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20 de setembro de 2026

Business

Michelin lança pneus agrícolas em meio a debate acalorado sobre dumping no Brasil

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Foto: Divulgação

A Michelin apresentou dois novos pneus na 31ª Agrishow, o Michelin X Works Z2 e o Works D2, desenvolvidos para aplicações de uso misto e condições severas, mas também se posicionou sobre um tema que tem gerado debates acalorados no setor: o aumento da importação de produtos indianos.

O assunto ganhou mais um capítulo no último dia 15, quando a Circular nº 30, da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), não adotou o pedido de medida antidumping provisória movido pela Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos (Anip), estendendo o prazo de investigação para até 18 meses.

A indústria nacional quer limitar a importação de pneus agrícolas da Índia, impondo uma tarifa antidumping, assim como já ocorre com o produto chinês que desembarca no Brasil, que, dependendo do modelo, sofre encargo de até US$ 3.028,62 por tonelada (veja mais detalhes na tabela abaixo).

pneus chineses
Foto: Reprodução

O pedido de antidumping da Anip considera o período de julho de 2019 a junho de 2024, intervalo em que o Brasil importou da Índia 43.105 toneladas de pneus agrícolas, o equivalente a 215,5 mil unidades, considerando que são produtos voltados, majoritariamente, para tratores pequenos e médios.

Isonomia concorrencial

O diretor comercial para pneus de carga, urbanos e longa distância da Michelin, Ruy Ferreira, ressalta que aproximadamente 50% dos pneus importados que chegam ao país desembarcam com preço FOB abaixo do custo da matéria-prima no Brasil. “Apenas este fator claramente já configura um dumping. O que queremos do governo é isonomia concorrencial.”

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Ferreira pontua que se não for possível aumentar o imposto para a entrada do pneu importado, deve-se, ao menos, ser adotada isenção tributária na compra da matéria-prima para a indústria nacional.

“No primeiro trimestre deste ano, falando apenas de pneus de caminhões, o mercado se compôs de 70% de pneus importados e apenas 30% de nacionais, levando em consideração que a indústria de pneus é estratégica para o Brasil. Por trás dela há uma indústria de produção de seringueiras em que alguns produtores já pensam seriamente se mantém os seringais em pé ou transformam em outra cultura. Em dez anos, se as condições mudam, estaremos em uma situação de déficit [de matéria-prima]”, diz.

Em nota enviada à reportagem, a Anip destaca que as importações vêm se intensificando de forma significativa nos últimos anos, alcançando atualmente seus maiores níveis, com preços progressivamente menores, cenário que evidencia o agravamento de práticas de dumping.

Outro lado

A Associação Brasileira dos Importadores e Distribuidores de Pneus (Abidip) contesta a ação que visa impor tarifas antidumping aos pneus vindos da Índia. Procurado pela reportagem, o presidente da entidade, Ricardo Alípio da Costa, ressaltou que do ponto de vista técnico e jurídico, dizer que pneus que chegam ao Brasil com preço FOB abaixo do custo da matéria-prima nacional não é argumento adequado para caracterizar dumping.

“O comércio internacional funciona justamente com base em diferenças de custo entre países. Existem mercados com acesso a matérias-primas mais baratas, energia mais competitiva, maior escala de produção e, muitas vezes, cadeias produtivas integradas. Então é perfeitamente possível e legítimo que um produto importado chegue ao Brasil com preço inferior ao custo de produção local, sem que isso represente qualquer prática desleal”, destaca.

Para Costa, o ponto central da discussão é outro. “Dumping só existe quando há venda para exportação abaixo do valor praticado no próprio país de origem, e isso exige uma investigação técnica aprofundada. Não pode ser presumido a partir de uma comparação com o custo da indústria brasileira”, considera.

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Segundo o presidente da Abidip, o pedido de investigação antidumping da Anip em relação ao produto indiano se limita a definir pneus agrícolas por tamanho ou código tarifário, desconsiderando a sua engenharia, aplicação, pressão de uso, velocidade e tipo de terreno.

