Politica
“MT não pode mais ser campeão de feminicídios”, diz senadora após crime brutal

Conteúdo/ODOC – A senadora Margareth Buzetti (PSD) se manifestou com indignação e tristeza, nesta terça-feira (24), após mais um caso brutal de feminicídio registrado em Lucas do Rio Verde, município localizado a 360 km de Cuiabá. Em vídeo publicado em suas redes sociais, a parlamentar lamentou o assassinato cruel de uma mulher e o ataque à filha dela, de apenas 7 anos, e cobrou punição severa ao autor do crime.
“Mais um ataque cruel em Lucas do Rio Verde, mais um feminicídio covarde. Kelly foi covardemente assassinada e eu quero que esse assassino, esse bandido, fique 40 anos na cadeia, fechado. Vacine, se trate lá na cadeia, resolva seus problemas lá. Mas não cometa o que cometeu. Isso é de uma crueldade sem tamanho”, declarou a senadora, visivelmente emocionada.
A vítima mencionada por Buzetti é a terapeuta Gleici Olibonide, de 42 anos. Ela foi morta a facadas, e a filha dela, de 7 anos, ficou gravemente ferida e segue internada. O principal suspeito é o engenheiro agrônomo Daniel Frasson, marido de Gleici e pai da criança. Segundo informações da Polícia Militar, após cometer o crime, ele tentou suicídio, mas sobreviveu e foi socorrido.
De acordo com os relatos das autoridades que atenderam à ocorrência — incluindo equipes da Guarda Civil Municipal, Polícia Militar, Corpo de Bombeiros, Polícia Civil e Politec — Gleici foi encontrada já sem vida sobre a cama do casal, com múltiplas perfurações no peito e pescoço. Havia sangue por vários cômodos da casa, indicando que a vítima tentou se defender do agressor.
A senadora destacou o cenário alarmante em Mato Grosso, que figura entre os estados com maior número de feminicídios no país. “Mato Grosso está sendo campeão de feminicídio no Brasil inteiro. Como vamos admitir e aceitar isso? Mulher vive com medo, a gente vive com medo, a gente não sabe mais o que fazer. Toda minha solidariedade à família da Gleici. E que essa menina sobreviva. Que ela tenha a sorte de sobreviver”, declarou Buzetti.
O caso causou forte comoção e reacendeu o debate sobre a violência contra a mulher no estado e no país. A senadora reforçou a necessidade de políticas públicas mais eficazes de prevenção, proteção às vítimas e punição rigorosa aos agressores.
Agro Mato Grosso
Governador diz que saída de tradings da Moratória é “vitória” para MT

O governador Mauro Mendes (União) afirmou que a saída das grandes tradings do pacto da Moratória da Soja representa uma “vitória” para Mato Grosso e põe fim a um impasse que, segundo ele, vinha impondo prejuízos aos produtores rurais do Estado.
A declaração foi feita nesta segunda-feira (5), após comunicado oficial da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove).
“Recebi, nesse momento, um comunicado oficial da Abiove, que reúne as grandes tradings compradoras de soja e milho aqui no Brasil, informando que elas estão deixando o pacto da moratória da soja”, disse Mendes em vídeo no Instagram.
“Essa é uma vitória, uma conquista do Estado de Mato Grosso, pois aqui nós tínhamos algumas exigências que estavam trazendo prejuízos aos nossos produtores rurais, criando uma regra muito acima daquilo que estabelece a lei brasileira”, disse.
A fala do governador ocorre porque o pacto da Moratória da Soja proibia a compra de soja produzida em áreas do bioma Amazônia desmatadas após julho de 2008 e colocava restrições além das exigidas pela legislação ambiental brasileira, mesmo quando a abertura de áreas ocorria de forma legal, o que gerava efeitos diretos sobre produtores da região amazônica.
Em Mato Grosso, produtores rurais e lideranças políticas sempre criticaram a Moratória por considerarem que o acordo penalizava quem cumpre o Código Florestal, limitava o direito de uso da terra e criava uma “legislação paralela” imposta por empresas privadas e mercados internacionais.
Segundo o governador, a partir de agora, essas empresas deverão seguir exclusivamente o que determina a legislação ambiental brasileira.
“A partir de agora, vamos cobrar a legalidade e o respeito ao meio ambiente, tendo como baliza, como parâmetro a Lei Ambiental Brasileira, não aceitando nenhum milímetro a mais, porque ela já é muito rigorosa, mas também não podemos negligenciar em cumprir aquilo que estabelece a Lei Brasileira”, afirmou.
