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24 de junho de 2026

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Produção recorde não impede avanço das dívidas no campo em Mato Grosso, afirma Aprosoja

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Mato Grosso aparece no topo do Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP) brasileiro, com R$ 213,5 bilhões, mas a liderança não afasta a pressão financeira enfrentada por produtores rurais. O número expressa o valor movimentado pela produção dentro das propriedades, mas não indica quanto sobra depois dos custos, juros e dívidas acumuladas.

A diferença entre produção e resultado financeiro ajuda a explicar um cenário que se repete em diferentes regiões do estado: propriedades com alta produção, mas com dificuldade para manter o fluxo de caixa e cumprir compromissos assumidos em safras anteriores.

Dados do Sicor/Banco Central apontam que Mato Grosso tinha, até abril de 2026, R$ 108,03 bilhões em carteira ativa de crédito rural. Desse total, R$ 21,78 bilhões estavam classificados como saldo problemático, reunindo operações em atraso, inadimplentes, prorrogadas ou renegociadas.

O volume inclui R$ 2,20 bilhões em operações em atraso, R$ 5,25 bilhões inadimplentes, R$ 2,58 bilhões prorrogados e R$ 11,76 bilhões renegociados.

O que o VBP não mostra

O VBP brasileiro chegou a R$ 1,4 trilhão em maio de 2026, conforme dados divulgados pelo Ministério da Agricultura e Pecuária. Mato Grosso respondeu por 15% desse valor, mantendo a liderança nacional.

O indicador é calculado com base no volume produzido e nos preços recebidos pelos produtores. Por isso, revela a dimensão econômica da atividade, mas não mede rentabilidade, capitalização ou capacidade de pagamento das propriedades.

Na prática, o VBP não desconta custos como juros, arrendamento, frete, armazenagem, tributos, investimentos, perdas climáticas ou dívidas acumuladas de safras anteriores. Ou seja, um VBP elevado, portanto, não significa que a atividade tenha gerado margem suficiente para cobrir todas essas despesas.

É nesse intervalo entre o valor bruto da produção e o que efetivamente permanece no caixa que se concentra parte da discussão sobre o endividamento rural em Mato Grosso, conforme a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja Mato Grosso). A produção segue elevada, mas o custo para mantê-la também aumentou, enquanto parte dos produtores ainda carrega compromissos financeiros de ciclos anteriores.

O diretor administrativo da Aprosoja Mato Grosso, Diego Bertuol, afirma que o acesso ao alongamento das dívidas tem sido um dos entraves.

“Mesmo com laudos técnicos, queda de preços, eventos climáticos e demonstração da capacidade de pagamento, muitos produtores encontram resistência na formalização dos alongamentos”, afirma Bertuol.

Mais custo, menos crédito

O aumento das despesas de produção é outro fator que pesa sobre a conta. Para a safra 2026/27, o custeio da soja em Mato Grosso deve chegar a R$ 4.315,29 por hectare, alta de 3,21% em relação ao ciclo anterior, conforme levantamento do Projeto Custo de Produção Agropecuário (CPA-MT), desenvolvido pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural em Mato Grosso (Senar-MT).

Fertilizantes e corretivos devem registrar alta de 5,40%, enquanto os defensivos agrícolas avançaram quase 11% na comparação com a safra anterior. O ponto de equilíbrio da atividade também subiu 9,13%, elevando a produtividade ou o preço necessário para que a produção se mantenha rentável.

Ao mesmo tempo, o crédito destinado à agricultura encolheu. Entre julho de 2025 e abril de 2026, as concessões para a agricultura, sem Pronaf e sem considerar CPR, caíram de R$ 258,2 bilhões para R$ 229,4 bilhões no país, redução aproximada de 11%.

A queda foi registrada justamente nas linhas mais ligadas ao funcionamento das propriedades. O custeio recuou 12%, o investimento caiu 25% e a comercialização teve redução de 20%. Juntas, as três modalidades tiveram diminuição de R$ 40,6 bilhões no período.

Bertuol observa que o volume anunciado no Plano Safra não corresponde, necessariamente, ao dinheiro que chega à produção. “O volume anunciado no Plano Safra 2025/2026 não reflete, necessariamente, o crédito que chega ao produtor”.

