Agro Mato Grosso
Preço do milho recua nos últimos cinco anos, enquanto custos de produção avançam em MT

A agricultura brasileira convive cada vez mais com os reflexos das instabilidades econômicas globais. Fatores climáticos, conflitos geopolíticos, oscilações cambiais e mudanças nas políticas econômicas influenciam diretamente o desempenho do setor, especialmente de culturas com forte inserção no mercado internacional, como o milho.
Em Mato Grosso, maior produtor nacional do grão, os últimos cinco anos foram marcados por um crescimento expressivo da área cultivada, da produção e da produtividade. Entretanto, apesar dos avanços produtivos, a rentabilidade do produtor rural não acompanhou o mesmo ritmo. A combinação entre queda nos preços do milho, aumento dos custos de produção e desvalorização do real vem reduzindo as margens e ampliando os desafios para quem produz.
Dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) mostram que a produção estadual de milho saltou de 32,56 milhões de toneladas na safra 2020/21 para uma estimativa de 53,35 milhões de toneladas na safra 2025/26. No mesmo período, a área cultivada passou de 5,84 milhões para 7,39 milhões de hectares. O crescimento da produção foi impulsionado principalmente pelos ganhos de produtividade obtidos pelos produtores mato-grossenses.
Segundo o vice-presidente Oeste da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT), Gilson Antunes de Melo, o estado ampliou significativamente seu desempenho nos últimos anos. “Trabalhávamos em torno de 100 sacas por hectare e chegamos agora a 120 sacas por hectare. Nossa produção já ultrapassa 50 milhões de toneladas e, em alguns anos, superou até mesmo a produção de soja”, destaca.
Apesar da expansão produtiva, os preços do milho seguiram trajetória oposta. Em 2020, a média anual da saca foi de R$ 43,24. Em 2021, impulsionada por problemas climáticos, oferta restrita e forte demanda internacional, a cotação atingiu média de R$ 71,14 por saca, chegando a superar R$ 78 em alguns meses. A partir de 2022, porém, iniciou-se um movimento de acomodação do mercado. Em 2023, a média anual caiu para R$ 43,34 e, em 2024, ficou em R$ 41,33 por saca. Em 2026, considerando os valores registrados entre janeiro e junho, a média está em R$ 45,31.
Gilson observa que o produtor enfrentou uma forte oscilação de preços ao longo desse período. “Nos últimos cinco anos saímos da casa dos R$ 30, chegamos a R$ 70, tivemos picos próximos de R$ 80 e hoje trabalhamos novamente na faixa dos R$ 40. É uma oscilação muito grande”, afirma.
Entre os principais fatores que explicam o atual cenário de preços está o aumento da oferta de milho no Brasil. Além da expansão da produção em Mato Grosso, o país registrou safras recordes nos últimos anos, elevando os estoques e ampliando a disponibilidade do cereal. Para o diretor financeiro da Aprosoja MT, Nathan Belusso, o avanço da colheita da segunda safra intensifica ainda mais essa pressão.
“Historicamente, nessa época do ano, por conta do avanço da colheita do milho segunda safra, a pressão pelo excesso de oferta faz com que os preços tendam a cair”, explica. Nathan destaca ainda que o déficit de armazenagem e os gargalos logísticos contribuem para reduzir os preços pagos ao produtor. “O custo para armazenar aumenta e, consequentemente, o valor pago pelas tradings e armazenadores acaba sendo menor”, acrescenta.
Embora os preços permaneçam pressionados, a expansão das usinas de etanol de milho tem contribuído para dar sustentação ao mercado estadual. Segundo Gilson Antunes de Melo, a indústria de biocombustíveis já absorve uma parcela significativa da produção mato-grossense. “Este ano está estimado que as usinas processem cerca de 16 milhões de toneladas de milho, algo superior a 30% da produção estadual. Isso ajuda a equilibrar o mercado e dá maior segurança para o produtor”, afirma.
Desvalorização do real aumenta custos da produção
Se por um lado os preços do milho recuaram nos últimos anos, por outro os custos para produzir cresceram de forma consistente. Grande parte dos insumos utilizados na agricultura possui relação direta com o dólar, especialmente fertilizantes, defensivos agrícolas, peças, máquinas e combustíveis. Com a desvalorização do real frente à moeda norte-americana ao longo dos últimos anos, os custos de produção aumentaram significativamente.
