Agro Mato Grosso
MT até 2070: o segredo do único estado que cresce enquanto todos os outros encolhem

Único estado com crescimento populacional até 2070, Mato Grosso se destaca pela força do agronegócio, qualificação e geração de empregos, que atraem novos moradores.
Enquanto os estados brasileiros se preparam para encolher nas próximas décadas, Mato Grosso segue em movimento contrário, sendo o único estado que, segundo as projeções do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), continuará crescendo até 2070 — uma curva que desafia o cenário nacional e já começa a redesenhar cidades, serviços públicos e rotinas no presente.
🔍A projeção demográfica levanta uma questão central: o que faz de Mato Grosso a exceção e como o estado se prepara para o futuro?
Segundo especialistas ouvidos, o ‘segredo’ que mantém Mato Grosso na contramão do país se apoia em três pilares:
- 🌾expansão do agronegócio;
- 🤝geração de empregos na cadeia produtiva;
- 🛬migração de jovens em busca de renda e estabilidade.
Estima-se que o estado vai ultrapassar 5,2 milhões habitantes até 2070, um aumento de quase 44% se comparado com o Censo 2022, quando foram contabilizados 3.658.813 moradores.
A projeção no país é que a população encolha antes do previsto, puxada pela queda da fecundidade e o aumento da população idosa. No entanto, Mato Grosso deve seguir na contrapartida.
Segundo o pesquisador em Informações Geográficas e Estatísticas do IBGE, Marcio Mitsuo Minamiguchi, enquanto a idade mediana do brasileiro será de 51,2 anos em 2070, em Mato Grosso será de 44,8 anos no mesmo período (veja na tabela mais abaixo).
📈A idade mediana da população de 2023 e 2070
| ESTADO | 2023 | 2070 |
| Rio Grande do Sul | 37,8 | 52,1 |
| Rio de Janeiro | 37,3 | 52,1 |
| Minas Gerais | 36,7 | 52,0 |
| São Paulo | 36,4 | 51,6 |
| Espírito Santo | 35,5 | 49,6 |
| Paraná | 35,5 | 50,6 |
| Santa Catarina | 35,4 | 48,8 |
| Bahia | 34,9 | 52,8 |
| Rio Grande do Norte | 34,5 | 52,6 |
| Distrito Federal | 34,5 | 53,3 |
| Goiás | 34,2 | 49,7 |
| Paraíba | 34,1 | 51,3 |
| Piauí | 33,7 | 52,6 |
| Pernambuco | 33,7 | 51,6 |
| Ceará | 33,5 | 52,1 |
| Sergipe | 33,1 | 52,4 |
| Mato Grosso do Sul | 32,9 | 48,7 |
| Rondônia | 32,1 | 50,3 |
| Mato Grosso | 32,1 | 44,8 |
| Alagoas | 32,0 | 51,4 |
| Tocantins | 31,6 | 50,0 |
| Maranhão | 30,3 | 52,6 |
| Pará | 29,7 | 50,8 |
| Amazonas | 27,6 | 48,7 |
| Acre | 27,4 | 50,6 |
| Amapá | 27,3 | 50,5 |
| Roraima | 26,8 | 46,7 |
Para o sociólogo e professor de economia da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Maurício Munhoz, o estado possui um dinamismo econômico singular. Ele explicou que isso mostra a força das cadeias do agronegócio, da agroindústria e dos novos serviços associados, que criam polos regionais capazes de atrair gente de todo o país.
Os pesquisadores ressaltam que políticas públicas têm papel direto nesse processo, seja pela infraestrutura que atrai investimentos, seja pelas áreas em que a expansão populacional já pressiona serviços. Para eles, o futuro demográfico de Mato Grosso dependerá da capacidade de transformar esse crescimento em qualidade de vida.
Quem veio para ficar
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Bernardo Leandro saiu do RS para trabalhar em Mato Grosso e se apaixonou pelas belezas naturais do estado — Foto: Arquivo pessoal
O gaúcho Bernardo Leandro Carvalho Costa, de 32 anos, deixou Triunfo (RS) em fevereiro de 2023 para passar uma temporada em Mato Grosso. A ideia era simples: começar a carreira docente num mercado que, no Sul, encolheu após a pandemia. A primeira vaga apareceu em Barra do Garças (MT).
