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4 de novembro de 2026

Agro Mato Grosso

MT até 2070: o segredo do único estado que cresce enquanto todos os outros encolhem

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Enquanto os estados brasileiros se preparam para encolher nas próximas décadas, Mato Grosso segue em movimento contrário, sendo o único estado que, segundo as projeções do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), continuará crescendo até 2070 — uma curva que desafia o cenário nacional e já começa a redesenhar cidades, serviços públicos e rotinas no presente.

🔍A projeção demográfica levanta uma questão central: o que faz de Mato Grosso a exceção e como o estado se prepara para o futuro?

Segundo especialistas ouvidos, o ‘segredo’ que mantém Mato Grosso na contramão do país se apoia em três pilares:

  • ‍🌾expansão do agronegócio;
  • 🤝geração de empregos na cadeia produtiva;
  • 🛬migração de jovens em busca de renda e estabilidade.

 

Estima-se que o estado vai ultrapassar 5,2 milhões habitantes até 2070, um aumento de quase 44% se comparado com o Censo 2022, quando foram contabilizados 3.658.813 moradores.

A projeção no país é que a população encolha antes do previsto, puxada pela queda da fecundidade e o aumento da população idosa. No entanto, Mato Grosso deve seguir na contrapartida.

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Segundo o pesquisador em Informações Geográficas e Estatísticas do IBGE, Marcio Mitsuo Minamiguchi, enquanto a idade mediana do brasileiro será de 51,2 anos em 2070, em Mato Grosso será de 44,8 anos no mesmo período (veja na tabela mais abaixo).

Mato Grosso tem uma vantagem em relação ao restante do país, já que vai vivenciar esse contexto de sociedade envelhecida depois do restante. Ele vai poder ver todos os desafios que os estados precursores dessa transição demográfica passaram para depois vivenciar seus próprios desafios
— Marcio Minamiguchi, pesquisador do IBGE

📈A idade mediana da população de 2023 e 2070

ESTADO20232070
Rio Grande do Sul37,852,1
Rio de Janeiro37,352,1
Minas Gerais36,752,0
São Paulo36,451,6
Espírito Santo35,549,6
Paraná35,550,6
Santa Catarina35,448,8
Bahia34,952,8
Rio Grande do Norte34,552,6
Distrito Federal34,553,3
Goiás34,249,7
Paraíba34,151,3
Piauí33,752,6
Pernambuco33,751,6
Ceará33,552,1
Sergipe33,152,4
Mato Grosso do Sul32,948,7
Rondônia32,150,3
Mato Grosso32,144,8
Alagoas32,051,4
Tocantins31,650,0
Maranhão30,352,6
Pará29,750,8
Amazonas27,648,7
Acre27,450,6
Amapá27,350,5
Roraima26,846,7

Para o sociólogo e professor de economia da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Maurício Munhoz, o estado possui um dinamismo econômico singular. Ele explicou que isso mostra a força das cadeias do agronegócio, da agroindústria e dos novos serviços associados, que criam polos regionais capazes de atrair gente de todo o país.

A soma dos polos que crescem supera a perda dos municípios que encolhem. Mato Grosso combina alta capacidade de atração econômica, juventude relativa da população e forte demanda por mão de obra. Esses fatores sustentam o crescimento até meados do século
— Maurício Munhoz

Os pesquisadores ressaltam que políticas públicas têm papel direto nesse processo, seja pela infraestrutura que atrai investimentos, seja pelas áreas em que a expansão populacional já pressiona serviços. Para eles, o futuro demográfico de Mato Grosso dependerá da capacidade de transformar esse crescimento em qualidade de vida.

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Quem veio para ficar

 

Bernardo Leandro saiu do RS para trabalhar em Mato Grosso e se apaixonou pelas belezas naturais do estado — Foto: Arquivo pessoal

Bernardo Leandro saiu do RS para trabalhar em Mato Grosso e se apaixonou pelas belezas naturais do estado — Foto: Arquivo pessoal

O gaúcho Bernardo Leandro Carvalho Costa, de 32 anos, deixou Triunfo (RS) em fevereiro de 2023 para passar uma temporada em Mato Grosso. A ideia era simples: começar a carreira docente num mercado que, no Sul, encolheu após a pandemia. A primeira vaga apareceu em Barra do Garças (MT).