Os números do Imea mostram essa evolução. O Custo Operacional Efetivo (COE), que reúne desembolsos diretos da atividade, passou de R$ 3.381,94 por hectare na safra 2021/22 para R$ 4.806,17 na safra 2025/26, aumento superior a 42%. Já o Custo Total (CT), que considera também o custo de oportunidade do capital investido, avançou de R$ 4.395,84 para R$ 6.725,91 por hectare no mesmo período, alta de aproximadamente 53%.
Os fertilizantes e corretivos seguem sendo o principal componente do custo de produção. Na safra 2021/22, representavam 34,55% do COE. Em 2025/26, responderam por 29,58% dos custos operacionais e permanecem como o item de maior peso para o produtor.
Segundo o produtor associado da Aprosoja MT pelo núcleo Vale do Arinos, Renato Tozzo, a atual relação entre preço do milho e custo de produção é uma das mais desafiadoras dos últimos anos. “Na minha visão, este está sendo o pior cenário dos últimos cinco anos. A margem está bastante apertada e os custos de fertilizantes, diesel e demais insumos continuam elevados”, afirma. Para ele, a inflação e a desvalorização da moeda brasileira agravam ainda mais o cenário. “A inflação vem impactando diretamente o agro. Fertilizantes, óleo diesel e outros insumos ficaram mais caros. Além disso, o ambiente econômico traz muitas incertezas para quem produz”, destaca.
O aumento dos custos vem reduzindo significativamente a rentabilidade do produtor. Dados do Imea mostram que o LAJIDA (Lucro Antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização) saiu de R$ 2.278,34 por hectare na safra 2021/22 para apenas R$ 683,18 na safra 2025/26. Para a safra 2026/27, a projeção é de apenas R$ 70,96 por hectare. Na prática, isso significa que o ganho financeiro do produtor está cada vez menor, mesmo diante do aumento da produtividade.
Na região de Itanhangá, o delegado coordenador do núcleo da Aprosoja MT, Ivam Franceschet, relata que os custos operacionais já consomem cerca de 100 sacas por hectare. “Hoje gastamos em torno de R$ 4.300 por hectare para produzir. O diesel está caro, o frete também está pesado e todos os custos aumentaram. Atualmente conseguimos algo entre 15 e 20 sacas por hectare de lucro. O ideal seria trabalhar entre 25 e 30 sacas”, avalia.
O cenário de margens apertadas pode trazer consequências para os próximos ciclos produtivos. Com menor capacidade financeira, muitos produtores tendem a reduzir investimentos em tecnologia, fertilização e manejo. Nathan Belusso alerta que a atual faixa de preços não é suficiente para garantir a sustentabilidade econômica da atividade. “Para que a produção de milho seja viável e permita ao produtor financiar a próxima safra, o preço deveria estar entre R$ 50 e R$ 55 por saca. Hoje estamos trabalhando entre R$ 38 e R$ 44, muito abaixo da necessidade do setor”, afirma.
O produtor acaba diminuindo a aplicação de fertilizantes e outros insumos. Isso pode refletir na produção das próximas safras”, explica. Mesmo diante das dificuldades, Mato Grosso segue consolidando sua posição como principal produtor de milho do país. O crescimento da produtividade, a expansão da indústria de etanol de milho e os investimentos em tecnologia reforçam a competitividade da produção estadual.
A Aprosoja MT avalia que o desafio para os próximos anos será encontrar mecanismos que permitam ao produtor preservar sua rentabilidade em um ambiente cada vez mais influenciado por fatores globais, garantindo a continuidade dos investimentos e a sustentabilidade econômica de uma das cadeias mais importantes do agronegócio brasileiro.
Agro Mato Grosso
120 cabeças de gado é apreendido em fazenda suspeita de esconder animais furtados em MT

Polícia identificou 16 animais pertencentes a vítimas de furto e encontrou gado com marcas sobrepostas e sinais de remarcação. Responsável pela propriedade é investigado e não foi localizado.
Um rebanho de 120 cabeças de gado foi apreendido em uma propriedade rural de Dom Aquino, a 172 km de Cuiabá, após investigadores encontrarem animais furtados e indícios de alterações nas marcas de identificação. A ação ocorreu nessa segunda-feira (10), durante a Operação Curral do Crime II.
Segundo a Polícia Civil, 16 animais foram reconhecidos como pertencentes a duas vítimas de furtos de gado investigados desde junho. Uma delas teve mais de 60 cabeças levadas.
