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12 de agosto de 2026

Business

Projeto da Embrapa amplia acesso à tecnologia para mais de 5 milhões de produtores

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Foto: reprodução/Planeta Campo

O avanço da transformação digital no campo passa pela democratização do acesso à tecnologia. Com esse objetivo, o projeto Semear Digital, liderado pela Embrapa Agricultura Digital e financiado pela Fundação Amparo a Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), desenvolve soluções em agricultura de precisão, automação e conectividade voltadas principalmente para pequenos, médios e agricultores familiares.

A iniciativa reúne instituições de pesquisa e parceiros para levar inovação a quem ainda enfrenta dificuldades de acesso às tecnologias digitais.

Criado em 2023, o Semear Digital surgiu para reduzir a desigualdade no acesso às ferramentas tecnológicas no meio rural. Segundo a pesquisadora da Embrapa Agricultura Digital, Luciana Alvim Romani, enquanto grandes produtores conseguem incorporar rapidamente novas soluções, pequenos e médios ainda esbarram em obstáculos como o alto custo da tecnologia, limitações de conectividade e baixo letramento digital.

“A tecnologia digital chega muito rápido para o grande produtor por uma série de razões. Uma delas é por conta do custo que a tecnologia tem. Os pequenos e médios são menos assistidos. Então a gente tem aí um gargalo, tem um desafio grande de pesquisa para levar essa tecnologia para esse público”, explicou Romani.

Atualmente, no Brasil, há em torno de 5 milhões de proprietários de áreas que estão no escopo de pequenas e médias propriedades. Para atender às necessidades desse segmento, os pesquisadores foram a campo ouvir os produtores antes de desenvolver as soluções tecnológicas.

Além da conectividade, outro desafio identificado foi o baixo letramento digital. O projeto passou a investir também em ações de treinamento, dias de campo e cursos voltados para o uso das ferramentas digitais.

Soluções adaptadas

O Semear Digital atua em quatro biomas brasileiros e adota diferentes modelos de conectividade conforme as características locais.

“O Brasil é muito grande, é um país continental, cada região, cada bioma tem sua particularidade. Então, esse foi um dos desafios que o projeto se impôs de trabalhar em vários biomas. Então, estamos em quatro biomas diferentes e lidando com dificuldades em relação à conectividade e buscando soluções”, destaca Romani.

Em áreas remotas, como a Ilha de Marajó (PA), o acesso à internet ocorre por meio de satélites, em parceria com o Ministério das Comunicações e a Telebras. Em outras regiões, são utilizadas redes via rádio ou conexões cabeadas.

Segundo os responsáveis pelo projeto, não existe uma solução única para todo o país. Cada território exige uma estratégia específica para garantir que a tecnologia chegue até o produtor.

Tecnologias para diferentes cadeias produtivas

As pesquisas contemplam diversas atividades desenvolvidas por pequenos produtores. Entre elas estão:

  • cafeicultura em São Paulo e Minas Gerais;
  • fruticultura;
  • pecuária leiteira;
  • açaí na Ilha de Marajó;
  • licuri no semiárido brasileiro;
  • piscicultura, com foco na produção de tilápia.

Segundo Romani, uma das soluções desenvolvidas é um aplicativo que auxilia piscicultores a identificar o momento ideal para realizar a despesca, aumentando a rentabilidade da atividade. A ferramenta utiliza inteligência artificial generativa por meio de um chatbot capaz de responder dúvidas dos produtores durante o manejo.

Expansão dentro e fora do Brasil

Inicialmente implantado em dez municípios brasileiros, o Semear Digital vem ampliando sua atuação. Novas regiões dos estados de São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo passaram a integrar o projeto, incluindo municípios localizados na bacia do Rio Doce.

A iniciativa também ultrapassou as fronteiras nacionais e começou a atuar em países do Cone Sul, como Paraguai, Uruguai, Chile e Argentina. Além disso, já existe uma parceria em desenvolvimento com Portugal e a expectativa é expandir futuramente para outros continentes, como a África.

Jovens e mulheres são prioridade

De acordo com Romani, outro foco do projeto é estimular a permanência dos jovens no campo, pesquisas realizadas pela equipe mostram que muitos não desejam seguir na atividade rural da mesma forma que seus pais, mas demonstram interesse quando há espaço para inovação e uso de tecnologias digitais.