“Quando esses parâmetros são ignorados, o antidumping deixa de cumprir sua função legítima de defesa comercial e passa a atuar como uma reserva artificial de mercado”, finaliza.

Novos pneus da Michelin

Os pneus Michelin X Works Z2 e Michelin X Works D2 foram desenvolvidos para operações relacionadas ao transporte de cana-de-açúcar, madeira, construção e ambientes abrasivos.

De acordo com a companhia, o modelo Work D2 proporciona até 25% mais quilometragem (em comparação ao modelo anterior), em terrenos agressivos. “Já no modelo Michelin X Works Z2 é possível chegar a 10% mais de quilometragem. O acréscimo de até 800 kg de carga por eixo geminado, em ambas as ofertas, também é uma evolução”, destaca a Michelin.

Outro diferencial é o design em V dos sulcos, no modelo Works D2, e a tecnologia
Redan, no Works Z2, atributos que geram menor retenção de pedras e perfurações, preservando a carcaça.

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Durante a 31ª Agrishow, a empresa também mostrou que o Michelin AXIOBIB 2, pneu
agrícola premium específico para tratores de alta potência, passa agora a ser fabricado no Brasil.

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Conab diz que Brasil será, mais uma vez, o maior provedor de soja do mundo; quanto a produção deve crescer em 26/27?

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Divulgação Embrapa Soja

O mercado da soja teve uma semana marcada por projeções importantes para a safra 2026/27. No Brasil, a primeira estimativa oficial da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) aponta para um crescimento mais moderado da produção da oleaginosa. No cenário internacional, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) surpreendeu o mercado ao elevar a previsão para a safra norte-americana.

A Conab projeta produção de 181,64 milhões de toneladas de soja para a safra 2026/27, avanço de 0,7% em relação ao ciclo anterior. A área plantada deve crescer 1,4%, para 49,31 milhões de hectares, enquanto a produtividade média está calculada em 3.683 quilos por hectare, recuo de 0,8%.

Apesar do crescimento mais moderado, a soja continua entre as principais responsáveis pelo avanço da produção brasileira de grãos. Para a Conab, o país deve manter a trajetória de expansão da oleaginosa e novamente superar a marca de 181 milhões de toneladas.

“ A soja vem mantendo uma trajetória constante de crescimento e é o produto que mais avança. Vamos ultrapassar novamente as 181 milhões de toneladas, garantindo outra grande safra. Seremos, mais uma vez, os maiores provedores do mundo, diante das quebras em outros países e do cenário de desabastecimento internacional”, afirmou o presidente da Conab, Silvio Porto.

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Na temporada 2025/26, a produção brasileira chegou a 180,406 milhões de toneladas, alta de 5,2% em relação ao ciclo anterior, quando foram colhidas 171,48 milhões de toneladas.

A área cultivada também avançou, passando de 47,346 milhões de hectares em 2024/25 para 48,608 milhões de hectares em 2025/26, crescimento de 2,7%. Já a produtividade subiu de 3.622 para 3.711 quilos por hectare no período.

USDA surpreende com safra maior nos EUA

Enquanto o Brasil deve apresentar um avanço mais contido, o USDA trouxe uma surpresa para o mercado internacional ao elevar a estimativa para a produção de soja dos Estados Unidos em 2026/27.

A safra norte-americana foi projetada em 4,535 bilhões de bushels, equivalentes a 123,4 milhões de toneladas. No relatório anterior, de agosto, a previsão era de 4,519 bilhões de bushels, ou cerca de 123 milhões de toneladas.

A revisão ocorreu mesmo com a produtividade sendo reduzida de 53 para 52,7 bushels por acre.

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O número também ficou acima da expectativa do mercado, que trabalhava com produção de 4,492 bilhões de bushels, equivalentes a aproximadamente 122,3 milhões de toneladas.

Os estoques finais norte-americanos para 2026/27 foram estimados em 310 milhões de bushels, ou 8,44 milhões de toneladas. Em agosto, a projeção era de 320 milhões de bushels, equivalentes a 8,71 milhões de toneladas.

