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6 de novembro de 2026

Sustentabilidade

Possível taxação da Letra de Crédito do Agronegócio gera reação do setor – MAIS SOJA

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O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, incluiu a Letra de Crédito do Agronegócio (LCA) em um pacote para compensar os ajustes no decreto que aumenta o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). O que hoje é zero pode passar a 5% de IR. As Letras de Crédito Imobiliário (LCI) estão na mesma situação.

O governo editou uma Medida Provisória mas que ainda precisa passar pelo Congresso Nacional, para não perder a validade e se tornar, de fato, lei. A cobrança só passaria a valer para novas emissões a partir de 2026, mas o plano do Ministério da Fazenda levantou o sinal de alerta no setor, pois atinge uma fonte de recursos cada vez mais importante para o crédito rural.

Com contribuições cada vez mais expressivas nas edições recentes do Plano Safra, a LCA pode se tornar mais cara caso venha a ser tributada como imposto de renda, e consequentemente menos competitiva em relação a outras opções de investimento na carteira das instituições financeiras, como um CDB (Certificado de Depósito Bancário), por exemplo.

Em nota técnica, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) lembra que o governo federal promoveu outras mudanças na LCA. Ampliou de 50% para 60% o direcionamento dos recursos do título para o crédito rural e reduziu de nove para seis meses o prazo de rentabilidade do investimento.

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Para a entidade, cobrar o imposto de renda só vai desestimular o investidor, indo na contramão de outras medidas que poderiam tornar o título mais atrativo, tais como manter a isenção tributária para pessoas físicas; elevar exigibilidade no crédito rural para 85%; reduzir o prazo de rentabilidade das LCAs para 90 dias; possibilitar que os estoques de LCA sigam a regra de vigência na sua aplicação, até o fim de sua validade.

FPA se posiciona e alerta para efeitos da medida já no curto prazo

A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) também reagiu com veemência. Em nota oficial, a entidade afirma que “manifesta profunda preocupação com a proposta de tributação em 5% dos rendimentos de LCAs e LCIs, hoje isentos para pessoas físicas. A medida compromete uma fonte essencial de crédito rural, especialmente para médios produtores e cooperativas, além de encarecer o financiamento do setor em meio a juros altos e queda nas commodities. A conta será paga pelo consumidor que receberá o repasse no preço dos alimentos. As LCAs são base do financiamento agropecuário e estruturam o Plano Safra”

O presidente da FPA, deputado Pedro Lupion (PP-PR), disse que o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB) garantiu que não há compromisso com a aprovação da proposta do governo de taxar os rendimentos das Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs). A senadora e ex-ministra da Agricultura, Tereza Cristina (PP-MS) também se manifestou contra a medida. Ela disse, em entrevista coletiva na sede da entidade: “As três principais fontes para você fazer e chegar na equalização de juros são depósito à vista, poupança rural e LCAs. Então, se você diminui, você já vai entrar manco para o próximo Plano Safra”.

Apesar da repercussão negativa, o governo minimizou o impacto da taxação das LCAs. O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, afirmou ontem que a eventual cobrança de 5% de Imposto de Renda sobre os rendimentos de pessoas físicas que investem nas Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs) deve ter impacto “quase zero” nos juros do crédito rural aos produtores. Ele falou justamente após reunião com membros da FPA na Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados.

Já o Ministro do Desenvolvimento Agrário, Paulo Teixeira, afirmou que a possível taxação não afetaria o preço dos alimentos no Brasil, já pressionados pela inflação. Segundo ele, esses títulos financiam apenas “grandes exportadores”, em entrevista dada ao programa Bom dia, Ministro, da EBC. Teixeira também criticou a postura do Congresso Nacional, que tem se posicionado contra as tentativas do governo de aumentar impostos.

