Sustentabilidade
Trigo/BR: Avanço da Colheita e Alerta Sanitário nas Principais Regiões – MAIS SOJA

Trigo 6,7% colhido. No RS, no Planalto Superior, a maioria das lavouras segue em perfilhamento, enquanto, nas áreas semeadas no início da janela, já há lavouras em final de florescimento e início de enchimento de grãos. As condições meteorológicas recentes favorecem as manchas foliares e as doenças bacterianas, além de comprometer o desenvolvimento das plantas e o seu potencial produtivo.
No PR, as condições climáticas são consideradas favoráveis ao desenvolvimento da cultura, embora a alta umidade, em algumas regiões, tenha provocado a ocorrência de doenças fúngicas. Em SC, de modo geral, o trigo apresenta boas condições. No Meio-Oeste, as lavouras seguem em bom estado, pois a maior radiação solar no início da semana favoreceu o desenvolvimento.
Na Serra e nos Planaltos, predomina o desenvolvimento vegetativo. No Oeste e Extremo Oeste, as lavouras estão mais adiantadas. Em SP, algumas áreas já iniciaram a colheita. Em MG, a colheita segue em boas condições, apesar de redução da produtividade em algumas áreas, devido à brusone que foi favorecida pelo pelo clima desta temporada.
Em GO, a colheita do trigo irrigado avança em ritmo lento. As produtividades apresentam variabilidade, em grande parte, devido à brusone, favorecida pelas chuvas atípicas de junho e julho.
Em MS, a colheita segue em ritmo acelerado, com perda de potencial produtivo em razão da incidência de brusone, principalmente, na região sul e na fronteira. Na BA, as lavouras seguem com bom desenvolvimento.
Fonte: Conab
Autor:Conab
Site: Conab
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Milho 2ª Safra/BR: Com 90,4% Concluído, Lavouras Apresentam Resultados Heterogêneos – MAIS SOJA

Milho 2ª Safra: 90,4% colhido. Em MT, a colheita foi finalizada e, mesmo nas áreas de solos arenosos, as produtividades superaram as estimativas iniciais. No PR, a redução das precipitações propiciou uma redução mais rápida da umidade dos grãos e, consequentemente, um avanço na área colhida.
Em MS, a colheita avançou em quase todo o estado, com exceção da região Oeste, onde a colheita foi paralisada devido à falta de espaço para armazenagem. Em GO, a colheita se aproxima da finalização, com produtividades heterogêneas e abaixo das estimativas iniciais em função da irregularidade das precipitações em períodos críticos do desenvolvimento.
Em SP, a colheita avança no estado, principalmente no centro-sul, e já alcança 77% da área semeada. Em MG, o tempo seco e quente favoreceu a perda de umidade dos grãos, favorecendo o avanço da colheita.
No TO, MA e PI, a colheita foi finalizada e as produtividades ficaram abaixo das obtidas na última safra devido à redução das chuvas a partir de meados de abril. Isso impactou, principalmente, as lavouras semeadas fora da janela ideal de cultivo. No PA, o tempo seco favoreceu a secagem natural dos grãos e o avanço da colheita, que alcançou 85% da área cultivada. Ela ainda ocorre nos polos de Santarém e Paragominas, com boas produtividades sendo obtidas e ótima qualidade de grãos.
Fonte: Conab
Autor:Conab
Site: Conab
Sustentabilidade
Cerca de 83% do crédito rural para soja teve aderência ao cultivo financiado, aponta Serasa

