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4 de agosto de 2026

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Quais os desafios e as oportunidades para o agro em 2026?

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Foto: Seagro/Governo Tocantins

O ano de 2026 traz importantes perspectivas para o agronegócio brasileiro. A combinação entre eleições federais e estaduais, um cenário geopolítico instável, pressões econômicas globais e eventos climáticos cada vez mais severos cria um ambiente de incerteza que exige atenção redobrada do setor.

Mais do que prever rupturas, o desafio está em compreender como essas variáveis se conectam e moldam o ambiente de decisões que impacta o agro, não apenas “da porteira para dentro”, mas ao longo de toda a cadeia, até os mercados internacionais.

Como principal destaque, as eleições de 2026 colocam, novamente, no centro do debate a tradicional disputa entre projetos políticos de esquerda e direita. Em anos eleitorais, é comum que o ritmo das decisões no Congresso Nacional e nos governos estaduais seja influenciado por agendas de curto prazo e pelo cálculo político.

É provável que haja um deslocamento de prioridades: agendas estruturantes perdem velocidade, enquanto temas de maior apelo político ganham protagonismo. O cenário não é necessariamente de paralisia, mas de maior seletividade política, em que consensos serão mais difíceis e o diálogo técnico se torna cada vez mais necessário. Nesse contexto, o agronegócio parte de uma posição diferenciada em relação a outros setores.

Independentemente do resultado eleitoral, o setor mantém uma presença consistente no Legislativo federal ao longo das décadas, com uma bancada numerosa e articulada, eleita justamente a partir da relevância econômica e social do agro em diferentes regiões do país. Essa representação tem sido fundamental para garantir que temas estratégicos não sejam tratados apenas sob um viés ideológico, mas também sob a ótica da produção, da segurança alimentar e da competitividade.

Isso foi demonstrado em votações relevantes ao longo dos anos, como a aprovação da Lei do Autocontrole no governo Bolsonaro e os avanços nos debates sobre o Licenciamento Ambiental e o Marco Legal dos Defensivos Agrícolas no governo Lula.

Do ponto de vista econômico, 2026 deve seguir marcado por cautela. Juros globais ainda elevados, volatilidade cambial, custos de insumos e ajustes fiscais em diferentes países continuam pressionando os custos de produção e as decisões de investimento. Ao mesmo tempo, o agronegócio segue como um dos principais pilares da economia brasileira. Responsável por parcela significativa do PIB, das exportações e da geração de empregos, o setor funciona como um amortecedor em momentos de desaceleração econômica.

A demanda global por alimentos permanece como um fator estrutural de sustentação, mesmo diante das oscilações de mercado. O desafio estará em manter competitividade e previsibilidade regulatória em um cenário financeiro mais restritivo. No plano internacional, a geopolítica seguirá influenciando diretamente o agro brasileiro, especialmente por meio dos acordos comerciais e da busca por acesso a novos mercados para os produtos brasileiros, especialmente após os desdobramentos do tarifaço em 2025.

O Ministério da Agricultura tem papel importante nesse processo, com o trabalho dos adidos agrícolas, que têm auxiliado de forma substancial essa agenda. O acordo entre o Mercosul e a União Europeia continua sendo uma das principais apostas estratégicas. Embora ainda enfrente resistências políticas e ambientais dentro da Europa, um avanço, ainda que tímido, representaria uma oportunidade relevante de diversificação de mercados, aumento de valor agregado e maior previsibilidade nas relações comerciais.

A China segue como parceiro central do agro brasileiro, tanto pela demanda consistente por commodities quanto pelo papel estratégico que desempenha na segurança alimentar global. A relação tende a permanecer pragmática, baseada em volume, regularidade e competitividade, ainda que sujeita a ajustes conforme o cenário geopolítico internacional. Já os Estados Unidos continuam exercendo influência decisiva, seja como concorrente direto em diversos mercados, seja como formulador de padrões tarifários e comerciais que impactam terceiros países.