Dependência de recursos privados

Na soja, principal cultura de Mato Grosso, o financiamento da safra 2025/26 mostra uma participação maior de recursos privados. O sistema financeiro responde por 35,4% do funding, seguido pelas multinacionais, com 30,7%.

Os recursos próprios dos produtores representam 23,5% do financiamento. Já os bancos que operam recursos federais respondem por 5,1%, participação inferior à das revendas, que representam 5,3%.

Os dados indicam que o crédito rural oficial não acompanha, na mesma proporção, a necessidade de financiamento da produção. Com isso, frisa a Aprosoja Mato Grosso, produtores estão cada vez mais recorrendo ao sistema financeiro, às empresas que comercializam insumos e aos próprios recursos para sustentar o custeio.

O presidente da Aprosoja Mato Grosso, Lucas Costa Beber, avalia que a discussão precisa considerar o desequilíbrio entre custo, crédito, risco e receita. “A dificuldade está no desequilíbrio econômico da atividade: produzir custa cada vez mais, o crédito pesa no fluxo de caixa, os riscos climáticos aumentam e os preços recebidos nem sempre acompanham a elevação das despesas”.

Para ele, a reorganização das dívidas é necessária para preservar a capacidade de produção. “Medidas como o PL 5.122/2023 precisam avançar porque atacam o endividamento rural de forma estruturante. A proposta não pode ser tratada como simples custo fiscal. Ela reorganiza dívidas, viabiliza crédito e recompõe a capacidade de pagamento. Sem isso, ficam em risco a produção, a segurança alimentar e a sustentabilidade econômica da atividade rural”, pontua Beber.


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Brasil x Escócia: no agro, seleção brasileira dá goleada histórica sobre os britânicos

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Imagem gerada por IA para o Canal Rural

Nos gramados, o histórico dos embates entre Brasil e Escócia em Copas do Mundo não deixa dúvidas: a seleção brasileira é, sim, superior aos escoceses. Os dois países já se enfrentaram 4 vezes no principal torneio de futebol do planeta, com 3 vitórias do Brasil e 1 empate. No jogo do comércio global, o cenário também é amplamente favorável ao agronegócio nacional.

Em ritmo de ‘aquecimento’ para o confronto entre Brasil e Escócia nesta quarta-feira (24), às 19h, em Miami, nos Estados Unidos, confira os principais destaques que consolidam o agro brasileiro como o ‘craque do jogo’.

Goleada na balança comercial

Segundo dados oficiais do sistema Comex Stat, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), o Brasil fechou 2025 com US$ 4,04 bilhões em exportações para o Reino Unido, bloco comercial integrado pelos escoceses. O resultado garantiu um superávit de US$ 383,4 milhões.

E o ritmo de goleada continua em 2026: no primeiro trimestre deste ano, os embarques do agro para a região somaram US$ 92,13 milhões, um avanço expressivo de 9,5% frente ao ano passado.

Entre os principais produtos exportados, destaque para o complexo soja. Essa fatia de comércio oscila entre 35% e 45% de tudo o agro brasileiro envia para a região. Enquanto o Reino Unido tenta proteger sua pecuária local, os rebanhos britânicos dependem fortemente da soja em grão e do farelo.

Além da soja, o Reino Unido figura entre os destinos mais tradicionais para a carne de frango produzida no Brasil. Se destacam também as exportações de frutas frescas como manga, limão e melão.

O retrospecto em Copas do Mundo

Em Copas do Mundo, Brasil e Escócia não se enfrentam desde 1998 – último ano em que a seleção escocesa participou do torneio. Curiosamente, todos esses confrontos aconteceram válidos pela fase de grupos e o Brasil avançou de fase em todas as edições:

  • Alemanha Ocidental (1974): Brasil 0 x 0 Escócia
  • Espanha (1982): Brasil 4 x 1 Escócia
  • Itália (1990): Brasil 1 x 0 Escócia
  • França (1998): Brasil 2 x 1 Escócia

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Agro Mato Grosso

Incêndios em propriedades rurais: como o produtor deve agir para se proteger MT

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Além dos danos ambientais e econômicos, registro formal da ocorrência e produção de provas são fundamentais para resguardar o produtor de possíveis responsabilizações indevidas

Os incêndios em áreas rurais representam uma das maiores ameaças ao patrimônio, à produção agrícola e à preservação ambiental. Além dos prejuízos causados ao solo, às lavouras, aos animais e às estruturas das propriedades, o produtor rural também pode enfrentar questionamentos e processos relacionados à origem do fogo. Diante desse cenário, especialistas e produtores reforçam a importância de agir rapidamente após uma ocorrência para registrar os fatos e garantir proteção jurídica.

