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9 de junho de 2026

Sustentabilidade

Riscos climáticos desafiam a agricultura e ampliam espaço para a aplicação da Estatística no Brasil – MAIS SOJA

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Pesquisador da Embrapa defende que análise de dados, modelagem estatística e ferramentas como o ZARC são decisivas para reduzir perdas no campo e qualificar políticas públicas

Agricultura convive com riscos econômicos, biológicos e climáticos cada vez mais intensos Diferença entre risco e incerteza é central para a tomada de decisão no campo Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC) é uma das principais ferramentas de política agrícola do país Estatística e Ciência de Dados ampliam a capacidade de prever perdas e orientar o crédito rural Especialistas defendem maior integração entre conhecimento técnico e realidade produtiva.

A agricultura brasileira opera sob risco permanente — e cada vez mais complexo. Da volatilidade dos preços às secas prolongadas, passando por pragas, geadas e ondas de calor, o produtor toma decisões em um ambiente onde clima, mercado e tecnologia se entrelaçam. Para o pesquisador Alfredo José Barreto Luiz, da Embrapa Meio Ambiente, compreender e medir esses riscos é um dos grandes desafios contemporâneos — e uma oportunidade para a Estatística.

“O risco é parte da engrenagem. O problema maior é a incerteza”, resume o pesquisador, citando o livro O Sinal e o Ruído, de Nate Silver. A diferença é fundamental: risco é aquilo que pode ser estimado, que permite associar uma probabilidade a um evento. Incerteza é o que escapa à medição, o imprevisível que pode multiplicar erros por cem ou mil vezes. Essa distinção, aparentemente teórica, tem impacto direto no campo.

Risco: do cotidiano à lavoura

No cotidiano, o conceito de risco está associado a comportamentos como fumar, dirigir em alta velocidade ou praticar esportes radicais. Na economia, aparece no risco-país, nas aplicações financeiras voláteis, nas oscilações de juros e câmbio, no risco de crédito ou de liquidez.

Na agricultura, o cenário é ainda mais multifacetado. O produtor enfrenta volatilidade de preços de insumos e produtos, agravada pela distância no tempo entre plantio e colheita; pragas e doenças, cuja ocorrência depende do clima e do custo de controle; disponibilidade sazonal de mão de obra e condições de financiamento e acesso ao seguro rural. A esses fatores somam-se os riscos climáticos, que se intensificam com as mudanças globais.

Chuvas excessivas na colheita, granizo, geadas, ondas de altas temperaturas, secas prolongadas e, sobretudo, a desuniformidade climática dentro de uma mesma região são hoje ameaças recorrentes.

“O problema não é apenas a média do clima, mas sua variabilidade”, afirma Alfredo Luiz. Uma safra pode ser comprometida não por falta total de chuva, mas pela má distribuição ao longo do ciclo da cultura. Diante desse cenário, ferramentas baseadas em dados tornaram-se estratégicas.

ZARC: política pública baseada em risco

Aplicado pela primeira vez na safra do trigo de 1996, o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC) reúne o trabalho de mais de 60 pesquisadores e resulta de um consórcio entre o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), a Embrapa, universidades e instituições estaduais de pesquisa.

O ZARC é uma ferramenta de apoio à política agrícola que analisa o risco derivado da variabilidade climática, considerando características da cultura e do solo. Na prática, ele quantifica o risco climático para cada época de semeadura e localidade; indica janelas de plantio mais seguras; contribui para reduzir perdas e racionalizar o crédito agrícola; apoia programas de seguro rural e funciona como instrumento indireto de transferência de tecnologia.

Ao definir períodos de menor risco, o ZARC condiciona o acesso a crédito e seguro, estimulando o produtor a adotar práticas mais seguras.

Por trás dessas recomendações estão métodos estatísticos robustos. Conceitos como risco absoluto, risco relativo, razão de chances (odds ratio) e funções de risco fazem parte do arsenal analítico utilizado para interpretar dados climáticos e agrícolas.

Além disso, a análise moderna de riscos incorpora ferramentas como inteligência artificial; simulação de Monte Carlo; aprendizagem de máquina; modelos computacionais complexos; modelos de sobrevivência, como o modelo de Cox e, segundo o pesquisador, “bom senso e boa estatística”.

