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14 de agosto de 2026

Agro Mato Grosso

Fungo muda odor do milho e atrai parasitoide de percevejo

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Estudo da Embrapa indica potencial de Beauveria bassiana no manejo integrado do percevejo-barriga-verde

A associação de Beauveria bassiana com plantas de milho alterou a emissão de compostos orgânicos voláteis e aumentou a atração do parasitoide de ovos Telenomus podisi, inimigo natural de percevejos. O efeito apareceu principalmente após aplicação foliar do fungo e ganhou intensidade cento e vinte horas após a inoculação. O estudo, de pesquisadores da Embrapa, avaliou a interação entre milho, Diceraeus melacanthus, Beauveria bassiana e Telenomus podisi (DOI 10.1007/s10340-026-02057-7).

Os resultados indicam uma possível contribuição do fungo ao manejo integrado de pragas. A colonização por Beauveria bassiana não reduziu a sobrevivência de Diceraeus melacanthus. Também não alterou a fecundidade nem a fertilidade das fêmeas do percevejo. Mesmo assim, mudou sinais químicos emitidos pelo milho e influenciou o comportamento de busca do parasitoide.

Colonização fúngica

A pesquisa testou inoculação via semente e aplicação foliar. A colonização fúngica ocorreu em mais de setenta e cinco por cento das plantas tratadas por pulverização foliar. Em plantas originadas de sementes inoculadas, a colonização também ocorreu, mas com distribuição heterogênea nos tecidos vegetais.

Os pesquisadores usaram a linhagem CG1105 de Beauveria bassiana. Antes dos ensaios com plantas, dez linhagens do fungo passaram por triagem contra adultos de Diceraeus melacanthus. A linhagem CG1105 provocou uma das maiores mortalidades e gerou a maior proporção de insetos mumificados entre as linhagens avaliadas.

No ensaio com milho, as plantas receberam o fungo por duas formas. No tratamento de sementes, cada semente recebeu dois mililitros de suspensão com vinte milhões de conídios por mililitro. Na aplicação foliar, plantas no estádio vegetativo V três receberam três mililitros da suspensão, também com vinte milhões de conídios por mililitro.

Compostos voláteis

O trabalho mediu compostos voláteis emitidos pelas plantas durante cinco dias. As coletas ocorreram em intervalos de vinte e quatro horas. O estudo comparou plantas sem tratamento, plantas com herbivoria por Diceraeus melacanthus, plantas inoculadas com Beauveria bassiana e plantas com inoculação mais herbivoria.

Na aplicação foliar, os perfis químicos do milho começaram a se diferenciar com o avanço do tempo. Cento e vinte horas após a inoculação, plantas pulverizadas com Beauveria bassiana emitiram níveis maiores de salicilato de metila. Também emitiram níveis menores de (E)-beta-farneseno e (E,E)-alfa-farneseno em comparação com outros tratamentos.

Os bioensaios em olfatômetro em Y mostraram resposta temporal do parasitoide. Quarenta e oito horas após a inoculação, fêmeas de Telenomus podisi não mostraram preferência por plantas tratadas apenas com fungo, em comparação com ar limpo ou plantas sem tratamento. Nessa fase, o parasitoide preferiu odores de plantas com herbivoria em relação aos odores de plantas tratadas apenas com fungo.

A resposta mudou aos cento e vinte horas após a inoculação. Nesse momento, fêmeas de Telenomus podisi preferiram voláteis de plantas com aplicação foliar de Beauveria bassiana em comparação com ar limpo e plantas sem tratamento. Plantas com aplicação foliar do fungo e herbivoria também atraíram o parasitoide em relação aos mesmos controles.

Tratamento de sementes

O tratamento de sementes mostrou efeito mais limitado sobre o comportamento do parasitoide. Dezoito dias após a inoculação das sementes, fêmeas de Telenomus podisi não preferiram voláteis de plantas tratadas apenas por semente quando comparados com ar limpo ou plantas sem tratamento. Plantas originadas de sementes inoculadas e submetidas à herbivoria atraíram mais o parasitoide do que ar limpo e plantas sem tratamento.

Sobrevivência e reprodução

Os dados de sobrevivência e reprodução do percevejo indicam ausência de efeito direto da colonização sobre Diceraeus melacanthus. Adultos alimentados em plantas com aplicação foliar de Beauveria bassiana não diferiram dos adultos mantidos em plantas sem tratamento. O mesmo ocorreu em plantas originadas de sementes inoculadas. A fecundidade e a viabilidade dos ovos também não apresentaram diferença significativa.

Segundo os pesquisadores, a colonização parcial pode explicar esse resultado. O fungo apareceu em várias plantas tratadas, mas ocupou menos de vinte por cento dos segmentos vegetais avaliados. Essa distribuição limitada talvez não baste para afetar diretamente o percevejo. Ainda assim, pode modificar rotas de sinalização do milho e alterar defesas indiretas mediadas por voláteis.