Ao comentar o desfecho das negociações, Mendes disse que o Estado encerra uma “longa trajetória” de enfrentamento ao tema.
“Portanto, fico feliz que chegamos aí a um pacto definitivo. Chegamos ao final de uma longa trajetória. Agradeço aqui a todos atores envolvidos, a Assembleia Legislativa, a todos que colaboraram para que nós pudéssemos chegar agora, no início de 2026, com este problema devidamente equacionado e resolvido”.
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Agro Mato Grosso
Deputado Max Russi reforça apoio aos pequenos produtores na Frente Parlamentar I MT

A Frente Parlamentar da Agropecuária da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), conduzida pelo deputado Max Russi, presidente da Casa, apresentou o balanço das principais ações realizadas em defesa dos pequenos e médios produtores do estado. A atuação reforça a importância do setor para o desenvolvimento econômico e social, priorizando políticas de incentivo, segurança jurídica e fortalecimento da agricultura familiar.
Entre as iniciativas de maior impacto está o apoio às políticas públicas de comercialização da produção local, garantindo que os agricultores familiares tenham acesso a programas estratégicos como o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE).
Uma das conquistas estruturantes é a Lei nº 10.638/2017, criada pelo deputado Max Russi, que determina 30% das compras da administração pública estadual sejam destinadas a bens e serviços da agricultura familiar. A medida ampliou o acesso dos produtores ao mercado institucional, gerando renda, fortalecendo cadeias produtivas regionais e incentivando o consumo de alimentos frescos e de origem local.
A Frente Parlamentar também tem atuado na defesa da regularização fundiária e ambiental dos pequenos e médios produtores, garantindo segurança jurídica, acesso a financiamentos e condições adequadas para o desenvolvimento sustentável das propriedades. O trabalho envolve articulação direta com órgãos estaduais, prefeituras e entidades representativas do setor.
Outra frente de atuação é o incentivo à assistência técnica e extensão rural, promovida por meio de parcerias com a Empaer e instituições especializadas, assegurando acompanhamento técnico, modernização das práticas agrícolas e apoio no aprimoramento da produção.
As ações também contemplam o fortalecimento da produção agroecológica e sustentável, estimulando sistemas de cultivo que preservam o solo, a água, a biodiversidade e que promovam qualidade de vida no campo, especialmente para agricultores familiares.
Para o deputado Max Russi, os avanços obtidos pela Frente Parlamentar representam o compromisso da Assembleia Legislativa com o desenvolvimento rural e a garantia de direitos aos produtores mato-grossenses.
“Nosso trabalho é assegurar que o pequeno produtor tenha condições reais de crescer, produzir e viver com dignidade no campo. Valorizamos a agricultura familiar porque ela alimenta nossas cidades, gera emprego e movimenta a economia. Vamos seguir defendendo políticas públicas que ampliem oportunidades e fortaleçam cada região de Mato Grosso”, afirmou.
Com esse conjunto de iniciativas estruturadas e contínuas, a Frente Parlamentar da Agropecuária reforça seu papel como protagonista na construção de políticas que impulsionam a economia rural e promovem desenvolvimento sustentável em todo o estado.
Agro Mato Grosso
MT até 2070: o segredo do único estado que cresce enquanto todos os outros encolhem

Único estado com crescimento populacional até 2070, Mato Grosso se destaca pela força do agronegócio, qualificação e geração de empregos, que atraem novos moradores.
Enquanto os estados brasileiros se preparam para encolher nas próximas décadas, Mato Grosso segue em movimento contrário, sendo o único estado que, segundo as projeções do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), continuará crescendo até 2070 — uma curva que desafia o cenário nacional e já começa a redesenhar cidades, serviços públicos e rotinas no presente.
🔍A projeção demográfica levanta uma questão central: o que faz de Mato Grosso a exceção e como o estado se prepara para o futuro?
Segundo especialistas ouvidos, o ‘segredo’ que mantém Mato Grosso na contramão do país se apoia em três pilares:
- 🌾expansão do agronegócio;
- 🤝geração de empregos na cadeia produtiva;
- 🛬migração de jovens em busca de renda e estabilidade.
Estima-se que o estado vai ultrapassar 5,2 milhões habitantes até 2070, um aumento de quase 44% se comparado com o Censo 2022, quando foram contabilizados 3.658.813 moradores.