“Era para ser algo temporário e hoje não desejo sair. A ideia era completar um ano de docência e ir para outro lugar, mas apareceram muitas oportunidades no interior e também na capital e, além disso, me sinto num estado que realmente passa por um ‘boom’ no desenvolvimento. Tive uma recepção muito grande ao ponto de que agora sinto que sou daqui”, relatou.
Bernardo passou de professor em instituição privada para substituto da Universidade Federal, até ser aprovado em um concurso da UFMT, em Cuiabá. No mesmo período, consolidou o trabalho como advogado e criou vínculos com a região.
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Bernardo Leandro Carvalho Costa e Maurício Pedroso Flores, ambos do RS e professores de direito, se conheceram após se mudarem para MT — Foto: Arquivo pessoal
O movimento de chegada também levou a Barra do Garças (MT) o professor universitário de direito, Maurício Pedroso Flores, de 32 anos. Ele soube, por intermédio de Bernardo, de uma vaga pouco antes de concluir o doutorado no Rio Grande do Sul e decidiu tentar, mesmo sem conhecer a cidade.
“Vim com uma mala e um sonho. Não tinha muita ideia do que esperar daqui, mas descobri que é um lugar muito bom, cheio de oportunidades. Hoje sou realmente muito grato a tudo que essa terra me deu e não tenho vontade de sair daqui”, ressaltou.
De acordo com o Censo 2022, o estado recebeu mais de 300 mil novos moradores de outras unidades da federação entre 2010 e 2022 — um dos maiores saldos proporcionais do Brasil. A chegada de tanta gente se justifica, também, pela oportunidade que o mercado de trabalho oferece:
- 💼Emprego: foram criados mais de 56 mil novos postos de trabalho entre janeiro e outubro deste ano, segundo o Caged;
- 📊Ranking: MT é o 2° estado do país com o maior número de empregos com carteira assinada;
- 👦Jovens: em 2024 o estado tinha 628 mil jovens empregados e registrou a menor taxa de desemprego do Brasil (4,05%) para essa categoria, apontou o IBGE;
- 💰Salário: MT teve crescimento no rendimento médio real do trabalho, chegando a R$ 3.507 no terceiro trimestre deste ano.

Secretário de Desenvolvimento Econômico de MT fala sobre geração de empregos
O secretário de Desenvolvimento Econômico do estado, César Miranda, ressaltou que os números demonstram a tendência de crescimento do mercado de trabalho e expansão de diversos setores da economia.
🏡Expansão urbana
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Municípios de MT ampliam moradias e se preparam para o crescimento — Foto: Christiano Antonucci/Secom-MT
A chegada de mais gente e o crescimento populacional acelerado pressionam as cidades a ampliarem as moradias. O relatório de déficit habitacional do Brasil, divulgado pela Fundação João Pinheiro (FJP), aponta que Mato Grosso precisa de cerca de 120 mil novas casas para dar conta da demanda atual.
Além do programa federal Minha Casa, Minha Vida, o estado colocou em funcionamento o Sistema Habitacional de Mato Grosso (SiHabMT), em 2023, que operacionaliza o programa SER Família Habitação, para acelerar a construção.
Não há um cronograma oficial sobre quando o estado pretende zerar a fila da habitação. No entanto, 79 municípios já aderiram ao programa para receberem os recursos para construção. Desde o início da operação, foram investidos cerca de R$ 95 milhões em subsídios, beneficiando mais de 6 mil famílias.
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Município em expansão trabalha para receber novos moradores — Foto: Christiano Antonucci/Secom-MT
À medida que se torna o único estado com crescimento contínuo, Mato Grosso também amplia o mapa de cidades que precisam de infraestrutura. Boa Esperança do Norte (MT), por exemplo, é o município mais novo do Brasil e recebeu R$ 10 milhões do governo, em outubro deste ano, para asfaltar ruas e avenidas, num esforço para acompanhar a velocidade da expansão demográfica.
O objetivo, segundo o prefeito Cabele Francio, é tornar a cidade um modelo do agronegócio no estado.