O estudo aponta compatibilidade potencial entre fungos entomopatogênicos e inimigos naturais em programas de manejo integrado. A pulverização de Beauveria bassiana em milho não prejudicou os parâmetros avaliados de Telenomus podisi no experimento. Pelo contrário, em determinadas condições, aumentou a atração do parasitoide por sinais químicos da planta.

O estudo foi desenvolvido por Maria Carolina Blassioli Moraes, Rogério Biaggioni Lopes, Raul Alberto Laumann, Miguel Borges, Clenilson Martins Rodrigues, Mírian Fernandes Furtado Michereff e Isadora Alexopoulos Quevedo.

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Agro Mato Grosso

Cartilha de manejo integrado do fogo da Aprosoja MT orienta prevenção no campo

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Guia construído em parceria com o Corpo de Bombeiros reúne orientações técnicas para proteger a lavoura, o patrimônio e a segurança jurídica do produtor

Aceiros, limpeza de máquinas, caminhão-pipa a postos e equipe preparada para agir aos primeiros sinais de fumaça são práticas conhecidas de quem vive no campo durante o período de estiagem. A Cartilha de Manejo Integrado do Fogo, elaborada pela Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado de Mato Grosso (Aprosoja MT) em parceria com o Corpo de Bombeiros Militar do Estado (CBMMT), organiza em um único documento o que o produtor precisa fazer para reduzir o risco de princípios de incêndio, dificultar a propagação das chamas e se adequar à Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo, instituída pela Lei nº 14.944/2024.

A Cartilha também atende às regras exigidas pelo Comitê Nacional de Manejo Integrado do Fogo (COMIF), que passou a fixar obrigações de prevenção, na prática, a propriedade precisa demonstrar preparo mínimo para prevenir, comunicar e responder a ocorrências. Esses deveres foram detalhados pela Resolução COMIF nº 3/2025, em vigor desde 8 de setembro de 2025, e os produtores têm até 8 de setembro de 2027 para se adequar. Além disso, antes de qualquer punição, o órgão ambiental deve notificar e conceder 30 dias para correção. As exigências variam conforme o porte do imóvel, medido em módulos fiscais.

As sanções também endureceram. O Decreto nº 12.189/2024 triplicou a multa pelo uso de fogo sem autorização em áreas agropastoris, que passou de R$1 mil para R$3 mil por hectare ou fração, e reforçou a responsabilização por falhas de prevenção. É esse conjunto que transforma a organização da fazenda em resguardo jurídico, e é o que a cartilha traduz com ilustrações e linguagem simples.

A publicação integra a campanha “Desinformação é fogo”, realizada pela Aprosoja MT desde 2023, para orientar produtores e conscientizar a sociedade sobre os riscos das queimadas. O argumento é direto: o agricultor é o primeiro interessado em manter o fogo longe da lavoura, porque é quem mais perde com ele.  “O planejamento está no dia a dia do produtor há muitos anos. Começa no plantio, passa pelo manejo e, depois da colheita, quando a área entra em pousio na seca, vem o planejamento de proteção. O fogo destrói a natureza, as lavouras e, às vezes, os maquinários, um prejuízo gigantesco. Por isso, prevenir e ter um plano para o primeiro combate faz parte da própria sobrevivência financeira do produtor”, afirma o diretor financeiro e vice-coordenador de Sustentabilidade da Aprosoja MT, Nathan Belusso.

As quatro frentes de proteção – A cartilha organiza as medidas protetivas em quatro frentes, apresentadas com dicas práticas. A primeira são os aceiros, faixas de terreno mantidas livres de vegetação que funcionam como barreira física contra a propagação do fogo, sobretudo nas divisas, junto às Reservas Legais e às Áreas de Preservação Permanente. O material distingue três tipos: preventivos, emergenciais e de segurança, cada um com função específica antes, durante e depois de uma ocorrência.

A segunda são os cuidados preventivos com o maquinário. Máquinas sujas, superaquecidas ou operando em condições inadequadas aumentam o risco de início do fogo. Na estiagem, a limpeza frequente de colhedoras e tratores, a atenção a fagulhas e ao superaquecimento e a escolha criteriosa dos horários de colheita reduzem a chance de que a própria operação provoque as chamas.

Em seguida, são apresentadas as estruturas de apoio: fontes de água acessíveis e sinalizadas, equipamentos básicos de combate em boas condições, EPIs para a equipe e, conforme o porte da propriedade, caminhão-pipa, reservatórios, abafadores, bombas costais, comunicação e primeiros socorros. Sem esses recursos, a resposta inicial fica comprometida.

Por último, as técnicas de monitoramento. Uma propriedade preparada mantém comunicação rápida, responsável definido e acompanhamento constante no período crítico: de listas de contato e rádio a drones, pontos de observação e monitoramento de focos de calor.

Prevenção começa em janeiro – Para o Coronel da Reserva do CBMMT, Aluísio Metelo Junior, a nova legislação exige antecipação. “O primeiro erro é a falta de planejamento. O produtor já fazia ações preventivas, mas a Lei do Manejo Integrado do Fogo mudou uma coisa: agora ele precisa provar isso antecipadamente. Antes não havia essa obrigatoriedade, e foi o COMIF que passou a ditar as regras de prevenção”, afirma. O oficial defende tratar o tema como calendário, e não como emergência.

