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12 de agosto de 2026

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Produção recorde não impede avanço das dívidas no campo em Mato Grosso, afirma Aprosoja

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Mato Grosso aparece no topo do Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP) brasileiro, com R$ 213,5 bilhões, mas a liderança não afasta a pressão financeira enfrentada por produtores rurais. O número expressa o valor movimentado pela produção dentro das propriedades, mas não indica quanto sobra depois dos custos, juros e dívidas acumuladas.

A diferença entre produção e resultado financeiro ajuda a explicar um cenário que se repete em diferentes regiões do estado: propriedades com alta produção, mas com dificuldade para manter o fluxo de caixa e cumprir compromissos assumidos em safras anteriores.

Dados do Sicor/Banco Central apontam que Mato Grosso tinha, até abril de 2026, R$ 108,03 bilhões em carteira ativa de crédito rural. Desse total, R$ 21,78 bilhões estavam classificados como saldo problemático, reunindo operações em atraso, inadimplentes, prorrogadas ou renegociadas.

O volume inclui R$ 2,20 bilhões em operações em atraso, R$ 5,25 bilhões inadimplentes, R$ 2,58 bilhões prorrogados e R$ 11,76 bilhões renegociados.

O que o VBP não mostra

O VBP brasileiro chegou a R$ 1,4 trilhão em maio de 2026, conforme dados divulgados pelo Ministério da Agricultura e Pecuária. Mato Grosso respondeu por 15% desse valor, mantendo a liderança nacional.

O indicador é calculado com base no volume produzido e nos preços recebidos pelos produtores. Por isso, revela a dimensão econômica da atividade, mas não mede rentabilidade, capitalização ou capacidade de pagamento das propriedades.

Na prática, o VBP não desconta custos como juros, arrendamento, frete, armazenagem, tributos, investimentos, perdas climáticas ou dívidas acumuladas de safras anteriores. Ou seja, um VBP elevado, portanto, não significa que a atividade tenha gerado margem suficiente para cobrir todas essas despesas.

É nesse intervalo entre o valor bruto da produção e o que efetivamente permanece no caixa que se concentra parte da discussão sobre o endividamento rural em Mato Grosso, conforme a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja Mato Grosso). A produção segue elevada, mas o custo para mantê-la também aumentou, enquanto parte dos produtores ainda carrega compromissos financeiros de ciclos anteriores.

O diretor administrativo da Aprosoja Mato Grosso, Diego Bertuol, afirma que o acesso ao alongamento das dívidas tem sido um dos entraves.

“Mesmo com laudos técnicos, queda de preços, eventos climáticos e demonstração da capacidade de pagamento, muitos produtores encontram resistência na formalização dos alongamentos”, afirma Bertuol.

Mais custo, menos crédito

O aumento das despesas de produção é outro fator que pesa sobre a conta. Para a safra 2026/27, o custeio da soja em Mato Grosso deve chegar a R$ 4.315,29 por hectare, alta de 3,21% em relação ao ciclo anterior, conforme levantamento do Projeto Custo de Produção Agropecuário (CPA-MT), desenvolvido pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural em Mato Grosso (Senar-MT).

Fertilizantes e corretivos devem registrar alta de 5,40%, enquanto os defensivos agrícolas avançaram quase 11% na comparação com a safra anterior. O ponto de equilíbrio da atividade também subiu 9,13%, elevando a produtividade ou o preço necessário para que a produção se mantenha rentável.

Ao mesmo tempo, o crédito destinado à agricultura encolheu. Entre julho de 2025 e abril de 2026, as concessões para a agricultura, sem Pronaf e sem considerar CPR, caíram de R$ 258,2 bilhões para R$ 229,4 bilhões no país, redução aproximada de 11%.

A queda foi registrada justamente nas linhas mais ligadas ao funcionamento das propriedades. O custeio recuou 12%, o investimento caiu 25% e a comercialização teve redução de 20%. Juntas, as três modalidades tiveram diminuição de R$ 40,6 bilhões no período.

Bertuol observa que o volume anunciado no Plano Safra não corresponde, necessariamente, ao dinheiro que chega à produção. “O volume anunciado no Plano Safra 2025/2026 não reflete, necessariamente, o crédito que chega ao produtor”.

Dependência de recursos privados

Na soja, principal cultura de Mato Grosso, o financiamento da safra 2025/26 mostra uma participação maior de recursos privados. O sistema financeiro responde por 35,4% do funding, seguido pelas multinacionais, com 30,7%.

