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6 de novembro de 2026

Business

Michelin lança pneus agrícolas em meio a debate acalorado sobre dumping no Brasil

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Foto: Divulgação

A Michelin apresentou dois novos pneus na 31ª Agrishow, o Michelin X Works Z2 e o Works D2, desenvolvidos para aplicações de uso misto e condições severas, mas também se posicionou sobre um tema que tem gerado debates acalorados no setor: o aumento da importação de produtos indianos.

O assunto ganhou mais um capítulo no último dia 15, quando a Circular nº 30, da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), não adotou o pedido de medida antidumping provisória movido pela Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos (Anip), estendendo o prazo de investigação para até 18 meses.

A indústria nacional quer limitar a importação de pneus agrícolas da Índia, impondo uma tarifa antidumping, assim como já ocorre com o produto chinês que desembarca no Brasil, que, dependendo do modelo, sofre encargo de até US$ 3.028,62 por tonelada (veja mais detalhes na tabela abaixo).

pneus chineses
Foto: Reprodução

O pedido de antidumping da Anip considera o período de julho de 2019 a junho de 2024, intervalo em que o Brasil importou da Índia 43.105 toneladas de pneus agrícolas, o equivalente a 215,5 mil unidades, considerando que são produtos voltados, majoritariamente, para tratores pequenos e médios.

Isonomia concorrencial

O diretor comercial para pneus de carga, urbanos e longa distância da Michelin, Ruy Ferreira, ressalta que aproximadamente 50% dos pneus importados que chegam ao país desembarcam com preço FOB abaixo do custo da matéria-prima no Brasil. “Apenas este fator claramente já configura um dumping. O que queremos do governo é isonomia concorrencial.”

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Ferreira pontua que se não for possível aumentar o imposto para a entrada do pneu importado, deve-se, ao menos, ser adotada isenção tributária na compra da matéria-prima para a indústria nacional.

“No primeiro trimestre deste ano, falando apenas de pneus de caminhões, o mercado se compôs de 70% de pneus importados e apenas 30% de nacionais, levando em consideração que a indústria de pneus é estratégica para o Brasil. Por trás dela há uma indústria de produção de seringueiras em que alguns produtores já pensam seriamente se mantém os seringais em pé ou transformam em outra cultura. Em dez anos, se as condições mudam, estaremos em uma situação de déficit [de matéria-prima]”, diz.

Em nota enviada à reportagem, a Anip destaca que as importações vêm se intensificando de forma significativa nos últimos anos, alcançando atualmente seus maiores níveis, com preços progressivamente menores, cenário que evidencia o agravamento de práticas de dumping.

Outro lado

A Associação Brasileira dos Importadores e Distribuidores de Pneus (Abidip) contesta a ação que visa impor tarifas antidumping aos pneus vindos da Índia. Procurado pela reportagem, o presidente da entidade, Ricardo Alípio da Costa, ressaltou que do ponto de vista técnico e jurídico, dizer que pneus que chegam ao Brasil com preço FOB abaixo do custo da matéria-prima nacional não é argumento adequado para caracterizar dumping.

“O comércio internacional funciona justamente com base em diferenças de custo entre países. Existem mercados com acesso a matérias-primas mais baratas, energia mais competitiva, maior escala de produção e, muitas vezes, cadeias produtivas integradas. Então é perfeitamente possível e legítimo que um produto importado chegue ao Brasil com preço inferior ao custo de produção local, sem que isso represente qualquer prática desleal”, destaca.

Para Costa, o ponto central da discussão é outro. “Dumping só existe quando há venda para exportação abaixo do valor praticado no próprio país de origem, e isso exige uma investigação técnica aprofundada. Não pode ser presumido a partir de uma comparação com o custo da indústria brasileira”, considera.

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Segundo o presidente da Abidip, o pedido de investigação antidumping da Anip em relação ao produto indiano se limita a definir pneus agrícolas por tamanho ou código tarifário, desconsiderando a sua engenharia, aplicação, pressão de uso, velocidade e tipo de terreno.

