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1 de julho de 2026

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Bactérias associadas a insetos podem ser ferramenta para agricultura sustentável

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Entender o papel dos microrganismos de insetos na interação com plantas hospedeiras, principalmente os associados à lagarta-do-cartucho, uma das principais pragas da cultura do milho, levou a engenheira agrônoma, Diandra Achre, a se aprofundar nos estudos sobre esse efeito.

Os insetos carregam consigo uma comunidade diversa de microrganismos como bactérias, fungos e vírus, que desempenham funções essenciais influenciando seu crescimento, alimentação e até na forma como interagem com as plantas, que muitas vezes são seu principal alimento”, diz Diandra Achre.

Durante seu mestrado, a pesquisadora começou a investigar o que acontecia quando um grupo de bactérias associadas a insetos foi inoculado na planta de milho. Descobriu que algumas, ao colonizarem os tecidos das plantas, assumiam funções completamente diferentes.

Aquilo que antes beneficiava o inseto passava a favorecer a planta: ajudando o milho a crescer mais saudável e, ao mesmo tempo, fortalecendo sua capacidade de defesa contra pragas e doenças. É como se a planta “aprendesse” a se defender ao reconhecer pistas associadas ao seu agressor.

“Essas bactérias aumentam a resistência sistêmica da planta, reduzindo o consumo e o desenvolvimento da lagarta-do-cartucho, chegando ao ponto de causar a mortalidade total das larvas”, explica.

Segundo Diandra Achre, isso mostra que a planta, ao se associar a essas bactérias, passa a responder mais rápido e de forma mais eficiente ao ataque da praga, produzindo compostos de defesa que normalmente estão ausentes ou são produzidos em baixa abundância nas plantas não inoculadas.

Com base nesses resultados, a engenheira decidiu investigar mais a fundo, buscando entender como essas bactérias modulam a fisiologia da planta e influenciam suas interações com outros organismos, como pragas e doenças. Para isso, foram analisadas alterações metabólicas, genéticas e bioquímicas.

“Utilizamos abordagens avançadas de biologia molecular e química, com o uso de ferramentas das ômicas. Além da resposta às pragas, também exploramos o potencial dessas bactérias simbiontes em auxiliar o sistema imune da planta contra doenças como o enfezamento do milho, um patógeno agressivo transmitido por outro inseto, a cigarrinha-do-milho”, destaca.

O objetivo foi compreender como as interações planta, inseto, simbiose e patógeno desencadeiam respostas biológicas e como essas relações podem ser exploradas para o desenvolvimento de novas tecnologias de baixo impacto ambiental, que aumentem a produtividade agrícola e fortaleçam a saúde das plantas cultivadas.

Além das descobertas científicas, o projeto também trouxe impactos práticos e perspectivas promissoras para o setor produtivo.

Bioinsumos e estímulos

Ao utilizar bactérias simbiontes como bioinsumos, é possível modular a fisiologia da planta, estimulando o crescimento vegetal, fortalecendo as defesas naturais contra pragas e doenças agressivas da cultura do milho e, consequentemente, aumentando a sua produtividade. Essa abordagem pode resultar em sistemas de cultivo mais resistentes e eficientes.

Além dos benefícios imediatos no campo, o estudo também permitiu a identificação de genes, proteínas e vias metabólicas ativadas pela interação com os simbiontes. Esses achados oferecem base para o desenvolvimento de novas tecnologias agrícolas, com potencial aplicação em programas de melhoramento genético ou edição genômica.

Assim, os microrganismos simbiontes investigados se configuram não apenas como agentes biológicos funcionais, mas como ferramentas biotecnológicas de alta precisão, com potencial para transformar estratégias de manejo agrícola e ampliar as fronteiras da inovação e da sustentabilidade no setor.

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Plano Safra da Agricultura Familiar 2026/2027 é lançado no Nordeste em Fortaleza

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A ministra do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Fernanda Machiaveli, lançou nesta quarta-feira (1º), em Fortaleza, a etapa regional do Plano Safra da Agricultura Familiar 2026/2027 para o Nordeste. O evento foi realizado em parceria com o Banco do Nordeste (BNB) e incluiu entregas de mecanização, aporte de R$ 200 milhões ao crédito fundiário e novos editais voltados à agricultura familiar.

Durante a cerimônia no Auditório Celso Furtado, também foi apresentada a pesquisa “Agroamigo: Impactos Socioeconômicos na Agricultura Familiar”, conduzida pelo economista Marcelo Neri, da Fundação Getulio Vargas (FGV). O estudo analisa os efeitos do microcrédito rural orientado do Banco do Nordeste sobre renda, inclusão produtiva e condições de vida de agricultores familiares.

Entre os anúncios do evento, o Banco do Nordeste recebeu aporte simbólico de R$ 200 milhões para ampliar as operações do Programa Nacional de Crédito Fundiário (PNCF). Segundo os dados apresentados, o valor deve viabilizar cerca de 650 novas operações, dentro da meta de 1.114 financiamentos e R$ 300 milhões em contratações previstas para 2026. Até maio, haviam sido contratadas 464 operações, somando R$ 101 milhões.