“A prevenção precisa começar em janeiro, mês a mês, para que, quando chegar a estiagem, esteja tudo executado”, diz. Ele acrescenta que as campanhas educativas cumprem papel duplo: enquanto as novas gerações aprendem, as mais tradicionais assimilam novas práticas”.

O coronel lembra ainda que, em terras arrendadas, a responsabilidade é compartilhada: cabe ao proprietário cobrar do arrendatário o cumprimento das exigências legais, com os dois cientes das medidas. Ele situa o Estado como referência. “Todos os estados aprenderam com Mato Grosso a gestão de incêndios florestais. As entidades e associações são cada vez mais importantes nesse processo: quanto mais colaboram entre si e levam novidades ao produtor, mais perto se chega de um futuro sustentável e da redução dos incêndios”, avalia. A síntese, para ele, é uma só: o incêndio acontece onde a prevenção falha.

Da prevenção ao resguardo legal – A cartilha fecha o ciclo ao orientar o registro das medidas. Fotografias de aceiros, APPs, Reservas Legais, cercas, equipamentos e EPIs, com data e organização, servem tanto à gestão interna quanto à comprovação de boas práticas em eventual fiscalização ou apuração.

Em caso de ocorrência, o material recomenda acionar o Corpo de Bombeiros (193), registrar o evento, formalizar boletim de ocorrência, providenciar ata notarial e solicitar perícia técnica, cadeia de evidências que protege o produtor juridicamente. Prevenir, nesse arranjo, é ao mesmo tempo defender a produção e resguardar quem produz.

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Agro Mato Grosso

Doença silenciosa avança em MT e pode comprometer produtividade da soja

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Podridão de vagens e grãos já deixou prejuízos em importantes regiões produtoras e pesquisadores reforçam atenção à escolha de cultivares, época de plantio e manejo de fungicidas

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Agro Mato Grosso

Secretaria de Agricultura de Lucas prepara novas tecnologias para o Show Safra 2027

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Em Lucas do Rio Verde o trabalho desenvolvido no campo experimental da Secretaria de Agricultura e Meio Ambiente ocorre durante todo o ano, com pesquisas e testes de diferentes culturas, tecnologias e formas de manejo voltadas principalmente ao fortalecimento da agricultura familiar. O desenvolvimento de culturas é pensado para oferecer opções de diversificação ao produtor rural, bem como no Show Safra.

Durante o período de seca, a área experimental recebe culturas que apresentam melhor desenvolvimento nessas condições. Entre os testes realizados atualmente está o cultivo de melão, com a avaliação de diferentes técnicas para melhorar o desenvolvimento da planta, preservar a umidade do solo e reduzir os impactos de pragas.

De acordo com o secretário de Agricultura e Meio Ambiente, Felipe Palis, o objetivo do campo experimental é testar na prática diferentes possibilidades de produção e transformar os resultados em informação para o agricultor.

“Esse campo serve para testar, para ter coisas que dão certo e também o que dá errado, porque o resultado negativo também é uma informação”, explicou.

No cultivo do melão, uma das tecnologias avaliadas é a utilização de cobertura física, estratégia que busca proteger a plantação de uma das principais pragas que afetam a cultura nesse período, a mosca-branca. A técnica também contribui para a manutenção da umidade e pode favorecer um desenvolvimento mais vigoroso das plantas.

A pesquisa realizada agora também ajuda a definir quais culturas e tecnologias poderão ser apresentadas durante o Show Safra 2027. Como algumas produções levam de seis a até dez meses para chegar ao ponto de colheita.

“Nosso time está todo aqui desenvolvendo essas pesquisas, esses materiais justamente para a gente entregar um excelente Show Safra”, destacou Felipe.

O cultivo do melão também chama atenção para uma oportunidade de mercado existente no próprio município. Segundo o secretário, Lucas do Rio Verde possui produtores de frutas, hortaliças e outros alimentos que comercializam a produção para mercados, varejistas, atacadistas e também para a merenda escolar.

A preparação para o Show Safra 2027 segue em andamento, com o desenvolvimento antecipado das culturas que serão apresentadas ao público durante a feira. Além de apresentar novidades durante a feira, a proposta é gerar conhecimento que possa ser aplicado no dia a dia das propriedades. Os testes permitem comparar técnicas e avaliar quais alternativas apresentam melhores resultados para as condições locais.

O trabalho conta com parcerias como a da Fundação Rio Verde, que disponibiliza a área experimental e auxilia com maquinários, equipamentos e produtos, o Sindicato Rural, a Cooperlaf – Cooperativa Luverdense de Agricultores Familiares, associações e os próprios agricultores.

“O agricultor familiar, há muito tempo, deixou de ser um produtor de subsistência. Hoje ele é um empresário do campo, ele produz, ele entrega”, afirmou Felipe.

(com Ascom Prefeitura/Patrícia Kluge Marchi)

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