Agro Mato Grosso
MT até 2070: o segredo do único estado que cresce enquanto todos os outros encolhem

Único estado com crescimento populacional até 2070, Mato Grosso se destaca pela força do agronegócio, qualificação e geração de empregos, que atraem novos moradores.
Enquanto os estados brasileiros se preparam para encolher nas próximas décadas, Mato Grosso segue em movimento contrário, sendo o único estado que, segundo as projeções do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), continuará crescendo até 2070 — uma curva que desafia o cenário nacional e já começa a redesenhar cidades, serviços públicos e rotinas no presente.
🔍A projeção demográfica levanta uma questão central: o que faz de Mato Grosso a exceção e como o estado se prepara para o futuro?
Segundo especialistas ouvidos, o ‘segredo’ que mantém Mato Grosso na contramão do país se apoia em três pilares:
- 🌾expansão do agronegócio;
- 🤝geração de empregos na cadeia produtiva;
- 🛬migração de jovens em busca de renda e estabilidade.
Estima-se que o estado vai ultrapassar 5,2 milhões habitantes até 2070, um aumento de quase 44% se comparado com o Censo 2022, quando foram contabilizados 3.658.813 moradores.
A projeção no país é que a população encolha antes do previsto, puxada pela queda da fecundidade e o aumento da população idosa. No entanto, Mato Grosso deve seguir na contrapartida.
Segundo o pesquisador em Informações Geográficas e Estatísticas do IBGE, Marcio Mitsuo Minamiguchi, enquanto a idade mediana do brasileiro será de 51,2 anos em 2070, em Mato Grosso será de 44,8 anos no mesmo período (veja na tabela mais abaixo).
📈A idade mediana da população de 2023 e 2070
| ESTADO | 2023 | 2070 |
| Rio Grande do Sul | 37,8 | 52,1 |
| Rio de Janeiro | 37,3 | 52,1 |
| Minas Gerais | 36,7 | 52,0 |
| São Paulo | 36,4 | 51,6 |
| Espírito Santo | 35,5 | 49,6 |
| Paraná | 35,5 | 50,6 |
| Santa Catarina | 35,4 | 48,8 |
| Bahia | 34,9 | 52,8 |
| Rio Grande do Norte | 34,5 | 52,6 |
| Distrito Federal | 34,5 | 53,3 |
| Goiás | 34,2 | 49,7 |
| Paraíba | 34,1 | 51,3 |
| Piauí | 33,7 | 52,6 |
| Pernambuco | 33,7 | 51,6 |
| Ceará | 33,5 | 52,1 |
| Sergipe | 33,1 | 52,4 |
| Mato Grosso do Sul | 32,9 | 48,7 |
| Rondônia | 32,1 | 50,3 |
| Mato Grosso | 32,1 | 44,8 |
| Alagoas | 32,0 | 51,4 |
| Tocantins | 31,6 | 50,0 |
| Maranhão | 30,3 | 52,6 |
| Pará | 29,7 | 50,8 |
| Amazonas | 27,6 | 48,7 |
| Acre | 27,4 | 50,6 |
| Amapá | 27,3 | 50,5 |
| Roraima | 26,8 | 46,7 |
Para o sociólogo e professor de economia da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Maurício Munhoz, o estado possui um dinamismo econômico singular. Ele explicou que isso mostra a força das cadeias do agronegócio, da agroindústria e dos novos serviços associados, que criam polos regionais capazes de atrair gente de todo o país.
Os pesquisadores ressaltam que políticas públicas têm papel direto nesse processo, seja pela infraestrutura que atrai investimentos, seja pelas áreas em que a expansão populacional já pressiona serviços. Para eles, o futuro demográfico de Mato Grosso dependerá da capacidade de transformar esse crescimento em qualidade de vida.
Quem veio para ficar
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Bernardo Leandro saiu do RS para trabalhar em Mato Grosso e se apaixonou pelas belezas naturais do estado — Foto: Arquivo pessoal
O gaúcho Bernardo Leandro Carvalho Costa, de 32 anos, deixou Triunfo (RS) em fevereiro de 2023 para passar uma temporada em Mato Grosso. A ideia era simples: começar a carreira docente num mercado que, no Sul, encolheu após a pandemia. A primeira vaga apareceu em Barra do Garças (MT).
