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24 de outubro de 2026

Sustentabilidade

Agro bate recorde de produção, mas enfrenta margens estreitas e crédito caro; produtora rural analisa o que pode definir a próxima virada do setor – MAIS SOJA

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O agronegócio brasileiro vive um dos momentos mais contraditórios de sua história recente: enquanto avança em tecnologia, produtividade e produção, produtores e empresas enfrentam margens pressionadas, juros elevados, endividamento e dificuldades de acesso ao crédito. Para Cristina Gross, produtora rural, advogada, sócia-diretora do Grupo Gross e diretora financeira da Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (AIBA), esse cenário precisa ser analisado para além dos números de produção.

A reflexão é tema do novo artigo assinado por Cristina, “O paradoxo do agro brasileiro: por que o setor avança em tecnologia enquanto atravessa um ciclo de margens estreitas, crédito caro e endividamento”. No texto, ela utiliza os conceitos dos ciclos econômicos de Kondratieff e Juglar para interpretar o atual momento do agronegócio e discutir quais fatores podem determinar a recuperação do setor.

A principal provocação é direta: colher mais não significa necessariamente ganhar mais. Mesmo diante da expectativa de uma safra recorde de grãos de 360,8 milhões de toneladas em 2025/26, o PIB do agronegócio recuou 2,01% no primeiro trimestre de 2026, após crescer 12,2% em 2025. O contraste evidencia o impacto da queda dos preços sobre a rentabilidade do setor e reforça a necessidade de olhar para margem, custo, geração de caixa e capacidade de investimento.

“Estar na fronteira tecnológica não impede uma crise financeira. O agro pode produzir mais, incorporar inteligência artificial, automação e novas tecnologias e, ainda assim, enfrentar um período de forte pressão sobre suas margens”, avalia Cristina.

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Do recorde de produção à crise financeira

O artigo também chama atenção para a combinação entre os investimentos realizados durante o período de preços elevados das commodities e o cenário posterior de custos altos e juros elevados. Em Mato Grosso, por exemplo, a soja passou de R$ 167,95 por saca em maio de 2022 para R$ 106,58 em maio de 2026, enquanto o custo total estimado por hectare avançou de aproximadamente R$ 5,2 mil para R$ 7,7 mil, segundo o Imea.

A pressão financeira também aparece no crescimento dos pedidos de recuperação judicial ligados ao agronegócio, que passaram de 534 em 2023 para 1.990 em 2025, segundo dados da Serasa Experian citados no artigo.

Uma possível virada exige mais do que uma safra boa

Cristina avalia que uma eventual recuperação do agronegócio deverá depender da combinação entre melhora da relação de preços e custos, redução efetiva dos juros, estabilidade do crédito, boas condições climáticas e maior capacidade de gestão. A partir de 2028, pode surgir uma recuperação seletiva, enquanto uma expansão mais ampla poderia ocorrer entre 2029 e 2031, caso esses fatores avancem conjuntamente. A produtora ressalta que se trata de um cenário condicionado, e não de uma previsão automática.

Mais do que esperar a próxima alta das commodities, a recomendação é preparar as empresas e propriedades para atravessar o ciclo. “Produzir com precisão, investir com critério e preservar capacidade para agir serão diferenciais cada vez mais importantes”, afirma Cristina.

Uma voz do campo para discutir os rumos do agro

Além da atuação como produtora rural e executiva, Cristina Gross acompanha de perto os desafios econômicos e estruturais enfrentados pelo setor, especialmente no Oeste da Bahia. Sua experiência reúne a perspectiva de quem está diretamente ligada à produção e a atuação em gestão, finanças e representação institucional.

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A análise abre espaço para uma discussão que ultrapassa os limites das propriedades rurais: os impactos do momento do agro alcançam a indústria de máquinas e insumos, transporte, armazenagem, comércio e serviços dos municípios produtores, além de influenciarem investimentos, crédito, arrecadação e a própria economia brasileira.

Cristina Gross é voz ativa do agronegócio no Matopiba (Foto: Arquivo pessoal)

Fonte: Assessoria de imprensa


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Sustentabilidade

Perdeu o Soja Brasil? Veja os destaques da última edição do programa

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O que movimenta a safra de soja 2026/27 no Brasil? A última edição do programa Soja Brasil reúne reportagens sobre pesquisa agrícola na China, os desafios do plantio no Paraná e os impactos do clima para os produtores rurais.