A investigação aponta que a propriedade pode ter sido utilizada para guardar, concentrar e esconder animais provenientes de crimes patrimoniais na região. Durante a conferência individual do rebanho, os policiais também encontraram animais com marcas sobrepostas, remarcações e sinais aparentes de alteração na identificação.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/S/3/xRtCtwTAWWNwBO8AAmew/foto-g1-27-.png)
Animais estavam com marcas sobrepostas e sinais aparentes de alteração na identificação — Foto: Polícia Civil
Ainda conforme a polícia, não foram apresentados documentos suficientes para comprovar, naquele momento, a procedência regular de todo o gado encontrado na propriedade.
Ao todo, foram apreendidos cautelarmente 85 animais adultos e 35 bezerros. A polícia informou que vai analisar a origem de cada um por meio do cruzamento das marcas com Guias de Trânsito Animal (GTAs), notas fiscais, registros de aquisição e informações sobre movimentações de rebanhos.
A investigação também apura a possível participação do responsável pela propriedade nos crimes. Segundo a Polícia Civil, os elementos reunidos até o momento indicam possível envolvimento do investigado, que não foi localizado.
As apurações continuam para identificar a procedência de todo o rebanho apreendido e localizar os demais animais furtados.
A polícia oriente que produtores que reconhecerem animais ou marcas podem procurar a Delegacia de Jaciara e apresentar documentos que auxiliem na identificação e comprovação da propriedade do gado.
Agro Mato Grosso
Efetor fúngico determina desfolha do algodoeiro e da oliveira

Gene presente em Verticillium dahliae controla patogenicidade e pode ter sido transferido entre fungos
Um único efetor secretado por Verticillium dahliae determina a desfolha causada por linhagens do patótipo desfolhante em algodoeiro e oliveira. A conclusão vem de estudo conjunto de pesquisadores de universidades de diversos países. A eliminação simultânea das duas cópias do gene, denominado D, suprimiu a patogenicidade e a desfolha nas duas culturas.
Os cientistas identificaram o gene por genômica comparativa. A análise inicial encontrou cerca de 200 quilobases exclusivos de linhagens desfolhantes. A comparação com outros genomas reduziu a região candidata para cerca de 24 quilobases. Nesse intervalo, dois genes idênticos codificavam proteínas secretadas e apresentavam expressão durante a infecção do algodoeiro.
A exclusão de apenas uma cópia do gene reduziu a agressividade de V. dahliae. A remoção das duas cópias impediu sintomas e eliminou a biomassa fúngica detectável no algodoeiro. A reintrodução do gene restaurou a capacidade de causar doença. A inserção do gene em uma linhagem não desfolhante também elevou a agressividade e provocou desfolha.
A proteína D purificada provocou murcha, clorose e queda de folhas em plântulas de algodoeiro sem necessidade de colonização extensa pelo fungo. Ensaios com Nicotiana benthamiana e Arabidopsis thaliana indicaram participação do efetor na patogenicidade além da desfolha.
Homólogos do gene D também ocorrem em espécies de Fusarium. As análises filogenômicas apontaram episódios de transferência horizontal entre fungos. Os pesquisadores relacionaram esse processo a grandes elementos transponíveis conhecidos como Starships. A estrutura tridimensional de um homólogo de Fusarium oxysporum revelou ainda um dobramento proteico não caracterizado anteriormente, o que sustenta a existência de uma nova família de efetores fúngicos (doi 10.1038/s41467-026-74504-z).
Agro Mato Grosso
Colheita do milho chega à reta final em Mato Grosso

Chuvas em excesso, atraso no plantio e custos elevados desafiaram os produtores nesta temporada; Dados são da Pesquisa de safra do Imea em parceria com a Aprosoja MT
Mato Grosso caminha para o fim da colheita do milho segunda safra 2025/26. Até 08 de agosto, 99,10% da área já havia sido colhida, com a produção estimada em 57,39 milhões de toneladas. Os dados integram o relatório de agosto do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) e se apoiam na pesquisa de safra realizada em campo, em parceria com a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT), junto aos produtores do estado.
A área plantada foi consolidada em 7,43 milhões de hectares, alta de 2,41% na comparação anual e de 0,57% ante o relatório de julho. O levantamento combina geoprocessamento e sensoriamento remoto, técnica que identifica a cultura ao longo do ciclo e a distingue de outras coberturas do solo. A produtividade média manteve-se estável em 128,67 sacas por hectare.
