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23 de junho de 2026

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‘Falta de prioridade trava seguro rural no Brasil’, diz especialista

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Pedro Loyola, coordenador do Observatório de Crédito e Seguro Rural da FGV Agro

O seguro rural ainda não acompanha o tamanho do agronegócio brasileiro. O tema foi discutido no videocast Radar Rural, do Canal Rural, que recebeu o coordenador do Observatório de Crédito e Seguro Rural da FGV Agro, Pedro Loyola.

Segundo ele, apesar de mais de duas décadas de operação, o instrumento segue com baixa cobertura e não se consolidou como principal ferramenta de gestão de risco no país.

Cobertura ainda limitada

Atualmente, apenas cerca de 3% a 4% da área agrícola está segurada. “É muito pouco para o tamanho do país e pela importância econômica que a agricultura tem”, afirmou Loyola durante o programa.

O especialista destacou que o crédito rural ainda lidera como principal política agrícola. “O crédito rural continua sendo o carro-chefe da política brasileira. O seguro ainda é um jovem, não amadureceu”, disse.

Em anos recentes, o alcance do seguro chegou a níveis mais altos, mas houve recuo. A avaliação é de que o país ainda não internalizou a importância do instrumento, mesmo com o aumento dos eventos climáticos extremos.

Falta de prioridade trava avanço

Para Loyola, a evolução do seguro rural depende diretamente de decisões de política pública. “Isso depende muito da gestão que está à frente do governo. É um tema de Estado, mas precisa de vontade política”, afirmou.

Ele avalia que a falta de previsibilidade orçamentária e a volatilidade na execução dos recursos dificultam o avanço do modelo no Brasil.

Além disso, o especialista aponta que, sem o seguro, o custo para o sistema acaba sendo maior. “A gente gasta bilhões em renegociação de dívida, sendo que o mecanismo de seguro funciona muito bem”, disse.

Seguro reduz impacto das perdas

O seguro rural atua como mitigador de risco, principalmente em momentos de quebra de safra. Nos últimos anos, as indenizações pagas ajudaram a reduzir a necessidade de renegociação de dívidas.

“Só para ter uma ideia, já foram mais de R$ 30 bilhões em indenizações pagas aos agricultores”, afirmou Loyola.

Segundo ele, o objetivo do seguro não é eliminar perdas, mas garantir condições para que o produtor continue na atividade. “Ele não resolve todos os problemas, mas ajuda o produtor a passar pela fase ruim”, explicou.

Comparação internacional

Loyola também citou exemplos de outros países, onde o seguro rural tem papel central na política agrícola. Na avaliação dele, o Brasil ainda está atrás nesse processo.

“Países que tiveram êxito focaram na política de seguro. Aqui, a gente ainda está muito alavancado no financiamento”, disse.

Ele destacou que, em mercados mais desenvolvidos, há maior previsibilidade de recursos e participação mais ativa do Estado, o que contribui para ampliar a cobertura.

Caminhos para avançar

Entre as propostas, o especialista defende maior integração entre crédito e seguro, além de incentivos para estimular a contratação.

“Sabendo que os problemas climáticos estão mais frequentes, o financiamento deveria vir acompanhado de seguro, ainda que com incentivo”, afirmou.

Outra frente é a criação de mecanismos para dar estabilidade ao sistema em momentos de perdas mais severas, o que pode atrair mais seguradoras e ampliar a oferta.

Para Loyola, sem mudanças estruturais, o país tende a manter o modelo atual. “Sem seguro, a gente continua no ciclo da renegociação de dívida”, concluiu.

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Governo de Roraima projeta crescimento de 9,4% na área plantada de soja em 2026

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Foto: Alcione Nicoletti/ Alto Alegre (RR)

O governo de Roraima, por meio da Secretaria de Agricultura, Desenvolvimento e Inovação (Seadi), divulgou projeção de crescimento de 9,42% na área plantada de soja no estado em 2026. A estimativa integra as ações do programa Rota dos Grãos, iniciativa voltada ao fortalecimento da cadeia produtiva e ao planejamento sustentável do setor agrícola.

De acordo com o levantamento mais recente da Seadi, a previsão é que Roraima alcance 144.893 hectares cultivados com soja em 2026, contra 132.421 hectares registrados em 2025. Os números indicam expansão da cultura e reforçam o avanço do estado no cenário agrícola nacional.

O programa Rota dos Grãos realiza visitas técnicas em propriedades rurais de diferentes municípios com o objetivo de levantar informações sobre culturas como soja, milho, arroz e algodão. Entre os dados coletados estão área plantada, produtividade, potencial de expansão e condições técnicas das lavouras.

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Segundo o coordenador da iniciativa, Frankarlos Lopes, o programa prevê atendimento em mais de 250 propriedades rurais em todo o estado. Ele explica que as visitas permitem a coleta de informações estratégicas que ajudam a atualizar o mapa agrícola de Roraima, identificar polos produtivos e gerar dados técnicos para subsidiar o planejamento de políticas públicas e investimentos no setor.

“Durante as visitas, são coletadas informações que permitem aprimorar o planejamento do setor agrícola, fortalecer a gestão pública e orientar investimentos com base em dados reais da produção”, destacou.

Além do mapeamento produtivo, a ação busca fortalecer o diálogo entre o Estado e os produtores rurais, ampliando o acesso a orientações técnicas e programas governamentais.