“Era para ser algo temporário e hoje não desejo sair. A ideia era completar um ano de docência e ir para outro lugar, mas apareceram muitas oportunidades no interior e também na capital e, além disso, me sinto num estado que realmente passa por um ‘boom’ no desenvolvimento. Tive uma recepção muito grande ao ponto de que agora sinto que sou daqui”, relatou.

Bernardo passou de professor em instituição privada para substituto da Universidade Federal, até ser aprovado em um concurso da UFMT, em Cuiabá. No mesmo período, consolidou o trabalho como advogado e criou vínculos com a região.

Bernardo Leandro Carvalho Costa e Maurício Pedroso Flores, ambos do RS e professores de direito, se conheceram após se mudarem para MT — Foto: Arquivo pessoal

Bernardo Leandro Carvalho Costa e Maurício Pedroso Flores, ambos do RS e professores de direito, se conheceram após se mudarem para MT — Foto: Arquivo pessoal

O movimento de chegada também levou a Barra do Garças (MT) o professor universitário de direito, Maurício Pedroso Flores, de 32 anos. Ele soube, por intermédio de Bernardo, de uma vaga pouco antes de concluir o doutorado no Rio Grande do Sul e decidiu tentar, mesmo sem conhecer a cidade.

Maurício disse  que Mato Grosso o acolheu em todas as frentes: no trabalho, onde surgiram novas oportunidades; e na vida pessoal, com novos amigos, a namorada e até um gato adotado. A saudade do Sul permanece, mas não o suficiente para fazê-lo voltar.

“Vim com uma mala e um sonho. Não tinha muita ideia do que esperar daqui, mas descobri que é um lugar muito bom, cheio de oportunidades. Hoje sou realmente muito grato a tudo que essa terra me deu e não tenho vontade de sair daqui”, ressaltou.

De acordo com o Censo 2022, o estado recebeu mais de 300 mil novos moradores de outras unidades da federação entre 2010 e 2022 — um dos maiores saldos proporcionais do Brasil. A chegada de tanta gente se justifica, também, pela oportunidade que o mercado de trabalho oferece:

  • 💼Emprego: foram criados mais de 56 mil novos postos de trabalho entre janeiro e outubro deste ano, segundo o Caged;
  • 📊Ranking: MT é o 2° estado do país com o maior número de empregos com carteira assinada;
  • 👦Jovens: em 2024 o estado tinha 628 mil jovens empregados e registrou a menor taxa de desemprego do Brasil (4,05%) para essa categoria, apontou o IBGE;
  • 💰Salário: MT teve crescimento no rendimento médio real do trabalho, chegando a R$ 3.507 no terceiro trimestre deste ano.

 

Secretário de Desenvolvimento Econômico de MT fala sobre geração de empregos

Secretário de Desenvolvimento Econômico de MT fala sobre geração de empregos

O secretário de Desenvolvimento Econômico do estado, César Miranda, ressaltou que os números demonstram a tendência de crescimento do mercado de trabalho e expansão de diversos setores da economia.

Consequentemente, isso está atraindo muitos brasileiros que buscam Mato Grosso para dias melhores, que buscam emprego e crescimento profissional
— César Miranda, secretário de Desenvolvimento Econômico do estado

🏡Expansão urbana

 

Municípios de MT ampliam moradias e se preparam para o crescimento — Foto: Christiano Antonucci/Secom-MT

Municípios de MT ampliam moradias e se preparam para o crescimento — Foto: Christiano Antonucci/Secom-MT

A chegada de mais gente e o crescimento populacional acelerado pressionam as cidades a ampliarem as moradias. O relatório de déficit habitacional do Brasil, divulgado pela Fundação João Pinheiro (FJP), aponta que Mato Grosso precisa de cerca de 120 mil novas casas para dar conta da demanda atual.

Além do programa federal Minha Casa, Minha Vida, o estado colocou em funcionamento o Sistema Habitacional de Mato Grosso (SiHabMT), em 2023, que operacionaliza o programa SER Família Habitação, para acelerar a construção.

