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Peso, potência e tecnologia: como buscar eficiência no maquinário

A eficiência no campo depende não apenas da tecnologia disponível, mas também da escolha e do uso correto do maquinário agrícola. Peso, potência, tipo de equipamento e regulagem precisam estar de acordo com a realidade de cada propriedade para evitar custos desnecessários e melhorar o desempenho das operações.
Com uma grande variedade de marcas, potências, implementos e recursos tecnológicos disponíveis, a escolha nem sempre deve seguir o equipamento mais moderno ou mais potente. O dimensionamento inadequado pode elevar custos e comprometer o desempenho das operações.
O tamanho da propriedade, o tipo de solo, a inclinação da área e os implementos utilizados estão entre os fatores que precisam ser considerados antes da definição do maquinário. A combinação correta entre trator e equipamento também influencia o consumo, a durabilidade e a capacidade de realizar o trabalho dentro do tempo necessário.
É o que destaca o especialista em mecanização agrícola e colheita Douglas Rocha. Segundo ele, antes de definir os equipamentos, o produtor precisa entender a própria realidade. “Eu preciso saber o tamanho do agricultor, do produtor. Ele entender o tamanho dele, ele entender o que produz, ele entender a área dele, o tipo de solo, a inclinação, o que ele vai precisar em termos de equipamentos”.
Dimensionamento evita custos desnecessários
Investir em um equipamento acima ou abaixo da necessidade da propriedade pode trazer prejuízos. A tentativa de economizar na aquisição de um trator, por exemplo, pode resultar em incompatibilidade com implementos mais pesados.
“Você tem que ser preciso naquilo que você vai investir”, orienta Rocha durante entrevista ao Estúdio Rural. Ele cita situações em que o produtor escolhe um trator que não é compatível com o implemento utilizado, comprometendo força, tempo de trabalho, consumo e até a durabilidade da transmissão.
A atenção também deve chegar aos pneus. O tipo utilizado precisa estar adequado à potência, ao peso e às características do trabalho realizado. O especialista diferencia, por exemplo, pneus diagonais e radiais e alerta para o cuidado com o uso de água como lastro.
“Você tem que conhecer o trator, conhecer o implemento que está acoplado no trator”, ressalta.
A distribuição de peso também muda conforme a forma como o implemento é conectado ao trator. Equipamentos acoplados ao terceiro ponto ou à barra de tração alteram essa configuração, exigindo regulagens específicas para cada operação.

Manutenção também interfere no desempenho
A eficiência, conforme ele, não depende apenas da escolha inicial do maquinário. A conservação dos equipamentos é uma etapa básica para manter o desempenho e evitar problemas durante as operações.
Rocha compara o funcionamento de uma máquina aos cuidados necessários para manter o corpo humano em boas condições. Assim como uma pessoa precisa de ar, alimentação e temperatura adequados, o equipamento também depende de combustível de boa procedência, lubrificação, arrefecimento e manutenção.
“Primeira coisa que eu falo, cuide bem da máquina, lave à máquina, veja se tem vazamento, veja como está o nível do óleo, veja como estão os filtros tanto de ar de combustível”, orienta.
Outro cuidado é evitar que o trator trabalhe constantemente no limite de sua capacidade. De acordo com o especialista, o equipamento deve operar dentro de uma faixa adequada de utilização, permitindo que tenha margem para momentos em que seja necessário exigir um pouco mais de força.
A conservação também vale para os implementos que ficam períodos sem utilização. Rocha destaca a importância de proteger e preservar esses equipamentos para evitar deterioração durante o tempo em que permanecem parados.
Tecnologia amplia capacidade no campo
A evolução tecnológica transformou o maquinário agrícola e aumentou a quantidade de informações disponíveis para o produtor. Tratores passaram a contar com sistemas eletrônicos capazes de acompanhar diferentes parâmetros da operação e transmitir dados sobre o trabalho realizado.
O especialista cita, na entrevista ao programa do Canal Rural Mato Grosso, máquinas que medem a patinagem e velocidade e enviam informações por satélite. Esses dados podem ser acompanhados pelo produtor e incluem informações como consumo, velocidade e rastreabilidade.
A automação também avança. Ele destaca a existência de tratores autônomos e equipamentos capazes de realizar operações com menor necessidade de intervenção direta do operador. Na pulverização, há máquinas que fazem a leitura do campo e direcionam a aplicação para áreas onde há presença de plantas daninhas.