A expedição Soja Brasil percorre Mato Grosso para mostrar os desafios logísticos do escoamento da produção, desde o transporte rodoviário até a integração com as ferrovias. O programa também acompanha o avanço do plantio pelo país e traz a previsão do tempo para a primavera, com alertas para o calor e a irregularidade das chuvas em diferentes regiões.

Outro destaque é a tecnologia no campo. Na abertura nacional do plantio da soja 2026/27, em Ipiranga do Norte (MT), produtores conheceram máquinas e soluções voltadas à precisão das operações, à economia de fertilizantes e à eficiência no trabalho agrícola.

Na China, a equipe mostra como pesquisadores investem em melhoramento genético, manejo do solo e rotação de culturas para ampliar a produtividade da soja e reduzir a dependência das importações. Já no Paraná, o excesso de umidade dificulta a semeadura em algumas regiões e acende o alerta para possíveis impactos no calendário do milho safrinha.

O programa traz ainda informações sobre o ritmo do plantio no Brasil e os principais assuntos em destaque no portal Soja Brasil, incluindo o manejo de pragas e doenças e histórias de produtores rurais.

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Sustentabilidade

Soja: preços sobem no Brasil, mas portos saturados limitam comercialização

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O mercado brasileiro de soja encerrou a semana com valorização dos preços, mas poucos negócios registrados nesta sexta-feira (23). De acordo com o analista da Safras & Mercado, Rafael Silveira, apesar das cotações mais altas, a sessão apresentou poucas indicações de compra, enquanto a saturação dos portos e o foco dos produtores no plantio da nova safra limitaram a comercialização.

Segundo Silveira, algumas tradings já estão próximas de concluir seus programas de embarques do ano, em um cenário de portos bastante saturados. Os prêmios permaneceram praticamente estáveis, sem alterações significativas ao longo da sessão.

A semana apresentou melhora no volume de negócios em relação aos dias anteriores, mas a movimentação ainda ficou bastante abaixo da observada há três semanas.

Confira:

Preços de soja no Brasil

  • Passo Fundo (RS): subiu de R$ 146,00 para R$ 148,00
  • Santa Rosa (RS): subiu de R$ 147,00 para R$ 149,00
  • Cascavel (PR): subiu de R$ 141,00 para R$ 142,00
  • Rondonópolis (MT): manteve em R$ 141,00
  • Dourados (MS): manteve em R$ 140,00
  • Rio Verde (GO): manteve em R$ 139,00
  • Paranaguá (PR): subiu de R$ 152,00 para R$ 153,00
  • Rio Grande (RS): subiu de R$ 153,00 para R$ 155,00

Soja em Chicago

Os contratos futuros da soja negociados na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT) fecharam a quinta-feira (22) com preços mais altos para o grão, o farelo e o óleo, conforme o balanço divulgado para a sessão.

Apesar da pressão de oferta decorrente do avanço da colheita de soja nos Estados Unidos, o mercado foi sustentado por compras de fundos, levando em conta a boa demanda pela oleaginosa norte-americana, especialmente por parte da China. A valorização do petróleo também favoreceu o avanço das cotações. Na semana, a posição novembro de 2026 registrou recuo acumulado de 0,37%.

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As vendas líquidas norte-americanas de soja da temporada 2026/27, iniciada em 1º de setembro, somaram 2.841.200 toneladas na semana encerrada em 15 de outubro. A China liderou as compras, com 2.178.600 toneladas. O resultado ficou dentro das expectativas dos analistas, que apontavam para vendas entre 1,1 milhão e 3 milhões de toneladas, segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).

Com o clima favorável no Meio-Oeste, parte dos produtores estava concluindo a colheita de soja e direcionando os trabalhos para o milho. Além disso, as expectativas de uma safra brasileira maior em 2026/27 seguem no radar dos operadores.

Os contratos da soja em grão com entrega em novembro de 2026 fecharam com alta de 3,50 centavos de dólar por bushel, ou 0,27%, a US$ 12,56½ por bushel. A posição janeiro de 2027 teve cotação de US$ 12,68½ por bushel, avanço de 3,75 centavos de dólar por bushel, ou 0,29%.

Nos subprodutos, a posição dezembro de 2026 do farelo fechou com perda de US$ 1,20 por tonelada, ou 0,34%, a US$ 346,10 por tonelada. No óleo, os contratos com vencimento em dezembro de 2026 fecharam a 66,83 centavos de dólar por libra-peso, elevação de 0,09 centavo, ou 0,13%.