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Nesse clima tenso, o anúncio oficial do Plano Safra 2025/2026 se aproxima, com o setor agropecuário em alerta para temas sempre sensíveis do pacote, tais como equalização de juros e estímulos ao pequeno produtor. Num ciclo turbulento próximo do fim, que chegou a incluir a interrupção das linhas de crédito, novamente todos estarão atentos ao difícil equilíbrio orçamentário.

Recentemente, a FPA realizou um seminário sobre esse tema em sua sede no qual especialistas, parlamentares e outros representantes do setor produtivo discutiram soluções que garantam mais previsibilidade, recursos e um seguro rural mais forte no Brasil.

Por Marcelo Sá – jornalista/editor e produtor literário (MTb13.9290) marcelosa@sna.agr.br
Com informações complementares da FPA, CNA, Ministério da Agricultura, Ministério do Desenvolvimento Agrário e Ministério da Fazenda.
Fonte: SNA 
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Sustentabilidade

Primeiro caso de ferrugem-asiática em área comercial é relatado no RS – MAIS SOJA

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A ferrugem-asiática da soja, causada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi é uma das principais e mais preocupantes doenças que acometem a soja. Com potencial de causar perdas de produtividade de até 90%, e em alguns casos até mesmo comprometer a lavoura (Godoy et al., 2024). A doença é considerada policíclica e pode ocorrer em qualquer estádio do desenvolvimento da soja, desde que haja condições adequadas ao desenvolvimento do patógeno.

Além da presença do inóculo do fungo, para que ocorra a infecção da ferrugem são necessários pelo menos 6 horas de água livre na folha (molhamento foliar), e temperaturas amenas, variando entre 10°C a 26,5°C, condições essas, observadas principalmente no Sul do Brasil na presente safra, em função dos impactos do fenômeno El Niño.

Recentemente, o primeiro caso de ferrugem-asiática em área comercial de soja foi relatado em Santo Antônio das Missões no Rio Grande do Sul, em soja em estádio fenológico R1, o caso data de 31 de outubro de 2026. No Paraná, casos de ferrugem-asiática em soja voluntária já haviam sido relatados anteriormente.

Figura 1. Distribuição dos casos de ferrugem-asiática na safra 2026/2027. Atualização de 6 de novembro de 2026.
Fonte: Consórcio Antiferrugem (2026)

O caso acende um alerta para as lavouras da região, principalmente pela capacidade da ferrugem em dispersar os esporos do fungo pelo vento. Associado a isso, as adversidades climáticas e a alteração do regime de chuvas têm contribuído para a evolução da ferrugem-asiática, o que torna ainda mais importante intensificar o monitoramento das áreas agrícolas e as medidas de controle da doença.

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Vale destacar que os sintomas podem surgir em qualquer estádio de desenvolvimento da planta, inicialmente como pequenos pontos escuros nas folhas, com formação de urédias na face inferior, que adquirem coloração castanha e liberam esporos disseminados pelo vento (Henning et al., 2014).

Figura 2. Urédias de ferrugem-asiática em soja.

Monitoramento

O monitoramento com coletores de esporos deve ser utilizado como ferramenta complementar de manejo, não substituindo a inspeção das lavouras para identificação e avaliação dos sintomas, especialmente sob condições climáticas favoráveis ao desenvolvimento da doença. Os primeiros sintomas geralmente surgem no terço inferior das plantas. A avaliação deve abranger folhas dos terços inferior e médio, com o auxílio de uma lupa de bolso com aumento mínimo de 20×, observando-se principalmente a face inferior, onde se encontram as urédias do fungo (Oliveira et al., 2020).

O monitoramento deve ser realizado desde a emergência da cultura, intensificando-se próximo ao fechamento das entrelinhas e durante o florescimento, especialmente em regiões com ocorrência confirmada da doença. Em caso de dúvida, recomenda-se a utilização de câmara úmida, colocando as folhas suspeitas em um saco plástico com papel ou algodão umedecido, inflado e fechado. O material deve permanecer em ambiente fresco, à temperatura ambiente, por 12 a 24 horas, período em que podem ocorrer a formação de urédias e a liberação de uredosporos, auxiliando na confirmação do diagnóstico (Godoy et al., 2017).

