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Zoneamento de Risco Climático da cana-de-açúcar é revisado e atualizado após 8 anos

Foi publicado nesta segunda-feira (26) pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) o novo Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc) para a cultura da cana-de-açúcar em sequeiro, destinada à produção de etanol, açúcar e outros fins.
Esta é a primeira versão após a revogação do Zoneamento Agroecológico da Cana-de-Açúcar (ZAE Cana), ocorrida em 2019.
O Zarc da cana-de-açúcar havia sido atualizado pela última vez em 2018. Na nova versão, além de incluir a avaliação de municípios que até então tinham restrição de acesso a financiamento público em razão do ZAE Cana, os pesquisadores da Embrapa utilizaram uma metodologia atualizada de cálculo de riscos, avaliando um número maior de classes de solo. A série temporal climática também foi atualizada, abrangendo o período de 1992 a 2022.
Um dos responsáveis pelo novo Zarc da cana, o pesquisador da Embrapa Agricultura Digital, Santiago Cuadra, detalhou que, mesmo com a liberação de municípios da Amazônia e do Pantanal, as alterações foram pequenas.
“A análise de risco tem certa correlação com a análise de aptidão realizada no ZAE. Houve alterações, sobretudo em municípios de transição entre Cerrado e Amazônia, mas não ocorreu uma mudança expressiva em termos regionais. A maior parte dos municípios da Amazônia continua fora do Zarc em razão do excesso de chuvas”, afirma.
Segundo Cuadra, a cana-de-açúcar destinada à produção de etanol e açúcar depende de um período de cerca de seis meses sem chuvas para a realização da colheita, o que não ocorre na maior parte da Amazônia. As altas temperaturas no Pantanal também inviabilizam a cultura no bioma.
“Alguns municípios de Mato Grosso e de Mato Grosso do Sul, que têm a maior parte do território fora do Pantanal, foram incluídos, mas outros, com percentual maior dentro do bioma, ficaram de fora”, contou.
Já o Zarc da cana para outros fins, que inclui a produção de cachaça, melaço e forragem para alimentação animal, atividades mais ligadas à agricultura familiar, teve ampliação de abrangência. As restrições permanecem apenas no semiárido nordestino, devido à escassez hídrica, e em alguns municípios de maior altitude de Santa Catarina e do sul de Minas Gerais porque a cana não é indicada para regiões com ocorrência frequente de geadas.
Concentração de cana no Centro-Sul
A área ocupada pela cana-de-açúcar no Brasil variou entre 9,1 e 10,2 milhões de hectares nos últimos dez anos. A maior concentração está nos estados da região Centro-Sul, com destaque para São Paulo, que concentra cerca de 50% das lavouras do país.
Goiás, com 11%, e Minas Gerais, com 10%, aparecem em segundo e terceiro lugares em área plantada com a cultura, de acordo com a Embrapa.
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A nova versão do Zarc da cana-de-açúcar definiu as melhores regiões para cultivo, classificando-as em níveis de risco de perdas de 20%, 30%, 40% e acima de 40%, neste último caso sem recomendação de plantio.
A avaliação de risco levou em consideração a capacidade de armazenamento de água do solo, o regime de chuvas do município e o ciclo da cultura.
A determinação do risco considerou a probabilidade de obtenção de produtividade superior a 65 toneladas por hectare, com base em um açúcar total recuperado (ATR) de referência de 135 kg por tonelada de colmo, além da ocorrência de geadas durante o ciclo e da probabilidade de escassez ou excesso de chuvas.
Além das duas portarias atualizadas agora, há ainda o Zarc para cana-de-açúcar em áreas irrigadas. Essas portarias foram publicadas em 2022 e seguem válidas e atualizadas.
Mitigação de riscos agrícolas
O Zoneamento Agrícola de Risco Climático é uma das principais estratégias de mitigação de riscos na agricultura. Baseado em dados científicos, o Zarc apresenta recomendações sobre a época de plantio de mais de 50 culturas, em diferentes sistemas produtivos no Brasil.
Além de orientar os produtores para a redução dos riscos de perdas de produtividade, o Zarc tornou-se um importante instrumento de gestão de risco climático para o setor financeiro e de seguros rurais.
O zoneamento é utilizado em políticas públicas, como:
- Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro);
- Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR); e
- Passou recentemente a ser adotado como condição de elegibilidade para o crédito rural.
Na safra 2025/2026, por exemplo, é obrigatório seguir o Zarc em operações de crédito de custeio acima de R$ 200 mil em linhas que utilizam recursos controlados.
O Zarc pode ser consultado pelo aplicativo Zarc Plantio Certo, disponível gratuitamente para Android e IOS, ou pelo Painel de Indicação de Riscos do Zarc.
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Comissão do Senado aprova redução de tributos que incidem sobre o calcário