Os recursos próprios dos produtores representam 23,5% do financiamento. Já os bancos que operam recursos federais respondem por 5,1%, participação inferior à das revendas, que representam 5,3%.

Os dados indicam que o crédito rural oficial não acompanha, na mesma proporção, a necessidade de financiamento da produção. Com isso, frisa a Aprosoja Mato Grosso, produtores estão cada vez mais recorrendo ao sistema financeiro, às empresas que comercializam insumos e aos próprios recursos para sustentar o custeio.

O presidente da Aprosoja Mato Grosso, Lucas Costa Beber, avalia que a discussão precisa considerar o desequilíbrio entre custo, crédito, risco e receita. “A dificuldade está no desequilíbrio econômico da atividade: produzir custa cada vez mais, o crédito pesa no fluxo de caixa, os riscos climáticos aumentam e os preços recebidos nem sempre acompanham a elevação das despesas”.

Para ele, a reorganização das dívidas é necessária para preservar a capacidade de produção. “Medidas como o PL 5.122/2023 precisam avançar porque atacam o endividamento rural de forma estruturante. A proposta não pode ser tratada como simples custo fiscal. Ela reorganiza dívidas, viabiliza crédito e recompõe a capacidade de pagamento. Sem isso, ficam em risco a produção, a segurança alimentar e a sustentabilidade econômica da atividade rural”, pontua Beber.


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Fertilizantes na soja: onde está o ganho de eficiência? Especialista da Yara Brasil explica

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Foto: Canal Rural/reprodução

Tem novo episódio do podcast Soja Brasil no ar! E você pode conferir o que Guilherme Schmitz, vice-presidente de Marketing e Agronomia da Yara Brasil, falou sobre eficiência na adubação e o uso dos fertilizantes como investimento para aumentar a produtividade e a rentabilidade no campo. O especialista comentou sobre a importância de avaliar o retorno de cada tecnologia utilizada na lavoura, considerando também os ganhos em produtividade, qualidade e eficiência operacional.

Durante o bate-papo, Guilherme destacou ainda a necessidade de personalizar as recomendações de fertilização de acordo com as características de cada solo e talhão. Segundo ele, um bom diagnóstico, o equilíbrio entre nutrientes, a correção do solo e o desenvolvimento do sistema radicular são fundamentais para melhorar o aproveitamento dos fertilizantes. O especialista também falou sobre tecnologias da Iara voltadas à nutrição, bioestimulação e tratamento de sementes.

Outro assunto abordado no episódio foi a preparação da lavoura para enfrentar eventos climáticos, como estiagens, veranicos e chuvas intensas. Guilherme explicou que uma planta bem estabelecida e com bom desenvolvimento radicular pode apresentar maior resiliência diante dessas condições.

Confira:

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Produtores de arroz seguram vendas à espera de R$ 80 por saca no RS

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Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

O mercado de arroz em casca no Rio Grande do Sul segue firme, sustentado pela menor disposição dos produtores para negociar e pela necessidade de compra das indústrias. Segundo análise do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a oferta reduzida de lotes limita a liquidez, enquanto compradores encontram dificuldades para recompor os estoques.

Os produtores permanecem cautelosos nas vendas e aguardam preços mais atrativos. De acordo com o Cepea, a expectativa está em valores próximos de R$ 80 por saca de 50 quilos, livre, patamar considerado mais compatível com a remuneração esperada pelos vendedores.

A postura retraída no campo contribui para sustentar as cotações do arroz em casca. Por outro lado, o repasse dessa valorização para o produto beneficiado ainda encontra resistência, o que limita a margem para avanços nas negociações ao longo da cadeia.

Indústrias enfrentam dificuldade para recompor estoques

Do lado comprador, a necessidade de reposição mantém as indústrias ativas no mercado. No entanto, a baixa disponibilidade interna de arroz dificulta a formação de estoques e aumenta a disputa pelos lotes colocados à venda.

O cenário ajuda a explicar também o movimento observado no comércio exterior, com aumento da entrada de produto estrangeiro no país.

Segundo o Cepea, as importações cresceram diante da necessidade das indústrias de recompor estoques, em um momento de oferta doméstica restrita.

Exportações de arroz recuam em julho

Enquanto as importações avançaram, as exportações brasileiras perderam força. Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) apontam redução nos embarques de arroz em julho, interrompendo uma sequência de dois meses consecutivos de forte crescimento.

Pesquisadores do Cepea relacionam esse movimento ao encerramento dos leilões promovidos pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e à valorização do arroz no mercado doméstico.