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Não há um cronograma oficial sobre quando o estado pretende zerar a fila da habitação. No entanto, 79 municípios já aderiram ao programa para receberem os recursos para construção. Desde o início da operação, foram investidos cerca de R$ 95 milhões em subsídios, beneficiando mais de 6 mil famílias.

Município em expansão trabalha para receber novos moradores — Foto: Christiano Antonucci/Secom-MT

Município em expansão trabalha para receber novos moradores — Foto: Christiano Antonucci/Secom-MT

À medida que se torna o único estado com crescimento contínuo, Mato Grosso também amplia o mapa de cidades que precisam de infraestrutura. Boa Esperança do Norte (MT), por exemplo, é o município mais novo do Brasil e recebeu R$ 10 milhões do governo, em outubro deste ano, para asfaltar ruas e avenidas, num esforço para acompanhar a velocidade da expansão demográfica.

O objetivo, segundo o prefeito Cabele Francio, é tornar a cidade um modelo do agronegócio no estado.

“Estou com quase todos os projetos prontos, terminando a parte da engenharia para aplicar esses recursos na recapagem das ruas e na construção de uma avenida nova”, explicou.

O município conta com uma população de 5.877 moradores e estreou no ranking populacional superando 1.867 cidades brasileiras em número de habitantes. Um dos potenciais destacados é a produção de grãos, com mais de 700 mil toneladas em uma área estimada de 280 mil hectares.

Outra região que temia por investimentos era o Distrito de Nova Poxoréu, que começou a ser habitado há 15 anos, mas nunca teve um asfalto que ligasse a Primavera do Leste (MT), onde a maioria dos moradores trabalha. Após reunião no fim de novembro deste ano, o governo anunciou um investimento estimado em R$ 7 milhões, destinados às prefeituras para asfaltar os 6 km do trecho de ligação.

“O aluguel em Primavera é mais caro e, por isso, essas pessoas moram no distrito, que é mais barato. Mas elas passam por esse sofrimento de enfrentar lama ou poeira e agora a obra vai garantir mais dignidade”, declarou o prefeito Sergio Machnic, após a reunião.

💰De olho na economia

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As maiores altas no PIB foram registradas no Acre (14,7%), Mato Grosso do Sul (13,4%), Mato Grosso (12,9%) — Foto: Sistema de Contas Regionais | IBGE

As maiores altas no PIB foram registradas no Acre (14,7%), Mato Grosso do Sul (13,4%), Mato Grosso (12,9%) — Foto: Sistema de Contas Regionais | IBGE

A expansão econômica é outro fator que tende a atrair novas famílias e sustentar o crescimento urbano. Para o ministro da Agricultura e Pecuária do Brasil, Carlos Fávaro, os investimentos do Fundo Estadual de Transporte e Habitação (Fethab) foram fundamentais para o desenvolvimento do estado nos últimos anos.

“É um estado com muita vocação para a produção de alimentos, terras propícias, homens e mulheres vocacionados e um investimento contínuo a partir da criação do Fethab para a construção de infraestrutura e um crescimento sustentável, principalmente em áreas que têm oportunidades, mas que não tinham infraestrutura. Isso permitiu com que o Mato Grosso tivesse esse crescimento acima da média brasileira”, disse em entrevista a imprensa.

Nos últimos 20 anos, Mato Grosso liderou o crescimento econômico no país. O estado teve média anual de 5,2%, sendo a maior entre todas as unidades da federação. Só em 2023, a economia mato-grossense movimentou R$ 273 bilhões, uma alta de 12,9% — o terceiro maior avanço do Brasil, atrás apenas do Acre e de Mato Grosso do Sul, segundo levantamento do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), divulgado em 2024 (veja no gráfico acima).

O desempenho fez o estado ganhar espaço no mapa econômico nacional: hoje, responde por 2,5% de todo o PIB brasileiro, o maior salto de participação registrado entre os estados no período de 2002 a 2023.

🧑‍🌾A força do agronegócio também ajuda a explicar por que mantém uma trajetória de expansão. De acordo com a Secretaria de Política Agrícola do MAPA, seis das dez cidades mais ricas do agronegócio brasileiro estão em território mato-grossense, reflexo direto da liderança nacional na produção de soja, milho e algodão.