“Quando esses parâmetros são ignorados, o antidumping deixa de cumprir sua função legítima de defesa comercial e passa a atuar como uma reserva artificial de mercado”, finaliza.

Novos pneus da Michelin

Os pneus Michelin X Works Z2 e Michelin X Works D2 foram desenvolvidos para operações relacionadas ao transporte de cana-de-açúcar, madeira, construção e ambientes abrasivos.

De acordo com a companhia, o modelo Work D2 proporciona até 25% mais quilometragem (em comparação ao modelo anterior), em terrenos agressivos. “Já no modelo Michelin X Works Z2 é possível chegar a 10% mais de quilometragem. O acréscimo de até 800 kg de carga por eixo geminado, em ambas as ofertas, também é uma evolução”, destaca a Michelin.

Outro diferencial é o design em V dos sulcos, no modelo Works D2, e a tecnologia
Redan, no Works Z2, atributos que geram menor retenção de pedras e perfurações, preservando a carcaça.

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Durante a 31ª Agrishow, a empresa também mostrou que o Michelin AXIOBIB 2, pneu
agrícola premium específico para tratores de alta potência, passa agora a ser fabricado no Brasil.

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USDA registra venda de 136 mil toneladas de soja dos EUA para a China

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O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) informou nesta sexta-feira (6) a venda de 136 mil toneladas de soja por exportadores privados norte-americanos para a China. A entrega está prevista para o ano comercial 2026/27. No mesmo comunicado, o órgão também registrou a venda de 101 mil toneladas de milho para destinos desconhecidos, com entrega no mesmo período.

Segundo o USDA, as duas operações foram reportadas por exportadores privados dos Estados Unidos dentro do sistema de divulgação obrigatória de vendas externas.

No caso da soja, o volume negociado foi de 136 mil toneladas, com a China como destino comprador. Para o milho, a operação somou 101 mil toneladas, classificada pelo departamento como venda para destinos desconhecidos.

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As duas cargas têm entrega prevista para o ano comercial 2026/27. O USDA informou ainda que exportadores dos Estados Unidos são obrigados por lei a comunicar qualquer venda de 100 mil toneladas ou mais de uma commodity realizada em um único dia, ou vendas de 200 mil toneladas ou mais para um mesmo destino até o dia útil seguinte.

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O registro dessas operações integra o monitoramento oficial das exportações agrícolas norte-americanas e acompanha negócios de maior volume no mercado internacional de grãos.

Com isso, o USDA confirmou nesta sexta-feira (6) uma venda de soja para a China e uma venda de milho para destinos desconhecidos, ambas com entrega prevista para o ano comercial 2026/27.

Fonte: Estadão Conteúdo

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Calor acima da média aumenta demanda hídrica no Matopiba durante início da safra 26/27

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O avanço do El Niño, associado a temperaturas acima da média e à irregularidade das chuvas, aumenta a demanda hídrica nas áreas produtoras de soja do Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia). O cenário exige atenção dos produtores no início da safra 2026/27, período em que a disponibilidade de água no solo é fundamental para a semeadura e o estabelecimento das lavouras.

De acordo com dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), as temperaturas máximas médias em setembro superaram a climatologia em mais de 2 °C em diversas localidades da região. Em Jacobina (BA), a anomalia chegou a 3 °C, enquanto em Morro do Chapéu (BA) atingiu 3,6 °C. Em outubro, o calor persistiu, com desvios de 3 °C em Cruz das Almas (BA) e 3,2 °C em Araguaína (TO). As temperaturas elevadas intensificam as perdas de água por evaporação e aumentam a necessidade de chuva para recuperar a umidade do solo.

O cenário ocorre em meio ao fortalecimento do El Niño no Oceano Pacífico Equatorial. Segundo o Centro de Previsão Climática (CPC), da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), a anomalia da temperatura da superfície do mar na região Niño 3.4 chegou a +2,47 °C em outubro de 2026. A previsão divulgada em 8 de outubro indicava a permanência do fenômeno nas categorias forte a muito forte até o trimestre de janeiro a março de 2027.