A projeção no país é que a população encolha antes do previsto, puxada pela queda da fecundidade e o aumento da população idosa. No entanto, Mato Grosso deve seguir na contrapartida.
Segundo o pesquisador em Informações Geográficas e Estatísticas do IBGE, Marcio Mitsuo Minamiguchi, enquanto a idade mediana do brasileiro será de 51,2 anos em 2070, em Mato Grosso será de 44,8 anos no mesmo período (veja na tabela mais abaixo).
📈A idade mediana da população de 2023 e 2070
| ESTADO | 2023 | 2070 |
| Rio Grande do Sul | 37,8 | 52,1 |
| Rio de Janeiro | 37,3 | 52,1 |
| Minas Gerais | 36,7 | 52,0 |
| São Paulo | 36,4 | 51,6 |
| Espírito Santo | 35,5 | 49,6 |
| Paraná | 35,5 | 50,6 |
| Santa Catarina | 35,4 | 48,8 |
| Bahia | 34,9 | 52,8 |
| Rio Grande do Norte | 34,5 | 52,6 |
| Distrito Federal | 34,5 | 53,3 |
| Goiás | 34,2 | 49,7 |
| Paraíba | 34,1 | 51,3 |
| Piauí | 33,7 | 52,6 |
| Pernambuco | 33,7 | 51,6 |
| Ceará | 33,5 | 52,1 |
| Sergipe | 33,1 | 52,4 |
| Mato Grosso do Sul | 32,9 | 48,7 |
| Rondônia | 32,1 | 50,3 |
| Mato Grosso | 32,1 | 44,8 |
| Alagoas | 32,0 | 51,4 |
| Tocantins | 31,6 | 50,0 |
| Maranhão | 30,3 | 52,6 |
| Pará | 29,7 | 50,8 |
| Amazonas | 27,6 | 48,7 |
| Acre | 27,4 | 50,6 |
| Amapá | 27,3 | 50,5 |
| Roraima | 26,8 | 46,7 |
Para o sociólogo e professor de economia da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Maurício Munhoz, o estado possui um dinamismo econômico singular. Ele explicou que isso mostra a força das cadeias do agronegócio, da agroindústria e dos novos serviços associados, que criam polos regionais capazes de atrair gente de todo o país.
Os pesquisadores ressaltam que políticas públicas têm papel direto nesse processo, seja pela infraestrutura que atrai investimentos, seja pelas áreas em que a expansão populacional já pressiona serviços. Para eles, o futuro demográfico de Mato Grosso dependerá da capacidade de transformar esse crescimento em qualidade de vida.
Quem veio para ficar
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Bernardo Leandro saiu do RS para trabalhar em Mato Grosso e se apaixonou pelas belezas naturais do estado — Foto: Arquivo pessoal
O gaúcho Bernardo Leandro Carvalho Costa, de 32 anos, deixou Triunfo (RS) em fevereiro de 2023 para passar uma temporada em Mato Grosso. A ideia era simples: começar a carreira docente num mercado que, no Sul, encolheu após a pandemia. A primeira vaga apareceu em Barra do Garças (MT).
“Era para ser algo temporário e hoje não desejo sair. A ideia era completar um ano de docência e ir para outro lugar, mas apareceram muitas oportunidades no interior e também na capital e, além disso, me sinto num estado que realmente passa por um ‘boom’ no desenvolvimento. Tive uma recepção muito grande ao ponto de que agora sinto que sou daqui”, relatou.
Bernardo passou de professor em instituição privada para substituto da Universidade Federal, até ser aprovado em um concurso da UFMT, em Cuiabá. No mesmo período, consolidou o trabalho como advogado e criou vínculos com a região.
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Bernardo Leandro Carvalho Costa e Maurício Pedroso Flores, ambos do RS e professores de direito, se conheceram após se mudarem para MT — Foto: Arquivo pessoal
O movimento de chegada também levou a Barra do Garças (MT) o professor universitário de direito, Maurício Pedroso Flores, de 32 anos. Ele soube, por intermédio de Bernardo, de uma vaga pouco antes de concluir o doutorado no Rio Grande do Sul e decidiu tentar, mesmo sem conhecer a cidade.