Os principais destaques foram:

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  • 🌽Milho: produção da segunda safra de milho atingiu um recorde de 55,1 milhões de toneladas, um aumento de 12,9% em relação à safra anterior; quase metade da produção nacional;
  • 🌱Soja: em seguida aparece a soja, que viu a produção passar de 40,4 milhões de toneladas em 23/24 para 51,3 milhões em 24/25, crescimento de 26,9%;
  • 💭e o caroço do algodão, que saiu de 3,7 milhões de toneladas produzidas em 23/24 para 4 milhões de toneladas, variação positiva de 8,3%, enquanto a pluma do algodão variou de 2,6 milhões de toneladas para 2,8 milhões de toneladas, aumento também de 8,3%.

O peso dessa produção é sustentado por uma logística que vem sendo ampliada ano após ano. O Ministério dos Transportes mostra que o estado concentra alguns dos principais corredores de exportação do país, fruto da pavimentação e duplicação de rodovias federais e estaduais, além das concessões que vêm modernizando trechos estratégicos.

Conforme a Secretaria Estadual de Infraestrutura e Logística (Sinfra-MT), são 33 mil quilômetros de estradas, responsáveis por garantir as ligações entre os 142 municípios, e colocando Mato Grosso como o estado brasileiro com a maior malha rodoviária estadual do país.

Uma das principais obras transforma a BR-163, principal rota do agronegócio, em um corredor logístico mais seguro e eficiente. A estrada é a principal rota de escoamento para os portos do Arco Norte, como Miritituba, no Pará, e de Santos (SP). A duplicação reduz o tempo de viagem e os custos operacionais.

Também está em construção a primeira ferrovia de Mato Grosso. Atualmente, mais de cinco mil trabalhadores contratados pela Rumo Logística concluíram cerca de 70% do projeto. Entre os responsáveis por essa mão de obra está o casal de engenheiros Andriele Rodrigues e David Prado Córdova, que deixou Curitiba (PR) com os dois filhos após ele ser promovido para atuar na obra. Já no estado, Andriele também foi contratada pela empresa.

“Aqui conseguimos conciliar carreira, rotina familiar e qualidade de vida. A decisão mudou nossa vida, trouxe mais estabilidade para as crianças, ampliou nossas perspectivas profissionais e fortaleceu nossa visão de futuro”, ressaltou Andriele.

Casal de engenheiros Andriele Rodrigues e David Prado Córdova, que deixou Curitiba (PR) para trabalhar e morar em Mato Grosso — Foto: Arquivo pessoal

Casal de engenheiros Andriele Rodrigues e David Prado Córdova, que deixou Curitiba (PR) para trabalhar e morar em Mato Grosso — Foto: Arquivo pessoal

O projeto tem data para acabar, mas a ferrovia ainda tem muito a crescer e vai gerar muitas oportunidades. Nosso plano hoje é crescer junto com a ferrovia e com Mato Grosso
— David Prado Córdova

São 743 quilômetros de linha férrea que ligará Rondonópolis a Cuiabá, e Rondonópolis a Nova Mutum e Lucas do Rio Verde, além de se conectar com a malha ferroviária nacional, em direção ao Porto de Santos (SP), abrindo caminho para uma exportação ainda mais rápida.

Projeto de implantação da 1ª ferrovia estadual de Mato Grosso — Foto: Secom-MT

Projeto de implantação da 1ª ferrovia estadual de Mato Grosso — Foto: Secom-MT

Além do estado, o Ministério dos Transportes aplicou investimentos em Mato Grosso com a Ferrovia de Integração do Centro-Oeste (Fico), já em construção entre Mara Rosa (GO) e Água Boa (MT) — e a Ferrogrão, planejada para ligar Sinop (MT) a Miritituba (PA) e ampliar o escoamento pelo Arco Norte.

Ministro Carlos Fávaro cita a importância dos investimentos em ferrovias em MT

Ministro Carlos Fávaro cita a importância dos investimentos em ferrovias em MT

Esse avanço da infraestrutura tem efeito direto na dinâmica populacional: municípios do norte e sul de Mato Grosso vêm atraindo mão de obra de outras regiões, impulsionando tanto a economia local quanto o crescimento urbano nessas áreas que antes eram menos ocupadas.