A relação com o Brasil apresentou melhorias desde o início de 2025, mas deve seguir marcada, em 2026, pelo pragmatismo do presidente Donald Trump. Os impactos climáticos, cada vez mais frequentes e intensos, deixam de ser uma variável excepcional para se tornarem parte do planejamento permanente do setor.

Eventos extremos, alterações nos regimes de chuva e perdas produtivas exigem políticas públicas mais coordenadas, instrumentos de seguro mais robustos e maior integração entre as agendas ambiental, agrícola e econômica. Nesse contexto, o papel do Estado e da articulação entre governo e setor produtivo será decisivo para transformar risco em resiliência.

O cenário de 2026 aponta para um período de ajustes e para a necessidade de diálogo qualificado. Assim, o agronegócio brasileiro entra nesse ciclo com ativos importantes: capacidade produtiva, tecnologia, protagonismo internacional e uma base política que reconhece sua relevância estratégica.

Mais do que esperar respostas prontas, o setor será chamado a participar ativamente da construção das soluções. Em um mundo mais fragmentado e imprevisível, a previsibilidade virá menos de discursos e mais da capacidade de articulação, planejamento e leitura estratégica do ambiente político e econômico.

*Rebecca Lucena é diretora de Relações Governamentais da BMJ Consultores Associados e cofundadora da rede Women Inside Trade (WIT)


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.

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Tecnologia da Embrapa conquista certificação e impulsiona agricultura familiar

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Ivone Santana da Silva e Silval Martins dos Santos. Foto: Evellyn Santana dos Santos

O Sistema Agroecossistema de Produção Policultural Integrado de Alimentos (Appia), desenvolvido pela Embrapa Agropecuária Oeste, em Mato Grosso do Sul, recebeu em 2026 a certificação de Tecnologia Social da Fundação Banco do Brasil (FBB). O reconhecimento amplia o potencial de expansão da metodologia para comunidades quilombolas, assentamentos rurais, povos indígenas e outros territórios da agricultura familiar em todo o país.

Segundo a Embrapa, o Sistema Appia integra horticultura diversificada, manejo sustentável do solo, irrigação e piscicultura em um modelo que busca gerar renda contínua, fortalecer a segurança alimentar e tornar as pequenas propriedades mais resilientes e economicamente viáveis. Além das tecnologias de produção, o sistema reúne planejamento da propriedade, assistência técnica, gestão e apoio à comercialização.

Tecnologia começa antes do plantio

Um dos diferenciais do Appia é a metodologia participativa. Antes da implantação das tecnologias, pesquisadores e instituições parceiras realizam um diagnóstico da comunidade para identificar potencialidades, limitações e necessidades locais.

Com base nesse levantamento, são implantadas Unidades de Referência Tecnológica (URTs), que funcionam como espaços de demonstração e capacitação. Nelas, agricultores acompanham o desenvolvimento das práticas, participam de cursos, dias de campo, oficinas e intercâmbios, facilitando a adoção gradual das tecnologias.

O sistema é implantado inicialmente em módulos de cerca de 2.500 metros quadrados, estratégia que reduz custos e facilita a adoção pelas famílias agricultoras. A proposta reúne soluções em horticultura, fruticultura, irrigação, piscicultura, consórcios de culturas, manejo agroecológico do solo e gestão da produção.

Área de cultivo de mandioca no Sistema Appia. Foto: Orismar Espíndola/Embrapa

Pesquisa, assistência técnica e organização

Idealizador do Sistema Appia, o pesquisador da Embrapa Agropecuária Oeste Ivo de Sá Motta afirma que a proposta vai além da transferência de tecnologia.

Segundo ele, o modelo busca fortalecer toda a cadeia produtiva, desde o planejamento da propriedade até a organização dos produtores, agregação de valor e acesso aos mercados, considerando que produzir mais não é suficiente sem estratégias de comercialização e organização coletiva.

