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Prefeitura de São Paulo lança edital para aquisição de alimentos de agricultura familiar

A prefeitura da cidade de São Paulo abriu um edital público para agricultores interessados em contribuir para o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) do município.
O objetivo é direcionar os alimentos dos produtores a famílias em situação de insegurança alimentar e vulnerabilidade social. O valor destinado a este chamamento é de R$ 500 mil, e cada agricultor poderá comercializar até R$ 15 mil em produtos.
As inscrições vão até 3 de dezembro e podem ser feitas de forma presencial (Rua Líbero Badaró, 293 – Centro – São Paulo/SP – Conjunto B, 25º andar) ou online através do e-mail [email protected].
De acordo com a prefeitura do município, o PAA garante que os produtores tenham uma compra direta e segura da produção, ampliando a renda de quem produz.
O edital prevê que serão adquiridos, por exemplo, 500 kg de abacaxi a R$ 8,00 o quilo, bem como mil quilos de repolho roxo a R$ 7,00 o quilo, entre diversos outros produtos.
A iniciativa foi aderida pela cidade de São Paulo em 2013 e, desde então, os alimentos oriundos do programa são distribuídos pelo Banco de Alimentos do município. Assim, os produtos produzidos pelos agricultores serão recebidos no banco e direcionados para entidades e organizações cadastradas que atendem pessoas em situação de insegurança alimentar e nutricional.
O envio da proposta, de forma digital, pode ser feito até às 23h59 do dia 3 de dezembro. Em caso de entrega presencial, pode ser feito até às 17h do dia 3 dezembro.
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Feira em Primavera do Leste reúne 65 mil pessoas e projeta edição 2027

A Farm Show Mato Grosso encerrou nesta sexta-feira (13) a sua 10ª edição com a marca de 65 mil visitantes no parque de exposições de Primavera do Leste. O evento consolidou sua posição como vitrine tecnológica para o setor produtivo, reunindo empresas e marcas de mais de 60 países e lançamentos voltados à agricultura de precisão. A organização já confirmou o retorno da feira para o período de 6 a 9 de abril de 2027.
O balanço desta edição destacou a eficiência operacional, com foco em maquinários que promovem a automação no campo. Além das máquinas, a feira inseriu o projeto “Pequenos do Agro”, da Famato, para integrar o público infantil ao contexto rural. A movimentação nos estandes indicou um público qualificado e interessado em converter demonstrações técnicas em propostas diretas de investimento.
A estrutura foi planejada para atender desde grandes grupos agrícolas até a agricultura familiar, mantendo o ambiente propício para negócios mesmo em um cenário de cautela econômica. Segundo a diretoria, o evento conseguiu superar as expectativas de movimentação e visibilidade para as marcas expositoras.
Resultados e projeções
O presidente do Sindicato Rural de Primavera do Leste, Marcos Bravin, destacou ao final da Farm Show a superação dos desafios recentes do setor. “Foi um ano desafiador para todos nós, mas com muito trabalho, união e, acima de tudo, com a proteção de Deus e de Nossa Senhora, conseguimos realizar essa edição histórica da Farm Show. Isso mostra a força do nosso setor e das pessoas que acreditam no agro”.
Para o presidente da Farm Show, José Nardes, o evento reafirma o potencial de inovação do estado. “Encerramos esta edição com a certeza de que estamos no caminho certo. A Farm Show é fruto da união do setor produtivo e se tornou um espaço onde tecnologia, conhecimento e oportunidades se encontram. O agro é forte, o agro é união e o futuro começa aqui”, avaliou.
O gerente comercial da feira, Carlos Eduardo Donin, reforçou o otimismo com o volume de prospecções gerado. “Esta edição da Farm Show Mato Grosso superou todas as nossas expectativas. Tivemos grande movimentação nos estandes, muitas projeções de negócios e mostramos mais uma vez que a feira é uma verdadeira vitrine de tecnologia, inovação e oportunidades para o produtor rural”.
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Política externa e agronegócio: o impacto das decisões globais no campo brasileiro