Figura 3. Câmara úmida com saco plástico e papel (ou algodão) umedecido para induzir a formação das estruturas reprodutivas de Phakopsora pachyrhizi.
Foto: Jose Tadoshi Yorinori. Fonte: Godoy et al. (2017). Imagem com qualidade otimizada com o uso de IA.
Você pode acompanhar as atualizações

Você pode acompanhar as atualizações do Consórcio Antiferrugem e o progresso dos casos de ocorrência da doença na safra 2026/2027 clicando aqui!



Referências:

CONSÓRCIO ANTIFERRUGEM. MAPA DA DISPERSÃO. Consórcio Antiferrugem: Parceria público-privada no combate à ferrugem asiática da soja, 2025. Disponível em: < http://www.consorcioantiferrugem.net/#/main >, acesso em: 06/11/2026.

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GODOY, C. V. EFICIÊNCIA DE FUNGICIDAS PARA O CONTROLE DA FERRUGEMASIÁTICA DA SOJA, Phakopsora pachyrhizi, NA SAFRA 2023/2024: RESULTADOS SUMARIZADOS DOS ENSAIOS COOPERATIVOS. Embrapa Soja, Circular Técnica n. 206, 2024. Disponível em: < https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/1165843/1/CT-206-Claudia-Godoy.pdf >, acesso em: 06/11/2026.

GODOY, C. V. et al. BOAS PRÁTICAS PARA O ENFRENTAMENTO DA FERRUGEM-ASIÁTICA DA SOJA. Embrapa, Comunicado Técnico, n. 92, 2017. Disponível em: < https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/1074899/1/ComTec92OL.pdf >, acesso em: 06/11/2026.

GRIGOLLI, J. F. J.; GRIGOLLI, M. M. K. MANEJO DE DOENÇAS NA CULTURA DA SOJA. Fundação MS, Tecnologia e Produção: Soja, 2017/2018, 2018. Disponível em: < https://www.fundacaoms.org.br/base/www/fundacaoms.org.br/media/attachments/303/303/5bf01cc3a7885009c9e47176f153fe5e967c6cb20f243_06-manejo-de-doencas-na-cultura-da-soja-somente-leitura.pdf >, acesso em: 06/11/2026.

HENNING, A. A. et al. MANUAL DE IDENTIFICAÇÃO DE DOENÇAS DE SOJA. Embrapa Soja, Documentos, n. 256, 2014. Disponível em: < https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/991687/1/Doc256OL.pdf >, acesso em: 06/11/2026.

OLIVEIRA, G. M. et al. COLETOR DE ESPOROS: DESCRIÇÃO, USO E RESULTADOS NO MANEJO DA FERRUGEM-ASIÁTICA DA SOJA. Embrapa Soja, Circular Técnica, n. 167, 2020. Disponível em: < https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/1129482/1/Circ-Tec-167.pdf >, acesso em: 06/11/2026.

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Sustentabilidade

CEEMA: Trigo em Chicago rompe piso de US$ 6,00 por bushel impulsionado por fraqueza na demanda e recuo global – MAIS SOJA

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O bushel do trigo, em Chicago, voltou a cair abaixo do piso de US$ 6,00 nesta semana, batendo em US$ 5,98 no dia 04/11. Na sequência, a quinta-feira (05) fechou em US$ 5,99, contra US$ 6,03 uma semana antes. A média de outubro ficou em US$ 6,39/bushel, perdendo 11% de seu valor em relação à média de setembro. Já em outubro de 2025 a média mensal havia sido de US$ 5,11/bushel. Lembrando que, após ter alcançado US$ 7,64 no dia 1º de setembro, em pouco mais de dois meses o trigo perdeu 21,6% de seu valor em dólares em Chicago.