De acordo com o vice-coordenador da Comissão de Sustentabilidade da Aprosoja Mato Grosso, Nathan Belusso, ainda existe muita desinformação sobre a relação entre o produtor rural e as queimadas. Segundo ele, a ideia de que os incêndios são provocados, em sua maioria, pelos produtores não condiz com a realidade do campo.

“A agricultura brasileira sofre diariamente com desinformações e ataques infundados. Na questão das queimadas, uma das principais falácias é que o produtor seria responsável pela maioria dos incêndios. Na prática, o produtor é um dos maiores prejudicados, porque o fogo destrói a matéria orgânica do solo, compromete a fertilidade, reduz a produtividade e ainda coloca em risco lavouras, máquinas, animais e vidas humanas”, afirma.

Belusso destaca que muitos produtores investem em ações preventivas e estruturas de combate inicial ao fogo, como brigadas próprias, tanques de água, tratores e grades para contenção das chamas. Ainda assim, quando um incêndio atinge a propriedade, algumas medidas devem ser tomadas imediatamente.

A principal orientação é comunicar oficialmente os órgãos competentes e registrar a ocorrência por meio de um boletim de ocorrência (BO), detalhando o local, a data e as possíveis circunstâncias do incêndio. Outra medida recomendada é a elaboração de uma ata notarial em cartório, documento que registra formalmente a situação encontrada na propriedade após o incidente.

“É importante que o produtor faça o boletim de ocorrência e, se possível, solicite uma ata notarial para documentar os danos e as circunstâncias do incêndio. Isso ajuda a evitar acusações indevidas de crime ambiental e garante que ele tenha elementos para comprovar que também foi vítima da situação”, explica Belusso.

Segundo o representante da Aprosoja MT, muitos incêndios têm origem acidental ou natural, especialmente durante o período seco, quando as altas temperaturas, a baixa umidade e até mesmo a incidência de raios favorecem o surgimento de focos de fogo em áreas de vegetação.

Prejuízos que vão além da área queimada  

O delegado coordenador do Núcleo Vale do Guaporé da Aprosoja MT, Yuri Nunes Cervo, conhece de perto os impactos causados pelos incêndios. Em 2020, sua propriedade enfrentou um dos maiores incêndios já registrados na região, com chamas que avançaram por áreas de reserva e exigiram dias de combate intenso.

Segundo ele, o controle do fogo mobilizou praticamente toda a equipe da fazenda, que utilizou abafadores, bombas costais, caminhonetes com reservatórios de água e diversos equipamentos para tentar conter as chamas em uma área de mata fechada.

“Foram mais de três dias consecutivos de combate dentro da mata. O fogo avançava tanto pelas copas das árvores quanto pela camada de palhada acumulada no solo, o que dificultava identificar onde as chamas estavam se propagando. O calor, a fumaça e as mudanças constantes do vento tornavam a situação extremamente perigosa”, relata.

Além dos danos imediatos, Yuri destaca que o fogo compromete anos de investimentos em conservação do solo. Práticas como o cultivo consorciado, o uso de cobertura vegetal, a integração com a pecuária e a aplicação de insumos biológicos perdem grande parte da sua eficiência quando a matéria orgânica é consumida pelas chamas.

“Quando o fogo atinge uma área produtiva, ele destrói todo um trabalho realizado para melhorar a qualidade do solo. São perdas relacionadas à matéria orgânica, à microbiota, à ciclagem de nutrientes, ao armazenamento de umidade e a diversos outros fatores que influenciam diretamente a produtividade”, explica.

Além dos prejuízos econômicos, ele ressalta os riscos à segurança dos trabalhadores, dos animais e das estruturas da propriedade, como alojamentos, residências e galpões.

