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IA identifica vespas que podem substituir inseticidas no combate às pragas

Uma pesquisa feita na Escola de Engenharia de São Carlos (EESC) da USP aliou técnicas de visão computacional e deep learning, um campo da inteligência artificial que tem se desenvolvido aceleradamente, para automatizar a identificação de vespas que podem ser usadas como controle biológico na agricultura.
Usando um banco de dados de mais de 3 mil imagens em alta resolução, a técnica identificou vespas parasitoides por família com alta precisão.
O estudo, apresentado como dissertação de mestrado de João Manoel Herrera Pinheiro, tem potencial para revolucionar o trabalho de especialistas em taxonomia, ciência que classifica, identifica, nomeia e organiza os seres vivos em categorias, na descrição e catalogação de insetos, ajudando também na contenção de pragas.
Essencial para o monitoramento eficaz da biodiversidade, para as pesquisas ecológicas e estratégias de controle biológico, a identificação taxonômica precisa é um trabalho de especialistas que realizam comparações detalhadas para construir o catálogo de seres vivos do qual a biologia depende.
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Foco do estudo
No entanto, o trabalho exige profissionais extremamente qualificados, e, por seu método de comparação manual, consome bastante tempo dos cientistas.
Biólogos da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) realizaram o trabalho em parceria com o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) dos Hymenoptera Parasitoides da Região Sudeste (Hympar/Sudeste), que reúne uma coleção de mais de 600 mil espécies de vespas.
“O foco do meu trabalho foi na identificação de vespas parasitoides, da família Ichneumonidae. Essa superfamília é o grupo mais diverso da ordem Hymenoptera, que contém as abelhas, formigas e vespas não-parasitoides, dentro do qual diversas espécies ainda não foram descritas”, diz João Pinheiro.
Ele explica que, por ser o maior grupo, esses invertebrados são abundantes e às vezes muito parecidos, o que aumenta a complexidade no trabalho do entomologista, que é quem identifica e estuda os insetos.
Inventário dos insetos
Apesar de os insetos representarem cerca de metade da biomassa global, cerca de 80% de espécies ainda não são conhecidas, gerando impactos diretos na conservação e em práticas de controle biológico.
De acordo com o pesquisador, o inventário de insetos ainda está incompleto, e essa lacuna na taxonomia, somada ao declínio global das espécies provocado pela ação humana, impacta diretamente o bem-estar humano.
Os insetos têm funções ecossistêmicas cruciais, que incluem polinização, manutenção da saúde de ecossistemas agrícolas, controle natural de pestes e decomposição de matéria orgânica.
“Com esse trabalho eu consegui aprender bastante sobre a importância das vespas. Foi gratificante ver como a engenharia e a inteligência artificial podem ajudar em outras áreas ”, conta.
Tecnologia a favor da ciência

Nesse sentido, a aplicação do deep learning propõe a utilização de modelos computacionais compostos de múltiplas camadas de processamento para “aprender” a partir de representações que usam dados abstratos, como imagens.
A tecnologia ganhou destaque nos últimos anos e já se aplica em diversas áreas, mas avançou de forma mais lenta no monitoramento de invertebrados e nas pesquisas em biodiversidade. Somente na última década o aprendizado computacional profundo começou a transformar os campos da entomologia e ecologia.
Marcelo Becker, coordenador do Centro de Robótica da USP, docente da EESC e orientador do estudo, reforça que esse trabalho pode poupar muito tempo de especialistas.
“Existe todo um ciclo em que a pessoa pesquisadora coloca armadilhas na mata ou na área de cultivo, coleta os insetos através de redes, coloca todos em receptáculos, manda para a universidade e reserva no frigorífico. Tirando dali, começa a separação entre o que é mosca, formiga, vespa. É preciso um especialista com anos de formação”, explica Becker.
Ele também ressalta que, com esse sistema, seja possível, através da imagem, identificar automaticamente o animal dentro da família, gênero ou espécie, o que deixa o especialista alocado em uma tarefa menos mecânica.
Uma nova ‘visão’
A proposta foi usar aprendizado profundo para que o computador reconhecesse estruturas visuais, com foco em características biologicamente relevantes, como padrões na nervação das asas e no formato da cabeça e do corpo dos insetos.
O material biológico utilizado no estudo foi cedido pela coleção taxonômica DCBU da UFSCar e o conjunto de dados Dataset of Parasitoid Wasps and Associated Hymenoptera (DAPWH), com 3.556 imagens em alta resolução que foram utilizadas para treinar o algoritmo e estão disponíveis publicamente.
“O modelo, de fato, aprendeu a identificar morfologias do inseto. Então, por exemplo, para uma família específica, a rede neural teve mais ativação na asa, ou seja, podemos dizer que o modelo ‘enxergou’ a asa para fazer aquela predição”, diz o autor do estudo.
“Poderíamos especular que o modelo possa vir a ‘enxergar’, no futuro, detalhes que o ser humano não não consegue diferenciar, afinal, nossa visão é limitada dentro do espectro de luz e o computador pode acessar uma faixa mais ampla e encontrar padrões que nós ainda não identificamos”, completa.
Biomimética: tecnologia inspirada na natureza