Câmbio

O dólar comercial encerrou a sessão de sexta-feira (23) com baixa de 0,96%, negociado a R$ 4,9897 para venda e a R$ 4,9877 para compra. Durante o dia, a moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 4,9887 e a máxima de R$ 5,0558.

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Sustentabilidade

Fitotoxicidade de herbicidas em soja exige atenção ao posicionamento dos produtos – MAIS SOJA

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Com o aumento da ocorrência de plantas daninhas de difícil controle nas lavouras brasileiras, estratégias integradas de manejo têm ganhado espaço na cultura da soja, visando ampliar a eficácia de controle e reduzir os prejuízos decorrentes da matocompetição. Nesse contexto, o uso de herbicidas pré-emergentes destaca-se como uma das principais ferramentas, especialmente no manejo de espécies daninhas resistentes a herbicidas pós-emergentes.

Entretanto, devido à atuação desses produtos no solo, erros de posicionamento podem resultar em efeitos fitotóxicos indesejados na cultura da soja. Dependendo das condições de aplicação e das características do herbicida, esses efeitos podem comprometer o estabelecimento inicial das plantas, limitar seu crescimento e prejudicar o desempenho da cultura. Entre os fatores envolvidos, destaca-se o carryover, associado à persistência de resíduos de herbicidas no solo em níveis capazes de causar injúrias às culturas subsequentes.

O carryover ocorre quando resíduos de herbicidas permanecem biologicamente ativos no solo e são absorvidos pelas plantas, provocando alterações em seu crescimento e desenvolvimento. Esse efeito pode estar relacionado tanto à aplicação de herbicidas pré-emergentes na própria cultura quanto à persistência de resíduos de produtos utilizados no cultivo anterior (Werle & Oliveira, 2018).

A intensidade das injúrias depende de diversos fatores, incluindo o tipo de solo, a umidade, o regime de precipitação, a mobilidade do herbicida no solo, a presença de palhada, a concentração e a dose do produto, além da seletividade da molécula à cultura. Conforme o herbicida e seu mecanismo de ação, os sintomas de fitotoxicidade podem se manifestar na parte aérea ou no sistema radicular das plantas (Figura 1).

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Figura 1. Injúria durante a emergência da cultura da soja decorrente de herbicida pré-emergente ou carryover.
Fonte: Werle & Oliveira (2018)

Vale destacar que, além das diferenças entre os herbicidas, as cultivares de soja também podem apresentar respostas distintas quanto à sensibilidade aos produtos e à intensidade dos sintomas de fitotoxicidade. No caso dos herbicidas pós-emergentes, a manifestação desses sintomas varia conforme o mecanismo de ação do produto, podendo incluir desde necroses nos tecidos vegetais até deformações foliares e redução do crescimento das plantas (Figura 2). Esses efeitos tendem a ser particularmente prejudiciais quando ocorrem nas fases iniciais do desenvolvimento da soja, podendo comprometer o estabelecimento da cultura e, dependendo da intensidade das injúrias, resultar em perdas expressivas de produtividade.

Figura 2. Sintomas típicos da fitotoxicidade ocasionada por alguns dos principais herbicidas utilizados em soja.
Foto: André Consonni

Conforme observado por Alves et al. (2021), a fitotoxicidade causada pela deriva de Dicamba em soja não tolerante pode resultar em perdas de produtividade de até 12% para cada 1% de injúria, dependendo da severidade dos sintomas e do estádio de desenvolvimento da cultura em que ocorre o dano. Esse resultado evidencia o potencial impacto da fitotoxicidade sobre a produtividade da soja e reforça a importância do posicionamento adequado dos herbicidas, considerando as características dos produtos, a seletividade às cultivares e as condições de aplicação, a fim de minimizar os riscos de injúrias e seus reflexos no desempenho produtivo da cultura.


Veja mais: Por que a umidade do solo é tão importante para a eficácia dos herbicidas pré-emergentes?


Referências:

ALVES, G. S. et al. PHYTOTOXICITY IN SOYBEAN CROP CAUSED BY SIMULATED DICAMBA DRIFT. Pesquisa Agropecuária Brasileira, v. 56, 2021. Disponível em: < https://seer.sct.embrapa.br/index.php/pab/article/download/26912/14872 >, acesso em: 23/10/2026.

WERLE, R.; OLIVEIRA, M. C. Chave para Identificação de Injúrias Causadas por Herbicidas. University of Wisconsin-Madison UW-Extension, WiscWeeds, 2018. Disponível em: < https://maxweeds.rbind.io/pt/post/chave_id-herbicida/2018-herb-pt.pdf >, acesso em: 23/10/2026.



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