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10 de agosto de 2026

Agro Mato Grosso

Novo milho não usa fertilizante ao captar nitrogênio do ar

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Esse avanço científico pode representar uma mudança de paradigma para culturas como o milho, que dependem fortemente de fertilizantes nitrogenados para suprir suas necessidades nutricionais. Novo milho não usa fertilizante ao captar nitrogênio do ar: uma revolução para o agronegócio?

Em uma descoberta promissora para o futuro da agricultura sustentável, pesquisadores identificaram uma variedade de milho capaz de capturar nitrogênio diretamente do ar, dispensando o uso de fertilizantes nitrogenados.

A novidade, apresentada no Congresso Aapresid 2021, na Argentina, por Alan Bennett, professor da Universidade da Califórnia, pode transformar a forma como o agronegócio lida com a adubação, um dos principais custos de produção.

Seria esse o fim do uso de nitrogenados no cultivo e produção do milho no mundo? Sim, é um passo importante para reduzir a dependência do fornecimento e utilização de adubos nitrogenados pela cultura. Porém, destacam os pesquisadores, que esse ainda é um processo que deve levar um tempo até a sua validação e produção em escala comercial.

O cultivo de milho é uma das atividades agrícolas mais importantes no mundo, sendo essencial tanto para a alimentação humana quanto animal, além de ser matéria-prima para a indústria. Originário das Américas, o milho se espalhou globalmente e é amplamente cultivado em países como os Estados Unidos, Brasil, China e Argentina, que são os maiores produtores do grão. O grão é altamente adaptável a diferentes climas e solos, o que permite seu cultivo em várias regiões do globo. Além disso, o milho é fundamental na produção de biocombustíveis, como o etanol, contribuindo para a diversificação da matriz energética global.

O aumento da demanda por alimentos e energia tem impulsionado sua produção, apesar de desafios como mudanças climáticas e questões de sustentabilidade agrícola. A revolução verde do milho de Sierra Mixe A variedade foi encontrada na região de Sierra Mixe, no México, onde solos pobres em nitrogênio abrigam esse milho capaz de sobreviver sem a necessidade de fertilizantes sintéticos. O grande diferencial dessa planta está na formação de raízes aéreas que continuam se desenvolvendo após a fase adulta – algo incomum nas variedades convencionais. Essas raízes produzem uma mucilagem rica em açúcares, que cria um ambiente propício para bactérias diazotróficas, responsáveis por fixar o nitrogênio da atmosfera.

“Esse milho pode obter entre 29% a 82% do seu nitrogênio diretamente do ar”, explica Bennett. O processo é semelhante ao que ocorre nas leguminosas, mas até agora, apenas essas plantas eram conhecidas por essa capacidade. Esse avanço científico pode representar uma mudança de paradigma para culturas como o milho, que dependem fortemente de fertilizantes nitrogenados para suprir suas necessidades nutricionais.

Impactos no agronegócio: economia e sustentabilidade A descoberta de Bennett e sua equipe pode trazer benefícios significativos para o agronegócio global. O uso de fertilizantes nitrogenados não apenas gera custos elevados, mas também tem um impacto ambiental significativo.

Esses insumos são produzidos a partir de combustíveis fósseis, consumindo até 2% da energia mundial e contribuindo para a emissão de gases de efeito estufa. Ao reduzir a necessidade de fertilizantes, o milho de Sierra Mixe oferece uma solução mais sustentável, o que pode ser especialmente benéfico para países em desenvolvimento, onde o acesso a fertilizantes é limitado.

“Embora estejamos longe de aplicar essa capacidade em milho comercial, esse é o primeiro passo para melhorar a sustentabilidade agrícola”, ressalta Bennett. A adoção de uma cultura com essa característica poderia melhorar a segurança alimentar, ao mesmo tempo em que reduz os impactos ambientais da produção agrícola, combatendo problemas como a eutrofização dos solos, causada pelo excesso de nitrogênio. “Embora estejamos longe de aplicar essa capacidade em milho comercial, esse é o primeiro passo para melhorar a sustentabilidade agrícola”, ressalta Bennett Milho não usa fertilizante para captar nitrogênio: O caminho para o futuro O desenvolvimento de variedades comerciais de milho com essa capacidade pode demorar, mas o potencial é inegável.

Menos fertilizantes significa menos dependência de recursos não renováveis e menos poluição, além de uma produção agrícola mais viável economicamente para pequenos produtores.

Além disso, essa inovação pode abrir portas para novos avanços na engenharia genética de outras culturas que também exigem altos níveis de nitrogênio, como trigo e arroz, ampliando o impacto positivo no setor agropecuário.

Com essa descoberta, o agronegócio tem diante de si uma oportunidade de se posicionar na vanguarda da sustentabilidade, mostrando que, ao investir em tecnologia e pesquisa, o setor pode contribuir decisivamente para a solução de grandes desafios globais, como mudanças climáticas e a segurança alimentar. Em um cenário em que as pressões por práticas agrícolas mais sustentáveis crescem, o milho de Sierra Mixe surge como uma resposta promissora – uma prova de que a inovação no campo pode ser a chave para um futuro mais próspero e equilibrado.

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Agro Mato Grosso

MT é o único estado brasileiro onde homens são maioria entre solteiros

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Mato Grosso ocupa uma posição única no mapa demográfico brasileiro. Segundo dados do Censo 2022, é o único estado do país onde há mais homens solteiros do que mulheres solteiras: são 102,5 solteiros para cada 100 solteiras.

A explicação passa pela forte expansão do agronegócio. O estado atrai trabalhadores de diferentes partes do Brasil para atuar nas lavouras de soja, milho e algodão, gerando uma migração predominantemente masculina em busca de oportunidades profissionais.