Para Frankarlos Lopes, o crescimento da produção de grãos consolida Roraima como uma nova fronteira agrícola da Amazônia Legal. Segundo ele, o uso de dados mais precisos e a maior organização do setor aumentam a capacidade de atração de investimentos e contribuem para o desenvolvimento sustentável do agronegócio.

A iniciativa integra os objetivos do Plano Roraima 2030, que prevê ações voltadas ao desenvolvimento sustentável, segurança alimentar, geração de emprego e renda e inovação no campo.

O programa Rota dos Grãos conta ainda com apoio da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), em parceria voltada ao fortalecimento da coleta de dados e da cooperação técnica entre os governos estadual e federal.

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Colheita de café arábica no Cerrado Mineiro atinge 18% da safra prevista

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A colheita de café arábica no Cerrado Mineiro chegou a 18% da produção prevista para a safra 2026 até o fim da terceira semana de junho, segundo levantamento da Cooperativa dos Cafeicultores do Cerrado (Expocacer). Em nota divulgada nesta terça-feira (23), a cooperativa estimou produção de 2,859 milhões de sacas de 60 quilos neste ciclo.

De acordo com boletim técnico da Expocacer, as chuvas registradas entre os dias 13 e 18 de junho somaram 32,8 milímetros e provocaram atrasos nas operações de colheita e pós-colheita em diversas propriedades da região.

Segundo a cooperativa, o excesso de umidade afetou os terreiros de secagem, interrompeu atividades de campo e retardou o beneficiamento dos grãos. O cenário atingiu etapas operacionais importantes da safra, especialmente nas áreas em que o café já havia sido retirado do campo e dependia de condições mais estáveis para secagem e manejo pós-colheita.

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A perspectiva para os próximos dias, no entanto, é de melhora nas condições de trabalho. A previsão informada pela cooperativa aponta acumulado de 4,1 milímetros de chuva entre 19 e 24 de junho, condição que, segundo a entidade, deve permitir a retomada da colheita e da secagem dos cafés.

Nas áreas monitoradas, 59% dos frutos estão atualmente no estágio "cereja", apontado pela Expocacer como ideal para a colheita. Nas áreas já colhidas, os produtores iniciaram os tratos de pós-colheita voltados à recuperação das lavouras e ao preparo para o próximo ciclo produtivo.

Apesar dos atrasos provocados pelas precipitações, técnicos da Expocacer avaliam que o cenário da safra no Cerrado Mineiro segue positivo, com avanço da colheita e continuidade dos manejos nas áreas já trabalhadas.

Fonte: Estadão Conteúdo

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Programa Caminho Verde Brasil é apresentado em fórum internacional do agro

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O Programa Caminho Verde Brasil, coordenado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), foi apresentado na quinta-feira (18) durante o Fórum Internacional da Agropecuária (FIAP), em Campo Grande (MS). A iniciativa integrou o painel “A nova revolução do agro: mais produção e desmatamento zero”, voltado à expansão da produção agropecuária com sustentabilidade ambiental.

Segundo o material divulgado, o fórum reuniu autoridades, lideranças do setor produtivo, especialistas e representantes de 16 países e da União Europeia para discutir segurança alimentar, produção sustentável e oportunidades para a agropecuária brasileira diante da demanda mundial por alimentos e energia limpa.

No painel, o assessor especial do ministro e coordenador do programa, Pedro Cunto, apresentou as ações do Caminho Verde Brasil. De acordo com ele, a iniciativa atua na recuperação de áreas degradadas, no aumento da produtividade e na promoção de sistemas produtivos sustentáveis. Em declaração divulgada pelo Mapa, Cunto afirmou que o programa contribui para restaurar áreas degradadas, reduzir a pressão por desmatamento em áreas de vegetação nativa e diminuir emissões de gases de efeito estufa.

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Ainda segundo o coordenador, o Governo Federal e o Banco do Brasil desenvolveram um modelo para viabilizar a participação de grandes investidores públicos e privados no financiamento da agropecuária sustentável. Ele citou o Fiagro Multimercado como um dos mecanismos para financiar o programa e informou que a meta é restaurar 40 milhões de hectares de áreas degradadas, com necessidade de US$ 6 bilhões por ano. Também disse que novos leilões com o Tesouro Nacional devem buscar recursos externos.

O representante da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) no Brasil, Jorge Meza, destacou a relevância do Brasil para a segurança alimentar global e afirmou que as mudanças climáticas estão entre os principais desafios para a agricultura, exigindo avanço em ações de mitigação de longo prazo.

Coordenado pelo Mapa, o Caminho Verde Brasil prevê a incorporação de áreas degradadas a sistemas produtivos sustentáveis. Os produtores que aderirem ao programa assumem compromissos relacionados a desmatamento zero, certificação trabalhista, monitoramento de carbono e adoção de práticas sustentáveis. Para a primeira fase, a iniciativa conta com aproximadamente US$ 6 bilhões para financiar produtores rurais por meio de dez instituições financeiras habilitadas.

A apresentação no FIAP colocou o programa no centro do debate sobre produção, sustentabilidade e financiamento no campo, com foco na recuperação de áreas degradadas e na ampliação de sistemas produtivos sustentáveis.

Fonte: gov.br

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