Enquanto isso, o plantio do trigo de inverno, nos EUA, até o dia 1º de novembro, atingia a 83% da área, contra 84% na média. Já 65% do trigo plantado estava germinado naquela data, ficando exatamente na média histórica. Por sua vez, as exportações de trigo por parte dos EUA atingiram a 849.800 toneladas na semana encerrada em 29 de outubro. Este foi o maior volume semanal registrado até o momento no ano comercial. As Filipinas lideraram as compras, com 226.300 toneladas, seguidas por Coreia do Sul, com 154.000, Indonésia, com 140.000, Vietnã, com 100.700, e México, com 93.300 toneladas. Para o ano comercial 2027/28 foram registradas vendas adicionais de 22.000 toneladas, destinadas ao Peru.

Por outro lado, os números da indústria mostraram redução na utilização do cereal nos EUA. Segundo o relatório trimestral Flour Milling, divulgado pelo USDA, o processamento de trigo para fabricação de farinha alcançou 6,2 milhões de toneladas entre julho e setembro, volume 119.724 toneladas abaixo do mesmo trimestre de 2025. Em paralelo, na Rússia, as exportações deverão ficar em 39,5 milhões de toneladas em 2026/27 (cf. IKAR).

E no Brasil, mesmo com a enorme quebra da safra de trigo, tanto em volume quanto em qualidade, não ocorre elevação dos preços do cereal como o esperado diante de tais circunstâncias. No Rio Grande do Sul, o produto tipo 1 gira ao redor de R$ 72,00/saco neste momento, perdendo um pouco de força, enquanto no Paraná o valor permanece em torno de R$ 80,00/saco.

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O recuo das cotações em Chicago ajuda nas importações, embora o câmbio continue mais negativo por aqui. Todavia, a formação dos preços internos também dependerá das condições de oferta e qualidade do trigo nacional e da competitividade do produto importado, especialmente da Argentina. Entretanto, o produto para exportação ganha com a desvalorização do Real.

Enfim, confirmando a difícil realidade da atual produção nacional de trigo, o Sindicato da Indústria do Trigo de São Paulo informou que as chuvas ao longo de setembro provocaram perda acentuada de qualidade, sendo que apenas entre 10% e 15% de todo o trigo colhido possa ser classificado como tipo 1 naquele Estado. Ao mesmo tempo, a produção total de trigo paulista deverá ficar abaixo de 20% do total esperado inicialmente, que era de 350.000 toneladas.

Já em toda a região Sul do país, agentes de moinhos relatam dificuldade para encontrar trigo com a qualidade necessária à produção de derivados. Parte das indústrias segue negociando os remanescentes de trigo das safras anteriores, cuja boa qualidade tem mantido elevados os preços pedidos por vendedores. No caso do “trigo novo” (colheita atual), mesmo a parcela classificada como tipo 1 tem apresentado, com frequência, parâmetros de qualidade fora do padrão, o que dificulta a comercialização aos moinhos. Já os lotes classificados como fora de tipo têm sido destinados à alimentação animal, tanto no mercado interno quanto para exportação (cf. Cepea).

Fonte: Informativo CEEMA UNIJUÍ, do prof. Dr. Argemiro Luís Brum¹

1 – Professor Titular do PPGDR da UNIJUÍ, doutor em Economia Internacional pela EHESS de Paris-França, coordenador, pesquisador e analista de mercado da CEEMA (FIDENE/UNIJUÍ).

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FONTE

Autor:Dr. Argemiro Luís Brum/CEEMA-UNIJUÍ

Site: Ceema/Unijuí

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Sustentabilidade

Falta de chuva preocupa safra de soja em Mato Grosso – MAIS SOJA

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Apesar do avanço da semeadura da soja em Mato Grosso, a escassez de chuvas acende um alerta para o desenvolvimento das lavouras na safra 2026/27. O estado registra o segundo início de temporada mais seco dos últimos 27 anos, conforme levantamento da EnsoAg/SmartCampo, elaborado para a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT), com base em dados de satélite da NASA.