“Vim com uma mala e um sonho. Não tinha muita ideia do que esperar daqui, mas descobri que é um lugar muito bom, cheio de oportunidades. Hoje sou realmente muito grato a tudo que essa terra me deu e não tenho vontade de sair daqui”, ressaltou.
De acordo com o Censo 2022, o estado recebeu mais de 300 mil novos moradores de outras unidades da federação entre 2010 e 2022 — um dos maiores saldos proporcionais do Brasil. A chegada de tanta gente se justifica, também, pela oportunidade que o mercado de trabalho oferece:
- 💼Emprego: foram criados mais de 56 mil novos postos de trabalho entre janeiro e outubro deste ano, segundo o Caged;
- 📊Ranking: MT é o 2° estado do país com o maior número de empregos com carteira assinada;
- 👦Jovens: em 2024 o estado tinha 628 mil jovens empregados e registrou a menor taxa de desemprego do Brasil (4,05%) para essa categoria, apontou o IBGE;
- 💰Salário: MT teve crescimento no rendimento médio real do trabalho, chegando a R$ 3.507 no terceiro trimestre deste ano.

Secretário de Desenvolvimento Econômico de MT fala sobre geração de empregos
O secretário de Desenvolvimento Econômico do estado, César Miranda, ressaltou que os números demonstram a tendência de crescimento do mercado de trabalho e expansão de diversos setores da economia.
🏡Expansão urbana
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Municípios de MT ampliam moradias e se preparam para o crescimento — Foto: Christiano Antonucci/Secom-MT
A chegada de mais gente e o crescimento populacional acelerado pressionam as cidades a ampliarem as moradias. O relatório de déficit habitacional do Brasil, divulgado pela Fundação João Pinheiro (FJP), aponta que Mato Grosso precisa de cerca de 120 mil novas casas para dar conta da demanda atual.
Além do programa federal Minha Casa, Minha Vida, o estado colocou em funcionamento o Sistema Habitacional de Mato Grosso (SiHabMT), em 2023, que operacionaliza o programa SER Família Habitação, para acelerar a construção.
Não há um cronograma oficial sobre quando o estado pretende zerar a fila da habitação. No entanto, 79 municípios já aderiram ao programa para receberem os recursos para construção. Desde o início da operação, foram investidos cerca de R$ 95 milhões em subsídios, beneficiando mais de 6 mil famílias.
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Município em expansão trabalha para receber novos moradores — Foto: Christiano Antonucci/Secom-MT
À medida que se torna o único estado com crescimento contínuo, Mato Grosso também amplia o mapa de cidades que precisam de infraestrutura. Boa Esperança do Norte (MT), por exemplo, é o município mais novo do Brasil e recebeu R$ 10 milhões do governo, em outubro deste ano, para asfaltar ruas e avenidas, num esforço para acompanhar a velocidade da expansão demográfica.
O objetivo, segundo o prefeito Cabele Francio, é tornar a cidade um modelo do agronegócio no estado.
“Estou com quase todos os projetos prontos, terminando a parte da engenharia para aplicar esses recursos na recapagem das ruas e na construção de uma avenida nova”, explicou.
O município conta com uma população de 5.877 moradores e estreou no ranking populacional superando 1.867 cidades brasileiras em número de habitantes. Um dos potenciais destacados é a produção de grãos, com mais de 700 mil toneladas em uma área estimada de 280 mil hectares.
Outra região que temia por investimentos era o Distrito de Nova Poxoréu, que começou a ser habitado há 15 anos, mas nunca teve um asfalto que ligasse a Primavera do Leste (MT), onde a maioria dos moradores trabalha. Após reunião no fim de novembro deste ano, o governo anunciou um investimento estimado em R$ 7 milhões, destinados às prefeituras para asfaltar os 6 km do trecho de ligação.
“O aluguel em Primavera é mais caro e, por isso, essas pessoas moram no distrito, que é mais barato. Mas elas passam por esse sofrimento de enfrentar lama ou poeira e agora a obra vai garantir mais dignidade”, declarou o prefeito Sergio Machnic, após a reunião.
💰De olho na economia
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As maiores altas no PIB foram registradas no Acre (14,7%), Mato Grosso do Sul (13,4%), Mato Grosso (12,9%) — Foto: Sistema de Contas Regionais | IBGE
A expansão econômica é outro fator que tende a atrair novas famílias e sustentar o crescimento urbano. Para o ministro da Agricultura e Pecuária do Brasil, Carlos Fávaro, os investimentos do Fundo Estadual de Transporte e Habitação (Fethab) foram fundamentais para o desenvolvimento do estado nos últimos anos.
