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23 de junho de 2026

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USDA mantém estáveis as condições das safras de milho e soja nos EUA

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O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) informou, na segunda-feira (22), que as condições das safras de milho e soja no país permaneceram estáveis até o último domingo. Segundo o relatório semanal, 68% do milho e 66% da soja estavam em condição boa ou excelente, sem mudança em relação à semana anterior.

No milho, o USDA apontou que 68% da safra apresentava condição boa ou excelente, ante 70% um ano antes. A emergência atingiu 97% da área, em linha com o registrado na mesma época de 2025 e com a média dos cinco anos anteriores. A formação de espiga chegou a 5%, acima dos 4% de um ano antes e dos 3% da média de cinco anos.

Na soja, a semeadura foi concluída na última semana. De acordo com o USDA, 66% da safra estava em condição boa ou excelente, mesma parcela da semana anterior e também igual à observada há um ano. A emergência alcançou 93%, ante 89% em 2025 e 90% na média de cinco anos. O porcentual de lavouras em floração foi de 9%, acima dos 7% de um ano antes e dos 6% da média.

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No trigo de inverno, 26% da safra apresentava condição boa ou excelente, recuo de 1 ponto porcentual na semana e abaixo dos 49% registrados um ano antes. A colheita avançou para 40%, ante 18% no ano passado e 24% na média de cinco anos.

Para o trigo de primavera, o USDA indicou que 54% da safra estava em condição boa ou excelente, queda de 1 ponto porcentual ante a semana anterior e mesmo nível de um ano antes. O porcentual de lavouras em perfilhamento foi de 16%, contra 15% em 2025 e 16% na média de cinco anos.

No algodão, os produtores haviam semeado 92% da área prevista até o último domingo, ante 91% um ano antes e 94% na média quinquenal. A floração atingiu 27%, acima dos 25% observados tanto no ano passado quanto na média. Já a formação de maçãs estava em 5%, em linha com os dois comparativos. A parcela de lavouras em condição boa ou excelente subiu 3 pontos porcentuais na semana, para 53%, acima dos 47% de um ano antes.

O relatório semanal do USDA mostra estabilidade nas lavouras de milho e soja nos Estados Unidos, avanço no desenvolvimento das culturas de verão e continuidade da colheita do trigo de inverno, além de melhora nas condições do algodão.

Fonte: Estadão Conteúdo

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Imea integra rede global e vai comparar custos de Mato Grosso com produtores dos EUA

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Foto: Sistema Famato

Os custos de produção agrícola de Mato Grosso passaram a integrar uma base de dados internacional que permite a comparação direta de rentabilidade entre propriedades locais e concorrentes globais. Os primeiros indicadores enviados são do município de Querência e marcam a entrada do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) no Agri Benchmark, oficializada neste mês de junho.

A instituição mato-grossense é a segunda do Brasil a fazer parte da rede global, que centraliza análises econômicas e de sistemas de cultivo. Os números utilizados na plataforma internacional são apurados por meio do projeto de Custo de Produção Agropecuária (CPA), mantido em parceria com o Senar MT.

Para viabilizar o envio dos dados, as planilhas locais passaram por ajustes metodológicos recentes. A mudança foi necessária para alinhar o modelo de cálculo do estado aos critérios padrão adotados pelos demais países membros da rede.

Com a padronização, os analistas locais conseguem confrontar os gargalos e as vantagens competitivas da produção regional frente aos principais players do mercado exterior.

Comparação direta com o mercado americano

Segundo o coordenador de inteligência de mercado do Imea, Rodrigo da Silva, as metodologias já eram compatíveis, mas o alinhamento agora permite que o estado fale a mesma linguagem de instituições de diversos países. Ele pontua que isso viabiliza análises mais precisas sobre competitividade e rentabilidade.

Na prática, o intercâmbio de dados permite avaliar a diferença real de custos operacionais entre as regiões produtoras brasileiras e os principais competidores globais.

Silva exemplifica que o sistema possibilita balizar o cenário local diretamente com a realidade norte-americana. “Agora podemos comparar, por exemplo, a competitividade de um produtor de Querência com a de um produtor do Mississippi, nos Estados Unidos, utilizando exatamente os mesmos critérios de análise”, destacou.