A iniciativa também integra diferentes instituições para oferecer assistência técnica, capacitação, acesso a crédito, infraestrutura e apoio à comercialização, além de incentivar o associativismo e o cooperativismo como ferramentas para ampliar a competitividade da agricultura familiar.

Comunidade quilombola já colhe resultados

Um dos exemplos da aplicação do Sistema Appia está na Comunidade Quilombola Furnas do Dionísio, em Jaraguari (MS), onde a propriedade do agricultor Sinval Martins dos Santos tornou-se uma Unidade de Referência Tecnológica.

Com a implantação das tecnologias, a família diversificou a produção e passou a integrar diferentes atividades agropecuárias, melhorando o planejamento da propriedade e ampliando a oferta de alimentos.

“Nós precisamos de apoio em todas as etapas, desde a assistência técnica até à venda da
produção”, conta o agricultor.

“Quando a comunidade unida se organiza e as instituições trabalham em sintonia, tudo fica
mais fácil. O Sistema Appia mostrou que o serviço não termina na lavoura. Tem que
pensar desde o manejo dos solos, passando pela produção até a hora de colocar o alimento
na mesa do consumidor”.

Além dos ganhos produtivos, a experiência influenciou a trajetória da filha do agricultor, Evellyn, que ingressou no curso de Engenharia Agronômica da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (Uems) com o objetivo de futuramente atuar na assistência técnica da própria comunidade.

Modelo integra sustentabilidade e geração de renda

Entre as estruturas implantadas na comunidade estão um tanque de piscicultura com capacidade para 10 mil litros de água, sistema de irrigação por gotejamento, barracão multifuncional, compostagem, consórcios de culturas e práticas de conservação do solo e da água.

Também foram introduzidas culturas como mandioca, maracujá, mamão, pimenta, alface, berinjela, jiló e abacate, voltadas tanto ao consumo das famílias quanto à comercialização nos mercados locais.

Segundo a Embrapa, o Sistema Appia promove ainda o reaproveitamento de resíduos orgânicos, reduz a dependência de insumos externos, melhora a fertilidade do solo e fortalece a organização comunitária, consolidando-se como uma estratégia de desenvolvimento rural sustentável.

Certificação amplia potencial de expansão

Para a Embrapa, a certificação da Fundação Banco do Brasil reconhece o potencial da tecnologia social de transformar conhecimento científico em soluções práticas para a agricultura familiar.

A expectativa é que o reconhecimento facilite a replicação do Sistema Appia em novas comunidades, ampliando o acesso a tecnologias sustentáveis, assistência técnica e oportunidades de geração de renda para milhares de famílias agricultoras em diferentes regiões do país.

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Europa pode fechar uma porta, a Ásia pode abrir várias

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Foto: Porto de Paranaguá

A decisão da União Europeia de manter suspensas as compras de carne bovina brasileira por, no mínimo, dois anos representa um desafio para o setor. O motivo está ligado às exigências europeias sobre o controle de antimicrobianos na produção animal, um tema que ganhou importância crescente no comércio internacional.

É um revés para um mercado tradicional e de elevado valor agregado. Mas seria um erro analisar essa notícia apenas pelo lado negativo.

Ela também reforça uma necessidade que o Brasil já deveria ter transformado em estratégia: ampliar o número de destinos para a carne bovina nacional.

O centro do mercado mundial mudou

Durante muitos anos, a Europa ocupou posição de destaque entre os compradores da carne brasileira. Hoje, porém, o eixo do consumo mundial está cada vez mais concentrado na Ásia.

A China tornou-se, com ampla vantagem, o maior destino das exportações brasileiras. Ao lado dela estão mercados importantes como Hong Kong, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Israel, Filipinas, Singapura, Malásia, Vietnã, Jordânia, Kuwait, Catar, Omã e Líbano.

Essa mudança não é circunstancial. Ela acompanha o crescimento populacional, o aumento da renda e a expansão do consumo de proteínas em boa parte do continente asiático.

