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12 de agosto de 2026

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Clima extremo acelera busca por sementes mais resistentes e novas tecnologias para o agro

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Foto: Canal Rural Mato Grosso

Secas prolongadas, excesso de chuvas, ondas de calor e fenômenos climáticos mais intensos estão acelerando uma corrida por inovação dentro do agronegócio. Em um cenário de clima cada vez mais imprevisível, empresas de sementes e biotecnologia têm direcionado investimentos para desenvolver cultivares mais resistentes e ferramentas capazes de aumentar a resiliência das lavouras.

O desafio vai além do controle de pragas, doenças e plantas daninhas. A preocupação agora é como garantir produtividade diante de condições climáticas que mudaram significativamente nos últimos anos e que devem continuar impactando a agricultura brasileira.

As previsões para a próxima safra reforçam essa preocupação. A expectativa de um novo ciclo de El Niño e os reflexos já observados em diferentes regiões produtoras colocam o clima entre os principais fatores de risco para o produtor rural.

A presença das principais empresas de genética e biotecnologia durante a Feira Brasileira de Sementes (Febrasem), realizada em Rondonópolis na última semana, abriu espaço para discutir um desafio que vem ganhando peso dentro das propriedades rurais: a adaptação da produção agrícola às mudanças climáticas.

Enquanto novas tecnologias são desenvolvidas, a qualidade da semente continua sendo apontada como um dos principais fatores para reduzir riscos na instalação da lavoura. Presidente da Associação dos Produtores de Sementes de Mato Grosso (Aprosmat), Nelson Croda lembra que as previsões indicam um novo ciclo marcado pelo El Niño.

“O El Niño pelas previsões é para ser bastante rigoroso nesta safra. Então, antes de mais nada, o cuidado principal que a Aprosmat tem é garantir uma semente de alta qualidade e isso pode fazer a diferença com as adversidades climáticas”.

Segundo ele, embora não seja possível controlar o clima, uma boa implantação da lavoura aumenta as chances de sucesso da produção. “A semente é o pontapé inicial. Iniciando uma lavoura com uma semente de alta qualidade, você garante o estande e garante o sucesso da lavoura”.

Genética ganha protagonismo

Uma das estratégias adotadas pela indústria para enfrentar os impactos climáticos é ampliar a diversidade genética disponível ao produtor. A ideia é reduzir a dependência de um único material e distribuir melhor os riscos dentro da propriedade.

Diretor comercial da Bayer, Fábio Passos explica ao Canal Rural Mato Grosso que diferentes variedades respondem de formas distintas aos eventos climáticos e podem ajudar a preservar parte do potencial produtivo da lavoura.

“Se eu plantar a mesma variedade naquela área inteira, e aquela variedade pega um momento que ela não enche grão, que ela fica mal, ela perde produtividade. A nossa discussão é primeiro como que eu trago um pacote com mais diversidade”.

De acordo com Passos, essa estratégia já está sendo colocada em prática. “De Intacta 2 Xtend, a gente vai ter mais de 400 variedades no Brasil inteiro lançadas. Se a gente faz um paralelo do passado, a soja RR teve 40 variedades”.

A busca por materiais mais adaptados também faz parte dos programas de melhoramento genético da BASF. Conforme o vice-presidente da empresa, Marcelo Batistela, as características relacionadas à tolerância ao calor e ao déficit hídrico já estão incorporadas às pesquisas.

“Dentro dos nossos programas, a gente coloca características nas plantas que ajudam a mitigar um clima muito extremo, ou de alta temperatura, ou de períodos muito longos com déficit hídrico”.

Na Syngenta, o trabalho segue a mesma direção. Diretor comercial da Syngenta Seeds no Brasil, Frederico Barreto destaca que a agricultura tropical exige respostas rápidas da pesquisa diante das constantes mudanças climáticas. “O clima se tornou bastante complexo. Nós temos visto uma variação bastante grande de um ciclo para o outro. Tivemos a La Niña, vamos agora para um super El Niño provavelmente”.

Uma das respostas da empresa tem sido o desenvolvimento de materiais mais precoces. “A gente trouxe mais variedades super precoces para que ele possa ter o ciclo mais curto e fugir desses desafios climáticos e se adaptar em várias regiões”, frisa Barreto.

Corrida para acelerar a inovação

Além da genética, as empresas trabalham para reduzir o tempo entre a descoberta de uma tecnologia e sua chegada ao campo.

O diretor comercial da Bayer pontua que o desenvolvimento de uma nova biotecnologia pode levar cerca de 15 anos entre as pesquisas iniciais e a disponibilização comercial ao produtor. Por isso, a indústria busca formas de acelerar esse processo. “O que a gente tem visto também é como encurta esse prazo para chegar com a tecnologia mais cedo. Porque a hora que eu vejo o desafio, até conseguir trazer são 15 anos”.