Acesso a dados de concorrentes estrangeiros

A contrapartida da adesão é a abertura do banco de dados dos demais países membros para os analistas do estado. No último encontro do grupo, em Budapeste, na Hungria, foram compartilhados relatórios de custos de produção de grãos, mercado de etanol e novos métodos de cultivo adotados no exterior.

Criado em 2006, o Agri Benchmark funciona como uma plataforma de comparação internacional de desempenho e custos. O superintendente do Imea, Cleiton Gauer, avalia que o ingresso leva dados regionais para um ambiente global de discussão. Para ele, o processo “demonstra a credibilidade dos nossos levantamentos e reforça o protagonismo do estado no cenário agrícola internacional”.

O cruzamento de dados deve ser utilizado para identificar oscilações de margens de lucro e concorrência no exterior antes que elas impactem o mercado local.

Gauer conclui que o acesso a informações de diversas regiões produtoras do mundo “amplia nossa capacidade de análise, permite identificar tendências e fortalece ainda mais a qualidade dos estudos que entregamos”.


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Brasil concentra 78% das agtechs da América Latina, aponta levantamento inédito da Embrapa

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Foto: Freepik

O Brasil abriga quase oito em cada dez startups voltadas ao agronegócio da América Latina e do Caribe. É o que revela a primeira edição do Radar Agtech América Latina e Caribe (LAC), levantamento coordenado pela Embrapa que identificou 2.656 agtechs em 23 países da região. Desse total, 2.075 estão no Brasil, o equivalente a 78% das empresas mapeadas.

O estudo será lançado nesta terça-feira (23), durante o World Agri-Tech South America Summit, em São Paulo, e estará disponível gratuitamente em português, espanhol e inglês.

Realizado em parceria com o Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA), Homo Ludens e SP Ventures, o levantamento amplia a metodologia utilizada pelo Radar Agtech Brasil e, pela primeira vez, analisa o ecossistema de inovação agropecuária em toda a América Latina e o Caribe.

Além da liderança brasileira, o levantamento mostra que Argentina (158 agtechs), México (110), Chile (91), Colômbia (79) e Uruguai (74) aparecem na sequência entre os países com maior número de startups do setor.

Segundo o analista da Embrapa Agricultura Digital e um dos autores do estudo, Aurélio Favarin, os resultados mostram que o ecossistema regional está em processo de consolidação.

“Os dados demonstram que a América Latina e o Caribe estão passando por um processo consistente de amadurecimento do ecossistema de inovação agropecuária”, afirma.

Apesar disso, o estudo aponta que dez dos 33 países da América Latina e do Caribe não registraram nenhuma agtech. De acordo com os pesquisadores, fatores como pequena extensão territorial, baixa população, reduzida atividade agropecuária e limitações na obtenção de dados ajudam a explicar esse cenário.

Soluções digitais dominam o setor

Pela primeira vez, o Radar também identificou as cadeias produtivas atendidas pelas startups da região.

A maioria das empresas atua em múltiplos segmentos do agro. Entre as cadeias específicas, os cultivos agrícolas concentram o maior número de startups, com 751 empresas, seguidos pela pecuária de corte (136), horticultura e fruticultura (88) e silvicultura (84).

O estudo mostra ainda que as soluções digitais são o principal foco das agtechs latino-americanas.

Ao todo, 1.404 startups oferecem tecnologias como softwares de gestão, sensores, drones, plataformas digitais e ferramentas de inteligência artificial voltadas ao agronegócio. Em seguida aparecem as soluções físico-químicas (403) e biológicas (374).

Tecnologias estão concentradas “dentro da porteira”

Outra conclusão do levantamento é que a maior parte das startups desenvolve soluções voltadas para o ambiente produtivo, ou seja, “dentro da porteira”.

As tecnologias são direcionadas principalmente para aumentar a eficiência operacional, melhorar a gestão das propriedades rurais, apoiar o monitoramento das lavouras e rebanhos e auxiliar a tomada de decisão dos produtores.

Para o coordenador de Digitalização Agroalimentar do IICA, Federico Bert, o levantamento servirá como referência para fortalecer o ecossistema de inovação em toda a região.