“Era para ser algo temporário e hoje não desejo sair. A ideia era completar um ano de docência e ir para outro lugar, mas apareceram muitas oportunidades no interior e também na capital e, além disso, me sinto num estado que realmente passa por um ‘boom’ no desenvolvimento. Tive uma recepção muito grande ao ponto de que agora sinto que sou daqui”, relatou.
Bernardo passou de professor em instituição privada para substituto da Universidade Federal, até ser aprovado em um concurso da UFMT, em Cuiabá. No mesmo período, consolidou o trabalho como advogado e criou vínculos com a região.
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Bernardo Leandro Carvalho Costa e Maurício Pedroso Flores, ambos do RS e professores de direito, se conheceram após se mudarem para MT — Foto: Arquivo pessoal
O movimento de chegada também levou a Barra do Garças (MT) o professor universitário de direito, Maurício Pedroso Flores, de 32 anos. Ele soube, por intermédio de Bernardo, de uma vaga pouco antes de concluir o doutorado no Rio Grande do Sul e decidiu tentar, mesmo sem conhecer a cidade.
“Vim com uma mala e um sonho. Não tinha muita ideia do que esperar daqui, mas descobri que é um lugar muito bom, cheio de oportunidades. Hoje sou realmente muito grato a tudo que essa terra me deu e não tenho vontade de sair daqui”, ressaltou.
De acordo com o Censo 2022, o estado recebeu mais de 300 mil novos moradores de outras unidades da federação entre 2010 e 2022 — um dos maiores saldos proporcionais do Brasil. A chegada de tanta gente se justifica, também, pela oportunidade que o mercado de trabalho oferece:
- 💼Emprego: foram criados mais de 56 mil novos postos de trabalho entre janeiro e outubro deste ano, segundo o Caged;
- 📊Ranking: MT é o 2° estado do país com o maior número de empregos com carteira assinada;
- 👦Jovens: em 2024 o estado tinha 628 mil jovens empregados e registrou a menor taxa de desemprego do Brasil (4,05%) para essa categoria, apontou o IBGE;
- 💰Salário: MT teve crescimento no rendimento médio real do trabalho, chegando a R$ 3.507 no terceiro trimestre deste ano.

Secretário de Desenvolvimento Econômico de MT fala sobre geração de empregos
O secretário de Desenvolvimento Econômico do estado, César Miranda, ressaltou que os números demonstram a tendência de crescimento do mercado de trabalho e expansão de diversos setores da economia.
🏡Expansão urbana
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Municípios de MT ampliam moradias e se preparam para o crescimento — Foto: Christiano Antonucci/Secom-MT
A chegada de mais gente e o crescimento populacional acelerado pressionam as cidades a ampliarem as moradias. O relatório de déficit habitacional do Brasil, divulgado pela Fundação João Pinheiro (FJP), aponta que Mato Grosso precisa de cerca de 120 mil novas casas para dar conta da demanda atual.
Além do programa federal Minha Casa, Minha Vida, o estado colocou em funcionamento o Sistema Habitacional de Mato Grosso (SiHabMT), em 2023, que operacionaliza o programa SER Família Habitação, para acelerar a construção.
Não há um cronograma oficial sobre quando o estado pretende zerar a fila da habitação. No entanto, 79 municípios já aderiram ao programa para receberem os recursos para construção. Desde o início da operação, foram investidos cerca de R$ 95 milhões em subsídios, beneficiando mais de 6 mil famílias.
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Município em expansão trabalha para receber novos moradores — Foto: Christiano Antonucci/Secom-MT
À medida que se torna o único estado com crescimento contínuo, Mato Grosso também amplia o mapa de cidades que precisam de infraestrutura. Boa Esperança do Norte (MT), por exemplo, é o município mais novo do Brasil e recebeu R$ 10 milhões do governo, em outubro deste ano, para asfaltar ruas e avenidas, num esforço para acompanhar a velocidade da expansão demográfica.
O objetivo, segundo o prefeito Cabele Francio, é tornar a cidade um modelo do agronegócio no estado.
“Estou com quase todos os projetos prontos, terminando a parte da engenharia para aplicar esses recursos na recapagem das ruas e na construção de uma avenida nova”, explicou.
