Sustentabilidade
Palhada pode ser aliada no combate a doenças – MAIS SOJA

O controle da evolução das doenças nas culturas agrícolas está entre os principais desafios dos sistemas produtivos. Além de reduzir a produtividade, muitas doenças comprometem a qualidade de grãos e sementes, depreciando atributos físicos, fisiológicos e sanitários determinantes para a comercialização.
Entre os problemas fitossanitários mais recorrentes, destacam-se as doenças causadas por fungos fitopatogênicos, que concentram grande parte das estratégias de manejo nas lavouras comerciais. Embora o uso de fungicidas seja a ferramenta mais empregada em escala comercial, estratégias de manejo como como rotação de culturas, escolha de cultivares com maior tolerância genética e adequado posicionamento da época de semeadura contribuem para o manejo de doenças.
Independentemente da estratégia adotada, o monitoramento sistemático da lavoura é indispensável, sobretudo no caso de fungos necrotróficos, que sobrevivem em resíduos culturais e encontram, sob condições favoráveis de temperatura e umidade, ambiente propício para infecção e progresso da doença. Cercospora sojina (mancha olho-de-rã), Cercospora kikuchii (cercosporiose), Septoria glycines (mancha-parda), Colletotrichum truncatum (antracnose), Corynespora cassiicola (mancha-alvo), Sclerotinia sclerotiorum (mofo-branco) e Phomopsis sojae (queima da haste e da vagem) são exemplos de doenças causadas por fungos necrotróficos (Forcelini, 2010).
Os cuidados devem ser intensificados ainda mais em áreas com baixa cobertura de palhada e histórico de ocorrência de doenças. Nesses ambientes, especialmente quando se trata de fungos necrotróficos e patógenos de solo, a ação mecânica da chuva desempenha papel relevante na dispersão. O impacto das gotas promove respingos de solo que transportam estruturas fúngicas até as folhas, iniciando o processo infeccioso, fato que ajuda a explicar por que muitas doenças têm início no terço inferior das plantas, região mais próxima à superfície do solo.
Figura 1. Ilustração: Efeito da gota da chuva sobre a dispersão de patógenos em soja.
Figura 2. Efeito da gota da chuva sobre a dispersão de patógenos em soja. Folhas de soja com solo, proveniente dos respingos de chuva.
De forma geral, a presença de palhada na superfície do solo atua como uma barreira física que dissipa a energia cinética das gotas de chuva, reduzindo o respingo de partículas de solo e a consequente dispersão de propágulos de patógenos para o terço inferior das plantas. Embora não constitua uma medida de controle direto de doenças na soja, esse efeito contribui para a menor incidência e severidade de patógenos associados ao solo, evidenciada pela maior sanidade do baixeiro em áreas com cobertura vegetal quando comparadas àquelas com solo exposto.
Nesse contexto, o monitoramento fitossanitário deve ser ainda mais criterioso em lavouras desprovidas de palhada residual, sobretudo sob condições de precipitação frequente associada a temperaturas amenas, que favorecem a germinação de esporos, a infecção e o progresso de doenças causadas por fungos fitopatogênicos.

Referências:
FORCELINI, C. A. DOENÇAS EM SOJA: ENTENDENDO AS DIFERENÇAS ENTRE BIOTRÓFICOS E NECROTRÓFICOS. Revista Plantio Direto, N. 7, 2010. Disponível em: < https://pt.scribd.com/document/711702511/3-230207-193658 >, acesso em: 02/03/2026.

Sustentabilidade
Algodão/BR: Colheita inicia em MT e GO sob bom desenvolvimento; restrição hídrica acende alerta em MS – MAIS SOJA