A soja financiada estava, na maior parte dos casos, onde deveria estar. É o que mostra o “Mapa da Soja”, estudo inédito da Serasa Experian que cruzou dados de crédito rural com imagens de satélite para verificar a correspondência entre a finalidade do financiamento público e o cultivo efetivamente encontrado nas áreas informadas pelos produtores.
Na safra 2025/26, 82,6% das 42.691 operações analisadas apresentaram aderência entre o crédito contratado e a cultura identificada no campo. O resultado representa uma melhora de 6,6 pontos percentuais em relação à safra 2022/23, quando o índice era de 76%.
O levantamento considerou 1,97 milhão de hectares financiados e utilizou imagens de sensoriamento remoto e tecnologia proprietária da Serasa Experian. Do total de operações, 66,7% não apresentaram indícios de desvio de finalidade. Outros 15,9% registraram diferença de até 10% entre a área financiada e a área em que a soja foi identificada. Segundo a empresa, essa margem pode estar relacionada à escala do mapeamento ou a imprecisões nos limites das glebas e não representa necessariamente uma irregularidade.
O dado que chama atenção está no grupo restante. Em 17,4% das operações, a diferença entre a área financiada e a área identificada com soja superou 10%. Desse universo, 10,6% apresentaram divergências entre 10% e 50% da área contratada, 3,7% entre 50% e 90% e 3,1% entre 90% e 100%.
Em alguns casos, a diferença foi expressiva. Uma das operações analisadas financiou o custeio de soja em 76,54 hectares, mas nenhuma área com a cultura foi identificada pelas imagens de satélite. Em outro caso, dos 37 hectares contratados para o cultivo de soja, apenas 10,42 hectares apresentaram a cultura, uma divergência de 71,8%.
Esses casos, porém, não significam automaticamente fraude ou uso irregular do crédito. A própria Serasa Experian ressalta que os indicadores funcionam como sinais de atenção e podem orientar uma investigação mais detalhada pelas instituições financeiras.
“Quando transformamos imagens de satélite e dados territoriais em indicadores objetivos, o monitoramento deixa de depender de uma análise amostral”, afirma Marcelo Pimenta, head de Agro da Serasa Experian.
Segundo ele, a tecnologia permite direcionar os esforços para as operações que apresentam maior divergência e podem exigir verificações documentais, contratuais, cadastrais ou agronômicas.
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R$ 2,2 bilhões sob atenção
A análise também dimensionou o impacto financeiro das operações com maiores divergências. Os casos em que o possível desvio de finalidade superou 10% da área financiada correspondem a mais de R$ 2,2 bilhões em crédito concedido, cerca de 25% de todo o volume financeiro analisado.
O dado não significa que R$ 2,2 bilhões tenham sido utilizados irregularmente. Trata-se do volume de recursos associado às operações que apresentaram divergências superiores a 10% no cruzamento entre os dados do financiamento e o mapeamento territorial.
A tecnologia, nesse contexto, funciona como uma ferramenta de triagem. Em vez de submeter toda uma carteira de crédito a uma análise manual, bancos e instituições financeiras podem identificar previamente as operações que merecem uma checagem mais aprofundada.
O relógio do plantio
O estudo também olhou para outro aspecto do cultivo, quando a soja foi plantada. No recorte agroclimático, a Serasa Experian monitorou 1,53 milhão de talhões, que somam 46,9 milhões de hectares de soja. O levantamento mostrou que 97,8% da área analisada foi plantada dentro das janelas recomendadas pelo Zoneamento Agrícola de Risco Climático, o ZARC.
A maior parte, 84,9%, estava enquadrada na faixa de risco agroclimático de 20%. Outros 10,7% estavam na faixa de 30% e 2,2% na de 40%. Os 2,2% restantes apresentaram divergência estimada entre a data de plantio identificada e a janela parametrizada para a região.
O dado acrescenta uma segunda camada à análise do crédito rural. Não basta saber se a cultura financiada está presente. O momento em que ela foi plantada também ajuda a compreender a exposição da lavoura ao risco climático.
“O ZARC traz uma dimensão complementar importante para a análise porque permite entender não apenas se a soja foi plantada, mas em que momento isso ocorreu e sob qual nível de exposição agroclimática”, diz Pimenta.
Satélite como ferramenta de fiscalização
O “Mapa da Soja” combina microdados públicos do Sistema de Operações do Crédito Rural e do Proagro, o SICOR, com mapas proprietários de cultivo da Serasa Experian. A empresa utilizou séries temporais de imagens multiespectrais dos satélites Sentinel-2 e modelos automáticos para identificar a presença da soja nas áreas financiadas.
A proposta é transformar imagens e dados territoriais em indicadores que possam apoiar a gestão do crédito rural. O monitoramento ganha importância diante das exigências regulatórias relacionadas ao crédito agrícola e às regras do Manual de Crédito Rural e da Resolução CMN nº 5.267/2025.
Ainda assim, o estudo faz uma ressalva importante. O sensoriamento remoto, isoladamente, não comprova uma irregularidade. Os resultados servem para identificar sinais de atenção e priorizar operações que podem passar por validações documentais, cadastrais, contratuais e agronômicas.
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Dinâmica do ENOS e seus efeitos no potencial de produtividade da soja – MAIS SOJA