O município conta com uma população de 5.877 moradores e estreou no ranking populacional superando 1.867 cidades brasileiras em número de habitantes. Um dos potenciais destacados é a produção de grãos, com mais de 700 mil toneladas em uma área estimada de 280 mil hectares.
Outra região que temia por investimentos era o Distrito de Nova Poxoréu, que começou a ser habitado há 15 anos, mas nunca teve um asfalto que ligasse a Primavera do Leste (MT), onde a maioria dos moradores trabalha. Após reunião no fim de novembro deste ano, o governo anunciou um investimento estimado em R$ 7 milhões, destinados às prefeituras para asfaltar os 6 km do trecho de ligação.
“O aluguel em Primavera é mais caro e, por isso, essas pessoas moram no distrito, que é mais barato. Mas elas passam por esse sofrimento de enfrentar lama ou poeira e agora a obra vai garantir mais dignidade”, declarou o prefeito Sergio Machnic, após a reunião.
💰De olho na economia
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As maiores altas no PIB foram registradas no Acre (14,7%), Mato Grosso do Sul (13,4%), Mato Grosso (12,9%) — Foto: Sistema de Contas Regionais | IBGE
A expansão econômica é outro fator que tende a atrair novas famílias e sustentar o crescimento urbano. Para o ministro da Agricultura e Pecuária do Brasil, Carlos Fávaro, os investimentos do Fundo Estadual de Transporte e Habitação (Fethab) foram fundamentais para o desenvolvimento do estado nos últimos anos.
“É um estado com muita vocação para a produção de alimentos, terras propícias, homens e mulheres vocacionados e um investimento contínuo a partir da criação do Fethab para a construção de infraestrutura e um crescimento sustentável, principalmente em áreas que têm oportunidades, mas que não tinham infraestrutura. Isso permitiu com que o Mato Grosso tivesse esse crescimento acima da média brasileira”, disse em entrevista a imprensa.
Nos últimos 20 anos, Mato Grosso liderou o crescimento econômico no país. O estado teve média anual de 5,2%, sendo a maior entre todas as unidades da federação. Só em 2023, a economia mato-grossense movimentou R$ 273 bilhões, uma alta de 12,9% — o terceiro maior avanço do Brasil, atrás apenas do Acre e de Mato Grosso do Sul, segundo levantamento do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), divulgado em 2024 (veja no gráfico acima).
O desempenho fez o estado ganhar espaço no mapa econômico nacional: hoje, responde por 2,5% de todo o PIB brasileiro, o maior salto de participação registrado entre os estados no período de 2002 a 2023.
🧑🌾A força do agronegócio também ajuda a explicar por que mantém uma trajetória de expansão. De acordo com a Secretaria de Política Agrícola do MAPA, seis das dez cidades mais ricas do agronegócio brasileiro estão em território mato-grossense, reflexo direto da liderança nacional na produção de soja, milho e algodão.

Os principais destaques foram:
- 🌽Milho: produção da segunda safra de milho atingiu um recorde de 55,1 milhões de toneladas, um aumento de 12,9% em relação à safra anterior; quase metade da produção nacional;
- 🌱Soja: em seguida aparece a soja, que viu a produção passar de 40,4 milhões de toneladas em 23/24 para 51,3 milhões em 24/25, crescimento de 26,9%;
- 💭e o caroço do algodão, que saiu de 3,7 milhões de toneladas produzidas em 23/24 para 4 milhões de toneladas, variação positiva de 8,3%, enquanto a pluma do algodão variou de 2,6 milhões de toneladas para 2,8 milhões de toneladas, aumento também de 8,3%.
O peso dessa produção é sustentado por uma logística que vem sendo ampliada ano após ano. O Ministério dos Transportes mostra que o estado concentra alguns dos principais corredores de exportação do país, fruto da pavimentação e duplicação de rodovias federais e estaduais, além das concessões que vêm modernizando trechos estratégicos.
Conforme a Secretaria Estadual de Infraestrutura e Logística (Sinfra-MT), são 33 mil quilômetros de estradas, responsáveis por garantir as ligações entre os 142 municípios, e colocando Mato Grosso como o estado brasileiro com a maior malha rodoviária estadual do país.