“Hoje você tem toda uma programação, uma evolução. Antigamente eu tinha os motores mecânicos. Hoje nossos motores são todos eletrônicos”, frisa.
A transformação também chega às fontes de energia, como motores agrícolas movidos a etanol com alto rendimento que estão em testes, além de soluções com biometano, mostrando como a evolução tecnológica amplia as possibilidades para o setor.
Produtor precisa acompanhar evolução
Com máquinas cada vez mais sofisticadas, a qualificação de quem trabalha com os equipamentos ganha importância. Na avaliação de Rocha, a atividade agrícola deixou de exigir apenas conhecimento operacional e passou a demandar maior domínio sobre tecnologia.
“Você quer ir para a roça? Você tem que estudar. Entendeu? Porque senão você não vai para a roça. A roça mudou, as tecnologias chegaram”, pontua.
O especialista observa ainda que filhos de agricultores estão buscando formação em áreas como Agronomia e Tecnologia para atuar nas propriedades. Para ele, a evolução do maquinário também representa uma mudança na mão de obra exigida pelo campo.
Ao lembrar a mecanização da colheita de cana, Rocha afirma que a chegada das máquinas não necessariamente eliminou postos de trabalho, mas alterou as funções exercidas. Com a automação e a robótica, a tendência é de que novas habilidades sejam cada vez mais necessárias.
Apesar dos avanços, ele reforça que a tecnologia não substitui os fundamentos da operação. O produtor precisa primeiro dominar os procedimentos básicos para depois avançar para soluções mais sofisticadas.
Informação ajuda a melhorar a rentabilidade
A escolha do maquinário faz parte de uma série de decisões que o agricultor precisa tomar constantemente. Além dos equipamentos, ele precisa lidar com custos de produção, insumos, combustível, produtividade e condições de mercado. Por isso, a recomendação é buscar informação antes de tomar decisões sobre investimentos e utilização das máquinas.
O especialista cita a possibilidade de recorrer a consultorias, entidades de classe, sindicatos, cooperativas e instituições de assistência ao produtor.
A avaliação é que o caminho para melhorar a rentabilidade passa por fazer corretamente o básico antes de buscar soluções mais complexas. “Faça o arroz com feijão, faça direitinho”, resume, ao defender que o produtor conheça suas necessidades e utilize os recursos disponíveis de forma precisa.
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Comercialização de soja avança e alta dos preços dá sinal verde para novas vendas

A melhora dos preços da soja no mercado brasileiro ao longo de agosto e no início de setembro deu novo impulso à comercialização da oleaginosa nas principais praças do país. O movimento foi favorecido pela forte valorização dos contratos futuros na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT), que trouxe maior sustentação às cotações domésticas e estimulou os negócios.
De acordo com levantamento da Safras & Mercado, realizado até 4 de setembro, 88,7% da produção projetada de soja da safra 2025/26 já havia sido comercializada no Brasil. No levantamento anterior, divulgado em 7 de agosto, o índice era de 81,9%.
O ritmo de negócios também supera o registrado no mesmo período do ano passado. Naquela ocasião, 84,1% da produção havia sido negociada, enquanto a média dos últimos cinco anos para o período é de 86,4%.
Considerando uma produção estimada em 178,341 milhões de toneladas, o volume de soja já comprometido pelos produtores chega a aproximadamente 158,163 milhões de toneladas.
Comercialização antecipada ganha força
O levantamento também mostra um avanço expressivo nas vendas antecipadas da próxima safra. Com uma produção estimada em 180,089 milhões de toneladas, a Safras & Mercado aponta que 29,1% da safra 2026/27 já está comercializada, o equivalente a 52,420 milhões de toneladas.
O percentual representa uma aceleração significativa em relação ao mesmo período do ano passado, quando a comercialização antecipada alcançava 20,2%. A média dos últimos cinco anos para o período é de 22,7%.
No levantamento divulgado em 7 de agosto, o comprometimento antecipado também estava em 20,2%, evidenciando a velocidade com que os produtores avançaram nas negociações durante as últimas semanas.