Migração e trabalho no campo

Nas fazendas mato-grossenses, histórias parecidas ajudam a explicar os números. Muitos trabalhadores deixam suas cidades de origem ainda jovens para buscar crescimento profissional.

É o caso de Alan Augusto da Silva Weinch, de 20 anos, operador de máquinas agrícolas. Natural de Novo Machado (RS), ele deixou a casa dos pais para trabalhar no estado.

“Foi preciso coragem, né? Bastante coragem. Se não tem coragem, não vem não”, contou.

 

Mato Grosso é o único estado do Brasil onde homens solteiros são maioria, aponta IBGE — Foto: Reprodução/TV Globo

Mato Grosso é o único estado do Brasil onde homens solteiros são maioria, aponta IBGE — Foto: Reprodução/TV Globo

Casamento ficou para depois

A trajetória dos trabalhadores do campo acompanha uma tendência observada em todo o país: os brasileiros estão se casando mais tarde.

Segundo dados do IBGE citados na reportagem, as mulheres se casam, em média, aos 29 anos, enquanto os homens chegam ao casamento aos 31.

Nesse cenário, a prioridade costuma ser a construção da carreira, da estabilidade financeira e dos projetos pessoais antes da formação de uma união.

Willian Balen, técnico em agropecuária vindo de Santa Catarina, também priorizou a carreira. Aos 27 anos, ele afirma que a meta de formar uma família ficou para mais tarde.

“Meu foco principal é o agro, o trabalho”, disse. “Minha meta é ter um casamento a partir dos 30 anos.”

Mato Grosso é o único estado do Brasil onde homens solteiros são maioria, aponta IBGE — Foto: Reprodução/TV Globo

Mato Grosso é o único estado do Brasil onde homens solteiros são maioria, aponta IBGE — Foto: Reprodução/TV Globo

Entre a liberdade e a solidão

Para muitos dos trabalhadores que vivem longe da família, a solteirice é marcada por sentimentos contraditórios.

Ao ser questionado sobre as vantagens de não estar em um relacionamento, Willian citou a autonomia: “Sai a hora que quer, volta a hora que quer e não depende de ninguém”.

Mas ele também reconhece o lado mais difícil da rotina. “A desvantagem é um pouco a solidão, né? Que ela bate.”

Já Erisom Marinho de Barros, operador de máquina agrícola que deixou Alagoas para trabalhar em Mato Grosso, afirma que a busca por melhores condições de vida teve um custo emocional.

“Abri mão de muita coisa”, disse. “De estar perto da minha família, da minha filha, para estar em busca da realização dos sonhos.”

Mesmo assim, ele não desistiu da vida amorosa. No ritmo das safras, acredita que os relacionamentos podem surgir nos períodos de entressafra, quando há mais tempo para sair e conhecer pessoas.

Retrato raro no país

O caso de Mato Grosso chama atenção porque vai na contramão da realidade nacional. A população brasileira tem mais mulheres do que homens, resultado de uma mortalidade masculina mais elevada ao longo da vida, segundo especialistas ouvidos pelo programa.

O novo retrato dos solteiros no Brasil — Foto: Reprodução/TV Globo

O novo retrato dos solteiros no Brasil — Foto: Reprodução/TV Globo

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Agro Mato Grosso

Por que Cuiabá ficou mais quente? Estudo aponta perda de árvores, antigas obras do VLT

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MT amplia consumo interno de milho e reduz dependência das exportações

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Uma safra recorde de milho não significa, necessariamente, que haverá excesso de oferta em Mato Grosso. O crescimento das usinas de etanol e o aumento do consumo interno têm feito uma parcela cada vez maior da produção permanecer no próprio estado, reduzindo a dependência das exportações.

De acordo com o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), a demanda pela safra 2024/25 foi revisada para 54,98 milhões de toneladas em agosto, alta de 0,85% em relação à estimativa anterior. O principal fator para a revisão foi o aumento da moagem nas usinas de etanol, que ampliou o consumo de milho dentro do estado.

Com maior volume sendo absorvido pelo mercado estadual, a projeção de estoques finais da safra foi reduzida para 974,03 mil toneladas, queda de 32,14% em relação ao levantamento anterior.

A tendência deve ganhar força na safra 2025/26. A estimativa aponta consumo interno de 22,10 milhões de toneladas, aumento de 9,12% em relação ao ciclo anterior. O avanço é atribuído principalmente à expansão da capacidade das usinas de etanol produzido a partir do milho.

A demanda também deve crescer fora de Mato Grosso. A menor produção projetada em outros estados contribuiu para elevar a estimativa de consumo interestadual para 11 milhões de toneladas, alta de 6,18% na comparação com a safra anterior.

Exportações perdem espaço

Com o avanço do consumo interno, as exportações devem representar uma parcela menor da produção mato-grossense. Para a safra 2025/26, o Imea estima que Mato Grosso deverá embarcar 24,10 milhões de toneladas de milho para o mercado internacional, redução de 1,09% em relação ao ciclo anterior.

A queda, segundo o cenário projetado, não está relacionada à falta de produção, mas ao aumento da quantidade de milho destinada ao mercado brasileiro.

Mesmo com a maior absorção interna, a projeção de estoques finais para a próxima safra é de 1,17 milhão de toneladas, crescimento de 19,99% em relação ao ano anterior.

O cenário reflete a expectativa de uma produção recorde, que deverá ser suficiente para atender ao crescimento da demanda dentro de Mato Grosso, abastecer outros estados e ainda garantir volumes relevantes para o mercado internacional.

Fonte: MidiaJur

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