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Clima extremo acelera busca por sementes mais resistentes e novas tecnologias para o agro

Secas prolongadas, excesso de chuvas, ondas de calor e fenômenos climáticos mais intensos estão acelerando uma corrida por inovação dentro do agronegócio. Em um cenário de clima cada vez mais imprevisível, empresas de sementes e biotecnologia têm direcionado investimentos para desenvolver cultivares mais resistentes e ferramentas capazes de aumentar a resiliência das lavouras.
O desafio vai além do controle de pragas, doenças e plantas daninhas. A preocupação agora é como garantir produtividade diante de condições climáticas que mudaram significativamente nos últimos anos e que devem continuar impactando a agricultura brasileira.
As previsões para a próxima safra reforçam essa preocupação. A expectativa de um novo ciclo de El Niño e os reflexos já observados em diferentes regiões produtoras colocam o clima entre os principais fatores de risco para o produtor rural.
A presença das principais empresas de genética e biotecnologia durante a Feira Brasileira de Sementes (Febrasem), realizada em Rondonópolis na última semana, abriu espaço para discutir um desafio que vem ganhando peso dentro das propriedades rurais: a adaptação da produção agrícola às mudanças climáticas.
Enquanto novas tecnologias são desenvolvidas, a qualidade da semente continua sendo apontada como um dos principais fatores para reduzir riscos na instalação da lavoura. Presidente da Associação dos Produtores de Sementes de Mato Grosso (Aprosmat), Nelson Croda lembra que as previsões indicam um novo ciclo marcado pelo El Niño.
“O El Niño pelas previsões é para ser bastante rigoroso nesta safra. Então, antes de mais nada, o cuidado principal que a Aprosmat tem é garantir uma semente de alta qualidade e isso pode fazer a diferença com as adversidades climáticas”.
Segundo ele, embora não seja possível controlar o clima, uma boa implantação da lavoura aumenta as chances de sucesso da produção. “A semente é o pontapé inicial. Iniciando uma lavoura com uma semente de alta qualidade, você garante o estande e garante o sucesso da lavoura”.
Genética ganha protagonismo
Uma das estratégias adotadas pela indústria para enfrentar os impactos climáticos é ampliar a diversidade genética disponível ao produtor. A ideia é reduzir a dependência de um único material e distribuir melhor os riscos dentro da propriedade.
Diretor comercial da Bayer, Fábio Passos explica ao Canal Rural Mato Grosso que diferentes variedades respondem de formas distintas aos eventos climáticos e podem ajudar a preservar parte do potencial produtivo da lavoura.
“Se eu plantar a mesma variedade naquela área inteira, e aquela variedade pega um momento que ela não enche grão, que ela fica mal, ela perde produtividade. A nossa discussão é primeiro como que eu trago um pacote com mais diversidade”.
De acordo com Passos, essa estratégia já está sendo colocada em prática. “De Intacta 2 Xtend, a gente vai ter mais de 400 variedades no Brasil inteiro lançadas. Se a gente faz um paralelo do passado, a soja RR teve 40 variedades”.
A busca por materiais mais adaptados também faz parte dos programas de melhoramento genético da BASF. Conforme o vice-presidente da empresa, Marcelo Batistela, as características relacionadas à tolerância ao calor e ao déficit hídrico já estão incorporadas às pesquisas.
“Dentro dos nossos programas, a gente coloca características nas plantas que ajudam a mitigar um clima muito extremo, ou de alta temperatura, ou de períodos muito longos com déficit hídrico”.
Na Syngenta, o trabalho segue a mesma direção. Diretor comercial da Syngenta Seeds no Brasil, Frederico Barreto destaca que a agricultura tropical exige respostas rápidas da pesquisa diante das constantes mudanças climáticas. “O clima se tornou bastante complexo. Nós temos visto uma variação bastante grande de um ciclo para o outro. Tivemos a La Niña, vamos agora para um super El Niño provavelmente”.
Uma das respostas da empresa tem sido o desenvolvimento de materiais mais precoces. “A gente trouxe mais variedades super precoces para que ele possa ter o ciclo mais curto e fugir desses desafios climáticos e se adaptar em várias regiões”, frisa Barreto.
