Sustentabilidade
Demanda por etanol e exportações sustentam milho na CBOT apesar de pressão na oferta – MAIS SOJA

Na última semana, o contrato corrente de milho na CME Group (CBOT) apresentou valorização de 0,05% em relação à semana anterior, encerrando com média de US$ 417,15/bu.
Apesar da estabilidade observada nos preços, o mercado seguiu volátil diante da expectativa pelo relatório de área plantada e estoques trimestrais do USDA. Além disso, as condições climáticas favoráveis no Corn Belt, que sustentam perspectivas positivas para a safra norte-americana, somadas ao avanço da colheita da segunda safra no Brasil, fator que amplia a oferta global do cereal, seguem pressionando as cotações nos Estados Unidos.
No entanto, a demanda externa pelo milho norte-americano e o consumo da indústria de etanol conferem sustentação às cotações. Dessa forma, o mercado segue operando em um
ambiente de elevada volatilidade, com os agentes atentos às próximas movimentações, que poderão influenciar o comportamento das cotações no curto prazo.
Confira os principais destaques do boletim:
- ALTA: a decisão de juros no Brasil e nos Estados Unidos contribuiu para a elevação de 1,54% do dólar Ptax, que encerrou a semana cotado, em média, a R$ 5,18/US$.
- AUMENTO: o preço do Prêmio Santos avançou 6,08% ante a semana passada, reflexo do fortalecimento da demanda externa e maior ritmo de exportação do milho, fechando em ¢US$ 1,21/bu.
- RETRAÇÃO: o preço do milho no indicador Imea apresentou um declínio semanal de 0,94%, e fechou a semana cotado na média de R$ 40,96/sc.
O último relatório de acompanhamento das lavouras de milho da safra 2026/27 nos Estados Unidos indica que praticamente toda a área cultivada já se encontra emergida.
Assim, até 29/06, 67,00% das lavouras foram classificadas em condições boas ou excelentes, patamar 1,00 p.p. inferior ao da semana anterior e 6,00 p.p. abaixo do registrado no mesmo período da safra passada. Esse desempenho mais fraco em relação ao último ciclo vem sendo observado desde o início da temporada e está relacionado, principalmente, à menor participação de áreas enquadradas como excelentes. O quadro reflete a restrição de umidade do solo em partes do cinturão produtor, com destaque para Kansas e Illinois, o que aumenta as preocupações quanto ao desenvolvimento das plantas e ao potencial produtivo das lavouras.
Embora a safra ainda se mantenha dentro de um cenário considerado normal, o mercado permanece atento à evolução das condições climáticas, especialmente durante a fase de polinização, etapa crucial para a definição do rendimento final do milho.
Fonte: IMEA
Sustentabilidade
Resultados dos ensaios cooperativos apontam os fungicidas mais eficientes para o controle das doenças de final de ciclo da soja – MAIS SOJA

As doenças de final de ciclo da soja, popularmente conhecidas como DFCs ganham essa denominação comum, principalmente por expressarem seus sintomas ao final do ciclo de desenvolvimento da soja. No entanto, grande parte das DFCs tem seu desenvolvimento ainda no início do ciclo da cultura, mesmo expressando o sintomas ao final do ciclo da soja. Essa condição reforça a necessidade de adotar estratégias de manejo que contemplem o controle das DFCs ainda no início do ciclo da soja, reduzindo os efeitos e danos ao final do ciclo da cultura.
No entanto, ainda que fungicidas sejam aplicados do início ao fim do desenvolvimento da soja, a presença de sintomas das DFCs ao final do ciclo da cultura tem sido cada vez mais comum, o que evidencia a necessidade de conhecer e eficácia dos fungicidas utilizados para o manejo dessas doenças, para um melhor posicionamento deles no programa fitossanitário visando reduzir a incidência das DFCs. Dentre as principais DFCs da soja, destacam-se a mancha-parda (Septoria glycines) e o crestamento foliar de Cercospora (Cercospora spp.), caracterizadas entre outros sintomas, pela ocorrência de manchas castanho-avermelhadas nas folhas e a presença da mancha-púrpura nas semente da soja.
Figura 1. Sintomas típicos de mancha-purpura em sementes de soja.
Nesse contexto, compreender a eficácia dos principais fungicidas utilizados no manejo fitossanitário da soja para o controle das doenças foliares de final de ciclo é fundamental para a adoção de estratégias mais eficientes de manejo. Na safra 2025/2026, foram conduzidos 16 ensaios experimentais com o objetivo de avaliar a eficácia de fungicidas no controle das DFCs, abrangendo diferentes regiões produtoras de soja (Tabela 1). Nos experimentos, foram avaliados 15 fungicidas comerciais, além de um programa baseado na rotação de fungicidas, buscando comparar o desempenho das diferentes estratégias de manejo no controle dessas doenças. As aplicações foram iniciadas aos 41 dias após a semeadura e as reaplicações em intervalos de 15 dias (Godoy et al., 2026).
Tabela 1. Instituições, locais e datas da semeadura da soja.