“É um estado com muita vocação para a produção de alimentos, terras propícias, homens e mulheres vocacionados e um investimento contínuo a partir da criação do Fethab para a construção de infraestrutura e um crescimento sustentável, principalmente em áreas que têm oportunidades, mas que não tinham infraestrutura. Isso permitiu com que o Mato Grosso tivesse esse crescimento acima da média brasileira”, disse em entrevista a imprensa.
Nos últimos 20 anos, Mato Grosso liderou o crescimento econômico no país. O estado teve média anual de 5,2%, sendo a maior entre todas as unidades da federação. Só em 2023, a economia mato-grossense movimentou R$ 273 bilhões, uma alta de 12,9% — o terceiro maior avanço do Brasil, atrás apenas do Acre e de Mato Grosso do Sul, segundo levantamento do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), divulgado em 2024 (veja no gráfico acima).
O desempenho fez o estado ganhar espaço no mapa econômico nacional: hoje, responde por 2,5% de todo o PIB brasileiro, o maior salto de participação registrado entre os estados no período de 2002 a 2023.
🧑🌾A força do agronegócio também ajuda a explicar por que mantém uma trajetória de expansão. De acordo com a Secretaria de Política Agrícola do MAPA, seis das dez cidades mais ricas do agronegócio brasileiro estão em território mato-grossense, reflexo direto da liderança nacional na produção de soja, milho e algodão.

Os principais destaques foram:
- 🌽Milho: produção da segunda safra de milho atingiu um recorde de 55,1 milhões de toneladas, um aumento de 12,9% em relação à safra anterior; quase metade da produção nacional;
- 🌱Soja: em seguida aparece a soja, que viu a produção passar de 40,4 milhões de toneladas em 23/24 para 51,3 milhões em 24/25, crescimento de 26,9%;
- 💭e o caroço do algodão, que saiu de 3,7 milhões de toneladas produzidas em 23/24 para 4 milhões de toneladas, variação positiva de 8,3%, enquanto a pluma do algodão variou de 2,6 milhões de toneladas para 2,8 milhões de toneladas, aumento também de 8,3%.
O peso dessa produção é sustentado por uma logística que vem sendo ampliada ano após ano. O Ministério dos Transportes mostra que o estado concentra alguns dos principais corredores de exportação do país, fruto da pavimentação e duplicação de rodovias federais e estaduais, além das concessões que vêm modernizando trechos estratégicos.
Conforme a Secretaria Estadual de Infraestrutura e Logística (Sinfra-MT), são 33 mil quilômetros de estradas, responsáveis por garantir as ligações entre os 142 municípios, e colocando Mato Grosso como o estado brasileiro com a maior malha rodoviária estadual do país.
Uma das principais obras transforma a BR-163, principal rota do agronegócio, em um corredor logístico mais seguro e eficiente. A estrada é a principal rota de escoamento para os portos do Arco Norte, como Miritituba, no Pará, e de Santos (SP). A duplicação reduz o tempo de viagem e os custos operacionais.
Também está em construção a primeira ferrovia de Mato Grosso. Atualmente, mais de cinco mil trabalhadores contratados pela Rumo Logística concluíram cerca de 70% do projeto. Entre os responsáveis por essa mão de obra está o casal de engenheiros Andriele Rodrigues e David Prado Córdova, que deixou Curitiba (PR) com os dois filhos após ele ser promovido para atuar na obra. Já no estado, Andriele também foi contratada pela empresa.
“Aqui conseguimos conciliar carreira, rotina familiar e qualidade de vida. A decisão mudou nossa vida, trouxe mais estabilidade para as crianças, ampliou nossas perspectivas profissionais e fortaleceu nossa visão de futuro”, ressaltou Andriele.
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Casal de engenheiros Andriele Rodrigues e David Prado Córdova, que deixou Curitiba (PR) para trabalhar e morar em Mato Grosso — Foto: Arquivo pessoal
São 743 quilômetros de linha férrea que ligará Rondonópolis a Cuiabá, e Rondonópolis a Nova Mutum e Lucas do Rio Verde, além de se conectar com a malha ferroviária nacional, em direção ao Porto de Santos (SP), abrindo caminho para uma exportação ainda mais rápida.