Corrida para acelerar a inovação
Além da genética, as empresas trabalham para reduzir o tempo entre a descoberta de uma tecnologia e sua chegada ao campo.
O diretor comercial da Bayer pontua que o desenvolvimento de uma nova biotecnologia pode levar cerca de 15 anos entre as pesquisas iniciais e a disponibilização comercial ao produtor. Por isso, a indústria busca formas de acelerar esse processo. “O que a gente tem visto também é como encurta esse prazo para chegar com a tecnologia mais cedo. Porque a hora que eu vejo o desafio, até conseguir trazer são 15 anos”.
Segundo ele, uma das iniciativas da Bayer foi transferir parte desse desenvolvimento para o Brasil, aproximando a pesquisa das condições reais encontradas nas lavouras nacionais.
Ao mesmo tempo, novas ferramentas de edição genética vêm ganhando espaço. Para Barreto, a tecnologia permitirá identificar com mais precisão características ligadas à tolerância ao estresse hídrico e às altas temperaturas.
“Nós temos seleção de materiais mais tolerantes aos estresses hídricos, às temperaturas mais altas também, que é uma recorrência”, salienta em entrevista ao Canal Rural Mato Grosso.
O representante da Syngenta ressalta que a edição genética pode acelerar a incorporação dessas características aos programas de melhoramento. “A gente espera que nos próximos anos a resposta da indústria seja mais acelerada e assim a gente fique preparada para responder mais rápido a isso”.
Tecnologia também passa pela informação
Outra frente considerada estratégica é o uso de ferramentas digitais para melhorar a tomada de decisão dentro da propriedade.
Na avaliação de Marcelo Batistela, da BASF, a agricultura digital pode ajudar o produtor a antecipar cenários e ajustar manejos ao longo da safra. “Uma terceira frente que talvez seja uma mais moderna agora e que vai ajudar o agricultor também mais para frente é na digitalização da agricultura, com modelos climáticos que ajudam primeiro a ter uma previsibilidade um pouco melhor”.
O executivo lembra que o Brasil possui vantagens competitivas por operar em um ambiente tropical, com possibilidade de mais de uma safra por ano. Em contrapartida, essa condição também aumenta a exposição às variações climáticas. “O lado positivo é a gente ter a intensificação e conseguir fazer mais de duas safras por ano. O lado desafiador é como a gente continua fazendo cada vez mais, com menos recursos e de maneira mais resiliente”.
Com previsões de um novo ciclo de El Niño e a expectativa de eventos climáticos cada vez mais frequentes, a busca por plantas mais resistentes, ferramentas digitais e tecnologias capazes de reduzir riscos deve continuar no centro dos investimentos da indústria. Para o setor, adaptar a produção a um clima em transformação deixou de ser uma tendência para se tornar uma necessidade.
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Oito mitos e verdades que todo consumidor deveria conhecer sobre azeite

Os azeites virgens e extra virgens concentram compostos fenólicos, propriedades antioxidantes benéficas à saúde humana. De acordo com a coordenadora de nutrição e dietética do São Cristóvão Saúde, Cintya Bassi, o produto é rico em gorduras monoinsaturadas, particularmente o ácido oleico (ômega 9), além de conter ômega 6 e ômega 3.
“Esses ácidos graxos são benéficos para a saúde cardiovascular, ajudando a melhorar o perfil lipídico, aumentar o colesterol bom (HDL) e reduzir o colesterol ruim (LDL). Além disso, o azeite é repleto de antioxidantes, como o hidroxitirosol, que exerce uma ação protetora no coração e no cérebro. Ele também é uma rica fonte de vitaminas E e K e esteróis vegetais, que auxiliam no controle do colesterol”, afirma a especialista.
O produto está cada vez mais presente no dia a dia do prato dos brasileiros. Segundo o Conselho Oleícola Internacional (IOC), o Brasil importou 80.768 toneladas de azeite na safra 2024/25, respondendo por cerca de 9% das importações mundiais e 3,1% do consumo global. Entre outubro de 2025 e março de 2026, as importações cresceram 40,5% na comparação com o mesmo período da safra anterior.