Uma das principais obras transforma a BR-163, principal rota do agronegócio, em um corredor logístico mais seguro e eficiente. A estrada é a principal rota de escoamento para os portos do Arco Norte, como Miritituba, no Pará, e de Santos (SP). A duplicação reduz o tempo de viagem e os custos operacionais.
Também está em construção a primeira ferrovia de Mato Grosso. Atualmente, mais de cinco mil trabalhadores contratados pela Rumo Logística concluíram cerca de 70% do projeto. Entre os responsáveis por essa mão de obra está o casal de engenheiros Andriele Rodrigues e David Prado Córdova, que deixou Curitiba (PR) com os dois filhos após ele ser promovido para atuar na obra. Já no estado, Andriele também foi contratada pela empresa.
“Aqui conseguimos conciliar carreira, rotina familiar e qualidade de vida. A decisão mudou nossa vida, trouxe mais estabilidade para as crianças, ampliou nossas perspectivas profissionais e fortaleceu nossa visão de futuro”, ressaltou Andriele.
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Casal de engenheiros Andriele Rodrigues e David Prado Córdova, que deixou Curitiba (PR) para trabalhar e morar em Mato Grosso — Foto: Arquivo pessoal
São 743 quilômetros de linha férrea que ligará Rondonópolis a Cuiabá, e Rondonópolis a Nova Mutum e Lucas do Rio Verde, além de se conectar com a malha ferroviária nacional, em direção ao Porto de Santos (SP), abrindo caminho para uma exportação ainda mais rápida.
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Projeto de implantação da 1ª ferrovia estadual de Mato Grosso — Foto: Secom-MT
Além do estado, o Ministério dos Transportes aplicou investimentos em Mato Grosso com a Ferrovia de Integração do Centro-Oeste (Fico), já em construção entre Mara Rosa (GO) e Água Boa (MT) — e a Ferrogrão, planejada para ligar Sinop (MT) a Miritituba (PA) e ampliar o escoamento pelo Arco Norte.

Ministro Carlos Fávaro cita a importância dos investimentos em ferrovias em MT
Esse avanço da infraestrutura tem efeito direto na dinâmica populacional: municípios do norte e sul de Mato Grosso vêm atraindo mão de obra de outras regiões, impulsionando tanto a economia local quanto o crescimento urbano nessas áreas que antes eram menos ocupadas.
Onde tudo começa
Ao mesmo tempo em que o agronegócio impulsiona o PIB, Mato Grosso também aposta na base da produção: a agricultura familiar, responsável por boa parte do alimento que chega às mesas e pelo desenvolvimento local.
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Agricultores familiares serão beneficiados com contratação de técnicos para regularização fundiária e ambienta — Foto: Mayke Toscano/Secom-MT
Em novembro, foi lançado o MT Produtivo – Desenvolvimento e Sustentabilidade, programa que prevê US$ 100 milhões em investimentos até 2030, com financiamento do Banco Mundial, para fortalecer cooperativas, ampliar o acesso a mercados e regularizar áreas rurais. A expectativa é que o programa beneficie 15 mil famílias com práticas produtivas mais sustentáveis e geração de renda no campo.
Além de fortalecer quem produz no campo, foram direcionados investimentos para preparar a mão de obra que sustenta essa engrenagem econômica. A Secretaria Estadual de Educação (Seduc-MT) anunciou a ampliação da política de educação profissional e tecnológica, que prevê 15 mil novas vagas para estudantes do ensino médio em cursos voltados justamente para áreas em expansão — da indústria ao agronegócio.
“Até o próximo ano, 22,2% das matrículas do Ensino Médio estarão vinculadas à Educação Profissional e Tecnológica (EPT), beneficiando estudantes de 108 dos 142 municípios do estado. Para 2027, o objetivo é alcançar 29,7% de participação”, informou a Seduc.
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Estudantes de Mato Grosso se preparam para o mercado de trabalho — Foto: Seduc-MT
Na saúde, o avanço populacional e a formação de novos centros urbanos desencadearam outra prioridade. O IBGE ressaltou que, mesmo que o estado vai ‘envelhecer’ depois dos demais, precisa se preparar.