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Projeto de implantação da 1ª ferrovia estadual de Mato Grosso — Foto: Secom-MT
Além do estado, o Ministério dos Transportes aplicou investimentos em Mato Grosso com a Ferrovia de Integração do Centro-Oeste (Fico), já em construção entre Mara Rosa (GO) e Água Boa (MT) — e a Ferrogrão, planejada para ligar Sinop (MT) a Miritituba (PA) e ampliar o escoamento pelo Arco Norte.

Ministro Carlos Fávaro cita a importância dos investimentos em ferrovias em MT
Esse avanço da infraestrutura tem efeito direto na dinâmica populacional: municípios do norte e sul de Mato Grosso vêm atraindo mão de obra de outras regiões, impulsionando tanto a economia local quanto o crescimento urbano nessas áreas que antes eram menos ocupadas.
Onde tudo começa
Ao mesmo tempo em que o agronegócio impulsiona o PIB, Mato Grosso também aposta na base da produção: a agricultura familiar, responsável por boa parte do alimento que chega às mesas e pelo desenvolvimento local.
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Agricultores familiares serão beneficiados com contratação de técnicos para regularização fundiária e ambienta — Foto: Mayke Toscano/Secom-MT
Em novembro, foi lançado o MT Produtivo – Desenvolvimento e Sustentabilidade, programa que prevê US$ 100 milhões em investimentos até 2030, com financiamento do Banco Mundial, para fortalecer cooperativas, ampliar o acesso a mercados e regularizar áreas rurais. A expectativa é que o programa beneficie 15 mil famílias com práticas produtivas mais sustentáveis e geração de renda no campo.
Além de fortalecer quem produz no campo, foram direcionados investimentos para preparar a mão de obra que sustenta essa engrenagem econômica. A Secretaria Estadual de Educação (Seduc-MT) anunciou a ampliação da política de educação profissional e tecnológica, que prevê 15 mil novas vagas para estudantes do ensino médio em cursos voltados justamente para áreas em expansão — da indústria ao agronegócio.
“Até o próximo ano, 22,2% das matrículas do Ensino Médio estarão vinculadas à Educação Profissional e Tecnológica (EPT), beneficiando estudantes de 108 dos 142 municípios do estado. Para 2027, o objetivo é alcançar 29,7% de participação”, informou a Seduc.
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Estudantes de Mato Grosso se preparam para o mercado de trabalho — Foto: Seduc-MT
Na saúde, o avanço populacional e a formação de novos centros urbanos desencadearam outra prioridade. O IBGE ressaltou que, mesmo que o estado vai ‘envelhecer’ depois dos demais, precisa se preparar.
“O grande desafio, mais do que o volume populacional, é o desafio de uma sociedade envelhecendo. Em termos de políticas públicas, quando a população envelhece, precisa de atenção à saúde. Esse é um dos grandes desafios para o futuro”, alertou o pesquisador Marcio Minamiguchi.
Atualmente, o estado tem seis hospitais públicos em construção, sendo dois em Cuiabá e quatro regionais no interior do estado. O objetivo é descentralizar serviços e ampliar o acesso da população a atendimentos especializados em todas as regiões do estado. Confira na galeria abaixo o andamento de cada obra:
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MT reúne paisagens da Amazônia, Cerrado e Pantanal — Foto: Reprodução
Para além das oportunidades econômicas e estruturais, Mato Grosso reserva belezas naturais que acolhem e aumentam ainda mais o desejo de ficar. O estado reúne três dos principais biomas brasileiros — Amazônia, Cerrado e Pantanal — e oferece paisagens únicas que atraem turistas do país inteiro.
No Pantanal, considerado Patrimônio Natural da Humanidade, a observação da vida selvagem e os safáris fotográficos se tornaram experiências que colocam o estado na rota do turismo ecológico mundial. Em Chapada dos Guimarães, a 65 km da capital, cachoeiras, paredões de arenito e trilhas de fácil acesso fazem do parque nacional um dos cartões-postais mais visitados da região Centro-Oeste. No norte, o Parque Estadual do Cristalino preserva uma das áreas mais ricas da Amazônia mato-grossense e se destaca como destino de pesquisadores e apaixonados por natureza.
Com rios de águas cristalinas, cavernas, mirantes e um clima que favorece o turismo durante todo o ano, Mato Grosso transforma quem chega para trabalhar em novos moradores — muitos deles seduzidos pela combinação entre qualidade de vida, oportunidades e um cenário natural que parece não ter fim.
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