Chicago dá suporte aos preços
A recuperação dos contratos futuros da soja em Chicago foi sustentada por uma combinação de fatores. No cenário fundamental, o principal destaque foi a demanda aquecida pela soja norte-americana, especialmente por parte da China, importante consumidor global da oleaginosa.
Além da demanda, preocupações pontuais com o desenvolvimento das lavouras nos Estados Unidos contribuíram para dar sustentação às cotações. A combinação entre consumo firme e incertezas sobre a oferta ajudou a fortalecer os preços internacionais.
O comportamento de outros mercados de commodities também colaborou para o movimento positivo da soja. A intensificação do conflito entre Rússia e Ucrânia voltou a provocar preocupações sobre a disponibilidade de trigo e milho provenientes da região do Mar Negro. A valorização dos cereais acabou influenciando também o mercado da oleaginosa.
Outro fator de atenção foi o petróleo. Com o barril superando a marca de US$ 90, o fortalecimento do mercado de energia também deu suporte às commodities agrícolas, contribuindo para um ambiente mais favorável às cotações da soja e reforçando o movimento de avanço das vendas por parte dos produtores brasileiros.
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Gergelim avança em Mato Grosso e ganha espaço na segunda safra

O cultivo de gergelim vive um momento de forte expansão em Mato Grosso. Nos últimos cinco anos, a área destinada à cultura no estado cresceu 250%, segundo dados do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea). O avanço coloca a oleaginosa como uma alternativa cada vez mais estratégica para o produtor na segunda safra.
Mato Grosso é hoje o maior produtor de gergelim do Brasil e responde por mais de 60% da produção nacional. Na safra 2024/25, o estado produziu 288,9 mil toneladas, alta de 17,3% em relação ao ciclo anterior. A produtividade também avançou, de 579,06 quilos por hectare para 720,09 quilos por hectare no período.
O aumento do rendimento está relacionado à evolução do manejo, ao uso de tecnologias e ao melhoramento genético das sementes. Segundo o engenheiro agrônomo Murilo Sampaio, os programas de melhoramento têm ampliado o foco para além do potencial produtivo.
“Hoje em dia os programas de melhoramento estão focados muito na questão da produtividade, mas nós temos questões também de fitossanidade, temos questões também de população dessas sementes. Com estande mais reduzido, você consegue mais produtividade dentro de cada cultivar”, explica.
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Cultura ganha espaço após a soja
O ciclo curto, de aproximadamente 90 dias, favorece a utilização do gergelim como alternativa no calendário agrícola de Mato Grosso. A janela de plantio considerada ideal vai de 10 de fevereiro a 15 de março, período com regime de chuvas mais favorável à cultura.
O custo médio informado para o cultivo é de R$ 1.600 por hectare, enquanto o rendimento pode chegar a 1.600 quilos por hectare. O mercado pode pagar até R$ 4 por quilo pelo grão.
A cultura também aparece como opção para áreas em que o produtor não consegue concluir o plantio do milho dentro da janela considerada adequada.
“Hoje o gergelim entra praticamente no final do plantio de milho. Onde o produtor não consegue terminar sua janela, o gergelim é uma ótima opção em casos de rentabilidade. O produto vai te render muito mais por hectare e você vai conseguir, com baixo custo, uma ótima rentabilidade para a sua lavoura”, afirma Sampaio.
Mercado externo sustenta expansão
O crescimento da produção ocorre em um mercado no qual a demanda externa tem papel central. O consumo interno de gergelim no Brasil ainda é pequeno, e a maior parte da produção mato-grossense é destinada às exportações.
A China é o principal destino, com cerca de 40% do gergelim de Mato Grosso. Na sequência aparecem a Índia, com participação entre 25% e 30%, e a Turquia.
De acordo com o engenheiro agrônomo Leandro Lodea, esses três países concentram os principais mercados para o gergelim produzido no estado.
“Hoje o gergelim do Mato Grosso tem três destinos principais: a China em primeiro lugar, em torno de 40%; depois vem a Índia, em torno de 25% a 30%; e depois nós vemos a Turquia em terceiro lugar. São os três principais destinos do nosso gergelim”, afirma.
Com o aumento da área cultivada, ganhos de produtividade e avanço das tecnologias de produção, o gergelim amplia espaço dentro do sistema agrícola mato-grossense e se consolida como uma alternativa para diversificar a segunda safra.
