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Fim da subvenção não deve alterar preço do diesel em julho, avalia sindicato

O fim da subvenção federal ao diesel não deve provocar reajustes imediatos no preço do combustível nas bombas. A avaliação é do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo de Mato Grosso (Sindipetróleo-MT), que aponta que a redução de R$ 0,35 por litro anunciada pela Petrobras compensa integralmente o encerramento do benefício.
A retirada da subvenção foi anunciada pelo Governo Federal na terça-feira, 30 de junho, mesmo dia em que a Petrobras informou a redução no preço do diesel vendido às distribuidoras. Com isso, a expectativa do setor é de que os consumidores não sintam impacto no valor pago durante o mês de julho.
Para o presidente do Sindipetróleo-MT, Kaká Alves, a combinação das duas medidas mantém o mercado equilibrado neste momento. “Na prática, a combinação dessas duas medidas fará com que o preço do diesel permaneça inalterado, pelo menos ao longo do mês de julho. Com a estabilização do preço do petróleo no mercado internacional, o Governo Federal identificou condições para retirar o subsídio”.
A avaliação ocorre em meio à queda das cotações internacionais do petróleo. Depois de superar US$ 120 durante a escalada das tensões no Oriente Médio, o barril do Brent encerrou junho próximo de US$ 73, após a normalização do tráfego de navios no Estreito de Hormuz.
Cenário ainda exige cautela
Mesmo com a perspectiva de estabilidade para julho, o sindicato orienta os revendedores a acompanharem atentamente as notas fiscais emitidas pelas distribuidoras. Como o mercado de combustíveis é livre, fatores como custos logísticos, fretes e despesas operacionais também influenciam a formação do preço final.
Na prática, isso significa que os valores podem variar conforme a política comercial adotada por cada distribuidora, mesmo com a redução anunciada pela Petrobras compensando o fim da subvenção federal.
Kaká Alves ressalta que o comportamento do mercado continuará sendo acompanhado. “Embora o consumidor não deva perceber alterações no preço do diesel neste momento, continuaremos acompanhando a evolução dos mercados nacional e internacional. O setor de combustíveis é altamente sensível às oscilações econômicas e geopolíticas, por isso é fundamental monitorar continuamente os próximos movimentos”.
Além da retirada da subvenção ao diesel, o setor também acompanha outras medidas que podem influenciar o mercado de combustíveis, entre elas a manutenção da subvenção destinada às refinarias e aos importadores de diesel, os estudos para a retirada gradual do benefício da gasolina e o prazo de vigência do imposto sobre a exportação de petróleo bruto.
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Chuva pode chegar a 103 mm em 48 horas em Mato Grosso do Sul

A previsão da Climatempo indica chuva forte em cinco municípios de Mato Grosso do Sul e do Paraná entre quinta-feira (22) e domingo (25). O maior acumulado previsto é de 103 mm em 48 horas em Antônio João (MS), para sábado (24). A abrangência do evento inclui três municípios sul-mato-grossenses e dois paranaenses.
No Paraná, Francisco Beltrão (PR) deve ter 66 mm de chuva em 24 horas na quinta-feira (22). Para a mesma data e duração, a previsão em Prudentópolis (PR) é de 61 mm.
Em Mato Grosso do Sul, além do acumulado previsto para Antônio João, Laguna Carapã (MS) deve receber 60 mm em 24 horas no domingo (25).
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Chuva forte e acumulados elevados estão associados a risco de interrupção da colheita, dificuldade nas operações com máquinas no campo, encharcamento do solo e restrição de tráfego em estradas rurais.
Em Ponta Porã (MS), o acumulado previsto para domingo (25) é de 66 mm em 24 horas.
Fonte: Climatempo Advisor API
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Análise de solo ajuda produtor a economizar com fertilizantes e aumentar a produtividade

A análise de solo é uma das tecnologias de foco da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri), que vem empregando esforços para disseminar o serviço. O órgão estima que a prática trouxe um benefício econômico de R$35,2 milhões para o estado de Santa Catarina em 2025.
A Epagri explica que a análise de solo é uma das tecnologias que têm impacto positivo em todas as cadeias produtiva, afinal, toda a produção de alimentos cultivados requer terra fértil e sadia. O trabalho começa após a colheita, quando se inicia o planejamento da próxima safra.
Como funciona?
O pesquisador da Epagri/Cepaf, Evandro Spagnollo, explica que para a terra se tornar apta para produzir é preciso identificar quais nutrientes são deficitários. Para grande parte dos solos agricultáveis do Oeste catarinense, por serem naturalmente pobres em nutrientes, é preciso suprir via adubação mineral com nitrogênio, fósforo e potássio (NPK), e eventualmente, micronutrientes como boro e zinco – ou via adubação orgânica, oriunda de aviários, estábulos e pocilgas.