Documentação pode evitar problemas futuros  

Para os produtores, os danos provocados pelo fogo muitas vezes não terminam quando as chamas são controladas. Em alguns casos, mesmo sendo vítima da situação, o proprietário pode enfrentar questionamentos ou investigações sobre a origem do incêndio.

Por isso, é recomendado que o produtor reúna o máximo possível de informações e evidências logo após a ocorrência. Fotografias, vídeos, registros da atuação das equipes de combate, testemunhos e documentos oficiais podem ser fundamentais para demonstrar a origem do incêndio e as medidas adotadas para conter o avanço das chamas.

“Além de lidar com os prejuízos causados pelo fogo, o produtor precisa se preocupar com a segurança jurídica. Registrar os fatos e manter toda a documentação organizada é essencial para comprovar que ele adotou as medidas necessárias e que também foi afetado pela ocorrência”, ressalta Belusso.

Yuri lembra ainda que a prevenção continua sendo a principal ferramenta para reduzir riscos. Segundo ele, produtores rurais têm investido constantemente em capacitação, treinamento de brigadas, integração com o Corpo de Bombeiros e disponibilização de equipamentos para o combate aos incêndios.

“O produtor é o maior interessado em preservar tanto as áreas produtivas quanto as áreas de reserva. Por isso, participa de cursos, mantém contato direto com os órgãos de combate ao fogo e investe em ações preventivas. A preservação é uma necessidade para quem vive da terra”, conclui.

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Agro Mato Grosso

MT supera 20% da colheita de milho e mantém avanço safra 25/26

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A colheita do milho da safra 2025/26 em Mato Grosso alcançou 20,86% da área projetada para o estado. Os dados constam no novo boletim do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), publicado na segunda-feira (22), e apontam que os trabalhos no campo avançaram 9,57 pontos percentuais (p.p.) na terceira semana de junho, mantendo Mato Grosso à frente do ritmo registrado no mesmo período da safra passada, quando o percentual colhido era de 14,08%.

De acordo com o Imea, o avanço da colheita se deve às condições climáticas observadas ao longo das últimas semanas, que têm permitido o andamento das operações nas principais regiões produtoras.

O Médio-Norte de Mato Grosso lidera a colheita, entre as regiões, com 29,92% da área já retirada das lavouras. Na outra ponta está a região Sudeste, que registra 5,48% da área colhida.

“Essas safras e regiões foram os principais pontos de atenção ao longo de todo o desenvolvimento. As regiões Sudeste e Nordeste apresentaram impactos decorrentes de uma colheita mais tardia da soja e, consequentemente, de uma semeadura também mais tardia do milho. Ainda assim, são regiões que vêm apresentando bom potencial produtivo”, afirmou Milena Bezerra, analista de mercado no Imea.

Ainda segundo Milena, o Médio-Norte se destaca com quase 30% de toda a área colhida, pois a região é tanto influenciada pela semeadura, que começa primeiro, como também pela capacidade operacional.

Produção estimada

De acordo com o último levantamento do Imea, a produtividade média do milho é de 120,28 sacas por hectare. Em fevereiro, março e abril, a estimativa de produtividade era de 116,61 sacas por hectare. Em maio, o índice subiu para 118,71 sacas por hectare. Já a produção estimada à atual safra está em 53,35 milhões de toneladas.

Outro destaque é a consolidação da expectativa de uma das maiores safras de milho da história de Mato Grosso na safra 25/26. Isso porque a área cultivada foi mantida em 7,39 milhões de hectares.

Enquanto isso, a comercialização do milho ocorre em ritmo mais moderado nas lavouras mato-grossenses. Dados do boletim mostram que, até a terceira semana de junho, os produtores negociaram 47,32% da produção estimada da safra 25/26. O resultado representa avanço em relação aos meses anteriores, quando o índice era de 31,02% em fevereiro, 34,33% em março, 39,51% em abril e 45,84% em maio.

Em relação à safra 2026/27, mais de 4,50% da produção de milho estimada para o próximo ciclo já foi comercializada. A venda antecipada mostra uma evolução observada no último quadrimestre. Em fevereiro, o percentual era de 0,05%, passando para 0,60% em março, 1,55% em abril e 2,69% em maio. (com Assessoria/IMEA)

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