“A Estatística transforma dados em informação útil para o planejamento rural”, destaca Alfredo Luiz. Segundo ele, a Ciência de Dados amplia essa capacidade ao integrar grandes volumes de informações históricas, meteorológicas e produtivas.

Entre as frentes prioritárias estão análise de séries temporais climáticas; estimativa de probabilidades de eventos extremos; modelagem estatística da produtividade; validação e calibração de modelos agrometeorológicos; avaliação de incertezas e construção de cenários e apoio à formulação de políticas públicas e comunicação de risco.

Desafio técnico e cultural

Apesar dos avanços, o pesquisador alerta que nenhuma técnica substitui o entendimento profundo do problema. “É fundamental conhecer a realidade agrícola, não apenas aplicar métodos sofisticados”, afirma.

A recomendação é clara: estatísticos e cientistas de dados devem se envolver com o campo, dialogar com agrônomos, meteorologistas e produtores. Só assim será possível transformar números em decisões eficazes.

Num cenário de mudanças climáticas globais e crescente pressão por produtividade, a agricultura brasileira dependerá cada vez mais da capacidade de medir, modelar e comunicar riscos. Se o risco “lubrifica a engrenagem”, como diz Nate Silver, cabe à Estatística garantir que a máquina continue funcionando — mesmo sob tempestades.

Fonte: Embrapa



 

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Sustentabilidade

Algodão/BR: Colheita inicia em MT e GO sob bom desenvolvimento; restrição hídrica acende alerta em MS – MAIS SOJA

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Algodão: 0,9% colhido, Em MT, predominou a insolação, com chuvas isoladas de baixo volume. As lavouras apresentam desenvolvimento satisfatório, com manejo de reguladores de crescimento e controle fitossanitário conforme o planejado. Permanece a atenção para Spodoptera spp. e para o controle do bicudodo-algodoeiro.

Na BA, a colheita segue lentamente. No MA, nos Gerais de Balsas, as lavouras de primeira e segunda safra encontram-se majoritariamente em maturação e abertura de capulhos. As condições gerais são boas. Em MS, na região dos Chapadões, os cultivos seguem sob atenção quanto à disponibilidade hídrica, principalmente, nas áreas em florescimento.

Na região central, o armazenamento de água no solo permanece favorável e seguem os manejos preventivos. Em GO, as primeiras lavouras já foram colhidas na região sul do estado. O algodão de sequeiro encontra-se predominantemente em maturação, enquanto áreas em pré-colheita passam pelo processo de desfolha. As lavouras irrigadas de segunda safra seguem em boas condições.

Em MG, as áreas mais adiantadas já receberam aplicações de dessecantes e aguardam a queda das folhas para o início da colheita. No PI, as lavouras seguem com bom desenvolvimento, favorecidas pelas condições climáticas ao longo do ciclo. Em SP, a colheita avançou na região sudoeste, onde mais da metade das áreas já foi colhida.

Previsão Agrometeorológica (08/06/2026 a 15/06/2026)

N-NE: A previsão indica maiores volumes de chuva no Norte do país, especialmente, entre o AM, RR, AP e norte do PA, além de parte da faixa litorânea do Nordeste. No AC, centro-norte do PA e RO, as chuvas devem ocorrer de forma mais irregular. No TO e interior do NE, o tempo permanece firme e favorecerá a secagem natural do milho no Matopiba, mas deve persistir a restrição hídrica para as lavouras ainda em estádios reprodutivos. No Sealba, as condições seguirão favoráveis nas áreas próximas da costa, mas o armazenamento hídrico deve permanecer baixo nas áreas do interior.

CO: Há previsão de chuvas pontuais com baixos acumulados, principalmente, no noroeste de MT e centro-sul de MS. Em GO e DF, predomina o tempo mais firme. A condição será favorável para a secagem natural do milho segunda safra, mas, para as áreas ainda estádio reprodutivo, permanece a restrição hídrica.