Conforme destacado por Godoy et al. (2026), todos os tratamentos contendo fungicidas apresentaram desempenho de controle superior a testemunha. Sobretudo, a menor severidade e maior porcentagem de controle ocorreu no tratamento com metiltetraprole + difenoconazol e mancozebe (T13 – 73% de controle), seguido de metiltetraprole + difenoconazol (T12 – 68%) e Sugoy (T9 – 65%). A eficiência dos fungicidas em mistura formulada variou de 57% (T3 – Onsuva) a 68% (T12 – metiltetraprole + difenoconazol). Já com relação aos fungicidas multissítios, o tratamento com clorotalonil (T2 – Previnil Max) apresentou menor severidade e maior porcentagem de controle (56%) quando comparado ao tratamento com mancozebe (T11 – Tróia,49%) (Godoy et al., 2026).
Tabela 2. Severidade das doenças de final de ciclo (DFC), porcentagem de controle em relação ao tratamento testemunha (T1) (%C), fitotoxicidade dos fungicidas (FITO%), produtividade (PROD – kg/ha) e porcentagem de redução de produtividade (%RP) em relação ao tratamento com a maior produtividade. Média de 13 experimentos para severidade de DFC, três experimentos para fitotoxicidade e cinco experimentos para produtividade. Safra 2025/2026 (Godoy et al., 2026).

As maiores produtividade de soja foram obtidas nos tratamentos com metiltetraprole + difenoconazol e mancozebe (T13 – 4.528 kg/ha), metiltetraprole + difenoconazol (T12 – 4.436 kg/ha), Proteus (T5 – 4.408 kg/ha), Sphere Neo (T6 – 4.365 kg/ha), Sugoy (T9 – 4.339 kg/ha), Belyan (T4 – 4.306 kg/ha), Evolution (T14 – 4.305 kg/ha), para o programa com rotação de fungicidas (T17 – 4.284 kg/ha), Pontual (T8 – 4.263 kg/ha), difenoconazol + protioconazol + oxicloreto de cobre (T16 – 4.229 kg/ha), ciproconazol + difenoconazol + clorotalonil (T10 – 4.229 kg/ha) e Fusão Fix (T7 – 4.214 kg/ha). Vale destacar que o ganho de produtividade do tratamento mais produtivo em relação a testemunha foi de 21% (Godoy et al., 2026).
Confira o conteúdo completo do Comunicado Técnico n° 4 clicando aqui!

Referências:
GODOY, C. V. et al. EFICÁCIA DE FUNGICIDAS PARA O CONTROLE DAS DOENÇAS DE FINAL DE CICLO DA SOJA, NA SAFRA 2025/2026: RESULTADOS SUMARIZADOS DOS ENSAIOS COOPERATIVOS. Rede Fitossanidade Tropical, Comunicado Técnico, n. 4, 2026. Disponível em: < https://periodicos.ufv.br/STFT/article/view/24310/12444 >, acesso em: 01/07/2026.

