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Plano Clima quer impor restrições acima da lei, diz Aprosoja Brasil

O novo Plano Clima, proposto pelo governo federal, tem causado forte preocupação entre representantes do setor agropecuário. Para o diretor-executivo da Aprosoja Brasil, Fabrício Moraes Rosa, o plano ignora legislações ambientais já existentes e busca impor novas restrições que podem prejudicar diretamente os produtores rurais.
O governo federal trabalharia com uma lógica que “passa por cima da legislação brasileira” e tenta impor restrições ambientais “muito acima do que o resto do mundo inteiro faz”, segundo Fabrício Moraes Rosa, em entrevista ao programa Direto ao Ponto desta semana. Ele salienta ainda que o governo busca “desviar o Código Florestal” com novas regras que prejudicam o agronegócio.
A principal preocupação, destaca, é com a intenção do governo de “impor uma restrição maior do que a nossa legislação”. Ele cita como exemplo a possibilidade de proibição de abertura de novas áreas, mesmo que a legislação atual permita, como no caso da Moratória da Soja.
Um dos principais pontos de crítica acerca do Plano Clima é o diagnóstico do governo em relação ao desmatamento, que, de acordo com ele, joga toda a responsabilidade sobre o agronegócio, sem diferenciar o que é legal ou ilegal.
O diretor-executivo da Aprosoja Brasil afirma que essa postura do governo é um reflexo de um “ressentimento” por ter perdido no debate do Código Florestal no passado.
“É um governo que até hoje ele está ressentido, porque perdeu o debate do Código Florestal e ele continua querendo impor regras acima do Código Florestal”, diz. Ele ressalta que a legislação brasileira já exige que os produtores na Amazônia, por exemplo, preservem 80% de suas propriedades.
Expectativa para a COP
Em relação à Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP), Fabrício Moraes Rosa separa o evento em duas partes. A primeira, “a COP em si”, onde os governos definem metas. “É um tudo faz de conta. É quem mais traz uma meta mais agressiva, fala mais bonito, mas no final não cumpre nada”, opina. Ele lamenta que o Brasil, ao contrário de outros países, esteja propondo metas cada vez mais difíceis de serem alcançadas.
A segunda parte da COP, descrita por ele como o “desfile”, é onde entidades e a sociedade civil organizada apresentam suas iniciativas. É nessa área que a Aprosoja Brasil e outras organizações vão atuar. “A gente vai lá para falar pro brasileiro que ele dá exemplo para o resto do mundo, que a gente faz dever de casa. Bioinsumos, redução de defensivos agrícolas, plantio direto”, detalha.
A entidade tem mais expectativa para essa segunda parte, que contará com a Agrizone, um espaço para demonstrar a sustentabilidade do agronegócio brasileiro, em trabalho conjunto com a Embrapa e a CNA. “A COP em si a gente está meio desanimado do que vai vir por parte do nosso governo”, conclui.
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Turquia abre mercado para a castanha-do-Brasil, informa Mapa

A Turquia passará a importar castanha-do-Brasil com e sem casca, informou nesta terça-feira (3) o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).
A pasta destaca que o produto é internacionalmente reconhecido por seu valor nutricional e extraído de forma sustentável por comunidades tradicionais.
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“A exportação desse produto para o mercado turco promoverá geração de renda e desenvolvimento regional, contribuindo para a conservação da floresta em pé”, diz o Ministério.
Em 2025, a Turquia, país de aproximadamente 87 milhões de habitantes, importou mais de US$ 3,2 bilhões em produtos agropecuários brasileiros, com destaque para produtos do complexo soja, café, fibras e produtos têxteis.
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Empresas brasileiras que participaram da Gulfood 2026 esperam US$ 1,4 bi em negócios