Pelo lado do consumo, o instituto projeta demanda de 57,20 milhões de toneladas para 2025/26, praticamente em linha com a produção estimada. O consumo interno responde por 22,10 milhões de toneladas, alta anual de 9,12%, puxada pela expansão e pelo ritmo aquecido das usinas de etanol de milho instaladas no estado. O mercado interestadual deve absorver cerca de 11 milhões de toneladas, 6,18% a mais que na temporada passada, movimento que reforça o papel do milho mato-grossense no abastecimento de regiões com produção em retração. Com a maior absorção pelo mercado doméstico, a projeção de exportações recuou 1,09%, para 24,10 milhões de toneladas.
Clima adverso pesou sobre as lavouras – No campo, o resultado veio acompanhado de dificuldades. “Na região Oeste, por exemplo, houve produtores que aumentaram a produção e muitos que perderam em relação ao ano passado”, afirma Gilson Antunes de Melo, vice-presidente Oeste da Aprosoja MT. Segundo ele, o excesso de chuva em março e abril favoreceu doenças e reduziu a eficiência da adubação nitrogenada em parte das áreas.
O dirigente aponta as janelas de plantio como o principal fator determinante da temporada. “Muitas regiões tiveram início de plantio cedo, no fim de setembro, mas depois choveu e muitas áreas foram plantadas a partir de 15 de outubro”, diz. O atraso empurrou parte da semeadura para o fim de janeiro e a segunda quinzena de fevereiro, expondo as lavouras a um período de maior umidade.
Em Porto dos Gaúchos, o produtor rural do núcleo do Vale dos Arinos, Peterson Piovezan Staniszewski encerrou a colheita em 9 de julho, com resultado pouco abaixo do esperado. “Investimos um pouco mais em relação às últimas safras de milho, mas não chegou a agregar em produtividade. Ficamos dois sacos abaixo do que esperávamos”, conta.
Com a produção estocada em silo e silo bolsa na propriedade, ele aguarda a reação do mercado para vender. Cerca de 20% do volume é consumido na pecuária da fazenda; o restante será negociado. A expectativa é negociar a saca em R$ 50 via cooperativa. Do lado do ciclo anterior, os estoques finais de 2024/25 recuaram 32,14% no mês, para 974 mil toneladas, ainda acima do nível de 2023/24, mas em movimento que dá suporte à aposta em preços mais firmes.
Custos da próxima safra preocupam produtor – A atenção do setor já se volta ao ciclo seguinte, e a conta de produção é o que mais pesa. Gilson Antunes de Melo lembra que a decisão de plantio está próxima e que o milho ocupa boa parte das áreas de soja. “A maior preocupação do produtor é o custo da próxima safra. É fechar a conta”, afirma, ao projetar um ano desafiador e recomendar cautela.
Staniszewski ainda não fechou a compra de insumos para o próximo plantio. “Tenho um planejamento, mas o mercado é que vai ditar se vamos seguir ou não”, diz. Ele condiciona o tamanho do investimento ao preço e ao clima: um cenário de El Niño forte, em sua avaliação, pode atrasar o plantio de soja e milho, o que reduzirá a produtividade no futuro, significando ser menos viável investir alto nesse ciclo.
Sustentabilidade23 horas agoColheita do milho chega à reta final em Mato Grosso – MAIS SOJA
Featured20 horas ago‘Os javalis estão por todo o Brasil e são cada vez mais avistados onde há soja’, diz analista da Famato
Business22 horas agoBNDES aprova R$ 53,99 milhões para modernizar irrigação e energia da Agrovale
Sustentabilidade24 horas agoMilho 2ª Safra: Colheita atinge 78,2% no Brasil com avanço no Centro-Oeste e Sul – MAIS SOJA
Featured21 horas agoTSE julga uso de “deepfake” de Jair Bolsonaro em campanha de Flávio à Presidência
Sustentabilidade17 horas agoIMEA: Preços firmes e cautela com El Niño marcam a comercialização do Milho em MT – MAIS SOJA
Sustentabilidade20 horas agoIMEA: Com vendas em 93%, entressafra eleva preços da soja em Mato Grosso – MAIS SOJA
Business22 horas agoCientistas identificam ‘impressão digital química’ para rastrear a origem do pescado
