Chuvas ficam abaixo da média histórica

Entre 1º de setembro e 27 de outubro, foram registrados apenas 186 milímetros de chuva no estado, volume 33% inferior à média histórica de 276 milímetros. O resultado fica atrás somente do observado em 2024, quando a estiagem foi ainda mais intensa.

No período de 28 de setembro a 27 de outubro, a precipitação média foi de 124 milímetros, enquanto o esperado era de 189 milímetros, representando um déficit de 34%. Em 66% do território mato-grossense, as chuvas ficaram mais de 25% abaixo da média histórica. Dos 23 municípios analisados, 22 apresentaram volumes inferiores ao padrão para o período.

Regiões produtoras concentram déficits

A parte Oeste do estado, especialmentea região dos Parecis, registraram as maiores deficiências hídricas. Campos de Júlio contabilizou 89 milímetros de chuva, 56% abaixo da média e o menor volume da série histórica para o intervalo. Em Brasnorte, a redução chegou a 54%; em Comodoro, a 52%; e em Sapezal, a 47%. Já Campo Novo do Parecis apresentou déficit de 39%. No Médio-Norte, o cenário também preocupa, com reduções de 44% em Lucas do Rio Verde, 35% em Sorriso e 33% em Nova Mutum.

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Lavouras já sentem os efeitos da estiagem

Segundo o presidente da Aprosoja MT, Lucas Costa Beber, o avanço da semeadura não significa garantia de uma boa colheita. Algumas lavouras plantadas antecipadamente já alcançaram a fase reprodutiva e começam a sentir os efeitos da baixa umidade do solo.

A irregularidade das precipitações, associada às temperaturas elevadas, intensifica o estresse hídrico das plantas. O Índice de Severidade de Seca (ISSE), calculado pelo modelo de balanço hídrico da EnsoAg, alcançou média estadual de 0,60 entre 21 e 27 de outubro. Esse foi o segundo maior resultado para a semana em toda a série histórica. Naquele período, 52% da área estadual apresentou índice superior a 0,6, classificação considerada moderadamente seca. No mesmo intervalo, o indicador chegou a 0,65 no Oeste/Parecis, 0,69 no Sudeste e 0,68 no Centro-Sul.

Chuvas recentes não revertem o quadro

As precipitações registradas entre 28 de outubro e 1º de novembro proporcionaram algum alívio, mas não foram suficientes para reverter o cenário. A média estadual foi de 28 milímetros, volume 22% inferior ao esperado para os cinco dias. Nas regiões Oeste/Parecis e Médio-Norte, os índices permaneceram mais de 25% abaixo da média histórica.

Equipes da Aprosoja MT que percorreram áreas de produção entre Gaúcha do Norte, Sorriso, Médio-Norte e Oeste também identificaram lavouras com baixa disponibilidade de umidade.

Custos de produção também preocupam

Além dos impactos sobre o desenvolvimento da soja, o clima seco pode dificultar o manejo das propriedades, especialmente o controle de plantas daninhas e pragas, dependendo das condições de aplicação. A situação exige acompanhamento mais frequente e pode elevar os custos de produção.

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A entidade ressalta que ainda não existem elementos para dimensionar eventuais perdas ou antecipar uma redução na produção. Entretanto, considera prematuro tratar as estimativas otimistas de safra como resultados garantidos.

Mato Grosso é o maior produtor de soja do país e tem participação decisiva no abastecimento nacional. Para a Aprosoja MT, o ritmo do plantio precisa ser analisado em conjunto com as condições efetivas das lavouras, uma vez que a área semeada não determina, por si só, o volume que será colhido.

Autor/Fonte:  Por Larissa Machado / larissamachado@sna.agr.br – Com informações da Aprosoja MT
FONTE

Autor:SNA

Site: SNA

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