“Estou com quase todos os projetos prontos, terminando a parte da engenharia para aplicar esses recursos na recapagem das ruas e na construção de uma avenida nova”, explicou.
O município conta com uma população de 5.877 moradores e estreou no ranking populacional superando 1.867 cidades brasileiras em número de habitantes. Um dos potenciais destacados é a produção de grãos, com mais de 700 mil toneladas em uma área estimada de 280 mil hectares.
Outra região que temia por investimentos era o Distrito de Nova Poxoréu, que começou a ser habitado há 15 anos, mas nunca teve um asfalto que ligasse a Primavera do Leste (MT), onde a maioria dos moradores trabalha. Após reunião no fim de novembro deste ano, o governo anunciou um investimento estimado em R$ 7 milhões, destinados às prefeituras para asfaltar os 6 km do trecho de ligação.
“O aluguel em Primavera é mais caro e, por isso, essas pessoas moram no distrito, que é mais barato. Mas elas passam por esse sofrimento de enfrentar lama ou poeira e agora a obra vai garantir mais dignidade”, declarou o prefeito Sergio Machnic, após a reunião.
💰De olho na economia
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As maiores altas no PIB foram registradas no Acre (14,7%), Mato Grosso do Sul (13,4%), Mato Grosso (12,9%) — Foto: Sistema de Contas Regionais | IBGE
A expansão econômica é outro fator que tende a atrair novas famílias e sustentar o crescimento urbano. Para o ministro da Agricultura e Pecuária do Brasil, Carlos Fávaro, os investimentos do Fundo Estadual de Transporte e Habitação (Fethab) foram fundamentais para o desenvolvimento do estado nos últimos anos.
“É um estado com muita vocação para a produção de alimentos, terras propícias, homens e mulheres vocacionados e um investimento contínuo a partir da criação do Fethab para a construção de infraestrutura e um crescimento sustentável, principalmente em áreas que têm oportunidades, mas que não tinham infraestrutura. Isso permitiu com que o Mato Grosso tivesse esse crescimento acima da média brasileira”, disse em entrevista a imprensa.
Nos últimos 20 anos, Mato Grosso liderou o crescimento econômico no país. O estado teve média anual de 5,2%, sendo a maior entre todas as unidades da federação. Só em 2023, a economia mato-grossense movimentou R$ 273 bilhões, uma alta de 12,9% — o terceiro maior avanço do Brasil, atrás apenas do Acre e de Mato Grosso do Sul, segundo levantamento do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), divulgado em 2024 (veja no gráfico acima).
O desempenho fez o estado ganhar espaço no mapa econômico nacional: hoje, responde por 2,5% de todo o PIB brasileiro, o maior salto de participação registrado entre os estados no período de 2002 a 2023.
🧑🌾A força do agronegócio também ajuda a explicar por que mantém uma trajetória de expansão. De acordo com a Secretaria de Política Agrícola do MAPA, seis das dez cidades mais ricas do agronegócio brasileiro estão em território mato-grossense, reflexo direto da liderança nacional na produção de soja, milho e algodão.

Os principais destaques foram:
- 🌽Milho: produção da segunda safra de milho atingiu um recorde de 55,1 milhões de toneladas, um aumento de 12,9% em relação à safra anterior; quase metade da produção nacional;
- 🌱Soja: em seguida aparece a soja, que viu a produção passar de 40,4 milhões de toneladas em 23/24 para 51,3 milhões em 24/25, crescimento de 26,9%;
- 💭e o caroço do algodão, que saiu de 3,7 milhões de toneladas produzidas em 23/24 para 4 milhões de toneladas, variação positiva de 8,3%, enquanto a pluma do algodão variou de 2,6 milhões de toneladas para 2,8 milhões de toneladas, aumento também de 8,3%.
O peso dessa produção é sustentado por uma logística que vem sendo ampliada ano após ano. O Ministério dos Transportes mostra que o estado concentra alguns dos principais corredores de exportação do país, fruto da pavimentação e duplicação de rodovias federais e estaduais, além das concessões que vêm modernizando trechos estratégicos.
