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16 de setembro de 2026

Sustentabilidade

Riscos climáticos desafiam a agricultura e ampliam espaço para a aplicação da Estatística no Brasil – MAIS SOJA

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Pesquisador da Embrapa defende que análise de dados, modelagem estatística e ferramentas como o ZARC são decisivas para reduzir perdas no campo e qualificar políticas públicas

Agricultura convive com riscos econômicos, biológicos e climáticos cada vez mais intensos Diferença entre risco e incerteza é central para a tomada de decisão no campo Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC) é uma das principais ferramentas de política agrícola do país Estatística e Ciência de Dados ampliam a capacidade de prever perdas e orientar o crédito rural Especialistas defendem maior integração entre conhecimento técnico e realidade produtiva.

A agricultura brasileira opera sob risco permanente — e cada vez mais complexo. Da volatilidade dos preços às secas prolongadas, passando por pragas, geadas e ondas de calor, o produtor toma decisões em um ambiente onde clima, mercado e tecnologia se entrelaçam. Para o pesquisador Alfredo José Barreto Luiz, da Embrapa Meio Ambiente, compreender e medir esses riscos é um dos grandes desafios contemporâneos — e uma oportunidade para a Estatística.

“O risco é parte da engrenagem. O problema maior é a incerteza”, resume o pesquisador, citando o livro O Sinal e o Ruído, de Nate Silver. A diferença é fundamental: risco é aquilo que pode ser estimado, que permite associar uma probabilidade a um evento. Incerteza é o que escapa à medição, o imprevisível que pode multiplicar erros por cem ou mil vezes. Essa distinção, aparentemente teórica, tem impacto direto no campo.

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Risco: do cotidiano à lavoura

No cotidiano, o conceito de risco está associado a comportamentos como fumar, dirigir em alta velocidade ou praticar esportes radicais. Na economia, aparece no risco-país, nas aplicações financeiras voláteis, nas oscilações de juros e câmbio, no risco de crédito ou de liquidez.

Na agricultura, o cenário é ainda mais multifacetado. O produtor enfrenta volatilidade de preços de insumos e produtos, agravada pela distância no tempo entre plantio e colheita; pragas e doenças, cuja ocorrência depende do clima e do custo de controle; disponibilidade sazonal de mão de obra e condições de financiamento e acesso ao seguro rural. A esses fatores somam-se os riscos climáticos, que se intensificam com as mudanças globais.

Chuvas excessivas na colheita, granizo, geadas, ondas de altas temperaturas, secas prolongadas e, sobretudo, a desuniformidade climática dentro de uma mesma região são hoje ameaças recorrentes.

“O problema não é apenas a média do clima, mas sua variabilidade”, afirma Alfredo Luiz. Uma safra pode ser comprometida não por falta total de chuva, mas pela má distribuição ao longo do ciclo da cultura. Diante desse cenário, ferramentas baseadas em dados tornaram-se estratégicas.

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ZARC: política pública baseada em risco

Aplicado pela primeira vez na safra do trigo de 1996, o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC) reúne o trabalho de mais de 60 pesquisadores e resulta de um consórcio entre o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), a Embrapa, universidades e instituições estaduais de pesquisa.

O ZARC é uma ferramenta de apoio à política agrícola que analisa o risco derivado da variabilidade climática, considerando características da cultura e do solo. Na prática, ele quantifica o risco climático para cada época de semeadura e localidade; indica janelas de plantio mais seguras; contribui para reduzir perdas e racionalizar o crédito agrícola; apoia programas de seguro rural e funciona como instrumento indireto de transferência de tecnologia.

Ao definir períodos de menor risco, o ZARC condiciona o acesso a crédito e seguro, estimulando o produtor a adotar práticas mais seguras.

Por trás dessas recomendações estão métodos estatísticos robustos. Conceitos como risco absoluto, risco relativo, razão de chances (odds ratio) e funções de risco fazem parte do arsenal analítico utilizado para interpretar dados climáticos e agrícolas.

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Além disso, a análise moderna de riscos incorpora ferramentas como inteligência artificial; simulação de Monte Carlo; aprendizagem de máquina; modelos computacionais complexos; modelos de sobrevivência, como o modelo de Cox e, segundo o pesquisador, “bom senso e boa estatística”.

“A Estatística transforma dados em informação útil para o planejamento rural”, destaca Alfredo Luiz. Segundo ele, a Ciência de Dados amplia essa capacidade ao integrar grandes volumes de informações históricas, meteorológicas e produtivas.

Entre as frentes prioritárias estão análise de séries temporais climáticas; estimativa de probabilidades de eventos extremos; modelagem estatística da produtividade; validação e calibração de modelos agrometeorológicos; avaliação de incertezas e construção de cenários e apoio à formulação de políticas públicas e comunicação de risco.