Sustentabilidade
El Niño adiciona risco à qualidade do trigo na próxima safra – MAIS SOJA

A safra 2026/27 de trigo no Brasil deve registrar queda próxima de 20% na produção, refletindo a expectativa de recuo tanto de área quanto de produtividade. O fenômeno El Niño adiciona riscos à qualidade do grão ao longo do ciclo.
O plantio ocorre em um ambiente de margens apertadas, o que tende a limitar a intenção de área nesta temporada. A Conab estima recuo de 13,4% na área plantada. Somada a uma produtividade 7,6% menor, a produção total deve recuar cerca de 20%, para 6,2 milhões de toneladas.
“O aumento dos custos de produção também tem levado os produtores a adotarem postura mais cautelosa, limitando a expansão de área e os investimentos em manejo tecnológico, o que reforça o viés de baixa na produção”, explica Marina Marangon, analista da Consultoria Agro do Itaú BBA.
Do ponto de vista climático, a confirmação do El Niño eleva os riscos para a safra. Embora o fenômeno possa favorecer a disponibilidade hídrica inicial no Sul e contribuir para o desenvolvimento das lavouras, o excesso de chuvas ao longo do ciclo aumenta a pressão de doenças e pode comprometer a qualidade do trigo na fase final.
No mercado, a expectativa é de preços mais firmes na entressafra, com maior dependência de importações e manutenção da paridade como principal referência de formação de preços. O cenário internacional, ainda bem abastecido, tende a limitar altas mais expressivas. Assim, os preços domésticos devem seguir sensíveis principalmente ao câmbio e à competitividade do trigo argentino.
Fonte: Assessoria de imprensa
Sustentabilidade
Por que o adubo fosfatado está mais caro em 2026? – MAIS SOJA