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Brasil testa plataforma espacial com potencial para pesquisas na agricultura

O Brasil testa uma plataforma que poderá ampliar a realização de pesquisas científicas em microgravidade e abrir novas possibilidades para áreas como a agricultura. A segunda fase da Operação Potiguar, realizada no Centro de Lançamento da Barreira do Inferno (CLBI), em Parnamirim (RN), avalia o sistema de recuperação da Plataforma Suborbital de Microgravidade Recuperável (PSM-R).
A missão ocorre até 19 de setembro e tem como objetivo verificar, em condições reais de voo, se a plataforma e o sistema responsável pelo retorno dos equipamentos à superfície funcionam conforme o planejado.
O ambiente de microgravidade permite estudar fenômenos de forma diferente do que ocorre na Terra. Para a agricultura, esse tipo de pesquisa pode contribuir para ampliar o conhecimento sobre processos biológicos e fisiológicos, além de apoiar o desenvolvimento de tecnologias que, no futuro, possam ter aplicações no setor.
Entre as áreas que podem se beneficiar dos experimentos estão agricultura, biologia, estudos de materiais, fluidos, combustão e medicamentos.
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Pesquisa em agricultura no espaço
A realização de experimentos fora das condições terrestres permite aos pesquisadores observar como organismos e materiais se comportam em um ambiente com gravidade muito reduzida.
No caso da agricultura, esse conhecimento pode ajudar a compreender processos biológicos e avaliar possibilidades relacionadas ao cultivo de plantas em ambientes controlados, especialmente em missões espaciais de longa duração.
A chamada agricultura espacial é considerada estratégica para futuras missões que exigem produção de alimentos fora da Terra. Estudos realizados em microgravidade podem contribuir para o desenvolvimento de sistemas capazes de produzir plantas em condições diferentes das encontradas no campo.
A plataforma brasileira está vinculada ao Programa Microgravidade, da Agência Espacial Brasileira (AEB), que seleciona experimentos científicos e tecnológicos para voos suborbitais e orbitais.
Plataforma será lançada em foguete brasileiro
A PSM-R será lançada pelo veículo de sondagem VS-30 V16, desenvolvido pelo Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE). O foguete tem aproximadamente 9 metros de comprimento, 600 milímetros de diâmetro e massa de cerca de 1,6 tonelada.
As simulações utilizadas na preparação da missão indicam que o veículo poderá atingir aproximadamente 100 quilômetros de altitude e percorrer cerca de 90 quilômetros. A carga útil, formada pela plataforma de microgravidade, tem massa estimada em 401 quilos.
Durante o voo, os equipamentos serão acompanhados por sistemas de telemetria e rastreamento. Após o retorno, os pesquisadores poderão analisar a plataforma e os experimentos realizados.
Esse processo de recuperação é justamente o principal foco da segunda fase da Operação Potiguar. A primeira etapa, realizada em 2024, concentrou-se na verificação de procedimentos e sistemas relacionados ao lançamento.
Recuperação amplia possibilidades de pesquisa
A possibilidade de recuperar a plataforma é importante para o desenvolvimento de futuras missões científicas. Com os equipamentos de volta à superfície, os pesquisadores podem analisar diretamente os experimentos e os dados obtidos durante o período de microgravidade.
A plataforma reúne sistemas de funcionamento e recuperação, incluindo paraquedas, módulos para experimentos, controle, sistema de gás frio, anéis de balanceamento e um mecanismo chamado ioiô, utilizado para auxiliar no controle da velocidade de rotação antes da separação da carga útil.
A missão envolve cerca de 160 militares e servidores civis, responsáveis por atividades de preparação, integração, lançamento e recuperação.
O Centro de Lançamento da Barreira do Inferno também coordena os procedimentos de segurança, rastreamento e telemetria do veículo. Inaugurado em 1965, o CLBI foi o primeiro centro de lançamentos espaciais da América do Sul.
A estrutura já participou de mais de 400 lançamentos de foguetes e acompanhou mais de 3 mil veículos, segundo a Força Aérea Brasileira (FAB).
Embora a Operação Potiguar 2 tenha como foco imediato testar a recuperação da plataforma, a estrutura pode representar um avanço para a pesquisa brasileira em microgravidade e, no futuro, ampliar o espaço para experimentos relacionados à agricultura e à produção de alimentos em ambientes extremos.
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