O El Niño-Oscilação Sul (ENOS) é resultado de um acoplamento de dois componentes: um oceânico (aquecimento ou esfriamento da temperatura da superfície do mar – TSM) e outro atmosférico (comportamento dos ventos alísios na região do Pacífico Equatorial). Diante dessas anomalias, cada fase é caracterizada da seguinte forma:
- El Niño (fase quente): Corresponde ao aumento na TSM superior a 0,5ºC por pelo menos 5 trimestres consecutivos móveis, acompanhado pela redução da velocidade dos ventos alísios.
- La Niña (fase fria): Corresponde à diminuição na TSM inferior a -0,5ºC por pelo menos 5 trimestres consecutivos móveis, acompanhada pelo aumento da velocidade dos ventos alísios.
- Neutralidade: As temperaturas da TSM permanecem entre -0,5 °C e +0,5 °C por pelo menos 5 trimestres consecutivos.
O fenômeno ENOS atua de forma distinta dependendo da região do planeta. Por exemplo, anos de El Niño causam seca na Ásia, na Oceania e no norte da América do Sul, enquanto em outras regiões, como no sul da América do Sul e no centro-sul da África, o fenômeno resulta em chuvas acima da média. Em contrapartida, anos de La Niña apresentam o comportamento inverso, com chuvas acima da média na Ásia, na Oceania e no norte da América do Sul, e seca no sul da América do Sul e no centro-sul da África (Figura 1).
Diante desse cenário, torna-se fundamental compreender o ENOS visando obter altas produtividades na cultura da soja no Brasil, visto que o comportamento das precipitações varia conforme a fase do fenômeno. Dada essa importância, a Equipe FieldCrops buscou compreender o impacto do ENOS no potencial de produtividade de sequeiro das Regiões Edafoclimáticas (RECs) do Brasil, propostas por Kaster e Farias (2012), considerando a principal janela de semeadura (Figura 2).
A partir dessa análise, verificou-se que a região sul do Brasil e o sul do Mato Grosso do Sul (REC’s 101, 102, 103, 104, 201 e 202) são as mais afetadas pelo fenômeno ENOS. Durante a fase La Niña, observa-se uma redução significativa no potencial de produtividade de sequeiro, especialmente para semeaduras realizadas no mês de setembro e outubro (Figura 2). As demais Regiões Edafoclimáticas apresentam menor variação no potencial de produtividade de sequeiro conforme a fase do ENOS, sendo que os maiores potenciais são evidenciados no mês de outubro.

Referências:
CYCLONEXTREME. Meteorologie El Niño. Disponível em: < https://www.cyclonextreme.com/meteorologieelnino.htm >, acesso: 02/08/2026
KASTER, M; FARIAS, J. R. B. Regionalização dos testes de Valor de Cultivo e Uso e da indicação de cultivares de soja – terceira Aproximação. Londrina: Embrapa Soja: Documentos 330, p. 69, 2012. Disponível em: < https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/handle/doc/917252 >, acesso: 01/08/2026
WINCK, J.E.M et al. Ecofisiologia da soja visando altas produtividades. 3era Edição, 2025.

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