Conforme a Secretaria Estadual de Infraestrutura e Logística (Sinfra-MT), são 33 mil quilômetros de estradas, responsáveis por garantir as ligações entre os 142 municípios, e colocando Mato Grosso como o estado brasileiro com a maior malha rodoviária estadual do país.
Uma das principais obras transforma a BR-163, principal rota do agronegócio, em um corredor logístico mais seguro e eficiente. A estrada é a principal rota de escoamento para os portos do Arco Norte, como Miritituba, no Pará, e de Santos (SP). A duplicação reduz o tempo de viagem e os custos operacionais.
Também está em construção a primeira ferrovia de Mato Grosso. Atualmente, mais de cinco mil trabalhadores contratados pela Rumo Logística concluíram cerca de 70% do projeto. Entre os responsáveis por essa mão de obra está o casal de engenheiros Andriele Rodrigues e David Prado Córdova, que deixou Curitiba (PR) com os dois filhos após ele ser promovido para atuar na obra. Já no estado, Andriele também foi contratada pela empresa.
“Aqui conseguimos conciliar carreira, rotina familiar e qualidade de vida. A decisão mudou nossa vida, trouxe mais estabilidade para as crianças, ampliou nossas perspectivas profissionais e fortaleceu nossa visão de futuro”, ressaltou Andriele.
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Casal de engenheiros Andriele Rodrigues e David Prado Córdova, que deixou Curitiba (PR) para trabalhar e morar em Mato Grosso — Foto: Arquivo pessoal
São 743 quilômetros de linha férrea que ligará Rondonópolis a Cuiabá, e Rondonópolis a Nova Mutum e Lucas do Rio Verde, além de se conectar com a malha ferroviária nacional, em direção ao Porto de Santos (SP), abrindo caminho para uma exportação ainda mais rápida.
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Projeto de implantação da 1ª ferrovia estadual de Mato Grosso — Foto: Secom-MT
Além do estado, o Ministério dos Transportes aplicou investimentos em Mato Grosso com a Ferrovia de Integração do Centro-Oeste (Fico), já em construção entre Mara Rosa (GO) e Água Boa (MT) — e a Ferrogrão, planejada para ligar Sinop (MT) a Miritituba (PA) e ampliar o escoamento pelo Arco Norte.

Ministro Carlos Fávaro cita a importância dos investimentos em ferrovias em MT
Esse avanço da infraestrutura tem efeito direto na dinâmica populacional: municípios do norte e sul de Mato Grosso vêm atraindo mão de obra de outras regiões, impulsionando tanto a economia local quanto o crescimento urbano nessas áreas que antes eram menos ocupadas.
Onde tudo começa
Ao mesmo tempo em que o agronegócio impulsiona o PIB, Mato Grosso também aposta na base da produção: a agricultura familiar, responsável por boa parte do alimento que chega às mesas e pelo desenvolvimento local.
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Agricultores familiares serão beneficiados com contratação de técnicos para regularização fundiária e ambienta — Foto: Mayke Toscano/Secom-MT
Em novembro, foi lançado o MT Produtivo – Desenvolvimento e Sustentabilidade, programa que prevê US$ 100 milhões em investimentos até 2030, com financiamento do Banco Mundial, para fortalecer cooperativas, ampliar o acesso a mercados e regularizar áreas rurais. A expectativa é que o programa beneficie 15 mil famílias com práticas produtivas mais sustentáveis e geração de renda no campo.
Além de fortalecer quem produz no campo, foram direcionados investimentos para preparar a mão de obra que sustenta essa engrenagem econômica. A Secretaria Estadual de Educação (Seduc-MT) anunciou a ampliação da política de educação profissional e tecnológica, que prevê 15 mil novas vagas para estudantes do ensino médio em cursos voltados justamente para áreas em expansão — da indústria ao agronegócio.
“Até o próximo ano, 22,2% das matrículas do Ensino Médio estarão vinculadas à Educação Profissional e Tecnológica (EPT), beneficiando estudantes de 108 dos 142 municípios do estado. Para 2027, o objetivo é alcançar 29,7% de participação”, informou a Seduc.