As vespas estudadas, majoritariamente nativas brasileiras, são conhecidas por parasitar outros insetos considerados pragas nas plantações. João Manoel Pinheiro, autor da dissertação, explica que essa família de vespas, por ser um grupo pouco explorado em temas de pesquisas, apresenta pouco uso em controle biológico.
“Pense que, ao invés de usar um defensivo agrícola numa plantação de mandioca ou de couve, por exemplo, a vespa, por causa do seu próprio ciclo de parasitismo, consegue matar as pragas dessas plantações, que geralmente são larvas de borboletas, utilizando as larvas para fechar o ciclo reprodutivo delas. É um controle biológico natural”, afirma João Manoel Pinheiro.
Marcelo Becker enfatiza que o acervo disponibilizado pela professora Angélica Maria Penteado-Dias, da UFSCar, foi essencial no potencial de aplicação da pesquisa para a agricultura. Constituído por fotografias de alta qualidade desse tipo de vespa parasitária, o conjunto de dados foi um diferencial.
“O acervo com que trabalhamos é muito específico: um tipo de vespa importante para fazer o controle biológico de pragas em diferentes culturas agrícolas.”
Ele conta que a professora explicou que há vespas que ajudam a controlar pragas na mandioca, cana-de-açúcar, café e muito mais.
“A importância e aplicabilidade dessa pesquisa para a agricultura está na alternativa mais sustentável ao uso de inseticidas e pesticidas, que constitui um impacto muito favorável”, conclui Becker.
O orientador da pesquisa reforça também que é muito importante fazer o reconhecimento de insetos no Brasil, uma vez que muitas espécies ainda não conhecidas podem ter aplicações nos mais diversos campos da economia e oferecer alternativas verdes para o desenvolvimento da sociedade.
*Sob supervisão de Hildeberto Jr.
*Com informações do Jornal da USP/Sthephany Oliveira
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Agro mantém confiança no futuro apesar de juros altos e restrição de crédito

Juros elevados, crédito mais restrito e margens apertadas seguem pressionando o agronegócio brasileiro. Ainda assim, a avaliação de lideranças do setor reunidas na Febrasem – Feira Brasileira de Sementes, realizada em Rondonópolis, é de que o momento exige cautela, mas não compromete os fundamentos que sustentam a produção agropecuária em Mato Grosso.
O tema permeou debates e palestras durante o primeiro dia do evento, que reuniu produtores, empresas, pesquisadores e representantes de entidades ligadas à cadeia de sementes. Um dos destaques da programação foi a palestra do especialista em comércio internacional Marcos Jank, que abordou o posicionamento do Brasil no cenário global e as oportunidades para o agro nos próximos anos.
A preocupação com os custos de produção e a disponibilidade de crédito apareceu em diferentes momentos da feira. Ao mesmo tempo, lideranças destacaram a capacidade de adaptação dos produtores e a confiança na próxima safra.
Para o presidente da Associação dos Produtores de Sementes de Mato Grosso (Aprosmat), Nelson Croda, o cenário é desafiador, marcado por juros altos, custos elevados e escassez de recursos. “É um ano bastante desafiador. Todos sabem das dificuldades, juros altos, custos altos e escassez de recursos”.

Resiliência no campo
Apesar das dificuldades, Croda avalia que a atividade agropecuária já demonstrou, em outros momentos, capacidade para superar períodos de adversidade. “Não é a primeira crise e não será a última, mas o produtor sabe se reinventar, ele tem resiliência”. Segundo ele, essa característica ajudou a impulsionar o desenvolvimento do estado. “Mato Grosso evoluiu desde que cheguei há 30 anos aqui no estado”.
A percepção de que a atual crise é passageira também foi compartilhada pelo presidente do Sistema Famato, Vilmondes Tomain. Conforme ele, os desafios enfrentados pelo setor estão ligados principalmente ao mercado. “Nós temos sim uma crise, que é uma crise de mercado. Ela vai passar”.
Na avaliação de Tomain, o comportamento dos produtores demonstra essa confiança. “O produtor de Mato Grosso é visionário e mesmo diante das dificuldades eles não desanimam”.
Ao falar sobre a importância do segmento de sementes para a agricultura mato-grossense, ele destacou o papel da inovação no avanço da produtividade. “São vocês que desenvolvem as sementes e colocaram Mato Grosso onde ele está”.
A força do estado também foi associada à organização construída pelas diferentes cadeias produtivas. Tomain afirmou ainda que essa integração ajuda a explicar o protagonismo mato-grossense no cenário nacional.
“Todas as cadeias produtivas de Mato Grosso estão organizadas e é isso o que diferencia o estado dos demais e o coloca sempre à frente”, disse. Para ele, os resultados alcançados são consequência direta da adoção de tecnologia e do investimento em conhecimento. “Hoje Mato Grosso é o estado mais produtivo do Brasil e do Mundo. Isso é tecnologia, ciência e potencial”.
Presidente da Associação Brasileira de Sementes e Mudas (Abrasem), Paulo Pinto ressaltou que encontros voltados à troca de conhecimento e experiências se tornam ainda mais importantes em momentos de instabilidade. “É nesses períodos de crise que se precisa investir em eventos como estes”.

