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AgriHub prepara relatório com entraves críticos da suinocultura de Mato Grosso

A suinocultura mato-grossense vive um momento de relevância e oportunidade, mas enfrenta gargalos que vão da gestão de processos à comercialização. Para entender o cenário por dentro, o AgriHub percorreu polos estratégicos do Estado e mapeou as demandas diretamente com os produtores da atividade.
O diagnóstico faz parte da terceira edição do projeto Sementes da Inovação, realizado em parceria com a Associação dos Criadores de Suínos de Mato Grosso (Acrismat).
Segundo Érika Segóvia, gerente de Relacionamento e Novos Negócios do AgriHub, a escolha da cadeia foi diante da força crescente da atividade. “Nesse momento é uma atividade extremamente promissora, é uma atividade extremamente relevante para o agro do Estado, para o agro do Brasil”, afirma em entrevista ao Estúdio Rural.
O trabalho consistiu em uma escuta ativa da base produtiva. “Nós vamos até o produtor rural, a gente entende as suas demandas, os seus desafios, eles nos ajudam a priorizar, a entender qual que é o nível de gravidade e urgência desses desafios”, conta Érika.
A partir dessa análise, mais de 100 problemas foram levantados. Desse total, 10 desafios foram priorizados pelos próprios suinocultores, entre eles gestão de processo, gestão operacional, rastreabilidade de animais, gestão de resíduos e comercialização.
Ela explica que o papel do AgriHub é identificar soluções já existentes e fazer a ponte com quem precisa. “Às vezes o suinocultor, o produtor rural, ele não tem esse acesso, ele não tem a facilidade de acesso a essas soluções. Ou talvez ele até não saiba que existe uma solução para aquele problema”, relata ao programa do Canal Rural Mato Grosso.
Conexão entre produtores e soluções tecnológicas
As soluções priorizadas passam por um crivo técnico do AgriHub antes de serem apresentadas aos produtores. “Se essas soluções estão realmente aptas para atender esses desafios, a gente faz essa conexão entre essas soluções existentes e os produtores rurais”, explica. O objetivo é levar melhorias de gestão, sustentabilidade e produtividade.
O projeto incluiu eventos presenciais em polos representativos da suinocultura. “A gente foi até Sorriso e Campo Verde e nesses dois polos… a gente reuniu esses produtores tanto para fazer esse levantamento quanto para fazer o evento de conexão no qual a gente leva essas soluções encontradas para de encontro com os produtores rurais”, diz Érika.
Ao todo, mais de 100 produtores participaram do processo, mobilizados pela Acrismat. A parceria, segundo ela, foi fundamental. “Foram eles que mobilizaram os produtores para que participassem desses projetos”.

Relatório será lançado no início de 2026
Conduzido ao longo do segundo semestre de 2025, o Sementes da Inovação da suinocultura agora entra na fase final de consolidação dos dados. O relatório, que trará todos os desafios levantados, as soluções encontradas e as oportunidades mapeadas, será lançado no início do próximo ano.
“A partir do início do próximo ano, entre janeiro e fevereiro, a gente lança o estudo, o relatório relatando tudo o que nós levantamos, todos esses desafios, todas as soluções levantadas e todos os produtos que a gente gerou com essas conexões”, adianta Érika.
Além disso, o AgriHub prepara outro estudo complementar, destacando desafios que ainda não possuem soluções disponíveis no mercado. “A gente vai lançar também no ano que vem um estudo falando onde estão as oportunidades do Estado”, completa.
O Sementes da Inovação já alcançou outras duas cadeias antes da suinocultura. A primeira edição foi realizada com a Aprosmat, focada na produção de sementes, lançada entre 2023 e 2024. A segunda, em 2024, atendeu a pecuária em parceria com a Acrimat, mantendo o formato de escuta ativa e conexão com soluções tecnológicas.
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Comissão do Senado aprova redução de tributos que incidem sobre o calcário