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Estudantes de Mato Grosso se preparam para o mercado de trabalho — Foto: Seduc-MT
Na saúde, o avanço populacional e a formação de novos centros urbanos desencadearam outra prioridade. O IBGE ressaltou que, mesmo que o estado vai ‘envelhecer’ depois dos demais, precisa se preparar.
“O grande desafio, mais do que o volume populacional, é o desafio de uma sociedade envelhecendo. Em termos de políticas públicas, quando a população envelhece, precisa de atenção à saúde. Esse é um dos grandes desafios para o futuro”, alertou o pesquisador Marcio Minamiguchi.
Atualmente, o estado tem seis hospitais públicos em construção, sendo dois em Cuiabá e quatro regionais no interior do estado. O objetivo é descentralizar serviços e ampliar o acesso da população a atendimentos especializados em todas as regiões do estado. Confira na galeria abaixo o andamento de cada obra:
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🌄O paraíso está em MT
MT reúne paisagens da Amazônia, Cerrado e Pantanal — Foto: Reprodução
Para além das oportunidades econômicas e estruturais, Mato Grosso reserva belezas naturais que acolhem e aumentam ainda mais o desejo de ficar. O estado reúne três dos principais biomas brasileiros — Amazônia, Cerrado e Pantanal — e oferece paisagens únicas que atraem turistas do país inteiro.
No Pantanal, considerado Patrimônio Natural da Humanidade, a observação da vida selvagem e os safáris fotográficos se tornaram experiências que colocam o estado na rota do turismo ecológico mundial. Em Chapada dos Guimarães, a 65 km da capital, cachoeiras, paredões de arenito e trilhas de fácil acesso fazem do parque nacional um dos cartões-postais mais visitados da região Centro-Oeste. No norte, o Parque Estadual do Cristalino preserva uma das áreas mais ricas da Amazônia mato-grossense e se destaca como destino de pesquisadores e apaixonados por natureza.
Com rios de águas cristalinas, cavernas, mirantes e um clima que favorece o turismo durante todo o ano, Mato Grosso transforma quem chega para trabalhar em novos moradores — muitos deles seduzidos pela combinação entre qualidade de vida, oportunidades e um cenário natural que parece não ter fim.
Agro Mato Grosso
Aquecimento acelera gerações de Diceraeus melacanthus

O percevejo-barriga-verde (Diceraeus melacanthus) amplia gerações anuais nas regiões mais quentes do Centro-Sul. Estudo conduzido por pesquisadores do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná e da Universidade Estadual de Londrina calculou limites térmicos de desenvolvimento da praga e estimou o número de ciclos possíveis em Mato Grosso do Sul, Paraná e São Paulo. Os pesquisadores associaram esses parâmetros a séries históricas de temperatura e construíram mapas que mostram o potencial reprodutivo do inseto nessas áreas.
O trabalho apontou que Mato Grosso do Sul registra maior número de gerações. O estado alcança média de 11 ciclos ao ano. Municípios como Corumbá chegam a 13 gerações. A combinação de baixa altitude e altas temperaturas favorece o desenvolvimento do inseto.
São Paulo aparece em seguida. O estado registra média de nove gerações anuais. As regiões oeste e noroeste concentram os maiores valores, com até 11 ciclos por ano. Campos do Jordão apresenta apenas três gerações por causa das baixas temperaturas e da altitude elevada.
O Paraná mostra o menor potencial reprodutivo. O estado sustenta média de sete gerações anuais. Áreas frias e altas, como Palmas, Lapa e Pinhais, registram apenas quatro ciclos por ano. Os maiores valores, de até dez gerações, ocorrem no noroeste paranaense, próximo das divisas com Mato Grosso do Sul e São Paulo.
A latitude exerce a maior influência sobre o número de gerações. A altitude contribui menos. O estudo confirmou que regiões quentes aceleram o ciclo do inseto. Regiões frias retardam o desenvolvimento e reduzem a taxa reprodutiva.
Temperatura mínima
Os pesquisadores definiram a temperatura mínima de desenvolvimento em cerca de 14 ºC e o limite superior próximo de 33 ºC. O inseto completa o ciclo entre 16 e 31 ºC, com maior rapidez nas faixas mais elevadas. Esses dados sustentam o cálculo dos graus-dia e a projeção das gerações anuais.
