Sustentabilidade
Ceema/Unijuí: Petróleo em alta e tensões no Oriente Médio impulsionam soja e farelo a níveis elevados – MAIS SOJA

A falta de consenso, para se chegar ao final da guerra no Oriente Médio, levou o petróleo a atingir os US$ 120,00/barril, uma das mais altas cotações dos últimos anos. Com isso, o preço do óleo de soja subiu mais um pouco em Chicago, batendo recorde recente, ao fechar o dia 30/04 em 76,36 centavos de dólar por libra-peso.
Este movimento, associado a um farelo também mais firme diante de problemas na Argentina, maior exportador mundial do subproduto, elevou o preço da soja naquela Bolsa. Assim, o bushel fechou em US$ 11,82 no dia 30/04, contra US$ 11,59 uma semana antes.
Vale destacar que os demais fundamentos do mercado continuam com viés baixista, salvo o reposicionamento dos Fundos, os quais voltaram à ponta compradora após ajustes em suas carteiras e diante das indefinições no Oriente Médio. Neste sentido, o plantio nos EUA avança muito bem, tendo atingido a 23% da área até o dia 26/04, ou seja, quase dobrando em uma semana e superando largamente a média histórica que é de 12%. Naquela data, 8% das lavouras da oleaginosa já haviam germinado, contra 1% na média histórica.
Por outro lado, na semana encerrada em 23/04 os EUA embarcaram 628.826 toneladas de soja, volume que leva o total exportado, no atual ano comercial, a 32,8 milhões de toneladas, contra mais de 43 milhões em igual período do ano anterior.
De forma geral, além da natural pressão sobre o óleo de soja, em tempos de petróleo elevado, existe, atualmente, forte demanda pelo farelo de soja, especialmente por parte de compradores europeus. Soma-se a isso uma oferta menor da Argentina. No caso do vizinho país, durante a semana a Holanda teria rejeitado dois navios de farelo de soja argentino (cf. Bloomberg) por ter “identificado material genético não aprovado no país europeu”. Aliás, isso também estaria sendo registrado em navios brasileiros de farelo de soja.
Como a Holanda é um dos maiores importadores de farelo da União Europeia, pois ela redistribui o produto para o restante da Europa, especula-se a possibilidade de aumentarem as compras do farelo estadunidense, o que fez a cotação do subproduto se elevar em Chicago. Há um receio de que esta situação se espalhe para os demais países da União Europeia. Além disso, existe demanda forte pelo farelo nos EUA, com o país também enfrentando alguns problemas logísticos.
Com isso, entre os dias 17/03 e 15/04 o farelo se valorizou 7,2% em Chicago, se mantendo, posteriormente, em níveis elevados. No Brasil, segundo a Abiove, o momento também é favorável ao farelo, pois a indústria moageira atinge boas margens no esmagamento, já que os preços internos da soja não acompanham a elevação internacional.
Estima-se que a produção total de farelo no Brasil, em 2026, atinja a 47,9 milhões de toneladas, superando em três milhões o volume do ano anterior. As exportações do subproduto deverão atingir a 24,6 milhões de toneladas, enquanto o consumo interno deverá alcançar 20,6 milhões (cf. Agrinvest Commodities).
E no Brasil, com um câmbio que se manteve entre R$ 4,95 e R$ 5,00 por dólar, os preços da soja continuaram baixos. No Rio Grande do Sul as principais praças registraram R$ 114,00/saco e no restante do país as principais regiões ficaram entre R$ 107,00 e R$ 113,00/saco, enquanto muitos locais estiveram sem cotação Por sua vez, a exportação de soja, pelo Brasil, até a quarta semana de abril, havia registrado alta de 12,5% na média diária de embarques, na comparação com abril do ano anterior.
Até aquele momento o país havia exportado, em abril/26, um total de 13,7 milhões de toneladas. Espera-se que no total do mesmo o volume tenha alcançado 16 milhões de toneladas. Se isso vier a acontecer, será um recorde mensal, superando a marca de abril de 2021.

Fonte: Informativo CEEMA UNIJUÍ, do prof. Dr. Argemiro Luís Brum¹
1 – Professor Titular do PPGDR da UNIJUÍ, doutor em Economia Internacional pela EHESS de Paris-França, coordenador, pesquisador e analista de mercado da CEEMA (FIDENE/UNIJUÍ).