A Comissão de Agricultura e Reforma Agrária (CRA) do Senado aprovou na quarta-feira (18) a redução de tributos incidentes sobre o calcário para uso agrícola. A intenção é incentivar a extração nacional e diminuir a dependência externa de fertilizantes.
Agora, o texto segue para a Comissão de Meio Ambiente (CMA) da casa.
O PL 3.591/2019, do senador Luis Carlos Heinze (PP-RS), reduz de 1% para 0,2% a alíquota da Compensação Financeira pela Exploração Mineral (CFEM) incidente sobre o calcário para uso agrícola. Para isso, altera a Lei 8.001, de 1990, que define os percentuais de distribuição CFEM.
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Segundo Heinze, o Plano Nacional de Mineração projeta aumento expressivo no consumo do agromineral, chegando a 94,1 milhões de toneladas até o fim da década, o que exige estímulos à produção interna.
“Quanto mais calcário nós usarmos (o que nós temos em qualquer canto do Brasil), vai diminuir a quantidade de fertilizantes caros que o Brasil importa”, defendeu. Na avaliação dele, essa é uma forma de reduzir a importação, além de potencializar os minerais em solo brasileiro.
No parecer favorável à proposta, o senador Chico Rodrigues (PSB-RR) afirmou que a falta de planejamento, a insuficiência de estoques e os efeitos da guerra na Ucrânia provocaram impactos imediatos na produção agropecuária brasileira. Segundo o senador, o país importa entre 60% e 85% dos fertilizantes que consome.
“A redução da alíquota da Compensação Financeira pela Exploração Mineral incidente sobre o calcário para uso agrícola vai fomentar a produção no Brasil, gerar emprego e contribuir com o barateamento do custo de produção agrícola, merecendo, portanto, ser aprovada pelo Senado”, recomendou Rodrigues.
Alíquota
O senador Zequinha Marinho (Podemos-PA), presidente da comissão, ressaltou que o calcário é essencial para a agricultura no Brasil, já que os solos são ácidos e precisam ser corrigidos antes da adubação. Para ele, o ideal seria zerar a alíquota.
“A agricultura está sempre pagando. Em países lá fora, principalmente na Europa, se o governo não aportar subsídio, subsídio, subsídio, não há produção”, argumentou Marinho.
Além disso, o senador Jaime Bagattoli (PL-RO) lembrou que, além do custo dos tributos, há o custo do frete, que chega a custar quatro vezes o valor do mineral, dependendo da região.
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STF adia julgamento sobre compra de terras rurais por empresas com capital estrangeiro

O Supremo Tribunal Federal (STF) deu continuidade, nesta quinta-feira (19), ao julgamento de duas ações que discutem as regras para aquisição de terras rurais por empresas brasileiras controladas por capital estrangeiro. A análise, iniciada no dia anterior, foi suspensa após pedido de vista do ministro Alexandre de Moraes, que solicitou mais tempo para avaliar o caso e indicou que deve devolvê-lo ao plenário na próxima semana.
A Corte formou maioria de 5 a 0 a favor da manutenção das restrições previstas na Lei nº 5.709/1971, que limita a compra de imóveis rurais por estrangeiros e empresas nacionais com controle externo. Votaram nesse sentido o relator original, Marco Aurélio, além dos ministros Gilmar Mendes, Flávio Dino, Cristiano Zanin e Nunes Marques.
Os ministros analisam duas ações. A ADPF 342, apresentada em 2015 pela Sociedade Rural Brasileira (SRB), questiona a constitucionalidade da lei, sob o argumento de que a norma impõe tratamento desigual a empresas brasileiras com capital estrangeiro, o que violaria princípios como livre iniciativa, direito de propriedade e desenvolvimento nacional.
Já a ACO 2.463 foi proposta pela União e pelo Incra, com o objetivo de anular um parecer da Corregedoria-Geral de Justiça de São Paulo que dispensava cartórios de cumprir as regras previstas na legislação para aquisição de terras por estrangeiros.
Nos votos já proferidos, prevalece o entendimento de que a lei é compatível com a Constituição e que a imposição de limites à compra de terras atende a interesses estratégicos, como a soberania nacional e o controle sobre recursos naturais. Apesar da maioria formada, o julgamento ainda não foi concluído e poderá ter novos desdobramentos após o retorno do processo ao plenário.
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Boi gordo sobe com oferta restrita e dificuldade nas escalas de abate

A dificuldade de composição das escalas de abate segue impactando o mercado do boi gordo no Brasil e sustentando a alta dos preços. O cenário é marcado por uma oferta ainda restrita de animais terminados no curto prazo, o que mantém o mercado firme ao longo de março.
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De acordo com a analista da Datagro, Beatriz Bianchi, as escalas chegaram a apresentar uma leve reação na última semana, mas voltaram a recuar nos últimos dias. O comportamento está diretamente ligado às condições climáticas. “As chuvas até a metade de março surpreenderam positivamente e contribuíram para uma maior retenção do gado no pasto, além de favorecer a capacidade de suporte das pastagens”, explica.
No mercado interno, o consumo de carne bovina ainda se mostra resiliente. No entanto, já há sinais de maior sensibilidade do consumidor diante dos preços elevados. Mesmo com a carcaça casada no atacado paulista em patamares altos, foram observados recuos recentes, refletindo a dificuldade de absorção de preços mais elevados. “Isso sugere uma maior sensibilidade do consumidor brasileiro a cotações muito altas da carne bovina, além da competitividade de proteínas concorrentes, como carne suína e de frango”, afirma a analista.
O mercado externo segue como um dos principais pilares de sustentação. As parciais de março indicam crescimento tanto no volume exportado quanto na valorização da tonelada embarcada. “O mercado externo tem sido extremamente importante para essa sustentação, com avanço no volume exportado e na valorização da tonelada”, conclui Beatriz Bianchi.
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