Onde tudo começa

 

Ao mesmo tempo em que o agronegócio impulsiona o PIB, Mato Grosso também aposta na base da produção: a agricultura familiar, responsável por boa parte do alimento que chega às mesas e pelo desenvolvimento local.

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Agricultores familiares serão beneficiados com contratação de técnicos para regularização fundiária e ambienta — Foto: Mayke Toscano/Secom-MT

Agricultores familiares serão beneficiados com contratação de técnicos para regularização fundiária e ambienta — Foto: Mayke Toscano/Secom-MT

Em novembro, foi lançado o MT Produtivo – Desenvolvimento e Sustentabilidade, programa que prevê US$ 100 milhões em investimentos até 2030, com financiamento do Banco Mundial, para fortalecer cooperativas, ampliar o acesso a mercados e regularizar áreas rurais. A expectativa é que o programa beneficie 15 mil famílias com práticas produtivas mais sustentáveis e geração de renda no campo.

Além de fortalecer quem produz no campo, foram direcionados investimentos para preparar a mão de obra que sustenta essa engrenagem econômica. A Secretaria Estadual de Educação (Seduc-MT) anunciou a ampliação da política de educação profissional e tecnológica, que prevê 15 mil novas vagas para estudantes do ensino médio em cursos voltados justamente para áreas em expansão — da indústria ao agronegócio.

“Até o próximo ano, 22,2% das matrículas do Ensino Médio estarão vinculadas à Educação Profissional e Tecnológica (EPT), beneficiando estudantes de 108 dos 142 municípios do estado. Para 2027, o objetivo é alcançar 29,7% de participação”, informou a Seduc.

 

Estudantes de Mato Grosso se preparam para o mercado de trabalho — Foto: Seduc-MT

Estudantes de Mato Grosso se preparam para o mercado de trabalho — Foto: Seduc-MT

Na saúde, o avanço populacional e a formação de novos centros urbanos desencadearam outra prioridade. O IBGE ressaltou que, mesmo que o estado vai ‘envelhecer’ depois dos demais, precisa se preparar.

“O grande desafio, mais do que o volume populacional, é o desafio de uma sociedade envelhecendo. Em termos de políticas públicas, quando a população envelhece, precisa de atenção à saúde. Esse é um dos grandes desafios para o futuro”, alertou o pesquisador Marcio Minamiguchi.

Atualmente, o estado tem seis hospitais públicos em construção, sendo dois em Cuiabá e quatro regionais no interior do estado. O objetivo é descentralizar serviços e ampliar o acesso da população a atendimentos especializados em todas as regiões do estado. Confira na galeria abaixo o andamento de cada obra:

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🌄O paraíso está em MT

MT reúne paisagens da Amazônia, Cerrado e Pantanal — Foto: Reprodução

Para além das oportunidades econômicas e estruturais, Mato Grosso reserva belezas naturais que acolhem e aumentam ainda mais o desejo de ficar. O estado reúne três dos principais biomas brasileiros — Amazônia, Cerrado e Pantanal — e oferece paisagens únicas que atraem turistas do país inteiro.

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No Pantanal, considerado Patrimônio Natural da Humanidade, a observação da vida selvagem e os safáris fotográficos se tornaram experiências que colocam o estado na rota do turismo ecológico mundial. Em Chapada dos Guimarães, a 65 km da capital, cachoeiras, paredões de arenito e trilhas de fácil acesso fazem do parque nacional um dos cartões-postais mais visitados da região Centro-Oeste. No norte, o Parque Estadual do Cristalino preserva uma das áreas mais ricas da Amazônia mato-grossense e se destaca como destino de pesquisadores e apaixonados por natureza.

Com rios de águas cristalinas, cavernas, mirantes e um clima que favorece o turismo durante todo o ano, Mato Grosso transforma quem chega para trabalhar em novos moradores — muitos deles seduzidos pela combinação entre qualidade de vida, oportunidades e um cenário natural que parece não ter fim.

