Agro Mato Grosso
Corteva prevê concluir cisão no quarto trimestre deste ano

A Corteva projeta concluir a separação em duas empresas listadas no quarto trimestre de 2026. A companhia confirmou o cronograma durante conferência do Bank of America, realizada hoje. A cisão vai criar uma empresa focada em proteção de cultivos e outra dedicada a sementes e genética avançada.
O CEO Chuck Magro informou que a empresa anunciará, ainda no primeiro semestre, as sedes, as lideranças e o CEO da nova Corteva. O impacto financeiro líquido da duplicação de conselhos e lideranças deve ficar próximo de US$ 100 milhões anuais.
Na área de proteção de cultivos, a Corteva avalia que o setor atravessa um ciclo de baixa, puxado por oferta, e não por demanda. A empresa prevê expansão do mercado em 2026, com avanço em volume e pressão em preços.
A companhia mantém um pipeline de US$ 9 bilhões em proteção de cultivos. O portfólio inclui meia dúzia de novos ingredientes ativos e diversos biológicos. Executivos destacaram crescimento consistente da demanda global e potencial de consolidação no setor.
No segmento de sementes, a empresa ressaltou a estratégia de licenciamento de tecnologia. A administração informou que a posição líquida de royalties deve atingir neutralidade em 2026, dois anos antes do previsto. Há cinco anos, o saldo negativo chegava a cerca de US$ 700 milhões.
A Corteva também aposta no trigo híbrido. A empresa planeja lançar a tecnologia nos Estados Unidos em 2027. A administração calcula potencial de receita de US$ 1 bilhão na próxima década.
Agro Mato Grosso
Agricultores de MT unem produção de alimentos e conservação do meio ambiente

Aprosoja MT destaca ações de preservação ambiental adotada por produtores no Dia Mundial do Meio Ambiente
O produtor rural tem um papel importante na sociedade. Além de assegurar a produção de alimentos, ele também é um agente fundamental na preservação do meio ambiente e dos recursos naturais. Neste Dia Mundial do Meio Ambiente, celebrado em 5 de junho, a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT) ressalta a relevância das ações e dos cuidados adotados pelos agricultores para garantir um futuro melhor às novas gerações.
Garantir recursos naturais para as próximas gerações depende das ações tomadas no presente e, para isso, é necessário que toda a sociedade contribua para a preservação dos recursos que sustentam a vida na Terra. Um dos principais projetos incentivados pela Aprosoja MT entre os associados é o Sistema Campo Limpo (SCL). O programa busca promover a preservação ambiental por meio da devolução de embalagens vazias de defensivos agrícolas, como explicou o diretor financeiro Aprosoja MT, Nathan Belusso.
“Hoje, mais de 90% das embalagens de defensivos agrícolas utilizadas no campo são recicladas. O produtor tem que fazer a destinação correta dessas embalagens, realizar o armazenamento, a lavagem e a limpeza, e depois encaminhá-las aos centros de coleta, que serão responsáveis pela reciclagem e reutilização para fins específicos, principalmente na fabricação de tubos utilizados em sistemas de esgoto. São toneladas de embalagens recicladas todos os anos que poderiam estar na natureza. Com esse projeto de destinação correta, essas embalagens são reutilizadas e recicladas, ajudando não somente o meio ambiente, mas também a economia do nosso estado e, consequentemente, do nosso país”, explicou.
Em 2025, mais de 75 mil toneladas de embalagens foram recolhidas e, desse total, 92% foram recicladas. Segundo dados do Sistema Campo Limpo e do Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias (InpEV), desde a criação do programa, em 2002, mais de 900 mil toneladas de embalagens vazias receberam destinação adequada.
Mato Grosso é o estado que mais utiliza o Sistema Campo Limpo, representando cerca de 30% do volume devolvido em 2025, o equivalente a 22 mil toneladas de embalagens vazias. Após a limpeza, coleta e separação, essas embalagens são transformadas em tubulações de esgoto, dutos, conduítes e outros 35 produtos. O destaque do estado na reciclagem de embalagens é resultado da adesão dos produtores rurais, como explicou o delegado coordenador do núcleo de Nova Ubiratã, Edgard Gomes. Ele relatou que realiza a separação e a limpeza das embalagens e, pelo menos duas vezes por ano, encaminha o material aos centros de coleta.
“Duas vezes por ano eu faço o agendamento, uma entrega ocorre em dezembro e a outra em abril, após metade do uso dos produtos na soja e depois de todos os produtos utilizados no milho. O principal benefício é não ter embalagens acumuladas na fazenda. A gente promove a tríplice lavagem, garante que tudo seja reciclado e evita a poluição do meio ambiente”, disse.
Edgard também relata que, além do Sistema Campo Limpo, outras medidas são adotadas em sua propriedade para preservar o meio ambiente, como a adesão ao programa Guardião das Águas, que mapeia e incentiva a preservação das nascentes dentro das propriedades rurais. Ele explica que um dos períodos mais desafiadores é a seca, quando, além de cuidar da lavoura, precisa proteger as áreas de vegetação nativa, realizando aceiros para reduzir o risco de incêndios.
As medidas visam conciliar produção e preservação, assegurando qualidade de vida para quem virá depois. Por isso, o delegado coordenador do núcleo de Itanhangá, Ivam Franceschet, afirma que, além de preservar a propriedade, também busca transmitir esse legado aos filhos.
“Hoje, o produtor rural é um dos principais defensores do meio ambiente e tem um papel muito importante na preservação dos mananciais, lençóis freáticos, reservas legais, áreas de preservação permanente, da fauna e da flora. Com ações de combate aos incêndios e outras iniciativas adotadas no dia a dia, colaboramos para a preservação ambiental. Esse é um legado de compromisso e cuidado com o meio ambiente que quero deixar para os meus filhos. Mais do que deixar um ambiente preservado, quero transmitir a responsabilidade que nós, produtores rurais, temos de manter e proteger esses recursos”, afirmou.
No Dia Mundial do Meio Ambiente, exemplos como esses mostram que a preservação ambiental também faz parte da rotina do campo. Por meio de ações concretas, os produtores rurais contribuem para garantir a produção de alimentos sem abrir mão da conservação dos recursos naturais.
Agro Mato Grosso
Estudo avalia herbicidas e bionematicidas na soja MT