O diretor da Filippo Berio no Brasil, Eduardo Casarin, ressalta que o azeite é um ingrediente que reúne atributos nutricionais e gastronômicos. “O ácido oleico e os compostos fenólicos estão entre os componentes que despertam o interesse da ciência, enquanto o aroma, o sabor, o amargor e a picância ajudam a definir a experiência à mesa. Entender essas características é uma forma de fazer escolhas mais conscientes e aproveitar melhor o produto no dia a dia”, afirma.
Com o aumento do consumo e da oferta, também crescem as dúvidas sobre como escolher, utilizar e conservar o azeite. Confira alguns mitos e verdades:
“O azeite é fonte de gordura monoinsaturada”
VERDADE
O ácido oleico é o principal ácido graxo do azeite e está associado a um perfil de gordura considerado favorável dentro de uma alimentação equilibrada.
VERDADE
Os compostos fenólicos estão presentes nos azeites virgens e extra virgens, obtidos diretamente das azeitonas por processos exclusivamente mecânicos. Esses compostos bioativos são estudados por suas propriedades antioxidantes, e sua concentração pode variar de acordo com fatores como a variedade da azeitona, o estágio de maturação e as condições de produção e armazenamento.
“Quanto mais picante, melhor o azeite”
MITO
Amargor e picância são características sensoriais que podem estar relacionadas à presença de compostos fenólicos, mas não são, isoladamente, indicadores de qualidade.
“O azeite pode ser usado para cozinhar”
VERDADE
O azeite pode ser utilizado em diferentes preparações, incluindo refogados, assados e grelhados. Como outros óleos, não deve ser levado a temperaturas que provoquem fumaça excessiva.
MITO
A categoria extra virgem apresenta características específicas de qualidade e composição, mas diferentes tipos de azeite podem ser utilizados na alimentação, de acordo com a finalidade e a preferência do consumidor.
VERDADE
Pode ser utilizado no preparo e na finalização de legumes, verduras, massas, grãos, peixes, carnes, molhos e marinadas, além de algumas sobremesas.
“A cor mais verde significa que o azeite é melhor”
MITO
A tonalidade pode variar conforme a variedade da azeitona, seu grau de maturação e outros fatores, e não deve ser utilizada isoladamente para avaliar a qualidade.
A forma de conservação influencia a qualidade
VERDADE
Luz, calor, oxigênio e tempo podem acelerar a deterioração do azeite; por isso, depois de aberto, o produto deve permanecer bem fechado e protegido da luz e do calor.
Amargor é sinal de azeite estragado
MITO
Em azeites virgens e extra virgens, certo grau de amargor pode ser uma característica sensorial natural e estar relacionado à presença de compostos fenólicos.
Além das características sensoriais, pesquisas científicas vêm investigando a relação entre o consumo de azeite e diferentes indicadores de saúde. Uma meta-análise publicada em 2024 pelo European Journal of Preventive Cardiology, que reuniu 30 estudos e mais de 2,7 milhões de participantes, encontrou associação entre maior consumo de azeite e menor risco de doenças cardiovasculares e mortalidade.
“Mais do que saber se um azeite é mais suave ou mais intenso, é importante entender suas características e como elas se relacionam com a forma de consumo. Azeite é um ingrediente versátil, que pode trazer sabor às refeições e fazer parte de uma alimentação equilibrada”, acrescenta Casarin.
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o valor que o Brasil ainda não contou

O Ibrafe defende que agregar valor ao feijão brasileiro não depende apenas de verticalizar a produção ou transformar o grão em produto industrial. É preciso reconhecer e comunicar seus atributos: origem, história regional, diversidade de variedades, práticas regenerativas, valor nutricional, presença cultural e papel na segurança alimentar.
Quando se fala em agregar valor à produção agrícola, a primeira resposta costuma ser verticalizar: criar produtos prontos, desenvolver ingredientes, construir marcas e aproximar indústria, varejo, restaurantes e exportação.