Com produtores resistentes em negociar aos preços atuais e indústrias ainda buscando matéria-prima, a disponibilidade de arroz no mercado interno permanece como um dos principais fatores de sustentação das cotações.

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Pedidos de recuperação judicial no agro crescem 22% no primeiro trimestre de 2026

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Foto: Freepik

O agronegócio brasileiro registrou 474 pedidos de recuperação judicial no primeiro trimestre de 2026, alta de 21,9% em relação às 389 solicitações contabilizadas no mesmo período do ano passado. Os dados fazem parte de levantamento da Serasa Experian e consideram produtores rurais pessoas físicas e jurídicas, além de empresas ligadas à cadeia do agro.

Segundo a empresa, o avanço ocorre em um cenário de crédito mais seletivo, custos de produção elevados e maior nível de alavancagem de parte dos produtores. Esses fatores têm pressionado o fluxo de caixa no campo.

Apesar do crescimento na comparação anual, o número de pedidos ainda permanece abaixo dos patamares mais elevados observados em meados de 2025.

Para Marcelo Pimenta, head de agronegócio da Serasa Experian, o comportamento dos pedidos ao longo dos próximos meses dependerá, entre outros fatores, da capacidade de geração de receita, das margens e das condições disponíveis para renegociação das dívidas.

“Renegociar e manter um planejamento financeiro deve ser prioridade enquanto a recuperação judicial precisa permanecer como o último recurso”, afirma.

Mato Grosso lidera pedidos de recuperação judicial no agro

Na divisão por estados, Mato Grosso liderou o país, com 135 pedidos de recuperação judicial entre janeiro e março. O levantamento considera, nesse recorte, as solicitações de produtores rurais pessoas físicas e jurídicas e de empresas relacionadas à cadeia do agronegócio.

Na sequência aparecem Goiás, Paraná e Mato Grosso do Sul.

Pedidos entre produtores rurais PJ disparam 73,5%

Os produtores rurais que atuam como pessoa jurídica (PJ) foram o grupo com maior número de solicitações no primeiro trimestre.

Foram contabilizados 196 pedidos, crescimento de 73,5% diante dos 113 registrados nos três primeiros meses de 2025. Foi também a maior alta anual entre os três perfis analisados.

O cultivo de soja concentrou 137 pedidos, enquanto a criação de bovinos apareceu em seguida, com 42 solicitações. Mato Grosso, Goiás e Mato Grosso do Sul lideraram o ranking estadual desse grupo.

Recuperação judicial cai entre produtores pessoa física

O movimento foi diferente entre os produtores rurais que atuam como pessoa física (PF). Foram registrados 182 pedidos de recuperação judicial entre janeiro e março, queda de 6,7% em relação aos 195 contabilizados no mesmo período de 2025.

Entre esses produtores, aqueles classificados como “sem propriedades” concentraram 60 solicitações. Segundo a metodologia do levantamento, esse grupo pode incluir arrendatários ou integrantes de grupos familiares e econômicos relacionados à atividade rural.

Os pequenos proprietários tiveram 44 pedidos, seguidos pelos grandes, com 41, e médios, com 37. Mato Grosso também liderou nesse recorte, seguido por Paraná e Goiás.

Empresas da cadeia do agro registram alta de 18,5%

As empresas com atividades relacionadas à cadeia do agronegócio apresentaram 96 pedidos de recuperação judicial no primeiro trimestre, avanço de 18,5% ante as 81 solicitações do mesmo período de 2025.

As agroindústrias de transformação primária responderam pelo maior volume, com 23 pedidos. Depois aparecem as indústrias de processamento de agroderivados, com 19, e os serviços de apoio à agropecuária, com 15.

Nesse grupo, Paraná, São Paulo e Mato Grosso foram os estados com maior número de solicitações.

Serasa aponta uso de inteligência artificial para avaliar riscos

A Serasa Experian afirma utilizar inteligência artificial e modelos preditivos para identificar antecipadamente mudanças no perfil financeiro de produtores e empresas do agronegócio.

Um dos instrumentos é o Agro Score, desenvolvido para considerar características específicas da atividade rural. Segundo a companhia, análises feitas com a ferramenta indicaram que o score médio dos produtores rurais pessoas físicas que posteriormente entraram com pedidos de recuperação judicial já era significativamente inferior ao da população rural em geral três anos antes da formalização do processo.

De acordo com Pimenta, a análise de informações específicas do setor pode ajudar a identificar diferentes níveis de risco e apoiar a concessão de crédito sem restringir de maneira generalizada o acesso a recursos.

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