Pesquisa testou imazethapyr e S-metolachlor no manejo de Meloidogyne javanica em sucessão com braquiária
Herbicidas pré-emergentes usados em soja não comprometeram a eficiência dos nematicidas biológicos Pochonia chlamydosporia e Bacillus firmus no manejo de Meloidogyne javanica. A conclusão consta de estudo conduzido em casa de vegetação, em sistema de sucessão entre Urochloa brizantha e soja. A pesquisa avaliou os efeitos de imazethapyr e S-metolachlor sobre agentes biológicos aplicados via tratamento de sementes.
O trabalho partiu de uma demanda frequente em sistemas agrícolas. O uso de nematicidas biológicos cresceu no Brasil e passou a integrar programas de manejo de nematoides em culturas como soja e algodão. Porém, a compatibilidade desses produtos com herbicidas ainda exige avaliação em condições mais próximas do cultivo agrícola.
Produtos testados
Os cientistas testaram produtos à base de Pochonia chlamydosporia e à base de Bacillus firmus. Os tratamentos envolveram aplicação em sementes de braquiária, em sementes de soja ou em ambas as culturas. A soja utilizada no ensaio pertencia à cultivar BMX Potência RR, suscetível a Meloidogyne javanica.
O experimento ocorreu em Bandeirantes, no Paraná. O delineamento adotado envolveu oito repetições e esquema fatorial com 24 combinações. Os fatores incluíram estratégia de uso do nematicida, método de manejo da braquiária e herbicida pré-emergente aplicado na soja.
A braquiária cultivar Marandu cresceu em vasos de 1,8 litro com mistura esterilizada de solo e areia. Cinco dias após o transplantio, cada planta recebeu mil ovos e juvenis de segundo estádio de Meloidogyne javanica. As plantas permaneceram no sistema por 90 dias. Depois, receberam manejo mecânico, por corte manual, ou químico, por dessecação com glyphosate.
Após o manejo da braquiária, os vasos ficaram 30 dias em pousio. Os pesquisadores colocaram dez gramas de palha seca de braquiária sobre o solo para simular cobertura. A soja foi semeada em seguida. Um dia após a semeadura, os herbicidas pré-emergentes foram aplicados. O imazethapyr entrou na dose de 106 gramas de ingrediente ativo por hectare. O S-metolachlor entrou na dose de 1.440 gramas de ingrediente ativo por hectare.