Desafio técnico e cultural

Apesar dos avanços, o pesquisador alerta que nenhuma técnica substitui o entendimento profundo do problema. “É fundamental conhecer a realidade agrícola, não apenas aplicar métodos sofisticados”, afirma.

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A recomendação é clara: estatísticos e cientistas de dados devem se envolver com o campo, dialogar com agrônomos, meteorologistas e produtores. Só assim será possível transformar números em decisões eficazes.

Num cenário de mudanças climáticas globais e crescente pressão por produtividade, a agricultura brasileira dependerá cada vez mais da capacidade de medir, modelar e comunicar riscos. Se o risco “lubrifica a engrenagem”, como diz Nate Silver, cabe à Estatística garantir que a máquina continue funcionando — mesmo sob tempestades.

Fonte: Embrapa



 

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Sustentabilidade

Efeitos da compactação do solo vão além da redução do volume de raízes – MAIS SOJA

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A compactação do solo constitui um dos principais fatores limitantes ao crescimento das plantas e, consequentemente, à produtividade das culturas agrícolas. Na soja, além de desempenharem funções essenciais na absorção de água e nutrientes, as raízes estabelecem uma importante relação simbiótica com bactérias do gênero Bradyrhizobium, responsáveis pela fixação biológica de nitrogênio (FBN), que constitui a principal fonte de N para a cultura.

Nesse contexto, a compactação do solo pode provocar uma série de efeitos negativos sobre o desenvolvimento da soja, abrangendo desde a restrição ao crescimento e à distribuição do sistema radicular, limitando o acesso das raízes às camadas mais profundas do solo, até alterações na nodulação e na fixação biológica de nitrogênio. Além disso, condições de compactação podem favorecer ambientes com menor aeração e drenagem, alterando as condições físicas do solo e podendo contribuir para o desenvolvimento de determinados patógenos de solo, de origem fúngica e parasitária.

Esses efeitos podem comprometer a formação dos componentes de produtividade e, consequentemente, o rendimento final da cultura. Entre as principais alterações físicas decorrentes da compactação estão o aumento da densidade e da resistência mecânica do solo e a redução do volume total de poros, especialmente dos macroporos (Debiasi; Santos; Gonçalves, 2021).

Conforme observado por Rosa et al. (2019), o aumento da resistência do solo à penetração decorrente da compactação pode refletir negativamente em diferentes características de crescimento e componentes de produtividade da soja. Os autores observaram alterações em variáveis como altura de plantas, diâmetro do caule, número de legumes e número de folhas, com impactos negativos sobre o desempenho produtivo da cultura.

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Resultados semelhantes foram observados por Savioli et al. (2021). Ao avaliar a influência da compactação do solo sobre os componentes de produtividade da soja, os autores verificaram que o número de legumes (vagens) por planta, o número de grãos por planta e a massa de grãos estiveram entre os componentes mais afetados. Os resultados indicaram influência negativa significativa da compactação sobre esses componentes a partir da densidade do solo de 1,3 g cm⁻³ (Mg m⁻³).

Figura 1. Massa seca de grãos de soja em função de diferentes densidade de solo. (1,1; 1,2; 1,3; 1,4 e 1,5 g cm-3).
Fonte: Savioli et al. (2021)

Esses resultados reforçam a importância das condições físicas do solo para o adequado desenvolvimento da soja e evidenciam os impactos que a compactação pode exercer sobre a formação dos componentes de produtividade e o rendimento final da cultura. Dessa forma, o diagnóstico e o manejo da compactação do solo devem integrar as estratégias de manejo da lavoura, buscando favorecer o crescimento radicular, a exploração do perfil do solo e o aproveitamento de água e nutrientes.

Além dos efeitos diretos sobre o crescimento e a produtividade, a compactação do solo também pode influenciar a capacidade das plantas de tolerar períodos de restrição hídrica. A redução do crescimento radicular e do acesso das raízes às camadas mais profundas pode limitar a exploração de água armazenada no perfil, especialmente durante períodos de déficit hídrico. Assim, o manejo adequado da estrutura do solo constitui uma importante estratégia para melhorar as condições de desenvolvimento da soja e contribuir para maior resiliência da cultura diante de condições de estresse hídrico.



Referências:

DEBIASI, H.; SANTOS, J. C. F.; GONÇALVES, S. L. COMPACTAÇÃO DO SOLO. Embrapa, 2021. Disponível em: < https://www.embrapa.br/en/web/agencia-de-informacao-tecnologica/cultivos/soja/producao/manejo-do-solo/compactacao-do-solo >, acesso em: 16/09/2026.

ROSA, H. A. et al. INFLUÊNCIA DA COMPACTAÇÃO DO SOLO EM PARÂMETROS PRODUTIVIDOS DA CULTURA DA SOJA. Revista Técnico-Científica do CREA-PR, 2019. Disponível em: < https://revistatecie.crea-pr.org.br/index.php/revista/article/view/548/333 >, acesso em: 16/09/2026.