Ele recomenda que a análise de solo seja feita, pelo menos, a cada dois anos, para decidir a quantidade de fertilizantes de acordo com a expectativa de rendimento da cultura. O laboratório de solos do Centro de Pesquisa da Agricultura Familiar (Cepaf), inaugurado em 1979, em Chapecó, foi a primeira unidade da Epagri a oferecer o serviço.
“Por ser uma região produtora de suínos e aves, muitas amostras chegam com excesso de potássio e fósforo devido ao intensivo uso de esterco. Nestes casos, o excesso de adubação pode causar efeito salino, que é bem prejudicial às plantas”, explica.
Para aproveitar os benefícios nutricionais dos dejetos, é importante que sejam analisados no laboratório ou através do densímetro, cujos parâmetros estão disponíveis no boletim técnico “Avaliação da qualidade de dejeto líquido de suíno”.
“Outra medida importante é fazer adubação verde na entressafra, que gera a palhada e a ciclagem de nutrientes. Além de nutrir o solo, as raízes dessas plantas deixam a terra mais fofa, pronta para receber a semente”, explica.
Evandro também é co-autor do Manual de Calagem e do boletim técnico “Qualidade do solo e da água surgente em áreas de uso intensivo e continuado de esterco de suínos como fertilizante”.
Exemplos na prática
Adriano Girardi voltou para o campo após um período no Mato Grosso, e queria fazer a diferença na propriedade de 36 hectares, no município de Santa Helena. Ele planta 25 hectares de milho e 6 hectares de pastagem, onde 25 vacas do rebanho produzem 56 mil litros de leite por mês.
A produtividade tem crescido ano a ano graças ao empenho em fertilizar o solo da forma mais natural possível, sem deixar de fazer a correção química. “A análise de solo é como uma receita de bolo. Ela aponta o que o solo precisa e a gente para de jogar dinheiro fora, comprando mais fertilizante do que a terra precisa”, acredita.
A boa produtividade de sua roça de milho – 170 sacas por ano – fez o produtor aumentar a área plantada em mais 15 hectares arrendados. A maior parte da produção vai para a alimentação das vacas, mas também abastece a indústria de fubá.
Para corrigir o solo com adubação orgânica, ele comprava cama de aves, e há dois anos investiu numa esterqueira. Tudo para que a terra continue produzindo por muitos e muitos anos. “A gente tem que pensar no amanhã, no que vai deixar para os filhos e netos. E uma terra bem nutrida produz mais porque a planta tem menos doença e menos ataque de praga”, garante.
Quem acompanha o desenvolvimento da roça de Adriano é o extensionista rural Marciano Frosi. Ele conta que outro manejo importante realizado pelo produtor é a rotação de culturas de plantas de cobertura durante a entressafra, como aveia, nabo, milheto e ervilhaca. Além de fazer o plantio em nível, o que evita a erosão.
“Por causa da vocação de nossa região, produtora de suínos, gado e aves, nosso trabalho é muito baseado na conservação do solo, já que o excesso de fertilização orgânica oriunda do esterco prejudica o solo. E Adriano se destaca não só por implementar as correções técnicas necessárias, como está sempre pesquisando alternativas para diminuir o uso de agrotóxicos”, elogia.
Outro exemplo de aplicação prática que gerou bons resultados é o da propriedade de do técnico agrícola André Balena no município de Águas Frias, que virou referência. Ele é produtor de leite e suínos e planta 5,6 hectares de milho para suplementação da alimentação bovina.
Além de analisar o solo com regularidade, ele implantou o sistema de fertirrigação para adubação orgânica e abriu as portas para a pesquisa e extensão avaliarem o ganho em fertilidade, durante três anos.
*Sob supervisão de Hildeberto Jr.
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Você viu? Cientistas encontram enzima que aumenta em 6 vezes a produção de açúcar

O Laboratório de Fisiologia Ecológica de Plantas (Lafieco) da Universidade de São Paulo (USP) descobriu uma enzima na raiz da cana-de-açúcar que serve como uma chave para quebrar o bagaço e alavancar o rendimento da planta: a molécula ASD (α-L-arabinofuranosidase).
Esta reportagem, produzida pela Agência Fapesp, foi uma das mais lidas do site do Canal Rural ao longo da última semana.
Estudos divulgados nesta última semana revelam que o uso em laboratório aumentou a liberação de açúcar pelos resíduos da cana em até seis vezes, um passo essencial para acelerar a produção de etanol de segunda geração.
Uma das maiores barreiras para o aproveitamento pleno da cana sempre foi a rigidez no material que compõe o “esqueleto” da planta, a lignocelulose. Por conta dessa dificuldade, há anos, uma empresa dinamarquesa detém o monopólio de um coquetel enzimático capaz de quebrar essa barreira, e cientistas do mundo todo investigam alternativas.
