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O passo a passo do desmembramento rural no CAR Digital 2.0

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Desmembrar uma área rural vai muito além de traçar novos limites no mapa. Envolve seguir regras específicas, manter a regularidade no Cadastro Ambiental Rural (CAR) e garantir que as áreas de preservação continuem protegidas. No campo, o processo se torna um verdadeiro exercício de planejamento e responsabilidade, especialmente quando envolve sucessão familiar e reorganização patrimonial.

Na Fazenda Formosa, em Sorriso, a sucessão familiar trouxe também a necessidade de reorganizar o patrimônio. Ivanor Cella, que chegou à região nos anos 1980, decidiu dividir a área que mantinha em sociedade com o irmão.

“Começamos aqui em 1985 e essa lei mudou a partir de 2008. De lá para cá, a gente praticamente só plantou árvore, não derrubou mais”, relembra Ivanor, ao falar sobre a evolução da legislação ambiental e a mudança de mentalidade no campo em entrevista ao programa MT Sustentável.

Para que o desmembramento fosse feito de forma correta, a família contou com o apoio da engenheira florestal Cléia Dal Bem, que orientou cada etapa do processo. “Fizeram o desmembramento, separando o que era de cada irmão, e nisso já calcularam quanto cada área precisaria de reserva. Essa divisão foi feita com a reserva legal proporcional a cada matrícula nova”, explica.

O caso da Fazenda Formosa é considerado tranquilo pela equipe técnica, já que se trata de uma área consolidada há décadas, onde a legislação da época foi respeitada. Ainda assim, ajustes foram necessários para adequar o registro no sistema digital. “Meu pai tinha uma área em sociedade, então a gente organizou isso, fez o desmembramento e precisou de assistência para arrumar os CARs”, conta Luciana Cella, engenheira agrônoma da família.

Já Mateus Cella, que também atua na administração da fazenda, reforça que o processo trouxe mais clareza e autonomia na gestão.

Hoje, a propriedade soma 1.315 hectares, dos quais 1,1 mil hectares são dedicados à soja e ao milho.

Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

Atenção redobrada às regras do Código Florestal

A secretária adjunta de Gestão Ambiental, da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema-MT), Luciane Bertinatto, explica que o desmembramento de áreas exige atenção especial, principalmente quando envolve matrículas anteriores a 2012. Segundo ela, as regras do Código Florestal determinam que a reserva legal deve acompanhar a matrícula original e que não é possível desvinculá-la no processo.

“Importante ressaltar que as regras do Código Florestal para um desmembramento de área levam em consideração uma matrícula anterior a 2012”, diz Luciane, lembrando que o proprietário e seu responsável técnico precisam apresentar uma planilha detalhando como será feita a divisão da reserva legal. Ela reforça que, mesmo em matrículas antigas, é necessário garantir que cada área esteja corretamente distribuída e regularizada.

Luciane lembra ainda que, em muitos casos, o processo não é apenas cartorial. Ela frisa à reportagem que é fundamental que os responsáveis técnicos entendam como se dá o desmembramento dentro das regras do CAR, e que em propriedades com matrículas grandes, muitas vezes desmembradas após 2012, é preciso juntar todas as informações da matrícula anterior e elaborar um quadro de áreas para distribuir corretamente a reserva legal.

“Eu não consigo desvincular a reserva legal da área em abertura da matrícula anterior”, reforça ao programa do Canal Rural Mato Grosso, destacando que cada percentual de reserva deve ser alocado conforme os direitos de abertura de área de cada parte.

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Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

Apoio técnico e diálogo para avançar na regularização

Para ajudar os produtores a lidar com dúvidas e pendências, a Aprosoja Mato Grosso criou uma Central de Informações do CAR, com analistas especializados. O vice-presidente da entidade, Luiz Pedro Bier, explica que a central consegue ajudar o produtor a diagnosticar o problema e encontrar a solução, ressaltando que muitas vezes o desafio está na comunicação entre o engenheiro e o órgão ambiental.

“O CAR é complexo. Então, nós decidimos arregaçar as mangas e aproveitar que a Sema nos deu liberdade para fazer uma parceria. Hoje nós temos um Termo de Cooperação com a Sema e nós conseguimos ajudar o produtor a transpor essa barreira do CAR”, diz Bier.

Parcerias como essa têm sido essenciais para aproximar produtores e poder público, tornando o processo de regularização mais ágil e eficiente. Como destaca a secretária de Estado de Meio Ambiente, Mauren Lazzaretti, “não há outro caminho para o Brasil que não seja demonstrar a legalidade”.

“Nós temos a oportunidade de fazer isso juntos, corrigindo na trajetória eventuais problemas que um sistema ou uma inovação possa trazer”, ressalta a gestora da pasta.

A história da família Cella mostra que desmembrar uma propriedade rural é, acima de tudo, planejar o futuro com responsabilidade — garantindo que a produção siga crescendo em harmonia com o meio ambiente e dentro das normas do CAR Digital 2.0.

+Confira mais notícias do programa MT Sustentável – Especial CAR Digital 2.0


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Novo centro de excelência em tecnologia rural deve ser concluído ainda em 2026

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Foto: Divulgação

O Sistema Faesp/Senar e a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) estão construindo no município de São Roque, interior do estado de São Paulo, um dos maiores centros de excelência em tecnologia rural do Brasil.

A previsão é que o espaço, de nove mil metros de área construída, fique pronto ainda em 2026, tenha 24 cursos e capacidade para receber até cinco mil alunos a cada ano. O foco será na aplicação de inteligência artificial, conectividade e soluções tecnológicas avançadas para capacitar profissionais do setor e produtores rurais para lidar com as transformações digitais no campo.