Por isso, as ações de capacitação também priorizam jovens e mulheres, buscando fortalecer a agricultura familiar e reduzir um dos principais problemas enfrentados pelo setor: a escassez de mão de obra.

Próximos passos

O Semear Digital está em fase de expansão e pretende iniciar uma segunda etapa, com mais cinco anos de duração. Entre os objetivos estão ampliar o número de cadeias produtivas atendidas, transformar protótipos em produtos disponíveis comercialmente e fortalecer parcerias para acelerar a adoção das tecnologias no campo.

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Fertilizantes na soja: onde está o ganho de eficiência? Especialista da Yara Brasil explica

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Foto: Canal Rural/reprodução

Tem novo episódio do podcast Soja Brasil no ar! E você pode conferir o que Guilherme Schmitz, vice-presidente de Marketing e Agronomia da Yara Brasil, falou sobre eficiência na adubação e o uso dos fertilizantes como investimento para aumentar a produtividade e a rentabilidade no campo. O especialista comentou sobre a importância de avaliar o retorno de cada tecnologia utilizada na lavoura, considerando também os ganhos em produtividade, qualidade e eficiência operacional.

Durante o bate-papo, Guilherme destacou ainda a necessidade de personalizar as recomendações de fertilização de acordo com as características de cada solo e talhão. Segundo ele, um bom diagnóstico, o equilíbrio entre nutrientes, a correção do solo e o desenvolvimento do sistema radicular são fundamentais para melhorar o aproveitamento dos fertilizantes. O especialista também falou sobre tecnologias da Iara voltadas à nutrição, bioestimulação e tratamento de sementes.

Outro assunto abordado no episódio foi a preparação da lavoura para enfrentar eventos climáticos, como estiagens, veranicos e chuvas intensas. Guilherme explicou que uma planta bem estabelecida e com bom desenvolvimento radicular pode apresentar maior resiliência diante dessas condições.

Confira:

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Produtores de arroz seguram vendas à espera de R$ 80 por saca no RS

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Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

O mercado de arroz em casca no Rio Grande do Sul segue firme, sustentado pela menor disposição dos produtores para negociar e pela necessidade de compra das indústrias. Segundo análise do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a oferta reduzida de lotes limita a liquidez, enquanto compradores encontram dificuldades para recompor os estoques.

Os produtores permanecem cautelosos nas vendas e aguardam preços mais atrativos. De acordo com o Cepea, a expectativa está em valores próximos de R$ 80 por saca de 50 quilos, livre, patamar considerado mais compatível com a remuneração esperada pelos vendedores.

A postura retraída no campo contribui para sustentar as cotações do arroz em casca. Por outro lado, o repasse dessa valorização para o produto beneficiado ainda encontra resistência, o que limita a margem para avanços nas negociações ao longo da cadeia.

Indústrias enfrentam dificuldade para recompor estoques

Do lado comprador, a necessidade de reposição mantém as indústrias ativas no mercado. No entanto, a baixa disponibilidade interna de arroz dificulta a formação de estoques e aumenta a disputa pelos lotes colocados à venda.

O cenário ajuda a explicar também o movimento observado no comércio exterior, com aumento da entrada de produto estrangeiro no país.

Segundo o Cepea, as importações cresceram diante da necessidade das indústrias de recompor estoques, em um momento de oferta doméstica restrita.

Exportações de arroz recuam em julho

Enquanto as importações avançaram, as exportações brasileiras perderam força. Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) apontam redução nos embarques de arroz em julho, interrompendo uma sequência de dois meses consecutivos de forte crescimento.

Pesquisadores do Cepea relacionam esse movimento ao encerramento dos leilões promovidos pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e à valorização do arroz no mercado doméstico.

Com produtores resistentes em negociar aos preços atuais e indústrias ainda buscando matéria-prima, a disponibilidade de arroz no mercado interno permanece como um dos principais fatores de sustentação das cotações.