Autor:Dr. Argemiro Luís Brum/CEEMA-UNIJUÍ
Site: Ceema/Unijuí
Sustentabilidade
Safra de incertezas? Custos elevados, endividamento e El Niño extremo tiram o sono do sojicultor e ameaçam rentabilidade

O vazio sanitário da soja já está em vigor em diversas regiões do Brasil e, em outras, começa em breve. O período, essencial para o controle da ferrugem asiática, também marca o início dos preparativos para a safra 2026/27. No entanto, o cenário para o próximo ciclo preocupa o produtor rural.
Mesmo após uma safra 2025/26 recorde, o clima de otimismo não se sustenta. O setor enfrenta uma combinação delicada de fatores, como endividamento agrícola, dificuldade de acesso ao crédito, custos elevados com insumos e preços pressionados no mercado.
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A Aprosoja São Paulo alerta que o momento exige cautela redobrada. A relação de troca, indicador importante para o produtor, segue desfavorável, exigindo planejamento rigoroso.
“Vamos para a próxima safra com incertezas constantes, tanto no cenário nacional quanto internacional, especialmente em relação aos fertilizantes e insumos. Mais do que nunca, é preciso fazer conta e agir com cautela”, destaca Andrey Rodrigues, presidente da associação.
Em Goiás, após o encerramento da safrinha, o estado entra no período de vazio sanitário. Por lá, cerca de 20% da safra 2026/27 já foi comercializada, com produtores aproveitando oportunidades de barter para antecipar a compra de insumos. Ainda assim, o ritmo de negócios segue abaixo da média histórica para esta época do ano.
O retorno do El Niño
Além das questões econômicas, o clima surge como o principal fator de preocupação. O retorno do El Niño reacende o alerta no campo. O fenômeno deve ganhar intensidade ao longo do segundo semestre de 2026 e pode se estender até o início de 2027. Para a sojicultura, isso representa mudanças importantes no regime de chuvas e aumento do risco de eventos climáticos extremos.
De acordo com projeções meteorológicas, o Centro-Oeste e o Sudeste devem enfrentar atraso no início das chuvas, o que pode comprometer a janela ideal de plantio. A regularização das precipitações é esperada apenas entre o fim de outubro e o início de novembro.
Por fim, no Sul do país, o cenário é oposto, com a tendência de aumento no volume de chuvas, o que pode favorecer a produtividade. Já no Matopiba e em áreas do Norte e Nordeste, a previsão é de redução das chuvas e elevação das temperaturas, aumentando o risco de perdas e atrasos no plantio.
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Sustentabilidade
Como a disponibilidade de nitrogênio altera a distribuição da produtividade de grãos na planta de soja – MAIS SOJA

A produtividade da soja é resultado da interação entre fatores genéticos, ambientais e de manejo, sendo determinada principalmente pela disponibilidade de recursos durante o ciclo da cultura. Recentemente, têm surgido o questionamento quanto à capacidade da Fixação biológica de nitrogênio (FBN) e do solo em atender às exigências de nitrogênio visando altas produtividades na soja (Salvagiotti et al., 2008; Cafaro La Menza et al., 2020). Embora diversos estudos já tenham demonstrado que a limitação de nitrogênio (N) pode reduzir a produtividade da soja (Cafaro La Menza et al., 2017), ainda existem lacunas sobre como esse nutriente afeta os componentes de rendimento ao longo da arquitetura da planta.
Nesse contexto, um estudo conduzido por Bonfanti et al. (2025) em nove ambientes irrigados nos Estados Unidos, comparou um tratamento com suprimento abundante de N (Full-N) com outro dependente exclusivamente do N do solo e da FBN (Zero-N), o resultado obtivo foi de um ganho médio de 984 kg ha-1 na produtividade de grãos, evidenciando a importância desse nutriente para a maximização do rendimento da cultura.
A resposta produtiva foi resultado da combinação entre aumento do número de sementes (+7%) e do peso individual das sementes (+11%). Entretanto, esses componentes responderam de maneira distinta dentro da planta. O incremento no número de sementes concentrou-se principalmente nos nós da região média-superior do dossel, em função do aumento do número de vagens, enquanto o peso das sementes apresentou resposta positiva em praticamente todas as posições da planta. O número de sementes por vagem foi pouco influenciado pelo suprimento de N (Figura 1).
Figura 1. Efeito da disponibilidade de nitrogênio sobre: (a) produtividade de grãos, (b) peso de sementes, (c) o número de sementes e (d) número de vagens, em diferentes posições da planta de soja. Os círculos amarelos representam os nós da haste principal e os triângulos verdes os ramos. Os valores expressam a diferença entre os tratamentos com alta disponibilidade de nitrogênio (Full-N) e baixa disponibilidade (Zero-N), considerando nove ambientes de avaliação. A linha vermelha indica a resposta média ao longo do dossel, dividido em cinco estratos conforme a posição relativa dos nós na planta.
Os resultados demonstram que o manejo adequado do N pode ampliar o potencial produtivo da soja. A compreensão da distribuição dos componentes de rendimento ao longo do dossel permite identificar quais regiões da planta são mais responsivas ao suprimento de N e oferece subsídios para estratégias de manejo voltadas à obtenção de maiores rendimentos.
Referências:
BONFANTI, L. et al. Soybean seed yield distribution within the canopy as affected by nitrogen supply. Crop Science, v. 65, n. 2, mar. 2025. Disponível em: < https://acsess.onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1002/csc2.70033 >, acesso: 18/05/2026.
CAFARO LA MENZA, N. et al. Insufficient nitrogen supply from symbiotic fixation reduces seasonal crop growth and nitrogen mobilization to seed in highly productive soybean crops. Plant, cell & environment, v. 43, n.8, p. 1958-1972, 2020. Disponível em: < https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32430922/ > ,acesso: 15/05/2026
CAFARO LA MENZA, N. et al. Is soybean yield limited by nitrogen supply? FieldCrops Research, v. 213, p. 204-212, 2017. Disponível em: < https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0378429017307797 >, acesso: 14/05/2026
SALVAGIOTTI, F. et al. Nitrogen uptake, fixation and response to fertilizer n in soybeans: a review. Field Crops Research, V. 108, n.1, p. 1-13, 2008. Disponível em: < https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0378429008000555 >, acesso: 15/05/2026
WINCK, J.E.M et al. Ecofisiologia da soja visando altas produtividades. 3era Edição, 2025.