O mercado esperava estoques finais de 289 milhões de bushels, ou 7,86 milhões de toneladas.

Para o esmagamento nos Estados Unidos, o USDA manteve a previsão em 2,78 bilhões de bushels. Já as exportações foram projetadas em 1,685 bilhão de bushels, acima dos 1,66 bilhão de bushels estimados anteriormente.

Produção mundial de soja

No cenário global, o USDA estima uma produção de 442,35 milhões de toneladas de soja em 2026/27, praticamente estável em relação à previsão de agosto, de 442,25 milhões de toneladas.

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Os estoques finais mundiais estão projetados em 124,02 milhões de toneladas, acima da expectativa do mercado, de 123,1 milhões de toneladas.

Para a temporada 2025/26, os estoques finais foram estimados em 125,27 milhões de toneladas.

O USDA também manteve a previsão para a produção brasileira em 2025/26, em 180,5 milhões de toneladas. Para 2026/27, a estimativa segue em 186 milhões de toneladas.

Na Argentina, a projeção permanece em 49,5 milhões de toneladas para 2025/26 e em 50 milhões de toneladas para 2026/27.

China mantém demanda

Do lado da demanda, o USDA manteve as projeções para as importações chinesas de soja.

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Para 2026/27, a expectativa permanece em 115 milhões de toneladas. Para 2025/26, o departamento trabalha com importações de 113 milhões de toneladas, sem alteração em relação ao relatório anterior.

Com o Brasil projetando um crescimento mais moderado da produção e os Estados Unidos apresentando uma estimativa acima do esperado pelo mercado, o cenário para a soja passa a depender da evolução do clima, da produtividade e do comportamento da demanda dos grandes compradores globais ao longo da nova temporada.

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Número de vinícolas cresce quase 5 vezes acima da média nacional em Goiás

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Foto: Emater Goiás

O número de vinícolas aumentou 9,1% em Goiás ao longo de 2025, ritmo quase cinco vezes superior à média brasileira. O estado chegou a 12 estabelecimentos registrados no período, enquanto o país alcançou 965, com avanço de 1,9% em relação ao ano anterior.

Os dados fazem parte do Anuário do Vinho 2026, primeira publicação específica sobre essa cadeia produtiva lançada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).

O levantamento mostra que Goiás concentra 70,6% das vinícolas registradas no Centro-Oeste. Das 17 empresas contabilizadas na região, 12 estão no estado, enquanto Mato Grosso e o Distrito Federal têm dois estabelecimentos cada, e Mato Grosso do Sul, um.

Vinhos registrados

As vinícolas goianas somavam 161 vinhos registrados no Mapa em 2025, média de 13,4 por estabelecimento. O levantamento contabiliza produtos formalmente registrados no Sistema Integrado de Produtos e Estabelecimentos Agropecuários (Sipeagro), por isso o número não corresponde necessariamente à quantidade de rótulos disponíveis comercialmente.

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A quantidade de produtos coloca Goiás na sétima posição nacional em número de vinhos registrados. A média brasileira é de 16,8 por estabelecimento.

Dados da Agência Goiana de Defesa Agropecuária (Agrodefesa) apontam cerca de 116 produtores de uva, 410 hectares cultivados e presença da cultura em 55 municípios de Goiás.

As principais áreas produtoras estão nas regiões Sul, Sudoeste, Centro e Noroeste, em municípios como Goiatuba, Santa Helena de Goiás, Anápolis, Aragoiânia, Bela Vista de Goiás, Hidrolândia e Itaberaí. A produção de uva de mesa ainda predomina, mas a Agência também aponta potencial para ampliação do cultivo destinado à fabricação de sucos e vinhos.

Vinhos de inverno

A presença de Goiás nessa nova geografia da produção brasileira está relacionada também ao desenvolvimento de técnicas que permitiram levar a vitivinicultura a regiões antes pouco associadas ao vinho.