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SAVIOLI, M. R. et al. Componentes de produção da soja sob níveis de compactação do solo. Acta Iguazu, Cascavel, v.10, n.2, p. 1-12, 2021. Disponível em: < https://e-revista.unioeste.br/index.php/actaiguazu/article/view/26312 >, acesso em: 16/09/2026.

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Sustentabilidade

ARROZ/CEPEA: Exportações e expectativas de compras públicas sustentam preços – MAIS SOJA

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A concorrência entre os mercados interno e externo, somada à expectativa de compras governamentais, mantém os preços do arroz em casca firmes no Rio Grande do Sul.

De acordo com o Cepea, negócios voltados ao fechamento de navios aconteceram a valores próximos de R$ 90/sc de 50 kg, no Porto do Rio Grande (RS), nos últimos dias, levando produtores a ampliar a oferta, especialmente nas regiões próximas ao terminal. Ao mesmo tempo, parte das indústrias domésticas reduziu a atuação diante da dificuldade em acompanhar os valores da exportação.

Segundo o Centro de Pesquisas, a disputa ocorre em um contexto de maior demanda das indústrias por matéria-prima. Em agosto, o beneficiamento de arroz no estado avançou, e os preços ao consumidor também registraram alta.

Fonte: Cepea

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FONTE

Autor:Cepea

Site: Cepea

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Sustentabilidade

Depois de meses de alta, inadimplência dá primeiro sinal de trégua em MT e Cuiabá – MAIS SOJA

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Mato Grosso encerrou agosto de 2026 com uma leve queda na inadimplência dos consumidores no estado, 2,23% na comparação entre julho e agosto. Os números apurados pelo SPC Brasil para a Câmara de Dirigentes Lojistas de Cuiabá (CDL Cuiabá) mostram que o mês trouxe o primeiro sinal de redução no ano entre quase 1,5 milhão de consumidores mato-grossenses em idade adulta que estão com restrição de crédito.

O mesmo recuo apareceu na quantidade de dívidas em atraso, que caiu 2,38% no mês, mesmo acumulando alta de 8,90% em 12 meses.

Entre os mato-grossenses inadimplentes, o perfil é majoritariamente masculino (53,42% ante 46,56% de mulheres) e concentrado na faixa entre 30 e 49 anos.

O valor médio das dívidas no estado é de R$ 6.119,63, somando-se todos os débitos por consumidor, com tempo médio de atraso de 29,5 meses. Em torno de 35,70% das dívidas estão em aberto entre um e três anos e outras 40,13% ultrapassam os três anos.

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Os bancos concentram a maior fatia dos débitos, com 54,81%, seguidos por comércio, com 21,94%, outros segmentos (10,91%), água e luz (8,17%) e comunicação (4,17%).

Cuiabá

Na capital, aproximadamente 258 mil consumidores adultos apresentaram restrição de crédito em agosto. Na comparação mês a mês, o SPC Brasil apontou queda de 2,52% no total de inadimplentes cuiabanos. Em relação à quantidade de dívidas em atraso, a redução foi de 2,95% no mês.

O perfil dos inadimplentes cuiabanos também é predominantemente masculino (52,10% ante 47,90% de mulheres), com idade média de 45,4 anos — ligeiramente acima da média estadual — e concentração também entre 30 e 49 anos.

Em Cuiabá, o valor médio das dívidas é de R$ 6.631,99, acima da média estadual, com tempo médio de atraso de 30,2 meses. Mais da metade das dívidas da capital, 58,28%, está em aberto há mais de um ano, distribuídas entre as faixas de um a três anos (34,93%), três a quatro anos (17,48%) e quatro a cinco anos (24,35%).

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Os bancos também lideram entre os credores na capital, com 61,09% das dívidas registradas, seguidos por comércio, 14,85%, água e luz (8,76%), outros segmentos (12,33%) e comunicação (2,97%).

“Os números mostram que a inadimplência ainda é uma realidade que pesa no bolso do consumidor cuiabano e mato-grossense, mas o recuo mensal é um indício importante de que as famílias estão conseguindo se reorganizar. Do lado do comércio, isso significa reforçar o diálogo com o cliente, oferecer condições de negociação viáveis e ajudar quem quer voltar a comprar e a pagar em dia. A CDL Cuiabá segue acompanhando esses indicadores para orientar o lojista sobre a melhor forma de negociar com o consumidor”, observou o presidente da CDL Cuiabá, Júnior Macagnam.

CDL Cuiabá – Com 53 anos de história e cerca de 10 mil empresas associadas, a CDL Cuiabá tem como missão transformar a Capital em um dos melhores lugares para empreender e morar. Com origem no comércio varejista, hoje a entidade representa empresários e empresárias de diferentes setores, oferecendo facilidades como economia operacional, certificação digital, inteligência para concessão de crédito, telefonia móvel, redução de custos com energia e proteção de crédito em parceria com o SPC Brasil.

Fonte: Assessoria de imprensa



 

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