Esse caminho faz sentido quando resolve uma necessidade do consumidor, como falta de tempo, dificuldade de preparo ou busca por praticidade. Feijão cozido, farinhas, snacks e ingredientes à base de pulses podem capturar mais valor por tonelada produzida.
Mas industrializar, por si só, não cria valor. Uma embalagem não garante mercado. Uma fábrica não garante demanda. Sem qualidade, distribuição, confiança e viabilidade econômica, o produto muda de forma sem necessariamente melhorar a renda de quem participa da cadeia.
Antes de perguntar como verticalizar, precisamos perguntar: onde está o valor que ainda não estamos contando?
O que significa agregar valor ao feijão?
Feijões têm variedade, textura, sabor, tempo de cozimento, origem, história e uso culinário. Sua presença em cada território resulta de tradição, adaptação ao clima, trabalho dos produtores e oportunidades econômicas.
No vinho, no café, no cacau e nos queijos, o consumidor aprendeu a reconhecer origem, solo, clima, variedade e modo de produção. O produto físico é parte do valor. Outra parte está na reputação e no significado que carrega.
O feijão tem terroir?
O feijão precisa continuar sendo comida de verdade, acessível e cotidiana, presente no prato feito, na escola e na casa das famílias. Isso não impede que tenha origem reconhecida, identidade e atributos ligados ao território.
Há Feijão-preto com forte ligação com o Sul, feijão-carioca em regiões tecnificadas, feijões especiais do Cerrado e caupis conectados à cultura do Nordeste. Mungos, alubias, rajados, vermelhos, cranberries e adzukis revelam uma diversidade que ainda aparece pouco nas gôndolas.
Falar em terroir exige conhecer e demonstrar como o ambiente e o modo de produção se relacionam com as características do alimento. Essa construção pode reunir produtores, pesquisadores e cozinheiros.
A Rota do Feijão pode nascer dessa percepção, unindo território, cultura, gastronomia, produção e conhecimento.
Cada região poderia contar quando o feijão chegou, por que se adaptou, quem o plantou, quais variedades ganharam espaço, que pratos se conectam a ele e como a pesquisa ajudou a melhorar a lavoura.
O que é feijão regenerativo?
A valorização da origem também abre espaço para explicar como o alimento é produzido. Nesse ponto, a palavra regenerativo precisa estar apoiada em práticas e resultados verificáveis.
Para o produtor, isso envolve cuidado com o solo, rotação de culturas, cobertura vegetal, redução de erosão, proteção da água e diversificação produtiva. Os resultados precisam ser acompanhados conforme a realidade de cada sistema.
Para o consumidor, a explicação pode ser simples: um alimento produzido com práticas que buscam cuidar da terra de onde vem. Essa mensagem só ganha confiança quando há evidências que a sustentem.
Quem compra o pacote na prateleira raramente vê a semente, o clima, o risco, o produtor ou as decisões de manejo. Contar essa história torna visível o trabalho que existe entre a lavoura e a mesa.
Por que essa narrativa interessa ao consumidor?
A história não substitui preço, qualidade e disponibilidade. Mas pode ajudar o consumidor, o varejo e o comprador internacional a reconhecer atributos que o preço sozinho não revela.
Um feijão pronto para consumo oferece conveniência. Quando também apresenta uma variedade bem escolhida, origem identificada, produtores conhecidos e práticas comprovadas, reúne outros motivos para ser escolhido.
Qual é a visão do Ibrafe?
O Ibrafe vem levando essa visão a produtores, empacotadores, exportadores, pesquisadores, supermercados, chefs, restaurantes, universidades e instituições públicas. Nenhum elo sozinho será capaz de ampliar o reconhecimento do feijão.
O produtor precisa ser valorizado pelo que entrega além do volume. O empacotador precisa de ferramentas para diferenciar seu produto. O supermercado pode apresentar atributos que vão além da promoção. O chef pode revelar sabor e diversidade. A escola pode aproximar crianças desse alimento.
A pesquisa pode sustentar a diferenciação com conhecimento. A indústria pode oferecer conveniência. A exportação pode apresentar o Brasil como origem confiável, diversa e capaz de entregar alimentos com identidade.