Algodão: 0,9% colhido, Em MT, predominou a insolação, com chuvas isoladas de baixo volume. As lavouras apresentam desenvolvimento satisfatório, com manejo de reguladores de crescimento e controle fitossanitário conforme o planejado. Permanece a atenção para Spodoptera spp. e para o controle do bicudodo-algodoeiro.
Na BA, a colheita segue lentamente. No MA, nos Gerais de Balsas, as lavouras de primeira e segunda safra encontram-se majoritariamente em maturação e abertura de capulhos. As condições gerais são boas. Em MS, na região dos Chapadões, os cultivos seguem sob atenção quanto à disponibilidade hídrica, principalmente, nas áreas em florescimento.
Na região central, o armazenamento de água no solo permanece favorável e seguem os manejos preventivos. Em GO, as primeiras lavouras já foram colhidas na região sul do estado. O algodão de sequeiro encontra-se predominantemente em maturação, enquanto áreas em pré-colheita passam pelo processo de desfolha. As lavouras irrigadas de segunda safra seguem em boas condições.
Em MG, as áreas mais adiantadas já receberam aplicações de dessecantes e aguardam a queda das folhas para o início da colheita. No PI, as lavouras seguem com bom desenvolvimento, favorecidas pelas condições climáticas ao longo do ciclo. Em SP, a colheita avançou na região sudoeste, onde mais da metade das áreas já foi colhida.
Previsão Agrometeorológica (08/06/2026 a 15/06/2026)
N-NE: A previsão indica maiores volumes de chuva no Norte do país, especialmente, entre o AM, RR, AP e norte do PA, além de parte da faixa litorânea do Nordeste. No AC, centro-norte do PA e RO, as chuvas devem ocorrer de forma mais irregular. No TO e interior do NE, o tempo permanece firme e favorecerá a secagem natural do milho no Matopiba, mas deve persistir a restrição hídrica para as lavouras ainda em estádios reprodutivos. No Sealba, as condições seguirão favoráveis nas áreas próximas da costa, mas o armazenamento hídrico deve permanecer baixo nas áreas do interior.
CO: Há previsão de chuvas pontuais com baixos acumulados, principalmente, no noroeste de MT e centro-sul de MS. Em GO e DF, predomina o tempo mais firme. A condição será favorável para a secagem natural do milho segunda safra, mas, para as áreas ainda estádio reprodutivo, permanece a restrição hídrica.
SE: Há previsão de chuvas para todo o estado de SP, sul de MG e RJ, no final da semana, devido à passagem de uma frente fria. Nas demais regiões, a previsão é de tempo estável, com chances reduzidas de chuva. Na maioria das áreas, a umidade no solo será insuficiente para os cultivos de segunda safra e as lavouras de inverno não irrigadas em estádios mais avançados.
S: Há previsão de chuvas para toda região, no início da semana, com volumes significativos no noroeste do RS, Oeste de SC e Sul do PR. A passagem de uma frente fria instabilizará novamente o tempo, promovendo novos acumulados de chuva. As chuvas devem favorecer o incremento de umidade no solo e os cultivos de segunda safra e inverno. Pode ocorrer a suspensão da semeadura do trigo e da colheita do feijão devido às precipitações.
Fonte: Conab

Autor:Conab
Site: Conab
Sustentabilidade
Semeadura do trigo avança no RS e SC, enquanto seca afeta lavouras em SP e MG – MAIS SOJA

No RS, a semeadura avança de acordo com o período de plantio ideal da cultura. Houve interrupções pontuais em áreas com baixa umidade no solo, porém as chuvas recentes devem favorecer a reposição hídrica e o estabelecimento das lavouras.
No PR, predominam lavouras em desenvolvimento vegetativo. Os dias nublados e o excesso de umidade desde o mês passado têm contribuído para o aumento da proporção de áreas com desenvolvimento considerado regular.
Em SC, a semeadura avança no Oeste e Extremo Oeste, favorecida pela boa disponibilidade hídrica e pelas temperaturas amenas. As áreas implantadas apresentam emergência uniforme e bom desenvolvimento vegetativo inicial.
Em SP, as lavouras encontramse majoritariamente em desenvolvimento vegetativo e começam a sentir os efeitos da falta de chuva. Em MS, predomina o estádio vegetativo, com lavouras apresentando boa uniformidade e sanidade. Apesar da ausência de chuvas no período avaliado, as condições climáticas permanecem favoráveis ao desenvolvimento da cultura.
Em MG, restam áreas irrigadas pontuais a serem semeadas na região Noroeste. As lavouras de sequeiro apresentam menor porte devido à falta de chuvas nas regiões do Triângulo Mineiro. Em GO, as lavouras de sequeiro encontram-se próxima de colheita, com produtividade afetada pelo baixo volume de chuvas ao longo do ciclo. As áreas irrigadas seguem em boas condições.
Na BA, o plantio foi iniciado e as lavouras apresentam bom desenvolvimento.
Fonte: Conab
Autor:Conab
Site: Conab
Sustentabilidade
Por que o vazio sanitário é tão importante para o manejo da ferrugem-asiática? – MAIS SOJA