A descoberta brasileira vem de uma pesquisa de 17 anos do Lafieco, que faz parte do Instituto de Biociências da USP. Ao mapear o desenvolvimento dos aerênquimas – estruturas porosas presentes nas raízes –, os pesquisadores identificaram um conjunto de enzimas usadas pela própria planta para remodelar suas fibras. Depois, conseguiram isolar a ASD e aplicá-la em coquetéis enzimáticos comerciais, que são capazes de quebrar a lignocelulose e aumentar a sacarificação.
Descoberta revolucionária
Marcos Silveira Buckeridge, coordenador do Lafieco e coautor do trabalho publicado no Journal of Experimental Botany, explica que os coquetéis enzimáticos já existentes são originados de microrganismos – em sua maioria, fungos. É a primeira vez que cientistas apontam uma molécula de origem vegetal com tal atributo. “E não é qualquer origem vegetal, é da própria cana-de-açúcar”, ressalta o pesquisador.
Para chegar a esse ponto, a equipe precisou primeiro mapear a química e a estrutura da parede celular da cana, entendendo como a celulose se organiza. “Vários alunos do Lafieco fizeram parte da investigação durante esses 17 anos, passando o bastão uns para os outros”, relembra o biólogo, cujo grupo publicou os primeiros dados estruturais sobre isso em 2013.
O grupo já sabia que a formação dos aerênquimas nas raízes da cana envolvia um processo natural de separação de células. O aparecimento dessas estruturas costuma estar ligado à falta de oxigênio (hipóxia), mas na cana elas se formam de maneira independente.
Durante o desenvolvimento do aerênquima, a própria planta modifica e quebra as paredes de suas raízes, criando túneis de ar. Esse processo inclui a separação celular e a quebra de açúcares complexos – duas ações essenciais para facilitar o aproveitamento do bagaço na produção de etanol.
“O aerênquima aparece progressivamente na raiz da cana. Na pontinha há menos, e sua formação vai ficando mais frequente para cima”, explica Bruno Viana Navarro, pós-doutorando do Lafieco e primeiro autor do artigo. A equipe queria observar quais “ferramentas microscópicas” (enzimas) a planta ativava ao longo desse processo de remodelação de suas raízes.
Ele descreve o experimento: “Nós plantamos colmos de uma cultivar bem estudada de cana-de-açúcar [SP80-3280] e, após três meses, coletamos raízes de perfilhos (brotos novos), que foram divididas em quatro segmentos de 1 cm cada. Assim, cada pedaço apresentava uma proporção diferente de formação de aerênquima”.
A equipe focou nas enzimas com a função de agir como “tesouras químicas”, cortando as fibras da parede da célula e liberando os açúcares. Uma das doutorandas de Buckeridge, Eveline Tavares, encontrou uma molécula-chave nesse processo: a enzima ASD (α-L-arabinofuranosidase).
Posteriormente, a doutoranda Adriana Grandis detalhou sua importância na formação do aerênquima. Navarro resume a função da ASD: “Ela atua de forma muito específica no rearranjo da parede celular, quebrando as ligações de um dos materiais estruturais mais presentes na cana”.
Percebendo o potencial da ASD, o grupo – tendo à frente a pós-doutoranda Débora Pagliuso – produziu essa enzima em laboratório usando leveduras, com o objetivo de testá-la na prática. “Inserimos a ASD no coquetel comercial e testamos no bagaço da cana-de-açúcar. Só essa adição aumentou em até seis vezes a produção do açúcar que, mais tarde, é convertido em etanol”, ressalta Navarro.
Futuro promissor
Segundo o pesquisador, o estudo revela um cardápio molecular imenso. A equipe já identificou cerca de 530 sequências genéticas e classes de enzimas na cana. Isso significa que há dezenas de outras “ferramentas” biológicas aguardando para serem testadas.
“Encontramos uma segunda enzima também muito promissora, cuja função é quebrar as pectinas. Ela ataca a lamela média: os cimentos entre as células. Quando essas estruturas são quebradas, as células começam a ficar soltas, e aí é que acontece a tal ‘cana papaia’. Fica bem mais fácil degradar a estrutura e obter os açúcares, o que impacta a produção de etanol de primeira e segunda geração”, diz Navarro.
Para Buckeridge, o sucesso do estudo reforça a tese de que enzimas “da casa” (da própria planta) conseguem decodificar e quebrar a estrutura da cana melhor do que os microrganismos. “É possível que essas enzimas de plantas que estamos ofertando no artigo tenham características que as enzimas de microrganismos não têm e que podem ser a chave para a alta eficiência da conversão de resíduos em produtos mais nobres. Pode ser que tenhamos descoberto um barril de ouro, mas até agora usamos uma moeda só.”
Um dos objetivos futuros mais ambiciosos do grupo é conseguir produzir um coquetel 100% vegetal customizado. “Analisando a composição bioquímica da biomassa da cana, é possível criar o coquetel enzimático mais adequado à sua hidrólise, o que aumentaria o rendimento da produção de etanol. Esperamos chegar a isso um dia”, afirma Navarro.
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