Apesar das condições de calor e da distribuição irregular das precipitações, houve avanço na recuperação da umidade do solo entre setembro e outubro, principalmente no Tocantins, onde os índices de armazenamento de água superaram 30% em alguns pontos. Os maiores volumes de chuva foram registrados no oeste e norte do estado e no sul da Bahia. Ainda assim, a recuperação hídrica permanece parcial em determinadas áreas, especialmente diante da elevada demanda atmosférica.

No oeste da Bahia, onde há áreas de cultivo de soja sob irrigação, o cenário exige acompanhamento da disponibilidade de água e ajustes no manejo, principalmente durante a emergência e o estabelecimento das plantas. Uma análise histórica da produtividade entre 1996 e 2025 mostra que o El Niño não está necessariamente associado à queda dos rendimentos no Matopiba. Na Bahia e no Piauí, por exemplo, 50% dos anos sob influência do fenômeno registraram produtividades acima da média histórica. No Tocantins, houve equilíbrio entre resultados na média e acima dela, enquanto no Maranhão predominaram rendimentos próximos à média.

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Para a safra 2026/27, os possíveis impactos estão relacionados principalmente às condições de implantação das lavouras, com reflexos sobre o avanço da semeadura, a uniformidade da emergência e a formação do estande de plantas. O desempenho final da soja dependerá da evolução das chuvas e das temperaturas nos próximos meses, especialmente durante a floração e o enchimento de grãos, fases de maior sensibilidade ao estresse hídrico. Por isso, o monitoramento climático e da umidade do solo será fundamental para orientar o manejo e reduzir os riscos ao longo do ciclo.

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Norte Show inicia preparativos para 2027 com 110 espaços comercializados e novas iniciativas

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A preparação para a Norte Show 2027 já movimenta o mercado de feiras agropecuárias em Sinop. Cerca de seis meses antes da abertura do evento, a organização contabiliza aproximadamente 110 terrenos com contratos assinados e cinco patrocinadores da edição de 2026 que já confirmaram participação no próximo ano. A feira será realizada de 20 a 23 de abril e chega à oitava edição em um cenário de incertezas econômicas que pode influenciar o volume de negócios.

O lançamento comercial ocorreu nesta quinta-feira (5), quando a Associação dos Criadores do Norte de Mato Grosso (Acrinorte) e o Sindicato Rural de Sinop apresentaram as primeiras definições para o evento. Com o tema “Os novos desafios do amanhã”, a organização pretende ampliar as oportunidades de negociação e aproximar produtores de informações que auxiliem nas decisões dentro das propriedades.

Apesar do início positivo da comercialização, ainda não há uma estimativa fechada para o volume financeiro que a feira poderá movimentar. O presidente da Acrinorte, Moisés Debastiani, condiciona essa projeção ao comportamento da economia brasileira nos primeiros meses de 2027, principalmente às condições de crédito disponíveis para o setor.

Segundo ele, as taxas de juros e as condições dos financiamentos terão influência direta na disposição dos produtores para realizar investimentos. A avaliação deverá ficar mais clara entre janeiro e março, período que antecede a feira.

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“Vai depender muito de janeiro, fevereiro e março para que lá em abril, durante a feira, a gente saiba como é que vão estar as taxas de juros, as questões dos financiamentos”, afirma Moisés. Mesmo diante das incertezas, a expectativa da organização é manter pelo menos os resultados da edição anterior.

Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

Empresas de fora ampliam alcance da feira

A participação de empresas de diferentes regiões é uma das características da Norte Show. De acordo com Moisés, aproximadamente 60% dos expositores são de fora de Sinop, o que faz da infraestrutura do município um fator importante para a realização do evento.