SE: Há previsão de chuvas para todo o estado de SP, sul de MG e RJ, no final da semana, devido à passagem de uma frente fria. Nas demais regiões, a previsão é de tempo estável, com chances reduzidas de chuva. Na maioria das áreas, a umidade no solo será insuficiente para os cultivos de segunda safra e as lavouras de inverno não irrigadas em estádios mais avançados.

S: Há previsão de chuvas para toda região, no início da semana, com volumes significativos no noroeste do RS, Oeste de SC e Sul do PR. A passagem de uma frente fria instabilizará novamente o tempo, promovendo novos acumulados de chuva. As chuvas devem favorecer o incremento de umidade no solo e os cultivos de segunda safra e inverno. Pode ocorrer a suspensão da semeadura do trigo e da colheita do feijão devido às precipitações.

Fonte: Conab


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Autor:Conab

Site: Conab

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Semeadura do trigo avança no RS e SC, enquanto seca afeta lavouras em SP e MG – MAIS SOJA

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No RS, a semeadura avança de acordo com o período de plantio ideal da cultura. Houve interrupções pontuais em áreas com baixa umidade no solo, porém as chuvas recentes devem favorecer a reposição hídrica e o estabelecimento das lavouras.

No PR, predominam lavouras em desenvolvimento vegetativo. Os dias nublados e o excesso de umidade desde o mês passado têm contribuído para o aumento da proporção de áreas com desenvolvimento considerado regular.

Em SC, a semeadura avança no Oeste e Extremo Oeste, favorecida pela boa disponibilidade hídrica e pelas temperaturas amenas. As áreas implantadas apresentam emergência uniforme e bom desenvolvimento vegetativo inicial.

Em SP, as lavouras encontramse majoritariamente em desenvolvimento vegetativo e começam a sentir os efeitos da falta de chuva. Em MS, predomina o estádio vegetativo, com lavouras apresentando boa uniformidade e sanidade. Apesar da ausência de chuvas no período avaliado, as condições climáticas permanecem favoráveis ao desenvolvimento da cultura.

Em MG, restam áreas irrigadas pontuais a serem semeadas na região Noroeste. As lavouras de sequeiro apresentam menor porte devido à falta de chuvas nas regiões do Triângulo Mineiro. Em GO, as lavouras de sequeiro encontram-se próxima de colheita, com produtividade afetada pelo baixo volume de chuvas ao longo do ciclo. As áreas irrigadas seguem em boas condições.

Na BA, o plantio foi iniciado e as lavouras apresentam bom desenvolvimento.

Fonte: Conab



 

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Autor:Conab

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Sustentabilidade

Por que o vazio sanitário é tão importante para o manejo da ferrugem-asiática? – MAIS SOJA

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A ferrugem-asiática, causada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi é uma das doença mais agressivas e preocupantes que acometem a soja. Com elevada capacidade em reduzir a produtividade da cultura, a ferrugem-asiática é o foco do programa fitossanitário da maioria das lavouras, tornando necessário a adoção de distintas estratégias de manejo que priorizem a eficiência no controle dessa doença.

Embora fungicidas de alta eficácia, especialmente quando aplicados de forma preventiva, sejam ferramentas importantes no manejo da ferrugem-asiática, o vazio sanitário permanece como uma das medidas mais eficazes para reduzir a incidência da doença na safra de verão. Ao eliminar plantas voluntárias de soja durante a entressafra, a prática interrompe a sobrevivência e a multiplicação do fungo, reduzindo a produção e a dispersão de esporos que servem como fonte inicial de inóculo para novas infecções e contribuindo para a redução dos focos da doença (Embrapa Soja, s.d.).

A ferrugem-asiática possui elevado potencial de disseminação, uma vez que os uredósporos de Phakopsora pachyrhizi podem ser transportados pelo vento por centenas ou até milhares de quilômetros, permitindo que a doença se espalhe rapidamente entre regiões produtoras e até entre países (Goellner et al., 2010).