As próximas fronteiras

Dois mercados permanecem como prioridades para a pecuária brasileira: Japão e Coreia do Sul.

São países com elevado poder de compra, consumidores tradicionais de carne bovina e que ainda mantêm restrições sanitárias à carne in natura produzida no Brasil.

A abertura desses mercados reduziria a concentração das exportações na China e ampliaria significativamente as oportunidades para toda a cadeia pecuária.

Outro fator que merece atenção é a situação dos Estados Unidos. O país atravessa um dos menores ciclos de oferta bovina de sua história recente, resultado da redução do rebanho e dos efeitos prolongados da seca. Dependendo da evolução desse cenário e das condições comerciais, os americanos poderão ampliar suas importações de carne, abrindo mais uma oportunidade para o Brasil.

O desafio agora é adaptar-se

O mercado internacional tornou-se cada vez mais exigente.

Questões sanitárias, ambientais e de rastreabilidade deixaram de ser diferenciais para se transformar em requisitos básicos para acessar os principais compradores do mundo.

Nesse aspecto, a pecuária brasileira possui uma vantagem importante. O setor alcançou elevado grau de profissionalização, incorporou tecnologia, aumentou a produtividade e demonstrou capacidade de responder rapidamente às exigências dos mercados internacionais.

Na questão dos antimicrobianos, por exemplo, o Brasil já está reforçando seus controles e adequando seus protocolos para atender às exigências dos países importadores.

Competitividade também se constrói

A discussão não deve ser apenas sobre recuperar o mercado europeu.

Ela deve servir para acelerar a abertura de novos mercados e consolidar a imagem da carne brasileira como uma das mais competitivas, seguras e eficientes do mundo.

Quem depende de poucos compradores fica mais vulnerável às mudanças de regras. Quem amplia mercados ganha estabilidade, reduz riscos e fortalece toda a cadeia produtiva.

A Europa continua sendo importante. Mas o futuro da pecuária brasileira dependerá cada vez mais da capacidade de conquistar novos clientes, atender padrões sanitários cada vez mais rigorosos e transformar qualidade em vantagem competitiva. Esse é o caminho para que o Brasil continue sendo uma potência mundial da carne, independentemente das portas que eventualmente se fechem.

Miguel Daoud

*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural


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Colheita do milho deve ser encerrada nos próximos 15 dias, estima Imea

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

A colheita do milho segunda safra 2025/26 em Mato Grosso deve encerrar nos próximos 15 dias. A estimativa é do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) diante dos trabalhos observados na região Sudeste que se encontram em 85,61%. Até o dia 31 de julho as máquinas haviam passado por 96,77% da área semeada no estado.

Na semana o avanço da média estadual foi de 6,11 pontos percentuais, sendo a região Sudeste com o maior dentre as que cultivam o cereal. Por lá, o progresso semanal foi de 18,02 pontos percentuais.

A analista do Imea, Milena Bezerra, explica que o desempenho observado na variação semanal no Sudeste do estado foi impulsionado pela intensificação das operações em áreas que atingiram o ponto ideal para a retirada dos grãos.

“Nessas áreas remanescentes, muitos produtores aguardam a redução da umidade dos grãos para facilitar a armazenagem. Nas próximas semanas, a expectativa é de encerramento da colheita na maior parte do estado, com exceção da região Sudeste, que deve demandar um pouco mais de tempo”, pontua a analista.

As regiões mais próximas da conclusão são a Médio-Norte com 99,67%, Norte com 99,47%, Nordeste 98,75% e Noroeste 98,01%. Caso as condições climáticas não atrapalhem, também devem encerrar os trabalhos nos próximos dias o Oeste (96,32%) e Centro-Sul (96,27%).

Em comparação a colheita da temporada 2024/25, os trabalhos da atual estão 0,39 ponto percentual à frente, contudo atrás da média das últimas cinco safras de 97,11%.


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