O mapa conjunto dos três estados evidencia maior risco nas fronteiras agrícolas entre Mato Grosso do Sul, São Paulo e Paraná. Essas áreas sustentam de oito a mais de dez gerações por ano. Regiões frias, como o Vale do Paraíba e o sul paranaense, funcionam como barreiras climáticas.
Os autores destacam que a presença de hospedeiros alternativos e sistemas como a sucessão soja-milho permitem a permanência do percevejo. A praga encontra alimento no ano todo. O estudo reforça a importância do tratamento de sementes no milho e do monitoramento constante em áreas que apresentam maior número de gerações.
O trabalhou foi desenvolvido por Luciano Mendes de Oliveira, Rodolfo Bianco, Maurício Ursi Ventura, Ayres de Oliveira Menezes Júnior e Humberto Godoy Androcioli.
Outras informações em doi.org/10.3390/insects16121242
Agro Mato Grosso
Dia Mundial do Solo destaca ações do Mapa para recuperar e revitalizar solos no Brasil

O Dia Mundial do Solo, celebrado nesta sexta-feira (5), reforça a importância desse recurso natural essencial para a vida e para a produção de alimentos. A data, instituída pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), traz em 2025 o tema “Solos saudáveis para cidades saudáveis”, chamando atenção para o impacto direto da qualidade do solo no bem-estar da população.
Para enfrentar o cenário global de degradação — que, segundo a FAO, já atinge 33% dos solos do planeta — o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) desenvolve programas voltados à recuperação, ao mapeamento e à saúde dos solos brasileiros, como Solo Vivo, PronaSolos e Caminho Verde Brasil.
Lançado em 2025, o Programa Solo Vivo auxilia agricultores familiares com suporte técnico para manejo adequado e correção de solo em áreas degradadas. A primeira fase está sendo executada em Mato Grosso e no Amapá, priorizando regiões com maior demanda por revitalização.
PronaSolos quer mapear todo o território brasileiro até 2048
Coordenado pelo Mapa, o Programa Nacional de Levantamento e Interpretação de Solos do Brasil (PronaSolos) reúne pesquisas e informações detalhadas para orientar o uso sustentável da terra.
Atualmente, menos de 5% do território nacional possui mapas de solo em escala detalhada, segundo a Embrapa. A meta é mapear o Brasil nas escalas 1:25.000 a 1:100.000 até 2048.
Caminho Verde Brasil incentiva práticas sustentáveis
Para ampliar a produtividade agrícola sem expandir áreas de desmatamento, o programa Caminho Verde Brasil incentiva produtores rurais a adotar práticas de recuperação e manejo sustentável do solo.
Investir em solo é investir no futuro, diz ministro
O ministro Carlos Fávaro destacou que a saúde do solo impacta diretamente a segurança alimentar e a qualidade de vida.
“Solo saudável é sinônimo de alimento na mesa, água de qualidade e cidades mais resilientes. Quando recuperamos áreas degradadas e ampliamos o conhecimento sobre nossos solos, deixamos um legado de sustentabilidade para as próximas gerações”, afirmou.
Solo: base da alimentação mundial
A FAO alerta que 95% dos alimentos dependem diretamente do solo e que 2 bilhões de pessoas sofrem com falta de micronutrientes devido à infertilidade de áreas cultiváveis.
Com iniciativas que unem pesquisa, tecnologia e apoio direto aos produtores, o Mapa reforça que a preservação dos solos é um dos pilares para fortalecer o agronegócio, garantir segurança alimentar e promover desenvolvimento sustentável no campo e nas cidades.
Agro Mato Grosso
Área plantada com soja em Rondônia deve ultrapassar os 700 mil hectares na safra 2025/2026

A produção brasileira de grãos na safra 2025/2026 deverá superar o recorde da safra anterior e alcançar 354,8 milhões de toneladas, conforme projeção da Companhia Nacional de Abastecimento – Conab. A área plantada deve crescer 3,3%, atingindo 84,4 milhões de hectares.