Brasil de olho em novos mercados
Palestrante do primeiro dia da Febrasem, Marcos Jank levou aos participantes uma análise sobre as transformações do comércio global e os espaços que podem ser ocupados pelo Brasil nas próximas décadas.
De acordo com o especialista, a China continuará exercendo papel central para o agronegócio brasileiro. “China é o grande destino do agro brasileiro. Hoje o Brasil é um grande fornecedor da China e vice-versa. O Brasil explodiu com a guerra comercial entre EUA e China”.
Jank destacou que a posição alcançada pelo país foi construída ao longo de décadas por meio da pesquisa, da inovação e da parceria entre instituições públicas e privadas. “O Brasil hoje não pensa no longo prazo, mas já pensou. Na década de 1970 com a Embrapa, universidades, centros de pesquisa. Hoje é mais o setor privado”.
O especialista também apontou que o Brasil possui diferenciais competitivos capazes de ampliar sua presença internacional, especialmente em áreas ligadas à agricultura tropical e à bioenergia. “Nós temos políticas desde a década de 1970 que estão aqui e que podem ser aproveitadas por todos: agricultura tropical e bioenergia”.
Embora a China siga como principal mercado, Jank acredita que as oportunidades para o agro brasileiro vão além da relação comercial com o país asiático. “A gente tem oportunidades quando se fala em segurança alimentar, não são só China. Nós temos Ásia e África”.
A mensagem deixada ao público da Febrasem foi de que, apesar dos desafios enfrentados no presente, o Brasil continua reunindo condições para ampliar sua participação nos mercados globais. Para as lideranças presentes no evento, a combinação entre tecnologia, pesquisa, organização das cadeias produtivas e capacidade de adaptação dos produtores segue sendo um dos principais ativos do agro brasileiro.
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Preços do arroz voltam a cair no RS com oferta elevada e demanda enfraquecida

Os preços do arroz em casca registraram nova queda no Rio Grande do Sul, interrompendo o movimento de recuperação observado no início de junho. A avaliação é do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), que aponta o aumento da oferta disponível e as dificuldades na comercialização do arroz beneficiado como os principais fatores de pressão sobre o mercado.
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Segundo os pesquisadores, a ampla disponibilidade do cereal tem mantido os compradores cautelosos, em um momento em que as indústrias enfrentam dificuldades para escoar o produto beneficiado. Esse cenário reduz o interesse por novas aquisições de matéria-prima e contribui para o recuo das cotações.
Demanda externa não sustenta preços
De acordo com o Cepea, a demanda internacional segue ativa e continua oferecendo alternativas de comercialização para parte dos produtores. No entanto, o efeito das exportações sobre os preços internos tem sido limitado diante da oferta elevada disponível no mercado doméstico.
Além disso, os mecanismos de apoio à comercialização promovidos pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) perderam força como fator de sustentação das cotações.
Indústrias mantêm postura cautelosa
Outro fator que pesa sobre o mercado é a dificuldade na venda do arroz beneficiado. Com menor fluidez nos negócios, as indústrias têm reduzido o ritmo das compras de arroz em casca, ampliando a pressão sobre os preços pagos ao produtor.
Na avaliação do Cepea, a combinação entre oferta abundante, demanda industrial enfraquecida e menor impacto dos mecanismos de sustentação do mercado mantém o cenário desafiador para as cotações do cereal no estado.
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Chuvas interrompem colheita e impulsionam preços do café arábica

Depois de iniciar junho em forte queda, os preços do café arábica voltaram a subir na segunda semana do mês, impulsionados pelas chuvas registradas nas principais regiões produtoras do país. A avaliação é de pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).
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Segundo o Cepea, o avanço da colheita da safra 2026/27 pressionou as cotações do arábica no início do mês. No entanto, a partir do dia 10 de junho, o mercado passou a reagir diante das precipitações que atingiram áreas produtoras, afetando o ritmo dos trabalhos no campo e reduzindo pontualmente a oferta da variedade.
Além de dificultar a colheita, as chuvas nesta fase do ciclo também acendem um alerta para a qualidade dos grãos. De acordo com os pesquisadores, agentes do setor têm relatado problemas relacionados à qualidade e ao tamanho dos grãos colhidos, com desempenho inferior ao observado na temporada passada.
O cenário ocorre mesmo diante de estimativas oficiais que apontam para uma safra recorde de café no Brasil.
Robusta segue mais firme
No mercado do café robusta, os preços seguem mais sustentados em comparação ao arábica. Conforme o Cepea, a firmeza das cotações está relacionada às projeções de uma safra menor que a registrada na temporada anterior.
Com expectativa de oferta mais restrita, a variedade tem encontrado suporte adicional no mercado, mantendo os preços em patamares mais elevados.
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