A ferrugem-asiática, causada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi é uma das doença mais agressivas e preocupantes que acometem a soja. Com elevada capacidade em reduzir a produtividade da cultura, a ferrugem-asiática é o foco do programa fitossanitário da maioria das lavouras, tornando necessário a adoção de distintas estratégias de manejo que priorizem a eficiência no controle dessa doença.
Embora fungicidas de alta eficácia, especialmente quando aplicados de forma preventiva, sejam ferramentas importantes no manejo da ferrugem-asiática, o vazio sanitário permanece como uma das medidas mais eficazes para reduzir a incidência da doença na safra de verão. Ao eliminar plantas voluntárias de soja durante a entressafra, a prática interrompe a sobrevivência e a multiplicação do fungo, reduzindo a produção e a dispersão de esporos que servem como fonte inicial de inóculo para novas infecções e contribuindo para a redução dos focos da doença (Embrapa Soja, s.d.).
A ferrugem-asiática possui elevado potencial de disseminação, uma vez que os uredósporos de Phakopsora pachyrhizi podem ser transportados pelo vento por centenas ou até milhares de quilômetros, permitindo que a doença se espalhe rapidamente entre regiões produtoras e até entre países (Goellner et al., 2010).
Figura 1. Esporos de Phakopsora pachyrhizi (ferrugem-asiática da soja) em microscópio óptico com diferentes aumentos. A e B3 – Foto feita sem lamínula; B e C – Fotos feitas com lamínula.
Além de apresentar caráter policíclico, com vários ciclos de infecção ao longo do desenvolvimento da cultura, o fungo Phakopsora pachyrhizi é classificado como biotrófico, ou seja, depende de tecidos vivos do hospedeiro para sobreviver e se multiplicar (Oliveira et al., 2020). Essa característica reforça a importância do vazio sanitário e da eliminação de plantas voluntárias de soja durante a entressafra, prática considerada uma das medidas mais eficazes para reduzir a sobrevivência do patógeno e minimizar a ocorrência da ferrugem-asiática na safra seguinte.
Figura 2. Plantas voluntárias de soja durante o período entressafra.

Sobretudo, para efeito de manejo, eficácia na quebra do ciclo da ferrugem-asiática e redução da sobrevivência do patógeno, recomenda-se que o vazio sanitário seja realizado com período mínimo de 60 dias, sendo que, a legislação determina que o vazio sanitário deve ter duração mínima de 90 dias (Aiba, 2025). Para a safra 2026/2027, a PORTARIA SDA/MAPA Nº 1.579, DE 9 DE ABRIL DE 2026 estabelece os períodos de vazio sanitário e épocas de semeadura nas diferentes unidades da federação, subdividindo essas unidades em regiões de cultivo. Além de contribuir para o enfrentamento da ferrugem, a semeadura dentro dos períodos recomendados para cada região de cultivo reduz os riscos relacionados as adversidades climáticas.
Vale destacar que, além da proibição do cultivo de soja durante o período do vazio sanitário, também não é permitida a presença ou a manutenção de plantas voluntárias da cultura nas áreas agrícolas. Dessa forma, torna-se necessário adotar medidas de controle sempre que houver ocorrência dessas plantas, a fim de eliminá-las e evitar que sirvam de hospedeiras para o fungo, contribuindo para a manutenção da sanidade das lavouras.
Cliquei aqui e confira os períodos de vazio sanitário e de calendário de semeadura para a cultura da soja na safra 2026/2027.

Referências:
AIBA. MAPA DIVULGA CALENDÁRIO DE SEMEADURA E VAZIO SANITÁRIO DA SOJA PARA A SAFRA 2025/2026 COM REGIONALIZAÇÃO INÉDITA NA BAHIA. Aiba, 2025. Disponível em: < https://aiba.org.br/mapa-divulga-calendario-de-semeadura-e-vazio-sanitario-da-soja-para-a-safra-2025-2026-com-regionalizacao-inedita-na-bahia/#:~:text=A%20legisla%C3%A7%C3%A3o%20determina%20que%20o,23%20de%20janeiro%20de%202025.&text=A%20partir%20da%20safra%202025,Maria%20da%20Vit%C3%B3ria%2C%20entre%20outros. >, acesso em: 09/06/2026.
EMBRAPA SOJA. FERRUGEM ASIÁTICA DA SOJA: MANEJO E PREVENÇÃO. Embrapa Soja, s. d. Disponível em: < https://www.embrapa.br/en/web/soja/ferrugem >, acesso em: 09/06/2026.
GOELLNER, K. et al. Phakopsora pachyrhizi, THE CAUSAL AGENT OF ASIAN SOYBEAN RUST. OLECULAR PLANT PATHOLOGY, 2010. Disponível em: < https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC6640291/pdf/MPP-11-169.pdf >, acesso em: 09/06/2026.
MAPA. PORTARIA SDA/MAPA Nº 1.579, DE 9 DE ABRIL DE 2026. Diário Oficial da União, 2026. Disponível em: < https://www.in.gov.br/web/dou/-/portaria-sda/mapa-n-1.579-de-9-de-abril-de-2026-698696654 >, acesso em: 09/06/2026.
OLIVEIRA, G. M. et al. COLETOR DE ESPOROS: DESCRIÇÃO, USO E RESULTADOS NO MANEJO DA FERRUGEM ASIÁTICA DA SOJA. Embrapa, Circular técnica, n. 167, 2020. Disponível em: < https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/1129482/1/Circ-Tec-167.pdf >, acesso em: 09/06/2026.
Foto de capa: Alessandro Braucks.

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