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Agro Mato Grosso

Grupo de teatro de MT leva Amazônia, Cerrado e Pantanal a festival internacional na África

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O grupo mato-grossense Tibanaré leva os três biomas de Mato Grosso ao palco de um festival internacional de teatro em Cabo Verde, na África. Com a Amazônia, Cerrado e Pantanal em foco, a companhia foi selecionada para apresentar o espetáculo infantojuvenil Fubá Play na 32ª edição do Festival Internacional de Teatro do Mindelo (Mindelact 2026), realizada entre os dias 2 e 7 de novembro, na ilha de São Vicente.

A montagem tem cenário inspirado na diversidade ambiental do estado e mistura teatro, tecnologia e jogos interativos. Durante a apresentação, as crianças participam de votações que definem os rumos da história e influenciam as ações do personagem, as imagens projetadas e a trilha sonora.

O espetáculo acompanha Fubá, protagonista que vive em uma casa-bolha tecnológica e enfrenta desafios ao longo da narrativa. As escolhas do público interferem diretamente no desenvolvimento das cenas.

A apresentação marca o retorno do grupo ao festival. Na edição anterior, o Tibanaré levou ao evento o espetáculo ‘Fiu Fiu – Um encontro entre pássaros’, que combina teatro e dança sem diálogos.

Trajetória internacional

Fundado em 2006, em Mato Grosso, o Grupo Tibanaré desenvolve trabalhos que misturam teatro, palhaçaria, dança e outras linguagens artísticas.

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O Mindelact é um dos principais encontros de artes cênicas da África de língua portuguesa e reúne artistas e companhias de diferentes países. A seleção é resultado de uma articulação iniciada no Mercado das Indústrias Criativas do Brasil (MICBR) 2025, realizado em Fortaleza (CE).

O encontro reúne profissionais do setor cultural e cria oportunidades para a circulação de produções brasileiras no exterior. Além das participações no Mindelact, a companhia já esteve em feiras internacionais de artes cênicas no Chile e nos Estados Unidos e em festivais na Turquia, China, Chile e Angola.

A viagem conta com apoio do Governo de Mato Grosso, por meio da Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel-MT), que custeou as passagens aéreas. O festival não cobre as despesas de deslocamento dos artistas.

Grupo Tibanaré encena 'Tomara que Chova' no palco do programa É Bem Mato Grosso, em 2015

Grupo Tibanaré encena ‘Tomara que Chova’ no palco do programa É Bem Mato Grosso, em 2015

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Agro Mato Grosso

Seguro-Defeso: MT registra mais de 6,5 mil pedidos em dois meses

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Mato Grosso registrou 6.517 pedidos do Seguro-Desemprego do Pescador Artesanal (SDPA), conhecido como Seguro-Defeso, entre 1º de setembro e 31 de outubro de 2026. Desse total, 5.905 pescadores já estão na condição de segurados, segundo a Superintendência Regional do Trabalho e Emprego em Mato Grosso (SRTE-MT).

Os números correspondem aos dois primeiros meses do prazo para solicitar o benefício referente à temporada 2026/2027.

A procura pelo benefício cresceu 134,5% em um mês, período que coincidiu com o início do defeso da piracema no estado, em 1º de outubro. No fim de setembro, Mato Grosso contabilizava 2.779 requerimentos. Em 3 de outubro, o número havia subido para 4.012 e, até o dia 31, chegou a 6.517, o que representa 3.738 novos pedidos em relação ao levantamento de setembro.

Segundo a SRTE-MT, o primeiro lote de liberações deve injetar R$ 7,79 milhões na economia estadual e beneficiar pescadores artesanais de 106 dos 142 municípios de Mato Grosso.

Para todo o período de defeso, o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) estima que o valor destinado aos pescadores do estado ultrapasse R$ 42 milhões.

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Prorrogação do Prazo de Solicitação

O prazo para solicitar o Seguro-Defeso foi prorrogado até 30 de dezembro de 2026. A mudança foi estabelecida pela Resolução nº 1.045 do Conselho Deliberativo do Fundo de Amparo ao Trabalhador (Codefat), publicada em 8 de outubro.

A prorrogação vale para o principal período de defeso em Mato Grosso, iniciado em 1º de outubro. Com a alteração, os pescadores artesanais que ainda não fizeram o pedido têm até o fim de dezembro para solicitar o benefício.