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Pedidos de recuperação judicial no agro crescem 22% no primeiro trimestre de 2026

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Foto: Freepik

O agronegócio brasileiro registrou 474 pedidos de recuperação judicial no primeiro trimestre de 2026, alta de 21,9% em relação às 389 solicitações contabilizadas no mesmo período do ano passado. Os dados fazem parte de levantamento da Serasa Experian e consideram produtores rurais pessoas físicas e jurídicas, além de empresas ligadas à cadeia do agro.

Segundo a empresa, o avanço ocorre em um cenário de crédito mais seletivo, custos de produção elevados e maior nível de alavancagem de parte dos produtores. Esses fatores têm pressionado o fluxo de caixa no campo.

Apesar do crescimento na comparação anual, o número de pedidos ainda permanece abaixo dos patamares mais elevados observados em meados de 2025.

Para Marcelo Pimenta, head de agronegócio da Serasa Experian, o comportamento dos pedidos ao longo dos próximos meses dependerá, entre outros fatores, da capacidade de geração de receita, das margens e das condições disponíveis para renegociação das dívidas.

“Renegociar e manter um planejamento financeiro deve ser prioridade enquanto a recuperação judicial precisa permanecer como o último recurso”, afirma.

Mato Grosso lidera pedidos de recuperação judicial no agro

Na divisão por estados, Mato Grosso liderou o país, com 135 pedidos de recuperação judicial entre janeiro e março. O levantamento considera, nesse recorte, as solicitações de produtores rurais pessoas físicas e jurídicas e de empresas relacionadas à cadeia do agronegócio.

Na sequência aparecem Goiás, Paraná e Mato Grosso do Sul.

Pedidos entre produtores rurais PJ disparam 73,5%

Os produtores rurais que atuam como pessoa jurídica (PJ) foram o grupo com maior número de solicitações no primeiro trimestre.

Foram contabilizados 196 pedidos, crescimento de 73,5% diante dos 113 registrados nos três primeiros meses de 2025. Foi também a maior alta anual entre os três perfis analisados.

O cultivo de soja concentrou 137 pedidos, enquanto a criação de bovinos apareceu em seguida, com 42 solicitações. Mato Grosso, Goiás e Mato Grosso do Sul lideraram o ranking estadual desse grupo.

Recuperação judicial cai entre produtores pessoa física

O movimento foi diferente entre os produtores rurais que atuam como pessoa física (PF). Foram registrados 182 pedidos de recuperação judicial entre janeiro e março, queda de 6,7% em relação aos 195 contabilizados no mesmo período de 2025.

Entre esses produtores, aqueles classificados como “sem propriedades” concentraram 60 solicitações. Segundo a metodologia do levantamento, esse grupo pode incluir arrendatários ou integrantes de grupos familiares e econômicos relacionados à atividade rural.

Os pequenos proprietários tiveram 44 pedidos, seguidos pelos grandes, com 41, e médios, com 37. Mato Grosso também liderou nesse recorte, seguido por Paraná e Goiás.

Empresas da cadeia do agro registram alta de 18,5%

As empresas com atividades relacionadas à cadeia do agronegócio apresentaram 96 pedidos de recuperação judicial no primeiro trimestre, avanço de 18,5% ante as 81 solicitações do mesmo período de 2025.

As agroindústrias de transformação primária responderam pelo maior volume, com 23 pedidos. Depois aparecem as indústrias de processamento de agroderivados, com 19, e os serviços de apoio à agropecuária, com 15.

Nesse grupo, Paraná, São Paulo e Mato Grosso foram os estados com maior número de solicitações.

Serasa aponta uso de inteligência artificial para avaliar riscos

A Serasa Experian afirma utilizar inteligência artificial e modelos preditivos para identificar antecipadamente mudanças no perfil financeiro de produtores e empresas do agronegócio.

Um dos instrumentos é o Agro Score, desenvolvido para considerar características específicas da atividade rural. Segundo a companhia, análises feitas com a ferramenta indicaram que o score médio dos produtores rurais pessoas físicas que posteriormente entraram com pedidos de recuperação judicial já era significativamente inferior ao da população rural em geral três anos antes da formalização do processo.

De acordo com Pimenta, a análise de informações específicas do setor pode ajudar a identificar diferentes níveis de risco e apoiar a concessão de crédito sem restringir de maneira generalizada o acesso a recursos.

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