O mercado global de fertilizantes vive um momento de forte turbulência. A combinação entre restrições comerciais da China, impactos do conflito russo-ucraniano e instabilidade no Oriente Médio tem elevado os custos das matérias-primas estratégicas e aumentado a pressão sobre o produtor rural brasileiro – justamente em um cenário de commodities estabilizadas e crédito mais restrito.
O tema foi o fio condutor da edição especial do “BRANDT Explica”, quadro que reúne especialistas para discutir as principais tendencias do agronegócio. Nesta estreia, Maria Luísa Segura Bertoletti, gerente de desenvolvimento de mercado da BRANDT Brasil – empresa de inovação tecnológica focada em fisiologia vegetal, biossoluções e tecnologia da aplicação –, recebeu Vitor Marques, especialista em inteligência de mercado da Markestrat, referência em monitoramento do setor de insumos agrícolas.
Mercado aquecido por fora, lento por dentro
Em pauta, o painel MIND, da Markestrat – que consolida a visão de mais de 50 especialistas entre revendas e cooperativas –, revela que o ritmo de comercialização dos insumos segue abaixo do histórico para o período. “Se a gente olha para a dinâmica de insumos como um todo, aproximadamente temos um mercado rodado de 20%. Quando a gente olha para fertilizantes, geralmente é uma categoria que roda um pouco mais rápido, dado a janela, temos aí 40% desses insumos comercializados, comentou Marques.
Segundo ele, o cenário reflete uma combinação de fatores que pressionam simultaneamente o custo e a capacidade de investimento do produtor: os fertilizantes ficaram mais caros, as commodities não conseguiram responder e o crédito encareceu após três safras de recuperações judiciais.
Três frontes geopolíticas que encarecem o fosfato
O especialista entrevistado ainda detalhou três frentes geopolíticas que vêm pressionando simultaneamente os preços do insumo no país, que importa grande parte dos fertilizantes fosfatados que utiliza, algo que torna o setor altamente exposto aos choques de oferta internacionais.
- China: a maior exportadora mundial de MAP (fosfato monoamônico) e DAP (fosfato diamônico) adotou postura protecionista, priorizando o mercado interno e limitando as exportações – medida que segue vigente até agosto de 2026;
- Rússia: além de restringir as exportações de nitrogenados, o país segue em conflito com a Ucrânia, o que pressiona a própria produção interna de fertilizantes;
- Oriente Médio: a interrupção do Estreito de Ormuz gerou um choque de oferta de enxofre – matéria-prima primordial para a produção de MAP, DAP e outros fosfatados via ácido sulfúrico.
“A partir do momento que a gente está tendo choques relacionados a oferta desses produtos com base nos conflitos, a gente tem um desbalanço desses indicadores e aí a gente acaba tendo uma precificação superior dessas matérias-primas, o que vai impactar diretamente no custo de produção dos nossos agricultores”, salientou o especialista em inteligência de mercado.
Produtor pressionado busca eficiência como saída
O retrato desenhado no episódio é de um setor que, ao contrário de 2022, não conta com o impulso das commodities nem com a folga do crédito para absorver o aumento dos insumos. “O produtor está com um grande desafio na mão, que e como ele consegue, de fato, ser mais eficiente dentro da operação, como ele consegue extrair mais daquela terra, daquela propriedade, mesmo num cenário de custos mais altos”, comentou o profissional da Markestrat.
Nesse contexto, a busca por alternativas que mantenham a produtividade sem ampliar o aporte de fertilizantes minerais ganha relevância. Entre as soluções apontadas no episódio estão os inoculantes para nitrogenados e os solubilizadores de fósforo –– produtos biológicos capazes de mobilizar o estoque de deste nutriente já acumulado no solo.
Biológicos: alternativa estratégica para o fósforo
Estudos indicam que apenas entre 15% e 30% do fósforo aplicado via fertilizantes e absorvido pelas plantas a cada ciclo agrícola. O restante fica adsorvido no solo – pesquisas de Paulo Pavinato, da Universidade de São Paulo (USP), estimam que aproximadamente 66% de todo o fósforo aplicado historicamente nos solos brasileiros (cerca de 45 milhões de toneladas entre 1960 e 2016) permanece acumulado e indisponível para a planta sem intervenção.
“Quando a gente olha para os fosfatados, você [da BRANDT] têm os solubilizadores de fósforo, que são também uma alternativa possível de ser utilizada para reverter esse cenário e que, de fato, ele não tenha perdas de produtividade. Dá para produzir mais utilizando algumas alternativas, como essas tecnologias que trazem um diferencial para o produtor”, afirmou Vitor Marques.
Para a BRANDT Brasil, esse movimento reforçar a proposta de seus produtos biológicos voltados ao aproveitamento de fósforo no solo. “E é justamente esse o papel do BRANDT SoluForce, que é o nosso produto biológico”, salientou Maria Luísa. Ele atua, por exemplo, a partir de microrganismos que produzem ácidos orgânicos e enzimas capazes de liberar o fósforo imobilizado no solo, tornando-o novamente disponível para as plantas. Com isso, o manejo favorece um sistema radicular mais desenvolvido, ampliando a exploração do solo e a capacidade de acesso a água e nutrientes.
Janela de risco para a safra 2026/2027
O episódio terminou com uma reflexão sobre a urgência de decisão para produtores que ainda não fecharam os fosfatados para a próxima safra. “É muito difícil a gente estimar qual que vai ser essa janela ideal de compra, porque a gente está ainda no meio de um conflito. Mas a gente tem uma expectativa de que [o cenário] aconteça e que a gente volte, retome os cenários de precificação que tinham alguns meses atras, antes da gente ter o estopim dos conflitos”, pontuou Vitor Marques.
O especialista destacou que produtores que se anteciparam – aproveitando uma janela cambial mais favorável, com dólar flertando abaixo de R$ 5,00 – conseguiram travar o custo de produção em patamar mais vantajoso. Para os demais, o acompanhamento do cenário geopolítico e a adoção de alternativas de eficiência seguem como leques de gestão disponíveis.
A primeira edição do BRANDT Explica está disponível nos canais digitais da BRANDT Brasil e inaugura uma série de conversas sobre mercado, inovação e estratégias agronômicas para o futuro da agricultura.
Sobre a BRANDT
Empresa pioneira na indústria agrícola, atua em mais de 80 países desde 1953 com tecnologias projetadas, testadas e validadas para assegurar a absorção e translocação eficaz de cada componente deu suas soluções, que desempenham papel fundamental na fisiologia das culturas. Presente no Brasil há mais de uma década, a BRANDT é especialista em uma ampla gama de produtos, incluindo fertilizantes foliares de alto desempenho, soluções para tratamento de sementes, fisiologia vegetal, tecnologia da aplicação e bioproteção para diversas culturas. Mais informações, clique aqui.
Fonte: Assessoria de imprensa
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