“O grande desafio, mais do que o volume populacional, é o desafio de uma sociedade envelhecendo. Em termos de políticas públicas, quando a população envelhece, precisa de atenção à saúde. Esse é um dos grandes desafios para o futuro”, alertou o pesquisador Marcio Minamiguchi.
Atualmente, o estado tem seis hospitais públicos em construção, sendo dois em Cuiabá e quatro regionais no interior do estado. O objetivo é descentralizar serviços e ampliar o acesso da população a atendimentos especializados em todas as regiões do estado. Confira na galeria abaixo o andamento de cada obra:
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Para além das oportunidades econômicas e estruturais, Mato Grosso reserva belezas naturais que acolhem e aumentam ainda mais o desejo de ficar. O estado reúne três dos principais biomas brasileiros — Amazônia, Cerrado e Pantanal — e oferece paisagens únicas que atraem turistas do país inteiro.
No Pantanal, considerado Patrimônio Natural da Humanidade, a observação da vida selvagem e os safáris fotográficos se tornaram experiências que colocam o estado na rota do turismo ecológico mundial. Em Chapada dos Guimarães, a 65 km da capital, cachoeiras, paredões de arenito e trilhas de fácil acesso fazem do parque nacional um dos cartões-postais mais visitados da região Centro-Oeste. No norte, o Parque Estadual do Cristalino preserva uma das áreas mais ricas da Amazônia mato-grossense e se destaca como destino de pesquisadores e apaixonados por natureza.
Com rios de águas cristalinas, cavernas, mirantes e um clima que favorece o turismo durante todo o ano, Mato Grosso transforma quem chega para trabalhar em novos moradores — muitos deles seduzidos pela combinação entre qualidade de vida, oportunidades e um cenário natural que parece não ter fim.
Agro Mato Grosso
Valtra aposenta a lendária linha BH e lança Série M5 na Agrishow 2026

Após 26 anos dominando os canaviais, linha histórica do trator BH dá lugar a tratores mais tecnológicos, confortáveis e preparados para a agricultura digital
A Valtra oficializou, durante a Agrishow 2026, uma virada histórica no mercado de mecanização agrícola: a aposentadoria da consagrada Série BH e o lançamento da nova Série M5, apresentada como a “evolução da lenda”. Mais do que uma troca de portfólio, o movimento simboliza a transição entre gerações de tecnologia no campo brasileiro. Com 26 anos de trajetória, o BH não foi apenas um trator — foi um marco na mecanização do setor sucroenergético. Lançado em 2000, com os modelos BH140, BH160 e BH180, a linha rapidamente se consolidou como sinônimo de robustez e confiabilidade em operações severas. Herdando a tradição dos clássicos Valtra-Valmet 1580, 1780 e 1880S, o BH se tornou o “canavieiro raiz”, dominando os canaviais e sendo peça-chave em atividades como preparo de solo, plantio e transbordo.

Ao longo dos anos, a linha evoluiu em ciclos consistentes: a Geração 2 (2007) e a Geração 3 (2013) reforçaram sua liderança, enquanto a Geração 4, em 2017, elevou a potência para até 220 cv. Em 2018, a chegada da BH HiTech marcou o salto tecnológico com transmissão automatizada no segmento pesado. Esse histórico rendeu à Valtra, por uma década consecutiva, o reconhecimento do prêmio Master Cana como melhor trator do setor sucroenergético. Agora, esse legado ganha continuidade — e sofisticação — com a Série M5.

A evolução da lenda
A nova linha chega com os modelos M165 (165 cv) e M185 (185 cv), projetados para ampliar a produtividade em culturas como grãos, arroz e, naturalmente, cana-de-açúcar. Segundo a fabricante, a proposta é clara: preservar o DNA de força do BH, mas incorporar inteligência operacional, eficiência energética e conforto ao operador.
Em entrevista exclusiva a Marcio Peruchi, diretamente da feira, o diretor de marketing da Valtra, Fabio Dotto, destacou que a decisão não representa ruptura, mas evolução. “O BH fez uma história muito bonita no agro. Ele evoluiu desde os anos 2000 até hoje sempre ao lado do produtor. Tudo aquilo que fez o BH ser reconhecido foi mantido.