Segundo ele, conhecer o estágio de desenvolvimento das agtechs é fundamental para estimular investimentos, criar conexões entre os países e acelerar a adoção de novas tecnologias no agronegócio latino-americano.

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Profert fortalece bioinsumos e impulsiona liderança global do Brasil, aposta Abinbio

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Foto: Guilherme Soares/Canal Rural BA

O Programa de Desenvolvimento da Indústria de Fertilizantes (Profert) representa uma resposta legislativa mais estruturante para enfrentar a vulnerabilidade crônica do agro brasileiro: a dependência externa de 85% dos fertilizantes consumidos no país. Essa é a avalição do diretor da Associação Brasileira de Indústrias de Bioinsumos (Abinbio), Mauro Heringer.

Segundo ele, que baseia sua opinião no PL 699/2023 (Substitutivo da Câmara dos Deputados, de 27 de maio) e no Informativo Regulatório Auro Ruschel Advogados Associados, o problema, sujeito a choques geopolíticos, cambiais e logísticos sempre foi tratada com medidas pontuais de suspensão tributária.

O executivo acredita que o fator a tornar o Profert estratégico é a mudança de paradigma: o PL 699/2023 substitui o modelo reativo de desonerações fiscais sobre tributos que serão extintos pela Reforma Tributária (PIS/Cofins, IPI) por uma política industrial ancorada em cinco instrumentos complementares:

  1. Mistura compulsória: cria mercado cativo com percentuais obrigatórios de insumo nacional (2% em jul/2027, escalonando para 10-30% até 2037);
  2. Crédito fiscal estrutural: até 20% dos custos produtivos, com capacidade de R$ 10 bilhões em cinco anos;
  3. Fundo de Estímulo à Produção Nacional de Fertilizantes (FPNF): garantias, contratos de diferença e fomento a P&D;
  4. Linhas BNDES: financiamento reembolsável para expansão e modernização fabril;
  5. Isenção de AFRMM: desoneração logística para projetos habilitados.

“Pela primeira vez, o setor de bioinsumos é colocado no centro da política industrial do país, enquanto fertilizantes químicos convencionais e defensivos foram expressamente excluídos do programa. A meta explícita é reduzir a dependência externa para 45% até 2050. Trata-se do marco regulatório mais relevante para o setor desde a Lei de Bioinsumos”, considera.

De acordo com Heringer, a inclusão é o diferencial mais relevante do texto aprovado e representa uma quebra de paradigma regulatório. “Até o Profert, os bioinsumos eram tratados como externalidade positiva no marco legal de fertilizantes, quando muito, menção lateral em políticas focadas em insumos químicos. O PL 699/2023 inverte essa lógica.”

Assim, bioinsumos, biofertilizantes e remineralizadores são nominalmente incluídos nos artigos 1º e 2º do substitutivo como beneficiários centrais da política, enquanto os defensivos químicos convencionais foram excluídos.

Para o diretor da Abinbio, três implicações estratégicas decorrem disso:

  1. Sinalização regulatória clara: o Estado brasileiro está direcionando R$ 10 bilhões em subsídios para a indústria de base biológica, orientando investimento privado, P&D e posicionamento de mercado com previsibilidade jurídica e econômica.
  2. Mercado compulsório e crescente: a mistura obrigatória de produto nacional (2% em 2027, 10% a 30% em 2037) cria uma demanda cativa que independe de ciclos econômicos ou preferências de compra. Grandes distribuidores, cooperativas e tradings precisarão adquirir bioinsumos nacionais. A discussão passa de “se” para “de quem”.
  3. Vantagem competitiva estrutural: as contrapartidas socioambientais obrigatórias do programa (redução de GEE, eficiência energética, desenvolvimento local) são atributos intrínsecos dos bioinsumos. Enquanto produtores convencionais precisarão adaptar operações para se qualificar, a indústria de bioinsumos já nasce habilitada. “O programa não exige que o setor biológico mude, ele premia o que o setor já é”, considera.