Com cerca de 220 mil habitantes, Sinop concentra serviços utilizados por municípios do entorno, especialmente nas áreas de saúde, educação e transporte aéreo. Essa estrutura, pontua o presidente da Acrinorte, facilita o deslocamento de empresas, profissionais e visitantes que participam da feira, além de atender produtores de outras regiões.

O alcance do evento também ultrapassa as fronteiras de Mato Grosso. A organização recebe visitantes do sul do Pará, incluindo produtores de Novo Progresso, ampliando a conexão entre empresas fornecedoras e regiões de produção agropecuária.

Na edição anterior, a Norte Show registrou circulação de aproximadamente 120 mil pessoas e reuniu mais de 400 expositores. O movimento alcançou o comércio e o setor de serviços de Sinop, além das atividades realizadas no parque de exposições.

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A concentração de fabricantes, revendas, instituições financeiras e empresas de insumos permite que o produtor encontre diferentes alternativas comerciais em um mesmo espaço. A exposição reúne máquinas, implementos, veículos, sementes, fertilizantes, defensivos e serviços, com possibilidade de comparar produtos e condições de negociação.

Tecnologia e informação acompanham as mudanças no campo

A velocidade das transformações tecnológicas no agronegócio também deverá influenciar a programação de 2027. Equipamentos com novas tecnologias embarcadas e mudanças nos produtos utilizados nas lavouras estão entre os segmentos que devem apresentar novidades durante a feira.

Para Moisés, o intervalo entre uma edição e outra já é suficiente para modificar a oferta de soluções disponíveis no mercado. Até abril, quando o evento será realizado, a expectativa é que novos produtos e tecnologias sejam incorporados à exposição.

A programação também terá a renovação da parceria com o Empreende Brazil, responsável por contribuir com a agenda de palestras. Os conteúdos deverão abordar perspectivas econômicas, movimentos de mercado, oportunidades comerciais e temas relacionados à gestão dos negócios.

A proposta é aproximar especialistas dos produtores e empresários que precisam avaliar investimentos e estratégias em um ambiente de mudanças. A organização considera que a participação na feira deve ir além da compra de equipamentos e insumos, incluindo acesso a informações que ajudem a interpretar o mercado.

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Esse direcionamento acompanha o próprio tema escolhido para a próxima edição. Em vez de tratar os desafios do setor apenas como obstáculos, a organização pretende discutir alternativas para que os produtores identifiquem oportunidades e adaptem suas decisões às condições econômicas e produtivas.

presidente da Acrinorte, Moisés Debastiani
Foto: Norte Show/Assessoria de Imprensa

Feira amplia projetos educacionais e ambientais

A programação de 2027 também terá iniciativas que não estão diretamente relacionadas às negociações comerciais. Entre elas está o Norte Show Sustentável, projeto apresentado no lançamento e que estabelece a meta de reciclar 100% dos resíduos gerados durante o evento.

A iniciativa passa a integrar a organização da feira com uma proposta de ampliar a destinação adequada dos materiais produzidos durante os quatro dias de programação. O projeto também se relaciona às ações sociais desenvolvidas pela Acrinorte junto a entidades de Sinop.

Na área educacional, serão mantidos o Norte Show Kids, voltado às crianças; o Campus Norte Show, direcionado aos universitários; e o Norte para o Seu Futuro, destinado aos estudantes do terceiro ano do ensino médio. As atividades aproximam diferentes públicos do setor agropecuário e de suas possibilidades profissionais.

A ampliação dessas frentes ocorre em uma edição que terá como pano de fundo os desafios econômicos, tecnológicos e ambientais do agronegócio. Para Moisés, a construção do evento depende do envolvimento de empresas, entidades e profissionais que participam da organização.

O presidente destaca que a feira é resultado de um trabalho coletivo e que a expectativa para 2027 é manter a participação registrada nos anos anteriores. “É por isso que a feira acaba sendo mostrada e entregue da maneira que é. Porque não são apenas algumas poucas pessoas que desenvolvem isso. É um grupo muito grande de pessoas engajado nessa entrega da feira”.

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