O que estamos fazendo agora é evoluir com tecnologias necessárias para os dias atuais”, afirmou. “Melhoramos a transmissão, trouxemos mais conforto e tecnologia na medida certa. O DNA permanece.” Essa visão é reforçada por Winston Quintas, coordenador de Marketing e Produto Trator da marca: “É uma nova era que começa. A Série M5 marca o próximo passo da evolução histórica da família BH, pensada estrategicamente para entregar máxima performance nas principais culturas do agronegócio brasileiro.”

Tecnologia embarcada e foco no operador
A Série M5 materializa esse avanço em uma série de inovações técnicas e operacionais. O conjunto é equipado com motores AGCO Power de 4 cilindros, reconhecidos pela eficiência e economia de combustível. A nova Transmissão Power Shift HiTech 3 sincronizada permite trocas de marcha com o trator em movimento, com maior suavidade e ganho operacional — um ponto crítico em jornadas intensas no campo.
O sistema hidráulico também foi reforçado, com vazão de 205 litros por minuto, garantindo desempenho consistente mesmo com implementos pesados e em condições severas.
No campo do conforto, a evolução é ainda mais evidente. A cabine foi completamente redesenhada, com novos revestimentos, assentos aprimorados e soluções práticas como uma “cooler box” integrada — detalhe que evidencia a preocupação com o bem-estar do operador em longas jornadas.
Visualmente, o trator também marca uma nova fase, com design mais moderno e robusto, destacando o novo capô de 5ª geração.
DNA canavieiro preservado
Mesmo com a ampliação de atuação para diferentes culturas, a Série M5 mantém uma ligação direta com o setor que consagrou o BH: a cana-de-açúcar. O tradicional kit canavieiro segue presente, incluindo eixo dianteiro com bitola de 3 metros, freio pneumático e barra de tração pino-bola — elementos fundamentais para operações de transbordo com máxima eficiência.
Tradição e futuro no mesmo equipamento
Para a Valtra, o lançamento da Série M5 representa mais do que um avanço tecnológico — é a consolidação de um conceito: unir a força do passado com as demandas do futuro
“O que fizemos foi honrar a herança de força incansável da linha BH, elevando a máquina ao seu ápice tecnológico. Entregamos um trator que respeita sua história, mas que olha para frente com inteligência operacional e conforto. É o encontro entre o trabalho bruto e a agricultura digital”, resume Winston Quintas.
O fim da Série BH encerra um dos capítulos mais emblemáticos da mecanização agrícola brasileira. Já a chegada da Série M5 deixa claro que, no campo, a evolução não apaga a história — ela a transforma em base para o próximo salto.
Agro Mato Grosso
Agro dobra empregos em 20 anos e sustenta mais de 50% da economia

O movimento acompanha a expansão da produção e da área cultivada. Mato Grosso lidera a produção nacional de grãos, com safras que superam 100 milhões de toneladas somando soja, milho e algodão. A área agrícola do Estado ultrapassa 20 milhões de hectares cultivados, dentro de um território de cerca de 90 milhões de hectares, o que evidencia o espaço ainda disponível para intensificação produtiva.
Esse crescimento dentro da porteira puxou a geração de empregos fora dela. A cadeia do agro — que inclui transporte, armazenagem, processamento e serviços — passou a absorver mão de obra em ritmo mais acelerado, especialmente a partir de 2021, com o avanço da agroindustrialização e o aumento do volume produzido.
O peso econômico é direto. O agronegócio responde por cerca de 50% a 55% do Produto Interno Bruto (PIB) de Mato Grosso, de acordo com estimativas do próprio Imea e de órgãos estaduais. Na prática, isso significa que mais da metade de toda a riqueza gerada no Estado está ligada ao campo.
Esse protagonismo se reflete na dinâmica regional. Municípios com forte presença agrícola concentram maior circulação de renda, impulsionando comércio, serviços e construção civil. O efeito multiplicador do agro faz com que cada safra movimente não apenas a produção, mas toda a economia local.
Ao mesmo tempo, o perfil da mão de obra vem mudando. A incorporação de tecnologia no campo e na indústria exige trabalhadores mais qualificados, enquanto a expansão logística amplia a demanda por serviços especializados. O resultado é um mercado de trabalho mais diversificado, que vai além das atividades tradicionais da agricultura.