Segundo ele, uma das iniciativas da Bayer foi transferir parte desse desenvolvimento para o Brasil, aproximando a pesquisa das condições reais encontradas nas lavouras nacionais.

Ao mesmo tempo, novas ferramentas de edição genética vêm ganhando espaço. Para Barreto, a tecnologia permitirá identificar com mais precisão características ligadas à tolerância ao estresse hídrico e às altas temperaturas.

“Nós temos seleção de materiais mais tolerantes aos estresses hídricos, às temperaturas mais altas também, que é uma recorrência”, salienta em entrevista ao Canal Rural Mato Grosso.

O representante da Syngenta ressalta que a edição genética pode acelerar a incorporação dessas características aos programas de melhoramento. “A gente espera que nos próximos anos a resposta da indústria seja mais acelerada e assim a gente fique preparada para responder mais rápido a isso”.

Tecnologia também passa pela informação

Outra frente considerada estratégica é o uso de ferramentas digitais para melhorar a tomada de decisão dentro da propriedade.

Na avaliação de Marcelo Batistela, da BASF, a agricultura digital pode ajudar o produtor a antecipar cenários e ajustar manejos ao longo da safra. “Uma terceira frente que talvez seja uma mais moderna agora e que vai ajudar o agricultor também mais para frente é na digitalização da agricultura, com modelos climáticos que ajudam primeiro a ter uma previsibilidade um pouco melhor”.

O executivo lembra que o Brasil possui vantagens competitivas por operar em um ambiente tropical, com possibilidade de mais de uma safra por ano. Em contrapartida, essa condição também aumenta a exposição às variações climáticas. “O lado positivo é a gente ter a intensificação e conseguir fazer mais de duas safras por ano. O lado desafiador é como a gente continua fazendo cada vez mais, com menos recursos e de maneira mais resiliente”.

Com previsões de um novo ciclo de El Niño e a expectativa de eventos climáticos cada vez mais frequentes, a busca por plantas mais resistentes, ferramentas digitais e tecnologias capazes de reduzir riscos deve continuar no centro dos investimentos da indústria. Para o setor, adaptar a produção a um clima em transformação deixou de ser uma tendência para se tornar uma necessidade.


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Fertilizantes na soja: onde está o ganho de eficiência? Especialista da Yara Brasil explica

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Foto: Canal Rural/reprodução

Tem novo episódio do podcast Soja Brasil no ar! E você pode conferir o que Guilherme Schmitz, vice-presidente de Marketing e Agronomia da Yara Brasil, falou sobre eficiência na adubação e o uso dos fertilizantes como investimento para aumentar a produtividade e a rentabilidade no campo. O especialista comentou sobre a importância de avaliar o retorno de cada tecnologia utilizada na lavoura, considerando também os ganhos em produtividade, qualidade e eficiência operacional.

Durante o bate-papo, Guilherme destacou ainda a necessidade de personalizar as recomendações de fertilização de acordo com as características de cada solo e talhão. Segundo ele, um bom diagnóstico, o equilíbrio entre nutrientes, a correção do solo e o desenvolvimento do sistema radicular são fundamentais para melhorar o aproveitamento dos fertilizantes. O especialista também falou sobre tecnologias da Iara voltadas à nutrição, bioestimulação e tratamento de sementes.

Outro assunto abordado no episódio foi a preparação da lavoura para enfrentar eventos climáticos, como estiagens, veranicos e chuvas intensas. Guilherme explicou que uma planta bem estabelecida e com bom desenvolvimento radicular pode apresentar maior resiliência diante dessas condições.

Confira:

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Produtores de arroz seguram vendas à espera de R$ 80 por saca no RS

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Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

O mercado de arroz em casca no Rio Grande do Sul segue firme, sustentado pela menor disposição dos produtores para negociar e pela necessidade de compra das indústrias. Segundo análise do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a oferta reduzida de lotes limita a liquidez, enquanto compradores encontram dificuldades para recompor os estoques.

Os produtores permanecem cautelosos nas vendas e aguardam preços mais atrativos. De acordo com o Cepea, a expectativa está em valores próximos de R$ 80 por saca de 50 quilos, livre, patamar considerado mais compatível com a remuneração esperada pelos vendedores.

A postura retraída no campo contribui para sustentar as cotações do arroz em casca. Por outro lado, o repasse dessa valorização para o produto beneficiado ainda encontra resistência, o que limita a margem para avanços nas negociações ao longo da cadeia.

Indústrias enfrentam dificuldade para recompor estoques

Do lado comprador, a necessidade de reposição mantém as indústrias ativas no mercado. No entanto, a baixa disponibilidade interna de arroz dificulta a formação de estoques e aumenta a disputa pelos lotes colocados à venda.

O cenário ajuda a explicar também o movimento observado no comércio exterior, com aumento da entrada de produto estrangeiro no país.

Segundo o Cepea, as importações cresceram diante da necessidade das indústrias de recompor estoques, em um momento de oferta doméstica restrita.