Quem pode receber

O Seguro-Desemprego do Pescador Artesanal é destinado ao pescador profissional artesanal durante o período em que a pesca fica proibida. O benefício é de um salário mínimo mensal durante o defeso, desde que o trabalhador cumpra os requisitos previstos na legislação.

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Entre as exigências estão:

  • regularidade do Registro Geral da Atividade Pesqueira (RGP);
  • exercício da atividade pesqueira pelo período exigido;
  • inexistência de fonte de renda incompatível;
  • residência em município abrangido pelo defeso;
  • apresentação do Relatório de Exercício da Atividade Pesqueira (REAP 2025);
  • inscrição no CadÚnico; e
  • registro biométrico nas bases aceitas.

Desde novembro de 2025, o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) é responsável pela gestão do Seguro-Defeso. O pedido pode ser feito pelo Portal Emprega Brasil ou pela Carteira de Trabalho Digital. Nesses canais, o pescador também pode acompanhar o processo, consultar pagamentos e apresentar recursos administrativos.

Informações e orientações também podem ser obtidas pela Central de Atendimento Alô Trabalho, pelo telefone 158. O próprio pescador pode fazer o requerimento e acompanhar o andamento do benefício pelos canais oficiais.

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Agro Mato Grosso

Onça-pintada Ibaca morre após ser resgatada debilitada no Pantanal de MT e deixa filhote

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A onça-pintada Ibaca, conhecida por turistas, fotógrafos e pesquisadores no Pantanal de Mato Grosso, morreu nesse sábado (31), após ser resgatada muito debilitada na noite anterior. A fêmea, que deixa um filhote de um ano, havia sido vista nos últimos dias com sinais de desnutrição, mas a causa da morte ainda não foi esclarecida.

Segundo o biólogo e guia de turismo Marcos Ardevino, Ibaca pesava pouco mais de 30 quilos quando foi resgatada, na sexta-feira (30). Ela teria sido transferida para Cuiabá para passar por exames, mas não resistiu.

De acordo com o biólogo, uma necropsia está sendo feita para identificar o que provocou a morte. Guias e observadores também estão reunindo vídeos registrados em diferentes datas para tentar entender como a onça emagreceu tão rapidamente.

🐆 Uma trajetória acompanhada por quase uma década

 

O nome da onça-pintada Ibaca tem origem tupi-guarani e significa “um céu com estrelas” — Foto: Rodrigo Chavez Noriega

O nome da onça-pintada Ibaca tem origem tupi-guarani e significa “um céu com estrelas” — Foto: Rodrigo Chavez Noriega

Também chamada de Tina, Ibaca era acompanhada na região desde 2016. Ao longo dos anos, foi fotografada e filmada em encontros com outros animais e ao lado dos próprios filhotes, tornando-se uma das fêmeas conhecidas por quem observa a vida selvagem no Pantanal.

A onça-pintada Ibaca, conhecida por turistas, fotógrafos e pesquisadores no Pantanal de Mato Grosso, morreu nesse sábado (31) — Foto: Rodrigo Chavez Noriega

A onça-pintada Ibaca, conhecida por turistas, fotógrafos e pesquisadores no Pantanal de Mato Grosso, morreu nesse sábado (31) — Foto: Rodrigo Chavez Noriega

Segundo o Projeto Jaguar ID, ela foi observada em dez temporadas consecutivas, entre 2016 e 2025. O nome Ibaca tem origem tupi-guarani e, conforme o projeto, significa “um céu com estrelas”.

Os registros permitiram acompanhar diferentes momentos da vida da onça, especialmente a reprodução, os cuidados com os filhotes e as interações com outros animais.

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Registros de diferentes gerações

O catálogo do projeto identifica Ibaca como filha da onça Overa e irmã de Saseka, Siriri e Cururu. Entre os filhotes dela registrados ao longo dos anos estão Ipepo, Jasy e Apejara. A documentação aponta filhotes identificados em temporadas como as de 2018, 2022 e 2025.

Também há registros da fêmea com parceiros reprodutivos como Xingu, Guassú, Bagua e Merlin.

Esse acompanhamento ajudou a estabelecer relações de parentesco e a documentar diferentes gerações de onças em vida livre no Pantanal.

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