Pesquisa da Embrapa Uva e Vinho identifica no país uma terceira macrorregião produtora, mais recente, baseada nos chamados vinhos de inverno. O modelo começou em Minas Gerais e chegou, entre outros estados, a Goiás.

Nesse sistema, a videira passa por duas podas ao ano, com a colheita deslocada para o inverno, entre junho e agosto. Segundo a Embrapa, essa nova fronteira está presente em áreas de clima subtropical e tropical de altitude, com vinhedos localizados entre 600 e 1.200 metros.

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A técnica altera o calendário tradicional da cultura e permite que a maturação das uvas ocorra em condições diferentes das encontradas na colheita de verão.

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Entenda o risco que o produtor leva para a lavoura ao comprar sementes piratas

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Foto: Divulgação – ABCSEM

Sementes produzidas e comercializadas fora do sistema oficial de produção, conhecidas como sementes “piratas ou tiradas (F2)”, podem ser importantes fontes de transmissão de patógenos de plantas e, por isso, representam um grande risco para as produções agrícolas.  

Um exemplo clássico é a dispersão de Acidovorax citrulli, agente causador da doença conhecida como mancha bacteriana do fruto, mancha aquosa do fruto ou BFB, sigla em inglês para bacterial fruit blotch.

Essa bactéria é transmitida por sementes e causa, sem dúvida, a mais devastadora doença das cucurbitáceas. Quando presente, pode levar a prejuízos gigantescos, além de inviabilizar a área para novos cultivos de cucurbitáceas.

Por este motivo, as empresas legalizadas investem em rigorosos processos de qualidade para garantir ao produtor que as sementes comercializadas por elas sejam livres da bactéria BFB.

De acordo com o diretor setorial de mudas da Associação Brasileira do Comércio de Sementes e Mudas (ABCSEM), Ayrton Tullio essa bactéria foi, em muitos casos, dispersa nas áreas de produção de melão, no Vale do São Francisco, e de melancia, na região Centro-Oeste brasileira, pelo uso sistemático de sementes piratas, vendidas em garrafas do tipo pet.

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Melão
Fotos: divulgação/ABCSEM

“A BFB é extremamente agressiva e como ainda não há tratamento químico eficiente para o controle da doença, ela pode sobreviver, inclusive sem causar sintomas, em outras culturas hospedeiras, como milho, tomate, pimentão e também em pastagens. Por isso, uma vez introduzida, dificilmente ela será eliminada”, alerta o profissional.

Neste contexto, diante de perdas frequentes na produção, associadas à presença da doença e ao aumento de custo na tentativa ineficaz de controle, muitos produtores acabam abandonando o cultivo de cucurbitáceas.

Segundo o diretor, muitas vezes pensando em economizar ou sem se atentar no momento da compra, o produtor utiliza sementes sem garantia de origem e compradas de forma totalmente irregular, em embalagens falsificadas ou acondicionadas em recipientes inadequados, sem critério fitossanitário ou mesmo registro no Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).

“Isso traz inúmeras consequências, inclusive contrárias à ideia inicial de economia pelo uso de insumos mais baratos, uma vez que as sementes piratas acarretam em prejuízos financeiros para o negócio, devido à possibilidade de má-formação dos frutos e disseminação de doenças, como é o caso de BFB, com grandes perdas na lavoura”, elucida Tullio.

Campanha de conscientização

Diante deste preocupante cenário, a Associação Brasileira do Comércio de Sementes e Mudas (ABCSEM), enquanto representante do setor sementeiro de hortaliças, flores e plantas ornamentais brasileiro, lançou, em 2025, uma campanha de conscientização dos produtores quanto aos riscos e prejuízos do uso de sementes e mudas piratas.

Com o slogan “Sementes e mudas piratas, quem perde é o produtor”, a iniciativa também tem como objetivo validar as empresas e os produtores comprometidos com a comercialização legal e ética destes insumos agrícolas no país, marcando um novo capítulo na luta contra a pirataria. Neste sentido, lançou um selo oficial de combate à pirataria, buscando incentivar e promover a formalidade e o respeito às leis que regem o setor de sementes e mudas no país.

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