O superintendente do Senar-SP, Fábio Carrion, ressalta que o centro está sendo concebido para ter uma vocação em big data, inteligência artificial e Internet das Coisas (IoT, na sigla em inglês).

“Essas tecnologias já existem, são necessárias e podem atender não exclusivamente o grande produtor, assim como o pequeno produtor. A gente vai trazer com isso uma contribuição bem forte, fazendo com que o pequeno, o médio e o grande produtor tenham um ganho de produtividade, ganhem escala em suas produções, consequentemente melhorando para muitas outras pessoas com geração de emprego e outros aspectos”, diz.

Já o gerente de Tecnologia e Inovação do Senar-SP, Alexandre Capelli, conta que a ideia da construção do centro veio por meio dos sindicatos rurais do estado, que apontaram as suas necessidades. De acordo com ele, as soluções serão individualizadas, ou seja, aplicáveis em diferentes regiões produtoras do estado. “A gente procura colocar os programas de informação profissional de acordo com cada cluster econômico local”, ressalta.

A ideia é que o centro de excelência em tecnologia rural não impacte apenas o estado de São Paulo, mas ganhe contornos nacionais por meio da sinergia com as ações do Instituto CNA, entidade sem fins lucrativos focada no desenvolvimento socioeconômico e técnico do agronegócio brasileiro.

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Escalada do petróleo aumenta o óleo de soja, mas não deve impactar o grão

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Foto: United Soybean Board/CCommons

Os preços do petróleo iniciaram março em alta de quase 14%, disparada que ocorre pela interrupção das exportações que passam pelo Estreito de Ormuz em meio aos ataques coordenados de Estados Unidos e Israel ao Irã, o que trouxe suporte, também, para os contratos de óleo de soja.

Os dois produtos possuem correlação direta, visto que quando a commodity de origem fóssil aumenta, o biodiesel — cuja principal matéria-prima é a soja — torna-se mais competitivo, impulsionando a demanda e o preço do óleo.

De acordo com o analista da consultoria Safras & Mercado Rafael Silveira, a escalada do óleo de soja tende a segurar altas do grão na Bolsa de Chicago, somado ao fato de a oleaginosa norte-americana estar em patamar que dificulta a compra chinesa, elevando estoques norte-americanos que, atualmente, são majoritariamente direcionados à demanda interna para biodiesel.

“Entretanto, podemos ter uma correção em Bolsa por conta desses movimentos, das dificuldades de se importar soja norte-americana, que já era cara e agora com o aumento do custo do frete marítimo em dólar deve resultar em ainda mais dificuldade da China em comprá-la”, ressalta.

Segundo ele, para o mercado brasileiro, a conjuntura internacional pode trazer ligeiro suporte aos preços do grão, mas limitados por conta de o país estar no auge da colheita, com cerca de 40% da área já trabalhada, o equivalente a cerca de 70 milhões de toneladas de soja entrando no mercado.

“Toda essa oferta a curto prazo acaba levando a um ajuste negativo nos prêmios. O câmbio está subindo, segurando Chicago, mas os prêmios nos portos acabam se ajustando negativamente. Podemos ter até algum ganho no mercado físico, mas não serão grandes variações positivas porque temos uma situação muito confortável em termos de oferta em toda a América do Sul, visto o desempenho brasileiro e da Argentina, que deve colher cerca de 50 milhões de toneladas”, ressalta Silveira.

Devido ao bloqueio no Estreito de Ormuz, canal por onde cerca de 20% do petróleo mundial navega, os membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep+) anunciaram aumento na produção do óleo para 206 mil barris por dia a partir de abril.

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Sistemas integrados de produção ganham destaque em debate sobre futuro do agro

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Foto: Gabriel Faria/Embrapa

Os sistemas integrados de produção estão no centro do debate sobre o futuro do agronegócio brasileiro. A integração entre lavoura, pecuária e floresta é apontada como estratégia para ampliar a produtividade com menor impacto ambiental, tema discutido nesta segunda-feira (2), na capital paulista.

O “Fórum Integração e Biocompetitividade: a Solução Brasileira” acontece no Instituto Biológico, em São Paulo, e reúne lideranças do agro, da indústria, produtores, pesquisadores e representantes de instituições do setor. O encontro é organizado pela Rede ILPF e pela Associação Brasileira do Agronegócio (Abag).

A proposta é discutir como os sistemas integrados, que combinam lavoura, pecuária e florestas, podem gerar ganhos econômicos e ambientais. O Brasil ocupa posição estratégica nesse cenário, especialmente pela experiência acumulada na agricultura tropical.

A agricultura tropical virou uma alternativa estratégica no mundo que precisa produzir mais alimentos, mas usando melhor os recursos. 

Um dos pontos discutidos é que não existe fórmula pronta, cada região tem sua realidade. O tamanho da propriedade, a renda do produtor, o tipo de solo, o clima, tudo isso acaba influenciando.

Sistemas integrados funcionam justamente porque se adaptam a cada um dos contextos. Ou seja, a solução passa por tecnologia, mas também por entender a realidade de quem está no campo.

“Nós vemos hoje um sistema que se desenvolveu pelo mercado, essencialmente, em função da possibilidade de fazer várias atividades agrícolas ao mesmo tempo e conseguir integrá-las no sentido de agricultura, serviços, indústria, etc”, explica o professor sênior e doutor em agronegócio global pelo Insper, Marcelo Jank.

A avaliação é que o país precisa apresentar dados consistentes sobre geração de emprego, renda, exportações e eficiência no uso de recursos, especialmente diante de críticas relacionadas à pegada ambiental e ao uso de insumos.

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