As empresas brasileiras que participaram da Gulfood 2026, em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, esperam que os contatos e acordos realizados durante o evento deverão gerar US$ 1,4 bilhão em negócios ao longo dos próximos 12 meses.
A projeção foi divulgada em nota pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) que, juntamente com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), levou 21 agroindústrias nacionais à feira, encerrada na última sexta-feira (30 de janeiro).
Segundo a entidade, apenas durante os cinco dias de Gulfood, os negócios efetivamente realizados somaram US$ 131,4 milhões, números que, para a ABPA, reforçam o papel da feira como a principal vitrine global para o mercado halal e para destinos estratégicos do Oriente Médio, Ásia e África.
De acordo com a ABPA, as empresas brasileiras que foram ao evento contaram com um espaço exclusivo de mais de 430 metros quadrados dedicado à realização de negócios, relacionamento institucional e promoção da proteína animal brasileira.
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A ação também contou com uma área central de degustação, onde foram servidos shawarma de carne de frango e de pato, além de omeletes, com o objetivo de reforçar junto aos visitantes a qualidade, a versatilidade e o sabor diferenciado dos produtos brasileiros. A entidade destaca que ao longo dos dias de feira, foram servidos cerca de 6.500 shawarmas e de 1.000 omeletes.
Atualmente, o Brasil é o maior exportador mundial de carne de frango produzida segundo os preceitos islâmicos e mantém posição de destaque como fornecedor confiável para países muçulmanos, atendendo exigências sanitárias, religiosas e de rastreabilidade.
“Os resultados alcançados na Gulfood 2026 refletem a confiança do mercado internacional na proteína animal brasileira. A feira é um espaço estratégico para consolidar parcerias, ampliar o diálogo com importadores e reforçar a imagem do Brasil como fornecedor seguro, previsível e alinhado às exigências dos mercados halal”, avalia o presidente da ABPA, Ricardo Santin.
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Nova portaria do Mapa consolida regras sobre fiscalização agropecuária de bagagens

A Portaria nº 872/2025, do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), entra em vigor nesta quarta-feira (4) e consolida em um único regulamento as regras já existentes para a fiscalização agropecuária de bagagens de viajantes que chegam ao país com alimentos, sementes e outros produtos agropecuários.
Na avaliação do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais Federais Agropecuários (Anffa Sindical), a medida amplia a transparência para a sociedade e fortalece a previsibilidade das ações do Estado, ao mesmo tempo em que reforça o papel estratégico da fiscalização na proteção do patrimônio agropecuário, ambiental e da saúde pública.
Para o presidente do órgão, Janus Pablo Macedo, o principal desafio está na percepção equivocada de que pequenas quantidades não representam risco.
“Quando um viajante traz alimentos de origem animal ou vegetal sem autorização, mesmo em volumes reduzidos, ele pode introduzir no Brasil pragas e doenças inexistentes no país ou atualmente sob controle, com impactos diretos sobre a produção agropecuária, o meio ambiente e a saúde pública”, alerta.
Um dos exemplos mais sensíveis é o da carne suína, cuja entrada é rigidamente controlada devido ao risco da peste suína africana, doença altamente letal para os animais, sem vacina disponível e ausente no Brasil, mas presente em vários outros países.
“A fiscalização na bagagem do viajante é uma barreira sanitária estratégica. Sem esse controle, o prejuízo potencial ao agro brasileiro pode ser incalculável”, reforça Janus.
Já o coordenador da Unidade de Vigilância Agropecuária Internacional (Vigiagro), Cleverson Freitas, acredita que a consolidação das regras traz ganhos operacionais relevantes.
“A Portaria reduz a subjetividade nas análises, promove a harmonização dos procedimentos em âmbito nacional e confere maior segurança técnica e jurídica para a tomada de decisão quanto à autorização ou não do ingresso de produtos agropecuários no país”, afirma.
‘Produtos inofensivos’
A chefe do Serviço de Fiscalização de Viajantes do Mapa, Maria Joana Brito, conta que os passageiros são surpreendidos com o bloqueio de produtos de uso cotidiano, já que não associam esses itens a riscos sanitários.
“São produtos considerados simples, mas que apresentam risco relevante para o Brasil, como queijos artesanais, embutidos, produtos suínos em geral, frutas frescas, sementes, mudas e até mel”, enumera.
Ela destaca ainda que o fato de o produto estar lacrado ou na embalagem original não elimina o risco, mesmo que seja para consumo próprio ou para presente a um familiar. “O risco sanitário não é avaliado pela apresentação comercial. Mesmo embalados a vácuo ou industrializados, alimentos de origem animal ou vegetal podem veicular vírus, bactérias e pragas exóticas”, ressalta.
Assim, conforme a fiscalização, a maioria das apreensões ocorre por falta de informação e não por tentativa deliberada de burlar as regras. “Na maior parte dos casos, o viajante traz alimentos típicos para consumo próprio, sem conhecer as exigências. As tentativas intencionais existem, mas representam uma minoria e recebem tratamento específico”, acrescenta Joana.
Lista oficial de produtos
A Portaria nº 872/2025 consolida as regras em uma lista oficial de produtos, que pode ser atualizada sempre que necessário, de acordo com eventos sanitários e novos estudos de risco.
A orientação é que, antes de cada viagem, o passageiro consulte a lista, declare corretamente os produtos na chegada ao Brasil e procure a Vigilância Agropecuária em caso de dúvida.
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