Agro Mato Grosso
Plantio e validação de clones de eucalipto para regiões do estado de MT

O estado de Mato Grosso apresenta elevado potencial para o reflorestamento e redução da pressão sobre suas florestas nativas. Embora predominem cultivos e pastagens, observa-se crescimento gradual das áreas com plantios comerciais de árvores. Historicamente, a indústria florestal local foi abastecida por espécies nativas da Amazônia, mas a redução do extrativismo e os compromissos ambientais têm impulsionado a demanda por produtos de florestas plantadas.
O cultivo de eucalipto, antes limitado pela baixa demanda, tornou-se promissor com a instalação de indústrias de etanol de milho (como FS Bioenergia, INPASA, ALD Bioenergia, Etamil, Enermat etc), que utilizam esses exemplares como biomassa. A projeção é de 324 mil hectares plantados, com foco em áreas próximas às usinas (raio de 150 km). Além disso, a indústria de celulose EucaEnergy, prevista para iniciar operações em dezembro de 2025 no Vale do Araguaia, demandará cerca de 200 mil hectares.
Caso todos os projetos se concretizem, estima-se que uma área de cultivo de eucalipto alcance 500 mil hectares em dez anos, favorecendo também sistemas de integração laboral-pecuária-floresta (ILPF) voltados à produção de biomassa.
Entretanto, a expansão dos plantios tem ocorrido em solos arenosos e regiões com restrições hídricas, o que afeta o desempenho dos clones comerciais atuais (H13, I144 e VM01), resultando em desfolhamento, mortalidade e baixa produtividade. Essa situação foi relatada à AREFLORESTA (Associação de Reflorestadores de Mato Grosso) por produtores, que buscaram apoio da Embrapa para estabelecer uma nova rede de pesquisa com eucaliptos no estado.
A demanda crescente por biomassa para energia e secagem de grãos, somada à instalação de agroindústrias e ao Plano ABC+ MT (que prevê 285 mil hectares de florestas plantadas até 2030), reforça a atratividade do reflorestamento comercial. No entanto, os produtores enfrentam dificuldades pela falta de conhecimento sobre espécies e clones adaptados a diferentes regiões, além da adoção de práticas silviculturais prejudiciais, que favorecem problemas abióticos e bióticos. Diante disso, torna-se essencial desenvolver estratégias baseadas em pesquisa para garantir o sucesso dos projetos florestais, cujos retornos são de médio e longo prazo.
A Embrapa, em parceria com associados da AREFLORESTA, propõe a instalação de Testes Clonais Ampliados (TCA’s) para validar clones comerciais no estado. Serão avaliados 60 clones (BRS) em comparação com três até clones já utilizados na região (H13, I144 e VM01), em parcelas de 100 plantas (10 x 10), distribuídas em sete locais (Primavera do Leste, Rondonópolis, Santa Antônio do Leverger, Brasnorte, Santa Rita do Trivelato, São José do Rio Claro e Sinop) que representam diferentes condições edafoclimáticas de Mato Grosso.
O objetivo é disponibilizar materiais genéticos com alta produtividade e características adequadas para uso energético, como alta densidade básica e alto índice de rachaduras nas toras, o que reduza custos no preparo da biomassa para o setor agroindustrial. Por se tratar de uma proposta com avaliação de clones multiespécies em uma região de alta demanda, os resultados serão de grande interesse para as empresas.
O projeto tem o potencial de provar a redução do risco da atividade florestal, o aumento da produtividade da madeira, a identificação de clones que podem ser usados como genitores em futuros programas de melhoramento genético, o treinamento de estudantes e profissionais e as contribuições de um Programa de Pesquisa Florestal em Mato Grosso. O principal resultado será a indicação de clones mais adaptados, com informações acessíveis à sociedade florestal mato-grossense.
O projeto tem a Embrapa Agrossilvipastoril como proponente e responsável pela execução, e faz parte da equipe de pesquisadores da Embrapa Florestas e associados da AREFLORESTA, os quais cedem áreas experimentais e importantes com mão de obra, fortalecendo a geração de tecnologias específicas aos produtores. (com Assessoria/Embrapa Agrossilvipastoril)
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