produzidas e comercializadas fora do sistema oficial de produção, conhecidas como sementes “piratas ou tiradas (F2)”, podem ser importantes fontes de transmissão de patógenos de plantas e, por isso, representam um grande risco para as produções agrícolas.  

Um exemplo clássico é a dispersão de Acidovorax citrulli, agente causador da doença conhecida como mancha bacteriana do fruto, mancha aquosa do fruto ou BFB, sigla em inglês para bacterial fruit blotch.

Essa bactéria é transmitida por sementes e causa, sem dúvida, a mais devastadora doença das cucurbitáceas. Quando presente, pode levar a prejuízos gigantescos, além de inviabilizar a área para novos cultivos de cucurbitáceas.

Por este motivo, as empresas legalizadas investem em rigorosos processos de qualidade para garantir ao produtor que as sementes comercializadas por elas sejam livres da bactéria BFB.

De acordo com o diretor setorial de mudas da Associação Brasileira do Comércio de Sementes e Mudas (ABCSEM), Ayrton Tullio essa bactéria foi, em muitos casos, dispersa nas áreas de produção de melão, no Vale do São Francisco, e de melancia, na região Centro-Oeste brasileira, pelo uso sistemático de sementes piratas, vendidas em garrafas do tipo pet.

Advertisement
Melão
Fotos: divulgação/ABCSEM

“A BFB é extremamente agressiva e como ainda não há tratamento químico eficiente para o controle da doença, ela pode sobreviver, inclusive sem causar sintomas, em outras culturas hospedeiras, como milho, tomate, pimentão e também em pastagens. Por isso, uma vez introduzida, dificilmente ela será eliminada”, alerta o profissional.

Neste contexto, diante de perdas frequentes na produção, associadas à presença da doença e ao aumento de custo na tentativa ineficaz de controle, muitos produtores acabam abandonando o cultivo de cucurbitáceas.

Segundo o diretor, muitas vezes pensando em economizar ou sem se atentar no momento da compra, o produtor utiliza sementes sem garantia de origem e compradas de forma totalmente irregular, em embalagens falsificadas ou acondicionadas em recipientes inadequados, sem critério fitossanitário ou mesmo registro no Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).

“Isso traz inúmeras consequências, inclusive contrárias à ideia inicial de economia pelo uso de insumos mais baratos, uma vez que as sementes piratas acarretam em prejuízos financeiros para o negócio, devido à possibilidade de má-formação dos frutos e disseminação de doenças, como é o caso de BFB, com grandes perdas na lavoura”, elucida Tullio.

Campanha de conscientização

Diante deste preocupante cenário, a Associação Brasileira do Comércio de Sementes e Mudas (ABCSEM), enquanto representante do setor sementeiro de hortaliças, flores e plantas ornamentais brasileiro, lançou, em 2025, uma campanha de conscientização dos produtores quanto aos riscos e prejuízos do uso de sementes e mudas piratas.

Com o slogan “Sementes e mudas piratas, quem perde é o produtor”, a iniciativa também tem como objetivo validar as empresas e os produtores comprometidos com a comercialização legal e ética destes insumos agrícolas no país, marcando um novo capítulo na luta contra a pirataria. Neste sentido, lançou um selo oficial de combate à pirataria, buscando incentivar e promover a formalidade e o respeito às leis que regem o setor de sementes e mudas no país.

Advertisement

O post Entenda o risco que o produtor leva para a lavoura ao comprar sementes piratas apareceu primeiro em Canal Rural.

Continue Reading
Advertisement
Advertisement
Advertisement

Agro MT