Exportações de arroz recuam em julho

Enquanto as importações avançaram, as exportações brasileiras perderam força. Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) apontam redução nos embarques de arroz em julho, interrompendo uma sequência de dois meses consecutivos de forte crescimento.

Pesquisadores do Cepea relacionam esse movimento ao encerramento dos leilões promovidos pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e à valorização do arroz no mercado doméstico.

Com produtores resistentes em negociar aos preços atuais e indústrias ainda buscando matéria-prima, a disponibilidade de arroz no mercado interno permanece como um dos principais fatores de sustentação das cotações.

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Pedidos de recuperação judicial no agro crescem 22% no primeiro trimestre de 2026

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Foto: Freepik

O agronegócio brasileiro registrou 474 pedidos de recuperação judicial no primeiro trimestre de 2026, alta de 21,9% em relação às 389 solicitações contabilizadas no mesmo período do ano passado. Os dados fazem parte de levantamento da Serasa Experian e consideram produtores rurais pessoas físicas e jurídicas, além de empresas ligadas à cadeia do agro.

Segundo a empresa, o avanço ocorre em um cenário de crédito mais seletivo, custos de produção elevados e maior nível de alavancagem de parte dos produtores. Esses fatores têm pressionado o fluxo de caixa no campo.

Apesar do crescimento na comparação anual, o número de pedidos ainda permanece abaixo dos patamares mais elevados observados em meados de 2025.

Para Marcelo Pimenta, head de agronegócio da Serasa Experian, o comportamento dos pedidos ao longo dos próximos meses dependerá, entre outros fatores, da capacidade de geração de receita, das margens e das condições disponíveis para renegociação das dívidas.

“Renegociar e manter um planejamento financeiro deve ser prioridade enquanto a recuperação judicial precisa permanecer como o último recurso”, afirma.

Mato Grosso lidera pedidos de recuperação judicial no agro

Na divisão por estados, Mato Grosso liderou o país, com 135 pedidos de recuperação judicial entre janeiro e março. O levantamento considera, nesse recorte, as solicitações de produtores rurais pessoas físicas e jurídicas e de empresas relacionadas à cadeia do agronegócio.

Na sequência aparecem Goiás, Paraná e Mato Grosso do Sul.

Pedidos entre produtores rurais PJ disparam 73,5%

Os produtores rurais que atuam como pessoa jurídica (PJ) foram o grupo com maior número de solicitações no primeiro trimestre.

Foram contabilizados 196 pedidos, crescimento de 73,5% diante dos 113 registrados nos três primeiros meses de 2025. Foi também a maior alta anual entre os três perfis analisados.

O cultivo de soja concentrou 137 pedidos, enquanto a criação de bovinos apareceu em seguida, com 42 solicitações. Mato Grosso, Goiás e Mato Grosso do Sul lideraram o ranking estadual desse grupo.

Recuperação judicial cai entre produtores pessoa física

O movimento foi diferente entre os produtores rurais que atuam como pessoa física (PF). Foram registrados 182 pedidos de recuperação judicial entre janeiro e março, queda de 6,7% em relação aos 195 contabilizados no mesmo período de 2025.

Entre esses produtores, aqueles classificados como “sem propriedades” concentraram 60 solicitações. Segundo a metodologia do levantamento, esse grupo pode incluir arrendatários ou integrantes de grupos familiares e econômicos relacionados à atividade rural.

Os pequenos proprietários tiveram 44 pedidos, seguidos pelos grandes, com 41, e médios, com 37. Mato Grosso também liderou nesse recorte, seguido por Paraná e Goiás.

Empresas da cadeia do agro registram alta de 18,5%

As empresas com atividades relacionadas à cadeia do agronegócio apresentaram 96 pedidos de recuperação judicial no primeiro trimestre, avanço de 18,5% ante as 81 solicitações do mesmo período de 2025.

As agroindústrias de transformação primária responderam pelo maior volume, com 23 pedidos. Depois aparecem as indústrias de processamento de agroderivados, com 19, e os serviços de apoio à agropecuária, com 15.

Nesse grupo, Paraná, São Paulo e Mato Grosso foram os estados com maior número de solicitações.

Serasa aponta uso de inteligência artificial para avaliar riscos

A Serasa Experian afirma utilizar inteligência artificial e modelos preditivos para identificar antecipadamente mudanças no perfil financeiro de produtores e empresas do agronegócio.

Um dos instrumentos é o Agro Score, desenvolvido para considerar características específicas da atividade rural. Segundo a companhia, análises feitas com a ferramenta indicaram que o score médio dos produtores rurais pessoas físicas que posteriormente entraram com pedidos de recuperação judicial já era significativamente inferior ao da população rural em geral três anos antes da formalização do processo.

De acordo com Pimenta, a análise de informações específicas do setor pode ajudar a identificar diferentes níveis de risco e apoiar a concessão de crédito sem restringir de maneira generalizada o acesso a recursos.

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