Como as empresas se beneficiam

O Profert estrutura cinco mecanismos financeiros que operam de forma combinada e cumulativa. Heringer destaca:

  1. Crédito Fiscal Estrutural: crédito de até 20% dos dispêndios com produção nacional, apurado via CSLL, com limite global de R$ 2 bilhões/ano (R$ 10 bilhões no horizonte do programa). O acesso é competitivo: a empresa precisa apresentar projeto habilitado junto ao MAPA e competir dentro do limite anual.
  2. Fundo de Estímulo à Produção Nacional de Fertilizantes (FPNF): fundo público contábil que oferece três modalidades de suporte: (i) garantias para projetos de investimento, reduzindo o custo de capital; (ii) contratos de diferença que protegem a margem contra volatilidade de preços internacionais; (iii) recursos não-reembolsáveis para P&D.
  3. Financiamento BNDES: linhas dedicadas para construção, reativação, expansão e modernização de plantas industriais, com condições diferenciadas de prazo e taxa para projetos enquadrados no Profert.
  4. Isenção de AFRMM: desoneração do Adicional ao Frete para Renovação da Marinha Mercante para insumos e equipamentos importados destinados a projetos aprovados, com limite de R$ 200 milhões/ano entre 2027 e 2031.
  5. Crédito Emergencial de Transição: R$ 1 bilhão já disponível para o exercício de 2026, com janela de submissão entre outubro e dezembro de 2026, para mitigar custos imediatos antes da entrada em vigor do programa regular.
  6. Pontos de atenção obrigatórios para as empresas: lucro Real é condição eliminatória — empresas no Simples Nacional estão expressamente vedadas; habilitação prévia no MAPA é mandatória e deve ser iniciada até agosto/setembro de 2026; contrapartidas socioambientais — mitigação de GEE, eficiência energética e diálogo com comunidades — são pré-requisitos de elegibilidade, não meras recomendações.

O que esperar do futuro

O diretor da Abinbio destaca que as projeções para o futuro da indústria dos bioinsumos com o Profert apoiam-se em três eixos: escalonamento regulatório, dinâmica de mercado e posicionamento geopolítico do Brasil.

Assim, no curto prazo, entre 2027 e 2029, a obrigatoriedade de 2% de mistura nacional a partir de julho de 2027 já representa um mercado mínimo estimado em centenas de milhões de reais para bioinsumos nacionais.

“Empresas habilitadas antes da concorrência capturarão contratos de cota com distribuidores e cooperativas, estabelecendo posicionamento preferencial que se consolida nessa fase. O crédito emergencial de R$ 1 bilhão, concedido em 2026, funciona como antecipação de capital para essa estruturação”, detalha.

Já no médio prazo, entre 2030 e 2033, o percentual obrigatório escala para a faixa de 10-30%, com a indústria de bioinsumos já tendo capacidade instalada expandida via financiamento BNDES e acesso ao FPNF para P&D.

“Nesse estágio, projeta-se consolidação de fornecedores nacionais como players dominantes no mercado cativo; redução mensurável da dependência externa; e atração de investimento estrangeiro direto para plantas de bioinsumos no Brasil”, pontua Heringer.

Por fim, no longo prazo, abrangendo o período de 2034 a 2037, com a cota estabilizada em 10-30%, o setor de bioinsumos brasileiro deve estar consolidado como referência global em tecnologias biológicas para agricultura tropical.

Com isso, o executivo afirma que o horizonte projeta a exportação de modelo e tecnologia, com o arcabouço regulatório brasileiro servindo de referência para outros países. “Além disso, um efeito de ‘arrasto’ sobre toda a cadeia, com laboratórios de pesquisa, provedores de logística especializada, engenharia de processos biológicos; e descarbonização mensurável da agricultura brasileira — com impacto direto na precificação de commodities verdes no mercado internacional.”

Segundo os dados da Abinbio, o Brasil saltou de oito empresas com produtos biológicos registrados em 2014 para 53 em 2024. “Com o Profert, esse vetor de crescimento ganha não apenas aceleração, mas previsibilidade estrutural.”

Com isso, Heringer acredita que a pergunta para o mercado não é mais se o setor vai crescer, mas sim quem estará posicionado quando a curva de adoção atingir o patamar compulsório.

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