Sustentabilidade
China reforça segurança alimentar e amplia estratégia para se tornar potência agrícola global – MAIS SOJA

A China está promovendo uma profunda reorganização de seu sistema agroalimentar com o objetivo de reduzir vulnerabilidades externas, fortalecer a segurança nacional e consolidar sua posição como potência agrícola global. A análise faz parte do estudo “O dilema da segurança alimentar na China: fases históricas e perspectivas”, publicado pelo Insper Agro Global neste mês.
Transformação agrícola
Segundo o levantamento, a política agrícola chinesa passou por uma transformação significativa ao longo dos últimos 70 anos. Se nos primeiros planos quinquenais a agricultura era subordinada ao processo de industrialização, atualmente ela ocupa papel central na estratégia nacional do país. Hoje, a China é o maior produtor, consumidor e importador mundial de alimentos, mas enfrenta limitações estruturais importantes: abriga cerca de 20% da população mundial, enquanto dispõe de apenas 8% das terras aráveis e 6% da água doce do planeta.
Metas ambiciosas
O estudo destaca que o 14º Plano Quinquenal (2021-2025) elevou a segurança alimentar ao mesmo nível estratégico de áreas como energia e finanças. Já o 15º Plano Quinquenal (2026-2030) amplia essa diretriz ao estabelecer metas ambiciosas, como elevar a produção de grãos para 725 milhões de toneladas, alcançar 85% de autossuficiência em sementes e ampliar a mecanização agrícola para mais de 80%.
Fatores externos
A mudança foi impulsionada por fatores externos recentes, entre eles a guerra comercial entre China e Estados Unidos, a pandemia de Covid-19 e os impactos da guerra na Ucrânia sobre os mercados globais de alimentos e fertilizantes. Nesse contexto, o governo chinês passou a tratar a segurança alimentar como elemento fundamental da segurança nacional.
Nova estratégia
Outro destaque da nova estratégia é a chamada “Grande Abordagem Alimentar”, que incorpora investimentos em biotecnologia, biologia sintética e proteínas alternativas. O objetivo é ampliar as fontes de abastecimento alimentar e reduzir a dependência de produtos importados, especialmente da soja, principal vulnerabilidade do sistema alimentar chinês. Atualmente, o país depende do exterior para cerca de 85% do consumo desse grão.
Risco de limitações
Apesar dos investimentos em inovação e produtividade, os pesquisadores alertam que a agricultura está sujeita a limitações físicas, climáticas e biológicas que tornam a substituição das importações um processo gradual. Por isso, a expectativa não é de uma redução abrupta das compras internacionais, mas de uma gestão mais estratégica das dependências externas.
Brasil e China
Para o Brasil, principal fornecedor agrícola da China, a tendência é de manutenção da relevância comercial, especialmente em cadeias como soja, carnes e outros produtos agroalimentares. O estudo aponta que a complementaridade entre as duas economias continua elevada, embora o cenário exija atenção crescente às mudanças regulatórias, tecnológicas e produtivas promovidas pelo governo chinês.
Transformação gradual
A avaliação final dos pesquisadores é que a nova estratégia chinesa não representa uma ameaça imediata às exportações brasileiras, mas sinaliza uma transformação gradual da forma como o país asiático administra sua segurança alimentar. Nesse cenário, acompanhar a evolução das políticas chinesas e diversificar a pauta exportadora brasileira serão fatores decisivos para manter a competitividade no mercado internacional.
Por Larissa Machado / larissamachado@sna.agr.br
Com informações do Insper Agro Global
Autor:Por Larissa Machado – Com informações do Insper Agro Global
Site: SNA
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