A estimativa para Rondônia é que sejam colhidas 5,4 milhões de toneladas nesta safra, praticamente estável na comparação com o que foi obtido na safra 2024/2025, com expansão de 1,3% da área plantada, de mais de 1,2 milhão de hectares.
Informativo agropecuário
Essas e outras informações sobre a produção agropecuária, com foco no estado de Rondônia, estão disponíveis na 18ª edição do Informativo Agropecuário de Rondônia. O documento traz dados sobre a estimativa da safra de grãos no estado, bem como informações sobre a produção de outros produtos agropecuários, como café, mandioca, banana, peixes, carne e leite.
O material reúne informações coletadas em diversas fontes de dados oficiais, que permitem o acesso aos dados de maneira agregada e suas respectivas análises. Além disso, as fontes consultadas também estão disponíveis no documento para quem desejar aprofundar o assunto.
Os dados apresentados foram obtidos de fontes secundárias, como o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a Emater-RO, entre outros.
Grãos
A relação à produção de grãos e soja continua sendo a principal cultura agrícola do estado, com área plantada de 717,6 mil hectares e produção estimada de 2,6 milhões de toneladas. Considerando os últimos dez anos, o crescimento médio anual da área plantada com essa oleaginosa foi de 12,3%.
Já a produção de arroz deve apresentar redução de 7,2%, passando de 162,4 mil toneladas na safra 2024/2025 para 150,7 mil toneladas na safra atual. Essa redução pode ser explicada pelos baixos preços pagos pelo produtor, devido à menor demanda.
De acordo com o analista da Embrapa Rondônia, Calixto Rosa Neto, membro da equipe de elaboração do Informativo, existe uma tendência de estabilização na produção de grãos no estado, devido ao aumento dos custos de produção, sem que os preços apresentem a mesma evolução. “Além disso, à medida que a produção de grãos avança para as regiões central e norte do estado, os preços das terras se elevam, dificultando a expansão das áreas de plantio, não obstante a existência significativa de áreas com pastagens degradadas que podem ser aproveitadas para o plantio de grãos”, afirma.
Café
Com relação à produção de café, a estimativa é que tenham sido colhidas 2,3 milhões de sacas de 60 kg de café beneficiadas na safra 2025, 10,4% maior do que na safra 2024, com produtividade média de 55,5 sacas por hectare. Essa produtividade é a maior do país, bem acima da média nacional, de 29,7 sacas por hectare.
Outras culturas
A mandioca, outra cultura abordada pelo Informativo, deve apresentar redução da área plantada, de 17,6 mil hectares para 14,2 mil hectares, com uma consequente redução da produção, estimada em 289 mil toneladas.
Já a banana, embora deva apresentar estabilidade com relação à área colhida, de 7,1 mil hectares, terá incremento significativo na produtividade, passando de 11,3 mil kg por hectare para 14,4 mil, com reflexo na produção, que deve crescer 25,8%.
No que diz respeito à produção pecuária, dados dos dois primeiros trimestres de 2025, da Pesquisa Trimestral de Abates, do IBGE, indicam que, nesse período, foram abatidos 1,7 milhão de bovinos, com peso de carcaça de 409 mil toneladas, 5,3% e 1,2% maiores do que os valores obtidos no mesmo período de 2024, respectivamente.
A produção de leite nos dois primeiros trimestres de 2025 foi de 288,4 milhões de litros, 1% menor do que a obtida em período idêntico de 2024, conforme dados da Pesquisa Trimestral do Leite, do IBGE.
O Valor Bruto da Produção Agropecuária de Rondônia em 2025, calculado pela equipe do Setor de Prospecção e Avaliação de Tecnologia da Embrapa Rondônia (SPAT), está estimado em R$ 30,1 bilhões, 18,4% maior do que o obtido em 2024, com destaque para bovinos, soja, café, milho e leite que, juntos, devem responder por 89,4% do valor total, com destaque para o valor dos bovinos, que deve representar 47,1% do VBP rondoniense neste ano.
As exportações de carne bovina in natura, soja e milho de Rondônia, nos dez primeiros meses de 2025, geraram juntas receitas de quase US$ 2,5 bilhões.
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