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Na mecanização, foram entregues simbolicamente três colheitadeiras de arroz e sete motocultivadores a cooperativas e associações da agricultura familiar cearense, por meio do Programa Arroz da Gente e da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). As colheitadeiras também podem ser usadas na colheita de feijão, sorgo, milheto e gergelim.

O evento também marcou o anúncio do Edital de Chamada Pública nº 01/2026, com R$ 10,8 milhões para apoiar 20 Subprojetos de Investimento Comunitário voltados à mecanização agrícola no âmbito do PNCF Social, com até R$ 540 mil por projeto. Outro anúncio foi o edital “Alimento no Prato: Territórios Urbanos Cultivando Alimentos e Vidas Saudáveis”, com R$ 20 milhões para 2026 e 2027 destinados a iniciativas coletivas de agricultura urbana e periurbana.

Entre as mudanças do Plano Safra 2026/2027, o microcrédito do Pronaf B para mulheres passou a R$ 28 mil e o dos jovens, a R$ 16 mil. O crédito rural também passa a financiar a reforma de cômodos das residências da agricultura familiar, em até R$ 10 mil, com 40% de desconto para pagamento em dia.

No Ceará, a agricultura familiar reúne 424 mil unidades ativas no Cadastro Nacional da Agricultura Familiar (CAF), o equivalente a 10,7% do total nacional. No estado, o crédito fundiário somou R$ 102,6 milhões entre 2023 e maio de 2026, enquanto o Programa Arroz da Gente alcançou 390 famílias em 27 comunidades. A etapa regional em Fortaleza deu sequência ao lançamento nacional do plano, anunciado na terça-feira (30), em Brasília.

Fonte: gov.br

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BNDES e Petrobras contratam R$ 50 milhões para projetos no Semiárido

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O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) contratou cinco operações da iniciativa Sertão Mais Produtivo, com cerca de R$ 50 milhões em recursos não reembolsáveis para fortalecer a agricultura familiar no Semiárido nordestino. Os projetos contam com aportes do Fundo Socioambiental do BNDES e da Petrobras, com cerca de R$ 25 milhões de cada instituição. A ação já confirma atendimento a 155 municípios e cerca de 5 mil agricultores familiares.

Segundo o BNDES, as iniciativas buscam ampliar a capacidade produtiva e de comercialização de cooperativas e associações da agricultura familiar no Semiárido brasileiro, com foco em geração de renda, inclusão produtiva e aumento da oferta de alimentos saudáveis.

No Ceará, o projeto do Centro de Estudos e Assistência às Lutas do Trabalhador e Trabalhadora Rural (Cealtru) receberá R$ 10 milhões em 25 municípios, com atendimento a cerca de 900 agricultores familiares e 27 empreendimentos coletivos. As ações incluem assistência técnica, fortalecimento de agroindústrias e organização de cadeias produtivas de leite, mel, mandioca, frutas e hortaliças.

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No Rio Grande do Norte e na Paraíba, o projeto do Centro Feminista 8 de Março (CF8) terá R$ 10 milhões em 27 municípios, beneficiando cerca de 750 agricultores familiares. A iniciativa prevê quintais produtivos agroecológicos, sistemas de reuso de água, energia solar e apoio a 30 empreendimentos coletivos.

Na Bahia, em Sergipe e em Alagoas, o Instituto Regional da Pequena Agropecuária Apropriada (IRPAA) contará com cerca de R$ 10 milhões para atuação em 25 municípios, com 800 agricultores familiares atendidos. O trabalho inclui assistência técnica, estruturação produtiva, fortalecimento de organizações e ampliação do acesso a mercados.

No Piauí e no Maranhão, a Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável (FBDS) receberá R$ 10 milhões para atuação em 53 municípios, com 850 agricultores familiares beneficiados. O projeto reúne capacitação, estruturação de agroindústrias e apoio à comercialização. Em Pernambuco, a Fundação de Desenvolvimento Sustentável do Araripe (Fundação Araripe) terá aproximadamente R$ 10 milhões para atender cerca de 1.700 agricultores familiares em 25 municípios, com assistência técnica, tecnologias sustentáveis e fortalecimento do cooperativismo.

Os cinco projetos integram acordo de cooperação firmado entre BNDES e Petrobras em dezembro de 2024 para apoiar iniciativas com impacto socioambiental positivo. Nesse modelo, cada instituição pode aportar até 50% dos recursos, com previsão de até R$ 100 milhões em investimentos totais.

Fonte: agenciadenoticias.bndes.gov.br

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Chuva fora de época trava colheita de milho em Mato Grosso

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

A chuva fora de época tem mudado a rotina de produtores que ainda colhem o milho segunda safra em Mato Grosso. Em Nova Mutum, no médio-norte do estado, o excesso de umidade impede a entrada das máquinas nas lavouras, atrasa os trabalhos e aumenta o risco de prejuízos tanto pela perda de qualidade dos grãos quanto pelos gargalos na armazenagem.

Em uma fazenda do município, dos 5.090 hectares cultivados com milho segunda safra, quase metade da área já está pronta para ser colhida. No entanto, a sequência de chuvas impede que as colheitadeiras avancem, obrigando os produtores a esperar uma melhora nas condições do solo.