Como o Brasil pode capturar mais valor no feijão?
O Brasil mede sua grandeza agrícola em área, produtividade, safra e toneladas. Essas medidas continuarão importantes. Para o feijão, identidade, confiança e conhecimento do consumidor também precisam orientar as decisões.
Primeiro, entender o produto, seu território, seu sistema produtivo e seu mercado. Depois, decidir se o melhor caminho é vender melhor o grão, criar uma marca de origem, fortalecer o empacotamento, lançar um produto pronto, desenvolver um ingrediente ou abrir um mercado externo.
A verticalização deve nascer de uma demanda real. A narrativa deve nascer da verdade do território. E o regenerativo deve estar apoiado em prática comprovável.
O feijão reúne alimento de verdade, proteína vegetal acessível, fibra, cultura, renda no campo e segurança alimentar. Reconhecer esse conjunto pode ampliar a pergunta sobre como capturar mais valor por tonelada.
Uma saca pode deixar de ser anônima quando sua origem é conhecida. Uma região pode ganhar reconhecimento por suas variedades. O trabalho do produtor pode chegar ao consumidor por meio de uma história verdadeira e de atributos verificáveis.
A Rota do Feijão pode unir produção, gastronomia, turismo, educação, varejo e pesquisa nessa construção. Seu potencial está em aproximar quem produz de quem consome e transformar conhecimento sobre o alimento em reconhecimento de valor.
O feijão precisa continuar acessível. E quem o produz precisa ter melhores condições de ser reconhecido pelo que entrega.
Viva o feijão do Brasil !
*Marcelo Lüders é presidente do Instituto Brasileiro do Feijão e Pulses (Ibrafe), e atua na promoção do feijão brasileiro no mercado interno e internacional
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Produtividade de cereais no Reino Unido fica abaixo da média histórica

A colheita de grãos de 2026 no Reino Unido foi praticamente concluída com rendimentos médios abaixo do histórico recente para as principais culturas de cereais. Segundo relatório final de safra do Conselho de Desenvolvimento da Agricultura e Horticultura (AHDB), divulgado nesta sexta-feira (25), a escassez de chuvas desde a primavera local comprometeu a produtividade em parte relevante das lavouras.
O trigo de inverno encerrou o ciclo com produtividade média de 6,9 toneladas por hectare, resultado 11% inferior à média dos últimos cinco anos. O levantamento aponta que o avanço acelerado da colheita na Inglaterra e no País de Gales e um alívio pontual nos rendimentos do norte da Escócia não foram suficientes para reverter o quadro geral.
A cevada de primavera registrou um dos piores desempenhos da temporada, com média de 4,8 toneladas por hectare, queda de 17% ante a média quinquenal do país. A aveia teve produtividade de 4,6 toneladas por hectare, 14% abaixo do histórico de cinco anos.
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Em sentido oposto, a cevada de inverno ficou alinhada ao padrão recente, com 6,9 toneladas por hectare. A colza apresentou o melhor resultado relativo, ao atingir 4,0 toneladas por hectare, volume 19% superior à média de cinco anos do Reino Unido.
A AHDB também informou que a qualidade dos grãos colhidos variou de forma expressiva entre as regiões, o que adiciona complexidade às decisões de armazenagem e comercialização nos próximos meses. Em nota, a analista-chefe de Cereais e Oleaginosas da entidade, Helen Plant, afirmou que fatores como tipo de solo, data de semeadura e retenção de umidade ampliaram as diferenças entre propriedades.
O diretor do setor, Anthony Hopkins, declarou que a sequência de adversidades climáticas ao longo de duas ou três safras, somada aos custos operacionais elevados, amplia a pressão financeira sobre os agricultores, especialmente nas áreas mais atingidas pela estiagem.
O balanço final da safra de 2026 no Reino Unido indica perdas de produtividade em parte central das culturas de cereais, com desempenho melhor apenas em segmentos específicos, como colza e cevada de inverno, em um cenário marcado por restrição hídrica e variação regional na qualidade dos grãos.
Fonte: Estadão Conteúdo
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