Foto: Jonathan D. Eisenback – Virginia Polytechnic Institute and State University
Momento da avaliação
A avaliação ocorreu aos 75 dias após a emergência da soja. Os cientistas quantificaram a população final do nematoide, formada por ovos e juvenis de segundo estádio extraídos das raízes.
Resultados da pesquisa
Os resultados indicaram interação entre o manejo da braquiária e a estratégia de uso dos nematicidas. No manejo mecânico, o tratamento com Bacillus firmus aplicado apenas na soja resultou na maior população de Meloidogyne javanica. No manejo químico da braquiária, as estratégias de uso dos nematicidas não diferiram.
A diferença entre manejo mecânico e químico apareceu apenas quando Bacillus firmus foi aplicado exclusivamente na soja. Nesse caso, a população do nematoide ficou maior sob manejo mecânico. Nos demais tratamentos, o método de manejo da braquiária não alterou a população final do nematoide.
O S-metolachlor reduziu a população de Meloidogyne javanica em duas situações. A primeira ocorreu quando Pochonia chlamydosporia foi aplicado na braquiária e na soja. A segunda ocorreu quando Bacillus firmus foi aplicado apenas na soja. Nos demais tratamentos, os herbicidas não diferiram.
O imazethapyr não prejudicou a ação dos nematicidas biológicos nas condições avaliadas. O S-metolachlor também não comprometeu a eficiência dos agentes biológicos. Os dados indicam compatibilidade entre os herbicidas avaliados e as estratégias biológicas de manejo do nematoide em sucessão Urochloa brizantha – soja.
Laboratório e casa de vegetação
O estudo também mostra diferenças entre resultados de laboratório e respostas em casa de vegetação. Pesquisas anteriores haviam relatado efeitos inibitórios de herbicidas sobre microrganismos de controle biológico em condições in vitro. No sistema solo-planta, fatores como adsorção no solo, atividade microbiana e degradação dos herbicidas podem reduzir a exposição direta dos agentes biológicos aos ingredientes ativos.
O estudo foi realizado por Paula Fernanda de Azevedo Ribeiro, Andressa Cristina Zamboni Machado, Santino Aleandro da Silva, Jethro Barros Osipe e Marcelo Giovanetti Canteri.
Outras informações em doi.org/10.1007/s40858-026-00809-5
Agro Mato Grosso
Resíduo agroindustrial ganha uso como fertilizante

Projeto financiado pela Fapemat transforma cinza vegetal em insumo de maior valor agregado
Pesquisadores da Universidade Federal de Rondonópolis (UFR) estão desenvolvendo fertilizantes organominerais produzidos a partir de cinzas de biomassa vegetal, resíduo gerado principalmente pela queima de madeira em atividades agroindustriais. A iniciativa conta com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Mato Grosso (Fapemat) e busca transformar um passivo ambiental em insumo agrícola de alto valor.
Os fertilizantes estão sendo produzidos nas formas granulada e peletizada, o que facilita armazenamento, transporte e aplicação no campo. Segundo os pesquisadores, os organominerais promovem liberação gradual de nutrientes, aumentando a eficiência da adubação e contribuindo para sistemas produtivos mais sustentáveis.
A pesquisa é coordenada pela professora Edna Maria Bonfim e integra projetos financiados pelo Governo de Mato Grosso, por meio da Fapemat, em parceria com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
Proposta alia inovação e sustentabilidade
De acordo com Edna, a proposta alia inovação tecnológica, sustentabilidade e desenvolvimento regional. “Estamos transformando um resíduo agroindustrial em um insumo agrícola de valor agregado. É uma iniciativa alinhada aos princípios da economia circular e que pode beneficiar especialmente os agricultores familiares”, afirma.
As pesquisas nessa área começaram em 2009, dentro do Grupo de Práticas em Água e Solo (GPAS), da UFR. Ao longo dos anos, os estudos demonstraram que a cinza vegetal possui potencial para fornecer nutrientes às plantas, melhorar características químicas do solo e auxiliar no manejo de nematoides.
Os resultados já indicaram benefícios em culturas como feijão, milho, rúcula, melão e flores ornamentais. Além dos ganhos agronômicos, os pesquisadores destacam a possibilidade de reduzir a dependência de fertilizantes minerais convencionais e diminuir custos de produção.
Tecnologia contribui para a redução de desperdício
O aproveitamento da cinza vegetal também representa uma alternativa ambientalmente responsável para resíduos gerados em grande escala pela agroindústria. Segundo a equipe, a tecnologia contribui para reduzir desperdícios, fortalecer a economia circular e ampliar o desenvolvimento de soluções adaptadas às condições produtivas de Mato Grosso.
Os estudos já renderam publicações em periódicos científicos nacionais e internacionais, ampliando a visibilidade das pesquisas desenvolvidas no estado e consolidando Mato Grosso como referência em inovação voltada ao reaproveitamento de resíduos e à produção de fertilizantes sustentáveis.
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