Figura 1. Esporos de Phakopsora pachyrhizi (ferrugem-asiática da soja) em microscópio óptico com diferentes aumentos. A e B3 – Foto feita sem lamínula; B e C – Fotos feitas com lamínula.
Fotos: Anderson Luís Heling (B³); Gustavo Migliorini de Oliveira (A¹; B¹; B²; C¹; C²)

Além de apresentar caráter policíclico, com vários ciclos de infecção ao longo do desenvolvimento da cultura, o fungo Phakopsora pachyrhizi é classificado como biotrófico, ou seja, depende de tecidos vivos do hospedeiro para sobreviver e se multiplicar (Oliveira et al., 2020). Essa característica reforça a importância do vazio sanitário e da eliminação de plantas voluntárias de soja durante a entressafra, prática considerada uma das medidas mais eficazes para reduzir a sobrevivência do patógeno e minimizar a ocorrência da ferrugem-asiática na safra seguinte.

Figura 2. Plantas voluntárias de soja durante o período entressafra.

Sobretudo, para efeito de manejo, eficácia na quebra do ciclo da ferrugem-asiática e redução da sobrevivência do patógeno, recomenda-se que o vazio sanitário seja realizado com período mínimo de 60 dias, sendo que, a legislação determina que o vazio sanitário deve ter duração mínima de 90 dias (Aiba, 2025). Para a safra 2026/2027, a PORTARIA SDA/MAPA Nº 1.579, DE 9 DE ABRIL DE 2026 estabelece os períodos de vazio sanitário e épocas de semeadura nas diferentes unidades da federação, subdividindo essas unidades em regiões de cultivo. Além de contribuir para o enfrentamento da ferrugem, a semeadura dentro dos períodos recomendados para cada região de cultivo reduz os riscos relacionados as adversidades climáticas.

Vale destacar que, além da proibição do cultivo de soja durante o período do vazio sanitário, também não é permitida a presença ou a manutenção de plantas voluntárias da cultura nas áreas agrícolas. Dessa forma, torna-se necessário adotar medidas de controle sempre que houver ocorrência dessas plantas, a fim de eliminá-las e evitar que sirvam de hospedeiras para o fungo, contribuindo para a manutenção da sanidade das lavouras.

Cliquei aqui e confira os períodos de vazio sanitário e de calendário de semeadura para a cultura da soja na safra 2026/2027.



Referências:

AIBA. MAPA DIVULGA CALENDÁRIO DE SEMEADURA E VAZIO SANITÁRIO DA SOJA PARA A SAFRA 2025/2026 COM REGIONALIZAÇÃO INÉDITA NA BAHIA. Aiba, 2025. Disponível em: < https://aiba.org.br/mapa-divulga-calendario-de-semeadura-e-vazio-sanitario-da-soja-para-a-safra-2025-2026-com-regionalizacao-inedita-na-bahia/#:~:text=A%20legisla%C3%A7%C3%A3o%20determina%20que%20o,23%20de%20janeiro%20de%202025.&text=A%20partir%20da%20safra%202025,Maria%20da%20Vit%C3%B3ria%2C%20entre%20outros. >, acesso em: 09/06/2026.

EMBRAPA SOJA. FERRUGEM ASIÁTICA DA SOJA: MANEJO E PREVENÇÃO. Embrapa Soja, s. d. Disponível em: < https://www.embrapa.br/en/web/soja/ferrugem >, acesso em: 09/06/2026.

GOELLNER, K. et al. Phakopsora pachyrhizi, THE CAUSAL AGENT OF ASIAN SOYBEAN RUST. OLECULAR PLANT PATHOLOGY, 2010. Disponível em: < https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC6640291/pdf/MPP-11-169.pdf >, acesso em: 09/06/2026.

MAPA. PORTARIA SDA/MAPA Nº 1.579, DE 9 DE ABRIL DE 2026. Diário Oficial da União, 2026. Disponível em: < https://www.in.gov.br/web/dou/-/portaria-sda/mapa-n-1.579-de-9-de-abril-de-2026-698696654 >, acesso em: 09/06/2026.

OLIVEIRA, G. M. et al. COLETOR DE ESPOROS: DESCRIÇÃO, USO E RESULTADOS NO MANEJO DA FERRUGEM ASIÁTICA DA SOJA. Embrapa, Circular técnica, n. 167, 2020. Disponível em: < https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/1129482/1/Circ-Tec-167.pdf >, acesso em: 09/06/2026.

Foto de capa: Alessandro Braucks.

 

 

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