Em um mundo cada vez mais marcado por disputas comerciais, novas regulações ambientais e tensões geopolíticas, decisões tomadas fora do Brasil passaram a influenciar diretamente o futuro do agronegócio nacional. Durante décadas, o produtor rural brasileiro acostumou-se a acompanhar de perto variáveis como clima, produtividade, custo de insumos e preços internacionais das commodities. Esses fatores continuam sendo determinantes para o desempenho do setor.
Nos últimos anos, porém, uma nova variável passou a influenciar cada vez mais o dia a dia do agro: a política externa. O agronegócio brasileiro tornou-se profundamente integrado ao comércio global. Grande parte da produção nacional de soja, milho, carnes, café, suco de laranja e açúcar tem como destino mercados internacionais. Isso significa que decisões tomadas fora do país, em governos, parlamentos e organismos multilaterais, podem ter impacto direto sobre o acesso do Brasil a esses mercados e sobre a competitividade dos nossos produtos.
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Esse movimento pode ser observado em diferentes frentes da política internacional. Nos Estados Unidos, decisões de política comercial como o tarifaço anunciado por Donald Trump evidenciam como medidas adotadas por grandes economias podem alterar fluxos globais de comércio. Na Europa, novas regulações ambientais, como o mecanismo de ajuste de carbono na fronteira (CBAM) e a legislação contra o desmatamento (EUDR), vêm redefinindo as regras de acesso ao mercado europeu. Já em países asiáticos, decisões sanitárias ou comerciais podem levar, de forma repentina, ao fechamento temporário de mercados para determinados produtos, como já ocorreu em momentos específicos com proteínas animais.
Esses exemplos refletem uma transformação mais ampla no comércio internacional. Tarifas comerciais, exigências sanitárias, regras ambientais e padrões de rastreabilidade tornaram-se instrumentos cada vez mais relevantes nas disputas por acesso a mercados. Na prática, uma decisão regulatória em Bruxelas, uma negociação em Washington ou uma nova exigência sanitária em Pequim podem alterar significativamente as condições de concorrência para os produtos brasileiros.
A geopolítica recente também ajuda a explicar essa nova realidade. Tensões e conflitos no Oriente Médio, incluindo a escalada envolvendo o Irã, costumam provocar volatilidade no preço do petróleo e gerar incertezas nos mercados globais. Esses movimentos acabam repercutindo também no setor agropecuário, seja pelo impacto no custo de insumos e logística, seja pelas oportunidades que surgem em áreas como os biocombustíveis.
Nesse cenário, o Brasil ocupa uma posição estratégica. Como um dos maiores produtores agrícolas do mundo e líder na produção de biocombustíveis, o país tem capacidade de contribuir tanto para a segurança alimentar quanto para a segurança energética em um momento de instabilidade internacional. O etanol e o biodiesel, por exemplo, ganham relevância sempre que o mundo busca alternativas mais estáveis e sustentáveis às oscilações do mercado de combustíveis fósseis. Ao mesmo tempo, cresce o papel da diplomacia e da articulação política na defesa do agronegócio brasileiro. Parlamentares e lideranças do setor têm atuado cada vez mais no cenário internacional para acompanhar debates regulatórios, ampliar o acesso a mercados e defender os interesses do país.
A senadora Tereza Cristina, por exemplo, assumiu recentemente a relatoria do acordo entre Mercosul e União Europeia no Senado, um dos temas mais relevantes para o comércio exterior brasileiro. Parlamentares ligados à Frente Parlamentar da Agropecuária também têm participado de missões internacionais voltadas à promoção do agro brasileiro, à defesa comercial e à abertura de novos mercados. Essas iniciativas refletem uma realidade cada vez mais evidente. O sucesso do agronegócio brasileiro não depende apenas da eficiência produtiva dentro da porteira. Ele também está diretamente ligado à capacidade do país de se posicionar estrategicamente no cenário internacional.
A política externa, portanto, deixou de ser um tema distante para o campo. Hoje, ela influencia oportunidades comerciais, padrões regulatórios e as próprias perspectivas de crescimento do setor. Em um mundo marcado por disputas comerciais, transformações energéticas e crescente complexidade regulatória, compreender os movimentos da política internacional tornou-se parte do ambiente de negócios do agro.

*Rebeca Lucena é diretora de Relações Governamentais da BMJ Consultores Associados e cofundadora da rede Women Inside Trade (WIT)
O Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.
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Novas regras para importação de cacau protegem o produtor brasileiro, comemora setor

A redução do prazo para importação de amêndoas de cacau em regime de drawback, de dois anos para seis meses, foi estabelecida via Medida Provisória (MP) 1341/2026, publicada nesta sexta-feira (13), no Diário Oficial da União.
Na visão avaliação da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e das Federações de Agricultura e Pecuária da Bahia (Faeb), Espírito Santo (Faes), Pará (Faepa) e outros estados produtores de cacau, a medida vai garantir proteção e competitividade à cacauicultura nacional.
O drawback é um instrumento que permite a suspensão de tributos incidentes sobre insumos importados quando destinados à produção de bens no país para a exportação, ou seja, os efeitos da MP dificultam que a indústria substitua o cacau brasileiro por amêndoas importadas.
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O diretor técnico adjunto da CNA, Maciel Silva, ressalta que o mecanismo, adotado em todo o mundo, serve para evitar a cumulatividade de impostos na cadeia produtiva, melhorando a competitividade dos exportadores brasileiros.
“Como as importações de amêndoas são realizadas predominantemente via regime de drawback, o instrumento pode estar associado ao aumento dos estoques da indústria no mercado interno e prejudica o produtor com baixa remuneração”, detalha.
Como era antes
Antes da edição da MP, as operações de drawback vinculadas à importação de amêndoas de cacau seguiam a regra geral aplicada ao regime. O prazo era de 12 meses, prorrogáveis por mais 12 meses, para que as empresas realizassem a exportação dos produtos industrializados a partir da aquisição de insumos de outros países.
Com a nova medida, o prazo máximo para as operações de importação de amêndoas de cacau com isenção do Imposto de Importação pelo regime de drawback passa a ser de seis meses.
“Ao reduzir o prazo dessas operações para até seis meses, a MP procura limitar distorções no abastecimento e compatibilizar o uso do regime com a necessidade de maior equilíbrio entre a demanda industrial e a sustentação da produção nacional”, completa.
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