A permanência do milho no campo, conforme o setor produtivo, preocupa uma vez que a situação atípica para o mês favorece a entrada de umidade nas espigas e pode comprometer a qualidade da produção. Além disso, o atraso provoca um efeito em cadeia que atinge o transporte, a armazenagem e o escoamento da safra.

O gerente de produção da propriedade, Edivandro Milani, conta que fazia anos que não enfrentava uma situação semelhante. Segundo ele, toda a operação precisou ser reorganizada para lidar com uma condição climática que foge ao controle do produtor.

“Há muitos anos que a gente não via isso. Esse ano aconteceu isso e está sendo muito difícil. Estamos tendo que trabalhar com essa adversidade que a gente não consegue ter controle sobre ela. Atrapalha tudo, não consegue colher”, diz ao projeto Mais Milho.

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Umidade afeta qualidade e logística

Além do atraso na colheita, Milani explica que a chuva aumenta o risco de danos aos grãos que permanecem nas lavouras. De acordo com ele, algumas cargas chegam em boas condições, enquanto outras já apresentam índices de grãos avariados. A dificuldade para retirar rapidamente a produção do campo também agrava a situação.

“O milho que está em pé ainda começa entrar chuva pela ponteira. Se ela não fechar direito começa a acumular embaixo. Tem carga que não dá nada e tem carga que dá grão avariado. Tem carga que sai com 5%. No armazém o suporte é pequeno então precisa ir colhendo e tirando”.

O problema se estende para fora da lavoura. Com as estradas prejudicadas pelas chuvas, os caminhões demoram mais para chegar às propriedades, reduzindo o ritmo da colheita. “Às vezes acontece que não tem esse fluxo e aí com chuva piora porque a estrada fica ruim, o caminhão não vem, o processo de colheita enrola”.

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Corrida para abrir espaço nos armazéns

Enquanto parte do milho continua no campo, outra ocupa o pátio da fazenda à espera de espaço para armazenamento. Para evitar que a produção fique exposta à chuva, a equipe mantém uma força-tarefa que funciona praticamente sem interrupção.

A estratégia é retirar o milho dos caminhões, organizar os armazéns e liberar espaço para que a colheita avance assim que o tempo permitir.

Milani relata ao Canal Rural que o trabalho segue durante o dia e também à noite para tentar acompanhar o ritmo da produção. Segundo ele, as chuvas registradas nos últimos dias pegaram todos de surpresa e exigiram mudanças na logística da fazenda. “Ninguém esperava chuva nessa época”.

O gerente pontua que o armazém se transformou em uma operação contínua. Enquanto as máquinas só conseguem trabalhar durante o dia, a movimentação dos grãos ocorre 24 horas por dia.

A situação é acompanhada de perto pelo Sindicato Rural de Nova Mutum. O presidente da entidade, Paulo Zen, afirma que o volume de chuva registrado nos últimos dias surpreendeu os produtores justamente em um momento decisivo da colheita.

Zen frisa que algumas regiões acumularam volumes próximos ou superiores a 100 milímetros, o que aumenta a preocupação com a resistência das lavouras.

“Nos últimos 10, 12 dias fomos surpreendidos com chuvas, além de vir o frio atrás. A gente não sabe até que ponto algumas variedades vão resistir a isso, então o produtor está correndo para tirar esse milho do campo”.

O presidente do Sindicato Rural afirma ainda que muitos produtores passaram a recorrer ao silo bolsa porque os armazéns não conseguem absorver toda a produção. Ele também chama atenção para o aumento dos custos de secagem dos grãos. “O consumo de cavaco aumentou muito esse ano. Há relatos de produtores que chegaram a 60%. Já gastou toda a lenha que havia feito toda a safra do ano passado e o custo do cavaco hoje já subiu 40%”.

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Ventos fortes ampliam as perdas

Além do excesso de chuva, as tempestades acompanhadas por ventos fortes têm causado o acamamento do milho em diversas áreas de Nova Mutum. O problema reduz o potencial de colheita e aumenta as perdas na lavoura.

De acordo com o consultor Cledson Guimarães Dias Pereira, algumas áreas atingidas dificilmente terão recuperação. Em determinados talhões, boa parte das plantas ficou completamente no chão, impedindo que as colheitadeiras aproveitem toda a produção.

O consultor afirma que os ventos têm acompanhado praticamente todas as chuvas registradas na região, mantendo os produtores em alerta constante. Apesar disso, as áreas que não foram atingidas apresentaram bom potencial produtivo. “Nas primeiras chuvas que deram aqui o vento foi assustador, e toda vez que tem uma chuva vem uma corrente de vento e aí ficamos apreensivo”.

Mesmo com os desafios provocados pelas condições climáticas, a colheita do milho segunda safra segue mais adiantada que no ano passado. Segundo o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), os trabalhos já alcançaram 32,4% da área cultivada no estado, ritmo 5,42 pontos percentuais superior ao registrado no mesmo período da safra passada.

MAIS MILHO - SITE MARCAS

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