A Comissão de Agricultura e Reforma Agrária (CRA) do Senado aprovou na quarta-feira (18) a redução de tributos incidentes sobre o calcário para uso agrícola. A intenção é incentivar a extração nacional e diminuir a dependência externa de fertilizantes.
Agora, o texto segue para a Comissão de Meio Ambiente (CMA) da casa.
O PL 3.591/2019, do senador Luis Carlos Heinze (PP-RS), reduz de 1% para 0,2% a alíquota da Compensação Financeira pela Exploração Mineral (CFEM) incidente sobre o calcário para uso agrícola. Para isso, altera a Lei 8.001, de 1990, que define os percentuais de distribuição CFEM.
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Segundo Heinze, o Plano Nacional de Mineração projeta aumento expressivo no consumo do agromineral, chegando a 94,1 milhões de toneladas até o fim da década, o que exige estímulos à produção interna.
“Quanto mais calcário nós usarmos (o que nós temos em qualquer canto do Brasil), vai diminuir a quantidade de fertilizantes caros que o Brasil importa”, defendeu. Na avaliação dele, essa é uma forma de reduzir a importação, além de potencializar os minerais em solo brasileiro.
No parecer favorável à proposta, o senador Chico Rodrigues (PSB-RR) afirmou que a falta de planejamento, a insuficiência de estoques e os efeitos da guerra na Ucrânia provocaram impactos imediatos na produção agropecuária brasileira. Segundo o senador, o país importa entre 60% e 85% dos fertilizantes que consome.
“A redução da alíquota da Compensação Financeira pela Exploração Mineral incidente sobre o calcário para uso agrícola vai fomentar a produção no Brasil, gerar emprego e contribuir com o barateamento do custo de produção agrícola, merecendo, portanto, ser aprovada pelo Senado”, recomendou Rodrigues.
Alíquota
O senador Zequinha Marinho (Podemos-PA), presidente da comissão, ressaltou que o calcário é essencial para a agricultura no Brasil, já que os solos são ácidos e precisam ser corrigidos antes da adubação. Para ele, o ideal seria zerar a alíquota.
“A agricultura está sempre pagando. Em países lá fora, principalmente na Europa, se o governo não aportar subsídio, subsídio, subsídio, não há produção”, argumentou Marinho.
Além disso, o senador Jaime Bagattoli (PL-RO) lembrou que, além do custo dos tributos, há o custo do frete, que chega a custar quatro vezes o valor do mineral, dependendo da região.
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STF adia julgamento sobre compra de terras rurais por empresas com capital estrangeiro

O Supremo Tribunal Federal (STF) deu continuidade, nesta quinta-feira (19), ao julgamento de duas ações que discutem as regras para aquisição de terras rurais por empresas brasileiras controladas por capital estrangeiro. A análise, iniciada no dia anterior, foi suspensa após pedido de vista do ministro Alexandre de Moraes, que solicitou mais tempo para avaliar o caso e indicou que deve devolvê-lo ao plenário na próxima semana.
A Corte formou maioria de 5 a 0 a favor da manutenção das restrições previstas na Lei nº 5.709/1971, que limita a compra de imóveis rurais por estrangeiros e empresas nacionais com controle externo. Votaram nesse sentido o relator original, Marco Aurélio, além dos ministros Gilmar Mendes, Flávio Dino, Cristiano Zanin e Nunes Marques.
Os ministros analisam duas ações. A ADPF 342, apresentada em 2015 pela Sociedade Rural Brasileira (SRB), questiona a constitucionalidade da lei, sob o argumento de que a norma impõe tratamento desigual a empresas brasileiras com capital estrangeiro, o que violaria princípios como livre iniciativa, direito de propriedade e desenvolvimento nacional.
Já a ACO 2.463 foi proposta pela União e pelo Incra, com o objetivo de anular um parecer da Corregedoria-Geral de Justiça de São Paulo que dispensava cartórios de cumprir as regras previstas na legislação para aquisição de terras por estrangeiros.
Nos votos já proferidos, prevalece o entendimento de que a lei é compatível com a Constituição e que a imposição de limites à compra de terras atende a interesses estratégicos, como a soberania nacional e o controle sobre recursos naturais. Apesar da maioria formada, o julgamento ainda não foi concluído e poderá ter novos desdobramentos após o retorno do processo ao plenário.
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Boi gordo sobe com oferta restrita e dificuldade nas escalas de abate

A dificuldade de composição das escalas de abate segue impactando o mercado do boi gordo no Brasil e sustentando a alta dos preços. O cenário é marcado por uma oferta ainda restrita de animais terminados no curto prazo, o que mantém o mercado firme ao longo de março.
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De acordo com a analista da Datagro, Beatriz Bianchi, as escalas chegaram a apresentar uma leve reação na última semana, mas voltaram a recuar nos últimos dias. O comportamento está diretamente ligado às condições climáticas. “As chuvas até a metade de março surpreenderam positivamente e contribuíram para uma maior retenção do gado no pasto, além de favorecer a capacidade de suporte das pastagens”, explica.
No mercado interno, o consumo de carne bovina ainda se mostra resiliente. No entanto, já há sinais de maior sensibilidade do consumidor diante dos preços elevados. Mesmo com a carcaça casada no atacado paulista em patamares altos, foram observados recuos recentes, refletindo a dificuldade de absorção de preços mais elevados. “Isso sugere uma maior sensibilidade do consumidor brasileiro a cotações muito altas da carne bovina, além da competitividade de proteínas concorrentes, como carne suína e de frango”, afirma a analista.
O mercado externo segue como um dos principais pilares de sustentação. As parciais de março indicam crescimento tanto no volume exportado quanto na valorização da tonelada embarcada. “O mercado externo tem sido extremamente importante para essa sustentação, com avanço no volume exportado e na valorização da tonelada”, conclui Beatriz Bianchi.
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